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sexta-feira, 22 de maio de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 106ª PARTE — UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL

TUDO PARECE IMPOSSÍVEL ATÉ QUE SEJA FEITO.

Como foi dito ao longo dos mais de 100 capítulos desta sequência sobre viagens no tempo, o fruto mais cobiçado da árvore da relatividade ainda não foi colhido porque exige viajar a uma velocidade próxima à da luz ou transpor um buraco de minhoca atravessável.


A boa notícia é que, para levar qualquer partícula com massa à velocidade máxima possível no Universo — segundo Einstein e a física clássica — uma grupo de cientistas propôs uma versão redesenhada da chamada "bolha de dobra" — estrutura teórica que poderia transportar uma espaçonave por meio da distorção do espaço-tempo. A má notícia é que a quantidade de energia negativa necessária, os riscos de controle e os prazos estimados em até milhares de anos esbarra num problema elementar: a humanidade ainda não sabe produzir os ingredientes físicos exigidos pelo modelo, especialmente grandes quantidades de energia negativa.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Um senador pedindo dinheiro ao operador de escandalosa fraude financeira, a quem trata de "irmão", é tudo menos uma transação corriqueira "de um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai". A conversa abre o baú de esqueletos com potencial de mudar o rumo desta eleição, pois evidencia a relação de proximidade de um candidato a presidente com um personagem cujos golpes envolvem dinheiro público, a quem ele cobra colaboração para a produção de uma peça de propaganda milionária, a ser usada em sua campanha eleitoral.
Não há nada de privado nisso. Há, sim, o flagrante de agressão ao interesse público no qual se inscreve, além do descrito acima, o fato de o pretendente a comandar a nação ter mentido aos correligionários e, sobretudo, aos que até agora o indicavam como favorito nas pesquisas de intenções de votos. O impacto negativo na candidatura está posto, faltando apenas medir a extensão do estrago para esclarecer se o filho do golpista consegue se livrar do enrosco, se terá de sair de cena da disputa presidencial ou se prosseguirá mesmo tendo de arrastar essa corrente.
A rapidez com que companheiros do PL consideraram o tiro como mortal, a reação fragiliza a retaguarda do candidato e cria um rombo na estratégia de defesa já prejudicada pela negativa inicial seguida pelo desmentido nos áudios. Sendo o destino moleque travesso, o pai que lhe assegura ascensão com o capital do sobrenome o coloca na contingência de um tombo fatal.


Vale relembrar que a massa aumenta com a velocidade, torna-se infinita na velocidade da luz (representada pela letra "c" e equivalente a cerca de 1,08 bilhão de km/h) e requer energia igualmente infinita para continuar acelerando. Os efeitos da dilatação do tempo só são sensíveis em velocidades próximas a "c". A 99,999% dessa velocidade, um corpo fica 224 vezes mais pesado; a 99,99999999%, o aumento é de 70 mil vezes; a 99,999999999999999999981%, um segundo no referencial do viajante equivale a 2,5 anos no tempo terrestre, como bem demonstra o paradoxo dos gêmeos


Em um cenário mais moderado, chegar a nossa vizinha estelar mais próxima, que dista 4,37 anos-luz da Terra, viajando a 99,9999999% de "c" levaria mais de 4 anos terrestres, mas, no referencial dos astronautas, teriam transcorrido menos de duas horas. Mas a nova proposta de motor de dobra que redesenha a bolha espaço-temporal reacendeu o debate sobre viagens com velocidades próximas a "c".


A proposta envolve uma nova arquitetura para um motor de dobra — ideia associada há décadas ao sonho de reduzir distâncias entre estrelas — que não faz a nave ultrapassar localmente o limite imposto pela física moderna, mas tenta mover a região ao redor dela, comprimindo o espaço à frente e expandindo o espaço atrás.


Assinado pelo engenheiro aeroespacial Harold “Sonny” White e pelos coautores Jerry Vera, Andre Sylvester e Leonard Dudzinski, ligados à Casimir, Inc., o estudo descreve “bolhas de dobra cilíndricas com interior plano para nacelas” e foi publicado na revista Classical and Quantum Gravity. A principal mudança do novo modelo está na geometria da bolha de dobra — em vez de concentrar a energia exótica em um único anel circular ao redor da nave, a proposta organiza essa energia em segmentos tubulares separados, posicionados ao redor da fuselagem como naceles. Os autores analisam configurações com dois, três ou quatro segmentos espaçados em torno da bolha, visando manter o interior da espaçonave calmo e plano enquanto a parte externa realiza o trabalho de distorcer o espaço-tempo.


A comparação com a ficção científica aparece de forma inevitável, especialmente pela semelhança com as nacelas gêmeas da USS Enterprise. Harold White afirmou ao The Debrief que essa semelhança “não é meramente estética”, reforçando a tentativa de aproximar a matemática da dobra espacial de algo mais palpável para a engenharia. O ponto central, no entanto, continua sendo transformar equações consistentes em algo fisicamente possível. O modelo refina a arquitetura da bolha, mas ainda depende de condições que a ciência atual não consegue reproduzir em escala útil para uma espaçonave.


Como dito acima, a física moderna não admite que uma nave com massa seja simplesmente acelerada até superar a velocidade da luz. Quanto mais perto um objeto chega desse limite, maior é a energia necessária para continuar acelerando, sem que essa exigência se estabilize. Mas os conceitos de propulsão de dobra buscam uma saída diferente. A nave não seria empurrada como um foguete comum, mas carregada por uma bolha que altera a geometria do espaço ao seu redor. 


A lógica pode ser comparada a uma esteira rolante de aeroporto, na qual a pessoa sobe e, mesmo sem andar mais rápido do que todos ao redor, chega antes porque a superfície sob seus pés também está em movimento. Na proposta de dobra espacial, essa “esteira” seria o próprio espaço-tempo. A região à frente da nave seria comprimida, enquanto a região atrás dela se expandiria, permitindo que a bolha avançasse sem que a espaçonave dentro dela ultrapassasse localmente a velocidade da luz. Esse tipo de abordagem remonta à proposta de 1994, frequentemente citada como o documento métrico sobre propulsão de dobra. Desde então, o maior desafio tem sido conciliar a elegância matemática com limitações físicas extremamente rígidas.


Um dos pontos que chama atenção no novo artigo é o foco na habitabilidade da bolha. Não basta mover uma espaçonave pelo espaço-tempo; uma missão tripulada também precisa garantir que a região interna não submeta os astronautas a distorções gravitacionais perigosas, como as associadas às chamadas forças de maré. Em escala extrema, elas poderiam criar efeitos muito mais severos do que as marés oceânicas observadas na Terra, tornando inviável a presença humana dentro da nave. Por isso, os autores defendem uma condição de “planicidade interior”: a cabine permanece matematicamente plana em termos de espaço-tempo, ainda que a estrutura externa da bolha esteja altamente distorcida.


Essa estabilidade é fundamental para navegação, relógios, suporte à vida e funcionamento normal das leis físicas dentro da espaçonave. Mesmo sendo uma proposta teórica, ela mira uma exigência que qualquer sistema real precisaria enfrentar. No entanto, o maior entrave para qualquer motor de dobra é a energia negativa.. Ela aparece em quantidades mínimas em configurações quânticas muito específicas, mas ampliá-la para o tamanho de uma espaçonave está muito além das capacidades atuais. A crítica não é apenas tecnológica. Uma análise de 1997 de Michael J. Pfenning e L. H. Ford aplicou limites quânticos às bolhas de dobra e concluiu que a energia negativa teria de ser comprimida em uma camada extremamente fina, com exigências totais de energia consideradas fisicamente inalcançáveis.


Também permanece aberta a questão de saber se o universo fornece massa negativa ou energia negativa em uma forma utilizável. O astrofísico Avi Loeb, da Universidade de Harvard, argumentou que a energia do vácuo associada à expansão cósmica é tão diluída que nem mesmo um cubo com cerca de 19 quilômetros de lado seria suficiente para manter uma lâmpada de 100 watts acesa por um minuto inteiro. Ele também escreveu que, até onde se sabe, nenhuma física conhecida pode dar origem a um objeto com massa negativa. Esse ponto torna a distância entre a teoria da velocidade da luz e uma nave real ainda mais ampla.


Ainda que o problema da energia seja resolvido, uma bolha de dobra ainda precisa ser iniciada, guiada e interrompida com segurança. Uma análise técnica posterior aponta que, em casos superluminais, a tripulação poderia enfrentar um “problema de horizonte”, ficando incapaz de criar ou controlar a bolha de dentro dela. Outro risco está no comportamento da bolha ao atravessar partículas no espaço. Um estudo de 2012 sugeriu que partículas poderiam ficar presas e acumuladas, liberando energia intensa quando a bolha desacelerasse perto do destino. Esse tipo de efeito transforma a ideia de atalho cósmico em um problema de segurança, já que a bolha não precisa apenas chegar rápido; ela tem de evitar danos à nave, à tripulação e ao ambiente próximo ao ponto de chegada.


A distância entre os métodos atuais e uma viagem próxima à velocidade da luz continua enorme. Loeb observa que foguetes humanos ainda não chegaram a 0,1% de "c", o que mantém a estrela mais próxima a milênios de viagem com a tecnologia de que dispomos atualmente. O impacto mais realista desses estudos, no curto prazo, está em transformar ideias de propulsão de dobra em perguntas testáveis, e um dos desafios é descobrir como detectar uma minúscula distorção artificial do espaço-tempo em laboratório, mesmo em escalas microscópicas.


Também existem pesquisas paralelas buscando alternativas à energia negativa. Erik Lentz propõe soluções de dobra espacial no estilo sóliton usando energia positiva, enquanto outros pesquisadores investigam motores de dobra físicos mais lentos que a luz como ponto de partida mais plausível. Nenhuma dessas abordagens chegou perto de um projeto concreto, mas elas mantêm ativo o debate sobre o que a relatividade geral permite e sobre o que a natureza realmente tolera.


O prazo para que esse tipo de física se transforme em tecnologia útil permanece incerto. Sabine Hossenfelder já apontou que ideias abstratas podem levar “talvez 1.000 ou 5.000 anos” para se tornarem ferramentas práticas, caso isso algum dia aconteça. No estágio atual, a velocidade da luz segue como uma fronteira muito mais teórica do que tecnológica para a exploração espacial. 


A nova proposta melhora a forma de pensar a bolha de dobra, mas o salto entre matemática, energia negativa, controle seguro e viagem real ainda permanece imenso.


Continua...

sábado, 29 de junho de 2024

COMO PODE?

QUANDO ALGUÉM APONTA O CÉU, O TOLO OLHA PARA O DEDO E O SÁBIO, PARA AS ESTRELAS.


Três amigos jogavam conversa fora. A alturas tantas, um deles comentou que a velocidade da luz representa a velocidade do próprio tecido do espaço-tempo (*) e, portanto, é a maior velocidade possível no Universo conhecido. Um dos outros dois argumentou que o pensamento é virtualmente instantâneo (**), mas o vencedor da discussão foi o último a se pronunciar. Segundo ele, "nada é mais rápido que uma caganeira, já que não dá nem tempo de pensar em acender a luz".

A paixão por velocidade remonta aos primórdios da civilização, e a busca por quebrar recordes tem uma história tão extensa quanto fascinante. Na Roma antiga, organizavam-se corridas de bigas. Na Idade Média, torneios equestres incluíam competições de velocidade entre cavaleiros. Com a Revolução Industrial e o advento das máquinas a vapor no século XIX, as ferrovias se tornaram o novo campo de competição, com locomotivas cada vez mais rápidas competindo entre si. 

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

O STF não descriminalizou nem liberou o uso da maconha, apenas decidiu que não é crime portar o entorpecente para consumo próprio, e ficou de fixa uma quantidade máxima para diferenciar usuários de traficantes. A decisão tampouco pode ser confundida como intromissão do Supremo nas prerrogativas dos outros Poderes. Uma lei aprovada pelo Legislativo em 2006 já havia estabelecido que o usuário de drogas não se confunde com o traficante, mas os parlamentares se abstiveram de estabelecer critérios para diferenciar um do outro. Os parâmetros fixados pela Corte valerão até que o Congresso ou o Executivo esclareçam a questão.
Ao votar pela descriminalização do consumo, a ministra Cármen Lúcia foi ao ponto. Disse que a ausência de critérios "criou um espaço de arbítrio." Nesse vácuo, um usuário negro apanhado com pequena quantidade de maconha na periferia de grandes cidades é preso como traficante. Um jovem branco abordado pela polícia com a mesma quantidade num bairro chique é liberado como usuário.
Inconformado, o presidente do Senado estrilou: "Eu discordo da decisão do STF; considero que uma descriminalização só pode se dar através do processo legislativo. A discussão pode ser feita, mas há caminhos próprios para isso."
Rodrigo Pacheco é autor de proposta de emenda constitucional sobre o tema, cujo texto, pendente de apreciação da Câmara, limita-se a empurrar para dentro da Constituição o texto da lei aprovada em 2006. Novamente, o Legislativo se esquiva de definir critérios para diferenciar consumo de tráfico. Quer dizer: Para exercitar a contrariedade em sua plenitude, o nobre senador precisa trocar a valentia retórica por providências práticas que ornem com as atribuições constitucionais do cargo que ocupa.
Vale lembrar que o poder abomina o vácuo. Foi graças à leniência, pusilanimidade, inoperância ou incompetência do poder público que traficantes e organizações criminosas tomaram conta dos morros cariocas, e as milícias, da Baixada Fluminense. 
Triste Brasil.
 
No alvorecer do século XX, Henry Ford e seus concorrentes disputavam corridas para ver quem construía o automóvel mais veloz, enquanto os pioneiros da aviação competiam para descobrir quem voava mais rápido e mais alto. A disputa pela quebra da barreira do som nos anos 40 e 50 foi um dos marcos mais significativos nessa busca incessante, que atualmente é representado pela Fórmula 1 e outras competições de velocidade em terra, água e ar. 
 
A despeito de atingirem 372 km/h, os carros de F1 não são páreo para a Kawasaki Ninja H2R (400 km/h). Nem para o Bugatti Veyron, cujo motor de 8.0 litros, quatro turbos e 987 cv de potência o levaram a 408,4 km/h no circuito oval de Ehra-Lessien. O Chiron Super Sport 300+, também da Bugatti e equipado com um motor quadriturbo de 8 litros e 1578 cv, foi o primeiro a superar as 300 milhas horárias (482,8 km/h), cravando 490,3 km/h no circuito de Ehra-Lessien.
 
Em 1976, o jato Lockheed SR-71 Blackbird, atingiu o recorde de velocidade Mach 3.3 (3.540 km/h), mas isso é pinto para a aeronave hipersônica não tripulada X-43 (11.854 km/h), desenvolvida pela Nasa, que, por sua vez, não chega nem perto das naves espaciais (30 mil km/h), que perdem longe para sondas como a Parker Solar Probe, que atingiu 246.9 mil km/h em 29 de outubro de 2018, seguiu quebrando seus próprios recordes até alcançar inacreditáveis 635 mil km/h e se tornar o objeto mais rápido já feito pelo homem.
 
Nenhum desses bólidos chegou nem perto da maior velocidade possível no Universo conhecido — que, como vimos, é a velocidade com que a luz se propaga no vácuo (cerca de 300 mil km/s). Nenhum objeto com massa consegue atingir essa velocidade; se conseguisse, esse objeto poderia produzir distorções no tecido do espaço-tempo que causariam efeitos imprevisíveis. Umas das peculiaridades da luz é seu "comportamento dual" (como onda e partícula).Vale destacar que essas partículas (fótons) não têm massa, mas, mesmo assim, elas perdem velocidade quando adentram a atmosfera terrestre. 
 
Segundo o físico de partículas Justin Vandenbroucke, da Universidade de Wisconsin-Madison, os neutrinos (partículas subatômicas com quase nenhuma massa) são a "coisa" mais rápida da Terra. Em um experimento realizado no Polo Sul, um grupo de cientistas detectou neutrinos de alta energia dentro do gelo que conseguiam viajar mais rápido que a própria luz. Em 2011, pesquisadores lançaram neutrinos do CERN, na Suíça, em direção ao laboratório subterrâneo de Gran Sasso, na Itália, e descobriram que eles percorreram os 730 quilômetros em 2,43 milissegundos, 60 bilionésimos de segundo mais rápido do que a própria luz — numa corrida tradicional, eles teriam cruzado a linha de chegada com 20 metros de vantagem. Em 2022, cientistas do CERN conseguiram acelerar fótons além da velocidade da luz, mas, de novo, fótons não têm massa. 
 
A pergunta que se coloca é: se nada pode se mover mais rápido que a luz, como pode o o próprio espaço-tempo se expandir a uma velocidade superior à da luz? A resposta é: porque ele pode. Veja que o art. 5º da nossa Constituição explicita que "todos são iguais perante a lei e blá, blá, blá, mas, mesmo assim, algumas pessoas são "mais iguais "que as outras. Ou seja, "quem pode mais chora menos". Explicando melhor: de acordo com as equações de Einstein, a velocidade da luz é a velocidade-limite do cosmos, mas essa regra não se aplica ao próprio cosmos, apenas ao movimento das coisas que estão no espaço (e não ao espaço em si). 
 
Para entender melhor, imagine o Universo como um panetone no forno e as galáxias como as uvas-passas, que se afastam umas das outras conforme a massa cresce. Quando o panetone dobra de tamanho, duas passas que estavam a 5 cm uma da outra ficam a 10 cm, e outras que estavam a 10 cm ficam a 20 cm. Isso acontece porque a velocidade é relativa. Do ponto de vista de uma uva-passa, suas irmãs mais próximas se afastam mais devagar do que as que estão mais distantes. Se o panetone dobra de tamanho 20 minutos depois de ser colocado no forno, a uva-passa que estava a 5 cm se afastou a 1 cm/min, e a que estava ao dobro da distância (10 cm), com o dobro dessa velocidade (2 cm/min). Se o panetone fosse do tamanho da Terra, a velocidade de afastamento entre uma uva-passa no Brasil e outra no Japão seria de milhares de quilômetros por minuto.
 
No Universo, as distâncias são astronômicas (sem trocadilho). A distância que separa as galáxias é de milhares ou milhões de anos-luz (lembrando que um ano-luz corresponde à distância que a luz percorre no vácuo em ano, que é de cerca de 9,5 trilhões de quilômetros), e elas se afastam umas das outras a velocidades superiores à da luz. Se uma hipotética espaçonave alcançasse a velocidade da luz, seus ocupantes veriam o Universo como um borrão e simplesmente "parariam no tempo".  Se a humanidade durar o bastante, talvez uma dia isso venha a ser comprovado ao vivo e em cores. 
 
(*) Acredita-se que partículas de alta energia, como os neutrinos, possam superar a velocidade da luz no vácuo.
 
(**) O tempo de reação a um estímulo qualquer varia conforme a distância, o tipo de neurônio e a complexidade, mas, em média, a informação viaja através dos neurônios a 360 km/h.

sábado, 25 de abril de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 99ª PARTE — DE VOLTA AOS BURACOS NEGROS

SE A VIDA É UM BURACO, SÃO PAULO É CHEIO DE VIDA.

Os buracos negros foram previstos no início do século passado e permaneceram no campo das teorias até 2019, quando foram publicadas as imagens que Event Horizon Telescope capturou, dois anos antes, do M87*. 

Indícios de um buraco negro localizado na constelação Cygnus foram observados em 1964, mas não havia uma única imagem direta até as fotos do M87* serem divulgadas, comprovando de forma cabal a existência desses corpos celetstes. 

A existência dos buracos de minhoca ainda não foi comprovada experimentalmente. Acredita-se que eles fiquem nas imediações ou nas profundezas de alguns buracos negros e funcionem como atalhos cósmicos, encurtando a distância entre dois pontos do espaço-tempo — não necessariamente no mesmo universo nem na mesma linha temporal. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Assim como Lula não pode dizer que foi “inocentado” das acusações que o levaram à cadeia no âmbito da Lava-Jato — porque seus processos foram anulado a pretexto de uma questão de competência territorial o ministro Fachin já havia rejeitado pelos menos dez vezes —, Flávio Bolsonaro também não foi “inocentado” das "RACHADINHAS" — até porque ele não chegou sequer foi julgado, também graças a filigranas jurídicas. 

O primogênito do refugo da escória da humanidade considera legítimo que policiais mafiosos se juntem para cobrar de moradores de favelas pelo serviço de segurança pelos quais eles já recebem salário do Estado.. Como no caso das “rachadinhas”, o ex-deputado dos panetone e das mansões de 6 milhões, hoje senador e pré-candidato ao Planalto, negou qualquer relação com milicianos, dizendo-se vítima de “falsas narrativas”. 

Nem o molusco canceroso, nem o filho do golpista. O Brasil clama por um presidente sério, experiente e de reputação ilibada, não por um macróbio ex-condenado por corrupção nem de um "rachadista" desprovido de vergonha na cara e sem experiência administrativa que lhe permita sequer presidir uma assembleia de condomínio da periferia.


Uma hipotética espaçonave que atravessasse um buraco de minhoca levaria alguns segundos para fazer uma viagem que, em linha reta pelo cosmos, demoraria séculos ou milênios, mesmo com a velocidade da luz (1.079.252.848,8 km/h). Por outro lado, considerando que o buraco negro mais próximo descoberto até agora — Gaia BH1 — fica a mais de 15 trilhões de quilômetros, chegar até ele viajando com a velocidade da luz levaria cerca de 1.600 anos. Já com a sonda espacial mais veloz lançada até agora — Parker Solar Probe — que, alcançou 692 mil km/h, a mesma viagem levaria cerca de 2,5 milhões de anos.  


Numa definição simplista, mas adequada aos propósitos desta abordagem, a “gravidade” é uma distorção no espaço-tempo causada por qualquer objeto massivo. Quanto mais massivo for o objeto, maior será sua gravidade. Foguetes e sondas espaciais conseguem vencer o campo gravitacional da Terra e ganhar o espaço sideral, mas a atração exercida pelo horizonte de eventos dos buracos negros é tamanha que nem mesmo a luz consegue escapar. E quanto maior a massa do buraco negro, mais curvado o espaço-tempo e, consequentemente, mais dilatado o tempo propriamente dito.

 

Nas imediações dos buracos negros, os ponteiros dos relógios avançam mais devagar do que a milhares ou milhões de quilômetros de distância. É o que se vê no filme Interestelar: enquanto os astronautas passam um ano nas proximidades de um buraco negro, oitenta anos transcorrem na Terra. 


Em tese, seria possível viajar para o futuro aproximando-se de um buraco negro — mantendo uma distância segura de seu horizonte de eventos — permanecer por lá por um tempo e retornar à Terra em algum momento do futuro. Mas voltar ao passado é bem mais complicado. 

 

Os físicos acreditam que os buracos negros distorcem o tempo a ponto de criar uma curva fechada do tipo tempo, que levaria ao momento em que o buraco negro foi criado. Ou seja, os astronautas entrariam nessa “máquina do tempo” no presente e sairiam no passado. No entanto, se nosso hipotético buraco negro tivesse sido criado depois do período Jurássico, de nada adiantaria entrar por ele para saborear um suculento filé de brontossauro na boa companhia de Fred Flintstone.

 

Entrar em um buraco negro para encontrar o loop temporal implica cruzar o horizonte de eventos e sair dele para chegar ao passado. Para que isso fosse possível, seria preciso viajar mais rápido que a luz, e, até onde se sabe, nada pode superar a velocidade com que os fótons se propagam no vácuo. Além disso, a aproximação do horizonte de eventos causaria um efeito chamado “espaguetificação”, que espirala os átomos do corpo do viajante rumo ao vazio.


Observação: A busca por uma forma de viajar à velocidade da luz ganhou novo fôlego com um artigo científico que propõe uma versão redesenhada da chamada "bolha de dobra" — estrutura teórica que poderia transportar uma espaçonave por meio da distorção do espaço-tempo. A nova proposta de motor de dobra que redesenha a bolha espaço-temporal reacendeu o debate sobre viagens com a velocidade máxima que qualquer objeto que contenha massa pode se deslocar no espaço. O problema é que a necessidade de energia negativa, os riscos de controle e os prazos estimados em até milhares de anos mantêm a tecnologia limitada por um obstáculo central: a humanidade ainda não sabe produzir os ingredientes físicos exigidos pelo modelo, especialmente grandes quantidades de energia negativa.

 

A despeito de haver diversas teorias conspiratórias envolvendo viajantes do tempo, ninguém se deslocou para o passado ou para o futuro e voltou para contar a história. Mesmo assim, saber se tal façanha é ou não possível fascina os cientistas, a exemplo das recentes descobertas de como “quadrar os números” pode livrar as viagens ao passado dos paradoxos. 

 

teoria da relatividade admite a existência de loops de tempo nos quais um evento pode estar tanto no passado quanto no futuro — ou seja, o espaço-tempo pode se adaptar para evitar paradoxos. Imagine um viajante do tempo que retorna ao passado para impedir que uma virose se espalhe. 


Se a missão for bem-sucedida, não haveria nenhuma virose que exigisse a volta do viajante ao passado para eliminar. Talvez o vírus escapasse de outra maneira, por uma rota diferente ou por um método diferente, mas isso removeria o paradoxo. Por outro lado,, independentemente do que o viajante fizesse, a disseminação da doença não seria interrompida. 

 

Esse exemplo aborda processos determinísticos (não-aleatórios) em um número arbitrário de regiões nocontinuumespaço-tempo, e demonstra como as curvas fechadas do tipo tempo podem se encaixar nas regras do livre-arbítrio e da física clássica. 


Outra abordagem admite a possibilidade das viagens no tempo e sustenta que as ações dos viajantes não criam paradoxos (cada resultado ocorre numa linha de tempo diferente, evitando que o “presente” dos viajantes seja alterado). Como a matemática confirma essa possibilidade, essa premissa não é mera ficção científica.

 

Estudos da mecânica quântica sugerem que multiversos paralelos ao nosso podem existir no mesmo espaço-tempo, e que, à medida que se realiza um experimento quântico com diferentes resultados possíveis, cada resultado ocorre em um universo paralelo. Outra teoria sobre o multiverso sustenta que nosso Universo é uma bolha, e que existem inúmeros universos-bolha semelhantes a ele, imersos em um mar energizado e em eterna expansão. Mas vale destacar que nenhuma dessas teorias conseguiu prever com precisão em que tipo de universo estamos inseridos.

 

Dobrar o espaço-tempo para voltar ao passado continua sendo o fruto mais cobiçado — e ainda inalcançado — da “árvore da relatividade”. As máquinas do tempo que os cientistas conceberam até o presente momento existem apenas como cálculos em uma página. Mas não há nada como o tempo para passar, e um dia, quem sabe... 

 

As viagens no tempo são tratadas com ceticismo por boa parte da comunidade científica, mas a história está repleta de exemplos de pioneiros que foram ridicularizados por suas ideias até que o tempo provasse que eles estavam certos. Foi assim com Nicolau Copérnico, que desafiou o geocentrismo, com Joseph Lister, que revolucionou a medicina com a desinfecção, e com Alfred Wegener, que propôs a teoria da deriva continental, entre tantos outros. 


Como teria dito Einstein, "o impossível só é impossível até que alguém duvide e prove o contrário". 


Continua...

sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

MAIS SOBRE PROFECIAS E EVOLUÇÃO TECNOLÓGICA

QUEM ESPERA SEMPRE ALCANÇA.

A caminho de Dubai, Lula conversou com o príncipe-ditador Mohammed bin Salman sobre a suposta intenção dos sauditas de despejar US$ 10 bilhões em investimentos no Brasil. Os mesmos petrodólares foram prometidos a Bolsonaro em outubro de 2019 — e nunca passaram do estágio de lero-lero diplomático a serviço da máquina de propaganda sauditaSupondo que o petista não tenha recebido nenhuma joia de presente, restaram da visita o flerte com um conto do vigário no qual o antecessor já caiu e o constrangimento da reunião com um príncipe que mandou esquartejar um jornalista, mantém a mãe em cativeiro e proíbe o funcionamento de igrejas. Não fosse pelos petrodólares, ninguém lhe dirigiria um reles bom-dia.

Entre inúmeras profecias promissoras que (ainda) não se realizaram destaca-se o uso de drones na entrega de produtos — em 2013, Jeff Bezos anunciou que a Amazon começaria a usar robôs voadores em breve. Passados 10 anos, eles continuam em fase de teste. 

Em 2012, a Intel prometeu para 2020 uma forma de computação que consumiria quase zero de energia. Estamos a um mês de 2024 e continuamos recarregando a bateria do celular dia sim, outro também. Em 2015, a Toyota Motor anunciou que dali a 5 anos teria modelos totalmente autônomos, mas a Lexus — divisão de luxo da montadora japonesa — afirmou que "está revisando sua linha do tempo para a implantação da inteligência artificial". A Uber Technologies prometeu para breve o "Uber voador", mas o mais perto que chegou disso foi oferecer viagens de helicóptero (na cidade de Nova Iorque).
 
Por outro lado, a startup cearense Vertical Connect está desenvolvendo um "carro voador" 100% brasileiro. O Genesis X1 (foto) faz parte do segmento de eVTOLs (veículos elétricos de pouso e decolagem verticais). Apesar de não ter rodas nem conseguir se locomover no solo, ele atinge 130 km/h de velocidade máxima e pode ser pilotado manual ou automaticamente. 

Observação: Os 16 rotores elétricos do G X1 têm autonomia de até 60 minutos, e cada recarga completa leva outros 60 minutos. Os primeiros voos devem ocorrer já em 2024, e o fabricante promete lançar outros modelos em breve, mas com finalidades diferentes — como uso no setor agrícola, serviços de emergência hospitalar, circulação em centros urbanos, policiamento e entrega de encomendas ou transporte de cargas.
 
Outras previsões promissoras são as viagens espaciais comerciais e a animação suspensa. A Virgin Galactic já oferece voos suborbitais que proporcionam a emocionante experiência de contemplar a Terra de uma perspectiva única, e a hibernação, que é retratada em filmes de ficção científica como forma de preservar o corpo humano em viagens intergaláticas, já foi realizada com sucesso em cobaias.
 
A animação suspensa desacelera radicalmente os processos fisiológicos vitais sem levar à morte, permitindo que um ser humano "entre em hibernação" ao sair da Terra e "desperte" com a mesma idade e as mesmas condições físicas quando a nave se aproximar do planeta de destino. Segundo as teorias de Einstein, nada pode viajar mais rápido do que a luz, e da feita que os exoplanetas estão a centenas (ou milhares) de anos-luz de nós, as viagens seriam mais longas do que a expectativa atual da vida humana.
 
Por último, mas não menos importantes, os motores de dobra espacial — famosos por sua aparição na franquia Star Trek. As perspectivas pessimistas iniciais estão sendo reconsideradas pelos cientistas, e a possiblidade de alcançar a dobra espacial vem sendo estudada em diferentes tipos de motores. Em 1994, o físico Miguel Alcubierre disse que seria possível usar motores de dobra sem entrar em conflito com a Teoria da Relatividade, e outros dois físicos anunciaram recentemente como se pode fazer isso.

Continua...  

terça-feira, 11 de março de 2025

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 8ª PARTE

EM TERRA DE MALUCO, QUE NÃO É MALUCO É ANORMAL. 

Vimos no capítulo anterior que a velocidade da luz, que é representada pela letra 'c' e equivale a 1,08 bilhão de km/h, é o limite máximo universal, mas novas teorias sugerem que, em determinados contextos, velocidades superluminais podem não ser apenas uma quimera explorada pela ficção sobre viagens no tempo — inclusive para o passado, já que o tempo negativo deixou de ser mera ficção depois que pesquisadores da Universidade de Toronto demonstraram sua existência física tangível.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Viralizou na Web que Janja torrou R$ 63 milhões desde a posse do marido. O cálculo foi feito pelo Janjômetro, que atribui à primeira-dama gastos com eventos patrocinados pelo governo, viagens oficiais, compra de móveis, reforma do Palácio do Planalto e até com uma gravata que ela comprou para o marido. 
O Estadão argumentou que a maior parte desses gastos não pode ser atribuída integralmente a ela (clique aqui para acessar a contestação), mas o criador do site sustenta que despesas "indiretas, como despesas com comitivas, também são de responsabilidade de Janja.
Os R$ 63 milhões seriam compostos de R$ 33,5 milhões para o evento apelidado de “Janjapalooza”, uma viagem ao Catar, a ida de Janja à Olimpíada de Paris, gastos com reformas e compras de móveis; hospedagem para o primeiro-casal em um hotel em Brasília, uma hospedagem em um hotel de luxo na Índia e a compra de uma gravata para Lula, em Portugal (por R$ 1.093). 
Exageros a parte, o TCU deveria prestar mais atenção em despesas como essas. Mas como esperar que isso aconteça se o gasto com tribunais de Justiça no Brasil é quatro vezes a média internacional?

 

Também como já foi dito, os táquions são partículas hipotéticas que "nascem" superluminais e se movem no sentido inverso ao da seta do tempo. Sua existência ainda não foi comprovada — mesmo porque nossa tecnologia não consegue detectar algo que se move tão rápido —, mas os pesquisadores da Universidade de Varsóvia conseguiram encaixá-los" na Teoria da Relatividade, a Transformação de Lorentzo Princípio da causalidade, e se isso por confirmado, paradoxos temporais como os do Avô e dos gêmeos terão de ser repensados.
 
Observação: Uma das implicações mais intrigantes dos táquions seria a possibilidade de eventos futuros influenciarem o passado, gerando paradoxos temporais. Um táquion emitido pelo piloto de uma nave para o receptor na Terra, por exemplo, se moveria mais rápido que a luz no referencial do receptor e retrocederia no tempo no referencial do piloto. Isso significa que a resposta chegaria antes da pergunta. Se a resposta fosse "não envie o sinal", o piloto não enviaria a pergunta e o receptor não teria nada para responder.


Um um motor que usa íons e eletroímãs para acelerar partículas em loop helicoidal está sendo desenvolvido pelo engenheiro David Burns, do MSFC da NASA, e promete gerar empuxo suficiente para impulsionar uma nave espacial a 99% da velocidade da luz. A ideia viola o princípio da conservação do momento linear, e o próprio Burns reconhece os desafios que tem pela frente, mas sua invenção pode mudar o futuro das viagens espaciais. Se o der certo, uma viagem da Terra a Marte levará 13 minutos, e uma esticada até Netuno, cerca de 4 horas.

 

Outras possibilidades promissoras são 1) dobrar o espaço-tempo de modo a atingir a velocidade da luz sem violar a relatividade e 2) usar feixes de laser para impulsionar velas ultraleves a impressionantes 20% da velocidade da luz Também se cogita utilizar antimatéria como combustível e reatores como o ITER e o SPARC para replica o funcionamento das estrelas e gerar energia limpa praticamente ilimitada. Muitos desses projetos esbarram nos limites da física conhecida — caso dos motores de dobra — e na escassez de recursos — construir uma Esfera de Dyson exigiria materiais de planetas inteiros. Mas Arthur C. Clarke não disse que "a única maneira de descobrir os limites do possível é ir além deles, rumo ao impossível"?

ObservaçãoEm atenção a um velho amigo, leitor assíduo destas postagens e fã de Star Trek, os hipotéticos motores de dobra espacial "dobram" o espaço-tempo ao redor de uma nave, criando uma "bolha" que se move mais rápido do que a luz sem violar as leis da física (porque não é a nave que se move dentro da bolha, e sim o espaço que se move ao redor dela). A ideia encontra respaldo na física teórica, mas colocá-la em prática exigiria energia negativa e/ou matéria exótica — cuja existência carece de confirmação experimental direta até agora.

 
Continua...