quarta-feira, 11 de junho de 2025

AINDA SOBRE O BIG BANG

QUEM TEM CALOS E JUÍZO NÃO SE METE EM APERTOS.

Um esforço para melhorar as comunicações por rádio, um ruído vindo do espaço e alguns físicos teóricos formaram uma improvável conjunção de fatores que ajudou a comprovar a Teoria do Big Bang, segundo a qual o Universo — e tudo o que existe nele — teria "nascido" da expansão súbita e violenta de um ponto (ou singularidade) sem volume, mas extremamente quente e denso, há cerca de 13,8 bilhões de anos.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Lula disputou a Presidência em 1989 e perdeu para Collor no segundo turno. Voltou à carga em 1994 e 1998, e foi derrotado por FHC, no primeiro turno, em ambas as ocasiões. Finalmente eleito em 2002, tropeçou no mensalão, escapou do petrolão e resolveu escalar um "poste" para manter aquecida a poltrona que tencionava voltar a disputar em 2014. Mas a "mulher sapiens" pegou gosto pelo poder, fez o diabo para se reeleger, mas jogou a economia nacional do fundo do poço e foi arrancado em 2016.

Em 2018, mesmo gozando férias compulsórias na Superintendência da PF em Curitiba, o detento insistiu numa quimérica candidatura presidencial. Não levou, mas plantou as sementes que lhe renderam frutos em 2022. 

Bolsonaro, inelegível e na bica de ver o sol nascer quadrado, segue o mesmo script do arquirrival ao sustentar uma candidatura juridicamente natimorta para 2026. Quando (ou se) ele colherá os frutos, só os oráculos do populismo podem responder. Seus apoiadores podem mugir que Lula começou tudo — e não estão errados; foi o encantador de burros que instaurou o populismo mais rasteiro, surfando na herança bendita deixada por FHC. O "mito" surgiu como uma espécie de antídoto, mas não demorou a se revelar pior que o próprio veneno. 

A boa notícia é que nhô-ruim e nhô-pior já não são unanimidades nem entre seus devotos. Segundo as ultimas pesquisas, muitos petistas de carteirinha não querem ver seu "maximus pontifex" disputando um quarto mandato, a despeito de ele ter impedido qualquer alternativa de brotar à sua sombra. Entre os eleitores de centro-direita, a situação é ainda mais alarmante: 55% preferem que o imbrochável inelegível apoie outro nome em 2026. Já entre os "isentões", 70% acham que o "mito" deveria indicar um sucessor e 73%, que o macróbio não deve tentar um quarto mandato. Claro que os fiéis mais fervorosos (de ambos os lados) juram que as pesquisas são manipuladas, que seus ídolos arrastam multidões e que tudo não passa de armação da imprensa ou do sistema. 

A má notícia é que ainda não se pode dizer que a maioria do eleitorado não aguenta mais escolher entre o passado e o pesadelo, e a péssima é que, caso um deles vença novamente, o próximo governo tende a ser tão ou ainda mais fraco que o atual. 

Essa rinha de populistas demagogos tem custado caro demais à democracia, e quem paga a conta é a parcela da população que não tem bandido de estimação. 


Segundos depois da grande expansão, o Universo era uma verdadeira "sopa primordial" — um plasma incandescente de quarks e glúons, partículas subatômicas que ainda não formavam nada reconhecível como matéria. Com temperaturas próximas a 5,5 bilhões de graus Celsius, esse caldo fervente era tão denso e energético que sequer permitia a formação de átomos. Cerca de 380 mil anos depois do Big Bang, o Universo esfriou o bastante para que prótons e elétrons finalmente se unissem, formando os primeiros átomos de hidrogênio e hélio


Conhecido como "era da recombinação", esse período marcou uma virada crucial: com os elétrons agora presos aos núcleos, o espaço deixou de ser opaco, e a luz, antes constantemente dispersa pelas partículas livres, pôde finalmente viajar livremente pelo cosmos — um evento que deixou como rastro a chamada radiação cósmica de fundo de micro-ondas, um brilho tênue que ainda hoje permeia o Universo e serve como uma das principais evidências do Big Bang. 


Os astros primordiais, gigantescos e efêmeros, fundiram elementos leves em mais pesados e os espalharam pelo cosmos quando explodiam em supernovas. Dessas explosões vieram os ingredientes básicos para planetas, oceanos, montanhas e, eventualmente, vida — pequenos átomos viajando bilhões de anos para se organizar em olhos capazes de olhar para o céu e tentar entender de onde tudo veio.


Embora seja o principal pilar da cosmologia moderna, a teoria do Big Bang não explica o que existia antes da "grande expansão" e afirma que as leis da física conhecidas não se aplicam àquele momento inicial. Essa lacuna deu origem a alternativas como a Teoria M, segundo a qual existem inúmeros universos paralelos, e a colisão entre dois deles teria gerado toda a matéria e energia que compõem o nosso Universo.

 

Algumas correntes sustentam que espaço e tempo sempre existiram, e que a grande expansão não foi o ponto inicial de tudo, mas o resultado do colapso entre diferentes dimensões — nesse caso, a explosão primordial não teria dado origem a um único universo, mas a vários, que surgiram como bolhas em um caldo cósmico de possibilidades. 


Essas ideias já foram consideradas pura ficção científica, mas hoje ensejam debates sérios entre físicos teóricos, que tentam conciliar a Teoria da Relatividade, que explica o muito grande, com a Mecânica Quântica, que rege o muito pequeno, dando azo a hipóteses como a de que o nosso universo pode ser apenas uma "membrana" flutuando em um espaço de dimensões superiores invisíveis aos nossos sentidos.

 

Se nosso universo for realmente uma bolha entre muitas, então o que chamamos de “realidade” pode ser apenas um entre incontáveis cenários possíveis, com leis físicas diferentes, constantes variadas e talvez até versões alternativas de nós mesmos em outras configurações do espaço-tempo. Assim, o Big Bang deixaria de ser o "início de tudo" e se tornaria apenas um episódio em uma história muito maior — uma entre trilhões de páginas de uma história que ninguém escreveu, mas que insiste em se desenrolar.

 

Pode-se dizer que tudo isso não passa de hipóteses, mas hipóteses escoradas em equações, observações indiretas e modelos matemáticos complexos. Para muitos físicos, a elegância de uma teoria é quase tão sedutora quanto sua capacidade de ser testada, e é nesse limite entre o rigor e o devaneio que a ciência avança. Aliás, a verdadeira "beleza" da ciência não está nas respostas, mas nas novas perguntas que cada resposta suscita. Dito isso, o que veio antes do tempo? O que existe fora do espaço? O nada é mesmo nada ou apenas algo que ainda não fomos capazes de entender?

 

The answer, my friend, is blowing in the wind.


Em tempo: Se calhar, assista a este vídeo:




terça-feira, 10 de junho de 2025

SOBRE ATUALIZAÇÕES DO ANDROID

QUEM SABE FAZ A HORA, NÃO ESPERA ACONTECER.

Reiniciar dispositivos eletroeletrônicos que apresentam lentidão ou travamento é quase uma “regra universal” da tecnologia, pois ajuda a descarregar componentes como transistores, capacitores e indutores e a esvaziar as memórias voláteis, promovendo um "reset" nos processos em execução.


Fabricantes de smartphones que adotam o sistema operacional Android atualizam seus produtos em conjunto com o Google, que disponibiliza atualizações através do Google PlaySe você consultar a seção de atualizações do seu aparelho, verá que o sistema está atualizado, mas isso é uma meia verdade: o fato de firmware do fabricante estar atualizado não significa necessariamente que as melhorias entregues pelo Google foram implementadas, uma vez que elas só são efetivadas quando o Android é reiniciado.


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Se as campanhas eleitorais fossem filmes, as pesquisas de intenção de voto seriam frames que retratam o humor do eleitorado num determinado momento, nem sempre com muita precisão. Às vésperas das eleições de 2018, as pesquisas apontavam que Bolsonaro perderia no segundo turno — independentemente do adversário — e que Dilma se elegeria senadora por Minas Gerais, mas o "mito" dos trouxas derrotou o títere do presidiário mais famoso do Brasil, e a mulher sapiens amargou um vexatório quarto lugar.

Lula e o PT acirraram a polarização política — que sempre existiu no Brasil — com o ramerrão do "nós contra eles". Bolsonaro, surfando na onda do antipetismo, libertou uma extrema-direita que estava no armário desde o fim da ditadura militar; quatro anos depois, Lula, já então "descondenado", derrotou o aspirante a golpista com uma vantagem de menos de 2% dos votos válidos.

Como desgraça pouca é bobagem, as pesquisas vinham indicando que Lula e Bolsonaro eram franco favoritos para disputar o segundo turno no ano que vem, embora o macróbio esteja com o pé na cova e o imbrochável inelegível, na bica de ver o sol nascer quadrado. Mas não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe: embora a tendência da récua de muares travestidos de eleitores seja repetir a cada dois anos o que Pandora fez uma única vez, as pesquisas mais recentes apontam que 66% dos entrevistados (que representam 2/3 do eleitorado) não querem que Lula dispute a reeleição nem que Bolsonaro tente voltar ao jogo. E isso inclui petistas e bolsonaristas de carteirinha. 

Ainda é cedo para afirmar que a bolha da polarização vai estourar, mas tudo indica que uma parcela significativa dos cegos mentais voltou a voltar a enxergar — especialmente no campo da centro-direita, onde vários pré-candidatos têm crescido nas pesquisas (na esquerda, por culpa do próprio Lula, a patuleia ignara ainda não tem em quem votar).


Muitos usuários não desligam ou reiniciam seus celulares regularmente, embora seja recomendável fazê-lo a cada dois ou três dias — ou antes de colocar o telefone para carregar, já que, com o aparelho desligado, a bateria recarrega mais rapidamente. 


Por via das dúvidas, toque em Configurações > Segurança e privacidade > Sistema e atualizações > Atualização do sistema Google Play de tempos em tempos para checar se há algum update disponível.

segunda-feira, 9 de junho de 2025

BIG BANG: O NOME QUE PEGOU — MAS NÃO CONVENCEU

QUEM CONTROLA O PRESENTE CONTROLA O PASSADO. QUEM CONTROLA O PASSADO CONTROLA O FUTURO. 

Dois anos após publicar a Teoria da Relatividade Geral, Einstein propôs um modelo de Universo estático e introduziu a constante cosmológica para equilibrar a gravidade e evitar um colapso gravitacional. A noção de um Universo com começo físico só voltaria a ganhar força dali a doze anos, quando o astrônomo norte-americano Edwin Hubble observou que as galáxias estavam se afastando — evidência de que o cosmos estava, de fato, em expansão. Diante disso, o físico alemão acabou aceitando a ideia de um Universo dinâmico.


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Condenada pelo STF a 10 anos de prisão e perda do mandato parlamentar, a deputada Carla Zambelli seguiu os passos de Allan dos Santos, Oswaldo Eustáquio, Dudu Bananinha e outros bolsonaristas que deixaram o país para escapar da morosa Justiça brasileira. O próprio Jair Bolsonaro ficou homiziado na cueca do Pateta durante três meses, aguardando o desenrolar dos ataques de 8 de janeiro, e agora, prestes a ver o sol nascer quadrado, ora afirma que não existe "plano B", ora diz que Micheque ou Bananinha disputarão o Planalto no ano que vem. 

Na teoria, o "mito" comanda o processo. Mas se estivesse forte como faz parecer quando insiste em fantasiar que ele próprio será o candidato da extrema-direita, não precisaria implorar por perdão nem cobrar adesão dos políticos de seu campo à causa. Na prática, o eixo das decisões para 2026 está com o governador de São Paulo.

Praticamente todos os dirigentes de partidos do campo que o provável futuro presidiário imagina liderar já disseram que apoiarão Tarcísio se ele disputar o Planalto, do contrário investirão em outros nomes e em unidade no segundo turno. A isso dá-se o nome de planejamento realista, o que não inclui obediência à minoritária e rejeitada extrema bolsonarista.

 

Mais ou menos na mesma época, o padre e astrônomo Georges Lemaître deduziu que, se o cosmos estava se expandindo, ele teria sido menor em algum momento no passado. A ideia de que seria possível retornar ao instante em que toda essa vastidão estava concentrada em uma massa extremamente quente e densa deu origem à hipótese do "átomo primordial", segundo a qual o tempo e o espaço só passaram a existir no momento em que esse "átomo primitivo" começou a se expandir. 


A proposta ganhou tração em 1948, quando o astrofísico ucraniano George Gamow sugeriu que o Universo teria surgido de um clarão de energia oriundo de um gás primordial superdenso. No calor dessa erupção cósmica, os elementos químicos teriam sido "cozinhados" a partir de uma "sopa" de partículas fundamentais, deixando como resquício uma radiação de fundo que permeia o cosmos até hoje.

 

No mesmo ano, o astrônomo Fred Hoyle, o astrofísico Thomas Gold e o matemático e cosmologista Hermann Bondi propuseram uma teoria segundo a qual o Universo não tem começo nem fim, sendo constantemente "reabastecido" com matéria nova, gerada em todos os lugares e momentos. Durante uma palestra, Hoyle ironizou a ideia de um surgimento cósmico repentino, dizendo que toda a matéria fora criada em um "grande estrondo", num momento específico do passado remoto. 

 

A ironia pegou: o termo Big Bang foi rapidamente adotado pela imprensa — embora amplamente ignorado (e até rejeitado) por físicos e astrônomos, já que o fenômeno descrito não foi uma explosão no sentido tradicional, mas o início de uma expansão cósmica que começou há cerca de 13,8 bilhões de anos, cujos efeitos ainda podem ser observados por meio do desvio para o vermelho na luz das galáxias distantes — indicando que elas continuam se afastando de nós.

 

Apesar da imprecisão, o termo Big Bang se espalhou pelo mundo como um bordão irresistível — e, como bem disse certa vez um escritor, "palavras são como arpões, depois que entram é muito difícil tirá-las". Em 1993, a revista Sky and Telescope organizou um concurso para substituir o nome e recebeu 13.099 sugestões de 41 países, mas nenhuma convenceu a banca de jurados, que incluía o astrônomo Carl Sagan, e o nome permaneceu.

 

Hoyle, por sua vez, demonstrou que todos os elementos que compõem o Universo estão sendo "cozidos" no caldeirão das estrelas desde sempre — o que o levou a aventar a hipótese de que a vida deveria ser uma ocorrência comum no cosmos. A ideia não soava absurda para a comunidade científica: segundo o especialista em poeira estelar Ashley King, quase todos os elementos do corpo humano foram forjados em estrelas, muitos deles ejetados por sucessivas supernovas.

 

Mas Hoyle foi além. Argumentou que inúmeras epidemias estariam associadas à passagem de meteoritos cujas partículas trariam vírus à Terra. Essa premissa foi vista como mais compatível com seus 19 romances de ficção científica do que com seu trabalho acadêmico — mas, no fim das contas, ele entrou para a história como o homem que batizou uma teoria na qual nunca acreditou.


Continua...

domingo, 8 de junho de 2025

PIZZA DE LIQUIDIFICADOR

SÓ A PIZZA ME FAZ ACREDITAR EM AMOR ETERNO.

Pizza vai bem em qualquer dia e a qualquer hora, mas combina ainda melhor com noites frias e um bom vinho. O inverno só começa oficialmente no próximo dia 20, mas as noites e madrugadas já têm sido geladas, como costuma acontecer no final do outono.

Embora possamos simplesmente escolher o sabor da redonda, pedir pelo celular e esperar o entregador chegar, um liquidificador e alguns poucos ingredientes são suficientes para prepararmos uma pizza caseira deliciosa, sem necessidade de fermentação longa ou grandes habilidades de panificação.

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A CCJ do Senado aprovou a extinção da reeleição e elaborou uma tabela de transição com o objetivo de, futuramente, unificar as eleições em todos os níveis, tanto no Executivo quanto no Legislativo. Há basicamente duas justificativas para desfazer o que FHC fez em 1997: 

1) a reeleição facilitou o abuso do poder político; 

2) eleições bienais encarecem o processo e tumultuam o ambiente institucional. 

Os abusos no sistema político-eleitoral brasileiro são praticamente fundacionais, e o que encareceu o processo foi o financiamento público bilionário de campanhas — criado para evitar as ilegalidades praticadas na era das doações empresariais. Por outro lado, não há prova irrefutável de que os governantes escolhidos desde 1997 foram piores do que os que os antecederam, mesmo porque nosso eleitorado repete a cada dois anos o que Pandora fez uma única vez. 
Não sou a favor da reeleição, mas acredito que exigir dos chefes do Executivo que desejam se reeleger o afastamento do cargo seis meses antes do pleito mitigaria o abuso do poder político, mesmo sem extinguir a possibilidade de continuidade administrativa.

 

Para a massa:

 

1 xícara (chá) de leite; 
1 ovo;
1 colher (chá) de sal; realça o sabor;
1 colher (chá) de açúcar;
1 colher (sopa) de fermento em pó;
2 colheres (sopa) de azeite;
1 xícara (chá) de farinha de trigo;

Azeitonas (verdes ou pretas);

1 sachê de molho para pizza (tomate com manjericão);

50 g de queijo parmesão ralado (opcional).

 

Para a cobertura (lembrando que pizza não tem recheio):

— ½ xícara (chá) de molho de tomate;
— 150g de muçarela ralada;
— 100g de presunto picado;
— 1 tomate (maduro, mas firme) cortado em rodelas:

— Orégano e azeite a gosto.

 

Bata o leite, o ovo, o sal, o açúcar, o azeite, a farinha de trigo e o queijo ralado no liquidificador por 2 minutos ou até obter uma massa homogênea. Adicione o fermento e misture delicadamente com uma colher.

 

Despeje a massa numa forma untada, espalhe de maneira uniforme e leve ao forno preaquecido a 180°C por cerca de 10 minutos (apenas para pré-assar a base).

 

Retire a massa do forno, espalhe o molho de tomate, distribua o presunto, cubra com o queijo e acrescente as rodelas de tomate e as azeitonas (cuide para que cada fatia receba sua quota-parte de tomate e azeitona).

 

Salpique o orégano, leve de volta ao forno, deixe assar por mais 20 minutos (ou até o queijo derreter e a borda dourar), regue com um fio generoso e azeite e sirva em seguida.

 

Bom apetite.

sábado, 7 de junho de 2025

O POPULISMO E O POPULACHO

SE ELES GOVERNAM, É PORQUE O POVO OBEDECE.

Durante visita oficial a Portugal, o então presidente brasileiro José Sarney se gabou de ter concedido o direito de voto aos analfabetos, e seu homólogo português respondeu: "Cá em Portugal não temos analfabetos". 

Na mesma viagem, o imortal maranhense foi a uma livraria em busca de determinada obra, mas não havia exemplares disponíveis. Quando o livreiro prometeu consegui-los em dois dias, ele perguntou se o estabelecimento fechava aos sábados. O livreiro respondeu: "Não, Excelência. Nossa livraria fecha às sextas-feiras, por volta das 17h, e reabre às segundas-feiras, pontualmente às 8h da manhã."
 
Havia analfabetos em Portugal — e ainda os há —, mas, no Brasil, qualquer pessoa que consiga assinar o nome é considerada como alfabetizada, o que não só prejudica a comparação como torna as estatísticas pouco confiáveis. O governo finge investir na alfabetização da população desde os anos 1940 — o MOBRAL, por exemplo, foi criado pelos militares em 1967 e funcionou durante 18 anos —, mas só produziu analfabetos funcionais, que até aprendem a ler, mas não são capazes de interpretar um texto nem de fazer contas.


Observação: Segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), 29% da população entre 15 e 64 anos são analfabetos funcionais — ou seja, quase um terço dos brasileiros economicamente ativos estão fadados a subempregos com jornadas exaustivas e salários indignos. No caso daqueles que completaram o ensino superior, a taxa de analfabetismo funcional é de 12%. Os alfabetizados em nível elementar, que possuem capacidades básicas de escrita e leitura e conseguem resolver questões matemáticas simples, formam o maior grupo entre os brasileiros, com 36%. Pessoas com alfabetismo consolidado (que têm ao menos a capacidade de selecionar múltiplas informações em textos e compreender tabelas) são 35% da população. No segmento empregado, o levantamento aponta que 27% dos trabalhadores são analfabetos funcionais, 34% atingem o nível elementar e 40% têm níveis consolidados de alfabetismo. Em 2021 — segundo ano da pandemia — o (des)governo Bolsonaro destinou apenas R$ 6 milhões para alunos jovens e adultos, o menor nível neste século. Não à toa, o número de analfabetos funcionais entre jovens de 15 a 29 anos aumentou de 14% para 16%. De acordo com o indicador, 95% dos analfabetos só conseguem fazer um número limitado de tarefas nesse ambiente, e 40% dos alfabetizados proficientes (nível mais alto da escala) apresentam desempenho médio ou baixo em tarefas digitais.

Uma vez que apedeutas e iletrados são mais fáceis de manipular e formar "doutores com diploma" dá mais "Ibope", por que os políticos investiriam na alfabetização básica? Curiosamente, o mesmo governo que agrilhoa as pessoas à ignorância e as edulcora com promessas assistencialistas responsabiliza-as por dependerem de programas eleitoreiros, como o Bolsa Família e assemelhados. 
 
Manter o populacho analfabeto interessa aos políticos populistas, que se alimentam da ignorância e se reelegem repassando esmolas. Afinal, povo instruído dá trabalho: lê, compara, desconfia, questiona, não se contenta com pão velho nem com circo medíocre e tampouco aceita facilmente trocar o voto por um saco de cimento, um vale gás ou uma selfie com seu bandido de estimação. Assim, manter o rebanho ignorante não é somente uma consequência do descaso histórico, mas uma estratégia — e das mais eficazes.
 
O discurso é sempre o mesmo: a educação é prioridade. Mas basta uma greve de professores por melhores salários para os paladinos da austeridade fiscal trombetearam que "não há dinheiro". Curiosamente, sempre há recursos para emendas parlamentares, aumentos salariais do alto escalão, perdão de dívidas bilionárias de apaniguados ou construção de estádios superfaturados em cidades sem time. 
 
A lógica é perversa e bem conhecida: quanto pior, melhor. Melhor para quem governa com promessas vazias, com slogans publicitários, com programas que, em vez de emancipar, amarram. Melhor para quem lucra com a miséria alheia, travestindo assistencialismo de justiça social. Melhor para quem prefere um eleitorado submisso a um povo consciente.
 
Como não convém mexer em time que está ganhando — e ganhando muito — a ignorância segue firme, bem nutrida e institucionalizada. Afinal, o que seria do populista sem o populacho?

sexta-feira, 6 de junho de 2025

ANDROID — MAIS DICAS

NÃO HÁ NADA TÃO DESPREZÍVEL QUANTO O RESPEITO BASEADO NO MEDO.

Em um cenário onde mais de 3 bilhões de smartphones rodam o Android — só no Brasil, o robozinho verde está presente em 85% dos 220 milhões de aparelhos —, muitos usuários desconhecem algumas funcionalidades ocultas que podem otimizar sua interação com o sistema.


Um dos recursos muito úteis, mas pouco conhecidos, é o Modo Desenvolvedor, que dá acesso a uma série de opções avançadas. Para ativá-lo, toque em Configurações (ícone da engrenagem), role a tela até encontrar a opção Sobre o telefone (ou Sobre o dispositivo) e toque repetidamente em Número da versão até que uma mensagem informe que o Modo Desenvolvedor foi ativado. Feito isso, volte ao menu de Configurações e acesse Opções do desenvolvedor para explorar recursos como escala de animação, depuração USB e muito mais.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Quem não aprende com os próprios erros está fadado a repeti-los. É o caso do ministro Haddad, que busca novas fontes de recursos para servir a um presidente populista e avesso a cortes de gastos. Não por acaso, a mesma sanha arrecadatória que motivou a tentativa de ampliação do monitoramento do Pix — cancelada devido à pressão popular — volta à tona com o aumento do IOF. 
Visando dissuadir os presidentes da Câmara e do Senado de derrubarem o decreto presidencial, Haddad argumentou que a rejeição da medida deixaria o governo numa posição delicada do ponto de vista do funcionamento da máquina pública. 
Neste famigerado Lula 3, que só não é pior do que seria um Bolsonaro 2, enquanto a marionete faz o Estado brasileiro refém, o titereiro segue prometendo benesses eleitoreiras e pressionando o Congresso a endossá-las. 
Nossos parlamentares estão longe de ser um exemplo de rigor fiscal, mas dificilmente se prestarão a servir de trampolim para Lula, que, no afã de recuperar sua popularidade, age como Dilma agiu em busca da reeleição. 
A solução estaria nas urnas se nosso patético eleitorado não insistisse em repetir a cada dois anos, por estupidez, o que Pandora fez uma única vez, por curiosidade.
Triste Brasil.


O Android também possui funções ocultas de segurança, como a Fixação de Apps, que restringe o acesso a um único aplicativo específico quando outra pessoa precisa usar temporariamente o aparelho. Para ativá-la, toque em Configurações > Segurança e privacidade > Mais segurança e privacidade, habilite a opção Fixação de apps e escolha o aplicativo que você quer fixar. Para desativar, pressione e segure os botões de Voltar e Visão Geral simultaneamente.


Outros recursos interessante são o Smart Lock, que mantém o aparelho desbloqueado em determinadas situações — como quando você está em casa ou conectado a um dispositivo Bluetooth confiável, por exemplo —; o Google Assistente — que pode ser ativado por comando de voz e permite realizar tarefas como enviar mensagens, definir lembretes e buscar informações rapidamente —; e o Modo de Economia de Dados — que reduz o consumo de dados móveis. 


Para ativar o Smart Lock, toque em Configurações, selecione a opção Tela de bloqueio (ou Segurança), escolha a opção Smart Lock, confirmar a senha de bloqueio de tela, selecione o tipo de bloqueio desejado e siga as instruções na tela. Para ativar a Economia de dados, toque em Configurações > Rede e Internet > Uso de dados > Economia de dados. Para usar o Google Assistente (ou o Gemini, melhor dizendo), basta falar OK GOOGLE e, em seguida, dizer ao assistente o que você quer que ele faça. 


Conhecer e usar essas funções ocultas pode incrementar a segurança, melhorar a produtividade ou simplesmente explorar novas possibilidades, adaptando o sistema a suas necessidades e preferências pessoais. Por outro lado, mesmo que tudo seja reversível no âmbito do software, há casos em que a reversão exige reverter o aparelho às configurações de fábrica, de modo que convém usar esses recursos com moderação.

quinta-feira, 5 de junho de 2025

O PAÍS DA CORRUPÇÃO — O POST SCRIPTUM DA DESILUSÃO

EXISTEM MAIS GALINHAS COM DENTES DO QUE PESSOAS DE BEM NA POLÍTICA.

Em 1889, um golpe de Estado (o primeiro de muitos) extinguiu a monarquia constitucional parlamentarista do Império e instituiu o presidencialismo republicano. A partir de então, o Brasil teve sete Constituições. 

As Cartas de 1946, 1967 e de 1988 admitiam a reeleição para o cargo de presidente, mas o retorno só era possível após o mandato de outro presidente. Durante o discurso de promulgação da Carta de 1988, o então presidente da Câmara salientou que ela não era perfeita, como ela própria o confessava ao admitir a possibilidade de reforma. De fato: nas três décadas seguintes, seis emendas constitucionais de revisão e 135 ordinárias transformaram a "Constituição Cidadã" numa verdadeira colcha de retalhos.

Embora a tradição constitucional brasileira buscasse evitar a perpetuação no poder, o então presidente Fernando Henrique, picado pela mosca azul, moveu mundo$ e fundo$ em prol da aprovação da PEC da Reeleição. A proposta reduziu o mandato presidencial de cinco para quatro anos e passou a permitir um segundo período consecutivo (um terceiro só pode ser disputado após um intervalo de quatro anos). Como quem parte, reparte e não fica com a melhor parte é burro ou não tem arte, o tucano de plumas vistosas se reelegeu em 1998, derrotando Lula já no primeiro turno.

De todos os presidentes eleitos pelo voto popular desde a redemocratização, FHC talvez tenha sido o “menos pior”, ainda que o escândalo da compra de votos das “marafonas da Câmara” tenha manchado seu currículo e escancarado o uso da máquina pública para fins de autopreservação política. Para o bem ou para o mal, ele inaugurou a lista dos presidentes reeleitos, da qual somente Bolsonaro ficou de fora (lembrando que Itamar e Temer foram vices promovidos a titulares). 

Collor foi o primeiro presidente eleito diretamente desde 1960 — e também o primeiro a sofrer impeachment. Dilma foi a segunda penabundada, mas acabou recompensada por Lula com a presidência do Banco do BRICS (com salário anual de meio milhão de dólares) e anistiada politicamente pela Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Além do perdão, madame recebeu uma indenização de R$ 100 mil e um pedido de desculpas feito em nome do Estado brasileiro pela presidente da comissão. Só falta agora seu criador e mentor ser canonizado em vida.

No último dia 21, a CCJ do Senado aprovou o fim da reeleição para os cargos de prefeito, governador e presidente da República. Se for chancelada pelo plenário e chancelada pela Câmara, a proposta representará uma mudança significativa não apenas na percepção dos parlamentares, mas também da população, que não vê com bons olhos a perspectiva de Lula, à frente de um governo tão populista quanto impopular, disputar um quarto mandato.

Em 1997, a popularidade de FHC contribuiu para que as críticas à PEC da Reeleição se restringissem a parte da imprensa e meia dúzia de analistas políticos. Todavia, sem novos coelhos para tirar da velha cartola, não conseguiu emplacar seu sucessor. Lula derrotou Serra em 2002 e, a despeito do escândalo do mensalão, venceu Alckmin em 2006 e escalou Dilma para manter aquecida a poltrona que ele queria reconquistar em 2014. Mas a cria pegou gosto pelo poder e, cumprindo a promessa de fazer o diabo para se reeleger, derrotou Aécio em 2010 (por uma margem apertada de 3% dos votos válidos). 

Sem o escudo da Presidência, Lula acumulou duas dúzias de processos criminais, foi condenado em julho de 2017, preso em abril de 2018, solto em novembro de 2019, reabilitado politicamente por togas camaradas e brindado com um inédito terceiro mandato em 2022. No entanto, mesmo torrando bilhões em medidas populistas e nitidamente eleitoreiras, sua aprovação despencou — e deve cair ainda mais devido ao esquema de fraudes no INSS.

Entre outros motivos para rejeitar a reeleição estão o uso da máquina pública em período de campanha e a necessidade de renovação nos quadros políticos. Mas o maior culpado pelo processo que está tramitando no Congresso é o próprio Lula, que terá 81 anos em 2026 (se ainda estiver caminhando entre os vivos, naturalmente) e, mesmo assim, insiste em forçar mais uma candidatura.

Negar o óbvio, vestir os fatos com a roupagem brilhante das versões e dar piruetas para defender o indefensável se tornaram práticas comuns na política tupiniquim. Cito como exemplo o contorcionismo de Bolsonaro (por desespero), de seus advogados (por dinheiro), de seus correligionários (por conveniência) e de seus apoiadores (por terem menos miolo que um pão francês).

Outro exemplo é a tentativa do governo de empurrar com a barriga a instalação de uma CPI para investigar as fraudes no INSS. A ideia é que o avanço das investigações e uma fórmula mágica para devolver o dinheiro às vítimas tornem a CPI desnecessária. Mas a demora resultará apenas na mudança do nome da encrenca, que passará a se chamar CPI da Sucessão

Para completar, em menos de 24 horas. numa bola dividida desnecessária, Haddad desmentiu seu número dois ao negar que tivesse discutido a elevação do IOF com o presidente do Banco Central. Apenas seis horas depois do anúncio, a meia-volta foi enfiada às pressas numa postagem no Xwitter. Na manhã seguinte, o ministro voltou ao centro do picadeiro para explicar que o recuo se deveu a uma “necessidade técnica”.

Por sorte dessa choldra, os eleitores repetem a cada dois anos, por cegueira mental, o que Pandora fez uma única vez, por curiosidade. Não fosse assim, estariam todos na fila do auxílio-desemprego.

quarta-feira, 4 de junho de 2025

MAIS PROTEÇÃO NO WHATSAPP

SEGREDO ENTRE TRÊS, SÓ MATANDO DOIS.

Com quase 3 bilhões de usuários, o WhatsApp é o app de mensagens mais usado em mais de 100 países — da América Latina à Europa, passando por boa parte da África e da Ásia. 

Ativada por padrão, a criptografia de ponta a ponta garante que só o remetente e o destinatário tenham acesso às mensagens. Para reforçar ainda mais a segurança, a Meta lançou a “Privacidade Avançada da Conversa”, que bloqueia o repasse de conteúdo para fora do chat — como exportação de mensagens, downloads e até o acionamento da Meta IA

O recurso funciona em grupos e conversas individuais, mas precisa ser ativado manualmente (bastas tocar no nome da conversa e acessar a opção correspondente).

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Pior do que o bolsonarismo primário é o bolsonarismo inocente de Tarcísio de Freitas, que aceita bovinamente todas as alegações de Bolsonaro a seu próprio respeito e concorda com a tese de que tudo o que está na cara não passa de conspiração do sistema contra um democrata injustiçado. 
À luz da desfaçatez criminosa de Bolsonaro e de seu sucesso entre aqueles que rezaram para pneus e pediram intervenção militar defronte aos quartéis, o fato de os "bolsomínions raiz" tratarem seu ídolo como perseguido político não causa estranheza. Estranho mesmo é Tarcísio e seus apoiadores do Centrão, intimados pelas circunstâncias a escolher entre o capetão e a democracia, optarem pelo cinismo — mesmo sabendo que, para a direita nacional, o "mico" vale mais na tranca do que solto. A questão é saber se a hipotética eletricidade do preso vale o curto-circuito do indulto que o hoje governador paulista teria de assinar se chegasse à Presidência. 
Juridicamente, testemunhos como o de Tarcísio têm serventia nula para Bolsonaro, pois desconversa não apaga fatos. Politicamente, o conservadorismo hipoteticamente sensato do vassalo beija a morte sem a garantia de que seu nome estará no inventário político do suserano. Caso nao esteja, ele terá sujado sua biografia com o golpismo a troco de nada. Enfim, cada um escolhe a corda com que quer se enforcar.


As chaves de acesso são outro avanço importante, pois oferecem proteção mais robusta contra golpes como o SIM swapping — em que criminosos assumem o número da vítima para interceptar o código de verificação por SMS. Com uma chave de acesso, a autenticação é feita direto no aparelho — por impressão digital, reconhecimento facial ou PIN — o que dificulta o acesso de terceiros. 


Para usar essa função, é preciso ter um celular com Android 9 ou superior e uma conta Google conectada e o bloqueio de tela ativo. Satisfeitos esses requisitos, é só abrir o WhatsApp e seguir o caminho: Configurações > Conta > Chaves de acesso > Criar chave de acesso.