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quinta-feira, 27 de junho de 2024

DA ORIGEM DA VIDA À VIDA (QUASE) ETERNA

SE O CONHECIMENTO FOSSE PERIGOSO, A SOLUÇÃO SERIA A IGNORÂNCIA, NÃO A SABEDORIA.

Bíblia (do grego "biblion", que significa "livro", "rolo") é composta por dois "testamentos". A partir da primeira versão escrita do Antigo Testamento (que remonta ao século X a.C.), os relatos foram copiados, editados e reescritos incontáveis vezes, e um belo dia alguém juntou a essa compilação o Novo Testamento, formando a síntese da mitologia cristã, que é composta por 39 livros do A.T. e 27 do N.T. 

Escoradas na interpretação literal do Gênesis (do grego Γένεσις, que significa), as religiões abraâmicas atribuem a criação do mundo a um ser superior que, em apenas seis dias, pôs ordem no Caos, criou a luz e as águas, cobriu a parte seca de plantas, povoou com animais, criou o homem a sua imagem e semelhança e, vendo que "tudo era bom" (?!), santificou o sétimo dia e nele descansou. 

Observação: Fazer tudo isso em seis dias é impressionante, mas mais ainda mais impressionante é o Big Bang — a "grande expansão" ocorrida há 13,787 bilhões de anos — ter levado uma fração de segundo para criar o Universo. 

Baseados na cronologia mencionada nos "textos sagrados" e nos cálculos encontrados na antiga literatura judaica, os sectários do Criacionismo afirmam que o mundo foi criado em 3761 a.C., mas o livro "The Annals of the World, publicado em 1658 pelo arcebispo irlandês James Ussher, é ainda mais preciso: Deus deu início à obra às 9h do dia 23 de outubro de 4004 a.C., e todas as espécies surgiram ao longo de seis dias e jamais sofreram qualquer alteração.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

As contas nacionais estão em desalinho. O dólar ficou caro. A queda dos juros subiu no telhado. O dilúvio gaúcho afoga o PIB nacional. O primeiro semestre vai ficando no retrovisor sem que a segunda fase da reforma tributária tenha saído do lugar. A greve nas universidades e institutos federais já dura mais de dois meses. O ministro das Comunicações, indiciado por corrupção, continua no cargo.
O governo Lula, desarticulado politicamente e sem coesão na economia, é o principal responsável por tudo isso, noves fora o caso do dilúvio gaúcho, naturalmente. E a oposição, podendo qualificar o debate, desqualifica-se priorizando no Congresso uma pauta obscurantista que, 
a pretexto de defender a vida, iguala ao homicídio modalidades de interrupção da gravidez previstas na legislação há 84 anos. 
A reação negativa das ruas e das redes sociais levou o imperador da Câmara a pisar no freio, o autor da proposta a perder a pressa, e o presidente desta banânia, que havia orientado seus operadores no Congresso a ignorar o avanço da "aberração" legislativa, a se reposicionar em cena.
Zonzo diante da necessidade de realizar cortes orçamentários, o xamã petista se diz impressionado com a magnitude das renúncias fiscais — coisa de R$ 519 bilhões ao ano — e retarda o manuseio da tesoura. Pródigo na produção de despesas, o Congresso desconecta-se da realidade e finge que não é parte do problema enquanto ensaia a conversão do Brasil numa teocracia de viés iraniano. Atônia, a plateia exaspera-se com a percepção de que Brasília rodopia a esmo, como um parafuso espanado.
 
Há, no Universo observável, algo entre 100 e 200 bilhões de galáxias, cada uma com bilhões de estrelas. Nosso sistema solar surgiu há 5 bilhões de anos, aTerra se formou 500 milhões de anos depois, mas outros tantos se passaram até o planeta ficar estável e esfriar o suficiente para que a vida pudesse se desenvolver. 
Ainda não se sabe como a vida surgiu, mas sabe-se que algumas bactérias e outros organismos unicelulares são capazes de sobreviver no espaço sideral e flutuam por toda a galáxia, de modo que algo parecido pode ter sido trazido para a Terra por rochas que se desprenderam de Marte quando o sistema solar ainda era instável.


Os primatas surgiram há 65 milhões de anos e os grandes macacos, 40 milhões de anos depois. Os primeiros hominídeos apareceram há 8 milhões de anos e o Homo Sapiens, 300 mil anos atrás, a partir da evolução de outros primatas  e não de Adão e Eva, que, segundo os textos sagrados, Deus criou por volta de 4000 a.C. e expulsou do Paraíso em data incerta e não sabida, depois que eles sucumbiram ao canto da sereia, digo, da serpente (mais detalhes nesta marchinha carnavalesca).

 

Teorias explicam tudo — o que não se sabe, inventa-se. Na prática, porém, o buraco é mais embaixo. Os cientistas ainda não sabem quais formas de vida surgiram inicialmente, mas acreditam que tenha sido algo como o RNA — que é semelhante ao DNA, só que mais simples e sem a estrutura de dupla hélice. (sequências curtas de RNA podem ter resultado no DNA, ensejando a seleção natural darwiniana). Supõe-se que os organismos unicelulares levaram 2,5 bilhões de anos para se tornar multicelulares, e que os peixes, que surgiram 1 bilhão de anos depois, levaram 500 milhões de anos para evoluir até os primeiros mamíferos, que, 100 milhões de anos depois, deram origem ao Homo Sapiens.

  
Embora não sejamos grandes e fortes como nossos ancestrais cavernícolas, o conhecimento que acumulamos ao longo dos milênios, com destaque para os últimos três séculos, tornou-nos superiores a eles. Um "rato de biblioteca" do século XVIII poderia "devorar" todos os livros escritos até então, mas seu tataratataratataraneto demoraria cerca de 400 mil anos para fazer o mesmo com os 160 milhões de ítens que compõem a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos (sem mencionar que, nesse entretempo, centenas de milhares de nova obras seriam publicadas e adicionadas ao acervo).


Observação: Essa "proeza" só seria possível se nosso hipotético "rato" fosse um tubarão, já que algumas espécies desse peixe vivem até 500 anos, ou uma esponja marinha como as que habitam as águas do Havaí, que vivem mais de 2 mil anos. 

 

De acordo com o professor de biogerontologia molecular João Pedro de Magalhães, nossa biologia é governada por programas genéticos semelhantes a algoritmos de computador, que, com o passar do tempo, ficam instáveis e travam. Se os cientistas conseguirem reescrever esses "softwares" de modo a criar células resistentes ao câncer e imunes ao envelhecimento, a expectativa de vida dos humanos pode chegar a 20 mil anos.

 

Continua...

domingo, 4 de agosto de 2024

DIA DA PIZZA

CARPE DIEM, QUAM MINIMUM CREDULA POSTERO.

Se Deus criou o mundo em 3761 a.C., como afirmam as religiões abraâmicas, ou às 9h do dia 23 de outubro de 4004 a.C., como escreveu o arcebispo irlandês James Ussher em The Annals of the World (1658), como explicar os fragmentos de ossos de Australopithecus anamensis de 2 milhões de anos e os pedaços de crânios de Homo sapiens de 230 mil anos encontrados por paleontólogos na Etiópia e no Quênia? 

Ou alguém errou feio nas contas, ou o tempo é apenas uma invenção humana destinada a explicar o amanhecer, o anoitecer, as estações do ano e outros eventos vinculadas ao relógio e ao calendário. Em sendo assim, pouco importa se o dia mundial da pizza é comemorado em 17 de janeiro na Itália, em 9 de fevereiro nos EUA e em 10 de julho no Brasil, e eu prestar minha homenagem à redonda no primeiro domingo de agosto. 
 
Há indícios de que a pizza surgiu no Egito entre 5000 e 3200 a.C.), inicialmente como uma fina camada de massa à base de farinha de trigo, arroz ou grão de bico (algo bem parecido com os "pães sírios" de hoje em dia) que os fenícios resolveram cobrir com carne e cebola e os italianos incrementaram com molho de tomate. Mas essa delícia só se tornou popular em meados do século XIX d.C, quando um padeiro napolitano de nome Raffaele Sposito, que servia o casal real Umberto I e D. Marguerita, achou de cobrir o disco de massa com muçarela, tomate e manjericão, dando-lhe as cores da bandeira italiana, e de batizar sua criação como o nome da rainha. 

Foi também em Nápoles que surgiu a primeira pizzaria (Port'Alba), que se tornou ponto de encontro de artistas da época — entre os quais o romancista Alexandre Dumas (pai), que citou diversos tipos de pizzas em seus livros. Mas pouco importa se é janeiro, fevereiro ou julho, noite de sábado pede pizza. E existam cerca de 100 mil pizzarias no Brasil (são mais de 26 mil só no estado de São Paulo e cerca de 4,5 mil na capital), muitas das quais (talvez a maioria) oferece serviço de delivery. 

Mas uma redonda feita em casa também vai muito bem, obrigado. Embora você possa ganhar tempo comprando o disco de massa no supermercado, não custa saber como fazê-lo "artesanalmente". Para 4 discos de tamanho médio, os ingredientes são:
 
- 2 colheres (sopa) de fermento biológico seco;
- 2 colheres (chá) de açúcar;
- 2 12 xícaras de água morna;
- 6 xícaras de farinha de trigo;
- 2 colheres (chá) de sal;
- 1/4 de xícara de azeite;
- Farinha de trigo para polvilhar a bancada;
- Azeite extravirgem.
- 6 xícaras de farinha de trigo;
- 2 colheres (chá) de sal;
- 1/4 de xícara de azeite;
- Farinha de trigo para polvilhar a bancada;
- Azeite extravirgem.
 
O preparo é relativamente simples:
 
Misture o fermento e o açúcar numa tigela, junte a água morna e mexa até dissolver. Reserve e deixe descansar em temperatura ambiente por 5 minutos (ou até a mistura começar a espumar). 
Enquanto espera, misture em outra tigela a farinha e o sal, faça uma concavidade no centro da massa e despeje a mistura que você reservou, adicione o azeite e misture com a ajuda de uma espátula (apenas o suficiente para incorporar os ingredientes). 
Use uma batedeira com gancho para sovar a massa em velocidade baixa por cerca de 5 minutos. Ao final, aumente a velocidade aos poucos e deixe bater até a massa começar a descolar da lateral da tigela e formar uma bola no gancho. 
Amasse a massa com os dedos, coloque-a numa tigela grande, junte duas colheres de azeite, cubra com plástico filme e deixe descansar por uma hora (ou até a massa dobrar de tamanho). 
Polvilhe farinha de trigo numa superfície lisa e seca (como a mesa da cozinha ou o tampo da pia), abra a massa com um rolo apropriado (na falta dele, use uma garrafa de vinho) e divida-a em quatro porções. 
Disponha a cobertura de sua preferência sobre os discos que você vai assar e guarde os restantes na geladeira, para usar numa próxima oportunidade.
 
Sugestão de cobertura para pizza marguerita (ajuste os ingredientes à quantidade de discos que você for assar):
 
- Cebola picada;
- Dentes de alho picados;
- Azeite de oliva extravirgem a gosto;
- tomates pelados (os italianos são os melhores);
- Sal e pimenta-do-reino a gosto;
- Queijo tipo muçarela em fatias finas (ou ralado);
- Tomates vermelhos cortados em rodelas;
- Folhas de manjericão e orégano a gosto.


Esprema os tomates pelados e refogue numa panela com azeite, alho e cebola. 

Acerte o ponto do sal e da pimenta e deixe amornar. 

Besunte o(s) disco(s) de pizza com uma camada generosa desse molho, salpique o orégano, cubra com o queijo e decore com as rodelas de tomate e as folhas de manjericão.

 Leve ao forno (preaquecido a 200°C) e asse por cerca 20 minutos (ou até o queijo começar a "borbulhar").

Regue com um fio de azeite e sirva em seguida.

 

Bom apetite.

domingo, 12 de maio de 2024

AZEITE, MANTEIGA OU MARGARINA?

TUDO QUE É BOM NESTA VIDA OU É PROIBIDO, FAZ MAL OU ENGORDA.

Depois da tempestade vem a cobrança: Lula trabalhava com a perspectiva de uma queda consistente no preço dos alimentos em 2024, mas a tragédia gaúcha levou os economistas a reverem suas previsões para cima e as pesquisas mais recentes a apontar que sua avaliação positiva continua em queda e a reprovação segue ascendente. Uma das causas da aproximação dessas duas linhas foi a percepção popular de que a economia piorou, a despeito de o governo ter reequilibrado uma economia que herdou em mau estado, criado novos empregos e aumentado o salário-mínimo. Nada disso consegue evitar que o humor dos brasileiros seja envenenado quando os preços na quitanda e na feira se movem para cima. 

O azeite de oliva (se me concedem a redundância) surgiu há cerca de 6.000 anos e já era usado pelos egípcios, gregos e romanos muito antes de Adão e Eva serem acomodados no Jardim do Éden. 

ObservaçãoBaseados em elementos cronológicos mencionados na Bíblia e em cálculos encontrados na antiga literatura judaica, os criacionistas afirmam que Deus criou o mundo em 3761 a.C., mas o livro The Annals of the World, publicado em 1658 pelo arcebispo irlandês James Ussher é ainda mais preciso: o mundo foi criado no dia 23 de outubro de 4004 a.C. Você pode acreditar no que quiser, mas não custa lembrar que uma miríade de cientistas, escorada numa miríade de evidências, concluiu que a Terra tem 4,5 bilhões de anos e que a espécie humana surgiu há cerca de 300 mil anos, a partir da evolução de outros primatas. 

Até não muito tempo atrás usava-se uma viga de madeira ligada a um contrapeso para extrair o óleo das azeitonas. Atualmente, a polpa, a pele e o caroço das frutinhas são triturados mecanicamente e a pasta resultante é prensada a frio (ou por centrifugação), separada da água e de outros resíduos, armazenada em barricas e finalmente envasada em latas e vasilhames de vidro. 

Para ser considerado "extravirgem", o azeite deve ter acidez inferior a 0,8%, mas é quase impossível perceber sensorialmente a diferença entre um produto com 0,1% de acidez de outro com 0,8%. Segundo estudos recentes, o consumo de 10g diárias de azeite extravirgem pode reduzir em até 30% o risco de morte por doenças neurodegenerativas, cardiovasculares e respiratórias, além de contribuir para o controle dos níveis de colesterol, facilitar a digestão, prevenir úlceras estomacais e até câncer. 
 
Itália, Espanha, França e Grécia são responsáveis por 90% da produção mundial de azeite, O Brasil é o terceiro maior importador (atrás apenas dos EUA e da Grécia), mas também produz azeites premium de excelente qualidade (caras e difíceis de encontrar nas gôndolas dos supermercados).
 As principais diferenças entre o azeite premium e o comum (além do preço) são a qualidade das azeitonas, o processo de produção, o sabor, a origem.

Os azeites encareceram escandalosamente de 2022 para cá, devido a períodos atípicos de seca e calor extremo na Europa que prejudicaram a safra das azeitonas. No Brasil, as garrafinhas de 250 ml e 500 ml do tipo extravirgem ficaram 51,4% e 43% mais caras nos últimos 12 meses. Como desgraça pouca é bobagem, manteiga, requeijão, iogurte, leite condensado e demais laticínios também estão pela hora da morte — fabricantes e revendedores culpam o preço do leite e a escalada do dólar, o que explica, mas não justifica: é fato que o litro do leite chegou a ser vendido por R$ 10 em 2022, mas fato é que o preço caiu pela metade nos últimos meses, e o dólar continua orbitando os R$ 5. 
 
A manteiga surgiu por volta de 4.000 a.C., nas pegadas do desenvolvimento da pecuária leiteira na Europa Central e Atlântica, quando alguém descobriu que bater a nata que se formava na superfície do leite resultava na pasta cremosa em questão — que, em algumas culturas, chegou a ser vista como símbolo de status social e riqueza. 
O processo manual seguiu até meados do século XIX, a partir de quando o advento das centrífugas que separam o creme do leite ensejou a industrialização. 

A textura, o sabor e o teor de gordura da manteiga variam conforme o país de origem — as europeias, com destaque para as franceses, têm sabor mais acentuado e textura mais leve do que as produzidos no Brasil e nos EUA. Por alguma razão, marcas tradicionais, como Viaducto e Mococa, desapareceram das prateleiras, e o sabor da tradicional Aviação evoca uma vaga lembrança do produto de antigamente.
 
O azeite é mais usado para regar saladas verdes e massas, no preparo de refogados e em frituras em fogo baixo; a manteiga, além de ser consumida in natura, é utilizada
 no preparo de bolos, biscoitos, recheios e assemelhados, serve para untar, fritar e dar sabor aos pratos. Ambos são versáteis e benéficos à saúde quando consumidos com moderação: o azeite é rico em gorduras monoinsaturadas e antioxidantes, enquanto a manteiga fornece vitaminas A, D e E. 

Continua...

quinta-feira, 19 de junho de 2025

DO GÊNESIS A MARTE — HUMANOS OU MARTIANUS?

E AQUELES QUE FORAM VISTOS DANÇANDO FORAM JULGADOS INSANOS POR AQUELES QUE NÃO CONSEGUIAM OUVIR A MÚSICA.

Consta que Moisés escreveu o Gênesis (primeiro livro do Velho Testamento) no final do século VIII a.C., enquanto guiava o povo hebreu na busca pela terra que Jeová prometera a Abraão e seus descendentes. Embora dominasse os segredos das águas (pois não só abriu o Mar Vermelho como tirou água de uma pedra com seu cajado), o autor do Pentateuco só chegou (se é que chegou) a Canaã após caminhar durante 40 anos pelo deserto do Sinai. Sem falar que o conceito de "terra prometida" só faria sentido quase 3 mil anos depois, com a criação do Estado de Israel


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Einstein teria dito que duas coisas são infinitas: o Universo e a estupidez humana. Se ainda caminhasse entre os viventes, ele certamente incluiria na lista a insanidade do governo Lula no afã de obter mais dinheiro e continuar a farra irresponsável de ações supostamente sociais. Diante do insucesso do aumento do IOF, Haddad partiu para a elevação de impostos e a tributação de investimentos como as Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio. 

Para o governo, o que importa é a satisfação de seus próprios interesses, ainda que isso implique sacrificar o crescimento do Brasil. E como Lula e o PT vêm levando uma surra — merecida — nas redes sociais, já que o governo é ruim, tem um ministro da Fazenda apelidado de "Taxxad", é irresponsável por não cumprir as metas fiscais e ainda rouba dos aposentados e pensionistas do INSS, a palavra de ordem passou a ser: regular as redes sociais. A exemplo do general Costa e Silva (27.º presidente do Brasil e segundo da ditadura militar), que dizia preferir “elogios construtivos” a críticas construtivas, Lula não gosta de críticas — e tampouco da imprensa, mas aí o sentimento parece ser mútuo.

Bolsonaro, por sua vez, prestou depoimento ao STF vestido em pele de cordeiro, e se esforçou para não piorar sua situação jurídica com confrontos como os que alimentaram sua persona política. Resta saber se seus apoiadores o verão como um homem prudente, premido pelas circunstâncias, ou como um valente de fancaria — que já havia se recolhido ao silêncio, corrido para fora do país depois da derrota e que agora chama de "malucos e pobres coitados" os que o defendiam na porta dos quartéis. A triste figura modulada na arte do possível com a qual o "mito" se apresentou no tribunal não se coaduna com o arquétipo do rebelde incivilizado cultivado por ele durante anos e que tantos adeptos conquistou. 

Já seu primogênito — celebrizado pelas rachadinhas, pelas mansões milionárias e pelos panetones com toque de Midas — exibe sinais de esgotamento da estratégia de manutenção fictícia da candidatura do pai, como ficou claro em entrevista em que prega que o eventual representante da extrema-direita que se eleger em 2026 conceda um indulto que ele considera difícil de passar pelo crivo das togas sem o "uso da força". Na visão do filho, a solução para evitar tumultos e risco de rupturas seria a concessão de anistia ampla como "saída honrosa" para o pai, para "Xandão" — por presumido abuso de autoridade — e para o Congresso — "por ter deixado de defender institucionalmente parlamentares". Ao reconhecer que ninguém vai encarnar o candidato disposto a fazer isso, zero um vende terrenos na Lua mediante métodos hostis à realidade madrasta. 

Mas não é só: ao longo das investigações sobre a espionagem ilegal realizada por servidores da Abin, a PF identificou uma conversa na qual o deputado Alexandre Ramagem, ex-diretor do órgão, e Jair Bolsonaro discutiram supostas irregularidades cometidas por auditores da Receita Federal na elaboração de um relatório de inteligência fiscal que originou um inquérito que teve o primogênito do "mito" entre os alvos. Durante a gravação, Ramagem afirmou que "seria preciso instaurar um procedimento administrativo para anular a investigação e retirar alguns auditores de seus cargos". 

O relatório da PF aponta ainda que integrantes da chamada "Abin paralela" tentaram levantar "podres e relações políticas" dos auditores da Receita. Ramagem e Bolsonaro foram indiciados na última terça-feira. Em ocasiões anteriores, eles negaram a existência de estrutura paralelas na agência e a participação em espionagens ilegais. 

Segundo o Gênesis, o mundo e tudo o que nele existe foi criado em seis dias. Com base na cronologia mencionada nos "textos sagrados", os criacionistas sustentam que a criação teve início em 3761 a.C. O arcebispo irlandês James Ussher foi ainda mais preciso: em The Annals of the World (1658) ele registrou que a obra divina começou pontualmente às 9 horas de 23 de outubro de 4004 a.C., que todas as espécies surgiram ao longo de seis dias subsequentes e jamais sofreram qualquer alteração.  

De acordo com o modelo cosmológico atual, o Big Bang deu início ao Universo há 13,78 bilhões de anos, e nosso sistema solar foi criado há 5 bilhões de anos. A Terra surgiu há 4,5 bilhões de anos, e o Homo sapiens evoluiu do Homo erectus há cerca de 300 mil anos. Mas isso tudo diz respeito ao passado. A pergunta que se coloca é: se um dia colonizarmos outros mundos — como Marte, que fica logo ali, a 225 milhões de quilômetros —, continuaremos sendo Homo sapiens ou estaremos plantando a semente do Homo martianus?

 

O corpo humano foi moldado pelas condições terrestres — gravidade estável, atmosfera rica em oxigênio, água líquida e proteção contra radiações — e cada detalhe de sua biologia funciona em sintonia com esse ambiente. Se a ideia de colonizar Marte se tornar realidade, os seres humanos que habitarão o planeta precisarão de bem mais que uma base com comida, ar e abrigo.

 

A questão mais complexa é como o corpo humano reagiria — e evoluiria — num ambiente com 1/3 da gravidade terrestre, atmosfera rarefeita (composta quase inteiramente por dióxido de carbono) e superfície constantemente bombardeada por radiação cósmica e solar. Mesmo com trajes espaciais e abrigos subterrâneos, seria uma luta diária para sobreviver. Ainda assim, alguns cientistas acreditam que os humanos poderiam se adaptar.

 

Em entrevista ao site IFLScience, o professor de biociência Scott Solomon explicou que viver no planeta vermelho por várias gerações resultaria em mudanças no corpo, nos genes e na aparência dos colonos — mudanças essas que, com o tempo, poderiam ser tão significativas que os marcianos humanos deixariam de ser Homo sapiens e se tornariam "Homo martianus".

 

Na Terra, estamos protegidos da radiação solar e cósmica por uma atmosfera espessa e um campo magnético que não existem em Marte, e a exposição contínua a altos níveis de radiação pode causar mutações no DNA. Vale destacar que essas mudanças podem não ser necessariamente prejudiciais, já que mutações são a base do processo de seleção natural que permite às espécies se adaptarem ao ambiente ao longo do tempo. Em Marte, a taxa de mutação genética mais alta aumentaria a diversidade dentro da população de colonos, acelerando o processo evolutivo. Além disso, doenças como o câncer podem se tornar mais comuns por causa da radiação, mas também podem pressionar o corpo a desenvolver defesas mais eficientes ao longo das gerações.

 

Outra possível mudança evolutiva tem a ver com a cor da pele. Um tipo específico de melanina oferece proteção maior contra os danos causados pela radiação ultravioleta, mas também deixa a pele mais escura. Com o tempo, a seleção natural favoreceria pessoas com mais eumelanina — ou com pigmentos novos, com cores e funções diferentes das que conhecemos na Terra. Assim, é possível que os "homenzinhos verdes" da ficção científica surjam por meio da evolução real. No entanto, a evolução é um processo lento, e gerar uma nova espécie num ambiente tão diferente quanto o do planeta vermelho pode levar milhares de anos.


Vale destacar que a vida fora da Terra impõe desafios sociais e éticos. Os humanos que nascerem e crescerem em Marte suportariam a gravidade terrestre ou seriam tão diferentes que não se adaptariam mais ao planetinha azul? Além disso, diferenças físicas, genéticas e até mesmo culturais poderiam dividir a humanidade em dois grupos, ensejando discussões sobre inclusão, direitos e até sobre o que significa ser humano.

 

Com a ciência e a tecnologia avançando rapidamente, a ideia de pessoas vivendo em Marte deixou de ser mera ficção científica. Se ela se confirmar, talvez o futuro nos apresente uma nova espécie nascida entre as estrelas. Enfim, quem viver verá.

quinta-feira, 16 de maio de 2024

CONSCIÊNCIA E VIDA APÓS A MORTE (PARTE IV)

O IMPOSSÍVEL É A MATÉRIA DOS SONHOS.


De acordo com o fisicalismo — que é o cientificismo reducionista e materialista aplicado à neurociência —, o cérebro produz a mente. Segundo Shakespeare, há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia. Os fisicalistas desdenham das experiências de quase-morte, escarnecem de quem afirma se lembrar de vidas passadas e negam a mediunidade — mas não oferecem uma explicação convincente para casos notórios, como os da norte-americana Leonora Piper e do brasileiro Chico Xavier.
 
Ainda não existam provas irrefutáveis de que a consciência (ou alma, ou espirito) sobrevive à morte física, mas não faltam indícios de que levam água a esse moinho. Parafraseando o cosmólogo e romancista Carl Sagan, "ausência de evidências não é evidência de ausência" (na verdade, essa ideia foi desenvolvida por William Wright em 1887; Sagan apenas popularizou o aforismo num livro que escreveu sobre a existência de seres extraterrestres). 
 
Escorar-se na falta de evidências para negar a existência de seja lá o que for é afrontar a Ciência 
 que amplia os limites do conhecimento transitando entre o conhecido e o desconhecido. Os fenômenos que abordei ao longo desta despretensiosa sequência existem; explicá-los é outra história, mas refutá-los de plano é o mesmo que retroceder pelo caminho que levou a humanidade do obscurantismo ao iluminismo. Portanto, em sendo reais os fenômenos e em não havendo fraude envolvida, negá-los é comprovar o que disse Albert Einstein sobre a infinitude da estupidez humana.
 
Em 1616, por ordem do papa Paulo V, o 
cardeal Roberto Belarmino notificou Galileu Galilei sobre um vindouro decreto da Congregação do Index condenando o heliocentrismo. O teólogo carmelita Antonio Foscarini escreveu um texto em defesa de Galileu e submeteu-o a Belarmino, que respondeu com as seguintes palavras (a tradução é do livro Galileu, pelo copernicanismo e pela Igreja, de Annibale Fantoli). 

Em seu livro, Fantoli rejeita tanto a noção de que Belarmino era um sujeito de genial "mentalidade científica" quanto a ideia de que ele era um tapado que não conseguia perceber o que estava tão evidente. Diz que o Concílio de Trento só tratava das matérias da fé no primeiro caso (por parte do objeto), e que Belarmino era bem consciente disso, motivo pelo qual admitiu em sua resposta a possibilidade de o Sol e a Terra não estarem posicionados exatamente como descrito na Bíblia. 

Belarmino nos ensinou uma lição importante: nunca desprezar as evidências. Se alguma evidência não ornar com algum trecho bíblico, provavelmente é porque a interpretação da Bíblia é que está errada. Fica o recado para quem acredita que Deus criou o mundo em 3761 a.C. — ou, mais exatamente, no dia 23 de outubro de 4004 a.C., como o arcebispo irlandês James Ussher escreveu em The Annals of the World (publicado em 1658).
 
Continua...

segunda-feira, 11 de novembro de 2024

CIÊNCIA X RELIGIÃO — CADA QUAL NO SEU QUADRADO

SUTOR, NE ULTRA CREPIDAM.
 
O Velho Testamento é um conjunto de lendas, mitos e tradições culturais que foram transmitidas oralmente por várias gerações até serem compiladas (supostamente) por Moisés em 1200 a.C. O Gênesis — primeiro livro da Bíblia judaico-cristã, mas não o primeiro a ser escrito — começa com a palavra bereshit (no princípio, em hebraico), e narra a origem da vida, do mundo e do povo que Moisés liderou rumo à terra que Deus prometera a Abraão e seus descendentes. 

Diz a Bíblia que, a alturas tantas, Moisés estendeu seu cajado e o Mar Vermelho se abriu, para que os judeus o atravessassem, e se fechou em seguida, afogando o exército egípcio que os perseguia. Embora dominasse os segredos das águas, o líder dos "judeus errantes" não fez bom uso do GPS fornecido por Jeová: ele e seu povo só encontraram Canaã após caminharam 40 anos pelo deserto do Sinai — sem falar que o conceito de "terra prometida" só fez sentido quase 3 mil anos depois, com a criação do Estado de Israel. 

Por outro lado, o que começou como uma jornada pelo deserto se tornou uma diáspora cheia de reviravoltas, exílios e retornos que talvez tenha menos a ver com a busca pela terra prometida e mais com a obstinação do povo judeu em seguir adiante, independentemente de quão longa seja a estrada. Mas isso é outra conversa.
 
As narrativas que compõem o Gênesis não fornecem uma explicação científica ou histórica sobre o passado, até porque a literatura bíblica não é jornalismo nem os fatos foram registrados em tempo real. Ainda assim, os criacionistas e os seguidores das religiões abraâmicas acreditam que Deus criou o mundo e tudo que nele existe em seis dias. O arcebispo irlandês James Ussher vai ainda mais além: em "The Annals of the World", ele afirma que o Criador iniciou sua obra às 9h00 do dia 23 de outubro de 4004 a.C.).
 
Enquanto os dogmas religiosos pedem fé inquestionável, a ciência busca evidências e procura comprová-las por meio de experimentos. Premissas científicas podem ser questionadas e modificadas conforme novas descobertas surgem, mas a interpretação literal da Bíblia ignora o conhecimento científico adquirido e acumulado nos últimos séculos, ao longo dos quais áreas como física, astronomia e biologia evolutiva revelaram uma complexidade maior que as descrições encontradas em textos antigos. A evolução das espécies e a formação de estrelas e planetas são processos que ocorreram ao longo de bilhões de anos. 

Escorado na Teoria do Big Bang, o modelo cosmológico mais aceito atualmente sustenta que o Universo surgiu a partir de uma explosão de energia e matéria ocorrida há 13,8 bilhões de anos — ou há 26,7 bilhões de anos, como sugeriu recentemente o físico indiano Rajendra Gupta, após a descoberta de galáxias primitivas supostamente mais antigas que o próprio Universo. Nosso sistema solar se formou há 5 bilhões de anos e a Terra, 500 milhões de anos depois. A família dos Hominídeos divergiu das demais há 20 milhões de anos, o gênero Homo surgiu 2,5 milhões de anos atrás, e o Homo sapiens evoluiu do Homo erectus há 300 mil anos. Não se trata de conjecturas, mas de estimativas baseadas em descobertas arqueológicas e no estudo de ossos e crânios encontrados por paleontólogos.
 
Fé e a ciência não são mutuamente excludentes, mas desde que a esfera de cada uma seja respeitada. Quanto às religiões, cabe a elas oferecer conforto espiritual e respostas a questões como o propósito e o sentido da vida. Não se deve subestimar a importância da Bíblia nem negar a enorme influência cultural do Gênesis, mas tomar o livro da criação como evidência factual é ignorar séculos de progresso científico que expandiram nossa compreensão sobre o mundo e tudo que existe nele. 
 
Deve-se manter a Bíblia dentro de seu contexto histórico e mitológico, sem desdenhar das revelações científicas sobre a criação do mundo, e ter em mente que não deve o sapateiro ir além das sandáliasO literalismo religioso pode alimentar a negação de descobertas científicas amplamente aceitas, como a evolução e o aquecimento global, e movimentos que rejeitam essas descobertas em nome de crenças religiosas minam o progresso em questões vitais para o futuro da humanidade.

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