segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Revisitando o HD - final

O post desta segunda-feira fecha a trilogia sobre HDs que iniciamos na semana passada. Passemos à matéria:

Impactos, variações de tensão, reinicializações inesperadas e desligamentos incorretos podem acarretar morosidade no funcionamento do HD - ou até mesmo inutilizá-lo fisicamente, em casos extremos.
Com o PC desligado, as cabeças eletromagnéticas do drive ficam em posição de descanso, dali saindo somente quando os pratos já tiverem alcançado sua rotação máxima, e para lá retornando sempre que o dispositivo tornar a ficar ocioso. Uma interrupção inesperada no fornecimento de energia (ou mesmo um pico de tensão) pode propiciar o surgimento de setores defeituosos - quando os discos param de girar, o efeito "colchão de ar" desparece.
Para prevenir danos físicos, drives modernos recolhem automaticamente as cabeças quando a energia é cortada, mas isso não evita a perda de dados. Visando agilizar as operações de gravação, todos os arquivos (e especialmente os menores) são salvos no cache de disco - que é criado pelo sistema operacional usando parte de memória RAM - e no cache do próprio HD - buffer que utiliza memória SRAM, igualmente volátil - antes de ser transferidos para os discos magnéticos. Um desligamento abrupto pode fazer com que esss dados se percam (e o mesmo vale para as últimas alterações em arquivos que você acreditava terem sido salvos). Para evitar que isso aconteça, só usando um no-break (dispositivo que armazena uma reserva de energia suficiente para o usuário salvar adequadamente seu trabalho, fechar os aplicativos, finalizar o Windows e desligar corretamente o PC).
Nenhuma mídia magnética é totalmente confiável; pequenas falhas nos discos podem acarretar erros de leitura, sobretudo em modelos de alta densidade e rotação elevada. Assim, os fabricantes utilizam sistemas de correção de erros (ECC) - como aqueles usados em módulos de memória para servidores - cujo gerenciamento fica a cargo da placa lógica, num processo automático e completamente transparente ao sistema operacional. Erros transitórios, que podem ser corrigidos com auxílio dos códigos ECC, são chamados de "soft errors", e geralmente não causam problemas além de um delay de poucos milessegundos na leitura dos dados. Diante de erros mais graves, todavia - e se não for capaz de corrigí-los - a controladora tenta recuperar os dados do(s) setor(es) problemático(s) e então substitui-los (os clusters danificados, não os dados) por "endereços bons". No início do disco existe uma área chamada "defect map", que contém milhares de setores reservados para esse fim, mas eles irão se esgotar, caso o HD apresente erros crônicos, e aí os badblocks se tornarão visíveis. A solução então é rodar o chkdsk, que irá isolar esses setores numa área reservada da partição.
Por melhores que sejam as condições de trabalho, os HDs têm vida útil relativamente curta (uns dois ou três anos de utilização contínua), e o surgimento sistemático de bad blocks costuma preceder problemas ainda mais sérios. Se os setores danificados estiverem próximos uns dos outros, você até pode tentar reparticionar o HD e isolar a área problemática, mas o melhor mesmo é providenciar o backup dos dados e substituir o drive com a possível urgência.
Na hora de comprar um HD novo, alguns cuidados devem ser observados, a começar pela relação custo x benefício: HDs de 160 GB podem custar poucos reais mais caro do que um modelo de 120 GB, por exemplo. Seja como for, antes de sacar seu poderoso cartão de crédito, assegure-se de que o HD que você pretende adquirir é compatível com sua placa de sistema. Computadores antigos podem ter dificuldade em reconhecer discos de grandes capacidades, mesmo que você faça uma atualização do BIOS (procedimento que não só é chato como nem sempre apresenta os resultados desejados).
Se for substituir sua unidade de disco - ou se estiver montando agora o seu PC, ou ainda se for comprar uma máquina pronta), prefira usar HDs do padrão SATA, que operam com transmissão serial de dados e representam uma opção mais vantajosa no mesmo nível de preço dos discos IDE/ATA paralelo (PATA). Essa nova tecnologia permite fácil transição, instalação e configuração (as rotinas de software, do ponto de vista do sistema operacional e dos programas, não exigem qualquer modificação), dispensando o ajuste master/slave feito por jumpeamento nos drives convencionais. Além disso, o SATA suporta o Plug and Play real (os drives podem ser conectados/desconectados com o computador ligado), e seus cabos, bem mais finos que os flat-cables usados nas interfaces IDE, favorecem a circulação de ar no interior do gabinete. Note, porém, que o upgrade em uma máquina antiga só será possível se a placa-mãe suportar o SATA e disponibiliar as interfaces respectivas. (coisa que você certamente não encontrará num PC com dois ou mais anos de estrada).
Caso não haja alternativa ao IDE - que suporta até quatro drives (aí considerados tanto o HD quanto leitores/gravadores de CDs e /ou DVDs) -, se seu PC tiver apenas um HD e uma leitora (ou gravador) de CD/DVD, convém instalá-los em controladoras separadas, para evitar degradação de desempenho. Caso haja três dispositivos, mantenha o HD principal sozinho (configurado como Master) na IDE primária (a maneira de fazer essas configurações e de conectar os drives às interfaces foi abordada em detalhes no volume 2 da Edição Especial da Coleção Guia Fácil Informática - Monte seu PC).
Para encerrar, resta mencionar os SSDs ou "Solid State Disks" (discos de estado sólido) de grande capacidade. Numa conceituação elementar, os SSDs são "HDs" que utilizam chips de memória Flash ao invés de discos magnéticos, podendo substituir os drives convencionais dos padrões SATA ou IDE. Embora sua taxa de transferência seja comparável à dos HDs tradicionais, seu tempo de acesso é extremamente baixo, aspecto que melhora o desempenho em um vasto leque de aplicações e reduz sensivelmente o tempo de boot. Além disso, esses dispositivos consomem pouca energia, são bastante resistentes (trata-se de um chip, não de um disco magnético com cabeças cabeças de leitura e gravação separadas por espaços micrométricos) e extremamente silenciosos. Por outro lado, enquanto o preço da memória Flash não cair a ponto de tornar seu uso mais "popular", esses drives ficarão restritos a notebooks ultraportáteis, onde suas vantagens são mais bem aproveitadas.

Tenham todos uma excelente semana.
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