quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

CRONOLOGIA DO APOCALIPSE

ENTRE O NÃO E O SIM SEMPRE HÁ UM TALVEZ...

No início da era cristã, respaldados no Apocalipse de João, vates delirantes alardearam que a humanidade não sobreviveria ao ano 1000. Quando a previsão falhou, o julgamento celestial foi remarcado para 1033 e, mais adiante, para 1666.

 

Botticelli foi um grande pintor, mas revelou-se um profeta de merda ao prever que Cristo voltaria em 1503 para julgar os vivos e os mortos. Stifel aprazou o Armagedom com precisão suíça, mas o mundo não acabou às 8h do dia 19 de outubro de 1536. 


Colombo descobriu a América, mas o apocalipse que ele disse que aconteceria entre 1656 e 1658 não aconteceu. Lutero chutou na trave ao predizer que o mundo abarbaria no século XVII — lembrando que a Peste Negra e o Grande Incêndio mataram mais de 100  londrinos em 1666.

 

Em 1806, uma galinha que punha ovos com a inscrição Christ is coming espalhou pânico nas Ilhas Britânicas — até que se descobriu que uma falsa vidente escrevia a mensagem na casca dos ovos e os colocava de volta na cloaca da ave adivinha. 


Na mesma época, o pregador William Miller anunciou que o apocalipse ocorreria entre 21 de março de 1843 e 21 de março do ano seguinte. A profecia não se confirmou, mas deu azo ao Grande Desapontamento e à fundação da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Já as Testemunhas de Jeová afirmam desde a fundação da seita, em 1870, que o dia do juízo será "em breve".


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


O economista francês Frédéric Bastiat imaginou uma petição ao rei para que ele proibisse todos os seus súditos de usarem a mão direita, e justificou a medida aparentemente insana recorrendo à cristalina lógica: quanto mais uma pessoa trabalha, mais rica ela fica; quanto mais dificuldades precisa superar, mais trabalha; logo, quanto mais dificuldades uma pessoa tem de superar, mais rica ela se torna.

O Brasil tem algo de bastiatiano. O Banco Central elevou os juros para conter a inflação, e o governo basicamente amarra a mão direita da autoridade monetária multiplicando linhas de crédito subsidiado e criando vários programas para manter e até ampliar a atividade econômica. Ora, se o propósito dos juros altos é esfriar a economia para conter o aumento dos preços, o governo atua na contramão dos objetivos do BC, e o resultado são juros mais altos e por um tempo maior do que seria necessário para segurar a inflação.

O trabalhador brasileiro leva uma hora para produzir o que seu homólogo norte-americano faz em 15 minutos, e o que o governo faz? Amarra a mão direita, impondo tarifas de importação de máquinas de 12% — uma das mais altas do mundo. Essa obsessão pela ineficiência é muito ruim para o país, mas não deixa de beneficiar grupos específicos, como poupadores que faturam uns cobres na renda fixa e empresários que não querem saber de concorrência.

É aí que entra uma outra ótima tirada de Bastiat, que definiu o Estado como uma "grande ficção através da qual todos se esforçam para viver às custas dos demais".

 

Em 1997, a seita Heaven's Gate anunciou que o cometa Hale-Bopp trazia a reboque um OVNI que destruiria a Terra, mas a profecia só se confirmou para os membros do grupo, que cometeram suicídio coletivo durante a passagem do cometa, achando que suas almas seriam levadas pelos alienígenas. Interpretações distorcidas de Nostradamus levaram a crer que o mundo acabaria em julho de 1999. Como não acabou, Richard W. Noone teve tempo para prever que o alinhamento dos planetas produziria uma espessa camada de gelo que congelaria a Terra. Mas a Terra não congelou.

 

Alarmistas proclamaram que o Grande Colisor de Hádrons criaria buracos negros que engoliriam o mundo. Como o mundo não acabou, o pregador Harold Camping anunciou que terremotos devastadores ocorreriam em 21 de maio de 2009, e que apenas 3% da população mundial iria para o Céu. 


Quando a previsão furou, o profeta de fancaria mudou a data para 21 de outubro. Passados 16 anos, a despeito do aquecimento global e suas funestas consequências, 8,1 bilhões de pessoas continuam habitando o planetinha azul. 

 

Cientistas de todo o mundo (o que não significa "todos os cientistas do mundo") sugerem a possibilidade de a Terra ser extinta daqui a 250 milhões de anos — o que, se se confirmar, marcará a primeira extinção em massa desde a aniquilação dos dinossauros, há 66 milhões de anos. 


Outro estudo, mais recente e baseado em observações astronômicas, aponta que o Universo pode ter uma expectativa de vida finita de apenas 33 bilhões de anos, terminando em um colapso catastrófico conhecido como "Big Crunch". 


A boa notícia, por assim dizer, é que — a menos que se acredite em reencarnação — nenhum de nós estará vivo para conferir qual dessas previsões é a correta.

 

Bilhões de anos é um intervalo de tempo quase incompreensível em termos humanos — aproximadamente 1.4 milhão de vezes mais longo que toda a história da espécie humana. Mas a descoberta de que o Universo tem uma data de expiração adiciona uma nova dimensão às nossas reflexões sobre o lugar da humanidade no cosmos. E isso num momento particularmente significativo, em que ensaiamos os primeiros passos rumo a uma civilização verdadeiramente espacial. 

 

As próximas décadas de observações astronômicas serão cruciais para confirmar, refinar ou possivelmente refutar essas conclusões extraordinárias. Mesmo porque nada é para sempre — em algum momento, tanto a vida na Terra quanto o próprio Universo terão um fim. 

 

Cerca de 252 milhões de anos atrás, nosso planeta pela maior extinção em massa da história, que aniquilou 94% das espécies marinhas e 70% dos vertebrados terrestres. O episódio foi causado pela liberação de gases do efeito estufa por uma série de erupções vulcânicas gigantescas na região onde atualmente é a Sibéria. O dióxido de carbono aqueceu o planeta de forma intensa, e a temperatura terrestre subiu entre 6°C e 10°C, gerando um "superefeito estufa" que durou cerca de 5 milhões de anos e tornou impossível a sobrevivência de muitas espécies. 

 

Segundo Zhen Xu, pesquisadora de doutorado na Universidade de Leeds, Reino Unido, embora tenha ocorrido há centenas de milhões de anos, esse evento mostra que os ecossistemas não conseguem responder rapidamente a mudanças climáticas bruscas — como as que estão acontecendo agora —, e a perda acelerada das florestas pode levar a um novo ponto de inflexão, tornando as mudanças climáticas ainda mais difíceis de reverter. 


Proteger essas regiões é essencial para evitar que o passado se repita no futuro, mas os "lideres mundiais" — como Donald Trump, Vladimir Putin e distinta companhia — estão mais preocupados com seus infames projetos de poder.

 

Vale uma reflexão.