PODE-SE LEVAR UM BURRO ATÉ O REGATO, MAS NÃO SE PODE FORÇÁ-LO A BEBER.
Quando precedido da preposição “de”, o pronome “se” já expressa sentido passivo, de modo que não deve ser usado com expressões como difícil de, fácil de, bom de, possível de e equivalentes quando seguidas de verbo no infinitivo. Assim, o correto é: “fácil de entender”, “fácil de fazer” e “possível de aceitar” — e não “fácil de se entender”, “fácil de se fazer”, “possível de se aceitar”.
Igualmente inadequado é o uso de “se” com verbos no infinitivo precedidos de expressões como é de, era de, foi de, seria de, etc.
Assim, o certo é: “isso é de admirar” (e não “de se admirar”), “era de esperar” (e não “de se esperar”), e assim por diante.
O uso de por hora, por ora e outros ora também suscita dúvidas. Nos dois primeiros casos, o sentido é temporal, mas “por hora” refere-se ao tempo contado em minutos, como em:
“O estacionamento cobra R$ 20,00 por hora.” “O encanador cobra por hora.” “A velocidade máxima é de 120 km por hora.”
Já “por ora” tem o sentido de atualmente, por enquanto, neste momento, agora. Exemplos:
"Apesar de demitido, ele disse que, por ora, não iria viajar.""Por ora, pretendo esperar." "Este seminário que ora iniciamos busca alcançar alguma solução."
O uso de "ora" como conjunção também pode confundir. O correto é:
"Aquele político ora defende a democracia, ora defende a ditadura." "Aquele cara ora diz que quer se casar, ora diz que ainda é cedo para se amarrar." "Ora, ocorreu que, naquela época, uma notícia chacoalhou a cidade."
"Ora" também pode ser interjeição:
"Ora, bolas!" "Ora, pois!" "Ora… ora… olha quem vem vindo…"
Para saber se uma determinada palavra existe oficialmente, digite-a no campo de buscas do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP).
Por ora é só, pessoal. Até outra hora.
