OS AUSENTES ESTÃO SEMPRE ERRADOS.
Ensinava-se nos meus tempos de estudante que nosso sistema solar era formado por nove planetas, que Júpiter — o maior deles — tinha 12 luas, e que Saturno — o único com anéis — tinha 9. Mas não há nada como o tempo para colocar as coisas em perspectiva.
Em 2006, Plutão foi rebaixado à categoria de objeto transnetuniano. Sabe-se atualmente que Urano e Netuno também têm anéis; que Júpiter possui 95 luas e Saturno, 274, suspeita-se da existência de um nono planeta nos confins do sistema e de que Encélado — a sexta maior lua de Saturno — seja potencialmente habitável.
CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA
A revista The Economist critica a decisão de Lula de se candidatar e o jornal Financial Times aposta no favoritismo do presidente. Uma se concentra na idade do macróbio — tendo como referência o exemplo do norte americano Joe Biden — e a outra se baseia em dados da conjuntura, levando em conta as pesquisas, perspectivas econômicas e os desacertos do campo adversário. Ambas as análises carecem de conhecimento detalhado sobre as especificidades da realidade política brasileira, razão pela qual não devem ser recebidas como diagnósticos precisos e muito menos justificar patriotadas na reação às críticas.
The Economist argumenta que Lula tem 80 anos e já passou por problemas sérios de saúde, mas ignora que, ao contrário de Biden, o petista não aparenta ter perturbações cognitivas — seus defeitos para mais quatro anos de mandato são visão obsoleta da economia, esgotamento de liderança e, sobretudo, a autorreferência que impede a alternância de protagonismo à esquerda.
O Financial Times aposta na reeleição levando em conta as pesquisas de intenção de votos, a superação da crise do tarifaço de Donald Trump, a defesa da soberania nacional e a desorganização da direita — fatores circunstanciais, cujo prazo de validade pode se esgotar ao sabor da volatilidade e das especificidades da política local que tem a estranha mania de não ter fé nos escritos.
A conferir.
O hipotético “Planeta Nove” — que explicaria as órbitas incomuns de certos objetos transnetunianos extremos — estaria localizado além da órbita de Netuno, a algo entre 400 e 800 unidades astronômicas do Sol, e que sua translação demore de 10 mil a 20 mil anos. As principais evidências de sua existência vêm da análise das órbitas de corpos do Cinturão de Kuiper e da Nuvem de Oort, mas a baixa luminosidade, a vasta área do céu que precisa ser monitorada e a presença de outros objetos distantes tornam sua detecção direta extremamente difícil.
Encélado despertou o interesse dos cientistas porque existe um oceano de água líquida sob sua casca de gelo, por cujas fissuras escapam jatos de vapor, gelo, sais e compostos orgânicos. Em 2008, o Analisador de Poeira Cósmica da sonda Cassini foi atingido por esses grãos de gelo a cerca de 18 km/s — os mais rápidos e “frescos” medidos pela missão até então.
Os pesquisadores reconstruíram os sinais e identificaram uma grande variedade de moléculas contendo carbono, nitrogênio e oxigênio, associadas a processos químicos complexos em ambiente aquoso. Posteriormente, um estudo publicado na revista Nature Astronomy reforçou essa conclusão ao demonstrar que as tais moléculas orgânicas se originam diretamente do oceano, apontando para um ambiente potencialmente habitável.
A existência de elementos básicos para a vida em Encélado não significa que homenzinhos verdes com cabeças grandes e olhos desproporcionais — como a ficção dos anos 1950 e 1960 retratava os “marcianos” — habitem outros mundos do nosso sistema solar, mas que Encélado pode ser um laboratório natural para investigar como a vida pode surgir em condições diferentes das da Terra — lembrando que outras formas de vida podem ter evoluído em ambientes que para nós seriam totalmente inviáveis.
Na astronomia, a zona habitável é chamada de Cachinhos Dourados numa alusão ao conto infantil em que a protagonista rejeita o mingau do bebê urso (doce demais) e o do papai urso (salgado demais), mas aceita o da mamãe ursa, que estava “no ponto certo”. Essa é a região onde um planeta recebe de sua estrela uma quantidade de energia semelhante à que a Terra recebe do Sol, o que lhe assegura temperaturas compatíveis com a presença de água líquida em sua superfície.
Não há provas cabais da existência de civilizações alienígenas mais avançadas tecnologicamente do que a nossa, mas abundam indícios de que seres extraterrestres nos visitaram em tempos imemoriais — e talvez continuem visitando, como sugerem os incontáveis relatos de avistamentos de OVNIs.
O universo observável se estende por cerca de 46,5 bilhões de anos-luz em todas as direções e contém algo como 2 trilhões de galáxias, 200 sextilhões de estrelas e 400 sextilhões de planetas. Parafraseando Carl Sagan, se não existe vida fora da Terra, "what a waste of space!" (que desperdício de espaço!)
Como ensinou Sherlock Holmes, quando se elimina o impossível, o que sobra, por mais improvável que seja, deve ser a verdade. É possível derrotar 40 sábios com um único argumento, mas 400 argumentos não bastam para convencer um idiota daquilo que lhe salta aos olhos.