terça-feira, 24 de junho de 2025

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 31ª PARTE

ÀS VEZES, ESTAMOS PRÓXIMOS DEMAIS DE ALGUMA COISA PARA PODER ENXERGÁ-LA. 

possibilidade de alguém vindo do futuro ter estado entre nós e deixado rastros levou dois físicos americanos a vasculhar a Internet em busca de indícios de viajantes do tempo. No artigo de 11 páginas em que relatam a experiência, eles descrevem a tentativa de identificar conteúdos que só poderiam ter sido publicados por quem tivesse conhecimento prévio de eventos ainda não ocorridos. 


Uma menção ao papa Francisco antes de 13 de março de 2013 sugere a ação de um visitante temporal, pois foi nessa data que o cardeal argentino Mario Bergoglio. eleito pontífice, adotou esse nome. Mas não foram encontradas quaisquer referências inequívocas a eventos futuros que pudessem ser atribuídas a visitantes temporais.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


A narrativa — palavra-chave da era trumpista — talvez tenha de encarar a realidade depois que a calopsita alaranjada fez o que nenhum de seus antecessores desde Jimmy Carter conseguiu: atacar de forma incisiva o Irã, cuja transformação em República Islâmica, em 1979, foi celebrada com queima de bandeiras americanas e a humilhante tomada de reféns na embaixada dos EUA em Teerã. 

Trump construiu sua carreira no populismo de direita prometendo manter os EUA longe de novos atoleiros — algo recorrente na história do país desde a Guerra do Vietnã, que o Iraque e o Afeganistão só reforçaram. Além de a interferência direta no conflito ser impopular, parte significativa de sua base criticou a ideia de um envolvimento mais direto. 

A ameaça iraniana de fechar o Estreito de Hormuz parece um caminho menos imediato para o confronto. Resta ver se os EUA responderão com fogo ao choque inflacionário global que a medida provocaria, diante do aumento previsível nos preços da energia. O discurso do “já acabou” revela a tentativa de Trump de sair do conflito sem se queimar demais com sua base — além de evitar o desgaste natural de uma guerra que pode sair de controle. Enfim, eleja um psicopata e seja bem-vindo ao hospício.

 

Os autores reconhecem que seus esforços talvez não tenham sido amplos o bastante para capturar todas as possíveis evidências e admitem a hipótese de eventuais viajantes do tempo não poderem — ou evitarem deliberadamente — deixar rastros duradouros, inclusive digitais. Outra possibilidade é que leis da física ainda desconhecidas impossibilitem a viagem no tempo ou qualquer forma de comunicação entre diferentes linhas temporais.

 

Em 2009, visando provar que a física conspira contra a viagem no tempo, Stephen Hawking organizou uma festa na Universidade de Cambridge e enviou o convite depois que o evento aconteceu, de modo que somente um viajante do tempo poderia comparecer à festa. No ano seguinte, no capítulo Viagem no tempo da série Into the Universe with Stephen Hawking, ele comentou: "Que lástima! Eu gosto de experiências simples e... champanhe. Então, combinei duas das minhas coisas favoritas para ver se a viagem do futuro para o passado é possível, mas ninguém apareceu". 

 

A teoria da relatividade admite que deformações no espaço-tempo como as causadas por buracos negros possibilitem viagens ao passado, mas elas podem gerar um campo de radiação tão intenso que destruiria a espaçonave e o próprio espaço-tempo a seu redor. Embora seja uma possibilidade fascinante, viajar no tempo levanta dilemas teóricos que desafiam a lógica, como o paradoxo do avô, colocando em xeque a consistência das linhas temporais.


Para contornar esse tipo de contradição, algumas teorias sugerem a existência de múltiplos universos ou linhas temporais paralelas, onde cada ação no passado cria uma nova realidade alternativa. Essas possibilidades são eminentemente teóricas, mas se respaldam na mecânica quântica e na interpretação dos muitos mundos — na ideia de multiverso desenvolvida por Hugh Everett nos anos 1950.

Quiçá por limitações tecnológicas, por autocensura dos supostos viajantes ou pelas próprias leis naturais que regem o cosmos, ainda não temos qualquer evidência concreta de que alguém tenha conseguido burlar o fluxo do tempo. Mas e se estivermos procurando no lugar errado? E se as provas que buscamos não estiverem escondidas em registros digitais nem nos paradoxos teóricos, mas nas pequenas anomalias do cotidiano, que simplesmente ignoramos?

Talvez o problema não esteja na ausência de viajantes do tempo, mas na nossa incapacidade de reconhecê-los. Afinal, como distinguir um forasteiro temporal de um gênio excêntrico, de um visionário fora do seu tempo... ou de alguém exatamente igual a nós?

Continua...