segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 75ª PARTE

CONHECER O FUTURO É UMA OBSESSÃO HUMANA.

Poucos conceitos da física teórica são tão intrigantes quanto o do espaço-tempo, cuja semente foi plantada quando Einstein introduziu na Teoria da Relatividade Geral a ideia de que o espaço e o tempo estão intrinsecamente entrelaçados e formam uma estrutura dinâmica que estrelas, buracos negros e outros objetos supermassivos curvam como alguém pulando numa cama elástica.

O tecido do espaço-tempo é como uma malha tridimensional na qual o espaço representa o comprimento, a largura e a altura, e o tempo, uma dimensão adicional, perpendicular às três dimensões espaciais. As implicações desse conceito vão além da mera descrição da gravidade, e são cruciais para a compreensão de fenômenos como a expansão do Universo, as ondas gravitacionais e a própria natureza do tempo.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Quando ordenou à PF que vasculhasse gavetas e computadores da 13ª Vara de Curitiba, Toffoli imaginava encontrar novas pás de cal para jogar na sepultura em que o Supremo enterrou a reputação do ex-juiz Sérgio Moro. Mas uma reportagem de Daniela Lima revelou que os agentes recolheram um vídeo em que Tony Garcia disse à juíza Gabriela Hardt, então sucessora de Moro na 13ª Vara, que não era mero delator, mas informante do ex-juiz, e que acabou se tornando "agente infiltrado do Ministério Público".

Nesse enredo, o material recolhido no baú da 13ª Vara arrastaria para a cova, além do ex-juiz, o Ministério Público e a própria Polícia Federal, pois ficaria entendido que a República de Curitiba não era apenas uma metáfora. Se Garcia estiver certo, a promiscuidade veio pelo menos 20 anos antes da Lava-Jato.

Os buracos negros são considerados máquinas do tempo naturais, mas a tecnologia de que dispomos não permite construir espaçonaves capazes de ir até eles — para chegar a Gaia BH1, por exemplo, que fica a cerca de 15 trilhões de quilômetros da Terra, seria preciso viajar 18 meses na velocidade da luz (1,08 bilhão de quilômetros por hora). Mas a pergunta é: seria realmente possível avançar rumo ao futuro ou retornar ao passado?

Talvez sim. À luz das equações relativísticas de Einstein, a distorção causada pelos buracos negros aproxima dois pontos do espaço-tempo como as margens de uma folha de papel dobrada ao meio. Por outro lado, são os hipotéticos buracos de minhoca que funcionam como atalhos cósmicos. Uma vez que o tempo é relativo — ou seja, passa mais rápido ou mais devagar dependendo da velocidade do observador e dos efeitos da gravidade —, um relógio próximo ao horizonte de eventos de um buraco negro avança mais devagar do que os de outro, mais distante. O filme Interestelar ilustra isso perfeitamente: a nave se aproxima de um buraco negro, mas não perto o bastante para ser capturada por sua gravidade, e depois e retorna à Terra anos no futuro.

Acredita-se que a distorção criada pelos buracos negros produza curvas fechadas do tipo tempo, que, em tese, permitiriam retornar ao passado (até o momento em que o buraco negro surgiu). Mas isso exigiria cruzar o horizonte de eventos a uma velocidade superior à da luz, o que afronta as leis da física clássica. Ademais, os astronautas estariam sujeitos ao efeito conhecido como espaguetificação, no qual os átomos de seus corpos seriam enfileirados e espiralados rumo ao vazio.

Embora as equações de Einstein sugiram que as viagens no tempo são matematicamente possíveis, a distância entre a teoria e a prática permanece abissal. Por enquanto, as máquinas do tempo naturais do Universo continuam sendo objetos de fascínio científico e especulação, pois ainda há muito a descobrir sobre a verdadeira natureza do espaço-tempo.

Continua...