O PRESENTE É APENAS UMA ILUSÃO.
Segundo a teoria da relatividade de Einstein, se pensarmos no espaço-tempo como uma estrutura única que se expande continuamente, então o Big Bang foi o início de tudo e o indicativo de como será o fim. Mas onde há um físico teórico existe uma possibilidade elegante que os físicos experimentais podem ou não comprovar, e alguns negam a existência do tempo escorando-se na incompatibilidade da relatividade com a mecânica quântica.
Ao contrário das outras três forças da natureza descritas pelo Modelo Padrão (forte, fraca e eletromagnética), a gravidade parece viver em um reino próprio. E se todo o universo pode ser explicado por meio das partículas fundamentais (bósons, quarks e fótons, por exemplo), por que a gravidade é uma exceção?
CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA
Os investigadores do início do século 20 gastavam sola de sapato para entrevistar testemunhas e dispunham de poucas ferramentas científicas para auxiliá-los. Mais adiante, surgiram pequenas revoluções na forma de análise de DNA e outras técnicas forenses sofisticadas, mas nada supera o advento dos smartphones — que estão para as investigações como a confissão e as redes sociais para a Igreja Católica.
Um caso emblemático é o da invasão à praça dos Três Poderes no fatídico 8 de Janeiro, é outro é o celular do Vorcaro, que já derrubou o Maquiavel de Marília da relatoria do caso Master, enlameou a imagem de Xandão e promete fazer mais estragos. Mas é preciso distinguir a ordem jurídica — que, em tese, lida com fatos objetivos e exige que a culpa dos suspeitos seja demonstrada para que eles sofram condenação — da ordem política — na qual os juízos são instantâneos. Nesta, pelo menos dois togados já foram tragados pelo caso Master, causando um prejuízo irreparável para a reputação do STF.
Nada clarifica mais a mente do que a ausência de alternativas. O pedaço da República que se vendeu ao Master já não se pergunta se, mas quando o preso vai virar delator e apontar para o alto, entregando os contatos que conseguiu seduzir num pedaço da engrenagem que André Mendonça chamou de "altos escalões da República". A recompensa não pode incluir nada que se pareça com um perdão: afora os trovões já extraídos das nuvens de um celular de Vorcaro, oito aparelhos continuam na fila da perícia..
Num cenário dos sonhos, todos os pesadelos da República do Master tornariam os contatos do preso em frequentadores de uma colônia de nudismo. Nessa hipótese, sua eventual delação e a consequente premiação seriam desnecessárias. Mas o Brasil está na bica de assistir a um espetáculo de nudismo que ninguém pediu, que ninguém quer ver, e que já não espanta mais ninguém.
Em junho do ano passado, 58% dos entrevistados pelo Datafolha disseram ter vergonha dos ministros do Supremo. Decorridos nove meses, Bolsonaro e os oficiais daquilo que ele chamava de "minhas Forças Armadas" foram parar na cadeia, mas uma nova pesquisa trouxe duas notícias sobre o Supremo.
A má notícia é que não há notícia boa, e a ruim é que a maioria dos entrevistados considera o Supremo a instituição mais enroscada no escândalo Master — é mais do que o índice de comprometimento atribuído ao governo federal (21%) e ao Congresso (17,9%). Para piorar, 44% dos entrevistados disseram estar propensos a enviar para o Senado candidatos comprometidos com o impeachment de magistrados. Quer dizer: a deposição de togas vai deixando de ser tabu à medida que o desgaste pessoal de Moraes e Toffoli corrói a imagem do STF.
A situação da corte se ajusta à célebre metáfora de Hegel, sobre a Coruja de Minerva, que só voa quando o crepúsculo chega. Em outras palavras, as pessoas só compreendem o tempo em que vivem quando ele já se esgotou. E em certas situações incertas, quem mata o tempo comete suicídio.
Os cientistas tentam explicar esse fenômeno buscando na mecânica quântica uma partícula fundamental da qual a gravidade surge como a luz surge dos fótons, e um dos candidatos mais prováveis é o gráviton — que, se realmente existir, seria o responsável pela mediação da força gravitacional.
Outras possibilidades são a Teoria das Cordas — segundo a qual a gravidade é resultante do espaço-tempo feito de pixels, como uma tela formada por um sem-número de minúsculos pontos — e a Gravidade Quântica em Loop (LQG) — segundo a qual o espaço-tempo seria composto por uma série de loops entrelaçados, cada um com cerca de um trilionésimo de trilionésimo de trilionésimo de metro.
A relatividade geral já foi comprovada incontáveis vezes — inclusive por uma sonda da NASA que observou a gravidade distorcer o espaço-tempo ao redor do nosso planeta —, ao passo que essas teorias seguem no campo da especulação. No entanto, se uma partícula fundamental da gravidade realmente existir, a maneira como a ciência tenta explicar o espaço-tempo precisará ser revista.
Newton descreveu a gravidade como uma força de atração entre dois corpos, e Einstein, como a deformação que objetos supermassivos causam no espaço-tempo. Se a hipótese dos grávitons ou dos loops gravitacionais for confirmada, a independência da gravidade em relação ao espaço-tempo será um problema, já nosso futuro é baseado no conceito de passagem do tempo expresso pelos relógios e calendários.
Se o tempo não é necessário para explicar a gravidade e, consequentemente, o espaço, então ele não passa de uma invenção humana criada para explicar eventos simples, como o amanhecer e o anoitecer, as fases da Lua e as quatro estações. E da feita que planejamos o futuro com base nas escolhas que fizemos no passado, o que chamamos de arbítrio seria uma aleatoriedade que flui no cosmos como as ondas de um mar, indiferente à passagem das horas, dias, meses, anos, etc.
Mesmo que isso se confirme, ainda restará o princípio da causalidade (não confundir com casualidade) — segundo o qual as causas sempre precedem as consequências. Porém, ao contrário do que sugere a relatividade, a história do cosmos passaria a ser uma questão de causa e efeito, reações em cadeia, partículas decaindo e formando átomos desde o início dos tempos — ou do espaço, o que dá no mesmo.
Nesse contexto, o arbítrio ainda seria um conceito real, pois poderíamos reconstruir um sistema com base em causas e consequências — embora não nos relógios e nos calendários, já que as horas e os dias seriam mera convenção. E essa percepção nos levaria à conclusão de que nossa existência está pré-determinada desde o Big Bang.
Como disse Stephen Hawking, se tudo o que existe é um efeito em cascata de causas e consequências, então o plasma de quark-glúon dos primeiros instantes do Universo já estava destinado a evoluir para a matéria estruturada, dando origem às estrelas, aos planetas e a formas de vida como a nossa. Mas vale frisar que essa visão pré-determinista não coaduna com a mecânica quântica; alguns cientistas propõem inclusive que em vez de surgir de uma lógica de causa e efeito para se formar, o cosmos moldou as leis da natureza conforme evoluiu.
Embora pareça meramente filosófico, esse embate envolve a física moderna e está vinculado às próximas descobertas em aceleradores de partículas como o Grande Colisor de Hádrons (LHC).
Enfim, quem viver verá.
Continua…
