domingo, 29 de março de 2026

DE VOLTA AO NHOQUE DA SORTE

EM POLÍTICA, A COMUNHÃO DE ÓDIOS É QUASE SEMPRE A BASE DAS AMIZADES.  


A dica de hoje não é inédita — eu a repito quase sempre que o dia 29 do mês cai num domingo, já que audiência do blog é rotativa. 


A simpatia do "NHOQUE DA SORTE" remonta ao século IV. Reza a lenda que o médico cristão Pantaleão de Nicomédia  — que seria canonizado em 1602 pelo papa Clemente VIII — se disfarçou de andarilho e bateu à porta de uma família humilde.


Mesmo enfrentando dificuldades, o dono da casa acolheu o visitante e dividiu com ele o jantar da família, que ficou reduzido a sete grãos de nhoque por pessoa. Depois que o visitante partiu, a dona da casa tirou a mesa e encontrou moedas de ouro sob os pratos — donde a tradição de comer nhoque todo dia 29 para atrair sorte e prosperidade. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Como dizia o Conselheiro Acácio — personagem do romance O Primo Basílio, de Eça de Queiroz — o problema das consequências é que elas vem sempre depois. Davi Alcolumbre está sofrendo as consequências de ter adiado por quatro meses a ascensão de André Mendonça ao STF. O ministro acumula atualmente um poder comparável ao exercido até bem pouco pelo "xerife" Alexandre de Moraes, e determinou que Alcolumbre lesse em até 48h o requerimento para prorrogar a CPMI do INSS. Isso irritou o presidente do Senado, que a qualificou decisão de "interferência grave".

Instalar e atuar em CPIs é um direito ida minoria legislativa previsto na Constituição. Havendo objeto de investigação e número suficiente de apoiadores, não cabe aos chefes da Câmara e do Senado bloquear investigações parlamentares. No caso em tela, houve um pedido de prorrogação e apoiadores em número suficiente para que ele fosse aceito. Alcolumbre não quis implementar, e o presidente da Corte, Edson Fachin, marcou para quinta-feira o julgamento em plenário da decisão.

Os votos de Flávio Dino e Alexandre de Moraes foram determinantes para consolidar a maioria contrária à prorrogação — defenderam que a extensão do funcionamento de uma CPMI deve seguir estritamente os ritos previstos no Congresso Nacional, sem possibilidade de intervenção que substitua decisões políticas internas do Legislativo.

O julgamento sobre a prorrogação da CPI do INSS teve como pano de fundo o escândalo do finado Banco Master. No entanto, em vez de favorecer o esforço pluripartidário para abafar a exposição das conexões de Vorcaro na Praça dos Três Poderes (incluindo o STF), a tese que prevaleceu no plenário — de que a Constituição assegura à minoria legislativa o direito à instalação de comissões parlamentares de inquérito, mas a prorrogação automática das CPIs — surtirá efeito inverso.

Na véspera, a oposição havia protocolado um mandado de segurança para obrigar o presidente do Senado a desengavetar uma CPI exclusiva para o caso Master. Agora, em respeito à sua própria jurisprudência, o STF terá de acolher o pedido da oposição, e Nunes Marques, relator do mandado de segurança e um dos que votaram contra a prorrogação da CPI do INSS, deverá expedir uma liminar determinando que Davi Alcolumbre cumpra o texto constitucional. O escândalo do Master tornou-se um dinossauro na sala. E dinossauros não cabem embaixo do tapete.


Para seguir o ritual, coloque uma nota de dinheiro sob o prato, coma os primeiros sete grãos de nhoque em pé, com o prato nas mãos, pedindo que a sorte e o dinheiro nunca faltem. Feito isso, sente-se à mesa e deguste o restante da massa. Ao final, guarde o dinheiro na carteira até o dia 29 do mês seguinte, quando então você deve gastar preferencialmente na compra dos ingredientes para repetir a receita.

 

Se quiser economizar tempo e trabalho, compre os nhoques no supermercado; se preferir fazer como se faziam nossas avós, os ingredientes são os seguintes:

 

— 8 batatas Asterix;

— 2 gemas;

— 1 xícara (chá) de farinha de trigo.

— Sal refinado;

— Farinha de trigo para polvilhar a bancada.

 

Lave e descasque as batatas, corte-as em pedaços e reserve. Encha uma panela com água suficiente para cobrir as batatas e aqueça-a em fogo alto. Assim que a água ferver, despeje ½ colher (sopa) de sal na água, coloque as batatas e deixe cozinhar por cerca de 20 minutos. Quando elas estiverem macias, passe-as pelo espremedor (ou amasse-as com um garfo), deixe amornar, adicione 2 colheres (chá) de sal e ¼ de xícara (chá) de farinha de trigo e use as mãos para misturar.


Quando obtiver uma massa homogênea, junte as gemas, amasse bem, adicione o restante da farinha (aos poucos) e continue amassando por mais um ou dois minutos. Ao final, lave as mãos e modele uma bolinha. Se ela não grudar, é porque a massa está no ponto de enrolar. 


Encha três quartos de uma panela com água e leve ao fogo alto. Enquanto espera ferver, unte uma assadeira com manteiga (ou margarina), espalhe um pouco de farinha sobre a mesa ou o tampo da pia, faça rolinhos de massa com cerca de 1 cm de diâmetro e corte-os em pedaços de 2 cm cada. 

 

Coloque de 15 a 20 nhoques por vez na água fervente e retire-os com uma escumadeira à medida que eles subirem à superfície. Repita o processo com os nhoques restantes e, ao final, acomode-os na assadeira e reserve.  


Dica: Se quiser finalizar mais tarde ou no dia seguinte, mergulhe os nhoques cozidos numa tigela com água e cubos de gelo antes de transferir para a assadeira, cubra com filme plástico e deixe no refrigerador até a hora de usar. Se for servi-los com molho quente, mergulhe-os rapidamente em água fervente ou doure-os numa frigideira com azeite.

 

Para o molho ao sugo, você vai precisar de:

 

— 2 colheres (sopa) de azeite de oliva virgem;

— 3 dentes de alho picados;

— 1/2 kg de tomates Débora maduros, mas firmes;

— 2 cebolas grandes cortadas em cubos;

— 10 folhinhas de manjericão e um raminho de louro fresco;

— Sal e pimenta-do-reino. 

 

Lave os tomates, retire a pele e as sementes e cozinhe-os em fogo médio (sem óleo e sem temperos) por aproximadamente 15 minutos, mexendo de vez em quando para não grudar. Ao final, bata-os no liquidificador e reserve. Em outra panela, refogue o alho e a cebola no azeite, junte a polpa de tomate, o louro e metade das folhinhas de manjericão, e cozinhe em fogo baixo por cerca 30 minutos (sem tampar a panela).


Quando apurar, retire o louro e o manjericão, acerte o sal e e a pimenta, despeje o molho sobre os nhoques, leve ao forno a 150ºC para aquecer, polvilhe parmesão ralado, decore com as folhas de manjericão que sobraram e sirva em seguida. Talvez você não fique rico, mas dificilmente sairá da mesa insatisfeito.

Bom apetite e buona fortuna.