ANTIGAMENTE, A MÍDIA DOMINAVA AS MASSAS. COM O ADVENTO DAS REDES SOCIAIS, OS IDIOTAS GANHARAM VOZ E DOMINARAM A MÍDIA.
Até meados do século XVII, acreditava-se que a luz viajava pelo espaço a uma velocidade infinita. Em 1676, observando a órbita dos satélites de Júpiter, o dinamarquês Ole Rømer estimou a velocidade da luz em 225.000.000 m/s — o valor exato é 299.792.458 m/s, mas só foi determinado cerca de 200 anos depois.
Em 1915, Einstein estabeleceu que a velocidade da luz (designada pela letra "c") representa o limite máximo no Universo, mas diversos físicos teóricos tentam provar que é possível alcançar velocidades "superluminais" sem violar as regras cósmicas. Se isso realmente se confirmar, estaremos prestes a colher o fruto mais cobiçado da árvore da Relatividade Geral, que é viajar no tempo.
CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA
Ouvir ou assistir ao jornais falados e televisivos fica mais difícil a cada dia, e tudo indica que, se houver mudanças no curto prazo, deverá ser para pior, dado o início oficial das abjetas campanhas eleitorais dos vomitativos candidatos à Presidência (isso não exclui, governadores, senadores e deputados federais e estaduais, mas essa é uma é outra conversa). Dito isso, reforcemos nosso estoque de remédios contra enjoo e sigamos adiante.
A magistratura brasileira se perde na mais elementar aritmética, à luz da qual, somando penduricalhos aos contracheques, os juízes dividiram o país entre a casta dos supersalários e a plebe ignara que paga a conta.
Intimados pelo Supremo a subtrair parte das vantagens, suas excelências multiplicam as desculpas para descumprir a ordem. Na penúltima manobra, a associação dos magistrados brasileiros pediu novo prazo ao Supremo. Alegando que os tribunais estão "tendo dificuldades de compreender e operacionalizar o cumprimento da decisão", pede 30 dias de adiamento contados a partir do julgamento de recursos que sequer foram apresentados.
Pela Constituição, o maior contracheque da administração pública deveria ser de R$ 46,3 mil, mas, no ano passado, o salário médio da casta foi de R$ 81,5 mil, e vencimentos acima de R$ 100 mil viraram arroz de festa, embora a ordem do Supremo seja clara como água de bica: a partir deste mês de abril, nenhum juiz poderá receber mais do que R$ 78,8 mil.
O historiador Capistrano de Abreu (1853-1927) sugeriu que a Constituição tivesse apenas dois artigos: 1º - Todo brasileiro está obrigado a ter vergonha na cara; 2º - Revogam-se as disposições em contrário. Como isso parece ser impossível nesta banânia, talvez a alternativa seja fornecer uma boa calculadora à magistratura nacional.
Considerando que a sonda espacial mais rápida lançada pela NASA atingiu 692.000 km/h em dezembro de 2024, 1,08 bilhão de quilômetros por hora é uma velocidade vertiginosa, mas torna-se bem menos impressionante sob a óptica de um Universo que se estende para todos os lados por cerca de 440 sextilhões de quilômetros.
Estima-se que o Universo tenha cerca de 13,77 bilhões de anos, 93 bilhões de anos-luz de diâmetro, e que esteja em constante expansão. Como essa expansão acontece a uma velocidade superior à da luz, determinadas regiões do espaço permanecerão eternamente isoladas.
Embora se propaguem no vácuo a uma velocidade uniforme e constante, os fótons demoram 8 minutos e 13 segundos para percorrer os 150 milhões de quilômetros que separam o Sol da Terra, e 4,24 anos para alcançar Proxima Centauri, que se encontra a trilhões de quilômetros de distância do nosso sistema solar. Por outro lado, mesmo viajando em sua velocidade máxima, a sonda retrocitada demoraria 13.211 anos para fazer esse trajeto.
Se chegássemos a Proxima Centauri, poderíamos observar seus planetas bem de perto e descobrir mais sobre sua composição, bem como observar os objetos transnetunianos e a nuvem de Oort, enfim, descobrir o que existe em regiões que os telescópios não conseguem “enxergar”. Mas para isso é preciso encontrar maneiras de atingir velocidades próximas à da luz ou mesmo superiores, pois só assim poderemos fruir plenamente dos efeitos da dilatação do tempo.
Físicos teóricos já propuseram algumas soluções, como os hipotéticos motores de dobra espacial — que esticam a estrutura do espaço-tempo em uma onda, fazendo com que o espaço adiante na nave se contraia e o espaço atrás dela se expanda, encurtando o caminho a ser percorrido. O detalhe — e o diabo mora nos detalhes — é que para dobrar uma pequena bolha no espaço seria preciso um tipo de energia com densidade negativa, o que exigria matéria negativa, que não é vendida no mercadinho da esquina.
Diante disso, um novo estudo propõe o uso de sólitons — um tipo de onda que mantém sua forma e energia enquanto se move a uma velocidade constante — que foram descritos pela primeira vez em 1834. Erik Lentz, autor do artigo, acredita que os sólitons possam resolver o problema da limitação de velocidade no espaço, mas para isso eles teriam que ser mais velozes do que a luz.
Havendo energia suficiente para a nossa hipotética nave, os sólitons poderiam funcionar como as bolhas de dobra espacial descritas antes, permitindo que a nave passasse pelo espaço-tempo protegida das forças extremas das marés (sem a qual os astronautas seriam seríamos espaguetificados). A boa notícia é que não seria preciso utilizar energia negativa, mas a má notícia é que a quantidade de energia comum exigida equivale a centenas de vezes a massa de Júpiter — coisa que nenhum reator nuclear disponível na Terra seria capaz de gerar.
Para que essa solução se torne viável, será preciso descobrir como reduzir esse gasto de energia. Mas vale lembrar que o impossível só é impossível até que alguém duvide e prove o contrário, e que desafiar os limites é a única maneira de superá-los. No alvorecer do século XVI, a esquadra de Cabral levou 44 dias para vir de Lisboa até o que seria futuramente o litoral sul da Bahia. Antes de ser aposentado em 2003, o supersônico Concorde já cruzava o Atlântico em cerca de três horas.
Observação: A título de curiosidade, as mensagens enviadas pela sonda Voyager 2, que está a mais de 18 bilhões de quilômetros da Terra, demoram 16 horas e meia para serem recebidas pela NASA.
