quarta-feira, 13 de maio de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — DE VOLTA À CONSCIÊNCIA NÃO LOCAL

A MELHOR VACINA CONTRA UMA CRENÇA É O CETICISMO. 

A ciência evoluiu consideravelmente desde a invenção da roda e do uso do fogo, mas ainda não sabe se o tempo existe realmente ou se ele não passa de uma convenção criada por nossos antepassados para explicar fenômenos naturais sazonais (como as fases da lua e as estações do ano). E tampouco consegue explicar as experiências de quase-morte (EQMs) e o déjà-vu (a estranha sensação de já termos vivido uma situação pela qual nunca passamos).


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Flávio Bolsonaro subiu no salto. De passagem por Santa Catarina, carbonizou a proposta de emenda constitucional em que ele mesmo previu o fim da reeleição, e declarou que, se chegar ao Planalto, seu mandato pode durar oito anos.

Discursando para uma plateia de empresários, o primogênito do chorume da escória da humanidade revelou que seu seu sonho — que ele vai realizar — é acabar o governo, seja daqui a quatro, daqui a cinco, daqui a oito anos, "onde a gente vai poder bater o peito e falar: 'Menos pessoas dependem de políticos para levar comida para dentro de casa e levar dignidade para as suas famílias". Questionado sobre esse peido verbal, Flávio tentou se corrigir, mas a emenda piorou o soneto, pois deixou evidente o desejo do candidato de esticar um mandato que ainda não obteve.

Originalmente, a emenda sobre o fim da reeleição foi apresentada pelo escarto do golpista para engambelar Tarcísio de Freitas. A ideia era sinalizar para o aliado que, trocando o sonho presidencial pela reeleição ao Governo de São Paulo, ele teria o apoio de Bolsonaro e seus devotos para concorrer ao Planalto em 2030. Ficou entendido que faz papel de bobo quem acredita no conto da carochinha segundo o qual a família do "mito" preso passe a cultivar, de repente, uma noção qualquer de desapego pelo poder. O salto alto do eterno rachadista é o menor dos problemas. Alguma coisa subiu à cabeça do candidato. E não é nada que se pareça com bom senso.

Na sexta-feira, em entrevista à CNN, Bobi Filho disse que, se quiser, Bibo pai será uma espécie de eminência parda de sua eventual Presidência. Além de pressupor a anistia de Bolsonaro, a declaração carrega a admissão de que ele pode voltar a dar as cartas no Planalto.


O cérebro humano é uma máquina de reconhecimento de padrões extremamente sofisticada, mas não se sabe se ele "produz" e "armazena" a "consciência" — assim chamada a nossa capacidade de ter conhecimento e percepção de nós mesmos, do mundo ao nosso redor e de nossos pensamentos e sentimentos. Se for esse o caso, como é possível que pessoas clinicamente mortas e posteriormente reanimadas relatem encontros com parentes já falecidos, túneis de luz, sensação de paz e até conversas que ocorreram enquanto os médicos tentavam trazê-las de volta à vida?


Os neurologistas passaram a associar a consciência ao córtex pré-frontal em 1848, depois que um pacato trabalhador ferroviário teve o crânio trespassado por uma barra de ferro, sofreu uma série de convulsões, "recobrou a consciência" e se tornou um cafajeste arrogante. Mais adiante, amparados pelos avanços da medicina, eles descobriram que a área afetada do cérebro do trabalhador em questão foi o córtex pré-frontal, que exerce um papel preponderante na capacidade de sentir emoções como o remorso, por exemplo.


Atualmente, acredita-se que a consciência seja um tipo de "filme" que reúne a história da vida de cada um de nós (nossas preferências, emoções, enfim, nossa identidade) e é "projetado" por uma série de atividades realizadas no cérebro. Vale destacar que essa capacidade de representar o mundo na mente é um traço evolutivo que se estende aos demais seres vivos. No entanto, enquanto uma anêmona-do-mar se expande ou se contrai na presença da luz solar, o Homo sapiens conta com uma série de instrumentos que representam o ambiente de forma bem mais sofisticada.


A pergunta que se coloca é: em que momento essas atividades formam aquilo que chamamos de consciência? A resposta é: ainda não se sabe. Sabe-se, no entanto, que a consciência não é um lampejo, mas um fluxo contínuo de conexões neurológicas que se inicia com o nascimento e termina com a morte, e que cada nova experiência leva o cérebro a criar uma imagem mental e armazená-la na memória.


Os avanços da tecnologia tornaram possível monitorar o funcionamento do cérebro por meio da tomografia por emissão de pósitrons (PET), e os resultados revelaram que diversas atividades responsáveis pela consciência demandam ações conjuntas de várias regiões do cérebro. Em outras palavras, o que cada um de nós faz é a soma de todas as representações feitas de nós mesmos, dos outros e do ambiente que nos circunda.


Adeptos da Teoria da Informação Integrada (IIT, de Giulio Tononi), da Teoria do Espaço de Trabalho Global (GWT, de Stanislas Dehaene) e do materialismo buscam explicar a origem daquilo que os religiosos tratam por alma ou espírito — e que, em tese, sobrevive à morte do corpo físico.


Observação: A IIT sugere que a consciência surge da integração complexa de informações neurais, com picos detectados até em cérebros de ratos morrendo (estudo de 2014 na Nature); a GWT vê a consciência como um "broadcast" neural amplo.


Mas há quem sustente a tese da "consciência não-local", cujas implicações são tão vastas quanto perturbadoras — ecoando o “problema difícil” da consciência, proposto por David Chalmers: por que processos físicos geram subjetividade?


Pesquisas recentes alimentam o debate. O estudo AWARE II (2023, de Sam Parnia) mediu ondas gama elevadas em pacientes durante paradas cardíacas, indicando lucidez persistente por minutos sem atividade cortical global. Outro, de Pim van Lommel (2001, The Lancet), registrou percepções verificáveis em 18% de 344 casos de EQMs, como detalhes de conversas médicas. Céticos como Susan Blackmore atribuem isso a hipóxia e expectativas culturais, mas casos como esses desafiam explicações puramente cerebrais.


Na iminência da morte, o aumento dos níveis de adrenalina, endorfina e até dimetiltriptamina (DMT, liberada na glândula pineal) alivia as dores e ajuda o corpo a suportar o estresse do processo. A consequência lógica seria os níveis do ácido gama-aminobutírico (GABA) aumentarem à medida que o cérebro vai se desligando, mas não é isso que acontece.


Para os defensores da consciência não-local, o cérebro é uma espécie de rádio que recebe sinais de uma quantidade incalculável de estações. O GABA reduz os disparos neuronais e desliga determinadas partes do cérebro para filtrar o excesso de estímulos — ou seja, ele funciona como o sintonizador, ajustando uma frequência e bloqueando as demais.


Continua…