quinta-feira, 14 de maio de 2026

QUEM FALA POUCO ACERTA MAIS

NÃO EXISTE ARAUTO DA ALEGRIA MAIS PERFEITO QUE O SILÊNCIO.

"Pessoas quietas e pacíficas têm as mentes mais fortes e expressivas." A frase, atribuída a Stephen Hawking, ganha força simbólica justamente por vir de quem ela vem: um homem que perdeu progressivamente a capacidade de falar e ainda assim reorganizou nossa compreensão do universo. 


Para Hawking, o pensamento científico dependia de paciência, imaginação e rigor — e grandes respostas, muitas vezes, nascem de longos períodos de silêncio intelectual. A frase contraria o senso comum de que expressividade e eloquência andam juntas. Quem fala pouco frequentemente está observando, organizando ideias e processando o mundo com intensidade. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Flávio Bolsonaro subiu no salto. De passagem por Santa Catarina, carbonizou a proposta de emenda constitucional em que ele mesmo previu o fim da reeleição, e declarou que, se chegar ao Planalto, seu mandato pode durar oito anos.

Discursando para uma plateia de empresários, o primogênito do chorume da escória da humanidade revelou que seu seu sonho — que ele vai realizar — é acabar o governo, seja daqui a quatro, daqui a cinco, daqui a oito anos, "onde a gente vai poder bater o peito e falar: 'Menos pessoas dependem de políticos para levar comida para dentro de casa e levar dignidade para as suas famílias". Questionado sobre esse peido verbal, Flávio tentou se corrigir, mas a emenda piorou o soneto, pois deixou evidente o desejo do candidato de esticar um mandato que ainda não obteve.

Originalmente, a emenda sobre o fim da reeleição foi apresentada pelo escarto do golpista para engambelar Tarcísio de Freitas. A ideia era sinalizar para o aliado que, trocando o sonho presidencial pela reeleição ao Governo de São Paulo, ele teria o apoio de Bolsonaro e seus devotos para concorrer ao Planalto em 2030. Ficou entendido que faz papel de bobo quem acredita no conto da carochinha segundo o qual a família do "mito" preso passe a cultivar, de repente, uma noção qualquer de desapego pelo poder. O salto alto do eterno rachadista é o menor dos problemas. Alguma coisa subiu à cabeça do candidato. E não é nada que se pareça com bom senso.

Na sexta-feira, em entrevista à CNN, Bobi Filho disse que, se quiser, Bibo pai será uma espécie de eminência parda de sua eventual Presidência. Além de pressupor a anistia de Bolsonaro, a declaração carrega a admissão de que ele pode voltar a dar as cartas no Planalto.


O silêncio cria espaço para a reflexão: sem pressa para responder, a mente consegue revisar certezas, perceber padrões e evitar o erro fácil da reação automática. Pessoas quietas costumam ser lidas como frias, tímidas ou desinteressadas — uma interpretação apressada. 


O silêncio pode nascer de concentração, prudência ou simples preferência por conversas mais profundas. Em ambientes barulhentos, quem fala menos tende a parecer invisível. É justamente essa pessoa, no entanto, que pode estar percebendo o que os outros deixam passar.


Vale uma ressalva importante: silêncio não é sinônimo de sabedoria, assim como falar muito não é sinônimo de superficialidade. A inteligência se manifesta de muitos modos, e transformar o silêncio em marca de superioridade seria trair o espírito da própria reflexão.


A força do pensamento não está no volume da voz. Está na clareza, na paciência e na capacidade de transformar observação em significado — e, quando chega a hora, em uma única frase bem colocada.