segunda-feira, 18 de maio de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — REENCARNAÇÃO

A EXTINÇÃO É A REGRA; SOBREVIVER É A EXCEÇÃO.

Mistérios do além, reencarnação e vidas passadas costumam render boas histórias. A escritora Elizabeth Jhin, autora de novelas como Escrito nas Estrelas, Além do Tempo e Espelho da Vida, diz ser fascinada pelo tema. A Viagem, de Ivani Ribeiro, foi recordista de audiência no horário das 19h e produziu um aumento significativo na venda de livros sobre espiritismo.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Já se sabia que o investimento na candidatura de Flávio Bolsonaro — com a imagem rachadinha, os vínculos milicianos e a mansão de R$ 6 milhões — era arriscado, mas poucos imaginavam que a coisa ficaria pior do que o esperado tão rapidamente: a quatro meses e meio da eleição, o projeto presidencial da Famiglia Bolsonaro passou a valer tanto quanto um CDB do falecido Banco Master. 

Dirigido pela marquetagem de sua campanha, o filho do pai se esforçava para ostentar uma certa superioridade moral sobre o PT no escândalo do Master. A moral perdeu o sentido diante do áudio vadio em que ele pede dinheiro ao "irmão" Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o pai. Confrontado com os fatos, disse que era "uma mentira", deu risada e se retirou de uma entrevista. Horas depois, viu-se obrigado a admitir o que se tornou inegável. À noite, o nome de Michelle saía dos lábios dos operadores da campanha com hedionda naturalidade: o enrosco em que se meteram os enteados deu à madrasta má ares de Cinderela. 

Flávio negociou com Vorcaro R$ 134 milhões. Com a quebra do Master, teria recebido R$ 61 milhões. A dinheirama escorreu para um fundo sediado no Texas e que tem como representante legal um advogado de Eduardo Bolsonaro.

Reorientado numa reunião de emergência com seu staff de campanha, o primogênito do chorume da escória da humanidade saiu-se com a ficção segundo a qual tudo não passou de uma transação privada. "Zero de dinheiro público. Zero de Lei Rouanet". Passou a entoar mandamentos que começam sempre com "não": "Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem."

O escândalo do Master está encharcado de dinheiro público. A caminho da ruína, Vorcaro invadiu as arcas de fundos de previdência de estados e municípios.

A desvalorização de Flávio tende a aumentar no mercado futuro. No momento, a única certeza disponível é que o candidato está no inquérito da Polícia Federal. Apostar que sua foto estará na urna em outubro seria um exercício de quiromancia.

 
Em sua primeira obra psicografada (Parnaso de Além-Túmulo), o médium mineiro Chico Xavier, que estudou até o ensino fundamental, produziu poemas atribuídos a gigantes como Augusto dos Anjos, morto anos antes. Monteiro Lobato chegou a dizer que, se Xavier fosse um embuste como médium, como escritor ele poderia estar em qualquer Academia de Letras, pois seus versos eram "coisa de outro mundo".

O professor Ian Stevenson dedicou a vida acadêmica ao estudo da reencarnação a partir de episódios envolvendo fatos que somente os familiares das pessoas mortas poderiam saber. Entre outros relatos de lembranças ocorridas na infância, ele destaca em seu livro Twenty Cases Suggestive of Reincarnation o caso de uma menina nascida em 1948 de uma rica família da Índia.

Durante uma viagem de carro, Swarnlata Mishra apontou uma estrada que levava à cidade de Katni e disse ao pai que vivera lá quando se chamava Biya Pathak, e que teve dois filhos. Embora morasse com a família em Pradesh, a 160 quilômetros dali, a menina descreveu detalhadamente o que chamou de "minha casa". Ao tomar conhecimento do caso, o pesquisador de fenômenos paranormais Sri H. N. Banerjee usou as anotações do pai de Swarnlata para encontrar a família Pathak, que confirmou tudo que a criança dissera sobre Biya (morta em 1939). Até aquele momento, nenhuma das duas famílias jamais ouvira falar da outra. 
 
Meses depois, o viúvo de Biya foi com o irmão e um dos filhos até a casa dos Mishra em Pradesh. Todos foram prontamente reconhecidos por Swarnlata, que tratou o "marido" e o "cunhado" pelo nome e o "irmão" pelo apelido de infância. Semanas depois, ela foi com o pai até a casa dos Pathak em Katni, chamou os parentes e amigos de Biya pelo nome, relembrou episódios domésticos e tratou os filhos da falecida com uma intimidade de mãe. 

Observação: Stevenson diz no livro que presenciou um dos encontros das duas famílias, e que, diferentemente de milhares de relatos de lembranças de outras vidas, as memórias de Swarnlata não desapareceram depois que ela cresceu.

Nem sempre a lembrança de quem fomos, verdadeira ou não, vem espontaneamente. Para isso existe a chamada terapia regressiva — conjunto de abordagens psicoterapêuticas que buscam acessar lembranças antigas  com o objetivo de identificar possíveis origens de traumas, medos, bloqueios emocionais ou padrões de comportamento repetitivos. A ideia central é que certas experiências mal elaboradas continuam atuando “nos bastidores” da mente, e, em gerais, ela pode funcionar de duas formas principais:

1) O terapeuta conduz o paciente (às vezes com técnicas de relaxamento profundo ou hipnose clínica) a recordar episódios esquecidos ou pouco acessíveis da própria história. A intenção é revisitar a memória com maturidade emocional atual, reinterpretar o ocorrido e, assim, reduzir o impacto psicológico.

2Na regressão a vidas passada — popularizada por autores como Brian Weiss —, parte-se da hipótese de que traumas atuais poderiam ter origem em existências anteriores. Não há validação científica sólida para essa proposta, e a maior parte da psicologia acadêmica a considera uma prática de base espiritual ou simbólica, não empírica.

A memória humana não é um arquivo estático; ela é reconstruída cada vez que é evocada. Pesquisas de psicólogos como Elizabeth Loftus mostraram o quão fácil é formar falsas memórias sob determinadas condições. Isso significa que, em certos contextos sugestivos, a pessoa pode criar lembranças vívidas de eventos que nunca aconteceram — acreditando genuinamente neles. É por isso que no meio clínico tradicional o uso de regressão com hipnose é tratado com cautela, já que pode trazer benefícios quando conduzido com rigor, mas também pode reforçar narrativas distorcidas se mal aplicada. 

No fundo, não importa se a lembrança é historicamente exata, mas sim o significado emocional que ela carrega. Em última análise, a mente não sofre por fatos, mas por interpretações.

Continua...