Mostrando postagens classificadas por data para a consulta "efeito memória". Ordenar por relevância Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens classificadas por data para a consulta "efeito memória". Ordenar por relevância Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

VIAGEM FANTÁSTICA — FINAL

DÊ-ME UMA ALAVANCA E UM PONTO DE APOIO E EU MOVEREI O MUNDO.

Depois de uma breve parceria, IBM e Microsoft buscaram cada qual à sua maneira desenvolver um sistema operacional que rompesse com as limitações do DOS, mas a estrela de Bill Gates brilhou mais forte: a arquitetura aberta se tornou padrão no mercado e o Windows, o SO para PCs mais popular em todo o mundo.


O Apple Macintosh foi criado para ter um sistema revolucionário, com interface gráfica, para o qual diversas empresas — inclusive a própria Microsoft — foram convidadas a desenvolver aplicativos. Contudo, a arquitetura fechada, o software proprietário e o preço elevado tornaram-no um “produto de nicho”.


Antes das edições NT e 95, o sistema operacional da Microsoft era o MS-DOS, e o Windows, apenas uma interface gráfica. No início dos anos 1990, Linus Torvalds lançou o Linux e abriu seu código para que outros programadores pudessem colaborar.


Observação: Linux não é Unix, mas um núcleo de sistema operacional que, combinado com o GNU, forma o GNU/Linux. Tanto o GNU quanto o Linux foram criados com o objetivo de serem mais simples que o Unix, mas compatíveis com a maioria dos aplicativos Unix, mas isso é outra conversa.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Ao levar finalmente um companheiro de chapa à vitrine, Flávio Rachadinha expôs ao país não um vice dos sonhos, mas o resultado dos seus piores pesadelos: o abandono do centrão, a ausência de alternativas, o descompromisso com as mulheres e o descaso institucional. 

Ao sapatear sobre as pretensões políticas de Tarcísio de Freitas, o ex-presidente golpista imaginou que o centrão cairia no colo de seu primogênito por gravidade. Deu em abandono. Bateram em retirada o PP de Tereza Cristina, o Republicanos de Daniela Marques e o Podemos de Renata Abreu. Restou o precário Plano D masculino.

O filho do pai tentou emendar a desfeita com as mulheres. Piorou o soneto. "Fiz duas filhas. Quando ficar velhinho, vou ter quem vai tomar conta de mim", disse. Imaginou enaltecer os bons sentimentos femininos. Tolice. Pela lei, o cuidado com os pais é dever dos filhos, sem distinção de sexo.

É temerária a escolha de um deputado às voltas com pedido de investigação por suspeita de estupro de vulnerável e com emendas vasculhadas pelo TCU. Como se fosse pouco, a escolha também desprezou o essencial: a qualificação de quem pode assumir a Presidência. Poucas vezes a escolha de um vice expôs tantos vícios. Isso levou o candidato das rachadinhas, panetones e mansões milionárias a gastar baldes de saliva para sinalizar que teria uma vice mulher — depois de pelo menos três tentativas inexitosas, ele escolheu um homem, mas continuou sorrindo em público. 

Quem sorri quanto tudo deu errado é porque já descobriu em quem pôr a culpa. O filho do refugo da escória da humanidade, a culpa é dos oligarcas do centrão. As mulheres cogitadas para compor a sua chapa estão fechadas com ele. "Quem não veio foram os caciques, os partidos". 

Não há melhor remédio para a culpa do que reconhecê-la. Mas a terceirização de responsabilidades é um hábito hereditário no clã Bolsonaro. Flávio esqueceu de lembrar — ou lembrou de esquecer — que os caciques do centrão estavam fechados com o projeto presidencial de Tarcísio de Freitas, e que seu pai, preso, preferiu enfiar a candidatura do primogênito goela abaixo dos aliados. Isolado, dedica-se agora a cuspir no prato em que o centrão não o deixou comer. Pode ser um bom desabafo, mas não adiciona um mísero segundo à propaganda de rádio e TV, e permite aos aliados retaliar dizendo que a única maneira de Flávio evitar as más companhias é nunca andar só.


Os principais sistemas usados atualmente em servidores, desktops e laptops são o Windows, o MacOS e as distribuições Linux. Nos smartphones e tablets, o Android (lançado pelo Google no final de 2007) lidera com larga vantagem sobre o Apple iOS (75% a 23%). Symbian, BlackBerry e Windows Mobile tiveram seus 15 minutos de fama, mas não passaram disso. Em 2013, a Microsoft chegou a comprar a finlandesa Nokia quando viu que empurrar seu sistema móvel para fabricantes de smartphones que já haviam optado pelo Android era perda de tempo, mas nem assim a coisa prosperou. 


Resumo da ópera: O computador levou milênios para evoluir do ábaco até os primeiros mainframes, mas poucas décadas bastaram para a computação pessoal se tornar realidade e encantar os consumidores domésticos — isso a despeito de os primeiros PCs custarem caro e não passarem de substitutos da máquina de escrever, da calculadora, do baralho de cartas e, mais adiante, dos consoles de videogame. A partir de então, em apenas 30 anos, a evolução tecnológica fez com que desktops e laptops diminuíssem de tamanho e de preço e seu poder de processamento e gama de recursos e funções crescesse em progressão geométrica. Daí foi um passo até surgirem os smartphones ― hoje tão “indispensáveis” que a gente se pergunta como conseguiu viver sem eles durante tanto tempo.


Fruto da genialidade de Steve Jobs, o iPhone, lançado em 2007, transformou em computador ultraportátil o que até então era um telefone sem fio de longo alcance. Com sistema operacional e uma profusão de aplicativos, a demanda energética dos pequenos notáveis cresceu para além da capacidade da bateria, e a autonomia passou a disputar com o tamanho da tela a característica mais valorizada pelos usuários. Segundo levantamentos recentes, há no Brasil mais celulares do que habitantes.


A computação quântica promete aposentar as máquinas binárias. Ela já vem sendo usada pela indústria automotiva em simulações que visam encontrar a melhor composição química para maximizar o desempenho das baterias de veículos elétricos, por exemplo. Fabricantes de aeronaves, como a Airbus, também a utilizam para traçar a melhor trajetória de decolagem e pouso que proporcione maior economia de combustível. Mas nem tudo são flores.


Computadores quânticos são volumosos, complexos e caríssimos. Para manter a estabilidade dos qubits (bits quânticos) é preciso manter as máquinas virtualmente congeladas — quanto mais próximas do zero absoluto, melhor —, tornando seu uso inviável no ambiente de negócio. A IBM oferece acesso via cloud a seus processadores quânticos desde 2016. A China investiu cerca de US$ 400 milhões em pesquisas quânticas, e os EUA pretendem investir bilhões nesse segmento. A Ford vem desenvolvendo em parceria com a Microsoft um projeto-piloto de pesquisa que se vale de uma tecnologia inspirada na computação quântica para simular a movimentação de milhares de veículos e reduzir os congestionamentos.

 

Observação: Quando os computadores quânticos se tornarem padrão de mercado, os modelos binários terminarão seus dias como peças de museu. Mas isso não acontecerá da noite para o dia. 


Os celulares desembarcaram no Brasil nos anos 1980. Os primeiros modelos eram volumosos e caríssimos (tanto o hardware quanto os planos oferecidos pelas famigeradas TELES), embora servissem mais como símbolo de status do que para fazer e receber chamadas. Mas não há nada como o tempo para passar: o lançamento do iPhone levou os demais fabricantes de celulares a promover seus dumbphones a smartphones pequenos e leves o bastante para caber no bolso da calça — e mais poderosos que os desktops de alguns anos atrás. 


Observação: Lançado em 1996, o Motorola StarTAC media apenas 94 x 55 x 19 milímetros (com a tampa fechada) e pesava menos de 100 gramas (para efeito de comparação, uma caixa de fósforos mede 54 x 35 x 15 milímetros). 


O aumento exponencial de funcionalidades contribuiu para interromper o processo de miniaturização dos celulares e prejudicou sua portabilidade — acompanhar o usuário a toda parte é justamente o diferencial dos smartphones em relação aos desktops e notebooks. No entanto, como ensinou tio Ben a Peter Parker, “grandes poderes implicam grandes responsabilidades" — o que significa, no caso dos smartphones, telas de tamanho compatível com as novas funções, sobretudo depois que a tecnologia touchscreen e o teclado virtual se tornaram padrão de mercado. 


A questão é que andar para cima e para baixo com um dispositivo do tamanho de uma tábua de carne é desconfortável e perigoso: além do risco de queda, a exposição chama a atenção dos amigos do alheio (lembrando que modelos top de linha custam mais de R$ 10 mil).


Pendurar o celular no cinto ou no cós da calça era moda nos tempos de antanho, mas nem o hardware nem as capinhas dos modelos atuais integram a indispensável presilha. Na bolsa... bem, cada vez menos mulheres usam esse acessório no dia a dia, e ainda que assim não fosse, as notificações sonoras ficariam inaudíveis e olhar a tela para conferir se chegou mensagem pelo WhatsApp tornar-se-ia mais complicado.  


Moçoilas (de todas as idades) andam com o aparelho emergindo do bolso traseiro da calça, como se isso não facilitasse a ação da bandidagem. Aliás, muitas “tanajuras” vestem calças justíssimas para valorizar o derriére, o que chama ainda mais a atenção da bandidagem e submete o celular a uma pressão que ele não foi projetado para suportar. Afora a possibilidade de trincar a tela quando a dona do buzanfã se aboleta no carro, no sofá ou seja lá onde for sem tirar o aparelho do bolso, e colocá-lo no sutiã não é a solução, pois potencializa os riscos de câncer de mama.


Para o consumidor masculino o cenário não é muito melhor. Levar o dispositivo no bolso lateral implica o risco de a radiação eletromagnética inibir a produção de espermatozoides. Nas calças tipo “cargo”, o bolso próximo à coxa seria a solução ideal, mas manter o aparelho junto à coxa ou ao quadril pode enfraquecer os ossos, especialmente se essa prática se prolongar por anos a fio.   


Puérperas e baby-sitters jamais devem colocar o telefone no carrinho do bebê — segundo pesquisadores, a criança pode apresentar problemas comportamentais, como TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade). Igualmente desaconselhável é dormir com ele sob o travesseiro. O fato de a tela se iluminar a cada mensagem recebida interfere na produção de melatonina (hormônio que induz o sono), podendo, inclusive, causar tonturas e/ou dores de cabeça.


Cada vez mais usuários mantêm os olhos grudados na tela do smartphone mesmo quando estão no trabalho, na escola, no supermercado e durante almoços ou jantares com a família ou amigos, tanto em casa quanto em restaurantes. E a despeito do perigo, muita gente não resiste à tentação de trocar mensagens pelo WhatsApp no trânsito, enquanto estão dirigindo. Se for o seu caso, convém pisar no freio o quanto antes. Não é preciso abandonar o celular e voltar a viver na idade da pedra lascada; basta se nortear pelo bom senso. 


Evite levar o smartphone para a cama, quando por mais não seja, porque a luz da tela inibe os hormônios que regulam o sono. Se você depende do alarme para acordar de manhã, arrume um despertador “de verdade”. E se a primeira coisa que faz ao despertar é checar suas mensagens de WhatsApp, resista a essa tentação. Corte a barba, tome seu banho, vista-se e confira as novidades enquanto espera a água do café ferver, por exemplo.


Na hora do almoço, bata um papo descontraído com seus colegas de trabalho. Ignore o aviso de novas mensagens pelo menos até terminar a refeição (a menos que haja alguma pendência urgente). Em casa, procure conversar com os familiares por pelo menos uma hora sem ficar olhando a tela do aparelho. Se puder, desative os alertas sonoros e demais notificações. Elimine todos os apps supérfluos. Além de ganhar espaço na memória e melhorar o desempenho do gadget, você ganhará eficiência, tanto no trabalho quanto na execução de quaisquer outras tarefas.


No que tange à configuração ideal, o "melhor aparelho" é aquele que atende às suas necessidades por um preço que você pode pagar. Todavia, para evitar arrependimentos, opte por um modelo com 8 GB de memória RAM e 256 GB de armazenamento interno. A memória virtual proporciona alguma melhora no desempenho, notadamente quando muitos aplicativos são executados concomitantemente. 


Ainda assim, o desempenho da memória flash usada como armazenamento interno é muito inferior ao da RAM, o que resulta numa diminuição considerável na performance geral do sistema. Isso sem falar que o espaço alocado no armazenamento pode fazer falta em aparelhos de configuração espartana (com menos de 64 GB de memória interna). 

 

Na prática, a coisa funciona assim: se seu aparelho dispõe de 8 GB de RAM e 256 GB de armazenamento, ativar a memória virtual fará com que o sistema aloque uma determinada quantidade de espaço para expandir a RAM Ainda que não seja a melhor maneira de otimizar o desempenho do celular, fabricantes chinesas como Xiaomi e Realme vêm apostando nesse recurso há algum tempo, a exemplo da coreana Samsung, que introduziu esse recurso em alguns modelos. 


Smartphones com 6 GB de RAM física e outros 6 GB de memória virtual podem ser uma mão na roda, a despeito da diferença de desempenho entre as duas tecnologias de memória. Por outro lado, essa possibilidade é mais útil do que na plataforma PC, já que o upgrade de RAM física nos smartphones é inviável.

segunda-feira, 13 de julho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — SOBRE A NATUREZA DO TEMPO

O TEMPO É O FOGO QUE NOS CONSOME.

A despeito do avanço substantivo da ciência desde a invenção da roda, ainda não sabemos se o tempo é uma realidade física ou apenas uma convenção para organizar o caos, nem se ele flui através de nós ou somos nós que o atravessamos.

Para o cosmólogo Carlo Rovelli, o tempo não é uma linha reta pela qual os acontecimentos deslizam do passado ao futuro, mas uma variável emergente, resultante do aumento da entropia do cosmos ao longo dos últimos 13,8 bilhões de anos. Já o matemático e metafísico J. M. E. McTaggart chegou à mesma conclusão por meio da lógica pura, demonstrando a inconsistência da ideia de tempo com um simples exercício de pensamento.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


A nova rodada do Datafolha em São Paulo intensificou a luz amarela que pisca no painel de controle do comitê de campanha de Lula ao reforçar a hipótese de Tarcísio de Freitas prevalecer sobre Fernando Haddad no primeiro turno — algo que, se confirmado, deixaria o molusco sem um palanque na segunda rodada no maior colégio eleitoral do país.

Tarcísio aparece no com 46% das intenções de voto, 16 pontos à frente de Haddad. Na contagem oficial, a Justiça Eleitoral leva em conta apenas os votos válidos, e aí a porca torce o rabo para o petismo. Numa projeção que desconsidera os eleitores que sinalizaram ao Datafolha a intenção de votar em branco ou anular o voto, Tarcísio prevaleceria hoje sobre Haddad por 52% a 34%. Nessa hipótese o governador seria reeleito no primeiro round, pois somaria mais do que o mínimo necessário: 50% dos votos válidos mais um.

Na sucessão de 2018, quando Lula estava preso, o PT foi representado na corrida presidencial por Haddad. Bolsonaro chegou ao Planalto porque obteve no Sudeste 5,1 milhões de votos a mais do que o rival petista. Com isso, conseguiu anular a vantagem que o PT tradicionalmente obtém na região Nordeste.

Dos 23 municípios do Sudeste com mais de 500 mil habitantes em que Bolsonaro derrotou Haddad, dez ficavam em São Paulo. Em 2022, Haddad mediu forças com Tarcísio na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. Perdeu no segundo turno. Mas seu desempenho foi crucial para que Lula reduzisse a desvantagem no Sudeste. Lula voltou a perder para Bolsonaro na região. Mas reduziu a desvantagem para 784 mil votos. O que foi fundamental para a vitória nacional pela pequena margem de 1,8 ponto percentual.

Confirmando-se a hipótese da ausência de um segundo turno em São Paulo, o comitê do xamã petista ganha desafios novos, entre os quais o aperfeiçoamento da linguagem digital. A campanha no estado escorregaria naturalmente das ruas para as redes sociais — um ambiente no qual a direita costuma levar vantagem sobre a esquerda.

Essas premissas podem soar contraditórias, mas a contradição se desfaz quando consideramos, por exemplo, que a Grande Pirâmide de Gizé foi erguida no presente do faraó Queóps — o que, para nós, equivale a 4,5 mil anos atrás. Em outras palavras, se a realidade depende do ponto de vista do observador, o presente não é uma data fixa no calendário. Assim, um olhar verdadeiramente objetivo não pode se apoiar em categorias como presente, passado ou futuro — da mesma forma que “eu”, “aqui” ou “lá” só têm sentido para quem fala, mas não existem de forma absoluta.


Se o tempo, a exemplo do espaço — que compreende apenas relações entre lugares —, comporta somente relações entre acontecimentos mensuráveis, uma descrição objetiva do mundo não comporta presente, passado e futuro. E se presente, passado e futuro não existem, então o tempo também não existe — ou talvez exista, mas não do jeito que nós imaginamos.


Na antiguidade, o tempo era visto ora como um deus implacável, ora como um fluxo sereno, ora como uma ilusão. Na mitologia grega, Cronos usou sua foice para castrar seu pai, Urano, que aprisionava os filhos por receio de ser destronado… e passou a devorar os seus.


Músicas como Dust in the Wind traduzem a inevitável transitoriedade da vida, enquanto o cinema faz do tempo um personagem central, tanto nas narrativas fragmentadas de Memento quanto nos paradoxos temporais de Interestelar, que transformam em drama humano a dilatação do tempo prevista pela Teoria da Relatividade de Einstein., segundo a qual o espaço não é uma caixa rígida e inerte, mas algo como um imenso molusco que se comprime e se retorce na presença de massa e energia.


Já a mecânica quântica revelou que tudo ao nosso redor é formado por pequenos pacotinhos — como os fótons que formam a luz. O problema é que as duas teorias não se falam: uma descreve o espaço como contínuo e suave; a outra sugere que tudo o mais é granular e discreto. Conciliá-las é uma das maiores questões em aberto da física. 


Observação: A relatividade geral e a mecânica quântica se expressam em idiomas diferentes, mas ambas parecem dizer a verdade. Uma metáfora usada por Rovelli compara a natureza a um velho rabino que, consultado por dois homens para resolver uma disputa, deu razão a ambos, e quando sua mulher ponderou que eles não poderiam ter razão ao mesmo tempo, disse que ela também estava certa.


A gravidade quântica em loop visa compatibilizar a relatividade geral e a mecânica quântica. Nesse contexto, a hipótese de o espaço ser um recipiente amorfo desaparece da física com a gravidade quântica, e as coisas (quanta) não habitam o espaço, mas os arredores umas das outras. Se o espaço não for um tecido contínuo que tem como limite o limite dos pacotinhos que o formam, então o tempo não é uma linha reta pela qual as coisas fluem, nem tampouco uma sucessão de acontecimentos formados por passado, presente e futuro.


Devido às dilatações do tempo e da gravidade, o relógio anda mais devagar para quem se move em altas velocidades ou habita regiões onde a atração gravitacional é mais intensa. Um minuto numa espaçonave viajando a uma velocidade próxima à da luz equivale a milhares de anos terrestres, e um minuto no topo do Monte Everest corresponde a 60,000000000058 segundos no nível do mar — uma diferença de míseros 58 nanossegundos, mas mensurável com relógios atômicos de alta precisão.


Observação: Um relógio sobre um móvel registra que o tempo passa mais depressa quando comparado com outro que está no chão. Pelo mesmo motivo, o tempo passa mais depressa no cume do Everest do que na praia. Quanto mais próximo do centro da Terra, mais intensa é a gravidade e, consequentemente, mais devagar o tempo passa, como foi comprovado experimentalmente por relógios atômicos altamente sofisticados.


Para entender a teoria da gravidade quântica é preciso abandonar a ideia de que um gigantesco relógio cósmico marca o tempo do Universo. Um ano é apenas o tempo que a Terra leva para dar uma volta completa em torno do Sol, mas nosso conceito de “ano” só faz sentido em nosso planeta — para um hipotético habitante de Saturno, um ano corresponderia a 29,5 anos terrestres.


Nosso conceito de tempo pouco tem a ver com as leis do Universo como um todo. Em última análise, as coisas mudam apenas umas em relação às outras; no nível fundamental, o tempo não existe. Na filosofia, Santo Agostinho sintetizou sua angústia na frase: “Se ninguém me pergunta, eu sei o que é; mas se me perguntam, já não sei responder”. Para ele, presente e futuro só existiam dentro da consciência, como memória, atenção e expectativa. Séculos depois, Henri Bergson distinguiu entre o tempo mensurável da ciência e a duração subjetiva da vida, fluida e elástica. Mas é na ciência moderna que o tempo se torna questão de medição e de leis. 


Newton falava de um “tempo absoluto”, invisível mas necessário para ordenar os movimentos do mundo. Essa noção foi revolucionada por Einstein, que demonstrou com suas equações relativísticas que não somos viajantes imóveis em um rio inexorável, e sim habitantes de um tecido cósmico onde espaço e tempo formam uma única realidade. A partir daí, tornou-se possível compreender que o tempo não é igual para todos.


Nossos antepassados começaram a medir o tempo quando notaram que as fases da Lua e a mudança das estações influenciavam o comportamento dos animais — uma questão vital para quem vivia da caça e da pesca. Na cosmologia, o tempo como o conhecemos nasceu com o Big Bang, e especular sobre o que existia antes dele faz tanto sentido quanto perguntar o que existe ao norte do Polo Norte. 

 

De acordo com a causalidade (não confundir com casualidade), o que aconteceu ontem impõe restrições ao que acontece hoje, e o que acontece hoje influencia o que acontecerá amanhã. Como esse princípio dá ao Universo uma direção única, a possibilidade de voltar no tempo põe a ciência em xeque. Mas algumas interpretações da física — como a da gravidade quântica — atestam que o tempo se resume a uma dimensão secundária que surge da interação entre eventos e partículas, sem existir como entidade independente.


Por outro lado, se causa e efeito estão relacionados pela ordem dos eventos, e não pela passagem do tempo em si, então o tempo é ilusório e a causalidade pode se manter através dessas relações ordenadas. Mas isso é assunto para o próximo capítulo.

terça-feira, 2 de junho de 2026

AINDA SOBRE O TEMPO CRONOLÓGICO

 O HOJE TECE O AMANHÃ COM A TEIA DO ONTEM.

Temendo ser destronado, Urano devolvia os filhos ao útero de Gaia. Um belo dia, cansada de gerar para perder, a deusa escondeu Cronos e lhe pediu que castrasse o pai. 

Cronos atendeu ao pedido da mãe, mas passou a devorar a própria cria. O ciclo só foi interrompido quando Réia escondeu Zeus e lhe pediu que obrigasse o Cronos a regurgitar seus irmãos. Zeus não só cumpriu a missão como derrotou o genitor numa guerra que durou dez anos e, ao final, tornou-se o deus dos deuses.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Bolsonarinho enxergou na Casa Branca o local ideal para fugir da realidade. Trump tirou momentaneamente o efeito Master do noticiário, mas enfiou seu pé-frio na campanha eleitoral do Brasil ao classificar o PCC e o CV como facções terroristas.

Trata-se apenas um fetiche para disfarçar a ausência de um projeto para a área da segurança pública, mas os criminosos respiram aliviados.

Do ponto de vista prático, além de ofender a soberania, a novidade afeta a reputação do Brasil, afugentando investidores. Já o efeito eleitoral é duvidoso: fugindo do contágio de Daniel Vorcaro, o filho do presidiário caiu na órbita radioativa da calopsita alaranjada, que molhou o paletó para interferir em eleições alheias e perdeu no Canadá, Austrália, Romênia e Hungria.

Se a vida ensina algo, é que a vida nada ensina ao bolsonarismo.


Não sabemos se Urano e Cronos realmente existiram, nem se Saturno — a versão romana de Cronos, posteriormente associada ao tempo — ceifava os dias com sua foice. Tampouco sabemos se o tempo existe de fato ou se não passa de uma convenção criada por nossos ancestrais para dar sentido a eventos recorrentes, como o amanhecer e o entardecer, as fases da lua e as estações do ano. Mas sabemos que há na mitologia grega uma distinção fundamental entre Cronos e Kairós: o primeiro representa o tempo cronológico, linear e mensurável; o segundo, o tempo da experiência, do acontecimento, do instante significativo.


Alguns pensadores da Antiguidade ainda falavam de Aión, um terceiro modo de tempo: não aquele que se mede nem aquele que se aproveita, mas o que se habita — o tempo da duração, da permanência, do que escapa ao relógio e às urgências do agora.

Por convenção, o tempo que rege nossas vidas é o de Cronos, que o relógio mede, que os calendários registram, que transforma segundos em minutos, minutos em horas, horas em dias, meses e anos. Essa lógica nos leva a tratá-lo como algo mensurável e manejável, um recurso a ser administrado, otimizado e explorado, quase sempre a serviço do trabalho, do consumo e da vida acelerada que naturalizamos no cotidiano.

É esse mesmo tempo que sustenta a ideia de crononormatividade, trabalhada pela pesquisadora estadunidense Elizabeth Freeman. Trata-se do conjunto de convenções temporais que normalizam trajetórias consideradas “corretas”, como ser alfabetizado até certa idade, casar até os 30, ter filhos até os 35, alcançar o sucesso profissional — seja lá o que isso signifique — antes dos 40. Nesse contexto, o tempo deixa de ser apenas uma medida e passa a funcionar como critério moral.

Outras formas de compreender e viver o tempo persistem entre povos tradicionais, povos originários, povos indígenas, africanos e do sul global. Nessas cosmovisões, o tempo não se comporta como uma flecha que avança inexoravelmente para a frente. Ele pode ser cíclico, circular ou espiralar. O passado não está morto, o futuro não é um alvo fixo, e o presente não é apenas um ponto de passagem.

Convencionou-se adotar o tempo cronológico como padrão universal por ser um tempo que coloniza o presente — sequestrando nossa atenção —, captura o passado — reduzindo a memória a registro — e compromete o futuro — empobrecendo nossa capacidade de imaginá-lo. Na era das métricas, notificações e algoritmos, Cronos deixou de ser apenas uma abstração: tornou-se um sistema de controle íntimo, automático e permanente. 

Essa não é a única ideia de tempo que existe, mas as formas não cronológicas são desconsideradas justamente por não servirem à produtividade, ao consumo e às tecnologias que exigem pressa, desempenho e obediência ao relógio.

No fim das contas, Cronos venceu, não como mito, mas como método. Ele já não empunha uma foice, mas um relógio digital. Não reina do Olimpo, e sim dos calendários, das metas, dos prazos e das notificações. Não precisa mais devorar os filhos; basta convencê-los de que estão sempre atrasados. E nós, acreditando dominá-lo, seguimos oferecendo aquilo que sempre exigiu: nossa própria vida, em parcelas mensais.

terça-feira, 14 de abril de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 94ª PARTE — PARADOXOS

PARA OS POLÍTICOS, OS ELEITORES SE DIVIDEM EM DUAS CLASSES: OS INSTRUMENTOS E OS INIMIGOS.


Incongruências como o paradoxo do avô são os maiores obstáculos teóricos às viagens ao passado, já que a simples chegada de um viajante seria suficiente para interferir na cadeia causal dos acontecimentos, alterar sua própria linha do tempo e abrir espaço para contradições lógicas difíceis de contornar. 


Ainda assim, o físico Lorenzo Gavassino, pesquisador da Universidade de Vanderbilt, afirma ter encontrado uma solução elegante — e profundamente contraintuitiva — para esse velho problema. Segundo ele, alterar eventos no passado não necessariamente gera paradoxos, mesmo porque teorias consagradas da física moderna, como a relatividade geral de Einstein, indicam que o tempo pode ser muito mais flexível do que a intuição cotidiana sugere. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Lula faria bem a si mesmo se enfiasse a língua na boca e metesse a viola no saco.

Ao admitir que aconselhou Xandão no caso do Banco Master, o xamã da petralhada reforçou a percepção de proximidade com o Supremo — um vínculo que vinha sendo construído desde o fatídico 8 de janeiro de 2023, quando a corte agiu de acordo com seu dever institucional na proteção da democracia.

A pesquisa Atlas/Intel dá conta de que o descrédito individual de certos togados vai se convertendo gradativamente num processo de desprestígio do próprio STF — 42,5% dos entrevistados avaliam que o principal problema da democracia brasileira é a concentração de poderes no Judiciário.

Como diz o ditado, quem dorme com porcos acorda enlameado.

Melhor faria o molusco se guardasse uma distância segura do imbróglio, sob pena de a merda respingar em sua imagem imaginária de "alma viva mais honesta do Brasil".

Se não medir as palavras, o criador de postes que deram curto-circuito pode acabar eletrocutado.


Buracos negros, curvas temporais fechadas (CTCs) e outros conceitos extremos desafiam frontalmente a ideia de um tempo linear, contínuo e irreversível, abrindo brechas teóricas para cenários onde causa e efeito deixam de seguir uma única direção. Gavassino publicou um estudo na revista Classical and Quantum Gravity no qual explora como as CTCs interagem com a termodinâmica e a mecânica quântica. Seu argumento central é que, em ciclos temporais desse tipo, flutuações quânticas podem provocar uma redução local da entropia. 


Nessas condições, sistemas que normalmente tenderiam à desordem poderiam “andar para trás” do ponto de vista termodinâmico, e eventos potencialmente paradoxais deixariam de sê-lo. Partículas que se desintegram no início de um ciclo temporal poderiam se recompor espontaneamente sem violar as leis fundamentais da física. 


Uma vez que o próprio ciclo se encarregaria de eliminar inconsistências — não por meio de ajustes conscientes ou ramificações de universos, mas por um mecanismo natural de autocorreção quântica —, o célebre paradoxo do avô simplesmente não chega a existir nesse cenário.


A proposta é sedutora, mas traz consequências tão intrigantes quanto perturbadoras. Se a entropia pode ser reduzida em ciclos temporais, processos biológicos também estariam sujeitos a reversão. Isso abre espaço para hipóteses como perda de memória, rejuvenescimento involuntário ou até uma espécie de “morte temporária”, na qual o organismo retorna a um estado anterior antes de seguir adiante no ciclo. A experiência subjetiva do tempo, nesse caso, seria tudo menos estável — e talvez nem sequer contínua.


Ainda assim, é importante manter os pés no chão — ou pelo menos fora do buraco de minhoca. As curvas temporais fechadas são soluções matemáticas altamente idealizadas das equações da relatividade geral, e sua existência física permanece especulativa. Além disso, o próprio efeito das flutuações quânticas sobre sistemas macroscópicos está longe de ser compreendido, o que torna qualquer extrapolação para seres humanos um exercício mais filosófico do que experimental.


Gavassino sustenta que “a sequência lógica dos acontecimentos é garantida pelas próprias leis da natureza”, sugerindo que o Universo seria imune a contradições. Resolver o paradoxo do avô, portanto, não significaria libertar o viajante do tempo para fazer o que quiser, mas revelar que o próprio cosmos impõe limites silenciosos e inescapáveis às suas ações.


Embora as viagens ao passado continuem no território da especulação, ideias como a de Gavassino reforçam uma suspeita incômoda: talvez o maior obstáculo não seja a tecnologia, mas nossa insistência em pensar o tempo como uma estrada de mão única. E, como costuma acontecer, a física moderna se aproxima perigosamente da ficção científica — não para validá-la, mas para mostrar que, às vezes, ela ainda não foi longe o bastante.


Continua…