Mostrando postagens classificadas por data para a consulta 4004 a.C.. Ordenar por relevância Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens classificadas por data para a consulta 4004 a.C.. Ordenar por relevância Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 15 de junho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — DOGMAS VERSUS CIÊNCIA

QUANDO SE ENTREGA A CHAVE DO GALINHEIRO ÁS RAPOSAS, PERDE-SE O DIREITO DE RECLAMAR DO SUMIÇO DAS GALINHAS.

Vimos que fé e ciência não são mutuamente excludentes quando mantidas cada qual no seu quadrado. 
Enquanto os dogmas pedem fé inquestionável, a ciência busca evidências e procura comprová-las por meio de experimentos. A interpretação literal da Bíblia alimenta o criacionismo, que ignora o conhecimento acumulado nos últimos séculos. Assim, os "fiéis" acreditam — entre outras falácias e delírios — que Deus iniciou a criação do mundo e de tudo o que nele existe às 9h00 da manhã do dia 23 de outubro de 4004 a.C. conforme o bispo irlandês James Ussher anotou em "The Annals of the World".

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Todo economista sério conhece a solução: reformas estruturais, cortes de despesas, privatizações, redução drástica do tamanho do Estado. O melhor programa social é o trabalho, e isso depende de um ambiente mais competitivo, com menos burocracia e insegurança jurídica, menores taxas de juros, mão de obra mais qualificada e infraestrutura decente. Investir nisso, no entanto, é intolerável para a esquerda, que vive dos votos dos mais pobres e ignorantes.

A velha imprensa precisa parar de achar que o PT erra tentando acertar. O petismo aposta na desgraça econômica justamente porque ela produz dependência estatal. É por isso que o lulismo sempre promove esse populismo explosivo. Quebrar o país para se manter no poder é a estratégia política da esquerda.

Infelizmente, a alternativa ao quarto mandato do macróbio eneadáctilo continua sendo — pelo menos até o momento — o filho do golpista presidiário. Em 2018 e 2022, a tão sonhada terceira via tentou furar a bolha da polarização, mas não conseguiu. E dificilmente conseguirá desta vez, já que, em vez de se unirem, os demais pré-candidatos guerreiam entre si. A exemplo da récua de muares que atende por eleitorado, os "candidatos alternativos" emulam Pandora a cada eleição. A diferença é que a primeira mulher criada pelos deuses da mitologia grega abriu a caixa que guardava todos os males — doenças, misérias, inveja, ódio e a morte — uma única vez, e o fez movida não pela incompetência, mas pela curiosidade.

Insistir no mesmo erro esperando obter um acerto é a melhor definição de imbecilidade que conheço.


Para a ciência, a evolução das espécies e a formação de estrelas e planetas ocorreram ao longo de 13,8 bilhões de anos. Nosso sistema solar surgiu há 5 bilhões de anos, e a Terra, há 4,54 bilhões de anos. A família dos Hominídeos despontou há 20 milhões de anos, o gênero Homo, há 2,5 milhões de anos, e o Homo sapiens, há 300 mil anos. Não se trata de conjecturas, mas de estimativas baseadas em descobertas arqueológicas e no estudo de ossos e crânios encontrados por paleontólogos.

As religiões deveriam oferecer conforto espiritual e respostas a questões como o propósito e o sentido da vida, mas o literalismo resulta na negação de descobertas científicas como a evolução e o aquecimento global, entre outras questões vitais para o futuro da humanidade.

Antes de chegarem ao papiro, os conceitos contidos nos primeiros textos védicos foram transmitidos oralmente durante séculos e preservados mediante métodos mnemônicos de recitação cruzada, onde cada sílaba tinha uma entonação matemática precisa. Quando esses textos foram finalmente compilados, o mundo viu nascer uma das maiores bibliotecas do pensamento humano.

Lamentavelmente,, a tradição oral védica sobreviveu quase intacta por milênios graças à memória rigorosa, ao passo que os registros físicos foram destruída por incêndios, enchentes e outras catástrofes naturais, ou então se tornaram reféns de governantes despóticos e líderes religiosos mais preocupado com a manutenção do poder institucional do que com a busca da verdade, para quem o conhecimento da plebe ignara era uma ameaça à nova ordem, e destruir os textos era a maneira de "desmemoriar" a população para facilitar a dominação.

Na Índia, a Grande Biblioteca de Nalanda foi queimada no século XII por invasores — reza a lenda que a quantidade de manuscritos era tão vasta que a biblioteca queimou por três meses seguidos. A Biblioteca de Alexandria é, talvez, o símbolo máximo dessa tragédia cultural — uma lenta agonia causada por uma conjunção de fatores, entre os quais os conflitos geopolíticos — que resultaram em sucessivas guerras pelo poder —, o fanatismo e a intolerância.

Com a ascensão do cristianismo como religião oficial do Império Romano, o conhecimento contido em Alexandria foi visto como "pagão" e perigoso — e destruído pela "negligência" de governantes que pararam de financiar os estudiosos e a manutenção dos rolos (sem investimento, os escribas pararam de copiar os textos antigos, e papiro, por ser um material orgânico, apodrece se não for cuidado).

Com o desaparecimento de milhares de rolos, perderam-se as obras completas de Aristarco de Samos — que já propunha o heliocentrismo 1.800 anos antes de Copérnico —, textos de Sófocles, Eurípides e Ésquilo, bem como mapas antigos e registros de navegação que poderiam ter antecipado a era das descobertas em séculos. Foi como se a humanidade tivesse sofrido uma amnésia coletiva: o que os Vedas salvaram através do som, Alexandria perdeu no silêncio das cinzas.

Mas o mais revoltante é que muitos dos que destruíram essas bibliotecas o fizeram em nome de uma "religião", embora certamente carecessem da "fé" que busca a verdade e respeita a criação intelectual. Se um texto antigo oferecia uma visão que não exigia intermediários ou que contrastava com a convenção social estabelecida, era rotulado como herético ou perigoso. Assim, em nome do poder ou de uma suposta "pureza" da fé, variações regionais dos textos foram destruídas com vistas à imposição de uma versão única que servisse ao status quo.

O dano causado pela perda de nossa "infância intelectual" em fogueiras de vaidade e ignorância é tão lamentável quanto irreparável. O pouco que restou foi recuperado por meio da arqueologia e da filologia. No caso dos Vedas, a tradição oral acabou sendo a "nuvem de backup" mais segura da antiguidade: enquanto o papiro queimava e a tinta desbotava, o som e a métrica eram passados de mestre para discípulo, sobrevivendo onde a pedra e o papel falharam.

É ingenuidade achar que o apagamento da memória decorre apenas de causas naturais — na maioria das vezes ele é perpetrado por quem detém o poder —, e o mesmo fenômeno de controle que vitimou Alexandria se repetiu de forma ainda mais insidiosa na sistematização da Bíblia. O que hoje o senso comum aceita como uma unidade indivisível é, em essência, o resultado de uma curadoria política e arbitrária realizada por "religiosos" poderosos, que se autoconcederam o poder de decidir o que era sopro divino e o que era "conhecimento nocivo". A pretexto de proteger os fiéis de heresias, esses editores da fé filtraram a pluralidade das experiências espirituais primitivas e descartaram textos que ofereciam uma visão de transcendência direta, sem a necessidade de pedágios institucionais.

O que foi sacrificado não foram meros pergaminhos, mas a própria liberdade do pensamento em busca do sagrado. Ao canonizar uma versão e demonizar as outras, as lideranças inescrupulosas não só moldaram uma religião; como também criaram um cerco intelectual: aquilo que ia contra o establishment ou empoderava o indivíduo fora das amarras da convenção social foi rotulado como apócrifo e condenado ao esquecimento. 

Assim, a "pureza" da fé tornou-se o álibi perfeito para uma das maiores operações de silenciamento da história, garantindo que o mapa nunca fosse maior do que o território permitido pelo palácio. No entanto, quando se entrega às raposas a chave do redil perde-se o direito de reclamar do sumiço das ovelhas.


Continua…

sexta-feira, 12 de junho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — O ANTIGO TESTAMENTO E OS CONTOS DA CAROCHINHA

NEM TODO ARGUMENTO INTERESSANTE É CONVINCENTE.

A despeito de a literatura bíblica não ser jornalismo nem registrar os fatos em tempo real, criacionistas e seguidores das religiões abraâmicas sustentam que Deus criou o mundo e tudo o que nele existe em seis dias e descansou no sétimo. O arcebispo irlandês James Ussher, autor de The Annals of the World, o Criador teria iniciado os trabalhos às 9h da manhã de 23 de outubro de 4004 a.C.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

O ministro Edson Fachin informou na última segunda-feira que funcionará até novembro o grupo de trabalho constituído por ele no Conselho Nacional de Justiça para discutir a encrenca dos super salários no Judiciário.

Em decisão controversa, o Supremo havia determinado que nenhum juiz poderia receber mais do que R$ 78,8 mil, mas manteve os super salários inconstitucionais transitoriamente permitidos, até que o Congresso legislasse acerca do tema. Como os parlamentares deram de ombros, surge agora o grupo de trabalho de Fachin — lembrando que, na administração pública, grupo de trabalho é um conjunto de pessoas nomeadas por uma autoridade para protelar a resolução de um problema grave. 

Flávio Dino chamou as perversões salariais do Judiciário de "Império dos penduricalhos", e Gilmar Mendes disse que o teto de R$ 46,3 mil mensais "virou piso, e um piso muito ordinário." Embalado pela inação do Congresso, o grupo de trabalho do CNJ dá ao que é ordinário uma aparência de extraordinária normalidade.


O Velho Testamento é um conjunto de lendas, mitos e tradições culturais transmitidos oralmente por várias gerações até por volta de 1200 a.C., quando foram compilados supostamente por Moisés, a quem se atribui a autoria do Pentateuco. O primeiro livro da Bíblia judaico-cristã começa com a palavra bereshit (“no princípio”, em hebraico) e narra a origem da vida, do mundo e do povo que o líder dos judeus errantes teria guiado pessoalmente pelo deserto do Sinai até a terra que Jeová supostamente prometera a Abraão e seus descendentes.

A certa altura, o líder dos judeus errantes estendeu seu cajado e o Mar Vermelho se abriu, permitindo que ele e seu povo o atravessassem — para, em seguida, fechar-se sobre os soldados egípcios que os perseguiam. Em outro momento, instruído a falar com uma rocha para que dela brotasse água, Moisés bateu nela com o cajado e atribuiu a si próprio a autoria do milagre. Como castigo pela desobediência, o deus rancoroso e vingativo do Velho Testamento permitiu que ele avistasse Canaã do alto do Monte Nebo (na atual Jordânia), mas o proibiu de nela entrar.


Embora dominasse os segredos das águas, o velho Moishe não fez bom uso do GPS que Jeová supostamente lhe forneceu: vagou pelo deserto do Sinai durante 40 anos para percorrer cerca de 600 km até Canaã. Ainda segundo a narrativa bíblica, ele morreu aos 120 anos, e Josué assumiu a liderança dos hebreus pelo restante da jornada.


Delírios e fantasias à parte, nosso Universo tem 13,78 bilhões de anos, e a Terra, 4,5 bilhões de anosOs primeiros microrganismos surgiram há cerca de 3,5 bilhões de anos, os primatas, há 65 milhões de anos, e os primeiros hominídeos, há 20 milhões de anos. A separação entre os ramos que levaram aos humanos e aos chimpanzés ocorreu entre 6 e 8 milhões de anos atrás. O gênero Homo surgiu há cerca de 2,5 milhões de anos. O Homo Sapiens evoluiu do Homo Erectus há 300 mil anos, e o Sahelanthropus Tchadensis foi o precursor de uma linhagem de primatas iniciada pelo Orrorin tugenensis, que foi o primeiro hominídeo bípede.

O cosmo inteiro foi construído com os mesmos “tijolos”: átomos de hidrogênio que se agregaram para formar estrelas — e estas, ao explodirem, deram origem a elementos mais pesados. Apesar da diversidade de planetas em nosso sistema solar, seus vulcões, oceanos e planícies são compostos pelos mesmos materiais básicos que formam a Terra. Por razões que a ciência ainda não conseguiu explicar plenamente, a combinação desses elementos inertes deu origem a bactérias, protozoários e organismos mais complexos, que, mais adiante, evoluíram para plantas e animais.

Uma hipótese chamada panspermia (do grego: “sementes em todo lugar”) propõe que micro-organismos — ou seus precursores químicos — poderiam viajar pelo espaço em asteroides, cometas ou meteoros, “semeando” a vida em planetas com condições favoráveis. A ideia possui variantes e um respaldo científico moderado: não é consenso, mas também não é fringe science. No caso da Terra, isso poderia ter ocorrido há cerca de 3,5 bilhões de anos.

A pergunta que se impõe é: se a vida veio de outro lugar, como surgiu lá, e como eventuais micro-organismos sobreviveriam a milhões de anos no espaço, à radiação, ao calor da entrada na atmosfera e ao impacto contra o solo?

O cenário mais aceito é o de que o espaço tenha fornecido ingredientes químicos essenciais para a vida (uma versão mais moderada da hipótese), porém uma versão mais ousada — que ainda carece de evidência definitiva — sustenta a chegada de organismos vivos em meteoritos.

Em favor dessa hipótese, a NASA identificou, em 1996, estruturas no meteorito marciano ALH84001 que alguns cientistas interpretaram como possíveis microfósseis. O debate permanece aberto, mas a descoberta demonstrou que rochas marcianas chegaram à Terra. O meteorito de Murchison (Austrália, 1969) continha mais de 90 aminoácidos, incluindo alguns presentes na biologia terrestre. Açúcares, bases nitrogenadas do DNA e até estruturas semelhantes a membranas lipídicas também já foram encontrados em meteoritos.

Resumo da ópera: a abiogênese terrestre é uma hipótese plausível — experimentos como o de Miller-Urey (1953) demonstram que moléculas orgânicas complexas podem surgir espontaneamente em condições primitivas —, e a panspermia permanece como possibilidade científica legítima. A conferir...

Continua…

quinta-feira, 4 de junho de 2026

DESCOBERTOS 27 NOVOS EXOPLANETAS POTENCIALMENTE CIRCUMBINÁRIOS

QUEM PROCURA ACHA E QUEM INSISTE ACHA MAIS DEPRESSA.

De acordo com o Gênesis, Deus criou o mundo e o que mais nele existe em seis dias, viu que tudo era bom (!?) e descansou no sétimo — melhor faria o Senhor das Esferas se aproveitasse a folga para consultar um oftalmologista, mas isso é outra conversa.

Consta que o primeiro livro do Pentateuco foi escrito por Moisés, o líder dos judeus errantes, durante sua interminável (40 anos) peregrinação pelo deserto do Sinai em busca de Canaã, e que o arcebispo irlandês James Ussher, preciso como um cuco suíço, anotou em The Annals of the World que o Senhor das Esferas iniciou sua obra às 9h de 23 de outubro de 4004 a.C. 

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

O lançamento da candidatura de Sérgio Moro ao governo do Paraná converteu-se numa antiapoteose. Ao dividir o palanque com o filho do golpista, o ex-juiz da Lava-Jato e Deltan Dallagnol, antigo garoto prodígio da força tarefa de Curitiba, consolidaram a percepção de que na política nada se cria, nada se transforma, tudo se corrompe.

Bolsonarinho e o Marreco de Maringá trocaram afagos. O filho do pai vestia uma camiseta na qual se lia: "Curitiba prendeu. Brasília soltou", numa alusão à sentença de Moro que levou Lula à cadeia, posteriormente anulada pelo Supremo. Derramou-se em elogios ao ex-juiz: "É um símbolo de combate à corrupção, símbolo de seriedade, que vai ter a independência de montar um time forte, com uma Assembleia forte, para fazer o melhor pelo Paraná".

Em retribuição, Moro enalteceu a decisão do governo Trump de classificar PCC e CV como terroristas: "Foi extraordinário. Ele [Flávio] conseguiu convencer o governo norte-americano a dar esse passo importante." E aproveitou para elogiar a suposta atuação do "mito" preso no combate às facções criminosas à época em que desgovernou o país.

Moro esqueceu de lembrar — ou lembrou de esquecer — que deixou o governo Bolsonaro acusando o então chefe de aparelhar a Polícia Federal para blindar a família contra investigações. Em janeiro de 2022, numa entrevista ao Flow Podcast, o desafeto disse que Bolsonaro "tem lá investigação da família dele, rachadinha, ele tem medo também que a investigação chegue nele. e aí ele chegou a partir de determinado momento do mandato dele e começou: 'Olha, tem que enfraquecer o combate à corrupção'."

Na mesma entrevista, o ex-herói que se converteu em vergonha nacional se referiu diretamente ao primogênito do refugo da escória da humanidade: "Teve uma decisão do Supremo que beneficiou o filho do presidente. (...) O problema é que essa liminar parava todas as investigações de lavagem de dinheiro no país. Parava tudo. E o presidente não queria que a gente mexesse nisso. Ele me falou assim: 'Moro, se você não vai ajudar, não atrapalhe'."

Meses depois, o Marreco de Maringá daria um cavalo de pau, incorporando-se à malsucedida caravana de Bolsonaro na sucessão presidencial de 2022. Agora, associa-se ao rebento do rebotalho num instante em que a imagem do neoaliado já não está apenas rachadinha. Os vínculos financeiros obscuros do presidenciável do clã Bolsonaro transformaram a antiga fenda num rombo de dimensões insondáveis.

Deltan Dallagnol frequentou o palanque do ex-parceiro na Lava-Jato como coadjuvante do escárnio. Sua candidatura ao Senado é uma dúvida jurídica. Teve o mandato de deputado federal cassado pelo TSE em 2023. Os adversários sustentam que está inelegível.

Alheio à controvérsia, Dallagnol fustigou sua adversária petista: "Precisamos trabalhar intensamente para que Gleisi Hoffmann não vire senadora no Paraná. Precisamos derrotar o PT porque [é o partido] líder máximo dos maiores esquemas de corrupção que o país já viu." Disse isso ao lado de Flávio Bolsonaro. Sem corar.

Moro e Dallagnol atribuem ao Supremo o sepultamento da Lava-Jato, mas a morte é anterior a si mesma, começa bem antes do funeral. A República de Curitiba começou a morrer no final de 2018, quando Moro trocou o altar da 13ª Vara pelo serpentário de Brasília. Em março de 2021, numa entrevista ao UOL, o ex-procurador disse que, como ministro da Justiça, Moro "poderia ter maiores chances de influenciar a história". De fato, foi grande a influência do então subordinado de Bolsonaro. Moro virou a página da história. Para trás.

Com a Vaza-Jato e seus diálogos tóxicos, os ex-paladinos de Curitiba jogaram terra em cima de si mesmos. Forneceram material para a abertura da cela de Lula e a condenação de Moro como juiz suspeito. Hoje, irmanados à imoralidade que permeia a política, Moro e Dallagnol enfeitam com sua incoerência a lápide que ajudaram a acomodar sobre o esforço anticorrupção que diziam encarnar.  Essa dupla patética não só fica de quatro como também se vira do avesso por Flávio Bolsonaro.

Embora seja redundante discorrer sobre o sem-número de eventos ocorridos há dezenas de milhares de anos, quando, segundo Ussher, os criacionistas e as religiões abraâmicas, o mundo ainda não havia sido criado, não custa lembrar que o esqueleto parcial de uma fêmea de Australopithecus Afarensis de 3,2 milhões de anos — batizada de Lucy em homenagem à música dos Beatles — foi encontrado em 1974 pelo paleontólogo Donald Johanson no deserto de Afar, na Etiópia. Ou seja: os bípedes já rondavam a Terra 530 vezes o tempo que o mundo existe nas contas de Ussher.

Outros exemplos dignos de nota são o desenho abstrato da Caverna Blombos, na África do Sul, cuja idade é estimada em 73 mil anos; as pinturas rupestres de Sulawesi (67,8 mil anos), na Indonésia; o templo Göbekli Tepe, na Turquia (11,5 mil anos); e o crânio de uma mulher, apelidada de Luzia (mais de 11 mil anos), encontrado no sítio arqueológico de Lapa Vermelha, na região de Lagoa Santa (MG), em 1975 — ou seja, havia gente acampada em Minas Gerais mais de 9 mil anos antes de Deus, na agenda de Ussher, ter criado qualquer coisa. 

Com base no modelo cosmológico baseado na Teoria do Big Bang, o Universo surgiu há quase 14 bilhões de anos, nosso sistema solar, há 4,6 bilhões anos. Embora consigamos avistar a olho (em condições ideais) algo entre 2,5 mil e 3 mil estrelas em cada metade visível da esfera celeste, estima-se que o Universo observável contenha mais de 100 bilhões de galáxias, as menores com alguns milhões de estrelas e as maiores com centenas de bilhões. Nem todos esses dez sextilhões de "sóis" são orbitados, mas presume-se que haja tantos planetas quanto estrelas na Via Láctea.

Depois que o primeiro exoplaneta foi descoberto, há cerca de 30 anos, milhares deles foram sendo observados orbitando não apenas “sóis” semelhantes ao nosso, mas também anãs vermelhas e estrelas de nêutrons ultradensas. Graças aos telescópios espaciais Kepler e Tess, a NASA Exoplanet Archive já confirmou a existência de 6.291 exoplanetas, e outros 7.900 candidatos aguardam confirmação (para explorar dados detalhados de cada um desses mundos, acesse o Painel de Descobertas da NASA).

Observação: Com lançamento previsto para 2027, o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman fará novas descobertas de exoplanetas usando uma variedade de métodos. A Missão ARIEL, da Agência Espacial Europeia, cujo lançamento está previsto para 2029, observará atmosferas de exoplanetas se concentrando em suas nuvens e neblinas.

Astrônomos descobriram recentemente 27 novos potenciais planetas circumbinários — que orbitam duas estrelas, como o fictício planeta deserto Tatooine, do universo Star Wars. O anúncio foi feito em maio, no dia conhecido como o "Dia Star Wars" pelos fãs da saga.

Até então, apenas 18 planetas circumbinários haviam sido oficialmente identificados no Universo, e os recém-descobertos estão a distâncias que variam de 650 a 18 mil anos-luz da Terra, embora mais da metade das estrelas do Universo existem em um sistemas binários ou mesmo com um número ainda maior de estrelas. Potencialmente, estamos perdendo muitos sistemas, pois achar novos planetas é como tentar encontrar uma vela ao lado de um poste de luz.

No entanto, em vez de identificar planetas orbitando sistemas binários por meio da observação de seu trânsito, os pesquisadores se concentram na oscilação no brilho de estrelas que eclipsam umas às outras. Usando esse método, foram identificados 36 sistemas binários - num total de 1.590 cujo comportamento só poderia ser explicado pela presença de um terceiro corpo, entre os quais têm grandes chances de ser massas planetárias. 

Em tese, um planeta como Tatooine poderia existir no exato ponto entre as órbitas das duas estrelas — que não é nem muito quente, nem muito frio. Vale lembrar que, quando o primeiro filme da saga Star Wars foi lançado, não se tinha conhecimento da existência de exoplanetas.

quarta-feira, 3 de junho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — A IGREJA DA IDADE MÉDIA EM PLENO SÉCULO XXI

NA VISÃO DOS IGNORANTES, OS EVENTOS EXTRAORDINÁRIOS DA NATUREZA SÃO MILAGRES DIVINOS.

No tempo das cavernas, tempestades, eclipses e outros fenômenos naturais eram atribuídos a forças sobrenaturais. Esse misticismo deu origem às religiões, que não devem ser confundidas com fé ou espiritualidade: enquanto as religiões impõem normas e rituais rígidos, a espiritualidade pessoal se ajusta aos valores e necessidades de cada um sem se prender ao formalismo religioso e descartando explicações dogmáticas para tentar explicar o insondável.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Instigado pelo filho do presidiário e seus acólitos, o governo americano — leia-se Donald Trump — decidiu classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. Isso cria um enorme constrangimento para o governo brasileiro, sobretudo às vésperas de uma eleição na qual a principal vulnerabilidade do candidato à reeleição é sua incapacidade chapada de combater o crime organizado.
Do ponto de vista dos efeitos práticos, não há consenso entre os especialistas sobre a classificação desses grupos como terroristas. Há dúvidas mesmo dentro das Forças Armadas Brasileiras, para as quais a cooperação com Forças Militares Americanas — de preferência sem politização — é de importância fundamental.
Em princípio o governo americano dispõe agora, em relação ao governo brasileiro, de um formidável arsenal legal para excluir do sistema do dólar instituições financeiras brasileiras que tenham vínculos com organizações declaradas como terroristas; sancionar empresas brasileiras ou multinacionais que operam no Brasil que paguem a intermediários ligados às facções; e barrar a entrada nos Estados Unidos de pessoas com qualquer tipo de ligação a esses grupos. Mas a questão central é política, e em duas esferas. 
A nova doutrina de segurança nacional americana exige dos países desta área alinhamento total  com o que os EUA considerem questões de seu interesse, especialmente na área do crime transnacional. O governo americano está empenhado em favorecer grupos políticos com os quais têm proximidade, como a corrente dirigida pela quadrilha Bolsonaro. Nesse sentido, é um instrumento do governo americano de coerção diplomática e, eventualmente, até militar, e de ajuda política a bolsonarinho antes das eleições.

Os dogmas permanecem estáticos por se alimentarem da rigidez, ao passo que a ciência avança por questionar o que hoje parece sólido. Mesmo as teorias científicas mais robustas e testadas são passíveis de refutação. O que enfraquece a ciência não é a dúvida, mas a arrogância das certezas definitivas.


É justamente essa maleabilidade que a torna tão poderosa e diferente dos ramerrões religiosos. Como nos lembram Platão no Mito da Caverna e máxima "o sábio duvida e o sensato reflete", atribuída a Aristóteles, somente a dúvida e a revisão constante nos libertam das sombras.


O número de vertentes religiosas é espantoso, e todas alegam ter linha direta com o Todo-Poderoso. Na verdade, a maioria foi erguida sobre sangue e ossos dos que se recusaram a aceitar a ideia de Deus que elas pregam.


Se considerarmos "religião" como um sistema de crenças com rituais, locais de culto específicos e uma mitologia compartilhada, o Sítio de Göbekli Tepe, construído há cerca de 12 mil anos, é provavelmente o local de culto mais antigo do mundo — sua descoberta revolucionou a teoria de que a religião organizada surgiu depois da agricultura e da vida em vilas. 


Se nos ativermos apenas às religiões que ainda são praticadas e possuem uma linhagem histórica clara, o Hinduísmo encabeça a lista — suas raízes remontam à religião védica (aprox. 1500 a.C.) e incorpora tradições ainda mais ancestrais. O Judaísmo vem em seguida entre as tradições religiosas contínuas, com origens que remontam à época do patriarca Abraão (por volta de 1800 a.C.). Já o Zoroastrismo, originário da antiga Pérsia, é tido como uma das religiões mais antigas de cunho profético, embora haja debate sobre a data exata de seu fundador (entre os séculos XVIII e VI a.C.).


Talvez seja impossível dizer como seria o mundo sem as religiões, mas o termo "impossível" foi cunhado por alguém que desistiu de tentar. Atribui-se a Einstein a máxima segundo a qual "o impossível só existe até que alguém duvide e prove o contrário". Por outro lado, crer ou não crer são opções personalíssimas, e tomar por verdade absoluta a criação do mundo segundo o Velho Testamento é como negar a esfericidade da Terra — lembrando que as narrativas que compõem o Gênesis não fornecem uma explicação científica ou histórica sobre o passado, e que literatura religiosa não é jornalismo nem registra os fatos em tempo real. 


Outra pérola de sabedoria atribuída a Einstein alude à infinitude do Universo e da estupidez humana. Isso explicaria o porquê de criacionistas e devotos das religiões abraâmicas acreditarem, em pleno século XXI, que o mundo e tudo que nele existe foi criado em seis dias contados a partir das 9h00 de 23 de outubro de 4004 a.C., como ensinou o bispo irlandês James Ussher em "The Annals of the World". É possível que isso fizesse sentido na Idade Média — por motivos que agora não vêm ao caso —, mas vale reforçar que, enquanto os dogmas religiosos pedem fé inquestionável, a ciência busca evidências e procura comprová-las experimentalmente.


A interpretação literal da Bíblia desconsidera o conhecimento científico acumulado nos últimos séculos em áreas como física, astronomia e biologia. Há atualmente evidências incontestáveis de que a evolução das espécies e a formação de estrelas e planetas ocorreram ao longo de bilhões de anos. Embora as religiões e a ciência não sejam mutuamente excludentes quando suas respectivas esferas são respeitadas, compete aos padres, pastores, rabinos, imãs e assemelhados oferecer conforto espiritual e respostas a questões como o propósito e o sentido da vida. Mas não é isso que a gente vê na prática.


Não devemos subestimar a enorme influência cultural da Bíblia e do Gênesis, mas precisamos mantê-los dentro de seu contexto histórico e mitológico e evitar interpretá-los como revelações científicas sobre a criação do mundo. Parafraseando o pintor grego Apeles, não vá o sapateiro além da sandália.


Antes de concluir este capítulo — que rascunhei no domingo de Páscoa —, achei por bem mencionar que o Natal é muito popular e amplamente festejado, mas é a Páscoa que simboliza a vitória sobre o pecado e a morte. No Brasil, a comemoração começa na Sexta-Feira da Paixão, segue pelo Sábado de Aleluia e termina no Domingo de Páscoa. Até algum tempo atrás, a "oitava da Páscoa" era uma semana inteira celebrada como se fosse um único dia de festa, e se encerrava na Pasquela, mas isso é outra conversa. 


O Código de Direito Canônico e as tradições da Igreja Católica impõem aos fiéis penitência, jejum e abstinência durante a Semana Santa. Segundo o Cânon 1251, abster-se de comer carne bovina, suína, de aves e outros derivados de sangue quente na Sexta-feira da Paixão se aplica a todos os fiéis a partir dos 14 anos de idade. O jejum canônico (que consiste em fazer apenas uma refeição por dia) é obrigatório para fiéis entre 18 e 59 anos (até completarem 60). 


Celebrações mundanas como baladas, churrascos e festas devem dar lugar ao recolhimento, silêncio e oração — e o mesmo se aplica a atividades e trabalhos que dificultem o descanso e o culto devido a Deus. Ademais, faltar deliberadamente à Missa no Domingo da Ressurreição ou à Vigília Pascal (sábado à noite) é considerado pecado grave.


Continua…

segunda-feira, 25 de maio de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — RELIGIÃO X CIÊNCIA

O MEDO DA MORTE É O PAI DAS RELIGIÕES.

Sherlock Holmes — o famoso detetive fictício criado pelo escritor escocês Arthur Conan Doyle — dizia que, uma vez descartado o impossível, o que resta, por mais improvável que pareça, deve ser a verdade.

Às vezes o problema não é a ausência de verdade, mas o excesso de condicionamento. Há casos em que basta uma mudança de perspectiva para a verdade ser revelada. E quando se trata de conceitos como "alma", "vida após a morte", "reencarnação" e afins, cortar os grilhões dogmáticos é como se afastar da árvore para enxergar a floresta.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Enquanto os faria-limers fazem papel de bobos numa peça confusa, em que o protagonista é o filho de um ex-presidente condenado a 27 anos de cadeia, e o coadjuvante é um mafioso que tinha um banco, esses tolos endinheirados escolhem ficar de cócoras diante da decomposição moral do pedaço de estrume que atende por Flávio Bolsonaro, e que, um dia depois de admitir que teve encontro presencial com Vorcaro, afirma que a crise é página virada e que sua candidatura está sólida. Embora nenhum dos interlocutores do candidato compraria um carro usado de Vorcaro, todos se dispõem a vitaminar com seu apoio o presidenciável que mordeu um pedaço do butim do banqueiro malfeitor. A exemplo dos brasileiros que têm um pingo de vergonha na cara, a Faria Lima não precisa apoiar a reeleição de Lula. Mesmo depois que o presidiário interditou Tarcísio de Freitas, o quindim do mercado, ainda restam no bufê eleitoral opções conservadoras sem a salmonela bolsonarista da suspeição. Ao se manter acorrentado ao projeto do Bozo de voltar ao Planalto por meio do rebento (no que me concerne, tanto o pai quanto o filho poderiam se explodir), os mandarins do mercado permanecem agachados, quando poderiam demonstrar alguma altivez.


Como bem disse Upton Sinclair, timor mortis est pater religionis. No tempo das cavernas, tempestades, terremotos, eclipses e outros fenômenos naturais eram atribuídos a forças sobrenaturais, e esse misticismo deu origem às mais diversas religiões — cada qual com sua própria escatologia, arquitetura e hierarquia. Juntas, elas produziram um caudaloso manancial de escritos sugerindo a existência de uma vida após a morte — como o Livro dos Mortos egípcio, os Sutras, as Upanishads, os Vedas, a Bíblia judaico-cristã, a Cabala, o Alcorão, e por aí vai.


Os primeiros textos védicos remontam a 1500 a.C., mas os conceitos que encerram foram transmitidos oralmente durante séculos.. A frase "este é meu corpo", que Jesus teria pronunciado na Última Ceia, é repetida até hoje durante a Eucaristia. Quando "lavou as mãos", Pôncio Pilatos deixou clara a ligação entre a religião e a política — aliás, a Igreja e o Estado foram duas faces da mesma moeda até a Revolução Francesa, e velhos vícios são difíceis de erradicar.


Toda sociedade tem uma religião, toda religião tem um propósito social e toda cerimônia religiosa tem um ritual. O Seder de Pessach e a comunhão são adaptações litúrgicas de uma prática observada nos chimpanzés. As religiões perderam a empatia dos tempos de antanho, mas fenômenos complexos se desenvolvem a partir de começos simples, e tudo o que fazemos é influenciado por nossa história biológica e cosmológica.


A despeito de o Universo ter surgido há 13,8 bilhões de anos e de o Homo Sapiens ter evoluído de outros primatas há cerca de 300 mil anos, o Velho Testamento afirma que Deus criou o mundo e tudo o que nele existe em seis dias e descansou no sétimo. Segundo revelou o arcebispo irlandês James Ussher em The Annals of the World, tudo começou às 9h da manhã de 23 de outubro de 4004 a.C.


Acredita-se que Moisés rascunhou o Gênesis e os demais livros do Pentateuco enquanto guiava o povo hebreu rumo à terra que Jeová prometera a Abraão e seus descendentes. Embora dominasse os segredos das águas — seu cajado não só abriu o Mar Vermelho como fez brotar água de uma pedra —, o velho Moshe só encontrou Canaã depois de caminhar durante 40 anos pelo deserto do Sinai. 


A certa altura, em vez de falar com uma rocha para que dela brotasse água — como Deus o havia instruído —, o líder dos judeus errantes bateu nela com seu cajado e atribuiu a si próprio o milagre (Números 20 e Deuteronômio 32). Como castigo, foi proibido de entrar na "terra prometida" e morreu no monte Nebo, aos 120 anos.


Talvez os efeitos deletérios do sol causticante do deserto tenham levado Moisés a retratar o Criador como uma entidade rancorosa e vingativa, divorciada da imagem vendida em igrejas e templos por padres e pastores que cobram o dízimo dos fiéis ameaçando-os com a "danação eterna", quando deveriam oferecer-lhes orientação e conforto espiritual. Mas as religiões são como os vaga-lumes: precisam da escuridão para brilhar. E são úteis somente aos poderosos, que lhes conferem ares de verdade para ludibriar os menos esclarecidos.


É fundamental questionar as crenças enraizadas. A possibilidade de existir um ente superior é plausível, mas a rigidez das religiões perpetua dogmas que raramente resistem ao questionamento crítico. Lamentavelmente, argumentar com quem renunciou à lógica é como dar remédio a defunto. Isso explica por que, em pleno século XXI, doutrinas as mais inverossímeis têm hostes de seguidores que pegam em armas para defender seus rituais e liturgias.


Como disse alguém mais sábio: Deus criou a fé e o amor, e o Diabo, invejoso, as religiões e o casamento. Todas as religiões são a verdade sagrada para quem as professa, mas não passam de fantasia para os seguidores das outras. E não há crença, por mais estúpida que seja, que não tenha fiéis seguidores.


Continua...