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quarta-feira, 11 de março de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 83ª PARTE

O FUTURO JÁ ACONTECEU?

Há quem considere os casos de Fentz, Carlssin, Titor e do hipster de 1941 (vide capítulos anteriores) como evidências de viagens no tempo, e as pirâmides de Gizé e Stonehenge como provas da visita de alienígenas cuja tecnologia permitiu atravessar galáxias a velocidades superluminais e usar os buracos de minhoca como atalhos cósmicos. Para os céticos, nada disso prova coisa alguma, mas mentes obstinadas podem ser montanhas intransponíveis.


Em Ensaio sobre a cegueira, o Nobel de Literatura José Saramago escreveu que a cegueira é uma questão privada entre as pessoas e os olhos com que elas nasceram, e que a pior cegueira é a mental.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Na última sexta-feira, o ministro Alexandre de Moraes divulgou nota argumentando que os arquivos encontrados no celular de Daniel Vorcaro e repassados à CPMI do INSS indicavam que as mensagens de visualização única atribuídas a ele foram na verdade enviadas ao banqueiro por outro interlocutor. Ato contínuo, a Globo divulgou um texto informando que os softwares usados pela PF permiteM afirmar com certeza que o diálogo se deu entre o dono do Banco Master e o magistrado. 

Durante o fim de semana, o ministro negou que teria visitado a casa de Vorcaro na Bahia. Na manhã do dia 9, sua esposa divulgou detalhes sobre o contrato que manteve com o banco até novembro do ano passado, quando o BC decidiu por sua liquidação. O texto cita supostas reuniões e a elaboração de documentos que justificariam os R$ 3,6 milhões mensais pagos mensalmente ao escritório de advocacia da família do ministro. 

Entre os políticos, os desdobramentos do caso deram à luz a máxima segundo a qual “jantar não é crime”. O receio é que qualquer um que tenha tido contato com Vorcaro se torne radioativo, mesmo sem ter recebido dinheiro ou vantagens.

Sobre a cabeça de Lula paira a quebra de sigilo de Lulinha e a percepção da população de que o STF atua de forma política para beneficiar o petista.

Quanto a Moraes, dá-se de barato que, pelo menos de momento, não se cogita seu afastamento. O magistrado costuma reagir quando pressionado, e tem armas para tal: o inquérito das fake news, a apuração contra servidores da Receita e até a ADPF das Favelas e a recente apuração contra servidores da Receita Federal e do Coaf. Uma das estratégias será desacreditar as informações, sustentando que o vazamento foi seletivo e recortado para criar uma narrativa contra ele e o STF.

Atendendo à defesa de Vorcaro, André Mendonça determinou a abertura de uma investigação sobre quem repassou os dados à imprensa. A ofensiva tende a gerar repercussões, especialmente no Congresso, onde um grupo formado por parlamentares bolsonaristas e do Centrão já está com Moraes na alça de mira, e outro pode apoiar medidas contra vazamentos visando frear as investigações.

O fato é que reputação de Moraes subiu no telhado. Embora ele tente se desvencilhar das mensagens, a crise está posta, e se antes as críticas se concentravam em decisões controversas, agora elas ultrapassam a esfera jurídica e focam possíveis relações não republicanas do togado.

O presidente da CPMI do INSS, Carlos Viana, ficou de convocar o ministro Flávio para explicar por que suspendeu as quebras de sigilo fiscal e bancário de Lulinha. Se aprovado, o gesto será interpretado no STF como uma afronta num momento de tensão entre os Poderes. Em outra frente, as relações entre Alcolumbre e Lula estão estremecidas, devido, sobretudo, ao avanço das investigações da PF no caso Master.

O vazamento de mensagens do celular de Vorcaro e os boatos de delação fortalecem a tese de que a crise dificilmente transcorrerá sem  baixas no mundo político. Dirigentes partidários da oposição e do Centrão, já preparam uma vacina para o que vier nos próximos vazamentos, num movimento de defesa da classe política. Segundo suas insolências, jantar não é crime, amizade não significa corrupção e ter contato salvo, então, não significa absolutamente nada. Mas o temor é de uma “epsteinização” do caso: qualquer um que tenha tido contato com Vorcaro vai se tornar radioativo, mesmo que não tenha recebido dinheiro ou vantagens.

Ainda é cedo para avaliar o estrago que isso fará na campanha de quem foi citado e dos que ainda virão a sê-lo, já que as investigações devem adentrar o período eleitoral e contaminar as disputas. Uma das estratégias dos envolvidos no imbróglio será desacreditar as informações, sustentando que o vazamento foi seletivo e recortado para criar uma narrativa contra ele e atingir o Supremo.

O ministro André Mendonça determinou à Polícia Federal que abra investigação sobre quem repassou os dados à imprensa, atendendo a pedido da defesa de Vorcaro. O eleitorado, majoritariamente ignorante, talvez não compreenda a teia de fraudes e títulos podres do banco Master, mas sabe que a etiqueta que resume o caso é a de corrupção.


Talvez seja por isso que as religiões perduraram milênios — a despeito do manancial de indícios que contradizem seus preceitos, crenças e dogmas — e milhões de pessoas ainda acreditam que Deus criou o mundo em 4004 a.C. e que todos os seres humanos descendem de Adão e Eva — embora haja evidências científicas acachapantes da idade do Universo e da evolução natural.


A ciência evoluiu muito nos últimos séculos, mas ainda não consegue explicar a natureza do tempo nem se é ele que passa ou se somos nós que passamos por ele e o dobramos com as decisões que adiamos e os caminhos que não tomamos. Para viajar no tempo — o fruto mais cobiçado e ainda não alcançado da árvore da relatividade — seria preciso superar inúmeros obstáculos, mas nunca é demais lembrar que Cabral levou 44 dias para cruzar o Atlântico e “descobrir” o Brasil, e menos de 500 anos depois o Concorde fazia a mesma viagem pelo ar em cerca de três horas.


Quiçá viajar no tempo seja apenas uma questão de tempo. A chave pode estar nos buracos de minhoca, nas cordas cósmicas, nos loops temporais, no multiverso e na teoria dos muitos mundos, entre outras possibilidades. Isso pode parecer roteiro de filme de ficção científica, mas o impossível só é impossível até que alguém duvide e prove o contrário. Ademais, a ausência de evidência não é evidência de ausência, e desafiar os limites é o único caminho para superá-los.


Acontecimentos inexplicáveis como os mencionados nos capítulos anteriores levam água ao moinho dos teóricos da conspiração. Há quem considere os casos de Fentz, Carlssin, Titor e do Hipster de 1941 como evidências de viagens no tempo, e as pirâmides de Gizé e Stonehenge, como provas da visita de alienígenas cuja tecnologia permite viagens intergalácticas a velocidades superluminais e uso de buracos de minhoca como atalhos cósmicos. Para os céticos, nada disso prova coisa nenhuma, mas mentes obstinadas podem ser montanhas intransponíveis. 

Dizem que o futuro é um território ainda por vir. Mas e se ele já tivesse acontecido, e nós, distraídos, estivéssemos apenas tentando alcançá-lo? Quiçá o segredo não esteja em viajar pelo tempo, mas em perceber que o tempo sempre viajou por nós, dobrando memórias, adiando sonhos, reinventando passados. No fim das contas, o relógio não marca as horas: ele as fabrica. E nós, confiantes, seguimos acreditando que somos os condutores, embora seja o tempo que nos carrega pela coleira das horas..

Talvez as viagens no tempo aconteçam o tempo todo, só que sem aviso, sem passaporte e, claro, sem reembolso. Afinal, o tempo é o único viajante que nunca se perde… e ainda ri de quem tenta alcançá-lo.

Continua...

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

SOBRE O QUE VEM DEPOIS...

NA NATUREZA NADA SE CRIA, NADA SE DESTRÓI, TUDO SE TRANSFORMA. 

Tudo que existe no Universo é formado por partículas elementares, que se combinam de modo a criar qualquer coisa — de uma massa amorfa de moléculas a um ser vivo. 

Diante disso, o que entendemos por realidade é apenas um "visual" que o Universo escolheu para o imenso número de partículas que o compõem. 

Se tudo é basicamente energia, a vida em si é energia, e se a vida é energia, a morte não a destrói, apenas transforma. Mas transforma em quê, exatamente? 

Um Universo infinito com um número finito de combinações possíveis de partículas sugere a existência de universos paralelos. Como a imensa quantidade de matéria do Universo gera uma força gravitacional igualmente imensa, capaz de curvá-lo até deixá-lo esférico, vivemos numa superfície tridimensional inserida em uma esfera 4D.  Assim como um avião que voa rumo ao oeste por tempo suficiente acaba retornando ao ponto de partida, um viajante cósmico que seguir em linha reta pelo espaço por tempo suficiente acaba voltando a seu ponto de origem. Mas isso é outra conversa; a questão que se coloca é a finitude da vida. 

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

A despeito do mensalão, Lula se reelegeu em 2006, fez sua sucessora em 2010 e deixou o Planalto nos píncaros da popularidade. Também em 2006, o “poste” que o xamã petista fez eleger para prefeitar a capital paulista foi fragorosamente derrotado pelo “outsider” João Dória logo no primeiro turno — algo inédito desde a redemocratização.

Lula respondeu a duas dúzias de processos e foi condenado em dois a penas que, somadas, perfizeram mais de 20 anos de cadeia, mas deixou sua cela VIP na PF de Curitiba depois de míseros 580 dias e, graças a Jair Bolsonaro — o pior mandatário desde Tomé de Souza —, foi “descoordenado”, reabilitado politicamente e eleito para um inusitado terceiro mandato. 

Ministro da Fazenda desde o início da terceira gestão de Lula, Haddad — um dos piores prefeitos que Sampa já amargou — deve deixar o comando da pasta em fevereiro para colaborar com a campanha à reeleição de seu amo e senhor.

Haddad não chega a ser uma Dilma, mas jamais será um Palocci. Ele ajudou a conceber uma âncora fiscal — que só existiu para efeito de propaganda — e passou os últimos três anos tentando dourar a pílula do déficit, reafirmando um compromisso de equilíbrio das contas públicas que Lula e os números tratavam de desmoralizar diariamente. 

Se o Lula do primeiro mandato ainda se preocupava em dar ao mercado e aos investidores a impressão de que trataria as contas públicas com seriedade, o Lula do terceiro mandato pisou no acelerador dos gastos sem qualquer pudor. “Não tem macroeconomia, não tem câmbio: se tiver dinheiro na mão do povo, está resolvido o nosso problema”, disse ele no final do ano passado.

Sob certos aspectos, o eterno bonifrate de Lula encerrará sua gestão como o ministro da Fazenda possível dentro de uma gestão petista com essas características. A despeito de seu esforço pela aprovação da reforma tributária sobre o consumo, Haddad foi incapaz de defender a segunda parte da reforma — que alteraria o Imposto de Renda —, sucumbindo aos imperativos populistas de Lula e protagonizando o constrangedor pronunciamento em rede de rádio e TV no qual foi obrigado a anunciar o plano eleitoreiro do presidente de isentar de IR quem ganha até R$ 5 mil. Foi talvez o ponto mais baixo de sua trajetória como ministro da Fazenda.

Vade retro! 

Viver para sempre é um sonho antigo. Os gregos acreditavam a água de um rio que nascia no Monte Olimpo tornava os homens imortais, mas não sobrou ninguém vivo para contar a história. Ponce de León partiu de Porto Rico em busca da lendária Fonte da Juventude, descobriu Flórida, mas morreu sem jamais encontrar o que perseguia. Graças à evolução da Ciência, nossa expectativa de vida, que era de 47,1 anos na década de 1950, aumentou para 73,4 anos em 2023, e deve alcançar 82,1 no final deste século. Ainda assim, a "lei" segundo a qual todo ser vivo nasce, cresce e morre ainda não foi revogada.
 
O gerontologista Aubrey de Grey afirma que o envelhecimento não é uma consequência biológica. Segundo ele, se a medicina se antecipasse aos danos celulares, seria possível vivermos por séculos sem os transtornos da velhice". Já o biogerontologista molecular João Pedro de Magalhães sustenta que a chave para a longevidade está na reescrita de nossos "softwares" genéticos. "Se conseguíssemos criar células resistentes ao câncer e imunes ao envelhecimento, nossa expectativa de vida aumentaria para mais de mil anos", diz ele. Mas parece que falar é mais fácil que fazer: a pessoa mais longeva da história — noves fora Matusalém, que, segundo a Bíblia, teria vivido 969 anos — foi a francesa Jeanne Calment, que morreu com 122 anos e 164 dias. 
 
Moisés anotou no Gênesis que Deus criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo. O arcebispo irlandês James Ussher foi mais além: em "The Annals of the World", ele cravou o início da obra divina pontualmente às 9h00 da manhã de 23 de outubro de 4004 a.C. Mas o que é a Bíblia senão um conjunto de mitos, lendas e tradições culturais transmitidos oralmente por várias gerações, até serem escritos em papiro, entre os séculos XV e XIII a.C.?
 
As narrativas que compõem o Gênesis não fornecem uma explicação científica ou histórica sobre o passado, mesmo porque os fatos não foram registrados em tempo real. Já a Ciência busca evidências, procura comprová-las por meio de experimentos e pode modificá-las à medida que novas descobertas surgem. Assim, dar por verdade absoluta o que diz a Bíblia é rejeitar todo o conhecimento que a Física, a Atronomia e a Biologia acumularam nos últimos séculos. 
 
Segundo o que as evidências científicas indicam, o Universo nasceu há 13,8 bilhões de anos, a partir de uma colossal liberação de energia e matéria. O gênero Homo surgiu há 2,5 milhões de anos, e o Homo Sapiens, há cerca de 300 mil anos. Não se trata de conjecturas, mas de estimativas baseadas em fósseis, datações radiométricas e estudos de ossos e crânios descobertos por arqueólogos e paleontólogos. Consequentemente, a fábula de Adão, Eva e a serpente tentadora não passa de mera cantiga para dormitar embalar bovinos. 
 
O risco de ignorar a Ciência fica evidente quando novas descobertas desafiam antigas crenças. Mesmo quando elas soam ousadas demais — como quando Copérnico deslocou o homem do centro do cosmos, Darwin refutou o criacionismo e Freud questionou a centralidade da mente humana sobre si mesma — a comprovação pode até tardar, mas raramente falha. Evidências são indícios que apontam para a ocorrência de fatos; fatos são os acontecimentos propriamente ditos; e provas são os meios usados para demonstrar que os fatos efetivamente ocorreram. 
 
Se uma evidência cientifica contradiz um "ensinamento" bíblico, a chance de erro é a mesma de uma árvore arrancar as raízes do solo e sair andando, mas há quem a rejeite "em nome da fé", embora o faça por cegueira mental. A questão é que ignorar os fatos não os torna menos verdadeiros. A realidade se impõe, gostemos dela ou não. Negar as evidências científicas para sustentar dogmas é como insistir que a Terra é plana enquanto se viaja de avião ao redor do globo.
 
Fé e religião costumam andar juntas, mas não se deve confundi-las. A fé é uma experiência subjetiva, uma crença íntima que pode existir independentemente de qualquer doutrina ou instituição. Já a religião envolve ritos, dogmas e uma estrutura organizacional. Muitas pessoas praticam uma religião por tradição familiar ou convenção social, enquanto outras cultivam uma fé pessoal sem seguir nenhuma religião.
 
Voltando à pergunta inicial, nosso nascimento marca o início de uma viagem rumo a um futuro que nunca chega — vivemos sempre no hoje, que é o amanhã de ontem e o ontem de amanhã. Não sabemos sequer se o tempo existe realmente ou se foi inventado para facilitar nossa compreensão do mundo. A única certeza que temos na vida é a da inevitabilidade da morte, mas se tudo se resume basicamente a energia, então a "vida" pode ser um estado organizado e consciente dessa energia, e a morte, a dissipação desse arranjo.
 
No nível físico, os restos mortais se reintegram ao ciclo da natureza — átomos que um dia foram parte de estrelas e, noutro, formaram um vivente, voltam à terra, ao ar, ao oceano. Mas o que acontece com a consciência? Será ela um fenômeno emergente da organização da matéria que a morte do corpo funde ao tecido do universo ou apaga como a chama de uma vela? A Física sugere que informação não se perde, apenas se redistribui, mas tentar entender isso é descobrir que, na prática, a realidade pode ser ainda mais maluca do que imaginamos. 
 
Talvez o aspecto mais fascinante da Ciência não seja as respostas que oferece, mas as perguntas que se descortinam a partir dessas respostas. A busca pelo conhecimento e a exploração de incógnitas abrem caminho para novas descobertas e levantam hipóteses que são testadas e discutidas, e a carência de respostas leva a novas pesquisas visando a uma compreensão mais profunda do Universo. Em suma, a Ciência é um processo contínuo e as perguntas são o motor que a impulsiona.
 
Se a vida é energia organizada de forma complexa, a questão central passa a ser o que define essa organização e o que acontece quando ela se desfaz. Se a energia nunca desaparece, apenas muda de forma, a morte não a extingue, apenas a redistribui na forma de energia térmica, química, ou mesmo eletromagnética. Mas e a consciência? Será que ela é um simples epifenômeno do cérebro, um efeito colateral da atividade neural, um software rodando no hardware do corpo? Se for assim, ela se apaga quando o cérebro morre e fim de papo. Mas se ela for um tipo de padrão energético que sobrevive à morte biológica, então temos um enigma cuja solução deve estar em algum ponto entre a Ciência e a especulação filosófica. 
 
Pode ser que, ao fim e ao cabo, nossa existência seja um tipo de fractal energético que se rearranja infinitamente, ou um flash temporário de organização dentro do caos cósmico, como uma faísca que brilha por um instante antes de se apagar. Algumas correntes da física teórica, como a interpretação da mecânica quântica por Roger Penrose e Stuart Hameroff, sugerem que a consciência pode estar ligada a processos quânticos nos microtúbulos das células cerebrais. 
 
Talvez a informação da consciência possa ser transferida de alguma forma, mas para onde ela iria? Se espalharia pelo universo como uma onda dissipada? Se conectaria a um "campo" maior de informação? E se a realidade que percebemos for apenas um efeito da maneira como interagimos com essas partículas fundamentais? Seria a morte apenas uma mudança na interface, após a qual a "energia consciente" continuaria existindo de outra forma? 

The answer, my friend, is blowing in the wind.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 65ª PARTE

QUEM QUER COLHER ROSAS DEVE SE PREPARAR PARA OS ESPINHOS. 

 

Vimos que o tempo não flui da mesma maneira para todos e que a possibilidade de não haver uma direção preferencial no mundo microscópico é real, embora nossa experiência cotidiana seja unidirecional. 


Ovos se quebram, mas não se reconstituem espontaneamente. Ainda que o conceito de tempo negativo seja uma realidade matemática e experimental no mundo quântico, há quem o veja como "desquebrar um ovo" — inverter a seta do tempo é fundamental quando se pretende saborear uma omelete de ovos de brontossauro com Fred Flintstone na pré-histórica Bedrock.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


O recente episódio envolvendo suposta interferência do ministro Alexandre de Moraes no caso do Banco Master, com direito a relatos de pressão sobre autoridades monetárias — incluindo o presidente do BC — e contrato com escritório de Advocacia ligado à esposa do magistrado, não pode ser tratado como mero ruído conjuntural do debate político-institucional nacional, sob pena de normalizarmos práticas que corroem silenciosamente o Estado Democrático de Direito.

Numa Democracia constitucional madura, o Direito não é instrumento de poder. Sua função primordial é limitar vontades, disciplinar competências e impedir que a autoridade pública, ainda que revestida das melhores intenções, ultrapasse os limites que a Constituição Federal impõe a todos nós.

Quando pressões institucionais ou atos judiciais passam a ser percebidos como extensões da vontade individual de um magistrado, o problema deixa de ser pessoal e passa a ser sistêmico. É neste contexto que se torna inadiável discutirmos a reforma do STF, mesmo porque o modelo atual dá poderes excessivos aos ministros relatores, sobretudo no controle da agenda e na prolação de decisões monocráticas com efeitos políticos, econômicos e sociais profundos. Soma-se a esta dinâmica o domínio estratégico da pauta de julgamentos, capaz de acelerar temas sensíveis ou, inversamente, mantê-los, indefinidamente, fora do debate do colegiado.

Uma Corte Constitucional não pode funcionar como a soma de vontades particulares dotadas de superpoderes. Sua legitimidade repousa na colegialidade real, no equilíbrio interno e na previsibilidade institucional. Quando um único ator passa a concentrar poder de pauta, de decisão e de projeção política, a balança dos Poderes da República se desequilibra — deflagrando, exatamente, o oposto que se espera do papel da Corte.

Há, ainda, um outro ponto sensível frequentemente ignorado: o STF não se submete aos controles administrativos do CNJ, o que torna indispensável a criação de um Código de Ética e de Disciplina, como bem sugerido pelo atual presidente da Corte, ministro Edson Fachin. 

Não se trata de fragilizar a independência judicial do País. Mas é indiscutível a necessidade de se implementar a lógica republicana do “controle dos controladores”. Na esteira popular, fica a pergunta: quem vigia o vigia?

Sem limites claros, transparentes e institucionalizados, o Judiciário brasileiro vai perdendo em escala vertiginosa seu principal ativo: o capital reputacional. E, sem confiança social, não há autoridade legítima - apenas decisões formalmente validadas, mas crescentemente contestadas e desacreditadas pela sociedade, pela Imprensa, nas ruas e nas redes.

Se deseja exercer seus amplos poderes com legitimidade plena, o STF precisa aceitar que também deve ser objeto de controle. Não se trata de uma ameaça à Democracia, mas, sim, uma condição para preservá-la.

 

Mais de 5.000 anos separam a invenção da roda da descoberta da eletricidade como a conhecemos, mas bastaram 500 anos para a viagem que Cabral fez por mar em 44 dias ser feita por ar em menos de três horas (pelo Concorde, que foi aposentado em 2003 por questões de segurança). 


Apesar de ter evoluído mais, nos últimos 150 anos, do que da descoberta do fogo até a revolução industrial, nossa tecnologia ainda não permitiu a construção de naves capazes de alcançar velocidades próximas à da luz, de modo que o fruto mais cobiçado da árvore da relatividade continua inalcançável. Mas Albert Einstein não disse que o impossível é apenas uma questão de tempo; Carl Sagan, que a ausência de evidências não é evidência de ausência, e Arthur C. Clarke, que desafiar limites é a única maneira de superá-los?

 

Como também já foi mencionado, a ciência sabe muito, mas não sabe tudo. A teoria do Big Bang sustenta que o Universo surgiu há cerca de 13,8 bilhões de anos, a partir da expansão súbita e violenta de um ponto sem volume (singularidade), extremamente quente e denso, mas não esclarece o que existia anteriormente (a propósito, Stephen Hawking disse que especular sobre o que havia antes do Big Bang é como querer saber o que existe ao norte do Polo Norte).

 

Segundo as religiões abraâmicas, o mundo — e tudo que nele existe — foi criado em seis dias. No livro The Annals of the World, o arcebispo irlandês James Ussher anotou que o Criador iniciou os trabalhos às 9h00 do dia 23 de outubro de 4004 a.C. Já a ciência estima que a Terra tem 4,5 bilhões de anos, que os primatas surgiram entre 64 e 65 milhões de anos atrás, os primeiros hominídeos, há cerca de 20 milhões de anos e o Homo sapiens, há coisa de 300 mil anos.

 

Segundo a Bíblia, Moisés escreveu o Gênesis e os demais livros do Pentateuco enquanto guiava o povo hebreu rumo à terra que Jeová prometera a Abraão e seus descendentes. Embora dominasse os segredos das águas (seu cajado não só abriu o Mar Vermelho como tirou água de uma pedra), ele só chegou a Canaã após passar 40 anos caminhando pelo deserto do Sinai. A alturas tantas, em vez de falar com uma rocha para que brotasse água — como Deus o havia instruído a fazer —, Moisés bateu na rocha com seu cajado e atribuiu a si mesmo o milagre (Números 20 e Deuteronômio 32). Como castigo, o Deus rancoroso e vingativo do A.T. proibiu-o de entrar na "terra prometida", e ele morreu no monte Nebo, aos 120 anos.

 

Ainda não se sabe se o tempo realmente existe ou se é apenas uma convenção criada por nossos ancestrais para explicar padrões no ciclo do dia e da noite, nas fases da Lua e nas mudanças das estações. No livro Tempo: O sonho de matar Chronos, o físico italiano Guido Tonelli — um dos pais da descoberta do bóson de Higgs — explica como nos relacionamos com o tempo ao longo dos milênios e afirma que não se trata de um conceito abstrato, mas de uma substância material que ocupa todo o universo e se deforma, vibra, oscila. Para oferecer respostas a perguntas como "o tempo flui?", "como a gravidade o retarda?" e "como os buracos negros podem pará-lo?", ele usa não apenas a física, a astronomia e a matemática, mas também a literatura e a mitologia, numa viagem por mundos dominados por efeitos relativistas, onde há um futuro que chega antes do passado.

 

Observação: Julian Barbour — professor de física na Universidade de Oxford (UK) — propõe "um universo sem passado ou futuro, onde o tempo é uma ilusão e todos são imortais". Segundo ele, o tempo não flui; existem apenas diferentes configurações do universo (que ele chama de "agoras"). O físico italiano Carlo Rovelli — um dos fundadores da chamada gravidade quântica em loop — sustenta que o tempo é uma ilusão que emerge das interações quânticas fundamentais. O matemático britânico J.M.E. McTaggart usou um baralho e o pensamento lógico para provar que o tempo não passa de uma ilusão, e que nossa percepção de passado e futuro é apenas uma questão de perspectiva. Mas isso é outra conversa e fica para uma outra vez.

 

Controvérsias à parte, tudo leva a crer que os anos bíblicos fossem bem mais curtos do que os atuais. Matusalém morreu aos 969 anos, e Noé construiu sua famosa arca aos 600. Talvez a proximidade ou o contato direto com o Senhor das Esferas explique tamanha longevidade, mas é preciso ter em mente que a Bíblia é uma coletânea de lendas e tradições culturais transmitidas oralmente por várias gerações, e que a história narrada no Livro do Êxodo é apenas uma delas.

 

Tomando por verdadeira a narrativa bíblica, a saga de Moisés ocorreu entre 1500 e 1200 a.C. Naquela época, doenças, ferimentos e condições adversas — como a escassez de água — limitavam a expectativa de vida a algo entre 30 e 40 anos. Assim, seria virtualmente impossível que centenas de milhares de pessoas (como sugere a Bíblia) sobrevivessem a 40 anos de caminhada pelo deserto, e altamente improvável que seu líder vivesse 120 anos.

 

A expectativa de vida era de 25 a 35 anos no Antigo Egito, na Grécia Clássica e na Roma Antiga, de 30 a 40 na Europa Medieval (podendo ser menor em períodos de fome ou peste), de 35 a 45 no final do século XVIII, e de 40 a 50 no início do século XX. Graças aos avanços da medicina, as pessoas passaram a viver mais — entre 65 e 70 anos na década de 1950 e entre 75 e 80 na virada do século. Em 2025, aos 116 anos, brasileira Inah Canabarro Lucas foi reconhecida como a pessoa mais velha do mundo. Aliás, a expectativa de vida no Brasil saltou de 48 anos em 1960 para 76 em 2023.

 

E pensar que, mesmo depois de milênios de evolução, ainda há quem leve a Bíblia ao pé da letra. Se o tempo é mesmo uma ilusão, talvez Matusalém apenas viveu fora do fuso. Já Moisés... bem, esse merece um capítulo especial. Fato é que a ciência avança, a tecnologia evolui, a ainda assim tropeçamos em velhas crenças com novas roupas. Enfim, entre versões, visões e revisões, seguimos tentando decifrar o tempo — mesmo que ele não exista. 

 

Continua... 

quinta-feira, 19 de junho de 2025

DO GÊNESIS A MARTE — HUMANOS OU MARTIANUS?

E AQUELES QUE FORAM VISTOS DANÇANDO FORAM JULGADOS INSANOS POR AQUELES QUE NÃO CONSEGUIAM OUVIR A MÚSICA.

Consta que Moisés escreveu o Gênesis (primeiro livro do Velho Testamento) no final do século VIII a.C., enquanto guiava o povo hebreu na busca pela terra que Jeová prometera a Abraão e seus descendentes. Embora dominasse os segredos das águas (pois não só abriu o Mar Vermelho como tirou água de uma pedra com seu cajado), o autor do Pentateuco só chegou (se é que chegou) a Canaã após caminhar durante 40 anos pelo deserto do Sinai. Sem falar que o conceito de "terra prometida" só faria sentido quase 3 mil anos depois, com a criação do Estado de Israel


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Einstein teria dito que duas coisas são infinitas: o Universo e a estupidez humana. Se ainda caminhasse entre os viventes, ele certamente incluiria na lista a insanidade do governo Lula no afã de obter mais dinheiro e continuar a farra irresponsável de ações supostamente sociais. Diante do insucesso do aumento do IOF, Haddad partiu para a elevação de impostos e a tributação de investimentos como as Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio. 

Para o governo, o que importa é a satisfação de seus próprios interesses, ainda que isso implique sacrificar o crescimento do Brasil. E como Lula e o PT vêm levando uma surra — merecida — nas redes sociais, já que o governo é ruim, tem um ministro da Fazenda apelidado de "Taxxad", é irresponsável por não cumprir as metas fiscais e ainda rouba dos aposentados e pensionistas do INSS, a palavra de ordem passou a ser: regular as redes sociais. A exemplo do general Costa e Silva (27.º presidente do Brasil e segundo da ditadura militar), que dizia preferir “elogios construtivos” a críticas construtivas, Lula não gosta de críticas — e tampouco da imprensa, mas aí o sentimento parece ser mútuo.

Bolsonaro, por sua vez, prestou depoimento ao STF vestido em pele de cordeiro, e se esforçou para não piorar sua situação jurídica com confrontos como os que alimentaram sua persona política. Resta saber se seus apoiadores o verão como um homem prudente, premido pelas circunstâncias, ou como um valente de fancaria — que já havia se recolhido ao silêncio, corrido para fora do país depois da derrota e que agora chama de "malucos e pobres coitados" os que o defendiam na porta dos quartéis. A triste figura modulada na arte do possível com a qual o "mito" se apresentou no tribunal não se coaduna com o arquétipo do rebelde incivilizado cultivado por ele durante anos e que tantos adeptos conquistou. 

Já seu primogênito — celebrizado pelas rachadinhas, pelas mansões milionárias e pelos panetones com toque de Midas — exibe sinais de esgotamento da estratégia de manutenção fictícia da candidatura do pai, como ficou claro em entrevista em que prega que o eventual representante da extrema-direita que se eleger em 2026 conceda um indulto que ele considera difícil de passar pelo crivo das togas sem o "uso da força". Na visão do filho, a solução para evitar tumultos e risco de rupturas seria a concessão de anistia ampla como "saída honrosa" para o pai, para "Xandão" — por presumido abuso de autoridade — e para o Congresso — "por ter deixado de defender institucionalmente parlamentares". Ao reconhecer que ninguém vai encarnar o candidato disposto a fazer isso, zero um vende terrenos na Lua mediante métodos hostis à realidade madrasta. 

Mas não é só: ao longo das investigações sobre a espionagem ilegal realizada por servidores da Abin, a PF identificou uma conversa na qual o deputado Alexandre Ramagem, ex-diretor do órgão, e Jair Bolsonaro discutiram supostas irregularidades cometidas por auditores da Receita Federal na elaboração de um relatório de inteligência fiscal que originou um inquérito que teve o primogênito do "mito" entre os alvos. Durante a gravação, Ramagem afirmou que "seria preciso instaurar um procedimento administrativo para anular a investigação e retirar alguns auditores de seus cargos". 

O relatório da PF aponta ainda que integrantes da chamada "Abin paralela" tentaram levantar "podres e relações políticas" dos auditores da Receita. Ramagem e Bolsonaro foram indiciados na última terça-feira. Em ocasiões anteriores, eles negaram a existência de estrutura paralelas na agência e a participação em espionagens ilegais. 

Segundo o Gênesis, o mundo e tudo o que nele existe foi criado em seis dias. Com base na cronologia mencionada nos "textos sagrados", os criacionistas sustentam que a criação teve início em 3761 a.C. O arcebispo irlandês James Ussher foi ainda mais preciso: em The Annals of the World (1658) ele registrou que a obra divina começou pontualmente às 9 horas de 23 de outubro de 4004 a.C., que todas as espécies surgiram ao longo de seis dias subsequentes e jamais sofreram qualquer alteração.  

De acordo com o modelo cosmológico atual, o Big Bang deu início ao Universo há 13,78 bilhões de anos, e nosso sistema solar foi criado há 5 bilhões de anos. A Terra surgiu há 4,5 bilhões de anos, e o Homo sapiens evoluiu do Homo erectus há cerca de 300 mil anos. Mas isso tudo diz respeito ao passado. A pergunta que se coloca é: se um dia colonizarmos outros mundos — como Marte, que fica logo ali, a 225 milhões de quilômetros —, continuaremos sendo Homo sapiens ou estaremos plantando a semente do Homo martianus?

 

O corpo humano foi moldado pelas condições terrestres — gravidade estável, atmosfera rica em oxigênio, água líquida e proteção contra radiações — e cada detalhe de sua biologia funciona em sintonia com esse ambiente. Se a ideia de colonizar Marte se tornar realidade, os seres humanos que habitarão o planeta precisarão de bem mais que uma base com comida, ar e abrigo.

 

A questão mais complexa é como o corpo humano reagiria — e evoluiria — num ambiente com 1/3 da gravidade terrestre, atmosfera rarefeita (composta quase inteiramente por dióxido de carbono) e superfície constantemente bombardeada por radiação cósmica e solar. Mesmo com trajes espaciais e abrigos subterrâneos, seria uma luta diária para sobreviver. Ainda assim, alguns cientistas acreditam que os humanos poderiam se adaptar.

 

Em entrevista ao site IFLScience, o professor de biociência Scott Solomon explicou que viver no planeta vermelho por várias gerações resultaria em mudanças no corpo, nos genes e na aparência dos colonos — mudanças essas que, com o tempo, poderiam ser tão significativas que os marcianos humanos deixariam de ser Homo sapiens e se tornariam "Homo martianus".

 

Na Terra, estamos protegidos da radiação solar e cósmica por uma atmosfera espessa e um campo magnético que não existem em Marte, e a exposição contínua a altos níveis de radiação pode causar mutações no DNA. Vale destacar que essas mudanças podem não ser necessariamente prejudiciais, já que mutações são a base do processo de seleção natural que permite às espécies se adaptarem ao ambiente ao longo do tempo. Em Marte, a taxa de mutação genética mais alta aumentaria a diversidade dentro da população de colonos, acelerando o processo evolutivo. Além disso, doenças como o câncer podem se tornar mais comuns por causa da radiação, mas também podem pressionar o corpo a desenvolver defesas mais eficientes ao longo das gerações.

 

Outra possível mudança evolutiva tem a ver com a cor da pele. Um tipo específico de melanina oferece proteção maior contra os danos causados pela radiação ultravioleta, mas também deixa a pele mais escura. Com o tempo, a seleção natural favoreceria pessoas com mais eumelanina — ou com pigmentos novos, com cores e funções diferentes das que conhecemos na Terra. Assim, é possível que os "homenzinhos verdes" da ficção científica surjam por meio da evolução real. No entanto, a evolução é um processo lento, e gerar uma nova espécie num ambiente tão diferente quanto o do planeta vermelho pode levar milhares de anos.


Vale destacar que a vida fora da Terra impõe desafios sociais e éticos. Os humanos que nascerem e crescerem em Marte suportariam a gravidade terrestre ou seriam tão diferentes que não se adaptariam mais ao planetinha azul? Além disso, diferenças físicas, genéticas e até mesmo culturais poderiam dividir a humanidade em dois grupos, ensejando discussões sobre inclusão, direitos e até sobre o que significa ser humano.

 

Com a ciência e a tecnologia avançando rapidamente, a ideia de pessoas vivendo em Marte deixou de ser mera ficção científica. Se ela se confirmar, talvez o futuro nos apresente uma nova espécie nascida entre as estrelas. Enfim, quem viver verá.