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domingo, 22 de março de 2026

PANELA DE PRESSÃO E RECEITA DE CARNE LOUCA

GAIVOTAS EM TERRA, TEMPESTADE NO MAR.

A panela de pressão — um dos utensílios mais práticos e revolucionários da cozinha moderna — foi idealizada em 1679 pelo físico e matemático francês Denis Papin, que buscava uma maneira de gastar menos lenha e acelerar o cozimento de carnes e outros alimentos duros.

A ideia era elevar o ponto de ebulição da água acima de 100 °C e aproveitar o vapor em alta pressão. O modelo de ferro fundido foi apresentado em 1681 à Royal Society de Londres, mas era pesado, caro e sujeito a explosões, de modo que o conceito só ressurgiu com força no início do século XX, quando versões de alumínio e válvulas de segurança mais confiáveis se popularizaram. 

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Não há organizações criminosas no país do futuro que nunca chega porque tem um imenso passado pela frente. O Brasil se tornou uma organização criminosa de dimensões continentais.
Como se disputassem quem presta mais desserviços aos contribuintes, o Legislativo e o Executivo andam às turras. Mas o motivo é o avanço das investigações sobre o Caso Master, que fazem lembrar a canção Reunião de Bacana, cujo estribilho é: "se gritar pega ladrão, não fica um…"
Vorcaro assinou um acordo de confidencialidade e foi transferido da Papudinha para a Superintendência da PF no DF. As informações que ele deve revelar em seu acordo de delação premiada vêm aumentando a tensão entre os parlamentares (com destaque para os expoentes do Centrão).
Para tentar baixar a fervura entre os senadores, Davi Alcolumbre não deve instalar uma CPI para investigar o Master — na verdade, ele chegou mesmo a pressionar as duas comissões já instaladas para tentar frear a ofensiva e atribuir a Lula responsabilidade pela investigação feita pela PF. 
Um dia antes de a PF deflagrar uma operação no Amapá — que é governado por Clécio Luís, aliado de Alcolumbre, e tem ex-tesoureiro da campanha do senador como diretor da Amprev e alvo da operação no mês passado — Lula falou da importância de investigar os investimentos feitos no Master por fundos de previdência do Amapá e do Rio de Janeiro. 
Candidatíssimo ao quarto mandato a despeito da queda de popularidade, o molusco move montanhas para evitar que o mau humor dos parlamentares contamine o restante da pauta, como a PEC da Segurança Pública e indicações para cargos-chave. Os vazamentos referentes ao caso Master são ruins e prejudicam sua relação com a classe política, mas ele não tem ingerência sobre a PF, que costuma atuar de maneira autônoma. 
Boatos sobre um armistício entre Lula e Alcolumbre vêm circulando desde o final do ano passado — para o senador, é mais interessante manter o petista por perto e tentar conter danos, já que o apoio do PT é imprescindível para sua reeleição. O problema é que, sem uma repactuação, o Congresso não votará nada de interesse do governo ou, pior, imporá derrotas à agenda do Executivo. 
Na expectativa do tsunami que está por vir, interessa mais aos políticos corporativistas, fisiologistas, clientelistas, venais e sujos como pau de galinheiro blindarem-se uns aos outros e seguir de mãos dadas nessa ciranda da corrupção.

Introduzida no Brasil pela empresa paulista Panex em 1948, a panela de pressão se tornou sinônimo de rapidez no preparo de alimentos como feijão, carnes e grãos mais duros. No entanto, o receio de vazamentos — e até explosões — sempre preocupou — ou mesmo afugentou — os usuários. Daí a popularização da versão elétrica, que oferece mais controle e, sobretudo, segurança, pois permite ajustar automaticamente a pressão e a temperatura do cozimento.

Atualmente, as panelas de pressão convencionais e as versões elétricas de última geração disputam espaço nas cozinhas, mas o princípio físico é essencialmente o mesmo de mais de 300 anos atrás: vapor confinado aumentando a temperatura e reduzindo o tempo de cozimento em até um terço. Quando bem utilizadas, ambas as versões transformam alimentos duros, que exigem cozimento prolongado — como carne de panela, rabada, frango caipira, acém e músculo — em pratos macios e suculentos.

As panelas elétricas custam mais caro, mas o investimento compensa: modelos multiuso permitem refogar, fritar, cozinhar no vapor e até manter os alimentos aquecidos na temperatura ideal para consumo, enquanto sensores inteligentes de pressão e temperatura monitoram o cozimento em tempo real e o interrompem em caso de falhas, eliminando o risco de explosões. Sem falar que elas permitem cozinhar com pouco ou nenhum óleo e oferecem a função de preparo a vapor, além de contarem com revestimento interno antiaderente, que facilita a limpeza. 

Com a panela convencional, o custo varia conforme o tempo de chama acesa e a eficiência do fogão, enquanto o impacto da panela elétrica na conta de energia depende do tempo de uso ao longo do mês. Em preparos longos, a versão elétrica é mais vantajosa, pois mantém a pressão estável sem fogo alto. Por outro lado, se combinada com um fogão potente, a versão convencional atinge pressão rapidamente e reduz o uso de gás, tornando-se mais vantajosa em regiões onde a energia elétrica é mais cara que o GLP.

Observação: Para priorizar a segurança, deixe a pressão sair naturalmente. Se necessário, apresse o processo erguendo cuidadosamente o pino da válvula principal com um garfo (no caso da panela convencional). Jamais coloque a panela diretamente sob água fria nem ultrapasse o tempo ideal de cozimento, sob pena de deixar a carne gelatinosa (isso vale para ambas as tecnologias).

Há quem ainda faça como as nossas bisavós, que temperava a carne, douravam-na num refogado à base de alho e cebola, acrescentavam extrato de tomate, louro e outros temperos, juntavam água quente suficiente para cobrir metade da carne, tampavam a panela (sem pressão) e cozinhavam em fogo baixo por horas a fio, adicionando mais água quente quando necessário, de modo a deixar a carne macia e suculenta, mas não seca e esturricada.

Para encerrar, segue uma receita de carne louca, que é típica das festas juninas, mas funciona bem como lanche no dia a dia. A escolha da carne fica a gosto do freguês, mas eu recomendo coxão duro ou lagarto, que são mais indicados por serem serem fibrosos. Você vai precisar de:

— 1 kg de coxão duro ou lagarto, limpo de nervos e gorduras, cortado em cubos de cerca de 3 cm; 

— 1/2 xícara (120 ml) de vinho branco; — 2 cebolas grandes cortadas em fatias finas; — 2 dentes de alho picadinhos; 

— 1/2 pimentão verde sem sementes, em tirinhas finas; 

— 1/2 pimentão amarelo sem sementes, em tirinhas finas; 

— 1/2 pimentão vermelho sem sementes, em tirinhas finas; 

— 4 tomates maduros sem sementes, em cubinhos; 

— 1/2 xícara de azeitonas verdes em lascas; 

— 1 maço de cheiro-verde (salsinha e cebolinha), folhas de louro, orégano fresco (ou tomilho), sal e pimenta-do-reino a gosto; 

— Óleo de girassol e azeite extravirgem.

Aqueça bem a panela de pressão, regue o fundo com um fio de azeite, doure a carne de todos os lados em fogo alto, tempere com sal e pimenta, transfira para uma travessa e reserve. Despeje o vinho na panela e mexa com uma colher de pau (ou de silicone) para soltar os grudadinhos do fundo. Deixe ferver por 1 minuto e despeje esse líquido sobre a carne reservada.

Acrescente mais um fio de azeite na panela e refogue a cebola, o alho e os pimentões. Acerte o ponto do sal  e deixe cozinhar por cerca de 5 minutos, até murchar. Junte o tomate,  misture bem e volte com a carne e todo o caldo para a panela. 

Faça um amarrado de ervas com o louro, a salsinha, a cebolinha e o orégano, coloque-o na panela, cubra com água até cobrir totalmente a carne, acrescente 2 colheres (chá) de sal e 1 de pimenta-do-reino e tampe. Quando a válvula começar a liberar vapor, baixe o fogo, cozinhe por aproximadamente 1 hora, desligue, espere a pressão sair completamente e abra a panela. Se a carne ainda não estiver se desfazendo, recoloque a tampa e leve a panela de volta ao fogo por mais 15 minutos, testando depois (e adicionando um pouco de água quente, se necessário).

Quando a carne estiver "no ponto", desligue o fogo, descarte o amarrado de ervas, deixe amornar por cerca de 5 minutos, desfie — eliminando eventuais pedaços de gordura ou peles mais grossas que não se desmancharam —, volte a panela ao fogo alto e deixe cozinhar por mais 10 minutos ou até o excesso de líquido evaporar e o molho encorpar.

Acerte o sal e a pimenta, junte o restante das ervas picadas e as azeitonas, desligue o fogo, deixe amornar por 30 minutos, transfira para uma travessa, cubra com filme plástico, leve à geladeira por aproximadamente 6 horas. Monte os sanduíches apenas na hora de servir.

ObservaçãoNa panela elétrica, sele a carne com o azeite, o alho e a cebola na função "Refogar", adicione molho de tomate e os demais ingredientes e temperos, acrescente um pouco de água, cozinhe na pressão por 40-60 minutos, desfie e misture o molho restante antes de servir no pão. 

Bom apetite.

quarta-feira, 18 de março de 2026

MAIS SEGURANÇA NO WHATSAPP

EM RIO QUE TEM PIRANHA, JACARÉ NADA DE COSTAS.

A Meta anunciou recentemente um novo recurso de cibersegurança voltado a perfis que demandam uma camada extra de proteção que adiciona um conjunto de configurações rigorosas de conta, voltado especialmente a usuários que podem se tornar alvos de “ataques cibernéticos raros e altamente sofisticados”.

O Android também deve receber em breve um mecanismo semelhante, capaz de indicar se o smartphone foi comprometido por técnicas avançadas de espionagem digital e, em resposta, elevar automaticamente o perfil do usuário ao nível máximo de restrição. Uma vez que essa blindagem pode impor limitações no uso do mensageiro e até reduzir a qualidade das chamadas, o recurso virá desativado por padrão e só entrará em ação mediante ativação manual.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Dá-se de barato que Vorcaro está considerando a possibilidade de uma delação para se proteger e a familiares do avanço da investigação — lembrando que seu cunhado Fabiano Zettel está preso e que seu pai foi citado pela PF por ocultar R$ 2,2 bilhões de vítimas do Master em seu nome na gestora Reag.
O ministro André Mendonça autorizou que a conversa do ex-banqueiro com seu advogado não seja gravada, o que facilita as tratativas para uma eventual delação. Mas a PF afirma que não pretende celebrar um acordo para reduzir a pena do banqueiro se ele não tiver elementos novos para entregar.
No Congresso, argumenta-se que os crimes cometidos por Vorcaro foram cometidos antes de sua primeira prisão e, portanto, não justificam sua permanência em regime fechado, mas isso não passa de uma tentativa de autopreservação, já que a próxima fase da operação Compliance Zero tem como foco a compra de apoio de Vorcaro no Congresso Nacional, sobretudo de parlamentares do Centrão.
Mais de 50% dos brasileiros desconfiam de partidos políticos, e o índice dos que não confiam no STF chega a 43% — maior taxa desde o início da série. Para 79%, os ministros não poderiam julgar causas que envolvam clientes de parentes.
Edson Fachin e Cármen Lúcia são os únicos membros da Corte que defendem a criação de um Código de Ética. Tanto eles quanto Cristiano Zanin afirmam que não cobram cachê por participação em palestras e seminários, e são os únicos que costumam divulgar diariamente seus compromissos de agenda no site do STF.
O decano Gilmar Mendes — um dos maiores opositores à implantação da medida — alegou que “observa todas as normas éticas da magistratura e não recebe quaisquer benefícios ou vantagens que possam comprometer sua independência funcional”, mas se recusou a informar os valores dos cachês. André Mendonça limitou-se a dizer que “não há exigência legal para divulgação dos compromissos dos ministros do Supremo” e que não “existe regra interna prevista no regimento” nesse sentido. O gabinete de Toffoli respondeu que “os dados referentes a palestras estão disponíveis e podem ser consultados no site do STF” – mas o Maquiavel de Marília não cultiva o hábito de divulgar sua agenda de compromissos na página da Corte. Já os ministros Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e Flávio Dino não responderam.
A maior resistência ao Código de Ética é justamente a divulgação dos cachês recebidos pelos magistrados ao participar de palestras, seminários e fóruns jurídicos no Brasil e no exterior. Todos os anos, o IDP, instituto ligado a Gilmar, organiza o “Gilmarpalooza”, em Lisboa, reunindo empresários, políticos e ministros na capital portuguesa numa programação oficial marcada por painéis de discussão – e uma agenda paralela de eventos marcados por lobby e jantares em terraços de hotéis longe dos olhos da opinião pública. Na edição de 2024, Alexandre de Moraes chegou a dizer que “não há a mínima necessidade” de um Código de Ética, “porque os ministros do Supremo já se pautam pela conduta ética que a Constituição determina”.
A discussão ganhou novo fôlego em meio aos desdobramentos das investigações em torno do Banco Master, que abalou a imagem do STF e arrastou Toffoli para centro da polêmica, já que sua atuação como relator foi marcada por decisões esdrúxulas e embates com a PF que resultaram no seu afastamento do caso.

Entre outras medidas adotadas nesse modo de segurança reforçada, os anexos e mídias só poderão ser enviados por contatos salvos; somente contatos poderão adicionar alguém a um grupo ou realizar chamadas; os links virão previamente desabilitados; a verificação em duas etapas com PIN será obrigatória; e por aí segue a procissão.

Para ativar a segurança aprimorada do WhatsApp, acesse Configurações > Privacidade > Configurações avançadas > Configurações rigorosas da conta e habilite o recurso. Note que os mecanismos básicos de proteção do mensageiro — como a criptografia de ponta-a-ponta — continuarão válidos para todos os usuários, e  que o app  já vem empregando a linguagem de programação Rust, conhecida por reduzir falhas críticas de segurança, como forma adicional de proteger fotos, vídeos e mensagens contra spyware e outras ameaças digitais.

Em tempos de golpes cada vez mais criativos, a lógica é simples: conveniência é ótima — até o dia em que vira porta aberta. E, como ensina a sabedoria popular, em rio infestado de predadores, confiança excessiva costuma virar estatística.

Como diziam os antigos, seguro morreu de velho.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

ACABOU MAIS UM CARNAVAL

O SOL QUE DESPONTA TEM QUE ANOITECER.

Tecnicamente, o Carnaval termina hoje, mas, dependendo da cidade onde se está e de com quem se fala, a folia começou bem antes da última sexta-feira e — como algumas ressacas-mãe — vai até daqui a alguns dias.


Coisas do Brasil, onde o ano só começa de fato após o Rei Momo — personagem da mitologia grega que originalmente representava a ironia e o sarcasmo, mas que foi adaptado pelos foliões e transformado num dos principais símbolos do Carnaval — devolver a coroa e o cetro para o presidente de plantão.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Nada de autocontenção ou de autocorreção. Para blindar Toffoli, o Supremo fez opção preferencial pela autocombustão. Os ministros rodaram as togas contra a PF e atribuíram a Toffoli (quem mais?) a perfídia do vazamento das conversas mantidas a portas fechadas.

Juiz lendário da Suprema Corte dos Estados Unidos, Louis Brandeis ensinou que a luz do Sol é o melhor detergente. E alguma coisa está muito errada quando ministros supremos se aborrecem mais com a claridade do que com o escuro.

Nunes Marques desqualificou o relatório em que a PF expôs as relações promíscuas entre Toffoli e Vorcaro. Gilmar afirmou que a corporação "quis revidar", pois ficou abespinhada com decisões tomadas por Toffoli como relator do caso Master. Atribuiu-se a Moraes, sem aspas, a avaliação segundo a qual os agentes tiveram um comportamento sujo ao investigar Toffoli. O próprio Toffoli considerou o relatório nulo, e foi seguido por Zanin. Fux e Mendonça levaram a mão ao fogo pelo colega. Em suma, ficou entendido que, para a maioria dos magistrados, a palavra da PF é um "nada", um "lixo", um "revide", "tudo nulo".

Fachin precisa submeter o relatório da PF ao teste da luz do Sol — senão por dever institucional, ao menos por piedade dos brasileiros. Quem financia a bilheteria pagando os salários dos magistrados tem o direito de conhecer o enredo ensaiado nos bastidores do picadeiro.

Antes da chegada do relatório às mãos do presidente da Corte, Toffoli perambulava pelo noticiário seminu. Ao assumir o controle, impôs sigilo absoluto às investigações e imiscuiu-se no trabalho dos procuradores. Depois que a PF entregou o documento, migrou dos fundões do seu gabinete para a vitrine, e ficou com os glúteos à mostra para quem passa defronte da fachada do STF.

A estátua de Themis — aquela senhora de pedra que guarda a entrada do prédio — não vê nem ouve, mas os ministros que frequentam o plenário dentro da Corte não deveriam fechar os olhos e os ouvidos para as emboscadas da sorte.

Os fatos não deixam de existir porque os ministros os ignoram. Constrangido pelas relações esmiuçadas pela PF, Toffoli foi compelido a admitir que é sócio da empresa Maridt e que vendeu uma participação no resort Tayayá para o fundo Arleen, cujo gestor é o pastor Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Vorcaro.

Toffoli alegou que as cotas de sua empresa no resort foram transferidas para a pirâmide do Master em 2021, mas não explicou por que a PF encontrou no celular de Vorcaro mensagens de maio de 2024 cobrando de Zettel pagamentos pendentes da transação do Tayayá. Numa delas, Vorcaro revela-se irritado com a demora nos pagamentos ao resort: "Cara, me deu um puta problema. Onde tá a grana?". E Zettel: "No fundo dono do Tayayá. Transfiro as cotas dele". Vorcaro pede esclarecimentos sobre o montante e Zettel expõe as cifras: "Pagamos 20 milhões lá atrás. Agora mais 15 milhões."

Quer dizer: Toffoli tem 35 milhões de razões para fugir e uma investigação criminal esboçada no relatório da PF como incontornável, mas o STF lhe ofereceu blindagem na reunião secreta de quinta-feira. Entre uma pancada e outra na PF, fabricou-se nesse encontro uma saída, "a pedido", da relatoria. A pantomima foi ornamentada com um comunicado oficial muito parecido com um escudo, no qual suas excelências descartaram a suspeição e, numa demonstração de apoio ao colega, enalteceram os "altos interesses institucionais" e a "dignidade do eminente magistrado". Todo brasileiro ficou desobrigado de fazer sentido depois da divulgação desse informe.

Tomado pela coreografia, o STF finge que o óbvio não é óbvio e desconsidera a hipótese de autorizar a PF a investigar Toffoli. Os ministros parecem ignorar que, na época em que as palavras ainda tinham algum significado, a "dignidade" que atribuem a Toffoli era uma expressão comparável à virgindade. Perdeu está perdida. Não dá segunda safra.


Para os católicos, a Quarta-feira de Cinzas marca o início da Quaresma. O Carnaval ocorre exatamente 47 dias antes da Páscoa, que é uma data móvel — celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia que ocorre depois do equinócio de primavera no Hemisfério Norte —, daí o Carnaval mudar de dia a cada ano, mas situando-se sempre entre 4 de fevereiro e 9 de março. 


A missa das cinzas — tradição que foi seguida religiosamente (sem trocadilho) até meados do século passado — ainda é prestigiada pelas indefectíveis beatas e uns poucos católicos tradicionalistas (ao menos nos grandes centros urbanos). No ritual em questão, as cinzas produzidas pela queima dos ramos de palmeiras ou oliveiras e abençoados no Domingo de Ramos do ano anterior são misturadas com água benta e usadas pelo padre ou celebrante para “desenhar” uma cruz na fronte dos fiéis, que são convidados a refletir sobre o dever da conversão e a fragilidade da vida humana. 


Interessa dizer que o Carnaval é a época em que as pessoas mais esquecem objetos em táxis e em veículos de transporte por aplicativo. Também nessa época os furtos e roubos de smartphones crescem assustadoramente devido às inevitáveis aglomerações e ao hábito dos sem-noção de fazer ou atender ligações e, principalmente, de tirar selfies com seus aparelhos sem adotar as devidas precauções.


Seguros para smartphones não são exatamente uma novidade, mas algumas empresas vêm oferecendo modalidades mais flexíveis, com cobertura por prazos curtos. Muitas não cobram multas por rescisão antecipada do contrato, não estipularem carência nem franquia para o reembolso e não criam empecilhos na hora de indenizar as vítimas de furtos simples (prejuízo que a maioria das seguradoras não costuma cobrir). Além disso, o reembolso costuma ser feito num prazo bem menor que o limite estabelecido pela SUSEP.


Observação: Da mesma forma que cada pessoa possui um número de CPF, cada celular é identificado individualmente pelo IMEI, que vem impresso na carcaça do aparelho (nos modelos em que a bateria é removível ele costuma ficar sob a dita-cuja) e na embalagem original. Esse número consta obrigatoriamente da nota fiscal de compra e pode ser visualizado no display do próprio aparelho — basta teclar o comando *#06#.


Levantamentos divulgados por secretarias de segurança pública mostram que, apenas durante os dias oficiais da festa, milhares de aparelhos mudam de dono sem cerimônia, sobretudo em blocos de rua, desfiles e grandes concentrações. Assim, se seu aparelho for furtado ou roubado, registre um boletim de ocorrência — o que pode ser feito também pelas delegacias eletrônicas — e bloqueie o aparelho junto à operadora usando o número de IMEI, de modo a impedir sua reutilização com outro chip. 


Vale também recorrer aos serviços de localização e bloqueio remoto — oferecidos pelos próprios sistemas operacionais —, que travam o telefone e apagam seus dados à distância. Igualmente importante é trocar imediatamente as senhas de aplicativos bancários, redes sociais e serviços de pagamento, já que, para muitos, o smartphone funciona como carteira, cofre e identidade digital. Algumas iniciativas oficiais, como plataformas governamentais de bloqueio integrado, também dificultam a revenda e o reaproveitamento desses aparelhos no mercado paralelo.


No fim das contas, a Quarta-feira de Cinzas chega para todos — inclusive para quem acorda sem o celular. Nesse momento, mais do que penitência, o que se exige é informação, rapidez e um pouco menos de confiança na boa-fé alheia. Depois que o confete é varrido e a serpentina vira lixo, o que sobra não é só a ressaca: sobra também a conta.


No Brasil, o Carnaval acaba na Quarta-feira de Cinzas, mas para quem perdeu o celular, a penitência costuma durar bem mais que quarenta dias.



Boa sorte.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

GATOS — OS OLHOS INVISÍVEIS DO MISTÉRIO

ENTRE O MISTÉRIO E O MIADO HÁ SEMPRE UM OLHAR QUE DECIFRA O INVISÍVEL.


No Egito Antigo, os gatos eram associados à deusa Bastet — símbolo de proteção, fertilidade e harmonia doméstica — e considerados animais sagrados. Ao longo dos séculos, eles se consolidaram como figuras misteriosas no imaginário humano. Na mitologia e no folclore, os bichanos aparecem como companheiros de feiticeiros e bruxas — caso do Mago Merlin e da Madame Min no desenho A Espada Era a Lei, dos estúdios Disney —, reforçando a aura mágica e o vínculo com o oculto que os cerca desde tempos imemoriais.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

No discurso de abertura do Ano Judiciário, Edson Fachin, presidente de turno do STF, defendeu que o momento pede “ponderações e autocorreção”, disse que seus pares “respondem pelas escolhas que fazem” e defendeu a elaboração de um código de ética no tribunal. Carmen Lúcia, presidente do TSE e escolhida relatora do processo, apresentou dez recomendações de conduta para juízes eleitorais, ampliando a pressão por uma iniciativa semelhante no Supremo. Davi Alcolumbre, atual presidente do Senado e do Congresso, pediu “diálogo, bom senso e paz”, além de exaltar o óbvio destacando que o ano será marcado pelas eleições. Já Hugo Motta, atual imperador da Câmara,, defendeu o poder dos deputados e senadores em destinar as emendas parlamentares e abordou as votações sobre o fim da escala 6x1 e a PEC da Segurança.


Dotados de sentidos apurados, os gatos têm olfato de nove a dezesseis vezes mais sensível que o dos humanos, potencializado pelo órgão de Jacobson (ou órgão vomeronasal), o que lhes permite perceber variações químicas e térmicas sutis. Tal capacidade explicaria o comportamento atento e protetor que muitos exibem quando seus tutores estão doentes — como se percebessem alterações invisíveis aos olhos humanos. Há registros documentados de gatos que insistiam em cheirar ou deitar sobre determinadas partes do corpo de seus tutores, nas quais posteriormente foram diagnosticados tumores. Outros relatos mencionam felinos que alertaram donos diabéticos sobre crises de hipoglicemia iminente ou anteciparam ataques epilépticos através de mudanças súbitas de comportamento.

Além das habilidades fisiológicas comprovadas, muitos lhes atribuem também uma espécie de “poder extra-sensorial” — a capacidade de captar emoções, pressentir tragédias ou prever desastres naturais. Tal sensibilidade costuma ser comparada aos dons atribuídos a médiuns, videntes e pessoas dotadas do chamado “sexto sentido”, isto é, a intuição capaz de antecipar eventos ou captar informações sem recorrer aos cinco sentidos tradicionais.

Um estudo conjunto da Queen Mary University of London e da University College London identificou em algumas pessoas o que os pesquisadores chamaram de “sétimo sentido”: uma forma de percepção tátil à distância, capaz de detectar deslocamentos minúsculos no ambiente. A descoberta abre espaço para curiosas comparações entre a sensibilidade humana e as extraordinárias capacidades perceptivas dos gatos. Casos como o do gato Oscar, que vivia em um lar de idosos em Rhode Island e ficou famoso por “prever” a morte de pacientes ao deitar-se junto a eles horas antes do falecimento, despertaram o interesse da comunidade científica.

Embora não haja explicações conclusivas, hipóteses apontam para a capacidade felina de perceber alterações sutis em odores corporais ou no ritmo respiratório — sinais que escapam totalmente à percepção humana. E se a ciência ainda hesita entre o ceticismo e o espanto, os gatos parecem absolutamente certos do que fazem.

Talvez o que chamamos de sexto sentido seja apenas a forma poética de nomear uma sensibilidade que a natureza, por alguma razão, manteve mais desperta nos animais do que em nós. Quiçá a diferença esteja apenas no modo de interpretar os sinais: enquanto os gatos agem por instinto, nós, humanos, tentamos traduzir em palavras o que deveríamos simplesmente sentir.

A fusão entre o passado mítico e sagrado e as evidências científicas sobre seus sentidos aguçados cria uma perspectiva fascinante sobre esses felinos, que podem ser vistos não apenas como companheiros fiéis, mas como seres dotados de uma conexão profunda — quase mística — com o mundo e com os humanos que os cercam. E convenhamos: talvez haja mais verdade do que mito nessa velha crença de que os gatos veem o que nós não vemos.

Enquanto seguimos debatendo se os gatos realmente pressentem doenças ou apenas reagem a cheiros e sinais sutis, eles continuam nos observando com aquela calma superior de quem já sabe as respostas — mas não tem a menor intenção de compartilhá-las.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

DE VOLTA AO SAUDOSISMO

TO REMIND THE PAST IS TO LIVE TWICE

 

Muitas pessoas ainda se lembram da época em que a informática era chamada de cibernética e os imensos mainframes, que ocupavam salas inteiras, mas tinham menos poder de processamento que as calculadoras de bolso atuais, atendiam por cérebros eletrônicos. Mas não há nada como o tempo para passar.


Um belo dia os PCs surgiram para resolver todos os problemas que a gente não tinha quando eles não existiam, e logo se tornaram tão comuns, nos lares de classe média, quanto os televisores e fornos de micro-ondas. Mas, de novo, não há nada como o tempo para passar.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


A nota divulgada pelo gabinete de Toffoli para prestar contas sobre o caso Master é flácida e constrangedora. A flacidez decorre do fato de o texto dizer coisas definitivas sem definir muito bem as coisas, e o constrangimento de os os trechos mais relevantes não serem os esclarecimentos mal formulados, mas as respostas que Toffoli não foi capaz de fornecer.

No documento de 524 palavras não há uma mísera menção à transação em que os irmãos do ministro venderam por R$3 milhões parte de um resort no Paraná para o pastor e empresário Fábio Zettel, cunhado do dono Master, Daniel Vorcaro. Nada sobre a casa luxuosa que serve de hospedaria para Toffoli na área do resort paranaense. Nem sinal de esclarecimentos sobre a viagem de Toffoli em jatinho de um empresário amigo, para torcer pelo Palmeiras na final da Copa Libertadores contra o Flamengo na companhia do advogado de um dos executivos do Master investigados no escândalo.

Nos trechos em que as coisas não foram adequadamente definidas, faltou explicar por que o ministro ultrapassou os limites dos sapatos de magistrado, imiscuindo-se no trabalho da Polícia Federal. Num processo marcado por idas e vindas, Toffoli acelerou procedimentos da investigação, criando atritos com a PF ao marcar acareações antes da tomada dos depoimentos de investigados, ordenar à delegada do caso que fizesse a Daniel Vorcaro 80 perguntas elaboradas pelo seu gabinete, tentar trancar no Supremo material recolhido em batidas de busca e apreensão e selecionar por conta própria os peritos que analisarão as provas...

Desde que o processo subiu para o Supremo, a relatoria de Toffoli sofre questionamentos de membros do próprio tribunal, do Ministério Público, da PF e da imprensa. Na nota divulgada nesta quinta-feira, Toffoli admitiu pela primeira vez a hipótese de devolver o inquérito à primeira instância, de onde não deveria ter saído. O diabo é que ele afirma que só fará essa análise após o término das investigações, prorrogadas dias atrás por 60 dias, prolongando o final da novela que abre na imagem do Supremo fendas de difícil reparação.


O número de usuários de desktops e notebooks diminuiu significativamente depois que os smartphones permitiram acessar as redes sociais, gerenciar emails e fofocar pelo WhatsApp. Tanto é assim que a Geração Y (Millennialdomina tecnologias mais recentes, mas ignora funções básicas de informática no bom e velho PC, como formatar um documento no Word ou executar comandos simples, como Ctrl+C e Ctrl+V.

 

As primeiras matérias sobre TI que publiquei na mídia impressa tinham como tema a segurança digital, e a ideia central da Coleção Guia Fácil Informática era familiarizar os leitores com seus computadores, tanto em nível de hardware quanto de software. O mesmo deu com este blog, que eu criei em 2006 para embasar o volume Blogs & Websites da referida coleção — naquela época, publicações sobre microcomputadores, hardware e Windows vendiam feito pão quente na hora do jantar.


Bill Gates e Paul Allen fundarem a Microsoft em 1975 e criaram o Windows uma década depois, inicialmente como uma interface gráfica que rodava no MS-DOS. Esse cordão umbilical foi cortado em 1995, mas o desmame só se deu em 2001, com o lançamento do WinXP, que era baseado no kernel do WinNT


Observação: A título de curiosidade, os arquivos de instalação do MS-DOS e das edições 3.x do Windows cabiam em uns poucos disquetes de 1,44 MB. O Win95, já então um sistema semi-autônomo, foi disponibilizado tanto em disquetes (13 unidades) quanto em CD-ROM


Até o lançamento do Windows 95, a gente ligava o computador, aguardava a conclusão do boot (processo mediante o qual o BIOS checa as informações armazenadas no CMOS, realiza o POST, carrega o Windows e sai de cena), digitava "win" no prompt de comando, teclava Enter e esperava a máquina se tornar "operável".

 

Todo dispositivo computacional, seja de mesa, portátil ou ultraportátil, é comandado por um sistema operacional, que gerencia o hardware e o software, provê a interface de comunicação entre o usuário e a máquina e embasa a execução dos aplicativos e utilitários. 


O BIOS (sigla de Basic Input/Output System) é a primeira camada de software do computador. Assim que a máquina é ligada, ele realiza um autoteste de inicialização (POST, de power on self test), procura os arquivos de boot seguindo os parâmetros declarados no CMOS Setup), carrega o sistema na memória RAM (não integralmente, ou não haveria memória que bastasse) e exibe a tradicional tela de boas-vindas.

 

Observação: Do sistema operacional a um simples documento de texto, tudo é executado na RAM. Nenhum dispositivo computacional atual, seja uma simples calculadora de bolso ou um gigantesco mainframe corporativo, funciona sem uma quantidade (mínima que seja) dessa memória volátil e de acesso aleatório.  

 

O firmware do BIOS é gravado num chip de memória ROM (não volátil) integrado à placa-mãe. O CMOS (sigla de Complementary Metal-Oxide-Semiconductor) é um componente de hardware composto por um relógio permanente, uma pequena porção de memória volátil e uma bateria CR2032, destinada a evitar que os parâmetros do Setup se percam quando o computador é desligado. 


Os firmwares estão presentes em diversos equipamentos eletrônicos modernos, como celulares, fornos de micro-ondas, tablets, impressoras, lavadoras, etc. Os smartphones não precisam de uma bateria extra para manter configurações porque usam memórias não voláteis, como EEPROM ou flash NAND, para armazenar as configurações do sistema. Mesmo que  o aparelho fique meses desligado, esses dados continuam intactos. 


Antigamente, o nome "American Megatrends Inc." e uma série de informações técnicas textuais eram exibidos durante o boot, de modo que a gente podia acompanhar contagem da memória, a detecção de hardware etc. Mas todo projeto passa por atualizações ao longo do seu ciclo de existência, e o firmware do BIOS foi substituído pelo UEFI (sigla de Unified Extensible Firmware Interface), que é mais veloz e seguro, além de oferecer uma interface mais amigável.

 

Embora essa programação seja tida como imutável — por fornecer as mesmas informações sempre que o aparelho é ligado —, há situações em que é preciso atualizá-la, seja para tornar o aparelho mais rápido, estável e seguro, seja para incluir novas funcionalidades e ampliar sua vida útil. Alguns especialistas sugeriam ignorar as atualizações, já que upgrades malsucedidos são difíceis de reverter, e podem comprometer o funcionamento do computador — ou mesmo impedi-lo de executar o boot e carregar o sistema. Mas isso mudou depois que a atualização passou a ser disponibilizada pelo próprio Windows

 

Modems, roteadores e decoders de TV a cabo costumam ser mais amigáveis — geralmente, basta acessar a tela de configuração digitando o endereço de IP no navegador, localizar a opção de atualização de firmware, baixar a nova versão, dar alguns cliques e reiniciar o aparelho para validar o upgrade. 


Seja como for, não mexa em nada antes de ler e entender as instruções fornecidas no manual do aparelho ou no site do fabricante, e de ter certeza de que a versão do firmware é a correta. Em caso de dúvida, consulte o suporte técnico ou recorra a um profissional especializado.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

COMPUTADORES QUÂNTICOS — FIM DA SEGURANÇA DIGITAL?

OS GANHOS VÊM AOS POUCOS; AS DESGRAÇAS VEM EM LOTES.

 

Em um futuro não tão distante, o mundo irá se deparar com um novo pesadelo digital: o "Q-day". 

Nesse dia fatídico, computadores quânticos poderão quebrar em poucas horas as barreiras da criptografia tradicional, expondo dados confidenciais não só de instituições financeiras, órgãos governamentais e empresas de grande, médio e pequeno porte, mas também de bilhões de pessoas comuns. 
 
A despeito da iminência do "Q-day", demora-se a desenvolver soluções de criptografia pós-quântica e buscar alternativas seguras para proteger dados sensíveis — que os cibercriminosos já vêm armazenando, enquanto aguardam o momento oportuno para quebrar a criptografia com o auxílio de computadores quânticos. 

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Ronaldo Caiado ensaia um movimento oposto ao de Tarcísio de Freitas. Em vez de abdicar de sua pretensão presidencial em favor de Flávio Bolsonaro, o governador de Goiás decidiu se oferecer ao eleitorado como opção supostamente mais qualificada da direita.

Desprezado pelo União Brasil, seu partido, ele se equipa para trocar de legenda — a negociação está mais avançada com o Solidariedade e o PSD —, mas seu plano só fará sentido se vier acompanhado de uma disposição real de expor contrapontos nítidos ao bolsonarismo.

Hoje, Caiado integra ao lado de Romeu Zema, Ratinho Júnior e do próprio Tarcísio um bloco de políticos conservadores que têm dificuldades de se dissociar de Bolsonaro — um personagem que duvidou das vacinas durante uma pandemia que matou 700 mil brasileiros, e que tentou dar um golpe para anular a derrota de 2022.

 
Algoritmos de criptografia como RSA e ECC, pilares da segurança digital por décadas, estão cada vez mais vulneráveis. Assim que a bandidagem encontrar meios de explorar essa nova realidade, as muralhas da criptografia e a segurança cibernética, outrora praticamente intransponíveis, poderão ser derrubadas. Mas as ameaças são tratadas como se fossem um problema distante.

A pergunta que se coloca é: será que esse pânico é justificado ou será que estamos simplesmente repetindo o velho padrão do "socorro, a tecnologia vai nos destruir"? Desde que o mundo é mundo, as pessoas temem o desconhecido. O medo do novo já fez nossos antepassados reverenciarem trovões, a Igreja repudiar a prensa de Gutenberg e os luditas queimarem teares. As bolas da vez são a Inteligência Artificial e a Computação Quântica. 
 
Hollywood adora uma boa distopia, e o "O Exterminador do Futuro" nos ensinou a temer máquinas que ganham consciência e decidem nos exterminar. Mas a verdade é que IA ainda está longe de ser uma Skynet. Modelos de deep learning funcionam reconhecendo padrões e gerando respostas estatisticamente prováveis, mas não há consciência nem intenção maligna, só matemática. Por outro lado, a automação pode substituir certas funções humanas, e sistemas mal treinados podem reforçar preconceitos. Mas essas são questões que exigem regulamentação e adaptação, não pânico generalizado.
 
Pelo andar da carruagem, os computadores quânticos poderão quebrar algoritmos de criptografia que hoje consideramos seguros, já que eles podem resolver certos problemas matemáticos (como a fatoração de números primos) "n" vezes mais rápido que os computadores convencionais. Por outro lado, os modelos atuais são extremamente instáveis, exigem temperaturas próximas do zero absoluto e funcionam com poucos qubits úteis. Além disso, esforços para desenvolver criptografia resistente a ataques quânticos vêm sendo feitos, de modo que, quando os computadores quânticos se tornarem uma ameaça real, a segurança digital já terá evoluído.
 
O medo da IA e da computação quântica segue um roteiro clássico: a tecnologia avança, o pânico vem, o tempo passa e a humanidade se adapta. A IA não vai se tornar um ditador global, mas pode transformar mercados e exigir regulações. A computação quântica pode, sim, ameaçar a criptografia atual, mas soluções para contornar isso já estão sendo desenvolvidas. No entanto, considerando que é melhor acender uma vela do que amaldiçoar a escuridão, por que não trocar o pânico por planejamento? 

Em suma, menos Hollywood, mais ciência.