quinta-feira, 28 de maio de 2015

SOBRE A BATERIA DA PLACA-MÃE

QUEM PARTE E REPARTE E NÃO FICA COM A MELHOR PARTE OU É BURRO OU NÃO TEM ARTE.

Todo PC dispõe de um RTC (sigla de Real Time Clock ─ ou relógio de tempo real, em português) integrado aos circuitos CMOS da placa-mãe, que o sistema compartilha e exibe na área de notificação, no canto direito da barra de tarefas.

Observação: CMOS é a sigla de Complementary Metal Oxide Semiconductor e remete a uma tecnologia amplamente utilizada na fabricação de circuitos impressos, embora também designe o componente da placa-mãe que armazena o BIOS, as informações do Setup e o RTC. “Fazer o Setup” significa configurar os parâmetros que permitem ao BIOS gerenciar os dispositivos instalados, dar o boot, carregar o SO e realizar outros procedimentos básicos que envolvem o funcionamento do computador.

O RTC é acertado na etapa final da montagem do PC, quando o integrador faz o Setup, mas você pode revisar a data e a hora e fazer outros ajustes através da interface do sistema, como explicado na postagem de ontem. Todavia, se a sincronização com um servidor de horário na Internet for habilitada, atrasos significativos somente ocorrerão quando a carga da bateria estiver no fim.

Observação: Como eu disse ontem, uma pequena bateria conectada aos circuitos CMOS alimenta o RTC nos períodos em que o PC está desligado. Nas placas mais antigas, ela provia energia também para a pequena quantidade de memória RAM que armazenava os parâmetros de configuração do BIOS, mas isso deixou de ser necessário a partir de quando a memória flash começou a ser usada para esse fim.

Também como vimos, o primeiro sinal de que a bateria está “agonizante” é dado pelo relógio, que passa a atrasar de modo contumaz. Felizmente, as placas-mãe de fabricação recente utilizam o modelo CR 2032, de íon de lítio, que custa barato e é fácil de encontrar e (relativamente) simples de substituir.

Digo isso porque ainda me lembro do meu primeiro PC ─ um jurássico AT 286 do final dos anos 1980 ─, cuja bateria de níquel cádmio vinha soldada nos circuitos da placa mãe (como a da figura à direita). Essa solução dificultava sobremaneira a substituição da dita-cuja, mas como ela (supostamente) era recarregada quando o computador estava em uso, isso era uma questão de importância menor. Na prática, todavia, a teoria é outra, e um belo dia eu liguei o PC e reparei que o relógio estava mais de 10 minutos atrasado.

Como o fato se repetiu nos dias seguintes e eu  comecei a receber incomodativas mensagens do tipo CMOS CHECKSUM FAILURE, CMOS BATTERY STATE LOW, CMOS SYSTEM OPTIONS NOT SET e COMOS TIME AND DATE NOT SET, resolvi arregaçar as mangas e trocar a bateria, ou logo teria de refazer o CMOS Setup a cada inicialização. Para meu dissabor, a filha da mãe havia vazado e, para piorar, deixei um fio de solda correr pelos circuitos da placa enquanto dessoldava aquele componente infernal. O lado bom foi que isso me levou ao upgrade para um PC 386 DX, já com suporte a multitarefa, instruções de 32 bits e memória em modo protegido, mas isso já é outra história e fica para outra vez.

Como a substituição da bateria não é exatamente um primor de simplicidade, mesmo nas placas-mãe mais recentes, vou apresentar um tutorial circunstanciado a propósito, mas na postagem de amanhã, de modo a evitar que este texto se estenda demasiadamente. 

Abraços a todos e até lá. 
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