quarta-feira, 12 de outubro de 2016

SOBRE PRESIDÊNCIA, PRESIDENTES E OUTROS QUE TAIS

Dizem que a vida de presidente da República é dureza, que o cargo traz solidão, limita amigos, amplia o rol dos puxa-sacos, e por aí vai. Na prática, todavia, a teoria parece ser outra. Afinal, se fosse mesmo essa pedreira, por que FHC teria se empenhado tanto em aprovar, em 1997, a emenda constitucional que instituiu a reeleição, e assim garantir um segundo mandato? (para quem não se lembra, ele governou de 1995 a 2002).

Essa mesma emenda constitucional beneficiou o plano de poder da petralhada, pois permitiu que Lula governasse de 2003 a 2010. E o mesmo se aplica a Dilma, que também pode se reeleger, embora tenha sido abatida em pleno voo depois de 1 ano, 4 meses de 12 dias de seu segundo mandato ― não antes, infelizmente, de usar toda a sua incompetência administrativa para gerar e parir a maior crise econômica da história deste país; mas o que seria de se esperar de uma “gerentona de araque” que, na década de 90, conseguiu quebrar duas lojinhas de badulaques importados em apenas 17 meses?

Graças à atuação diligente dos nossos nobres representantes no Congresso, a reeleição está com os dias contados. Mas a medida só foi aprovada depois que os parlamentares concederam um bônus a si mesmos: em junho do ano passado, por 348 votos a favor e 110 contra, eles fixaram em cinco anos o mandato para todos os cargos eletivos (mudança que só começará a valer a partir das eleições municipais de 2020 e presidenciais de 2022), e como se não bastasse, rejeitaram o trecho previsto no relatório do deputado Rodrigo Maia que botava fim no voto obrigatório para todos os brasileiros com idade entre 18 e 70 anos.

Voltando ao mote desta postagem, vale dizer que a vida de ex-presidente é bem confortável: além de não sofrer a pressão do cargo, quem lá chegou e de lá saiu com vida faz jus, pelo resto de seus dias, a um gordo salário mensal (R$ 33.763,00), plano médico ilimitado (e acho que também cartão de crédito corporativo, mas não tenho certeza), 8 servidores de sua livre escolha 4 para segurança e apoio pessoal, 2 para assessoria e 2 motoristas, com salários que variam de R$ 2.227,85 a R$ 11.235,00 ―, além de 2 carros oficiais, com manutenção, combustível e renovação periódica, tudo bancado pelos contribuintes. Assim, nossos 5 ex-presidentes vivos ― Sarney, Collor, FHC, Lula e Dilma ― custam cerca de R$ 5 milhões anuais ao Erário, embora não ofereçam qualquer contrapartida de ordem prática à nação. Mas não é só: menos de 24 horas após ter sido notificada pelo Senado da sua deposição, Dilma conseguiu se aposentar com o estipêndio mensal de R$ 5.189,82 ― o que é espantoso, considerando que o tempo médio de espera para que uma pessoa consiga atendimento em uma agência do INSS é de 74 dias, e de 115 no Distrito Federal, onde foi feito o pedido da petralha.

A despeito de toda essa mordomia, o futuro da nefelibata da mandioca não é dos mais alvissareiros. Embora (ainda) não seja ré na Lava-Jato ― ao contrário de seu antecessor e mentor, que já é réu em 3 processos e investigado em pelo menos mais 2 (*) ―, Dilma é citada por diversos delatores como beneficiária de vultosas somas desviadas da Petrobrás, que teriam abastecido seu caixa de campanha em 2010 e 2014. Isso sem mencionar que ela é suspeita de tentar obstruir as investigações da Lava-Jato em três situações distintas: a primeira envolve a nomeação do ministro Marcelo Navarro Ribeiro Dantas para o STJ com a suposta intenção de conceder a liberdade para empreiteiros presos em Curitiba; a segunda remete à investida feita pelo ex-ministro Aloizio Mercadante, sob o comando da petista, para tentar evitar que Delcídio do Amaral botasse a boca no trombone; a terceira tem a ver com uma manobra espúria para nomear Lula ministro-chefe da Casa Civil, dias depois de ele ter sido conduzido coercitivamente para depor na Polícia Federal, com o propósito de lhe restabelecer a prerrogativa de foro privilegiado e livrá-lo dos tentáculos da Lava-Jato. E isso é só o começo: novas delações estão sendo negociadas e novos fatos espúrios devem vir à luz ― pelo andar da carruagem, o céu é o limite. Ou o inferno, melhor dizendo. O resto fica para outra vez pessoal. Abraços e até lá.

(*) O MPF está apurando a atuação de Lula na liberação de diversos empréstimos do BNDES para obras na África e na América Latina. Não apenas para a Odebrecht, mas também para outras empreiteiras já envolvidas no petrolão. Ao todo, outros cinco procedimentos investigatórios estão em andamento na Divisão de Combate à Corrupção da unidade do MPF no Distrito Federal.

QUE NOSSA SENHORA APARECIDA OLHE POR ESTE PAÍS!

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2 comentários:

Martha disse...

Oi Fernando
Temos que orar muito mesmo, meu amigo!
O poder corrompe e vicia , segundo as más línguas....
Daí tanto esforço para pertencer a qualquer cargo.
Acredito que se abrirem a caixa de pandora do BNDES, vai ser um escândalo maior do que tudo que já vimos....falo a partir de algo que já sei há muitos anos.
Que o Brasil supere tudo isso....
Bjs e obrigada sempre!!!!

Fernando Melis disse...

Oi, Martha.
Você tocou num ponto interessante: o fato de cada escândalo superar seu predecessor em magnitude. Veja o exemplo do petrolão - um filhote do mensalão, mas em edição revista e anabolizada. Se para quem achava o esquema PC o supra sumo da corrupção, como um FIAT ELBA de 15 mil reais (acho que era esse o valor na época) servindo de gatilho para apear Collor da presidência, agora, diante de toda a podridão que a Lava-Jato vem trazendo à tona, vemos que a coisa toda não passava de golpe de bandido pé-de-chinelo, de punguista de feira-livre.
Só mesmo rezando, como você bem diz. E tendo muita fé!
Beijocas, minha cara doutora.