quarta-feira, 8 de março de 2017

GERENCIADORES DE SENHAS ― É SEGURO USAR?

A ÚNICA FORMA DE CONSEGUIR O IMPOSSÍVEL É ACREDITAR QUE É POSSÍVEL.

Boa parte das quase 3.000 postagens que podem ser revistas aqui no Blog tratam da segurança digital. Dessas, uma quantidade significativa remete a dicas para resguardar sua privacidade dos curiosos e amigos do alheio, e, dentre essas, multas tem a ver com senhas ― que, como sabemos, correspondem, no mundo virtual, às chaves que usamos no mundo real. E considerando que a gente não tranca a porta de casa ou do carro e deixa a chave pendurada na fechadura, tampouco devemos usar senhas óbvias ou deixar que outras pessoas tenham acesso a elas.

Escusado repetir as dicas básicas sobre senhas, até porque basta recorrer ao campo de buscas do Blog, inserir “senha”, “segurança” ou outro termo correlato e pressionar a tecla Enter para visualizar dúzias de sugestões pertinentes (se a preguiça for muita, limite-se a seguir este link). Dito isso, antes de passar ao mote desta postagem, vale lembrar que o grande problema com senhas seguras (ou fortes, isto é, difíceis de ser descobertas por terceiros) não está em criá-las, mas em memorizá-las, e que essa dificuldade cresce proporcionalmente ao número de aplicações que exigem logon, pois a prudência recomenda “não colocar todos os ovos no mesmo cesto”.

A explicação é a própria exaltação do óbvio, mas vamos lá: se você usar a mesma senha para tudo ― e, pior, se essa senha for o seu nome ou outro desatino como 123456, QUERTY ou PASSWORD ―, quem a descobrir terá acesso a tudo que você “trancou” com esse obelisco da segurança digital. E se você acha que estou exagerando, saiba que uma pesquisa feita pela empresa de segurança digital Keeper analisou 10 milhões de combinações vazadas em violações de dados e concluiu que esses “portentos” ― e outros como 111111, 1234, 123456, 123321, 666666 e 7777777 ― foram as senhas mais usadas (e ― pior ainda ― que 40% dos usuários sequer se dá ao trabalho de escolher senhas com pelo menos 6 caracteres).

Convém ter em mente que de nada adianta gerar uma sequência alfanumérica segura e, por não ser capaz de decorá-la, anotá-la num post-it e colar na moldura do monitor. No entanto, alguns truques facilitam a criação de senhas fortes e “memorizáveis”. Por exemplo, BaQuNaEsPeCh123 é uma senha 100% segura (ou pelo menos é o que atesta o serviço online Passwordmeter) e, ao mesmo tempo, fácil de guardar, já que corresponde às duas primeiras letras do versinho “batatinha quando nasce esparrama pelo chão”, com caracteres maiúsculos e minúsculos e, ao final, os três primeiros numerais cardinais.

Observação: Note que o nível de segurança seria ainda maior se a gente substituísse a letra E pelo algarismo 3, a letra A pelo 4 ou pelo @ (outras possibilidades são substituir o L pelo ponto de exclamação, o I por 1, o O por 0 (zero), e assim por diante) ― para mais dicas sobre criação de senhas seguras, acesse essa página da MCAFEE ou recorra ao serviço MAKE ME A PASSWORD; para testar a segurança de suas senhas, acesse a CENTRAL DE PROTEÇÃO E SEGURANÇA DA MICROSOFT ou o site HOW SECURE IS MY PASSWORD.

Como nada é perfeito, usar versinhos para criar todas as senhas de que você precisa (para se logar no Windows, no webmail, no Face, no G+, nas redes sociais, no serviço de netbanking, etc.) o levará de volta estaca zero ― ou seja, você terá de providenciar uma listinha com as dicas cifradas para cada senha criada, ou então usar a mesma password para tudo ― coisa que, como vimos, diminui significativamente a eficácia da proteção. Mas nem tudo está perdido. Não se você recorrer a um gerenciador de senhas ― ferramenta que mantém senhas e outras informações de login em um banco de dados criptografado (depois de instalar e configurar o programinha, basta você memorizar apenas uma única senha: a que dá acesso ao próprio gerenciador).

Mas a questão é: até que ponto esses programas são seguros? A resposta fica para uma próxima postagem. Abraços e até lá.

UMA PRESIDENTA HONESTA? CADÊ?

Blog do José Tomaz repercutiu uma matéria publicada na folha por Hélio Schwartsman, segundo a qual a suposta honestidade de Dilma, cantada por ela mesma e por seus acólitos ao longo de todo o processo de impeachment, ainda ecoa nas redes sociais, mas que, à luz do depoimento de mais de 4 horas que Marcelo Odebrecht deu à Justiça Eleitoral na última quarta-feira, a história é bem outra.

Marcelo afirmou se diz o “bobo da corte” do governo federal, pois era forçado a participar de projetos e empreendimentos que não desejava, a bancar repasses às campanhas eleitorais sem receber as contrapartidas que julgava devidas (?!), a negociar repasses a campanhas com Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda do governo Dilma (mais detalhes nesta postagem).

Cá entre nós, Marcelo e sua empresa não foram achacados porque simplesmente não tinham alternativa. Eles sempre poderiam se negar a participar do esquema, ou mesmo denunciá-lo. A meu ver, não resta a menor dúvida de que a Odebrecht teve um papel determinante no projeto de corrupção do PT e que foi a peça chave para que a coisa toda funcionasse como funcionou. E ganhou rios de dinheiro com isso, de modo que não venha ele agora posar de vítima inocente. 

Por outro lado, como bem ressaltou Rodrigo Constantino, não fosse a Odebrecht, seria a OAS, a Andrade Gutierrez, a Camargo Corrêa e tantas outras empresas que participaram das maracutaias e se locupletaram a mais não poder com o dinheiro dos contribuintes ― que hoje falta para a Saúde, para a Educação, para a Segurança Pública, e por aí afora. O busílis da questão sempre foi a impunidade, associada ao poder desmedido e ao gigantismo do Estado, que a Lava-Jato iluminou e, ao trancos e barrancos, vem tentando punir e coibir.

O liberalismo oferece o remédio: menos estado, mais firmeza no combate ao crime. Liberar o mercado, endurecer com criminosos: eis a solução. A fala de Marcelo Odebrecht apenas demonstra que sempre haverá um enorme risco quando uma quadrilha disfarçada de partido chegar ao poder com um discurso populista e encontrar ao seu dispor tamanho poder e tão vasta gama de recursos.

O depoimento do empresário complica a vida de Lula, de Dilma e da cúpula do PT. E é bom que seja assim! Tinha muita gente preferindo focar nos canalhas empresários, em vez de mirar a fonte maior da corrupção, ou seja, os governantes corruptos e todo-poderosos.

Voltando à postagem do José Tomaz, no aspecto anedótico não daria para comparar o caso de Dilma com o de Sérgio Cabral, por exemplo, até porque não se tem notícia de que ela tenha adquirido uma bijuteria com dinheiro sujo, ao passo que o ex-governador, a julgar pelo que saiu na imprensa até aqui, usava recursos oriundos de corrupção para manter um estilo de vida nababesco, comprando coleções de joias, ternos italianos, uma privada polonesa (?!) e, suspeita-se, até um iate de 75 pés.

Fato é que, no Brasil, costuma-se diferenciar políticos que roubam para enriquecer dos que aceitam dinheiro sujo para financiar suas campanhas. Mas daí a considerar desonestos somente aqueles que sucumbem às tentações e se convertem na caricatura do político corrupto vai uma longa distância. Em última análise, qualificar como honestos e éticos políticos que aceitam recursos ilícitos para azeitar suas campanhas é chancelar uma ideia ainda mais perversa, que é a de que os dirigentes são livres para escolher quais leis vão respeitar e quais vão descumprir. Fazê-lo significaria negar todo o sistema de freios e contrapesos que caracteriza a democracia.

Resumo da ópera: somente a patuleia vermelha, inconformada com a deposição da anta rubicunda, com a iminente prisão da “alma viva mais honesta do Brasil” e com a derrocada da facção criminosa travestida de partido político é que continua fabulando para defender a indefensável “lisura” de seus amados líderes. Os demais brasileiros, pelo menos aqueles que são minimamente capazes de interpretar os fatos, estão torcendo para que a mulher sapiens e de seu predecessor e mentor ganhe uma cela no complexo médico-penal de Pinhais, em Curitiba. E que Deus atenda suas preces.

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