sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Governo Desesperança

Pensando nas eleições que se avizinham e considerando as ínúmeras apelações com que somos frequentemente bombardeados, chantageados e sensibilizados, reproduzo abaixo o teor de uma "carta aberta ao Didi", que me foi repassada por e-mail. Peço a você que a leiam, que formem sua opinião, e que ofereçam a resposta adequada (não aqui no Blog, mas nas urnas).
Bom final de semana a todos.

Querido Didi.
Há alguns meses você vem me escrevendo pedindo uma doação mensal para enfrentar alguns problemas que comprometem o presente e o futuro de muitas crianças brasileiras.
Eu não respondi a seus apelos (apesar de ter gostado do lápis e das etiquetas com meu nome para colar nas correspondências); achei que as cartas não deveriam sem endereçadas à mim.
Agora, novamente, você me escreve preocupado por eu não ter atendido as suas solicitações, e diante de sua insistência, me senti na obrigação de parar tudo e te escrever uma resposta.
Não foi por “algum” motivo que não fiz a doação em dinheiro solicitada por você. São vários os motivos que me levam a não participar de sua campanha altruísta (se eu quisesse poderia escrever umas dez páginas sobre esses motivos). Você diz, em sua última carta, que enquanto eu a estivesse lendo, uma criança estaria perdendo a chance de se desenvolver e aprender pela falta de investimentos em sua formação. Didi, não tente me fazer sentir culpada. Essa jogada publicitária eu conheço muito bem. Esse tipo de texto apelativo pode funcionar com muitas pessoas mas, comigo não.
Eu não sou ministra da educação, não ordeno as despesas das escolas e nem posso obrigar o filho do vizinho a freqüentar as salas de aula. A minha parte eu já venho fazendo desde os 11 anos quando comecei a trabalhar na roça para ajudar meus pais no sustento da família. Trabalhei muito e, te garanto, trabalho não mata ninguém. Estudei na escola da zona rural, fiz supletivo, estudei à distância e muito antes de ser jornalista e publicitária eu já era uma micro empresária.
Didi, talvez você não tenha noção do quanto o Governo Federal tira do nosso suor para manter a saúde, a educação, a segurança e tudo o mais que o povo brasileiro precisa. Os impostos são muito altos! Sem falar dos impostos embutidos em cada alimento, em cada produto que preciso comprar para minha família. Eu já pago pela educação duas vezes: pago pela educação na escola pública, através dos impostos, e na escola particular, mensalmente, porque a escola pública não atende com o ensino de qualidade que, acredito, meus dois filhos merecem.
Não acho louvável recorrer à sociedade para resolver um problema que nem deveria existir pelo volume de dinheiro arrecadado em nome da educação e de tantos outros problemas sociais. O que está acontecendo, meu caro Didi, é que os administradores dessa dinheirama toda não têm a educação como prioridade. O dinheiro está saindo pelo ralo, estão jogando fora ou aplicando muito mal. Para você ter uma idéia, na minha cidade, cada alimentação de um presidiário custa para os cofres públicos R$ 3,82 (três reais e oitenta e dois centavos) enquanto que a merenda de uma criança na escola pública custa R$ 0,20 (vinte centavos)! O governo precisa rever suas prioridades, você não concorda?
Você diz em sua carta que não dá para aceitar que um brasileiro se torne adulto sem compreender um texto simples ou conseguir fazer uma conta de matemática. Concordo com você. É por isso que sua carta não deveria ser endereçada à minha pessoa, mas sim ao Presidente da República: ele é “o cara”; ele tem a chave do cofre. Eu, e mais milhares de pessoas, só colocamos o dinheiro lá para que ele faça o que for necessário para melhorar a qualidade de vida da população.
No último parágrafo de sua carta, mais uma vez, você joga a responsabilidade para cima de mim, dizendo que as crianças precisam da “minha” doação, que a “minha” doação faz toda a diferença. Lamento discordar de você, Didi. Com a doação mínima, de R$ 15,00, eu posso comprar 12 quilos de arroz para alimentar minha família por um mês ou posso comprar pão para o café da manhã por 10 dias.
Didi, você pode até me chamar de muquirana, não me importo, mas R$ 15,00 eu não vou doar. Minha doação mensal já é muito grande. Se você não sabe, eu faço doações mensais de 27,5% de tudo o que ganho e posso te garantir que essa grana, se ficasse comigo, seria muito melhor aplicada na qualidade de vida da minha família.
Você sabia que, para pagar os impostos, eu tenho que dizer não para quase tudo que meus filhos querem ou precisam? Meu filho de 12 anos quer praticar tênis, e eu não posso pagar as aulas, que são caras demais para nosso padrão de vida. Você acha isso justo? Acredito que não. Você é um homem de bom senso e saberá entender os meus motivos para não colaborar com sua campanha pela educação brasileira.
Outra coisa, Didi: mande uma carta para o Presidente pedindo para ele selecionar melhor os professores, escolher quem de fato tem vocação para o ensino. Melhorar os salários desses profissionais também funciona, para que eles tomem gosto pela profissão e vistam, de fato, a camisa da educação. Peça a ele também que faça escolas de horário integral, escolas em que as crianças possam, além de ler, escrever e fazer contas, desenvolver dons artísticos, esportivos e habilidades profissionais. Dinheiro para isso tem, sim!, é só ele priorizar a educação e utilizar melhor os recursos.
Bem, você assina suas cartas com o pomposo título de Embaixador Especial do Unicef para Crianças Brasileiras, e eu vou me despedindo assinando Eliane Sinhasique - Mantenedora Principal dos Dois Filhos que Pari.

P.S.: Não me mande outra carta pedindo dinheiro; se você mandar, serei obrigada a ser mal-educada e rasgá-la antes de abrir.
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