segunda-feira, 20 de julho de 2009

Limpar ou não limpar, eis a questão

Muita gente vê o Intel386 como “o primeiro processador contemporâneo”, embora tenha sido o 486 que “inaugurou” algumas soluções revolucionárias – tais como o cache interno, o co-processador aritmético embutido e o recurso da multiplicação de clock (a versão DX2 operava ao dobro da freqüência da placa-mãe, que então era limitada a 40 MHz). Aliás, também foi o primeiro modelo a integrar um cooler de processador, já que até então a ventoinha da fonte (na verdade um exaustor) era suficiente para manter a temperatura interna do gabinete em patamares aceitáveis.
Enfim, muita água rolou por baixo da ponte desde aquela época. Atualmente, a maioria dos PCs conta com chips de dois ou mais núcleos, RAM DDR2 (ou DDR3) de altíssimas freqüências de operação, discos rígidos com centenas de Gigabytes de espaço e rotações elevadíssimas, subsistemas de vídeo com GPU e fartura de memória dedicada, e assim por diante.
Por outro lado, todo esse “poder de fogo” gera um bocado de calor, e como as altas temperaturas são inimigas dos computadores, os desenvolvedores de hardware tiveram de incluir em seus projetos cada vez mais dissipadores de calor (com ou sem micro-ventiladores), além de dutos de ar e ventoinhas adicionais. Mas cabe ao usuário tomar alguns cuidados para que esse sofisticado sistema funcione adequadamente – dentre outras coisas, é importante instalar o computador num local ventilado e manter o gabinete desencostado da parede (ou das laterais do móvel) para otimizar a circulação do ar.
Outro aspecto importante diz respeito à poeira e outras impurezas que acabam depositadas no interior do case. Combinada com a umidade e salinidade do ar, essa sujeira reduz drasticamente a eficiência das ventoinhas, prejudica o contato dos componentes e acelera a oxidação de suas trilhas, razão pela qual a gente recomenda o uso de capas plásticas protetoras e faxinas periódicas (a freqüência varia conforme a utilização da máquina e as condições atmosféricas locais). Não obstante, alguns especialistas entendem que a desmontagem do computador pelo próprio usuário anula a garantia, que a inépcia do leigo pode ser mais prejudicial à máquina do que quatro dedos de pó, e que um cooler de boa qualidade, mesmo sujo, não deverá apresentar problemas antes 3 ou 4 anos de uso, razão pela qual nada justifica a abertura do gabinete antes desse prazo.
Pessoalmente, eu sou mais pela limpeza. Se você nunca abriu o gabinete de um PC com um ou dois anos de uso ficará surpreso com o tanto de sujeira que irá encontrar em seu interior (poeira, fiapos, cabelos, cinza de cigarros e até formigas e outros pequenos insetos). Tempos atrás, a máquina do meu filho começou a emitir um zumbido estranho ao rodar aplicações mais exigentes, e quando eu a abri, mal consegui enxergar as hélices dos ventiladores, tamanha a porcariada que se havia acumulado nelas. Mas bastou dar uma boa varrida com o pincelzinho, sugar, soprar e sugar de novo com o mini-aspirador para que tudo voltasse ao que era antes no quartel de Abrantes.
Note que abrir o gabinete é uma coisa, desmontar tudo é outra bem diferente. É provável que você não encontre maiores problemas para fazer sua faxina se usar de bom senso e seguir os roteiros publicados nos posts de 04/11/08 e 29/03/07, mas convém não ir com muita sede ao pote. Remover placas de expansão, módulos e chips, só em caso de real necessidade (quando for preciso limpar as trilhas de contatos, por exemplo), e o cooler da CPU, só quando for substituí-lo. Outro detalhe digno de nota diz respeito às descargas eletrostáticas – transferências de cargas entre dois corpos com potenciais elétricos distintos – que podem danificar seriamente os delicados componentes internos do PC. Mas isso já é assunto para a postagem de amanhã.
Abraços a todos e até amanhã.
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