sábado, 23 de maio de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA NOITE — MEDIUNIDADE, PSICOGRAFIA E LEMBRANÇAS DE VIDAS PASSADAS

HÁ MAIS COISAS ENTRE O CÉU E A TERRA DO QUE SUPÕE NOSSA VÃ FILOSOFIA.

Em 1616, por ordem do papa Paulo V, o cardeal Roberto Belarmino notificou Galileu sobre um vindouro decreto da Congregação do Index condenando o heliocentrismo. O teólogo carmelita Antonio Foscarini escreveu um texto em defesa de Galileu e submeteu-o a Belarmino, que ofereceu a seguinte resposta (a tradução é do livro Galileu, pelo copernicanismo e pela Igreja, de Annibale Fantoli). 
Belarmino nos ensinou a nunca desprezar as evidências. Se alguma evidência não orna com algum trecho bíblico, dizia ele, é porque a interpretação da Bíblia possivelmente está errada. Fica o recado para quem acredita que Deus criou o mundo em 23 de outubro de 4004 a.C., como escreveu o arcebispo irlandês James Ussher no livro The Annals of the World (1658).

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Os R$ 134 milhões pedidos a Vorcaro são suficientes para bancar blockbusters hollywoodianos de primeiríssima grandeza, mas não bastam para encobrir 5% das desculpas esfarrapadas dos filhos do refugo da escória dos golpistas. 
Embora o primogênito concorra ao Planalto e zero três — ou Dudu Bananinha, como queiram — seja candidato a suplente no Senado, cada frase desses excrementos é um novo gambá retirado da cartola.
No domingo, Bananinha disse ao "parça" Paulo Figueiredo que "Dark Horse" não é caro para os padrões de Hollywood, a despeito de 15 das últimas produções vencedoras do Oscar terem custado menos do que os R$ 61 milhões arrancados de Vorcaro antes da liquidação do Banco Master. 
No sábado, o filho mais velho do presidiário acusou o governo do ex-presidiário de tentar enterrá-lo vivo — como se precisasse de ajuda para jogar terra em cima de si mesmo. Nem sinal do contrato. Nenhum esclarecimento sobre os rumos que o dinheiro tomou depois de entrar no fundo texano gerido por um advogado de Bananinha.
Ao negar as suspeitas da PF, o deputado cassado foragido disse que não precisaria do dinheiro de Vorcaro para se manter nos Estados Unidos, pois mordeu R$ 2 milhões de uma coleta que seu pai realizou entre os devotos via Pix. Ou seja: esse pedaço de esterco realizou no autoexílio americano o sonho de 11 em cada 10 brasileiros: viver com um dinheiro que recebe regularmente sem precisar trabalhar.
A essa altura, nem se bebessem detergente Ypê os irmãos conseguiriam reduzir o fedor que emana de suas cartolas.

Quando se trata de EQMs, mediunidade, psicografia, lembranças de vidas passadas e premonições, uma experiência empírica vale mais que 10 de segunda mão. Na falta dela, acrescento aos exemplos anteriores o caso da cantora Pam Reynolds, que a equipe médica precisou "matar" para remover um aneurisma na base do cérebro e depois "trazer de volta à vida". 


Esse caso é particularmente emblemático porque a morte clínica da cantora foi induzida e monitorada de perto do início ao fim. A temperatura corporal foi reduzida para 10 °C, os pulmões pararam de funcionar, o coração deixou de bater, o sangue parou de circular e os aparelhos deixaram de registrar qualquer atividade cerebral.


Apesar disso, Pam relatou que viu o próprio corpo e a sala de cirurgia, que seus sentidos estavam mais aguçados, que enxergou tudo com clareza e que ouviu nitidamente as conversas de médicos e enfermeiras, embora seus olhos estivessem cobertos com fita adesiva e seus ouvidos, tampados com protetores auriculares. 


Pam contou ainda que foi conduzida por uma "força invisível" até um grande ponto de luz, que foi recebida afetuosamente por um tio já falecido, e que a experiência foi tão agradável que o tio precisou “empurrar seu espírito de volta ao corpo”. Todos os integrantes da equipe médica reconheceram sua morte clínica, que foi comprovada pelos dados coletados durante a cirurgia. 


As conversas relatadas foram compatíveis com o que realmente foi dito durante a operação, e os instrumentos usados para abrir o crânio de Pam foram descritos por ela com minúcia e exatidão. Mesmo não havendo como comprovar o encontro com o tio falecido, tudo indica que ela visitou a terra dos pés juntos, e o fato de sua consciência permanecer ativa enquanto o corpo estava morto é uma evidência (embora não seja uma prova cabal) da existência de vida após a morte.

 

Outro caso digno de nota é o do geólogo suíço Albert Heim, que passou por uma EQM causada por uma queda em 1871. Ele relatou que experimentou uma grande expansão de sentidos, como se ouvisse e enxergasse muito melhor, disse que sentiu o tempo passar mais devagar e uma profunda aceitação da morte iminente. Os mais de 30 relatos semelhantes de colegas montanhistas que ele publicou no estudo Notes on Death from Falls coincidiam com sua própria experiência, e alguns traziam novos elementos, como ver a vida passar rapidamente diante dos olhos e ouvir músicas tocando no vazio.


Um levantamento semelhante conduzido pelo cardiologista Pim van Lommel em 2001 revelou que a maioria dos 344 entrevistados que sobreviveram a perdas cardiorrespiratórias teve consciência de que havia morrido, viu o corpo de um ponto externo e encontrou parentes já falecidos. A pergunta que se coloca é: até que ponto uma pessoa que relata uma experiência como essa está morta de verdade? 


Até meados do século passado, declarava-se a morte física 15 minutos depois da parada cardiorrespiratória, mas o advento dos respiradores artificiais tornou esse critério obsoleto, e a partir de então o fim da vida passou a ser associado à morte cerebral. Quando o sangue para de circular no cérebro, os neurônios começam a morrer, e o corpo deixa de funcionar. A questão é que casos como o de Pam Reynolds, Albert Heim e tantos outros levam a outra perspectiva.


Após ouvir relatos de supostas experiências post mortem, o médico e professor Sam Parnia, responsável pela unidade de tratamento intensivo do hospital da Universidade de Stony Brook (EUA), teorizou que o cérebro uma espécie de computador que processa um sistema operacional externo (a consciência, ou a "alma", como preferem os religiosos), e não a origem da consciência em si. Para determinar se a consciência continua presente depois que toda a atividade cerebral cessa, ele criou o projeto AWARE (sigla em inglês para “consciência durante a ressuscitação”), que documenta experiências de pós-morte em hospitais dos EUA e da Europa. 


Num de seus principais experimentos, Parnia mandou posicionar placas em salas cirúrgicas de 25 hospitais de modo que ficassem visíveis para alguém flutuando perto do teto, mas ocultas de quem estivesse de pé ou deitado. Assim, se alguém voltasse de uma morte clínica e contasse o que estava escrito nos cartazes, ficaria comprovado que a consciência sobrevive à morte do corpo.


Os resultados preliminares apresentados em um encontro da Associação Americana do Coração, em 2013, não foram conclusivos: dos 152 sobreviventes entrevistados, somente 37% descreveram lembranças do período crítico, dois viram alguma coisa que remetesse a EQMs e apenas um relatou eventos verificáveis, como instrumentos cirúrgicos, mas não falou nada sobre os cartazes. 


Na prática, a maior contribuição de Parnia para o debate tem sido o prolongamento do período de ressuscitação. Pacientes do hospital da Universidade de Stony Brook têm 33% de chance de resistir a paradas cardíacas — mais que o dobro da média nacional. Para alcançar esses números, o médico adotou medidas como resfriar o corpo de pacientes e manter alta a oxigenação no sangue enquanto o coração está parado, de modo a retardar ao máximo a morte das células cerebrais em decorrência da falta de oxigênio. 


Processos semelhantes permitiram que o jogador de futebol Fabrice Muamba fosse ressuscitado mais de uma hora depois de sofrer uma parada cardíaca em pleno gramado, em 2012. No livro O que Acontece Quando Morremos, Parnia cita o caso de uma japonesa que esteve morta por mais de três horas e, graças ao resfriamento do corpo e oxigenação artificial do cérebro, voltou à vida sem apresentar sequelas.


Embora não se saiba ao certo se a mente continua a existir depois que o cérebro desliga, um estudo feito em 2013 pela Universidade de Michigan monitorou o cérebro de ratos que tiveram a morte induzida e descobriu que, nos primeiros 30 segundos contados a partir da parada cardíaca, as cobaias tiveram um aumento significativo de atividade cerebral. Isso explicaria as visões e sensações descritas por pessoas clinicamente mortas que foram reanimadas, já que o corpo poderia lançar uma última cartada para se defender e permanecer vivo.

 

Há registros de EQMs em todas as partes do mundo. Menos de 20% delas evocam sensações ruins. As principais discrepâncias se devem a diferenças culturais: cristãos tendem a ver anjos ou o próprio Jesus em suas espiadas no além, índios americanos costumam mencionar encontros com animais mitológicos, e melanésios que visitam o outro lado relatam encontros com feiticeiros.


O indiano Vasudev Pandey, dado como morto em 1975 devido à febre tifoide, contou que foi recebido do outro lado por Yamaraja (não confundir com Iemanjá), mas foi mandado de volta quando o deus da morte ao perceber que ele não era o morto certo.


Seja como for, o além parece ter mais relatos de campo do que a ciência gostaria de admitir. Morrer continua sendo inevitável; entender o que acontece depois é que anda atrasado no cronograma.


Continua…