O conceito da reencarnação é quase tão antigo quanto as religiões, e fincou raízes no bramanismo, no hinduísmo, no budismo e nas religiões africanas e de povos indígenas, embora seja menos presente no judaísmo, no cristianismo e no islamismo (detalhes nesta postagem).
O matemático grego Pitágoras (570 a.C. - 496 a.C.) teria presenciado cerimônias em que espíritos afirmavam ter reencarnado em corpos humanos. Allan Kardec publicou diversos livros sobre experiências mediúnicas e fundou a doutrina espírita, da qual a reencarnação é um dos principais pilares.
CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA
A articulação envolvendo a indicação de Jorge "Béssias" Messias ao Supremo e a discussão sobre a dosimetria das penas do 8 de Janeiro mostram um enredo de alianças, interesses convergentes e rearranjos de poder. Embora não apareça formalmente no centro da operação, o ministro Alexandre de Moraes surge como personagem decisivo no movimento conduzido por Davi Alcolumbre.
Alcolumbre e Moraes mantêm uma relação antiga de confiança: Os dois, além de Rodrigo Pacheco, são amigos de longa data, jantam juntos em Brasília e se frequentam com intimidade.
O presidente do Senado jamais promoveria um alívio nas penas dos condenados do 8 de janeiro sem consultar o relator do caso. Mesmo porque evitar a redução das penas era ponto de honra do relator do caso até pouco tempo atrás, e aprová-la seria enfraquecê-lo. Mas o caso Master alterou o equilíbrio político: o ato só foi possível porque o escândalo fez o vento da política virar. Moraes viu sua vulnerabilidade crescer quando seu antagonista André Mendonça foi alçado à condição de relator do caso, e levar Béssias ao STF era, dentro desse contexto, uma possibilidade de fortalecer aquele que gostaria de esclarecer as circunstâncias do contrato da esposa do ministro. Mendonça era um dos padrinhos de Béssias no STF, e foi para casa dele que o ministro-pastor foi após se encontrar com Lula na noite da derrota, para bater os cascos, digo, juntar os cacos, e contabilizar as traições.
A resistência ao nome do indicado já existia: Moraes considerou um equívoco a indicação de Lula antes mesmo de o caso Master eclodir, e já dizia lá atrás que Béssias iria perder — vale lembrar que ele preferia ver Pacheco, seu outro amigo, engrossando as fileiras de aliados na corte. Quando o Master surgiu atropelando tudo, esse objetivo ficou ainda mais premente. Era hora de barrar, mas para barrar era preciso que a redução das penas servisse de moeda de troca no enterro da CPI do Master e na dosimetria. E foi assim que o chamado "herói da resistência" ao golpe abençoou um revés a si mesmo.
Sem Béssias, André Mendonça segue em parcial isolamento e em clara minoria. O episódio mostrou um mundo invertido em Brasília, no qual antigos aliados — Lula e Moraes — viraram rivais, e tradicionais antagonistas — André Mendonça e um ministro de Lula (Béssias), além de Alexandre de Moraes e Flávio Bolsonaro, por intermédio de Alcolumbre —, viraram aliados de ocasião.
O artigo mais frequente da política — a traição — desfilou sem inibição por esses dias: Béssias foi traído por gente até então próxima ao próprio governo, e Mendonça foi traído por amigos da bancada evangélica que lhe prometeram votos a favor de Béssias minutos antes da votação, mas entregaram a cabeça do candidato da mesma fileira religiosa, mostrando que o voto evangélico se rendeu aos interesses do establishment.
No arsenal de votos contrários ao governo, houve de tudo, de desafeto de Messias a gente incomodada com Lula por diferentes razões. Esse strike contra o molusco só foi possível graças à convicção do centrão e de parte do STF de que o dito-cujo está politicamente agonizante, em viés de derrota nas eleições. Por outro lado, a política não é escrita em linha reta: se o xamã petista se reerguer e sair vitorioso em outubro vitorioso, tudo pode mudar. Aliás, alguma coisa sempre precisa mudar para que tudo fique do jeito que está.
Até meados do século passado, memórias de outras vidas eram classificadas como "distúrbios mentais". Atualmente, quando não são tachadas de mistificação, essas lembranças são atribuídas a coincidências ou "auto-induções bem intencionadas".
O diretor da área de assistência espiritual da Federação Espírita do Estado de São Paulo, Wlademir Lisso, prefere embasar suas palestras em pesquisas de universidades estrangeiras. Segundo ele, terapias de regressão não provam nada nem tampouco são bem-vistas pelos espíritas.
O pesquisador mineiro Hernani Guimarães Andrade, autor de Reencarnações no Brasil, conta em seu livro o caso de uma menina paulistana que, com um ano de idade, começou a dizer palavras em italiano sem que ninguém as tivesse ensinado e a relatar lembranças da Segunda Guerra Mundial (que deixaram de jorrar depois que ela completou 3 anos).
Pesquisadores de várias universidades ao redor do mundo vêm buscando explicações para marcas de nascença tidas como evidências de reencarnação. Um levantamento feito com 210 crianças que alegaram ter lembranças de outras vidas apontou que 35% delas apresentavam marcas congênitas na pele, e 90% dos laudos necroscópicos das pessoas que elas supostamente foram em outra encarnação apresentaram correspondência "satisfatória" entre os ferimentos que causaram sua morte e as marcas de nascença das crianças.
Para o professor Ian Stevenson, existem fortes indícios de que muitas crianças conseguem se lembrar de suas vidas anteriores. Ele cita o caso de uma menina da antiga Birmânia (hoje Myanmar) que, numa encarnação anterior, morreu durante uma cirurgia cardíaca. Curiosamente, o peito da menina tinha uma longa linha vertical hipopigmentada, que correspondia perfeitamente à incisão cirúrgica feita no da falecida.
O professor Jim B. Tucker, da Divisão de Estudos da Personalidade do Departamento de Psiquiatria da Universidade da Virgínia, estuda casos de depressão e outros distúrbios em crianças e adolescentes que relatam lembranças de vidas passadas. Em entrevista concedida a Superinteressante, ele disse ter colecionado mais 2.500 casos, a maioria envolvendo crianças pequenas que descrevem familiares falecidos que jamais conheceram, ou que têm marcas de nascença que correspondem a ferimentos de pessoas que supostamente "foram" numa vida anterior.
Nenhum desses casos é "prova" de reencarnação, mas os relatos mais significativos são fortes indícios de que algumas pessoas guardam lembranças de vidas anteriores.
Continua…