Baseados nas previsões do astrólogo francês Michel de Nostradamus, os arautos da desgraça trombetearam que o mundo acabaria na virada do primeiro para o segundo milênio. Como não acabou, reagendaram o Armagedom para 21/12/2012 – que foi outro furo n'água. Inconformados com o fiasco, disseram que o terremoto que abalou o Japão no início de 2024 foi um presságio da calamidade que ainda está por vir (talvez se referindo às eleições de outubro).
Seja como for, algumas coincidências curiosas chamam a atenção. Cito o exemplo do peixe-remo gigante – também conhecido como peixe do fim do mundo — encontrado por mergulhadores taiwaneses em 2023, que o folclore japonês classifica como Mensageiro do Palácio do Deus do Mar e considera como prenúncio de terremoto ou tsunami.
CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA
A PEC que reduz a maioridade penal foi aprovada pela CCJ da Câmara e seguirá agora para as próximas etapas de tramitação no Congresso. Num país polarizado como esta pobre banânia, é natural que a mudança tenha defensores e detratores, além de envolver questões constitucionais relevantes.
Eu, particularmente, sou favorável à moção. A meu ver, menores infratores, sobretudo quando cometem crimes bárbaros — como atirar na vítima para roubar um celular — é um criminoso como outro qualquer. Além disso, os famigerados "direitos humanos" devem contemplar pessoas de bem, e não meliantes da pior catadura, como sói acontecer em nossa anedótica republiqueta.
Para especialistas, o debate não pode ser tratado apenas sob a perspectiva do endurecimento das penas. Estamos diante de uma discussão que alcança princípios constitucionais fundamentais e exige uma avaliação técnica sobre os impactos jurídicos e sociais da medida. Muitos lembram que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê medidas socioeducativas que incluem privação de liberdade. Mas é aquela velha história: a PM prende o "di menor" que roubou um celular e o delegado solto o "menininho", que deixa o DP antes de a vítima terminar de formalizar a queixa e o boletim de ocorrência ser lavrado.
Por outro lado, em que pesem as posições políticas ou ideológicas envolvidas, trata-se de um tema que exige responsabilidade institucional, rigor técnico e compromisso com soluções que preservem os direitos fundamentais e contribuam efetivamente para o enfrentamento da violência.
Nostradamus previu que "a Terra se tornaria mais árida e sujeita a grandes inundações". Para gáudio de seus sectários, o aquecimento global contribuiu para a ocorrência de incêndios "em todo o mundo", e "algumas partes do mundo" ficaram literalmente submersas por causa de um aumento igualmente atípico dos índices pluviométricos. Sem falar que os últimos anos foram os mais quente já registrados, e que os próximos deve ser ainda ainda mais quentes.
Mudando de um ponto a outro, o professor de biogerontologia molecular João Pedro de Magalhães acredita que o envelhecimento humano pode ter sido influenciado negativamente pelos... dinossauros! Não fosse por eles, afirma o cientista, nós provavelmente viveríamos 200 anos sem apresentar sinais evidentes de velhice. Cotudo, por trás da ideia polêmica que culpa os dinossauros pelo envelhecimento dos mamíferos está o conceito de "gargalo da longevidade".
Observação: Segundo o filósofo canadense Ian Hacking, as únicas causa mortis admissíveis são as que constam da lista de Bertillon. Dito isso, morrer de velhice seria "ilegal". Curiosamente, a causa mortis anotada na certidão de óbito da rainha Elizabeth II foi... "velhice".
Durante a Era Mesozóica (entre 250 milhões a 65 milhões de anos atrás), os mamíferos eram pequenos, noturnos e tinham vida curta, e a necessidade de se reproduzirem como coelhos no cio teria causado a perda ou a inativação dos genes associados à longevidade e impactando a forma como envelhecemos. Além disso, é possível ver na natureza exemplos incríveis de regeneração em algumas espécies de animais, como lagartixas e salamandras – habilidades desnecessárias para os primeiros grupos de mamíferos, que estavam mais preocupados em fugir dos predadores e se reproduzirem do que em se regenerar para alongar suas expectativas de vida.
Magalhães destaca ainda que, ao contrário de todos os mamíferos, incluindo os humanos, répteis e anfíbios não apresentam sinais significativos de envelhecimento biológico, e embora seja apenas uma hipótese, o fato de o câncer ser mais frequente nos mamíferos devido ao rápido processo de envelhecimento não pode ser desconsiderado. Mesmo entre os mamíferos existem exemplos de longevidade (em comparação com a dos humanos). As baleias da Groenlândia, por exemplo, vivem mais de 200 anos, e algumas espécies de tubarões (que não são mamíferos, mas enfim) chegam a 500 anos. Existe também uma espécie de esponja da Antártida com idade estimada em 15.000 anos, e outra, na China, com 11.000, ao passo que a expectativa média de vida dos ratos é de apenas 2 anos.
Os cientistas não sabem qual é o tempo máximo que um ser humano pode viver na Terra. A expectativa média, que era de 47,1 anos em 1950, aumentou para 73,4 anos em 2023 e deve chegar a 82,1 anos em 2100. A francesa Jeanne Calment, que morreu em 4 de agosto de 1997, viveu 122 anos e 164 dias, e a espanhola Maria Branyas, hoje 117 anos, tornou-se a pessoa mais velha do mundo. Mas isso pode mudar em breve.
Após analisaram dados históricos e atuais de mortalidade em 19 países desenvolvidos – entre os quais a Austrália, o Canadá, a França, o Japão, Portugal e EUA –, David McCarthy, da University of Georgia, e Po-Lin Wang, da University of Southern Florida, constataram que os registros de longevidade vêm aumentado lentamente nos últimos anos, com destaque para os nascidos entre 1900 e 1950, que estão experimentando um adiamento da mortalidade sem precedentes, mas ainda são jovens demais para quebrar recordes de longevidade.
Como se vê, enquanto alguns focam a morte, outros apostam na longevidade.
