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sábado, 25 de julho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — DAS CAVERNAS ÀS ESTRELAS

PER ASPERA AD ASTRA.


Segundo os criacionistas, religiosos e outros que abdicaram do bom-senso, Deus criou o mundo e tudo que nele existe em seis dias e descansou no sétimo. De acordo com o arcebispo irlandês James Ussher e seu contemporâneo John Lightfoot, o Criador iniciou os trabalhos às 9h00 de 23 de outubro de 4004 a.C.


À luz da ciência, o Universo surgiu a partir de uma hipotética singularidade há 13,8 bilhões de anos; nosso sistema solar e o planeta Terra se formaram há 4,6 bilhões de anos; a família dos Hominídeos (que inclui os humanos e os grandes símios) divergiu das demais há 20 milhões de anos; o gênero Homo surgiu há 2,5 milhões de anos; e o Homo Sapiens evoluiu do Homo Erectus há 300 mil anos. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


A privatização de serviços públicos tornou-se um tema incontornável da agenda eleitoral de São Paulo. Quando o problema era a falta de luz, o governador culpou as árvores, a concessionária Enel e o governo federal; na hora em que reparos da Sabesp resultam em explosões de tubulações de gás e vagões de trens são convertidos em sucursais do inferno, começa a enxergar um culpado no reflexo do espelho.

Há três dias, a empresa Trivia Trens assumiu a operação de três linhas antes operadas pela CPTM, e desde então inferniza a rotina de cerca de 1 milhão de passageiros que transitam diariamente pelos vagões que seriam administrados com maior eficiência. Nesta quinta-feira, a encrenca evoluiu para o caos, com incêndio, falta de luz e interrupção do serviço.

Há três semanas, a autocrítica disse "bom dia" a Tarcísio de Freitas, apresentando o governador de São Paulo a si mesmo. Aconteceu numa conversa com jornalistas, após a inauguração de uma estação de metrô. Privatista ardoroso, Tarcísio descartou promover novas concessões de transportes sobre trilhos à iniciativa privada.

"Já parou para pensar quantas vezes eu já mudei de opinião?", perguntou o governador. "A gente não concede algo por conceder". 

Tarcísio parece viver a síndrome do que está por vir na campanha. É como se intuísse que as privatizações mal planejadas viraram um vistoso passivo de sua campanha à reeleição. O problema da autocrítica é que ela costuma chegar tarde.


Argumentar com que abriu mão da lógica, como os cegos mentais do escritor português José Saramago, é tão inútil quando medicar um defunto, mas vamos lá:


— O Göbekli Tepe — monumento na Turquia é considerado o templo mais antigo do mundo — foi erguido há mais de 11 mil anos


— As Muralhas de Jericó, que remontam mais ou menos à mesma época, figuram como uma das primeiras proezas de engenharia militar e proteção civil do mundo. 


— Troncos deliberadamente entalhados e encaixados para formar plataformas e passarelas antecedem ao surgimento do próprio Homo sapiens. 


— Marcas artísticas encontradas na Espanha datam de 60 mil anos, e pinturas rupestres representando o cotidiano das cavernas há 50 mil anos. reafirmam as habilidades avançadas de marcenaria na Idade da Pedra. 


— Desenhos de animais na Caverna de Chauvet (França), feitos há 36 mil anos, denotam a. pareceria do Homo Sapiens com os ancestrais dos cães. 


— Adornos e colares descobertos no sítio arqueológico de Santa Elina, em Mato Grosso, têm aproximadamente 25 mil anos, e instrumentos musicais feitos com ossos de abutre e marfim de mamutes, encontrados na caverna de Hohle Fels, na Alemanha, indicam o desenvolvimento da teoria musical e do pensamento complexo abstrato no período Paleolítico.


— Os fragmentos de cerâmica mais antigos conhecidos, com cerca de 20 mil anos, pertencem à caverna Xianrendong, na China, comprovam que os vasos eram modelados e cozidos para armazenar alimentos e ferver água muito antes do início da agricultura estável. 


— Embarcações como as que propiciaram a chegada dos seres humanos à Austrália cruzaram milhares de quilômetros de oceano aberto a partir do Sudeste Asiático, demonstrando que nossos ancestrais tinham conhecimentos rudimentares, de logística e astronomia.


E por aí segue a procissão.


Enquanto o dogma se alimenta da rigidez, a ciência avança justamente por duvidar, por questionar o que hoje parece sólido. Como nos lembram Platão, no Mito da Caverna, Aristóteles, com o axioma "o sábio duvida e o sensato reflete", e a própria ciência, só a dúvida e a revisão constante nos libertam das sombras. 


O que enfraquece a ciência não é a dúvida, mas a arrogância das certezas definitivas. E é justamente essa maleabilidade que a torna tão poderosa — e tão diferente dos discursos religiosos que prometem respostas eternas.


Voltando ao Big Bang, ao surgimento do cosmos e a formação do nosso sistema solar, o universo observável se estende em todas as direções por 42 bilhões de anos-luz (cerca de 397 quatrilhões de quilômetros), e a combinação de seus prótons, elétrons, nêutrons, fótons etc. deu origem a tudo o que existe, de um singelo grão de areia até estrelas e seres vivos. Aliás, o total de grãos de areia de todas as praias da Terra é estimada em 10ˆ22 (ou 10 sextilhões, no sistema de numeração curta usado no Brasil). O cosmos é comparável a uma "colcha" formada por 2ˆ10ˆ118 de "retalhos" (em números ordinários, seriam mais de 30 bilhões de algarismos), cada qual com suas próprias leis físicas, constantes específicas, e cerca de 1 quatrigintilhão (10ˆ105) de partículas subatômicas. 


Físicos renomados sustentam que uma espaçonave singrando o cosmos em linha reta por zilhões de anos acabaria numa galáxia semelhante à nossa, com um sistema solar igual ao nosso e um planeta idêntico à Terra. Não se trata de uma simples possibilidade, como a do teorema do macaco infinito, mas de uma imposição matemática num Universo infinito com combinações finitas de partículas. 


Se nosso hipotético cosmonauta deparasse com um planeta igual ao nosso num universo paralelo, encontraria um clone dele próprio morando numa casa igual à sua, cercado por clones de seus familiares, trabalhando com clones de seus colegas e bebendo com eles em happy hours — tudo isso a 10ˆ10ˆ115 de anos-luz daqui. Para dar uma ideia dessa distância, a Terra fica a 26.000 anos-luz (cerca de 244 quatrilhões de quilômetros) do centro da Via Láctea.

 

Matematicamente falando, é provável que a espaçonave deparasse com uma série de universos paralelos onde as partículas não geraram vida — ou geraram, mas nem remotamente parecido com a vida que existe na Terra. E talvez os "terráqueos" de um desses universos tenham encontrado a cura do câncer, ou Hitler tenha vencido a 2ª Guerra Mundial, dependendo das configurações possíveis das partículas que formam esse universo, mesmo porque, num cosmos grande o suficiente, a existência infinitos clones de nós ou de versões distorcidas de tudo que conhecemos se torna uma certeza.


À luz da física clássica, nada com massa pode se mover à velocidade da luz (sem trocadilho), de modo que talvez jamais encontraremos nossos clones ou versões alternativas da história. Isso sem mencionar que a distância entre o "retalho" que habitamos e o próximo "retalho da colcha cósmica" aumenta conforme o universo se expande, e que as galáxias mais distantes que nossos telescópios conseguem observar ficam nos confins do "nosso retalho".


Se o cosmos não se expandisse, as estrelas mais vetustas distariam pouco menos de 13,8 bilhões de anos-luz da Terra, mas na verdade elas estão a mais de 40 bilhões de anos-luz e continuam se afastando numa velocidade superluminal. Mas como não enxergamos nada além do limite do "nosso retalho", a luz que elas emitem jamais será captada pelos nossos telescópios.

 

Ironicamente, as leis que governam o cosmos são permissivas a ponto de suportar a tese de "mundos paralelos" habitados por clones nossos, mas implacáveis a ponto de mantê-los fora de nosso alcance. E a suprema ironia é que, do ponto de vista do meu clone, que está escrevendo este texto, ou do seu, que o está lendo em outro "retalho", quem está fora de alcance somos nós.


Continua… 

segunda-feira, 20 de abril de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — AINDA SOBRE EQMs

OS HOMENS TEMEM A MORTE COMO AS CRIANÇAS TEMEM A ESCURIDÃO.

Evidências são indícios que apontam para a ocorrência de fatos; fatos são os acontecimentos propriamente ditos; e provas são os meios usados para demonstrar que os fatos efetivamente ocorreram. 


Na percepção distorcida e limitada dos que padecem de cegueira mental, as EQMs (detalhes no capítulo anterior) não são evidências de coisa alguma. Os céticos as veem como um fato, mas não como prova da existência da "alma imortal" ou de que a consciência sobrevive à morte clínica. Para quem tem a mente aberta e cultiva o saudável hábito de raciocinar, esse fenômeno dá o que pensar.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Até um burro cego morde a cenoura de vez em quando. Lula falou muita bobagem durante suas três gestões (bem menos do que Dilma em uma gestão e meia, mas enfim), e, como ensina o teorema do macaco infinito, toda araruta tem seu dia de mingau. Interessa dizer que o senador das rachadinhas, panetones e mansões milionárias, seu provável adversário na disputa pela Presidência deste ano (que Deus nos livre da vitória de qualquer um desses dois dejetos) foi o sujeito oculto do macróbio eneadáctilo no Fórum em Defesa da Democracia, no sábado 19, em Barcelona. Sem citá-lo, o xamã petista o tratou como um risco à democracia no Brasil. Em timbre de palanque, Lula disse: "Temos um ex-presidente preso condenado a 27 anos de cadeia, temos quatro generais quatro-estrelas presos porque tentaram dar o golpe." Numa referência ao filho de Bolsonaro, disse que "o extremismo não acabou, ele continua vivo e vai disputar eleição outra vez." Quem sabe ouvir nas entrelinhas percebe na fala a intenção de Lula de reativar em 2026 o fator democrático que lhe rendeu a vitória, por pequena margem, na sucessão de 2022. Na campanha de 2022, Lula prometeu governar para todos. Assegurou que faria um governo "para além do PT". Eleito com uma diferença de 1,8 ponto percentual, preferiu intensificar a polarização. Perdeu ao longo de três anos e meio de mandato o apoio dos eleitores que votaram nele para mandar Bolsonaro mais cedo para casa. Na pesquisa Quaest do mês passado, 48% dos independentes diziam que o filho do pai não era mais moderado que sua família. Na sondagem divulgada nesta semana, esse percentual caiu para 45%. Em janeiro, o molusco estava 16 pontos à frente do rival nesse nicho do eleitorado. Agora, a diferença se inverteu por uma vantagem de sete pontos.


EQMs que acontecem quando não há atividade no córtex frontal (morte clínica) são documentadas a partir de relatos feitos pelos próprios pacientes após a reanimação. Se não há registros delas em casos de morte encefálica, é porque a irreversibilidade dessa condição exclui a possibilidade de reanimação — ou seja, se o paciente já atravessou a via de mão única que leva ao "lado de lá", não há como colher seu depoimento, a menos que ele compareça a uma sessão de mesa branca ou reencarne e preserve lembranças da vida anterior.

 

O "roteiro" da maioria das EQMs documentadas é quase sempre o mesmo: a pessoa "trazida de volta" relata que viu próprio corpo morto, foi "sugada" para um túnel de luz, viu a própria vida como num filme, reencontrou parentes já falecidos, mas sentiu que precisava retornar ao corpo. Alguns pacientes descrevem um profundo sentimento de paz e um estado ampliado de consciência, mas os relatos mais impressionantes são os que incluem detalhes do que aconteceu enquanto eles estavam clinicamente mortos, sobretudo porque esses detalhes são confirmados por médicos, parentes e outras pessoas que assistiram aos procedimentos de reanimação. 

 

Se a consciência é produzida pelo cérebro, como ela pode continuar existindo depois que o cérebro parou de funcionar? Não há uma resposta fácil, a não ser para quem se escora em dogmas meramente impositivos — se Deus quis assim, então é assim e ponto final. Mas à luz da ciência, o buraco é mais embaixo (a propósito, sugiro a leitura do livro Experiências de Quase Morte – Ciência, mente e cérebro, do neurocirurgião Edson Amâncio).


EQMs e vida após a morte são coisas diferentes, ainda que correlacionadas. Tudo se resume — se é que se pode "resumir" conceitos tão complexos — à incerteza sobre o que acontece "depois", ou mesmo se existe um "depois". Os religiosos acreditam na imortalidade da alma, mas o que é a religião senão a evolução do misticismo que levou nossos ancestrais a endeusar o Sol, a Lua, os raios, os trovões e tantos outros fenômenos que hoje sabemos que são naturais? 

 

Para os católicos, a alma é única e eterna e a morte carimba o passaporte que autoriza os "bons" a ingressarem no Reino dos Céus — depois de uma escala no Purgatório — e despacha os "maus" para as profundezas da Inferno, onde serão cozidos em óleo fervente ou assados em espetos por toda a eternidade.


Observação: Aqui caberia abrir um parêntese para discutir o conceito de eternidade, mas vou deixar essa discussão para outra ocasião. Quanto ao inferno, sugiro a leitura desta anedota sobre o "inferno brasileiro".

 

Os espíritas acreditam que a alma sobrevive à morte física e passa para um novo plano astral; que Deus nos criou simples e ignorantes — sem discernimento do mal e do bem —; que quem pratica o mal reencarna várias vezes até evoluir espiritualmente; e que quem pratica a caridade, o bem e o amor só reencarna se quiser. Para eles, os espíritos desencarnados possuem a capacidade de se ligar a outros espíritos — encarnados ou não, de acordo com a sintonia e a afinidade dessas almas —, o que explicaria a existência de lugares com diferentes níveis vibratórios..


O Judaísmo admite múltiplas interpretações. Algumas vertentes acreditam na sobrevivência da alma, mas não têm um roteiro definido sobre o que acontece depois da morte — ou mesmo se existe vida após a morte. Segundo a Cabala, a alma é imortal, e as provações que cada um enfrenta em vida levam a seu aperfeiçoamento. Existem, segundo eles, três tipos de almas, e o desligamento do corpo não é imediato (podendo levar de 30 dias a 1 ano). Enquanto a alma está ligada ao corpo, não há possibilidade de reencarnação, daí os familiares do finado cobrirem os espelhos da casa e rezarem o Kadish.

 

Os budistas acreditam que o espírito reencarna, podendo voltar como gente ou como animal, dependendo de sua conduta durante a vida, e que esse ciclo se repete até que o espírito se liberte de seu carma. No Japão, além de flores no caixão, uma tigela com arroz cozido, água, um vaso com flores, velas e incenso são colocados sobre uma mesa, para que nada falte ao morto. 


Para os islâmicos, a vida é uma preparação para outra existência. A morte dá início ao primeiro dia na eternidade, onde as almas dos muçulmanos ficam aguardando o juízo final. Quem seguiu as leis de Alá e as tradições dos profetas é enviado para o Paraíso; e quem foi desviado por Xeitã é despachado para o Inferno.


Segundo o Candomblé, as pessoas são formadas por elementos constitutivos perecíveis (corpo) e imperecíveis (ori), e a vida continua por meio da força vital (o ori retorna em outro corpo, mas dentro da mesma família. Não há punição eterna nem a ideia preconcebida de Céu e Inferno; a morte é considerada uma passagem para outra dimensão, onde os espíritos se reúnem aos guias e orixás. Já na visão dos umbandistas, o universo é formado por sete linhas, cada qual regida por um orixá, e a morte é uma etapa evolutiva (clique aqui para mais detalhes sobre as religiões afro-brasileiras).

 

No Hinduísmo, a pessoa é a alma, não o corpo físico. Após a morte, a alma se separa do corpo e parte rumo a outra dimensão. Almas evoluídas voltam em altas castas — como a dos brâmanes, composta por filósofos e sacerdotes. Guerreiros e políticos pertencem à casta dos xátrias, e os menos evoluídos reencarnam como comerciantes (casta dos vaishyas) ou trabalhadores (casta dos sudras). Quem consegue se desapegar do mundo material e atinge um patamar elevado não está obrigado a reencarnar.

 

Para os batistas, quem aceitar Jesus terá uma vida de paz e felicidade no Paraíso, e quem não aceitar, uma vida de dor, angústias e sofrimento no inferno. Já os adventistas acreditam que os mortos dormem até o momento da ressurreição, quando então os que cumpriram seu papel na Terra ganham a vida eterna, e os demais desaparecem. Para os sectários da Cientologia — como John Travolta e Tom Cruise — o thetan (espírito) sai em busca de um novo corpo no qual retornará à vida. Segundo seus sectários, 75 milhões de anos atrás havia dezenas de planetas governados como uma confederação por Xenu — um líder maligno que enviou bilhões de espíritos para a Terra. Assim, os terráqueos são reencarnações desses extraterrestres, que são imortais e, portanto, continuam reencarnando ad aeternum.

 

A exemplo dos católicos, os evangélicos acreditam no juízo final e na existência de Paraíso, Inferno e Purgatório. A diferença é que, segundo eles, as almas ficam adormecidas até Jesus voltar à Terra e decidir quem irá com ele para o Reino dos Céus e quem passará a eternidade num lago de enxofre e fogo. Já os protestantes descartam a reencarnação, mas não a existência de Céu e Inferno. Segundo eles, o julgamento ocorre não pelas ações da pessoa em vida, mas pela fé que ela teve na palavra de Deus e pelo amor ao Senhor.


De acordo com o fisicalismo — que é o cientificismo reducionista e materialista aplicado à neurociência — o cérebro produz a mente. Seus sectários desdenham das experiências de quase-morte, escarnecem de quem afirma lembrar de vidas passadas e negam a mediunidade — mas não oferecem uma explicação convincente para casos notórios, como os da norte-americana Leonora Piper e do brasileiro Chico Xavier.

 

Não há provas irrefutáveis de que a consciência (ou alma, ou espírito) sobreviva à morte física, mas sobram indícios que levam água a esse moinho. Parafraseando Shakespeare, há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia, e cosmólogo e romancista Carl Sagan, ausência de evidências não é evidência de ausência (na verdade, essa ideia foi desenvolvida por William Wright em 1887; Sagan apenas popularizou o aforismo num livro que escreveu sobre a existência de seres extraterrestres). 

 

Escorar-se na falta de evidências para negar a existência de seja lá o que for é afrontar a ciência, já que ela amplia os limites do conhecimento transitando entre o conhecido e o desconhecido. Os fenômenos que mencionei ao longo deste capítulo existem, mas explicá-los é outra história. Por outro lado, refutá-los de plano é o mesmo que retroceder pelo caminho que levou a humanidade do obscurantismo ao iluminismo. Em outras palavras, em não havendo fraude envolvida, negá-los é comprovar o que teria dito Einstein sobre a infinitude da estupidez humana.

 

Continua…

terça-feira, 29 de abril de 2025

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 22ª PARTE

UM BARCO SEM COMANDANTE É UM BARCO À DERIVA.


Diversas teorias amplamente aceitas preveem a existência de fenômenos impossíveis de serem observados diretamente. A Relatividade Geral, por exemplo, previu a existência dos buracos negros décadas antes de eles serem avistados de fotografados, e descreveu matematicamente seu interior, embora nenhum buraco negro tenha sido acessado diretamente.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Condenado em 2023 a oito anos e 10 meses de cana, Collor finalmente foi preso última sexta-feira. Visando converter o regime fechado em prisão domiciliar, sua defesa argumentara que, além de ser idoso, o ex-presidente padece de diversas comorbidades que exigem cuidados contínuos e acompanhamento médico especializado.
Não foi essa a impressão deixada pelo Rei Sol durante a audiência de custódia. Interrogado por videoconferência pelo juiz Rafael Henrique, da equipe de Alexandre de Moraes, ele demonstrou estar bem-disposto e chegou a exibir um leve sorriso. Ao ser questionado se tinha alguma doença ou fazia uso de medicação contínua, foi curto e grosso: "Não". Indagado se havia passado por exame de corpo de delito, relatou que uma enfermeira aferiu sua pressão e auscultou seu coração. "Se isso é corpo de delito, então foi feito", concluiu. 
Moraes atendeu ao pedido do réu e o enviou para uma hospedaria "especial" do presídio alagoano de Baldomero Cavalcanti de Oliveira, e determinou que a instituição informasse no prazo de 24 se dispõe de estrutura para garantir que o detento continue vendendo saúde. 
Talvez conviesse à defesa adicionar a amnésia em nova petição ao Supremo: somente um surto de falta de memória levaria um paciente de Parkinson, apneia grave e transtorno bipolar a dizer que não toma remédios.

A Teoria do Multiverso não é uma teoria isolada, mas uma consequência de abordagens como a Inflação Eterna e a Mecânica Quântica. Cientistas renomados — incluindo o saudoso Stephen Hawking — sustentam que os universos paralelos são plausíveis, e Max Tegmark foi além, classificando-os em quatro níveis.

O Multiverso de Nível 1 corresponde à porção do cosmos que ainda não conseguimos avistar porque os últimos 13,8 bilhões de anos foram insuficientes para que sua luz chegasse até nós. Se o universo é infinito, é razoável supor que existam incontáveis regiões idênticas à nossa, além da Esfera de Hubble, que se estende para todos os lados por 49 bilhões de anos-luz. 

A ideia de que tudo que está além desse limite pode ser considerado outro universo se torna ainda mais intrigante quando pensamos que, embora o universo possa ser infinito, as formas de organizar suas partículas são finitas. Assim, se viajássemos indefinidamente em linha reta, acabaríamos encontrando uma galáxia idêntica à Via Láctea, com um planeta igual à Terra e cópias exatas de cada um de nós. A existência desses clones não é apenas uma possibilidade, mas uma previsão matemática. 
 
O que chamamos de "realidade" é apenas a forma como cosmos organiza suas partículas em um dado momento. Esse princípio lembra o famoso teorema do macaco infinito: em um universo com combinações finitas de partículas, um número infinito de possibilidades inevitavelmente gera "universos-espelho". Como o Multiverso de Nível 1 segue as mesmas leis físicas e constantes cosmológicas do nosso Universo, ele poderia, pelo menos em tese, ser explorado quando (e se) nossa tecnologia assim o permitir.

O Multiverso de Nível 2 se baseia na Inflação Cósmica, um desdobramento da Inflação Eterna. Segundo Tegmark, a energia usada para expandir uma região em estado de inflação cria massa suficiente para que essa região continue crescendo sem perder densidade. Como esse processo é autossustentável, ele pode gerar universos inteiros a partir de quase nada. Isso significa que um espaço finito poderia abrigar inúmeros espaços infinitos.

Em resumo, o Multiverso de Nível 2 consiste em vários universos incomunicáveis, cada um infinito em si mesmo. Ainda que sua existência não possa ser provada experimentalmente, a teoria que o sustenta é parte do "pacote" da Inflação Eterna, e aceitar um implica aceitar o outro.

Continua...