segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Consumismo

Costumo dizer que vivemos num país de terceiro mundo com preços de primeiro e salários de quinto. Seja como for e a despeito do (des)governo que temos e dos governantes que elegemos, a economia caminha e o povo sobrevive, alguns melhor que outros por conta dos imensos contrastes verificados nesta nação de dimensões continentais.
Passando ao que interessa, os comerciantes estão em festa: neste ano, ao que tudo indica, haverá um crescimento substancial nas vendas em relação ao Natal passado. Aliás, todos gostamos de dar e de ganhar presentes (não necessariamente nessa ordem), embora poucos possam presentear condignamente seus parentes e amigos (aspecto que consagra aquele velho chavão: "não repare; é só uma lembrancinha").

Por outro lado, é certo que muita gente aproveita o embalo para se auto-presentear - seja com o tão sonhado carro novo, seja com um PC ou laptop de topo de linha, uma TV de tela gigante ou outro mimo que tal. E não há nada de errado nisso, antes pelo contrário, ainda que comprar por impulso talvez seja o caminho mais curto para o arrependimento (e para o endividamento, visto que nossa combalida classe média geralmente depende do crediário para realizar seus "sonhos", e a linha que separa o sonho do pesadelo pode ser mais fina do que parece).
Gosto muito de uma frase que li certa vez, e que costumo repetir nos meus escritos sempre que cabível: os pioneiros são reconhecidos pela flecha espetada no peito. Em tempos atuais, quando a tecnologia caminha a passos de gigante, somos constantemente levados pela mídia a adquirir novidades nem sempre úteis, mas quase sempre caras - principalmente enquanto novidades.
Gadgets como câmeras e filmadoras digitais, tocadores de MP3, chaveirinhos de memória, TVs gigantes, PCs e notebooks de última geração, por exemplo, são produtos que encabeçam a lista dos sonhos de consumo de muita gente.
Mas essas bugigangas, que num primeiro momento custam os olhos da cara, desatualizam-se rapidamente, caem de preço com a mesma rapidez e costumam não alcançam bom valor de revenda quando precisamos ou desejamos substituí-las por modelos mais recentes. Isso sem falar que é comum adquirirmos badulaques de utilidade questionável devido à nossa inegável cupidez por "status".
Ainda me lembro do surgimento da TV em cores, no início dos anos '70, quando eu passava férias numa cidadezinha do interior paulista onde o sinal era péssimo, exigindo a instalação de antenas no alto de torres altíssimas. Mesmo assim, os "poderosos" da região enfeitavam a sala de visitas de suas fazendas com enormes (para a época) TVs de 26 polegadas que custavam tanto quanto um carro popular, embora apenas mostrassem chuviscos coloridos ao invés da tradicional granulação acinzentada exibida pelos aparelhos convencionais.
Outro exemplo remete à telefonia celular: quantos não se dispuseram a desembolsar pequenas fortunas para ter um trambolho pesado como um paralepípido pendurado no cinto (e depois reclamavam de problemas de coluna!) que raramente permitia mais que alguns segundos de comunicação (a um custo elevado, até porque pagava-se também pelas chamadas recebidas) antes que a instabilidade do sinal derrubasse a ligação.

E o mesmo vale para os carros importados da "era Collor", para o vídeocassete, para os computadores pessoais (que num primeiro momento apenas substituíam as máquinas de escrever e de calcular - e olhe lá!), para o DVD Player, enfim... Hoje, a bola da vez é a TVs de alta definição, mas isso é assunto para a postagem de amanhã.
Abraços e até lá.
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