sábado, 11 de fevereiro de 2017

SOBRE A REELEIÇÃO DE RODRIGO MAIA E SMARTPHONE SER “TREM DO CAPETA”


A eleição de Eunício Oliveira para a presidência do Senado e a [reeleição] de Rodrigo Maia para a da Câmara deram a Temer uma base parlamentar forte e coesa. Com cerca de 400 deputados, o presidente da Banânia já não tem desculpa para não aprovar as reformas e deixar sua marca na história como “o cara que recolocou o Brasil nos trilhos do crescimento”, como afirmou mais de uma vez que gostaria de ser lembrado. No Senado, a situação é ainda melhor: Até o PT fez acordo para ficar na Mesa. Claro que, em alguns pontos, Temer terá de negociar, de abrir mão de alguma coisa, mas isso é regra do jogo no presidencialismo de coalizão.

A reeleição de Maia foi alvo de diversas ações na Justiça, pois o regimento interno proíbe reeleição na mesma legislatura, e como o mandato dos atuais deputados vai até 2018, Maia, em tese, só poderia voltar a ocupar a presidência a partir de 2019 (e ainda assim se conseguir se reeleger). Em sua defesa, o democrata diz que não estaria enquadrado na regra, no que foi respaldado pelo presidente da CCJ da Câmara, para quem “inexiste “vedação expressa” que impedisse sua candidatura, já que a situação “excepcional” de mandato-tampão não é prevista na Constituição. Os demais postulantes recorreram ao STF, mas o ministro Celso de Mello rejeitou os pedidos e liberou a candidatura de Rodrigo Maia ― embora a decisão seja meramente liminar; dependendo da decisão do plenário, a eleição, em tese, pode vir a ser anulada (isso se chama Brasil, minha gente).

Observação: Reportagem publicada pelo “Jornal Nacional” deu conta de que o MPF deve investigar Maia pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Uma investigação feita pela PF chegou à conclusão de que há “indícios fortes” de que o deputado prestou "favores políticos" e defendeu interesses da OAS no Congresso em 2013 e em 2014, e que, em troca da defesa dos interesses da empreiteira na Câmara, recebeu da OAS (empreiteira de Leo Pinheiro) doações eleitorais no valor de R$ 1 milhão. O dinheiro teria sido repassado oficialmente à campanha ao Senado de César Maia, pai do deputado, numa manobra para esconder a origem da propina. Agora fica fácil entender porque RM tentou aprovar a toque de caixa as medidas que punem procuradores e juízes por “abuso de poder”.

Por último, mas não menos importante: O deputado peemedebista mineiro Fábio Ramalho, eleito vice-presidente da Câmara, foi um dos primeiros a chegar à festa de comemoração, em um restaurante chique às margens do Lago Paranoá. O parlamentar, que usa dois celulares simplórios, sem conexão com a Internet, por entender que “smartphone é trem do capeta”, creditou sua vitória aos concorridos jantares que costuma oferecer toda quarta-feira a deputados do baixo e do alto clero. Fiel a seus hábitos, ele deixou cedo o restaurante, pois as panelas já estavam no fogo em seu apartamento funcional, onde, diferente do ambiente sofisticado da comemoração de Rodrigo Maia, sua “festa da vitória” se deu em mesinhas espalhadas pela sala, ao som da dupla sertaneja Jorge e Mateus, num vídeo exibido na TV. Em vez de camarões, filés e profiteroles com sorvete do cardápio da festa do Democratas, ele serviu feijão tropeiro, porco assado, linguiça de porco com pimenta e pé de moleque trazidos de Malacacheta. À curiosidade dos jornalistas sobre a fama de que seus jantares ofereciam bem mais do que leitão à pururuca, o político com jeitão mineiro do interior jurou que seus convidados são quase sempre homens. Como dizia o velho Jack Palance, “acredite se quiser”...

Observação: Para quem não se lembra, na legislatura anterior o vice era Waldir Maranhão ― aquele que assumiu interinamente a presidência com o afastamento de Eduardo Cunha e tentou anular a votação do impeachment da anta vermelha. Pelo jeito, a Câmara trocou um cachaceiro por um putanheiro.

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2 comentários:

Martha disse...

Oi Fernando
Eu acredito que a crise atual é diferente de qualquer outra coisa que já tenha presenciado...
Como o país reagirá ao que está ocorrendo já se encontra em outra esfera...
Ou nos afundamos de vez ou a sociedade poderá ver surgir um novo grupo de pessoas qualificadas para liderar uma nação que já não pode mais viver do lema " o Brasil é o país do futuro ".....
O futuro já aconteceu há muito tempo e nós perdemos excelentes chances de progresso...
Precisamos, mais do que nunca, de educação formal, moral e de sentimentos.....
Viva o povo brasileiro!!!!
Bjs e obrigada sempre!!!!

Fernando Melis disse...

Oi, Martha.
Compartilho da sua opinião sobre a crise atual. Também eu jamais vi coisa parecida nas minhas quase seis décadas de vida. Realmente, precisamos de educação formal, moral e de sentimentos, como você bem mencionou, mas, principalmente, de um governo que não nomeie ou blinde suspeitos de corrupção.
A propósito, uma definição interessante de "foro privilegiado" que eu ouvi há pouco:
O termo foro remete ao verbo ir, na terceira pessoa do plural do pretérito do indicativo. Exemplo: Eles "foro" privilegiados.
No caso do "Angorá", porém, trata-se de "desaforo privilegiado".
Só rindo, mesmo!
Beijos, bom domingo e até mais ler.