sexta-feira, 3 de abril de 2009

Contar palavras e steak tartar

Não sei se foi Drummond ou Guimarães Rosa que celebrizou a frase “escrever é a arte de cortar palavras”, mas sei que a idéia é válida, embora possa parecer um tanto paradoxal.
Ainda me lembro do tempo em que publicava meus escritos numa certa revista (já se vão de lá quase dez anos!) e ficava p. da vida quando o pessoal pedia para adequar o texto ao espaço que me havia sido reservado. Eu xingava, esbravejava, argumentava – afinal, o troço estava “redondinho”; obrigar-me a editá-lo seria o mesmo que fazer um cozinheiro reverter um purê de batatas em seus ingredientes originais –, mas o pagamento era bom, eu precisava da grana e acabava cedendo. E aí começava o calvário.
Eram horas relendo as matérias, cortando uma palavra aqui, uma frase acolá, reestruturando um parágrafo, enfim, eliminando a “gordura”. O maior desafio era fazer essa “lipoaspiração” sem comprometer (demais) o conteúdo - e o pior é que dava certo (risos), mesmo quando era preciso reduzir o texto a 2/3 do tamanho original.
Naquelas ocasiões, meu grande aliado era a ferramenta “Contar Palavras” do Word, que permite avaliar em tempo real o número de palavras, linhas, parágrafos e caracteres (com ou sem espaços) de um documento. Para utilizá-la, basta selecionar a porção do texto desejada, clicar no menu Ferramentas e em Contar Palavras (se nenhum trecho específico for selecionado, a ferramenta irá levar em conta o documento inteiro). O botão “Mostrar Ferramentas” convoca uma pequena barra que permite definir os parâmetros da avaliação (basta clicar na pequena seta à direita) e obter uma estatística atualizada sempre que você clicar em “Recontar".
Não sei se serve de consolo, mas quase todo mundo que se aventura a “brincar com as palavras” (seja de forma profissional, amadora ou apenas nas horas vagas) tende a ser prolixo, a “andar em círculos” e a se perder em divagações até desnecessárias, mas que dão ao trabalho um “colorido” todo especial. Afinal, uma coisa é uma posta de carne crua num prato, outra coisa é um Steak Tartar, não é mesmo?
Para quem não sabe, o Steak Tartar é uma iguaria russa feita à base de carne crua, que pode ser servida como aperitivo, entrada ou prato principal. Os ingredientes são os seguintes:150 gramas de filé mignon (moído ou finamente picado), azeite de oliva extra virgem; sal; pimenta do reino; pimenta caiena; 1 gema de ovo; 1 colher (sobremesa) de cebola ralada; 1 colher (sopa) de mostarda; 1 colher (café) de alcaparras; 1 colher (chá) de salsinha picada; 1 colher (chá) de cebolinha picada; 1 colher (chá) de molho inglês; suco de 1 limão e algumas gotas de molho tabasco.
Para preparar, selecione um pedaço do filé que não tenha nervos ou gordura e passe-o (uma vez) pela máquina de moer – se preferir a carne picada, corte-a em tirinhas - sempre contra o sentido das fibras - e pique tudo bem picadinho. Junte a cebola ralada, a salsa e a cebolinha picadas e misture tudo gentilmente, com uma colher de pau, enquanto acrescenta o azeite, o sal, as pimentas e os demais ingredientes. Depois, faça uma “bola” com a carne, coloque-a num prato, achate-a com as mãos até formar uma espécie de “hamburger gigante”, faça uma concavidade circular no centr e despeje ali a gema do ovo - crua, mas você pode cozinhá-la, se preferir (veja a ilustração). Sirva gelado, com torradinhas ou batatas chips em volta do prato (há quem acrescente pequenos pepinos em conserva e/ou azeitonas descaroçadas, mas isso fica critério de cada um).
Bom apetite.
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