quinta-feira, 26 de julho de 2018

O PERIGO DE REPETIR OS ERROS DO PASSADO


Relembrar o passado é viver duas vezes”, já disse o poeta. Pieguices à parte, é certo que quem esquece os erros do passado tende a repeti-los no futuro, e que insistir no mesmo erro, esperando produzir um acerto, é a mais rematada burrice.

Em 2010, o Brasil elegeu pela primeira vez uma presidente mulher — ou uma presidenta, como anta sacripanta exigia ser chamada. A catástrofe anunciada — não por ser mulher, mas por ser uma incompetente de quatro costados — só chegou ao Planalto devido ao apoio do criminoso de Garanhuns, que então gozava de altíssima popularidade entres os idiotas úteis — que neste país já nascem com o título eleitoral enfiado no rabo.

A incompetência da Bruxa Má do Oeste era uma característica inata. Tanto é que, em meados dos anos 90, levou à falência duas lojinhas tipo R$1,99 — justamente quando a paridade entre o real e o dólar propiciava a importação e revenda de badulaques (a propósito, leia o post que publiquei no final de 2014).

Tocar uma lojinha de tranqueiras baratas deveria ser algo trivial para alguém que dali a 15 anos se apresentaria aos eleitores como a “gerentona” capaz de governar o Brasil, mas os artigos revendidos pela Pão & Circo (esse era o sugestivo nome do negócio) eram importados de um bazar no Panamá, para onde a calamidade em forma de gente e sua ex-cunhada Sirlei Araújo, sócia no empreendimento, viajavam para comprar as bugigangas. E a despeito de a mercadoria custar barato, o negócio era impopular — como sua dona se tornaria ao longo do seu nefasto governo.

Ao abrir a vendinha em Porto Alegre, a estocadora de vento não levou em conta que “o olho do dono engorda o porco”, e só aparecia por lá eventualmente, preferindo dar ordens e terceirizar as tarefas do dia a dia — como fez ao delegar a economia ao ministro Joaquim Levy e a política ao vice Michel Temer, até este desistir da função dizendo-se boicotado pelo (então) ministro-chefe da Casa Civil Aloizio Mercadante. Na sociedade da Pão & Circo, o equivalente a Mercadante era Carlos Araújo, ex-marido de Dilma, que lhe dava conselhos sobre como turbinar as vendas, mas era tão inepto quanto ela, embora “ela” viria a chefiar a Casa Civil e presidir o Conselho de Administração da Petrobras no governo Lula, por ocasião da negociata de Pasadena.

Fato é que a nefelibata da mandioca teve uma carreira meteórica: sem saber atirar, virou modelo de guerrilheira; sem ter sido vereadora, virou secretária municipal; sem passar pela Assembleia Legislativa, virou secretária de Estado; sem estagiar no Congresso, virou ministra; sem ter inaugurado nada de relevante, virou estrela de palanque; sem jamais ter tido um único voto na vida até 2010, virou presidente da Banânia.

Feito esse breve preâmbulo, vamos ao que interessa: os últimos dias da Copa na Rússia, diz o jornalista J.R. Guzzo em sua coluna em Veja desta semana, levaram o mundo inteiro a descobrir a figura política mais interessante que já apareceu no noticiário há muitos e muitos anos. É essa graça de presidente da Croácia, um espetáculo de simpatia, bom humor e exuberância em estado puro que tem o nome muito feliz de Kolinda — e foi torcer pela equipe do seu país nos jogos da semifinal e final do torneio.

Numa paisagem rudemente castigada pelas Merkel, as Kirchner ou as Thatcher, fomos premiados de repente com a visão de uma tremenda bonitona de 50 anos, uma louraça fervendo de alegria e de charme na tribuna de honra, vestida com a camiseta quadriculada em vermelho e branco do seu time. Ali, dançando na torcida, lembrou a todos nós que ainda é possível haver na chefia de um governo alguém que seja, ao mesmo tempo, uma mulher e um ser humano atraente. Para os brasileiros, então, Kolinda Grabar Kitarovic foi uma festa. É claro. A nós coube, em matéria de mulher-presidente, nada menos que Dilma Vana Rousseff — um fenômeno de antipatia, mau humor e cara feia diante da vida, dada a falar o tempo todo coisas incompreensíveis, ditas com impaciência e permanente ar de ameaça, sempre irritada, sempre infeliz.

Mas a diferença entre a sorte dos croatas e a dos brasileiros vai muito além. A desvantagem fica feia, mesmo, quando se entra nas comparações de caráter, integridade e postura como servidora pública de cada uma delas. Kolinda foi para a copa da Rússia pagando todas as despesas do seu próprio bolso. Viajou junto com a torcida, num voo de baixo custo e num assento comum. Mandou que fossem descontados do seu salário os dias em que esteve fora do seu local de trabalho. Desceu aos vestiários, depois dos jogos, para se misturar com os jogadores — festejando junto a eles a semifinal, consolando a todos na derrota para a França na final.

Da soma entre Dilma, presidência e futebol, o que sobrou, na vida real, é a imagem de uma mulher aterrorizada na final da Copa de 2014, em pleno Maracanã — a presidanta simplesmente se escondia da torcida, em seu próprio país, com medo das vaias (seu criador, que passou anos a fio se vangloriando de ser o grande responsável por “trazer a Copa” para o Brasil, não teve coragem de ir à uma única partida durante todo o torneio).

Quanto à soma entre Dilma, presidência e aviões, a comparação com Kolinda é outro desastre. Nossa ex-presidente torrou sabe-se lá quantos milhões de dólares viajando num ritmo alucinado para baixo e para cima por este mundo afora, no jato da Presidência da República, com cada tostão pago integralmente por você. Chegou a desviar a rota do avião oficial porque queria jantar em Lisboa e passar uma noite no Hotel Ritz, onde as diárias podem superar R$ 25.000. Quer dizer: há simplesmente um abismo entre uma mulher e outra.

Não se trata de má vontade ou de probleminhas secundários. O que existe realmente aí, quando se quer dizer as coisas como elas são, e não empulhar o público com cantoria ideológica de terceira classe, é a diferença entre duas maneiras de ver o papel da pessoa pública. Uma é honesta — na verdade, é exatamente aquela que o público tem o direito de esperar. A outra é desonesta. Fim de conversa.

O estilo Dilma — e de praticamente todos os senhores de engenho que de uma forma ou de outra mandam no Brasil — mostra com muita clareza uma doença clássica do subdesenvolvimento: o descaso arrogante, audacioso e automático que todos eles têm pelo dinheiro público. 

Presidentes da República, em especial, são uma prova viva desta deformação administrativa e moral. Conseguiram, ao longo do tempo, construir em volta de si um monstro chamado “presidência da República” — hoje com cerca de 20.000 funcionários, aviões, cartões de crédito e um custo anual de 650 milhões de reais, ou mais do que a Casa Real Britânica. Continuam gastando mesmo depois que deixam de ser presidentes — os cinco que estão vivos consomem entre 5 e 6 milhões de reais por ano em pensões, carros, assessores, o diabo. Quando vão para a cadeia, como acontece hoje com Lula, ficam ainda mais caros, pois é preciso pagar a sua manutenção no xadrez; uns R$ 300 mil por mês, no caso do criminoso de Garanhuns. Lá, por decisão da Justiça, ele mantém todos os seus benefícios — o que gera o prodígio de estar preso e, ao mesmo tempo, ter dois carros com chofer à sua disposição.

Isto aqui é outro mundo.

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