sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

IA BASEADA EM NEURÔNIOS VIVOS

NÃO BASTA IR AO RIO COM A INTENÇÃO DE PESCAR; É PRECISO TAMBÉM LANÇAR A REDE.

Em meados dos anos 1950, dizer a John McCarthy (criador do termo Artificial Intelligence) que dali a algumas décadas existiriam computadores biológicos, seria como dizer a Cabral que dali a alguns séculos a viagem que ele fez por mar em 40 dias seria feita por ar, pelo Concorde, em menos de 3 horas.

Computadores biológicos combinam células vivas com tecnologia para processar informações. Em vez de dependerem de circuitos feitos de silício, eles utilizam neurônios vivos para mimetizar o funcionamento do cérebro humano e produzir resultados milhares de vezes superiores aos da IA convencional sem depender de algoritmos pré-programados e com um consumo energético muito menor. 

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Uma mais que provável condenação pode impedir Bolsonaro de disputar eleições pelo resto de sua torpe existência. Nada garante que ele receba penas máximas em todas as acusações (associação criminosa, formação e liderança de quadrilha armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e tentativa golpe de Estado, e indiciado por lavagem de dinheiro e apropriação de bens públicos — no caso das joias sauditas — e falsificação de cartão de vacinação), mas mesmo uma condenação mínima representaria cerca de 20 anos inelegível pelas regras atuais. Na prática, se for agraciado com as penas máximas, um Bolsonaro septuagenário ganhará uma "inelegibilidade perpétua". 
Seria "justiça poética" para um parlamentar envolvido desde sempre com funcionários fantasmas, rachadinhas e outras práticas pouco louváveis que o tornaram milionário. Se for condenado e preso, isso não lhe será novidade; quando capitão da ativa, o safardana foi detido por "transgressão grave" e quase expulso do Exército por planejar explodir bombas em unidades militares do Rio. 
Um dia antes da denúncia, o falastrão declarou que não estava preocupado com o assunto, embora a linguagem presunçosa não ornasse com a expressão facial. Dias atrás, com a finesse que lhe é peculiar, bravateou: "Caguei para a prisão!". Estranhamente, alguém muito parecido com Bolsonaro se escafedeu do país no final de 2022 e passou três meses homiziado na cueca do Pateta, além de se acoitar na embaixada da Hungria por duas noites, em fevereiro do ano passado, quando uma operação da PF apreendeu seu passaporte.
Falta ao denunciado recato e algo que se pareça com uma defesa técnica — o lero-lero da perseguição política não produz decoro nem traz argumentos capazes de livrá-lo da tranca. Na política, como na vida, quem deixa de aproveitar oportunidades para se reposicionar no palco acaba se tornando a oportunidade que outros aproveitam.

No projeto DishBrain, desenvolvido pela startup Cortical Labs, os neurônios são colocados em um ambiente controlado e conectados a eletrodos que servem como pontes entre o mundo biológico e o digital. Quando jogam Pong, eles recebem "punições" e "recompensas" na forma de pulsos elétricos (conforme erram e acertam a bola) e "aprendem" a controlar a raquete em apenas 5 minutos. Esse processo é possível graças à neuroplasticidade dos neurônios, que, mesmo fora de um corpo humano ou animal, conseguem formar conexões e reorganizar suas "redes" em resposta a estímulos.

Outro conceito importante por trás da computação biológica é o da energia livre, que explica como o cérebro faz previsões sobre o mundo a seu redor com base em modelos internos. Esse mecanismo permite que sistemas de IA baseados em neurônios aprendam a minimizar incertezas e tornar o mundo mais previsível, levando a um avanço considerável na forma como entendemos e utilizamos a inteligência artificial.

Os sistemas atuais possuem capacidade limitada de processamento e exigem ambientes altamente especializados para funcionar, mas, em mais alguns anos, os avanços na biotecnologia e na engenharia neural devem permitir treiná-los para modelar doenças neurológicas, como Alzheimer e Parkinson, para emular o comportamento de redes neurais do cérebro humano, oferecendo novas maneiras de entender a mente. 
Por outro lado, o uso de neurônios, mesmo cultivados em laboratório sem causar sofrimento a humanos ou animais, levanta questões sobre o limite entre máquinas e os seres vivos. 

Até que ponto essas redes neurais possuem algum nível de consciência e como garantir que não sejam usadas para fins questionáveis são perguntas que só o tempo irá responder. Estamos apenas começando essa jornada, e o futuro promete descobertas que até pouco tempo atrás seriam inimagináveis.