No início do ano, um celular Motorola explodiu no bolso de uma mulher que fazia compras num shopping do município goiano de Anápolis.
A vítima sofreu queimaduras de primeiro e segundo graus e foi encaminhada ao Hospital Alfredo Abraão.
“Histórica” foi uma expressão muito usada nos últimos dias para classificar a decisão unânime da 1a Turma do STF que promoveu a réus por tentativa de golpe de Estado Bolsonaro e outros sete acusados, entre eles os generais e ex-ministros Braga Netto e Augusto Heleno. O termo não é indevido. Em nossa longa história de tentativas e rupturas da ordem democrática, é a primeira vez que oficiais da mais alta patente das FFAA são submetidos ao devido processo legal por conspirarem contra o Estado Democrático de Direito.
Consumada a condenação e esgotados todos os recursos, não se pode correr o risco de que súplicas por abrandamento de penas estimulem a repetição de atos que tornem o Brasil vulnerável à volta de um autoritarismo que custou muitas vidas anos de atraso institucional. Mas nem tudo são flores nem certezas nesse jardim.
Vinte e quatro horas depois de morder, o procurador-geral soprou Bolsonaro. Alegando não haver elementos que justifiquem uma denúncia, a despeito de Mauro Cid ter forjado certificados de vacinação para o chefe e a filha dele, Laura, no apagar das luzes do mandato, às vésperas da viagem do capetão para a Flórida, o parecer de Gonet foi favorável ao arquivamento do caso.
No alvorecer do inquérito policial, Lindôra Araújo, braço-direito do então antiprocurador-geral Augusto Aras, sustentou que Cid arquitetara e capitaneara toda a ação criminosa sem o conhecimento de Bolsonaro. Relator do caso, Moraes anotou num despacho que essa versão "não era crível"não ser crível". No auge da pandemia, Bolsonaro implicou com vacinas, receitou cloroquina e desrespeitou regras sanitárias. A irresponsabilidade cresceu junto com o número de cadáveres. "E daí?", disse ele. "Não sou coveiro!".
Diante disso, causa espécie que Gonet trate a fraude da vacina como uma espécie de crime de somenos, coisa insignificante. Ao afirmar que há apenas a delação de Cid como elemento contra Bolsonaro e, portanto, não poderia denunciar o ex-presidente, o procurador parece ter encarnado seu antecessor. Moraes determinou o arquivamento do inquérito. É uma no crava, outra na ferradura.
Por meio de nota, a Motorola disse que orientou a consumidora a encaminhar o celular — que ficou parcialmente derretido — para a análise técnica, e que seus produtos são cuidadosamente projetados e submetidos a testes rigorosos para oferecer um desempenho seguro para os usuários.
Essa não foi primeira vez (e certamente não será a última) que celulares apresentam problemas do tipo. Já houve casos envolvendo modelos da Apple, da Xiaomi e da Nothing, entre outros. Na China, um iPhone 14 Pro Max explodiu na cama de uma mulher; na Bahia, um dispositivo de marca não revelada feriu uma pessoa; e no município cearense de Iguatu, o notebook de uma cantora pegou fogo durante um show.
Evite expor seu aparelho ao sol (na praia, por exemplo), use carregadores e cabos originais ou homologados pela fabricante, não o deixe recarregando sem supervisão, mantenha o software atualizado e verifique regularmente se há rachaduras, vazamentos ou inchaço na carcaça, especialmente na região da bateria.