ESTUPIDEZ É TER ACESSO À VERDADE E CONTINUAR ACREDITANDO NA MENTIRA.
Vinicius de Moraes ensinou que "não há nada como o tempo para passar", e é impossível fugir a essa dura realidade — sobretudo no campo da tecnologia, onde o que valia ontem pode não valer hoje, e o que vale hoje pode não valer amanhã.
Os computadores portáteis surgiram nas pegadas dos desktops e, a despeito de custarem bem mais caro, logo se popularizaram entre os usuários domésticos. Mas o tempo passou, e a versatilidade dos smartphones relegou os notebooks (e os PCs de mesa) a tarefas que exigem telas maiores, teclado e mouse físicos, e mais "poder de fogo" do que os smartphones medianos são capazes de oferecer.
Por conta da mobilidade e do uso em trânsito, os notebooks sempre estiveram mais sujeitos a quedas (e furtos, por que não dizer?) do que os desktops. O mesmo vale para os onipresentes smartphones, que as pessoas usam o tempo todo e levam a toda parte. Capinhas de silicone ajudam a reduzir o risco de danos, e películas de vidro temperado protegem o display contra riscos e trincas, mas não afastam os efeitos deletérios do calor (como sabe quem já esqueceu o celular dentro do carro num dia de verão) ou de uma chuvarada, por exemplo.
Uma toalha felpuda resolve o problema do usuário, mas não o do celular. Cobrir o aparelho com arroz pode até funcionar, pois esse cereal tem propriedades hidrofílicas, mas o resultado será melhor se você remover o SIM card e cobrir o dispositivo com sachês de sílica-gel — como os que vêm em embalagens de eletrônicos —, mantendo-o num recipiente fechado por, no mínimo, 24 horas. Ainda assim, vale destacar que a progressiva oxidação dos componentes internos pode comprometer o funcionamento no médio prazo. Fique atento a sinais como brilho irregular da tela, som intermitente, falhas na conexão com o carregador, entre outros.
Telas com taxa de atualização de 144 Hz ou superior, sensor de profundidade, resolução QuadHD, zoom digital de 100x, câmeras macro de 2 MP e gravação em 8K são características que os fabricantes alardeiam para "enfeitar o pavão", mas que oferecem benefícios reais bastante limitados para a maioria dos usuários. Se possível, opte por um modelo sem essas frescuras, mas com classificação IP68, que garante proteção dos componentes internos contra poeira e água — mesmo com submersão contínua por até 30 minutos, numa profundidade de até 1,5 metro.
Observação: Nesse contexto, IP é o acrônimo de Ingress Protection (proteção de entrada, em inglês). O número 6 indica que o aparelho é vedado contra poeira; os números 7 e 8 indicam resistência à água — mas não significam que o dispositivo seja, de fato, à prova d’água. Na prática, ele suporta respingos, chuva e até um breve mergulho, mas não é indicado para banho de piscina, mar, chuveiro quente ou sauna (seca ou úmida).
Continua...
