terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 71ª PARTE

WE ARE ALL TIME TRAVELERS, YESTERDAY'S GONE, TOMORROW NEVER COMES, THE FUTURE HAS ALREADY HAPPENED.

 

Talvez o tempo seja apenas uma ilusão emergente — uma percepção derivada de mudanças na posição e nos estados das partículas —, o que permite negar sua existência sem afrontar a causalidade. 


Einstein definiu o Universo como um bloco quadridimensional contendo todo o espaço e o tempo simultaneamente, sem um “agora” especial. Suas equações relativísticas descrevem o espaço-tempo como uma entidade única e maleável, curvada pela presença de massa e energia. Essa premissa é aceita pela comunidade científica, mas a aparente incompatibilidade entre a relatividade e a mecânica quântica suscita dúvidas quanto à solidez de sua teoria, pois a gravidade é a única das quatro forças elementares que não se aplica ao mundo das partículas.


A mecânica quântica lida com forças e partículas em escalas microscópicas, onde o eletromagnetismo e as forças forte fraca são descritos por teorias quânticas bem estabelecidas. Mas a gravidade resiste a essa quantização, e sua incompatibilidade com a relatividade geral se evidencia em singularidades como as que habitam o interior dos buracos negros, onde a gravidade se torna extremamente intensa em uma escala minúscula.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Tarcísio de Freitas acha que é uma coisa, mas sua reputação indica que ele já virou outra coisa devido à submissão a Bolsonaro, um líder preso que o submete a uma realidade muito parecida com a de uma mulher da ficção criada por Josué Guimarães.

Essa mulher da literatura sofria de uma doença que a fazia diminuir diariamente de tamanho. Seus parentes serravam os pés das mesas e das cadeiras, rebaixando os móveis para que ela não percebesse o que lhe acontecia. No caso de Tarcísio, o criador tenta disfarçar o encolhimento da criatura reduzindo a rendição ao projeto presidencial de Flávio Bolsonaro a um gesto de gratidão.

Na semana passada, Bolsonaro serrou os pés da cadeira de Tarcísio quando, em visita à Papudinha, o vassalo assumiu formalmente com seu amo e senhor o compromisso com de restringir sua ambição política em 2026 à disputa pela reeleição ao Palácio dos Bandeirantes. Atento ao movimento, Kassab serrou as pernas da mesa de Tarcísio, e como não conseguiu convencer o chefe a abraçar o desafio de elevar a própria estatura na corrida pelo Planalto, intensificou a articulação para o lançamento de um presidenciável alternativo da direita, que será escolhido numa lista tríplice que inclui Ratinho Júnior, Eduardo Leite e Ronaldo Caiado.

Acorrentado a Bolsonaro, Tarcísio abriu mão de construir uma candidatura conservadora de viés democrático em contraposição ao radicalismo bolsonarista. Na véspera da capitulação da Papudinha, dividiu a mesa de almoço da ala residencial do Bandeirantes com Carlos Bolsonaro, que obteve o aval do pai e dos irmãos para visitar o governador, a quem se referiu como "eterno ministro", eufemismo para subordinado permanente do ex-chefe.

Mantido o processo de encolhimento, Tarcísio logo terá que substituir a cama do palácio por uma caixa de fósforos.

  

Enquanto a física quântica sugere que o espaço-tempo tem uma estrutura granular em níveis extremamente pequenos, a relatividade o trata como um continuum suave. Essa divergência estimulou a busca por uma teoria unificadora, como a teoria das cordas, que propõe novas formas de entender espaço-tempo e gravidade em escalas. 


Sustentar que o tempo não é necessário para explicar a gravidade — e, consequentemente, o espaço — implica a conclusão de que ele é um conceito inventado para explicar eventos simples, como o alvorecer, o anoitecer e outros vinculados ao calendário. Mas será que somos uma simples aleatoriedade no Universo, que flui indiferente à passagem das horas no relógio? Se todo o Universo pode ser explicado através das partículas fundamentais, por que a gravidade foge à regra? Supondo que exista alguma "partícula fundamental da gravidade", como o espaço e tempo podem estar intrinsecamente relacionados? 


Mesmo que o tempo não exista, que as horas, os dias, enfim, o que entendemos por "passar do tempo" seja mera convenção, a causalidade sugere que a existência de tudo — incluindo nós mesmos — estava pré-determinada desde o Big Bang. Como bem observou Stephen Hawking, se a evolução do Universo desde o plasma de quark-glúon até a formação de vida foi definida por uma cadeia de causas e consequências, o cosmos dar origem à matéria, às estrelas, aos planetas e às formas de vida era inevitável. 


Seja na foice de Cronos, nas notas de uma canção melancólica, nas reflexões dos filósofos, nas equações da física ou nas experiências íntimas de cada um de nós, o tempo permanece um enigma que nos escapa. Linear ou circular, absoluto ou relativo, real ou ilusório — ele é ao mesmo tempo prisão e liberdade. É o que tudo consome, mas também o que possibilita mudança, criação, recordação e futuro. Talvez seu maior facínio esteja justamente aí: mais do que um objeto de estudo, ele é a própria condição de nossa experiência de ser.

 

Mas e se o tempo não for aquilo que passa, mas aquilo que nos atravessa?


Continua...