quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

GATOS — OS OLHOS INVISÍVEIS DO MISTÉRIO

ENTRE O MISTÉRIO E O MIADO HÁ SEMPRE UM OLHAR QUE DECIFRA O INVISÍVEL.


No Egito Antigo, os gatos eram associados à deusa Bastet — símbolo de proteção, fertilidade e harmonia doméstica — e considerados animais sagrados. Ao longo dos séculos, eles se consolidaram como figuras misteriosas no imaginário humano. Na mitologia e no folclore, os bichanos aparecem como companheiros de feiticeiros e bruxas — caso do Mago Merlin e da Madame Min no desenho A Espada Era a Lei, dos estúdios Disney —, reforçando a aura mágica e o vínculo com o oculto que os cerca desde tempos imemoriais.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

No discurso de abertura do Ano Judiciário, Edson Fachin, presidente de turno do STF, defendeu que o momento pede “ponderações e autocorreção”, disse que seus pares “respondem pelas escolhas que fazem” e defendeu a elaboração de um código de ética no tribunal. Carmen Lúcia, presidente do TSE e escolhida relatora do processo, apresentou dez recomendações de conduta para juízes eleitorais, ampliando a pressão por uma iniciativa semelhante no Supremo. Davi Alcolumbre, atual presidente do Senado e do Congresso, pediu “diálogo, bom senso e paz”, além de exaltar o óbvio destacando que o ano será marcado pelas eleições. Já Hugo Motta, atual imperador da Câmara,, defendeu o poder dos deputados e senadores em destinar as emendas parlamentares e abordou as votações sobre o fim da escala 6x1 e a PEC da Segurança.


Dotados de sentidos apurados, os gatos têm olfato de nove a dezesseis vezes mais sensível que o dos humanos, potencializado pelo órgão de Jacobson (ou órgão vomeronasal), o que lhes permite perceber variações químicas e térmicas sutis. Tal capacidade explicaria o comportamento atento e protetor que muitos exibem quando seus tutores estão doentes — como se percebessem alterações invisíveis aos olhos humanos. Há registros documentados de gatos que insistiam em cheirar ou deitar sobre determinadas partes do corpo de seus tutores, nas quais posteriormente foram diagnosticados tumores. Outros relatos mencionam felinos que alertaram donos diabéticos sobre crises de hipoglicemia iminente ou anteciparam ataques epilépticos através de mudanças súbitas de comportamento.

Além das habilidades fisiológicas comprovadas, muitos lhes atribuem também uma espécie de “poder extra-sensorial” — a capacidade de captar emoções, pressentir tragédias ou prever desastres naturais. Tal sensibilidade costuma ser comparada aos dons atribuídos a médiuns, videntes e pessoas dotadas do chamado “sexto sentido”, isto é, a intuição capaz de antecipar eventos ou captar informações sem recorrer aos cinco sentidos tradicionais.

Um estudo conjunto da Queen Mary University of London e da University College London identificou em algumas pessoas o que os pesquisadores chamaram de “sétimo sentido”: uma forma de percepção tátil à distância, capaz de detectar deslocamentos minúsculos no ambiente. A descoberta abre espaço para curiosas comparações entre a sensibilidade humana e as extraordinárias capacidades perceptivas dos gatos. Casos como o do gato Oscar, que vivia em um lar de idosos em Rhode Island e ficou famoso por “prever” a morte de pacientes ao deitar-se junto a eles horas antes do falecimento, despertaram o interesse da comunidade científica.

Embora não haja explicações conclusivas, hipóteses apontam para a capacidade felina de perceber alterações sutis em odores corporais ou no ritmo respiratório — sinais que escapam totalmente à percepção humana. E se a ciência ainda hesita entre o ceticismo e o espanto, os gatos parecem absolutamente certos do que fazem.

Talvez o que chamamos de sexto sentido seja apenas a forma poética de nomear uma sensibilidade que a natureza, por alguma razão, manteve mais desperta nos animais do que em nós. Quiçá a diferença esteja apenas no modo de interpretar os sinais: enquanto os gatos agem por instinto, nós, humanos, tentamos traduzir em palavras o que deveríamos simplesmente sentir.

A fusão entre o passado mítico e sagrado e as evidências científicas sobre seus sentidos aguçados cria uma perspectiva fascinante sobre esses felinos, que podem ser vistos não apenas como companheiros fiéis, mas como seres dotados de uma conexão profunda — quase mística — com o mundo e com os humanos que os cercam. E convenhamos: talvez haja mais verdade do que mito nessa velha crença de que os gatos veem o que nós não vemos.

Enquanto seguimos debatendo se os gatos realmente pressentem doenças ou apenas reagem a cheiros e sinais sutis, eles continuam nos observando com aquela calma superior de quem já sabe as respostas — mas não tem a menor intenção de compartilhá-las.