terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

TARCÍSIO E OS "POLIÇAS" NAS SALAS DE AULA

É A INGUINORANSSA QUE ASTRAVANCA O POGREÇO.

Para tristeza da elite que não depende de serviços públicos essenciais, como a educação, e felicidade geral da nação, Tarcísio de Freitas não será candidato a presidente neste ano. Todavia, a julgar por sua atuação à frente do governo paulista — São Paulo concentra 30% do PIB brasileiro, mas ocupa a sexta posição no ranking nacional do ensino fundamental e um vergonhoso oitavo lugar no Ensino Médio —, uma eventual passagem pelo Planalto não só agravaria os atuais problemas como criaria outros pela adoção de falsas soluções.


Segundo um levantamento do Ideb divulgado em 2024, no período de 2019 a 2023 a qualidade da educação caiu em todos os níveis de ensino. Tarcísio reduziu a autonomia dos professores em sala de aula, trocou o livro didático pelas plataformas digitais e a avaliação conjunta do ensino por um sistema de denúncias e punições que aponta unicamente para os professores. Como “inovação", trouxe um programa cívico-militar que interfere em todas as relações escolares com a sutileza de um elefante numa loja de cristais.


A falta de preparo dos monitores — como são chamados os policiais militares aposentados que não realizam nenhuma prova para obter o cargo que lhes garante remuneração superior à dos professores e é contestada pela PGR —, os editais para preencher as vagas nas 100 escolas que entraram no programa (das 302 consultadas) falam em provas de títulos, mas cheira a cabide de empregos. 


Num vídeo gravado no primeiro dia de aula de uma escola estadual em Caçapava (SP), enquanto um militar ensinava a ordem unida (posturas militares) aos alunos, outro escrevia três palavras na lousa — duas das quais com erros de ortografia. Num ambiente escolar, em que aprender português de acordo com a gramática faz parte das habilidades esperadas, o que foi ensinado pelos monitores - ordens de sentido, continência, descansar - são de pouca ou nenhuma utilidade, dada sua total inadequação à sala de aula de uma escola. 


Os tais monitores - pelo menos um em cada escola, de acordo com a lei estadual que criou programa - têm entre suas atividades a organização escolar, a segurança e o desempenho de atividades extracurriculares, o que significa interferência na autonomia pedagógica e a imposição de um modelo formativo de corporação militar aos estudantes, oposto ao ambiente de acolhimento, compreensão e inclusão adequado ao aprendizado. Um problema que se torna ainda maior quando a corporação em questão não tem obtido bons resultados nem para formar seus próprios membros, como demonstram os altos índices de violência policial e de problemas de saúde mental entre os policiais militares, que  vêm desde o treinamento.


Educar crianças e adolescentes em um país profundamente desigual, racista, com uma herança de fome, analfabetismo e privação, não permite visões estreitas e ultrapassadas, o amadorismo e o risco de colocar nas salas de aula pessoas sem formação adequada ou com problemas sérios de conduta. Mas o governador de São Paulo parece não ter repertório para além do porrete — como demonstra sua gestão da segurança pública — e sua devoção desbragada ao ex-presidente e atual hóspede compulsório da Papudinha — que o afilhado já externou em diversas oportunidades.


Triste Brasil.

 

Com Marina Amaral — Diretora Executiva da Agência Pública.