SE O PROBLEMA TEM SOLUÇÃO, NÃO HÁ RAZÃO PARA SE PREOCUPAR; SE O PROBLEMA NÃO TEM SOLUÇÃO, DE NADA ADIANTA SE PREOCUPAR.
Trinta anos atrás, os físicos provaram que a comunicação entre duas partículas entrelaçadas é instantânea. A experiência original envolvia o uso de um imã para inverter a polaridade de uma das partículas, o que fazia a polaridade de sua partícula gêmea se inverter de imediato, quer ela estivesse localizada no mesmo recinto ou a quilômetros de distância.
CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA
Segundo um velho axioma da política tupiniquim, CPI a gente sabe como começa mas não sabe como acaba. Geralmente acaba em pizza, mas houve casos notórios em que essas comissões produziram resultados. Um bom exemplo é a CPI da Pandemia. Bolsonaro não foi punido porque Augusto Aras, antiprocurador-geral e esbirro do capetão, moveu mundos e fundos para blindar seu amo e senhor.
A CPI do Crime Organizado começou de forma bombástica, convidando o presidente e o ex-presidente do BC, ex-ministros da Fazenda de diversos governos, um ministro palaciano atual e togas do STF. No entanto, ao contrário de convocações, Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e outros "convidados" não estão obrigados a depor — embora devessem esclarecer suas eventuais ligações com um banqueiro acusado de fraude.
Paralelamente, a CPI está tentando quebrar o sigilo de uma empresa controlada pelo Maquiavel de Marília, e aí o jogo se torna mais perigoso para todos os envolvidos.
Dado o amplo grau de compra de acesso exercido pelo dono do Banco Master em vários setores da política brasileira, o apetite no Parlamento por uma CPI voltada apenas para o tal banco é bastante reduzido.
Segundo matéria publicada no Economist, o STF está envolvido em um "enorme escândalo", mas o Senado barrou a quebra de sigilo do escritório da mulher de Moraes. Nos bastidores, o entendimento foi de que uma eventual quebra de sigilo poderia desencadear um confronto institucional com o STF.
Triste Brasil.
Observação: A chave para esse processo é o entrelaçamento quântico: quando duas partículas estão entrelaçadas (ou emaranhadas, como alguns preferem dizer), a alteração no estado de uma delas provoca uma mudança imediata na outra, independentemente da distância que as separa. Usando uma interface de rede fotônica, pesquisadores da Universidade de Oxford conectaram com sucesso dois processadores quânticos separados para formar um único computador quântico totalmente conectado. A informação foi transferida de um fóton para outro, com a velocidade da luz, sem que o fóton original se movesse fisicamente, mas o transporte de matéria exigiria transformar um objeto em informação e, em seguida, a informação captada em uma reprodução em outro lugar usando uma espécie de impressora 3D. Mas isso já é outra conversa e fica para uma outra vez.
Os cientistas demonstraram há décadas que o pensamento humano, quando focado, é literalmente capaz de alterar a química corporal do indivíduo, mas o conceito de cura remota continua sendo visto com ceticismo, considerado vudu e tratado com desdém por parte da medicina. Sei de pessoas com QI superior a 140 que dão por verdade a fábula da criação do mundo segundo Gênesis e que acreditam que os seres humanos provêm de Adão e Eva, a despeito dos indícios científicos acachapantes da evolução e de os arqueólogos terem encontrado fósseis com mais de três milhões de anos.
"Eu acredito que Deus espalhou esses indícios como um truque para testar minha fé", afirmam os fanáticos religiosos, e se você acha que eles têm um apego irracional pela própria visão do mundo, é porque não conhece alguns acadêmicos catedráticos que tendem a seguir agarrados a suas crenças, mesmo depois de seus modelos ficarem claramente obsoletos.
Voltando ao mapa dos atalhos cósmicos, talvez as chaves do tempo não estejam apenas nas equações de Einstein, mas também nas entrelinhas da curiosidade humana — esse motor que, desde H.G. Wells, insiste em girar no sentido contrário das impossibilidades.
Conforme eu mencionei no final do capítulo anterior, há quem diga que o primeiro a testar uma dessas teorias não foi um físico, mas um homem comum, cujo desaparecimento intriga tanto quanto as equações que ele dizia ter decifrado. Em última análise, impossível mesmo é voltar atrás depois de cruzar o horizonte de eventos da própria curiosidade.
Continua…
