sexta-feira, 17 de abril de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — PARTE VI — EXPERIÊNCIAS DE QUASE MORTE

O QUE FAZEMOS AGORA ECOA NA ETERNIDADE.

Se o tempo e o espaço são uma ilusão e a consciência realmente opera fora desses limites, talvez os raros momentos em que a vida entra em modo de manutenção, enquanto a mente parece entrar em modo de expansão, não sejam falhas do sistema, mas breves vislumbres de sua arquitetura real. Sob essa perspectiva, as chamadas Experiências de Quase-Morte (EQMs) deixam de ser um problema e passam a ser um indício incômodo: relatos de percepção lúcida, memória organizada e até descrição precisa do ambiente em estados nos quais, em tese, o cérebro já teria encerrado suas atividades.


Se mudarmos de lente e voltarmos ao modelo clássico — em que a consciência é produto do cérebro —, uma parada cardíaca completa deveria equivaler ao desligamento de um computador. Tela preta. Fim da história, Mas como explicar a consciência sem cérebro, a visão sem olhos e a memória sem atividade neural?


Seriam as EQMs brechas no tecido do tempo… ou apenas a consciência sintonizando uma frequência que, na maior parte do tempo, somos incapazes — ou talvez proibidos — de perceber? Ou, mais desconcertante ainda: não é a consciência que aparece quando o cérebro falha… é o cérebro que limita aquilo que a consciência poderia ser.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Paulo Henrique Costa assumiu a presidência do BRB — o banco público de Brasília — com fama de homem de bem. Em meio ao escândalo do Master, foi demitido sob a suspeita de que se deu bem nas tramoias de Daniel Vorcaro. Preso em flagrante pela Polícia Federal, levou consigo a reputação destruída e um inventário pouco discreto: seis imóveis avaliados em R$ 140 milhões. Para um homem de bem, patrimônio considerável. Não se chega a uma fraude de R$ 12,2 bilhões — como a que Vorcaro aplicou contra o BRB — na base do improviso. Esse tipo de operação exige arquitetura, cumplicidade e, sobretudo, tempo. O avanço das investigações trouxe à tona uma espantosa sequência de fatos extraordinários envolvendo pessoas ordinariamente corruptas: havia muito patrimônio por trás do matrimônio do Master com o banco público que o então governador Ibaneis Rocha, com a desenvoltura característica de quem governa para si mesmo, desgovernou com notável dedicação. Ainda no mês anterior, Vorcaro tentou vender um dos imóveis dados como propina ao ex-presidente do BRB — detalhe que, sozinho, diz tudo sobre o nível de impunidade que esses personagens julgavam ter conquistado. Vender o imóvel dado como suborno é o tipo de audácia que só se explica pela certeza de que nada aconteceria. Desta vez, aconteceu. Além de Paulo Henrique, foi preso o advogado Daniel Monteiro, um dos operadores de Vorcaro na gestão dos fundos usados para comprar autoridades da República. Ele representou o dono do falecido Banco Master nas negociações com o BRB — negociações que o Banco Central barrou, não sem antes o esquema ter causado o estrago que causou. A presença de um advogado como operador central não é detalhe: é a marca registrada de fraudes sofisticadas, nas quais a linguagem jurídica serve menos para garantir direitos do que para obscurecer crimes. Resta saber se os bens e verbas de origem torpe serão efetivamente recuperados — pergunta que, no Brasil, carrega embutida uma dose generosa de ceticismo histórico. A experiência sugere que, no país das operações que começam com estrondo e terminam em arquivamento, a expectativa de justiça completa é, no mínimo, prematura. Resumo da ópera: um país sem justiça se transforma num covil de ladrões — como comprova a súcia abjeta que se aboletou nas sedes dos Três Poderes desta republiqueta bananeira de quinta categoria. A diferença entre um Estado e uma quadrilha, em certos momentos da história brasileira, é questão de formalidade.


A morte é a única certeza que temos na vida, mas o que supostamente existe depois dela é uma incógnita que atormenta a humanidade desde sempre. Não há provas irrefutáveis de vida após a morte, mas Carl Sagan ensinou que ausência de evidência não é evidência de ausência


Do ponto de vista da medicina, a morte é a cessação irreversível das funções vitais do organismo, mas as EQMs contrariam essa visão estritamente materialista porque a consciência é a capacidade de ter conhecimento e percepção de si mesmo, do mundo ao redor e dos próprios pensamentos e sentimentos. 


Os neurologistas associaram a consciência ao córtex pré-frontal em 1848, depois que Phineas Gage — um operário que teve o crânio trespassado por uma barra de ferro — "recobrou a consciência" e se tornou um cafajeste arrogante. Mais adiante, descobriu-se que a área afetada — o córtex pré-frontal, — exerce um papel preponderante na capacidade de sentir emoções como o remorso, de modo que mudanças físicas no cérebro podem alterar a personalidade das pessoas.


Vale destacar que não existe uma definição universalmente aceita do que seja consciência. A medicina descreve seus sinais, a neurologia procura suas bases anatômicas, a psicologia debate seus conteúdos, e a filosofia insiste que nenhuma dessas lentes, isoladamente, dá conta do fenômeno. Mal comparando, seria como tentar descrever o mar medindo apenas a espuma.


Por mais que associemos consciência à atividade cerebral, ainda não sabemos por que certos padrões de neurônios em ação dariam origem à experiência subjetiva — ao “como é ser” alguém. É esse abismo conceitual que fez surgir tentativas de formalizar a coisa. Teorias como a Materialista e as da Informação Integrada e do Espaço de Trabalho Global tentam explicar a origem daquilo que os religiosos tratam por alma, espírito, sopro vital, enfim, algo separado do corpo físico, ainda que usando vocabulário e métodos bem diferentes.


Relatos de alguns pacientes que foram reanimados após serem declarados clinicamente mortos envolvem a sensação de flutuar e de ver o próprio corpo “de cima”. Muitos descrevem encontros com parentes já falecidos, túneis de luz, sensação de paz e até detalhes de conversas que ocorreram enquanto os médicos tentavam trazê-los de volta à vida.


Não se sabe exatamente o que são essas “experiências de quase morte”, por que elas ocorrem ou o que representam, mas sabe-se que elas variam de pessoa para pessoa, podendo ser positivas ou perturbadoras, e é justamente nesse vácuo que entram as Experiências de Quase Morte (EQMs).


A relação das EQMs com a consciência e a vida após a morte vem sendo pesquisada e debatida por neurologistas, psicanalistas e biologistas há décadas, mas ainda não se sabe se elas têm base neurológica, se são produzidas pela mente em resposta a uma situação de morte iminente ou se sua natureza é mais espiritual ou transcendental.


Sabe-se que pacientes alcoolizados, vítimas de overdose de drogas que afetam a consciência tendem a descrever experiências bizarras e confusas, e pessoas que se viram em situações de morte iminente, a relatar episódios com elementos cognitivos, distorção temporal e aceleração do pensamento.


Uma médica de 68 anos disse que assistiu a uma revisão crítica de sua vida e entrou num túnel que a levou a um local de paz, mas despencou em posição de Trendelenburg e retornou ao corpo pela região do chacra cardíaco. Outra médica de 42 anos contou que foi puxada para o interior de um túnel com luzes coloridas, mas voltou ao corpo e despertou antes de descobrir o que havia do outro lado. 


A cantora Madonna revelou à revista Variety que, durante uma EQM, Deus lhe perguntou se queria ir com Ele e ela respondeu que não. O iatista Lars Grael, que perdeu uma perna e sofreu duas paradas cardíacas, disse ter sentido uma paz enorme enquanto levitava sobre o próprio corpo. A atriz Sharon Stone enxergou um ser feito de luz branca enquanto estava inconsciente num túnel de ressonância magnética, e Elizabeth Taylor se viu na mesa de operação ao lado de um de seus falecidos maridos (ela se casou 8 vezes, duas com o ator Richard Burton).


Há inúmeros casos documentados de crianças que viram parentes que jamais conheceram — e que foram capazes de álbuns de família — e relatos de religiosos que afirmaram ter encontrado Deus, Jeová, Alá, Oxalá, Krishna — conforme o cardápio metafísico de cada fé —, e certamente haveria muitos mais se tanta gente não evitasse falar sobre o assunto por medo de ter a sanidade mental questionada, a exemplo de quem relata contatos imediatos de segundo, terceiro, quarto e quinto graus.


Acredita-se que a consciência seja como um filme "projetado" por uma série de atividades realizadas no cérebro, que reúne a história da vida de cada pessoa. Essa capacidade de representar o mundo na mente se estende a outros seres vivos, mas em um grau muito menor — uma anêmona do mar se expande ou se contrai na presença da luz solar, enquanto o homo sapiens conta com uma série de instrumentos que representam o ambiente de forma bem mais sofisticada. Mas a pergunta é: em que momento essas atividades formam aquilo que chamamos de consciência?


Supondo que a consciência seja um fluxo contínuo de conexões neurológicas que se inicia com o nascimento e termina com a morte, cada nova experiência leva o cérebro a criar uma representação mental e armazená-la na memória. Pesquisadores que monitoraram o funcionamento do cérebro através da tomografia por emissão de pósitrons descobriram que diversas atividades responsáveis pela consciência demandam ações conjuntas de várias regiões.


Em suma, o que cada um de nós faz é a soma de todas as representações feitas de nós mesmos, dos outros e do ambiente que nos circunda, mas a ciência não explica a capacidade que algumas pessoas têm (ou alegam ter) de se conectar com o além, receber mensagens de quem já passou desta para melhor (ou para pior), lembrar de vidas passadas, ver entes falecidos, receber mensagens psicografadas e incorporar entidades que tanto podem ser “do bem” quanto “do mal”. 


O que a Igreja diz a respeito vai na mesma linha da criação do mundo segundo o Gênesis, que, convenhamos, qualquer pessoa minimamente esclarecida deveria refutar. Embora a possibilidade de existir um ser superior seja plausível, o deus vingativo dos pastores papa-dízimo e dos padres pedófilos é inadmissível. 


No fim das contas todas as religiões são a verdade sagrada para quem as professa e meras fantasias para os seguidores das outras religiões, mas não há crença, por mais estúpida que seja, que não tenha fiéis sectários.


Continua…