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terça-feira, 28 de julho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — AINDA SOBRE O BIG BANG

O ETERNO NOS CRIOU À SUA IMAGEM E SEMELHANÇA, MAS DEVE TER ERRADO ALGUM INGREDIENTE OU O TEMPO DE COZIMENTO, POIS NOS TORNAMOS DEUSES DE MERDA.

Vimos que os físicos Fred Hoyle, Thomas Gold e Hermann Bondi levantaram a hipótese de que o universo não teria começo nem fim; que Hoyle ironizou a ideia de toda a matéria ter surgido em um "grande estrondo", que a ironia pegou e o termo Big Bang foi adotado pela imprensa, embora tudo tenha começado não como uma grande explosão, mas como uma expansão cósmica há quase 14 bilhões de anos, cujos efeitos ainda podem ser observados através do desvio para o vermelho na luz das galáxias distantes.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Numa homenagem à imprestabilidade, o PL oficializou a escolha do primogênito do refugo da escória da humanidade como candidato à Presidência em uma convenção em São Paulo com direito a discurso do filho do pai com referências a si próprio como "o filho mais velho do capitão". A convenção contou com um recado do primeiro-ministro de Israel, que afirmou que o filho do pai é um grande defensor do Brasil, e com a presença do presidente da Argentina, que veio especialmente para a convenção e chamou o ministro Alexandre de Moraes de "lixo careca" por negar a autorização para que ele visitasse o golpista, que cumpre pena em prisão domiciliar humanitária. . 

Também marcaram presença o governador Tarcísio de Freitas, puxa-saco do Messias, de Valdemar Costa Neto, ex-presidiário do Mensalão e presidente do PL, e do senador Rogério Marinho — outro que morreria afogado se Bolsonaro tomasse um banho de assento —, além de uma série de congressistas e candidatos do PL. 

Estavam no palco ainda o prefeito de São Paulo e candidatos a governador pelo PL, como Sergio Moro, o ex-herói nacional que passou a vergonha nacional e disputa o governo do Paraná. O evento nauseabundo começou com o hino nacional e 22 segundos de silêncio em alusão à suposta tentativa de calar a direita no Brasil, nas palavras do cerimonialista. 

A ex-primeira-dama e madrasta não participou presencialmente do evento, alegando estar em casa cuidando do "seu galego", e tampouco elogiou o enteado-candidato mas pediu que Deus abençoe e proteja sua candidatura e desejou força para a família dele para cumprir a missão com a lealdade que nosso povo merece (pausa para as gargalhadas).  

Os sinais de isolamento do stronzino foram evidenciados pela ausência dos presidentes nacionais dos demais partidos — embora o PL queira repetir a coligação de Bolsonaro em 2022 com a federação União Brasil-PP e o Republicanos, as legendas sinalizaram preferir a neutralidade desta vez.

A falta de uma coligação deixou a chapa sem candidato a vice — a expectativa era de que partidos aliados indicassem um nome, de preferência uma mulher. Em seu discurso, Tarcísio, que foi preterido pelo filho do pai para concorrer ao Planalto, disse que o senador das rachadinhas, panetones e mansões milionárias estava ali não pelo sobrenome, mas por ser uma pessoa que vai honrar o pai e o legado e será o maior presidente da história (pausa para o Plasil).

O governador puxa-saco de presidiário aproveitou para criticar o PT e pedir ao público que busque votos e convença os indecisos: "não tem espaço mais para o cansaço, a gente não pode mais se poupar, são 70 dias de trabalho e sacrifício".

Em resumo, mudaram as moscas, mas a merda continua sendo rigorosamente a mesma.

A despeito da imprecisão, o nome Big Bang se espalhou pelo mundo como um bordão irresistível. Em 1993, a revista Sky and Telescope organizou um concurso para substituir o nome e recebeu 13.099 sugestões de 41 países, mas nenhuma convenceu a banca de jurados, que incluía o astrônomo Carl Sagan. Assim, o nome permaneceu, e Hoyle entrou para a história como o homem que batizou uma teoria na qual nunca acreditou.

Faltou dizer que um esforço para melhorar as comunicações por rádio, um ruído vindo do espaço e alguns físicos teóricos formaram uma improvável conjunção de fatores que ajudou a comprovar o principal pilar da cosmologia moderna, embora não explique que existia antes da "grande expansão" e sustente que as leis da física clássica não se aplicam àquele momento inicial. Essa lacuna deu origem a alternativas como a Teoria M, segundo a qual existem inúmeros universos paralelos, e a colisão entre dois deles teria gerado toda a matéria e energia que compõem o nosso Universo. Algumas correntes sustentam que espaço e tempo sempre existiram, e que a grande expansão não foi o ponto inicial de tudo, mas o resultado do colapso entre diferentes dimensões — nesse caso, a explosão primordial — que teria dado origem múltiplos universos que surgiram como bolhas em um caldo cósmico de possibilidades. Essas ideias já foram consideradas pura ficção científica, mas hoje ensejam debates sérios entre físicos teóricos, que tentam conciliar a Relatividade com a Mecânica Quântica por meio de hipóteses como a de que o nosso universo seria apenas uma "membrana" flutuando em um espaço de dimensões superiores imperceptíveis para nossos sentidos. A questão é que aquilo que chamamos de “realidade” seria apenas um entre incontáveis cenários possíveis, com leis físicas diferentes, constantes variadas e talvez até versões alternativas de nós mesmos em outras configurações do espaço-tempo. Na esteira desse raciocínio, o Big Bang deixaria de ser o "início de tudo" e se tornaria apenas um episódio em uma história muito maior — uma entre trilhões de páginas de uma história que ninguém escreveu, mas que insiste em se desenrolar. Ainda que tudo isso não passe de hipóteses, são hipóteses escoradas em equações, observações indiretas e modelos matemáticos complexos, e para muitos físicos a elegância de uma teoria é quase tão sedutora quanto sua capacidade de ser testada. É nesse limite entre o rigor e o devaneio que a ciência avança. Aliás, a verdadeira "beleza" da ciência não está nas respostas, mas nas novas perguntas que cada resposta suscita. Dito isso, o que veio antes do tempo? O que existe fora do espaço? O nada é mesmo nada ou apenas algo que ainda não fomos capazes de entender? A física como a conhecemos deixa de fazer sentido nos primeiros 5,39 × 10⁻⁴⁴ segundos contados do "início" do universo — intervalo conhecido como tempo de Planck. Nesse limite extremo, a gravidade e a mecânica quântica tornam-se incompatíveis. Conforme o universo se expandiu e esfriou — por volta de 10⁻⁶ segundos após o Big Bang — sopa densa e quente de quarks e glúons começou a formar prótons e nêutrons. Assim, quando falamos que “tudo veio do nada”, devemos ter em mente que, na cosmologia, “nada” pode significar ausência de matéria, de espaço-tempo ou mesmo um vácuo quântico repleto de flutuações. Segundo a Teoria Quântica de Campos, mesmo no vácuo existem atividades físicas — flutuações de energia que podem dar origem a partículas que logo desaparecem. Por mais que esse cenário pareça uma abstração matemática, essas partículas foram detectadas em inúmeros experimentos. Algumas hipóteses sugerem que o Universo pode ter surgido de uma flutuação do vácuo, com energia total zero — em que a energia positiva da matéria seria cancelada pela energia negativa da gravidade. Stephen Hawking e outros físicos exploraram a ideia de que o surgimento espontâneo do Universo seria possível dentro da física quântica —, mas não devemos perder de vista que estamos falando de um campo altamente especulativo. Voltando no tempo até a chamada Era de Planck — que ocorreu um décimo de milionésimo de um trilionésimo de um trilionésimo de um trilionésimo de segundo após o Big Bang — deparamo-nos com um limite onde nossas melhores teorias entram em colapso e próprio espaço-tempo sofre flutuações quânticas. E como a mecânica quântica governa o micromundo das partículas, e a relatividade geral, o universo em grande escala, unificá-las exige um Teoria de Tudo. Segundo a Teoria das Cordas e a Gravidade Quântica em Loop, espaço e tempo seriam conceitos emergentes como ondas na superfície de um oceano profundo, e o que chamamos de espaço-tempo seria o resultado de processos quânticos ainda mais fundamentais. Isso fica ainda mais interessante quando tentamos entender que, na Era de Planck, o espaço e o tempo deixam de fazer sentido e a causalidade se desintegra. As principais candidatas à "teoria da gravidade quântica" descrevem um tipo de realidade física que estaria ocorrendo no tal "momento primordial" — uma espécie de precursor quântico do espaço e tempo. Mas a física ainda não encontrou um exemplo confirmado de algo surgindo literalmente do nada — a procura por esse "santo graal" deu azo a explicações sobrenaturais, a modelos cíclicos do Universo e à Teoria do Multiverso, segundo a qual infinitos universos coexistem, cada qual com suas próprias leis e histórias. Inspirado por uma conexão matemática curiosa entre um universo inicial quente e denso e um universo final frio e vazio, Roger Penrose, ganhador do Nobel de Física em 2020, propôs a chamada cosmologia cíclica conformada, na qual os estados iniciais e finais se tornam matematicamente idênticos quando levados aos seus limites. Em outras palavras, o Big Bang pode ter surgido de um "quase nada", isto é, do resquício de um universo anterior onde toda a matéria teria sido consumida por buracos negros e transformada em fótons dispersos num imenso vazio. Mesmo assim, esse "nada" ainda seria um tipo de "algo", ainda que fosse um universo físico desprovido de estrutura. O paradoxo aqui é que esse estado frio e vazio pode ser o mesmo que o estado quente e denso visto sob outra perspectiva. A solução, segundo Penrose, poderia ser uma transformação geométrica complexa, que altera o tamanho, mas não a forma — já que tanto o conceito de tamanho como o próprio tempo podem deixar de fazer sentido em estados extremos. O estado frio e vazio existiria eternamente numa linha do tempo própria, enquanto o estado quente e denso habitaria uma nova linha temporal. Ainda que essa hipótese se comprove no futuro, a pergunta filosófica mais profunda ainda permanece: de onde veio a própria realidade física? De ciclos infinitos, cada um gerando o próximo com variações quânticas aleatórias? Ou de um único ciclo, repetido eternamente, como um universo que retorna sempre ao mesmo ponto, reproduzindo a si mesmo? Ao sugerir que cada ciclo do universo é único, Penrose abre a possibilidade de detectarmos vestígios do ciclo anterior na radiação cósmica de fundo que observamos hoje. Ele e seus colegas afirmam ter encontrado essas marcas nos dados coletados pelo satélite Planck, que mapeou com alta precisão essa radiação remanescente do Big Bang, e que, certos padrões circulares identificados nos mapas poderiam ser ecos de buracos negros supermassivos que existiram no ciclo anterior. Ainda que essas conclusões ainda sejam alvo de intenso debate entre os cientistas, um dia encontrarmos uma forma natural de transformar a cosmologia cíclica de múltiplos ciclos para um único ciclo fechado, e assim nosso Universo poderia ser um loop contínuo do Big Bang ao vazio e de volta ao Big Bang, num renascimento perpétuo do mesmo multiverso quântico onde tudo que pode acontecer acontece, e acontece de novo, de novo e de novo. Na mitologia nórdica, a serpente Jörmungandr, filha de Loki,, morde a própria cauda, criando o círculo que sustenta o equilíbrio do mundo. Como se vê, a pergunta "de onde viemos?" pode ser mais antiga do que imaginamos. As teorias são muitas, mas, ao fim e ao cabo, talvez todas nos levem de volta ao ponto de partida.

Continua...

domingo, 12 de abril de 2026

CONTRAFILÉ — NA BRASA OU NA FRIGIDEIRA, SEMPRE UMA BOA OPÇÃO

CHATO É AQUELE QUE FALA QUANDO A GENTE QUER QUE OUÇA.

A picanha começou a ser separada da alcatra no final dos anos 1950, quando os imigrantes alemães que trabalhavam na fábrica da Volkswagen, em São Bernardo do Campo (SP), utilizavam o corte para preparar o tafelspitz — receita austríaca que consiste em picanha acompanhada de maçã e raiz-forte, servida com batatas.


Considerada carne “de segunda” até meados da década de 1970, a hoje rainha das churrascarias ganhou status e se tornou sinônimo de churrasco no Brasil. Hoje, com o preço nas alturas a despeito da promessa de palanque de Lula, ela vem sendo preterida por cortes como alcatra, maminha e contrafilé, que são excelentes alternativas para quem busca carne saborosa, versátil, mais em conta e fácil de preparar.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Com cerca de 733.759 habitantes (5,65 hab./km²), o Amapá é um dos estados brasileiros com menos habitantes e menor densidade demográfica. Já São Paulo, tido como a "locomotiva do Brasil", tem 46,08 milhões de habitantes (média de 180,86 hab./km²). A título de referência, a média nacional gira em torno de 24 hab./km², e cada unidade da Federação (26 Estados e o Distrito Federal) é representada por 3 senadores, sendo o amapaense Davi Alcolumbre o presidente de turno do Senado e do Congresso Nacional. 

Alcolumbre é um típico político brasileiro — grosso modo falando. Lança mão de todos os artifícios para atingir seus subterfúgios. Com dois movimentos, deu um nó no governo e na oposição. Sob holofotes, passou a impressão de atender aos dois lados. No escurinho, satisfez o seu desejo de enterrar o requerimento de uma CPI mista para investigar o escândalo do Master.

Num lance, o eminente senador acenou para o Planalto ao destravar a indicação de Jorge Messias para o Supremo. Noutro, agradou a oposição ao pautar a votação dos vetos de Lula ao projeto da dosimetria, que reduz penas de Bolsonaro e seus cúmplices.

Num acerto de bastidor, líderes partidários aceitaram que a sessão do Congresso de 30 de abril trate apenas dos vetos à lipoaspiração das penas dos golpistas. Adeptos da CPI vão chiar, mas Alcolumbre e o Centrão têm milhões de razões para ignorar a chiadeira. 

Entre mortos e feridos, quase todos se salvam — menos o interesse público.

Como dizia o falecido Marcelo Rezende, "vai vendo!"


Escolher um bom contrafilé começa pela aparência da peça, que deve apresentar coloração vermelho-viva, sem manchas escuras, sinais de oxidação ou aspecto acinzentado. A gordura lateral precisa ser clara e firme, nunca amarelada ou excessivamente mole. Os bifes ou pedaços devem ser espessos, e a capa de gordura deve ser mantida — sob pena de comprometer a suculência, a textura e o sabor da carne. Bifes muito finos cozinham rápido demais e tendem a ressecar, especialmente em preparos de fogo alto; o mesmo se aplica a peças excessivamente “limpas”.


Quando havia combos de padaria, farmácia e açougue espalhados pela cidade, bastava a gente dizer ao açougueiro o que se pretendia fazer, e ele cortava e limpava o contrafilé da maneira mais adequada. Nos supermercados, porém, as carnes quase sempre são cortadas sem critério, acondicionadas naquelas indefectíveis bandejas de isopor e recobertas por filme plástico. Compre somente se a carne estiver vermelhinha e se não houver excesso de líquido na embalagem. Fuja de bandejas gosmentas ou com cheiro desagradável.


Para grelha ou churrasco, corte a carne em pedaços de dois a três dedos de altura, o que garante cozimento mais uniforme e maior controle do ponto. Os bifes podem ser um pouco mais baixos, mas ainda assim longe de cortes muito finos, e sempre fatiados contra os veios da carne. Manter um pouco de gordura é igualmente importante, tanto para realçar o sabor quanto para evitar que os bifes ressequem.


Fatie o contrafilé contra os veios da carne em bifes com cerca de 2 cm de espessura e frite-os em fogo alto numa frigideira de ferro fundido ou de fundo grosso. Coloque um bife de cada vez, somente quando a frigideira estiver quente a ponto de fumegar. Sal e pimenta-do-reino são indispensáveis para realçar o sabor, mas devem ser aplicados apenas minutos antes ou durante o preparo.


No churrasco, corte o contrafilé em pedaços altos e grelhe em fogo médio-alto por quatro ou cinco minutos de cada lado, virando apenas uma vez. Se a ideia for assá-lo como nas churrascarias, mantenha o espeto a uma distância de 30 a 40 cm do braseiro, vire-o de tempos em tempos e vá retirando lascas, como no churrasco grego.


Dica: Para preservar a suculência, embrulhe as sobras do churrasco em papel-alumínio e guarde na geladeira. Se a carne ainda quente for colocada no forno, continuará cozinhando no calor residual; se for armazenada em um recipiente hermético, perderá suculência por causa do vapor acumulado. O papel-alumínio evita a perda de umidade, e o frio da geladeira estabiliza a temperatura interna da carne. Na hora de servir, basta reaquecer e fatiar.


O filé-mignon tem maciez e sabor inconfundíveis; o coxão-mole é versátil e apresenta ótimo custo-benefício; o coxão-duro e o lagarto rendem excelentes assados, ótimos bifes à rolê e carne de panela. Filé, contrafilé e miolo de alcatra podem ser cortados em bifes grossos, sempre no sentido contrário ao das fibras, mas o coxão-mole e o patinho devem ser fatiados finos


Independentemente do corte e da espessura, os bifes devem ser fritos individualmente e virados apenas uma vez. O ponto varia conforme o gosto do comensal, a altura do bife, o material da frigideira e a potência do fogão. Para bifes médios (cerca de 2,5 cm de altura) malpassados, aqueça bem a gordura e frite por dois ou três minutos de cada lado. Para bifes ao ponto ou bem-passados, o tempo sobe para quatro ou cinco minutos, ou de seis a oito minutos por lado, respectivamente. Ao final, coloque-os numa travessa, cubra com papel-alumínio e deixe descansar por alguns minutos, permitindo que os sucos se redistribuam de maneira uniforme.


Bifes à milanesa devem ser finos e fritos por imersão em gordura bem quente (180 °C). Use frigideiras ou panelas largas, de borda alta, e frite um bife de cada vez, para não baixar a temperatura do óleo. A casca ficará mais crocante e não se soltará durante a fritura se os bifes forem passados na farinha de trigo, no ovo batido e na farinha panko, nessa ordem. Ao final, disponha-os sobre uma travessa forrada com papel-toalha, que absorverá o excesso de gordura e deixará os bifes mais sequinhos.


A carne moída refogada aparece como recheio de pastéis, esfihas, almôndegas e empadões, no molho à bolonhesa e até como “mistura” para acompanhar o popular arroz com feijão. Crua, é a base de hambúrgueres e do sofisticado steak tartare. Como é difícil saber a procedência da carne moída vendida nos supermercados — não é incomum que a gordura e o sebo remanescentes da limpeza das peças seja incluída na moagem —, o ideal é escolher o corte desejado e moer em casa — isso permite, inclusive, misturar cerca de 20% de gordura de picanha à paleta ou ao patinho, já que hambúrguer sem gordura não dá liga nem tem sabor.


Para quibe cru e steak tartare, o filé é o corte mais indicado. As butiques de carne o vendem em escalopes, medalhões, tornedós e chateaubriand, mas sai mais barato comprar a peça inteira, limpar e cortar em casa. Comece removendo a fáscia — aquela membrana prateada que endurece os bifes — com uma faca de ponta fina e bem afiada, mantendo-a quase paralela à peça para minimizar a perda de carne. Em seguida, divida o filé em cabeça, lateral, miolo e ponta


Observação: A cabeça é a extremidade mais larga; a lateral, a parte quase solta que corre ao lado; o miolo, o corpo cilíndrico; e a ponta, onde a carne afina. Corte então em chateaubriands (cerca de 4 cm de altura e 300 a 400 g), tornedós (3 cm e 250 g), medalhões (2 cm e 180 g) ou escalopes (cubos de aproximadamente 1 cm). O restante pode virar bifes — e as sobras rendem strogonoff ou escondidinho de filé, por exemplo.


Eu pretendia incluir uma receita de rosbife semelhante à que publiquei em julho do ano retrasado, mas achei melhor deixá-la para o próximo domingo, sob penda de esta postagem ficar longa demais.

quarta-feira, 11 de junho de 2025

AINDA SOBRE O BIG BANG

QUEM TEM CALOS E JUÍZO NÃO SE METE EM APERTOS.

Um esforço para melhorar as comunicações por rádio, um ruído vindo do espaço e alguns físicos teóricos formaram uma improvável conjunção de fatores que ajudou a comprovar a Teoria do Big Bang, segundo a qual o Universo — e tudo o que existe nele — teria "nascido" da expansão súbita e violenta de um ponto (ou singularidade) sem volume, mas extremamente quente e denso, há cerca de 13,8 bilhões de anos.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Lula disputou a Presidência em 1989 e perdeu para Collor no segundo turno. Voltou à carga em 1994 e 1998, e foi derrotado por FHC, no primeiro turno, em ambas as ocasiões. Finalmente eleito em 2002, tropeçou no mensalão, escapou do petrolão e resolveu escalar um "poste" para manter aquecida a poltrona que tencionava voltar a disputar em 2014. Mas a "mulher sapiens" pegou gosto pelo poder, fez o diabo para se reeleger, mas jogou a economia nacional do fundo do poço e foi arrancado em 2016.

Em 2018, mesmo gozando férias compulsórias na Superintendência da PF em Curitiba, o detento insistiu numa quimérica candidatura presidencial. Não levou, mas plantou as sementes que lhe renderam frutos em 2022. 

Bolsonaro, inelegível e na bica de ver o sol nascer quadrado, segue o mesmo script do arquirrival ao sustentar uma candidatura juridicamente natimorta para 2026. Quando (ou se) ele colherá os frutos, só os oráculos do populismo podem responder. Seus apoiadores podem mugir que Lula começou tudo — e não estão errados; foi o encantador de burros que instaurou o populismo mais rasteiro, surfando na herança bendita deixada por FHC. O "mito" surgiu como uma espécie de antídoto, mas não demorou a se revelar pior que o próprio veneno. 

A boa notícia é que nhô-ruim e nhô-pior já não são unanimidades nem entre seus devotos. Segundo as ultimas pesquisas, muitos petistas de carteirinha não querem ver seu "maximus pontifex" disputando um quarto mandato, a despeito de ele ter impedido qualquer alternativa de brotar à sua sombra. Entre os eleitores de centro-direita, a situação é ainda mais alarmante: 55% preferem que o imbrochável inelegível apoie outro nome em 2026. Já entre os "isentões", 70% acham que o "mito" deveria indicar um sucessor e 73%, que o macróbio não deve tentar um quarto mandato. Claro que os fiéis mais fervorosos (de ambos os lados) juram que as pesquisas são manipuladas, que seus ídolos arrastam multidões e que tudo não passa de armação da imprensa ou do sistema. 

A má notícia é que ainda não se pode dizer que a maioria do eleitorado não aguenta mais escolher entre o passado e o pesadelo, e a péssima é que, caso um deles vença novamente, o próximo governo tende a ser tão ou ainda mais fraco que o atual. 

Essa rinha de populistas demagogos tem custado caro demais à democracia, e quem paga a conta é a parcela da população que não tem bandido de estimação. 


Segundos depois da grande expansão, o Universo era uma verdadeira "sopa primordial" — um plasma incandescente de quarks e glúons, partículas subatômicas que ainda não formavam nada reconhecível como matéria. Com temperaturas próximas a 5,5 bilhões de graus Celsius, esse caldo fervente era tão denso e energético que sequer permitia a formação de átomos. Cerca de 380 mil anos depois do Big Bang, o Universo esfriou o bastante para que prótons e elétrons finalmente se unissem, formando os primeiros átomos de hidrogênio e hélio


Conhecido como "era da recombinação", esse período marcou uma virada crucial: com os elétrons agora presos aos núcleos, o espaço deixou de ser opaco, e a luz, antes constantemente dispersa pelas partículas livres, pôde finalmente viajar livremente pelo cosmos — um evento que deixou como rastro a chamada radiação cósmica de fundo de micro-ondas, um brilho tênue que ainda hoje permeia o Universo e serve como uma das principais evidências do Big Bang. 


Os astros primordiais, gigantescos e efêmeros, fundiram elementos leves em mais pesados e os espalharam pelo cosmos quando explodiam em supernovas. Dessas explosões vieram os ingredientes básicos para planetas, oceanos, montanhas e, eventualmente, vida — pequenos átomos viajando bilhões de anos para se organizar em olhos capazes de olhar para o céu e tentar entender de onde tudo veio.


Embora seja o principal pilar da cosmologia moderna, a teoria do Big Bang não explica o que existia antes da "grande expansão" e afirma que as leis da física conhecidas não se aplicam àquele momento inicial. Essa lacuna deu origem a alternativas como a Teoria M, segundo a qual existem inúmeros universos paralelos, e a colisão entre dois deles teria gerado toda a matéria e energia que compõem o nosso Universo.

 

Algumas correntes sustentam que espaço e tempo sempre existiram, e que a grande expansão não foi o ponto inicial de tudo, mas o resultado do colapso entre diferentes dimensões — nesse caso, a explosão primordial não teria dado origem a um único universo, mas a vários, que surgiram como bolhas em um caldo cósmico de possibilidades. 


Essas ideias já foram consideradas pura ficção científica, mas hoje ensejam debates sérios entre físicos teóricos, que tentam conciliar a Teoria da Relatividade, que explica o muito grande, com a Mecânica Quântica, que rege o muito pequeno, dando azo a hipóteses como a de que o nosso universo pode ser apenas uma "membrana" flutuando em um espaço de dimensões superiores invisíveis aos nossos sentidos.

 

Se nosso universo for realmente uma bolha entre muitas, então o que chamamos de “realidade” pode ser apenas um entre incontáveis cenários possíveis, com leis físicas diferentes, constantes variadas e talvez até versões alternativas de nós mesmos em outras configurações do espaço-tempo. Assim, o Big Bang deixaria de ser o "início de tudo" e se tornaria apenas um episódio em uma história muito maior — uma entre trilhões de páginas de uma história que ninguém escreveu, mas que insiste em se desenrolar.

 

Pode-se dizer que tudo isso não passa de hipóteses, mas hipóteses escoradas em equações, observações indiretas e modelos matemáticos complexos. Para muitos físicos, a elegância de uma teoria é quase tão sedutora quanto sua capacidade de ser testada, e é nesse limite entre o rigor e o devaneio que a ciência avança. Aliás, a verdadeira "beleza" da ciência não está nas respostas, mas nas novas perguntas que cada resposta suscita. Dito isso, o que veio antes do tempo? O que existe fora do espaço? O nada é mesmo nada ou apenas algo que ainda não fomos capazes de entender?

 

The answer, my friend, is blowing in the wind.


Em tempo: Se calhar, assista a este vídeo:




segunda-feira, 28 de outubro de 2024

BIG BANG, BIG CRUNCH E TEORIA DAS CORDAS

SE AS PALAVRAS CAUSAM MAL ENTENDIDOS, IMAGINE O QUE O SILÊNCIO É CAPAZ DE FAZER.

A análise de dados do Sloan Digital Sky Survey revelou que a distribuição e a forma das galáxias contraria a ideia de que elas seriam dispostas aleatoriamente no espaço, e essa descoberta tem importantes implicações para o Modelo Cosmológico e a Teoria da Inflação Cósmica.


Uma das teorias mais fascinantes sobre a origem do nosso universo sugere que o Big Bang pode ter surgido da singularidade de um buraco negro, formado em um universo anterior que sofreu um colapso total (Big Crunch). Ainda é um mistério se esse universo predecessor era similar ao nosso ou fazia parte de um multiverso. Seguindo essa lógica, poderíamos estar vivendo em um ciclo infinito de expansões e contrações cósmicas.

Um aspecto preocupante da expansão atual do universo é que sua aceleração crescente poderia, teoricamente, desencadear um fenômeno conhecido como "estado de decaimento de vácuo falso", que, uma vez iniciado, poderia se propagar na velocidade da luz e alterar a estrutura fundamental do universo como o conhecemos.

O conceito de "vácuo metaestável" é fundamental para entender esse fenômeno. Tanto a matéria quanto os campos quânticos buscam estados de menor energia — uma forma de estabilidade. Nos campos quânticos, esse estado de menor energia é chamado de "estado de vácuo". O campo de Higgs, famoso por conferir massa às partículas elementares através da interação com o bóson de Higgs (popularmente conhecido como "partícula de Deus"), mantém esse vácuo em um estado metaestável.

Esta metaestabilidade nos apresenta dois cenários possíveis: ou nosso universo continuará existindo por bilhões de anos, ou o campo de Higgs já está iniciando seu processo de decaimento. No segundo caso, uma "bolha" de transformação se expandiria quase na velocidade da luz, provocando uma transição para um universo com características diferentes. As consequências poderiam variar desde uma mudança radical em tudo que conhecemos até uma alteração mais sutil, como uma modificação na massa dos neutrinos.

ObservaçãoOs neutrinos são sutis e difíceis de detectar. Até recentemente, achava-se que eles não tinham massa, mas novas detecções demonstraram que eles podem oscilar entre si conforme se movem — e se podem mudar enquanto viajam pelo espaço, é porque têm alguma massa.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

O discurso lido por Lula para os outros líderes do Brics mostrou que sua viagem à Rússia, cancelada após a queda no banheiro do Alvorada, teria sido um desperdício de verbas públicas. Por tudo o que disse e também pelo que silenciou, os sete minutos de videoconferência pareceram de bom tamanho. 
Beneficiado pela ausência, o petista fritou Nicolás Maduro sem tocá-lo, transferindo ao profissionalismo do Itamaraty o manuseio da frigideira que deixou bem passada a pretensão do tirante de integrar a Venezuela ao bloco. Mesmo assim, a palavra palavra democracia não constou do discurso remoto — e nem poderia: além de fundadores como China e Rússia, incorporaram-se ao grupo em 2023 outras aberrações antidemocráticas como Irã e Arábia Saudita, e outras inconveniências estão por vir. 
No gogó, Lula restringiu-se às platitudes de sempre. Coisas como o pedido de paz na Ucrânia e na Faixa de Gaza, o apelo a favor da revitalização do multilateralismo, a defesa do uso de moedas alternativas ao dólar, a cobrança do calote ambiental de US$ 100 bilhões imposto pelos países ricos às nações pobres... Nada que não pudesse ser dito desde Brasília. 
Até bem pouco, o Brics era uma junção de países que surgiu do nada e rumava para lugar nenhum, mas se tornou uma associação de nações que, a pretexto de representar o chamado Sul Global, serve de fachada para a China, com o aval da Rússia, recorrer a todos os estratagemas para atingir os seus subterfúgios comerciais na briga particular que trava com União Europeia e, sobretudo, Estados Unidos. 
O Brasil assume a presidência rotativa do Brics no ano que vem, quando então Lula poderá tentar retirar do bloco a aparência de um puxadinho diplomático a serviço da China.

Há muito que se tenta conciliar o Big Crunch com o universo que conhecemos hoje. Segundo a Teoria das Cordas, tudo é formado por "cordas vibrantesmenores que o núcleo atômico, que diferem entre si pela forma e pela frequência. Os modos vibracionais surgem quando duas ou mais ondas se encontram num mesmo ponto, produzindo ondas estacionárias — da mesma forma como produzimos notas musicais quando dedilhamos as cordas de um violão. Essa teoria ainda não foi comprovada experimentalmente, mas já dizia Carl Sagan que "a ausência de evidências não é evidência de ausência".

Em 1995, foi proposto que cinco diferentes Teorias das Cordas seriam na faces da "Teoria de Tudo", que busca unificar todas as forças fundamentais da natureza num único modelo matemático. Assim, cada partícula seria um minúsculo laço de corda numa membrana 3 + 1 dimensional (três dimensões de espaço mais uma de tempo), mas, como estamos "presos" dentro de um espaço 10 + 1 dimensional, não percebemos as dimensões extras. 
 
ObservaçãoPara entender melhor, imagine uma pilha de panquecas recheadas com mel e que nosso universo esta numa dessas panquecas; o mel nos impede de perceber as outras panquecas, mas isso não significa que elas não estão lá. 

Outra teoria interessante é a do multiverso. Nesse contexto, um universo branco teria buracos bancos capazes de cuspir qualquer coisa, e o Big Bang seria na verdade um buraco branco que vomitou tudo que foi engolido por um buraco negro de um universo paralelo ao nosso. Assim, todos os universos existentes seriam semelhantes e teriam buracos negros e buracos brancos.

Talvez isso lhe pareça enredo de filme de ficção, mas vale lembrar que cientistas como o "pai da desinfecção", o criador da imunoterapia, descobridor do sistema heliocêntrico e o proponente de deriva continental foram tachados de "malucos", até que o tempo provou que eles estavam certos.

terça-feira, 13 de agosto de 2024

SOBRE RELATIVIDADE GERAL, GRAVIDADE E TEORIA DE TUDO

quando o sábio aponta as estrelas, os idiotas não olham para o céu, olham para o dedo.

O mundo girou, a Lusitana rodou, o tempo passou e muita coisa mudou desde 1915, ano em que Albert Einstein publicou sua célebre Teoria da Relatividade Geral para "corrigir inconsistências" da teoria da gravitação de
 Isaac Newton e elucidar mistérios como a curvatura do espaço-tempo, a precessão da órbita de Mercúrio, os eclipses e os buracos negros, entre outros. 

Mas nem tudo que valia no início do século passado continua valendo nos dias atuais  o que é perfeitamente natural: em 1500, Cabral e sua trupe demoraram 44 dias numa viagem que um transatlântico moderno faz em pouco mais de uma semana. E uma vez que a teoria de Einstein não orna com a mecânica quântica e apresenta problemas em escalas astronômicas, um grupo de pesquisadores canadenses propôs uma mudança da constante gravitacional para explicar as inconsistências.

Observação: A relatividade geral já sofreu alterações no passado — a primeira delas foi feita pelo próprio Einstein, que descartou de suas equações a "constante cosmológica" quando Edwin Hubble apresentou a tese do universo em expansão (mais adiante, o telescópio Hubble revelou uma expansão acelerada que trouxe a constante cosmológica de volta às equações).

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Em 2021, a secretaria de relações internacionais do PT saudou a quarta reeleição do ditador Daniel Ortega — numa campanha em que o regime nicaraguense prendeu sete pretendentes ao trono — como a vitória de "um projeto político [...] socialmente justo e igualitário." Duas semanas depois, questionado sobre a longevidade da ditadura de Ortega, Lula defendeu a alternância no Poder, mas frisou realçou que Angela Merkel também deu as cartas por 16 anos na Alemanha.
Comparar democracia com ditadura era apenas uma esquisitice que o 8 de janeiro promoveu a ultraje. Mesmo assim, pisando distraído na própria história, o Sun Tzu de Atibaia declarou dias atrás que não via "nada de grave", "anormal" ou "assustador" na Venezuela. Desde então, a fraude da reeleição na Venezuela desafia a pretensão do Brasil de mediar uma solução, e Maduro, seguindo as pegadas do modelo nicaraguense, prende e arrebenta.
No tipo de liderança continental que imagina exercer, Lula já não sabe se está sendo seguido ou perseguido, mas Ortega simplificou as coisas ao expulsar o embaixador brasileiro, obrigando Brasília a devolver para Manágua a embaixadora nicaraguense. O chumbo trocado pode ser de grande serventia para o Planalto. No comando de uma ditadura escrachada, o companheiro nicaraguense e seu histórico de violações à democracia e aos direitos humanos sinalizam para Lula como será Maduro depois de podre. E a decomposição está em estágio avançado.
 
Einstein adicionou uma "dimensão temporal" às três "dimensões espaciais" conhecidas até então (altura, largura e profundidade), e a Teoria das Cordas propôs a existência de outras dimensões além dessas quatro. A princípio, havia duas variantes dessa teoria; uma sugeria que universo tem 11 dimensões e a outra, pelo menos 26 sendo três espaciais e uma temporal 
 as demais estariam relacionadas com as perturbações espaciais e temporais produzidas pelas oscilações das cordas, que dão origem aos fenômenos elétricos, magnéticos e nucleares. 

Em 1995, os físicos propuseram que 5 diferentes teorias das cordas seriam na verdade faces da "Teoria de Tudo", segundo a qual cada partícula é um minúsculo laço de corda num universo com 11 dimensões (ou branas) que se propagam no espaço-tempo seguindo as regras da mecânica quântica. À luz dessa teoria, branas quadrimensionais poderiam existir dentro de um espaço de 11 dimensões, e um choque entre uma brana de uma dimensão superior com a nossa teria sido o causador do Big Bang.

Não somos capazes de perceber as dimensões extras porque nosso universo é uma membrana com 3 dimensões espaciais e 1 temporal, e nós estamos "presos" num espaço 10 + 1 dimensional. Para entender isso melhor, imagine uma pilha de panquecas recheadas com mel. É como se nosso universo existisse em uma dessas panquecas e as demais estivessem "por cima". O mel nos impede de perceber a existência das outras panquecas, mas isso não quer dizer que elas não estão lá. 

Continua...