Mostrando postagens classificadas por data para a consulta registro. Ordenar por relevância Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens classificadas por data para a consulta registro. Ordenar por relevância Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

O TEMPO ESTÁ PASSANDO CADA VEZ MAIS RÁPIDO?

TEMPUS FUGIT.

Até a invenção da escrita, o tempo era medido com base em fenômenos naturais sazonais. Mais adiante, os sumérios dividiram o ano em 12 meses de 30 dias e os egípcios criaram um calendário lunar baseado no aparecimento anual da estrela Sirius.


No final do século XVI, o calendário Juliano foi substituído pelo modelo Gregoriano, que atualmente é adotado pela maioria dos países. Mas ainda não se sabe se é o tempo que passa ou se somos nós que passamos por ele como areia entre as câmaras de uma ampulheta.


Atribuir um número de série a cada ano é como tentar aprisionar o tempo num calendário de parede — e sempre haverá um ministro do STF disposto a soltá-lo. Ainda assim, podemos comparar o passado a um lugar distante que gostaríamos de visitar. Mas vale lembrar que uma viagem à Disneylândia ou ao Coliseu depende basicamente de quanto podemos gastar, enquanto viajar para tempos idos, mesmo sendo uma possibilidade matematicamente plausível à luz da Teoria da Relatividade Geral, é bem mais complicado. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Edson Fachin presidiu uma sessão com cenas típicas de um bar de quinta instância. Engalfinharam-se as facções de Alexandre de Moraes e André Mendonça. No lance mais violento, Gilmar Mendes partiu para cima de Mendonça e o acusou de atirar contra Moraes perto do 7 de Setembro por razões eleitorais, e o ministro-pastor chamou o desafeto de "leviano". Teve até "pixuleco" na Paulista, lembrou Gilmar, antes de tratar Mendonça como um submafioso: "Até a máfia tem ética".

Em outra garrafada, Moraes acusou Mendonça de estar "a serviço" do bolsonarismo. Disse ter testemunhas de que o rival pressionou a PF para incluí-lo numa delação premiada. Chamado de mentiroso, Moraes não se deu por achado: "Vamos chamar aqui as testemunhas". A condução do caso por Mendonça gerou acusações de parcialidade e abusos. Em reação, Moraes pediu uma investigação contra o rival.

Numa tabelinha com Gilmar, Dino propôs a análise conjunta dos dois casos. O que ocorreria na quarta-feira da semana que vem. Para Dino, o Judiciário vive "o momento mais corrupto da história". Antevê a investigação de outras togas. Toffoli aguarda na fila. Gilmar sustentou que Mendonça protege aliados. Mencionou Nunes Marques. Dino mencionou Luiz Fux e pediu vista, adiando a decisão sobre a investigação de Moraes. Em meio a garrafadas, o Supremo entrou em autocombustão. Cármen Lúcia se disse "envergonhada". Pediu "desculpas" ao país.

Amigos são como táxis. Debaixo de chuva, somem. Apenas 48 horas depois de a Quaest ter trovejado a ultrapassagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula no cenário de segundo turno, Flávio Dino disparou no plenário do Supremo um raio que o parta. Colocou Alexandre de Moraes no colo de Lula.

Diante da tempestade perfeita, Lula tentou abrir o guarda-chuva. Em entrevista à TV Record, defendeu investigações "sem trégua". Disse que Edson Fachin "tem a faca e o queijo na mão" para investigar togas tisnadas pelo Master. Ciente de que o sangramento de Moraes respinga em sua candidatura, Lula repetiu que o Supremo não é lugar para quem deseja enriquecer.

De passagem por Fortaleza, o filho de Bolsonaro realçou o óbvio: com um pedido de vista-bloqueio, Dino tirou a faca das mãos de Fachin. E escondeu o queijo. O debate sobre a investigação de Moraes ficou para depois da eleição. Flávio disse que "a tropa de choque do Lula no Supremo entrou em campo" para blindar Moraes. Não chamou Dino pelo nome. Preferiu chamá-lo de "ex-ministro da Injustiça do Lula."

Segundo o Datafolha, 85% dos eleitores dizem que as acusações contra Moraes não mudam seus votos. Uma ínfima minoria, de 4%, disse ter trocado de candidato. E 7% disseram estar em dúvida. Numa eleição apertada, definida no olho mágico, 7% podem fazer 100% de diferença. Se a minoria indecisa pender para Flávio, um candidato que pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, Lula se lembrará de Dino como um táxi que não apareceu na hora da chuva.


Em tese, qualquer tentativa de alterar o passado é automaticamente corrigida pelo próprio curso dos eventos, de modo que o tempo é imutável — ou pelo menos impermeável a grandes alterações. Por outro lado, a Teoria do Multiverso sustenta que cada decisão ou evento gera um desdobramento alternativo, que não afeta a linha do tempo original.


De um tempo a esta parte, por alguma razão incerta e não sabida, o tempo parece estar passando cada vez mais depressa. Isso acontece porque nossa mente “vê” o tempo passar como uma cena exibida em slow-motion. Uma vez que o registro feito pelo cérebro é flexível e leva em conta emoções, expectativas, o quanto as tarefas exigiam de nós num determinado período, e até os nossos sentidos.


Isso explica por que a maioria das pessoas se lembra mais nitidamente do que viveu entre os 15 e os 25 anos — época em que se têm mais experiências novas, e coisas novas tendem a ter um registro mais intenso na memória, já que nosso cérebro parece perceber esses episódios como mais duradouros. No entanto, conforme envelhecemos, os últimos 10 anos parecem ter passado bem mais rapidamente do que as décadas anteriores. 


Enquanto nos deslocamos de casa para o trabalho, por exemplo, temos a impressão de que a viagem demora uma eternidade, mas a sensação é bem diferente quando pensamos nisso na hora do almoço ou no meio da tarde. Mas parece que essa impressão não é só impressão.


Em comparação à época de sua formação, a Terra tem dias muito mais longos. Cerca de 1,4 bilhão de anos atrás, uma rotação levava menos de 19 horas, mas os dias começaram a ficar cerca 13,5 microssegundos mais longos a cada ano, e a precisão dos relógios atômicos levou os cientistas à conclusão de que a Terra vinha desacelerando seu giro muito gradualmente.


Ocorre que, de um tempo a esta parte, nosso planeta voltou a girar mais rapidamente, completando sua rotação em 1,4602 milissegundos a menos do que os habituais 86.400 segundos. Essa aceleração começou a acontecer em 2016, e o dia 29 de junho de 2022 foi o mais curto desde o início das medições. Se a tendência se mantiver, um segundo bissexto negativo será necessário para manter os relógios alinhados com a rotação do planeta. 

 

Observação: Seria a primeira vez na história que se removeria um segundo dos relógios globais, o que poderia ser um problema, pois grande parte da tecnologia moderna é baseada no que se convencionou chamar de “tempo real”. Para alguns especialistas, a solução seria alterar os relógios do mundo da hora solar para a hora atômica, mas essa é uma outra conversa.


Se você vai para a cama com a impressão de que o dia não rendeu, seja bem-vindo ao clube. Embora as horas continuem a ter 60 minutos, o dia solar, 24 horas, e o dia sideral, — tempo que a Terra leva para uma volta completa em torno do seu eixo — 23 horas, 56 minutos e 4 segundos; Mas o tempo medido de uma forma mais sutil e abstrata pela nossa percepção mudou radicalmente ao longo da História. 


Para o soldado romano dos tempos de Júlio César, o tempo parecia passar num ritmo; para o camponês do século 18, esse ritmo era outro; há 30 anos, a gente lia o jornal da manhã e esperava até 20h30 para o Jornal Nacional dar as notícias do dia. Séries eram interrompidas para intervalos comerciais — essas pausas eram aceitas como um respiro, entre um segmento e outro de uma antiga série. Hoje, no entanto, ficamos furiosos quando um serviço de streaming interrompe a exibição do filme por meros 60 segundos para exibir propagandas, talvez porque o tempo pareça ter ficado mais escasso e, portanto, mais valioso.


Em outras palavras, na percepção de tempo atual a areia parece escapar de uma

ampulheta quebrada. Não existe começo nem fim, apenas uma sucessão de ansiedades. Antigamente, a gente esperava pacientemente pela resposta

a uma carta; agora somos bombardeados diariamente no WhatsApp por notinhas, frases, memes, desaforos em grupos de colegas de trabalho, de condôminos e de familiares, e por aí vai.


O único momento em que o tempo parece passar devagar é quando temos insônia. Aí não tem jeito; os segundos viram minutos que se arrastam penosamente, enquanto nós oramos ou criamos fantasias para não pensar nas contas a pagar, no câncer que nos está matando e no tratamento médico que estamos adiando por ser chato e tedioso. Ou seja, o tempo passa devagar porque não estamos nos divertindo ou produzindo nada.


O fato de o tempo parecer tão acelerado não é ruim em si, apenas significa que nossas necessidades são atendidas em tempo cada vez menor, e que estamos vivendo mais intensamente, adquirindo experiências e conhecimentos numa velocidade impensável há apenas algumas décadas. E isso vai se acelerar ainda mais para quem souber usar recursos como a inteligência artificial. 


A questão é que, por não estarmos mentalmente preparados para isso, a adaptação completa demora. O psicólogo alemão Marc Wittmann destacou no livro Felt Time (“Tempo Sentido”) que nós normalmente filtramos nossas lembranças, e isso faz com que os momentos de grande emoção e alegria parecem se esticar em nossas memórias, como num filme em câmera lenta, enquanto os momentos de rotina parecem sumir. Isso foi demonstrado em vários estudos: quanto mais rotina as pessoas relatam, mais rápido o tempo parece passar em retrospectiva.


Para entender como os ciclos de sono, alimentação e produtividade são afetados pela referência das horas, o pesquisador francês Michel Siffre passou dois meses numa caverna escura, sem relógio nem qualquer outra maneira de saber o tempo. A única fonte de luz disponível era uma lâmpada de mineração, que ele usava para cozinhar, ler e escrever em um diário pessoal. No livro Beyond Time (1964), ele relatou que tomava o próprio pulso e contava os segundos até 120 sempre que se comunicava por rádio com a equipe de apoio, mas o tempo real cronometrado por sua equipe era de quase 5 minutos. Sem os indicadores naturais (como nascer e pôr-do-sol), seu ciclo circadiano passou de 24 para 48 horas, e o tempo psicológico foi reduzido à metade do cronológico. O experimento se estendeu por dois meses, que para ele pareceram menos de um.


Décadas depois — mais exatamente em 21 de novembro de 2021 — uma atleta espanhola chamada Beatriz Flamini entrou numa caverna a 70 metros de profundidade e lá permaneceu isolada do mundo por 500 dias. Monitorada à distância, mas sem manter diálogo com ninguém, ela passou seu tempo fazendo exercícios, desenhando, lendo, fazendo tricô e conversando consigo mesma. Para ela, não havia dia ou noite, nem chuva ou sol. Eventualmente, parou de contar os dias, e quando saiu, um ano e meio depois, disse que achava ter ficado na caverna por cerca de seis meses.


Segundo Adrian Bejan, pesquisador da Duke University, não percebemos a passagem do tempo diretamente; percebemos apenas as mudanças que ocorrem à nossa volta e as registramos como uma sequência mental. É por isso que o presente difere do passado: não porque o relógio avançou, mas porque nossa percepção da realidade mudou. No escuro da caverna, onde quase nada se alterava para Michel Siffre e Beatriz Flamini, havia poucos estímulos para renovar essa sequência de imagens. Sem essas referências, o tempo parecia quase não passar.


Um dos maiores especialistas no tema hoje é o sociólogo alemão Hartmut Rosa, autor de Social Acceleration: A New Theory of Modernity (“Aceleração Social: Uma Nova Teoria da Modernidade”). Segundo ele, vivemos uma ordem social que depende da aceleração para continuar funcionando. Temos que produzir mais, comunicarmo-nos mais rapidamente, tomar decisões em menor tempo, acumular mais experiências durante uma vida limitada, e por aí afora. 


Rosa descreve três formas de aceleração. A primeira é a tecnológica — viagens e comunicações encurtaram distâncias, e o tempo, por estar comprimido, torna-se escasso. Um exemplo disso é a correspondência por escrito, um processo lento que o correio eletrônico acelerou significativamente. Todavia, por ser tão rápido e prático, ele nos obriga a lidar com dezenas, centenas de emails por dia. O tempo economizado pela aceleração é ocupado pela multiplicação das tarefas, e assim o dia fica curto.


A segunda aceleração apontada por Rosa é o das transformações sociais. Profissões, conhecimentos, relacionamentos, identidades sociais ocorrem dentro de uma geração, dando azo à “contração do presente”: o intervalo durante o qual nossas experiências passadas ainda servem para orientar o futuro torna-se

cada vez menor. Aquilo que aprendemos ontem pode não funcionar

amanhã. A terceira é a aceleração da vida em si. Viramos multitarefas, reduzimos pausas e intervalos, comemos rapidamente de olho no celular e sentimos culpa por momentos em que não estamos produzindo algo. Esse novo comportamento nos leva à impressão de que o tempo está curto e não temos mais tempo para exercer todas as tarefas que nos impomos.


Tudo isso pode parecer negativo, mas você voltaria ao tempo das cartas, dos telegramas, dos aviões a hélice, dos telefones discados, da televisão com cinco canais, dos empregos fixos pela vida inteira, da aposentadoria no sofá esperando a morte chegar? As sociedades mudam desde que a humanidade se organizou, e o modelo atual precisa dessa aceleração até para sobreviver. Nas palavras de Rosa: “Uma sociedade é moderna quando só consegue estabilizar-se dinamicamente", isto é, quando necessita sistematicamente de crescimento, inovação e aceleração para conservar sua estrutura e reproduzir o status quo.


"Sed fugit interea fugit irreparabile tempus”, dizia o poeta romano Virgílio,

que morreu pouco antes do nascimento de Cristo. Já naquela época, ele constatou que o tempo foge irreversivelmente — e hoje foge com muito mais velocidade. Em face do exposto, a pergunta é: como tocar nossas vidas diminuindo a sensação de

ansiedade? 


A resposta é: 1) reduza a fragmentação do dia – mudar de atividade a cada dez minutos aumenta nossa aflição; 2) tente reservar períodos de 30 a 60

minutos para realizar só uma tarefa; 3) Estabeleça intervalos para conferir

mensagens e e-mails e reserve cinco minutos para fazer nada; 4) Mude a rotina – fazer tudo igual todos os dias dá essa sensação de diminuir o tempo; 5) Escreva um diário – não precisa ser um longo relatório das suas atividades, apenas registre-as (em papel ou num computador) em poucas linhas o que aconteceu, especialmente os momentos mais agradáveis.


Adicionalmente, crie prioridades na sua agenda – fazer tudo o tempo todo todos os dias destrói a noção de tempo. Defina tarefas essenciais, valorize suas opções principais, já que a ansiedade tende a aumentar com a sensação de que temos de fazer várias coisas ao mesmo tempo.


Boa sorte.


segunda-feira, 10 de agosto de 2026

VIAGEM FANTÁSTICA — PROJETO: MINIATURIZAÇÃO

A FICÇÃO DE HOJE PODE SER A CIÊNCIA DE AMANHÃ.

Quando falamos em miniaturização, logo nos vem à mente o clássico Viagem Fantástica, no qual cientistas encolhem um submarino e sua tripulação para um tamanho microscópico para navegar pela corrente sanguínea de um diplomata e salvar sua vida. Todavia, esta postagem tem menos a ver com ficção e mais com as mudanças tecnológicas de meados do século passado a esta parte. Senão vejamos.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Flávio Rachadinha Bolsonaro esperou até o último dia do prazo para o registro das candidaturas para definir que o deputado estadual Alfredo Gaspar ocupará a vaga de vice-presidente em sua chapa. A decisão veio depois que o Republicanos, o PP e a federação entre União Brasil optaram pela neutralidade. 

Ex-promotor de Justiça, ex-procurador-geral de Justiça e ex-secretário de Segurança Pública de Alagoas, Gaspar foi eleito deputado federal em 2022 e ganhou projeção nacional como relator da CPMI do INSS. Na convenção, Flávio destacou a trajetória do parlamentar na área de segurança pública, sua atuação na comissão e a representatividade de Alagoas e do Nordeste na chapa, bem como lembrou que o deputado pediu a prisão de Lulinha e ressaltou que o vice representa “o Nordeste de fato”. A escolha frustrou a expectativa de parte do PL, que defendia o nome de uma mulher para vice..

Segundo aliados, o ex-presidente golpista e atualmente presidiário Jair Bolsonaro aprovou a indicação (é público e notório que, sem o aval de Bibo Pai, Bobi Filho não solta sequer um peido). 

A definição ocorreu de forma acelerada: na terça-feira o deputado havia sido oficializado pelo PL como candidato ao Senado por Alagoas e, menos de 24 horas depois, deixou a disputa estadual para ser anunciado como candidato a vice-presidente, e comprou uma passagem de última hora para Brasília.

Integrantes do bolsonarismo avaliam que o parlamentar tem baixo potencial eleitoral, não amplia a presença da chapa entre o eleitorado feminino e tampouco reduz a resistência de parte do mercado financeiro à candidatura de Flávio. Nos bastidores, dirigentes do PL classificam Gaspar como um nome de pouca projeção nacional e sem capacidade de agregar votos. Isso sem falar que Gaspar é alvo de um pedido de investigação da PF no STF por suspeita de estupro de vulnerável — uma adolescente de 13 anos que teria engravidado —, além de alegações de tentativa de suborno para manter a família em silêncio e do suposto desvio de R$ 6 milhões em emendas parlamentares.

A ex-primeira dama e madrasta de Flávio não compareceu ao anúncio da escolha do vice na chapa do enteado porque, de acordo com a senadora Damares Alves, estava fazendo almoço para o marido, que se encontra em prisão domiciliar.

E viva o povo brasileiro.


Nossa realidade se parece cada vez mais com o desenho animado Os Jetsons, criado por William Hanna e Joseph Barbera e lançado em 1962, na esteira do sucesso de Os Flintstones, que retratava a vida de uma família da idade da pedra. No seriado futurista, os criadores teorizavam como seria viver em 2062, com carros voadores, robôs e outras tecnologias incríveis. 


Como a vida imita a arte, as videochamadas — corriqueiras para a família Jetson, mas que não passavam de ficção científica em 1962 — foram fundamentais durante a pandemia da Covid. Os televisores de telas finíssimas, comuns nos dias atuais, também não existiam na década de 60. Além de mostrar as horas, os relógios funcionavam como videofones e controlavam dispositivos domésticos — coisa que só se tornou possível no mundo real após o lançamento do Samsung Galaxy Gear. 


Observação: O primeiro relógio "inteligente" foi o Seiko Ruputer (1998), que dispunha de processador de 8 bits a 3.6 MHz, 128 kB de RAM, 2 MB de armazenamento, tela de quartzo líquido (monocromática) de 102 x 64 pixels e um joystick em miniatura, que permitia interagir com o software interno. O gadget oferecia calendário com agenda, calculadora e games, mas sua baixa autonomia e a escassez de aplicativos decepcionaram os consumidores.  

 

Em alguns episódios, Jane, a matriarca da família, ativava um pequeno robô que aspirava a casa os modernos aspiradores inteligentes. Já a robô-faxineira Rosey era um sonho de consumo que pode virar realidade em breve: a Aeolus Robotics já anunciou um robô doméstico com formato humanoide semelhante ao do desenho. 

 

Quando se trata de retratar o futuro em produções audiovisuais, o maior clichê são os carros voadores, que têm presença garantida nos mundo dos Jetsons. Na vida real, ainda não os vemos cruzando o céu, mas a promessa já existe: além do Gênesis X1, da startup cearense Vertical Connect, modelos da Eve — empresa de mobilidade aérea urbana da Embraer — devem ser lançados no mercado brasileiro ainda este ano.


Se as tecnologias exibidas no desenho encantavam os telespectadores pela funcionalidade, o Jetpack ganhava as crianças pelo viés da diversão: colocar uma mochila nas costas e voar, como fazia o menino Elroy, era o sonho de consumo dos pequenos espectadores. Mas essa tecnologia existe desde 2021, quando a empresa JetPack Aviation vendeu várias unidades para militares de um país do sudeste asiático.

 

Quanto às viagens espaciais, um estudo baseado no voo dos albatrozes avalia a possibilidade de aproveitar os ventos gerados pelo Sol para alcançar cerca de 2% da velocidade da luz — o que permitiria a espaçonaves futuras ultrapassar os limites do sistema solar sem propulsores. É uma ideia ainda teórica, mas não muito diferente do que já pareceu impossível antes. Aliás, as sondas Voyager, lançadas pela NASA em 1977, já cruzaram a fronteira do espaço interestelar — o primeiro passo, ainda que minúsculo, na exploração de outros sistemas solares.


Mudando o foco para a informática (conhecida inicialmente como "cibernética"), o ábaco e outras tábuas de contar foram criados não se sabe ao certo se pelos sumérios, chineses e antigos egípcios mais de 4 mil anos antes da Era Cristã, mas não restam dúvidas de que eles foram os antepassados mais remoto dos computadores.


Os gigantescos mainframes (que atendiam por "cérebros eletrônicos" e ocupavam salões inteiros, embora tivessem menos poder de processamento do que uma calculadora eletrônica atual) surgiram na primeira metade do século passado. O primeiro modelo de grande escala foi o ENIAC, que pesava 30 toneladas e tinha 18 mil válvulas que precisavam ser substituídas à razão de uma a cada dois minutos, mas capaz de realizar apenas 5 mil somas, ou 357 multiplicações, ou 38 divisões simultâneas por segundo. Além disso, seu armazenamento era suficiente apenas para manipular os dados envolvidos na tarefa em execução, ou seja, qualquer modificação exigia que os programadores corressem de um lado para outro da sala, desligando e religando centenas de fios.


Os primeiros computadores totalmente transistorizados foram os IBM 1401 e 7094, lançados nos anos 1950. Em 1964, a TEXAS INSTRUMENTS criou o circuito integrado (CI), composto por conjuntos de transistores, resistores e capacitores. Na década seguinte, a INTEL agrupou vários circuitos integrados num único "microchip", propiciando a construção de equipamentos de pequeno porte, como o PET 2001 — lançado em 1976 e tido como o primeiro microcomputador pessoal — e os Apple I e II — este já com unidade de disco flexível.


A computação pessoal surgiu no início dos anos 1960, começou a se popularizar mais de 20 anos depois, mas foi de vento em popa a partir do lançamento do iPhone pelo visionário Steve Jobs, que estimulou o desenvolvimento de "computadores de mão". Depois de ganharem novos recursos e funções, esses gadgets se tornaram um complemento dos PCs tradicionais e, mais recentemente, um substituto dos desktops e notebooks — a não ser quando a tarefa requer monitor de grandes dimensões, teclado e mouse físico e maior capacidade de memória e armazenamento, Atualmente, mesmo numa republiqueta de bananas como a nossa, há dois dispositivos digitais por habitante e mais de 250 milhões de celulares ativos.  


Resumo da ópera: milhares de anos separam a invenção do ábaco do surgimento dos gigantescos mainframes, mas, a partir de então, bastaram algumas décadas para os computadores pessoais serem criados e diminuírem de preço e de tamanho, mas crescessem em poder de processamento e variedade recursos, tornando-se ultraportáteis e indispensáveis. Mas nem tudo foram flores nesse jardim.


Continua…

sábado, 1 de agosto de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — NOSSO SISTEMA SOLAR

A CIÊNCIA NÃO É APENAS COMPATÍVEL COM A ESPIRITUALIDADE; É UMA FONTE PROFUNDA DE ESPIRITUALIDADE.

Se você integra a legião de cegos mentais que tomam o Velho Testamento por jornalismo confiável e o criacionismo por hipótese plausível para a origem da vida na Terra, você não está sozinho: por algum defeito de fabricação, inúmeras pessoas preferem acreditar em mentiras a enxergar a verdade que desfila diante de seus olhos.

Talvez isso ocorra porque o cérebro humano é extraordinariamente ruim em escala geológica, e 13,8 bilhões de anos é um número cognitivamente inapreensível, ou porque as religiões, mesmo tendo se tornado um pool de máquinas caça-níqueis, oferecem um pseudoconforto espiritual que a cosmologia científica não promete por não ser esse seu papel.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Lula, o autoproclamado Sun-Tzu de Garanhuns, agiu corretamente quando mandou o embaixador Júlio Bitelli de volta à Argentina, sinalizando que o governo brasileiro deseja o retorno da normalidade. Por outro lado, sempre que pede a palavra, sua insolência quase nunca a devolve em boas condições. 

Na semana passada, ao falar sobre o maior conflito armado da história da América do Sul, o vocalista do grupo de pagode Fala Merda reescreveu a história numa comentário infeliz, errôneo e desnecessária, no qual afirmou que o Paraguai "invadiu" o Brasil, o Uruguai e a Argentina. 

A fala foi Infeliz porque remexeu numa ferida aberta — para os paraguaios, o Brasil cometeu genocídio na guerra; numa conta conservadora, a historiografia estima as perdas paraguaias entre 150 mil e 300 mil mortos. Foi errônea porque o Paraguai jamais invadiu o Uruguai: no episódio que antecedeu a guerra, foi o Império do Brasil que invadiu o Uruguai para evitar que o beligerante ditador paraguaio, Solano López, tutelasse aquele país. E foi desnecessária porque produziu uma tensão que serviu apenas para criar uma encrenca diplomática com o Paraguai num instante em que o Itamaraty já administra a intromissão do presidente argentino na eleição brasileira. 

A despeito dos três mandatos nas costas, o macróbio eneadáctilo ainda não aprendeu que pior do que uma crise são duas crises.


Pode-se argumentar que abraçar o criacionismo (ou outra religião qualquer) não é uma posição epistemológica, e sim uma identidade cultural e tribal. E muito embora o valor da Bíblia como literatura, mitologia e registro cultural seja indiscutível, tratar textos do século 10 a.C. como cosmologia literal, ignorando evidências convergentes de física, biologia, geologia e astronomia, é sinônimo de analfabetismo científico com consequências práticas — mas, de novo, argumentar com que renunciou à lógica é o mesmo que medicar defunto.

Prova disso é que, a despeito de o modelo cosmológico mais aceito estimar a idade do Universo em 13,8 bilhões de anos, não faltam apedeutas negacionistas que compram a versão do arcebispo irlandês James Ussher, segundo a qual Deus iniciou à criação do mundo e tudo que nele existe às 9h00 de 23 de outubro de 4004 a.C., viu que "tudo era bom" e deu os trabalhos por encerrados no sétimo dia, quando então descansou (!?)

Em tese, vivemos num país livre, onde cada um pode acreditar no que bem entender, da absolvição de Lula — que não passou da anulação dos processos devida a uma tecnicidade territorial — à inocência de Bolsonaro — tanto do pai golpista quanto dos filhos "cineastas" — e mais um sem-número de falácias sem pé nem cabeça. Por outro lado, negar evidências não muda os fatos. As coisas são como são — e não como gostaríamos que fossem — e mentiras não deixam de ser mentiras porque as pessoas acreditam nelas.

Passando ao que interessa, nosso sistema solar é um fascinante conjunto de objetos celestes (planetas, satélites, asteróides, meteoros etc.) interligados pela força da gravidade, tendo o Sol como seu centro. (0:10). Ele se formou há 5 bilhões de anos, e a Terra, cerca de 500 milhões de anos depois. Dito isso, quando o deus do arcebispo Ussher supostamente criou o mundo… enfim, fé e ciência não são mutuamente excludentes quando a esfera de cada uma é respeitada.

Embora não devamos subestimar a importância da Bíblia nem negar a enorme influência cultural do Gênesis, devemos mantê-los dentro de seu contexto histórico e mitológico, e não interpretá-los como revelações científicas sobre a criação do mundo. Assim, tomar os textos bíblicos por evidências factuais é ignorar séculos de progresso científico — como bem disse o pintor grego Apeles, não vá o sapateiro além das sandálias.

O literalismo religioso alimenta a negação de descobertas amplamente aceitas e mina o avanço em questões vitais ao futuro da humanidade. No tempo das cavernas, tempestades, terremotos, eclipses e outros fenômenos naturais eram atribuídos a forças sobrenaturais, e esse misticismo deu origem às religiões. Todavia, embora a fé e religião andem de mãos dadas, tanto é possível ter fé e não ser religioso como seguir uma religião simplesmente por tradição familiar ou convenção social.

Compete às religiões oferecer conforto espiritual, respostas a questões como o propósito e o sentido da vida e "religar" o homem a Deus. No entanto, em vez de levarem à unidade, ao amor e ao bem de todos, elas foram deturpadas para servir a interesses escusos daqueles que detêm o poder e o utilizam na manipulação de seus semelhantes. A possibilidade de existir um ente superior é plausível, mas como acreditar em um deus criador que concede livre-arbítrio às criaturas se ele promete recompensar os bons com a vida eterna num paraíso celestial e punir os maus com o fogo eterno num inferno comandado por um anjo caído?

As religiões perderam muito da empatia que tinham nos tempos de antanho e deitaram suas raízes nos comportamentos evolutivos fundamentais. Assim como os vaga-lumes, elas precisam da escuridão para brilhar, e são úteis para os poderosos, que lhes dão ares de verdade para ludibriar os menos esclarecidos. Enquanto sua rigidez tende a perpetuar tradições e práticas que raramente resistem ao questionamento crítico, a fé que resulta de experiências empíricas leva as pessoas a crer em algo sem que isso lhes seja enfiado goela abaixo por dogmas. Essa flexibilidade faz com que a fé se adapte aos valores e interpretações de cada um, tornando sua relação com a religião ainda mais intrigante quando a natureza da divindade é questionada — aliás, dizem que Deus criou a fé e o amor, e o diabo, invejoso, as religiões e o casamento.

Aristóteles ensinou que o sábio duvida e o sensato reflete. Toda religião é a verdade absoluta para quem a professa, mas não passa de mera fantasia para os devotos das outras seitas. No entanto, qualquer pessoa minimamente esclarecida deveria refutar a ideia de passar a eternidade tocando harpa numa nuvem ou assando lentamente num espeto. Mesmo assim, em pleno século XXI, algumas doutrinas claramente inverossímeis têm hostes de seguidores que pegam em lanças para defender seus rituais e liturgias.

No Mito da Caverna, Platão ensina que a sabedoria e o conhecimento estão além das aparências superficiais, e que só a reflexão crítica leva à compreensão das nossas convicções e das narrativas que escolhemos abraçar. Infelizmente, pode-se levar um burro até o regato, mas não se pode obrigá-lo a beber.

Continua…

segunda-feira, 27 de julho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — MAIS SOBRE CAVERNAS, ESTRELAS E O BIG BANG

O COSMOS É TUDO O QUE EXISTE, EXISTIU E EXISTIRÁ. OLHE AS ESTRELAS, MAS MANTENHA OS PÉS NO CHÃO. 

Vimos que o Universo se formou há quase 14 bilhões de anos, que nosso sistema solar tem 5 bilhões de anos, que nosso planeta surgiu há cerca de 4,5 bilhões de anos — e que, mesmo assim, bilhões de pessoas tomam o Velho Testamento como jornalismo confiável e o criacionismo como explicação para a origem da vida na Terra. (Mais detalhes no capítulo anterior.)


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Se quiser salvar esta banânia da falência, quem assumir a Presidência em 1º de janeiro de 2027 terá de desarmar a bomba que Lula armou torrando bilhões em programas sociais para dar a falsa ideia de que o país está melhorando. Como ocorreu no início do segundo mandato de Dilma Rousseff, a conta vai ficar no vermelho. Aliás, o roteiro dessa ópera bufa é muito parecido com a de que levou ao impeachment da anta. 

Para segurar a inflação, o Banco Central se vê obrigado a manter a Selic elevada, o que na prática significa que o dinheiro vale menos no mercado e o custo de vida aumenta. Vale destacar que a dívida pública vem crescendo nos últimos quatro anos: em 2022, era 71,7% do PIB; neste ano em que Lula tenta se reeleger, a projeção do mercado é que passe dos 86% em 2026. De acordo com o Ipea, até 2028 a dívida bruta pode alcançar 90% e até 2030, 94,1% do PIB. Para piorar, o tarifaço dos Estados Unidos vai afetar as exportações brasileiras, o crescimento econômico e a geração de emprego, o que atinge o orçamento das famílias, principalmente as mais pobres.

Para não mexer nos benefícios, seria necessário promover um imediato enxugamento da máquina pública ou melhorar a arrecadação do governo sem aumentar impostos — mediante a venda ou concessão de ativos da União, com os recursos direcionados à redução do endividamento. Seja qual for o caminho escolhido pelo próximo presidente, o essencial é reconstruir a previsibilidade. O país precisa mostrar que consegue controlar a dívida sem paralisar a economia e promover crescimento sem reacender a inflação. Caso contrário, continuaremos presos a uma combinação conhecida: juros altos, câmbio vulnerável e crescimento abaixo do potencial.


Não se sabe ao certo por que tantos se recusam a ver o que está diante dos próprios narizes. Afinal, conhecer a verdade, enxergar a verdade e ainda assim abraçar a mentira é tão absurdo quanto repetir os mesmos erros esperando, como no Teorema do Macaco Infinito, que a perseverança produza um acerto.


Uma explicação está no fato de o cérebro humano ser extraordinariamente ruim em lidar com escalas geológicas, e 13,8 bilhões de anos é um número que a intuição simplesmente recusa. Outra explicação passa pela religião tradicional — não confundir com fé —, que não só cumpre (ou deveria cumprir) funções psicológicas e sociais, bem como oferece (ou deveria oferecer) um conforto diante da morte que não tem paralelo na cosmologia científica.


Pode-se argumentar, ainda, que aderir ao criacionismo não é uma posição epistemológica, mas sim uma identidade cultural e tribal, resistente por definição a qualquer evidência. Convém ter em mente que isso não diminui o valor da Bíblia como literatura, mitologia e registro histórico, mas tratar textos do século X a.C. como cosmologia literal — ignorando evidências convergentes de física, biologia, geologia e astronomia — é um problema sério de alfabetização científica, e argumentar com quem renunciou à lógica faz tanto sentido quanto medicar defunto.


As teorias científicas mais aceitas atualmente se baseiam no modelo cosmológico padrão, que é escorado no Big Bang — que, apesar do nome, não teria sido uma explosão, mas o início de uma grande expansão que perdura até hoje. A título de contextualização, dois anos depois de publicar a Teoria da Relatividade Geral, Einstein propôs um modelo de Universo estático e introduziu a constante cosmológica para equilibrar a gravidade e evitar um colapso gravitacional. 


Uma década depois, Edwin Hubble observou que as galáxias estavam se afastando — evidência de que o cosmos estava, de fato, em expansão. Na mesma época, Georges Lemaître deduziu que algo que estava se expandindo deveria ter sido menor em algum momento. Assim, a possibilidade de retornar ao instante em que toda a vastidão do Universo estava concentrada em uma massa extremamente quente e densa deu origem à hipótese do "átomo primordial", segundo a qual o tempo e o espaço só passaram a existir quando esse "átomo primitivo" começou a se expandir. 


A proposta ganhou tração em 1948, quando George Gamow sugeriu que o Universo teria surgido de um clarão de energia oriundo de um gás primordial superdenso. No calor dessa erupção cósmica, os elementos químicos teriam sido "cozinhados" a partir de uma "sopa de partículas fundamentais", deixando como resquício uma radiação de fundo que permeia o cosmos até hoje.

 

No mesmo ano, Fred Hoyle, Thomas Gold e Hermann Bondi levantaram a hipótese de que o Universo não tinha começo nem fim, pois era constantemente "reabastecido" com matéria nova, gerada em todos os lugares e momentos. Durante uma palestra, Hoyle ironizou a ideia de um surgimento cósmico repentino, dizendo que toda a matéria fora criada em um "grande estrondo", num momento específico do passado remoto. 


A ironia pegou, e o termo Big Bang foi rapidamente adotado pela imprensa, mas ignorado por físicos e astrônomos, já que o fenômeno descrito não seria uma explosão no sentido tradicional, mas o início de uma expansão cósmica que começou há quase 14 bilhões de anos e cujos efeitos ainda podem ser observados por meio do desvio para o vermelho na luz das galáxias distantes — indicando que elas continuam se afastando de nós.

 

A despeito da imprecisão, o nome Big Bang se espalhou pelo mundo como um bordão irresistível, e como bem observou alguém mais sábio, "palavras são como arpões, depois que entram é muito difícil tirá-las". Em 1993, a revista Sky and Telescope organizou um concurso para substituir o nome e recebeu 13.099 sugestões de 41 países, mas nenhuma convenceu a banca de jurados, que incluía Carl Sagan, e o nome permaneceu.

 

Hoyle demonstrou que todos os elementos que compõem o Universo estão sendo "cozidos" no caldeirão das estrelas desde sempre, e que a vida deveria ser uma ocorrência comum no cosmos. A ideia não soava absurda para a comunidade científica — segundo o especialista em poeira estelar Ashley King, quase todos os elementos do corpo humano foram forjados em estrelas, muitos deles ejetados por sucessivas supernovas. 


Hoyle foi mais além, sustentando que inúmeras epidemias estariam associadas à passagem de meteoritos cujas partículas trariam vírus à Terra, mas essa tese foi vista como mais compatível com seus 19 romances de ficção científica do que com seu trabalho acadêmico. Ao final, ele entrou para a história como o homem que batizou uma teoria na qual nunca acreditou.


Continua...