sexta-feira, 22 de maio de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 106ª PARTE — UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL

TUDO PARECE IMPOSSÍVEL ATÉ QUE SEJA FEITO.

Como foi dito ao longo dos mais de 100 capítulos desta sequência sobre viagens no tempo, o fruto mais cobiçado da árvore da relatividade ainda não foi colhido porque exige viajar a uma velocidade próxima à da luz ou transpor um buraco de minhoca atravessável.


A boa notícia é que, para levar qualquer partícula com massa à velocidade máxima possível no Universo — segundo Einstein e a física clássica — uma grupo de cientistas propôs uma versão redesenhada da chamada "bolha de dobra" — estrutura teórica que poderia transportar uma espaçonave por meio da distorção do espaço-tempo. A má notícia é que a quantidade de energia negativa necessária, os riscos de controle e os prazos estimados em até milhares de anos esbarra num problema elementar: a humanidade ainda não sabe produzir os ingredientes físicos exigidos pelo modelo, especialmente grandes quantidades de energia negativa.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Um senador pedindo dinheiro ao operador de escandalosa fraude financeira, a quem trata de "irmão", é tudo menos uma transação corriqueira "de um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai". A conversa abre o baú de esqueletos com potencial de mudar o rumo desta eleição, pois evidencia a relação de proximidade de um candidato a presidente com um personagem cujos golpes envolvem dinheiro público, a quem ele cobra colaboração para a produção de uma peça de propaganda milionária, a ser usada em sua campanha eleitoral.
Não há nada de privado nisso. Há, sim, o flagrante de agressão ao interesse público no qual se inscreve, além do descrito acima, o fato de o pretendente a comandar a nação ter mentido aos correligionários e, sobretudo, aos que até agora o indicavam como favorito nas pesquisas de intenções de votos. O impacto negativo na candidatura está posto, faltando apenas medir a extensão do estrago para esclarecer se o filho do golpista consegue se livrar do enrosco, se terá de sair de cena da disputa presidencial ou se prosseguirá mesmo tendo de arrastar essa corrente.
A rapidez com que companheiros do PL consideraram o tiro como mortal, a reação fragiliza a retaguarda do candidato e cria um rombo na estratégia de defesa já prejudicada pela negativa inicial seguida pelo desmentido nos áudios. Sendo o destino moleque travesso, o pai que lhe assegura ascensão com o capital do sobrenome o coloca na contingência de um tombo fatal.


Vale relembrar que a massa aumenta com a velocidade, torna-se infinita na velocidade da luz (representada pela letra "c" e equivalente a cerca de 1,08 bilhão de km/h) e requer energia igualmente infinita para continuar acelerando. Os efeitos da dilatação do tempo só são sensíveis em velocidades próximas a "c". A 99,999% dessa velocidade, um corpo fica 224 vezes mais pesado; a 99,99999999%, o aumento é de 70 mil vezes; a 99,999999999999999999981%, um segundo no referencial do viajante equivale a 2,5 anos no tempo terrestre, como bem demonstra o paradoxo dos gêmeos


Em um cenário mais moderado, chegar a nossa vizinha estelar mais próxima, que dista 4,37 anos-luz da Terra, viajando a 99,9999999% de "c" levaria mais de 4 anos terrestres, mas, no referencial dos astronautas, teriam transcorrido menos de duas horas. Mas a nova proposta de motor de dobra que redesenha a bolha espaço-temporal reacendeu o debate sobre viagens com velocidades próximas a "c".


A proposta envolve uma nova arquitetura para um motor de dobra — ideia associada há décadas ao sonho de reduzir distâncias entre estrelas — que não faz a nave ultrapassar localmente o limite imposto pela física moderna, mas tenta mover a região ao redor dela, comprimindo o espaço à frente e expandindo o espaço atrás.


Assinado pelo engenheiro aeroespacial Harold “Sonny” White e pelos coautores Jerry Vera, Andre Sylvester e Leonard Dudzinski, ligados à Casimir, Inc., o estudo descreve “bolhas de dobra cilíndricas com interior plano para nacelas” e foi publicado na revista Classical and Quantum Gravity. A principal mudança do novo modelo está na geometria da bolha de dobra — em vez de concentrar a energia exótica em um único anel circular ao redor da nave, a proposta organiza essa energia em segmentos tubulares separados, posicionados ao redor da fuselagem como naceles. Os autores analisam configurações com dois, três ou quatro segmentos espaçados em torno da bolha, visando manter o interior da espaçonave calmo e plano enquanto a parte externa realiza o trabalho de distorcer o espaço-tempo.


A comparação com a ficção científica aparece de forma inevitável, especialmente pela semelhança com as nacelas gêmeas da USS Enterprise. Harold White afirmou ao The Debrief que essa semelhança “não é meramente estética”, reforçando a tentativa de aproximar a matemática da dobra espacial de algo mais palpável para a engenharia. O ponto central, no entanto, continua sendo transformar equações consistentes em algo fisicamente possível. O modelo refina a arquitetura da bolha, mas ainda depende de condições que a ciência atual não consegue reproduzir em escala útil para uma espaçonave.


Como dito acima, a física moderna não admite que uma nave com massa seja simplesmente acelerada até superar a velocidade da luz. Quanto mais perto um objeto chega desse limite, maior é a energia necessária para continuar acelerando, sem que essa exigência se estabilize. Mas os conceitos de propulsão de dobra buscam uma saída diferente. A nave não seria empurrada como um foguete comum, mas carregada por uma bolha que altera a geometria do espaço ao seu redor. 


A lógica pode ser comparada a uma esteira rolante de aeroporto, na qual a pessoa sobe e, mesmo sem andar mais rápido do que todos ao redor, chega antes porque a superfície sob seus pés também está em movimento. Na proposta de dobra espacial, essa “esteira” seria o próprio espaço-tempo. A região à frente da nave seria comprimida, enquanto a região atrás dela se expandiria, permitindo que a bolha avançasse sem que a espaçonave dentro dela ultrapassasse localmente a velocidade da luz. Esse tipo de abordagem remonta à proposta de 1994, frequentemente citada como o documento métrico sobre propulsão de dobra. Desde então, o maior desafio tem sido conciliar a elegância matemática com limitações físicas extremamente rígidas.


Um dos pontos que chama atenção no novo artigo é o foco na habitabilidade da bolha. Não basta mover uma espaçonave pelo espaço-tempo; uma missão tripulada também precisa garantir que a região interna não submeta os astronautas a distorções gravitacionais perigosas, como as associadas às chamadas forças de maré. Em escala extrema, elas poderiam criar efeitos muito mais severos do que as marés oceânicas observadas na Terra, tornando inviável a presença humana dentro da nave. Por isso, os autores defendem uma condição de “planicidade interior”: a cabine permanece matematicamente plana em termos de espaço-tempo, ainda que a estrutura externa da bolha esteja altamente distorcida.


Essa estabilidade é fundamental para navegação, relógios, suporte à vida e funcionamento normal das leis físicas dentro da espaçonave. Mesmo sendo uma proposta teórica, ela mira uma exigência que qualquer sistema real precisaria enfrentar. No entanto, o maior entrave para qualquer motor de dobra é a energia negativa.. Ela aparece em quantidades mínimas em configurações quânticas muito específicas, mas ampliá-la para o tamanho de uma espaçonave está muito além das capacidades atuais. A crítica não é apenas tecnológica. Uma análise de 1997 de Michael J. Pfenning e L. H. Ford aplicou limites quânticos às bolhas de dobra e concluiu que a energia negativa teria de ser comprimida em uma camada extremamente fina, com exigências totais de energia consideradas fisicamente inalcançáveis.


Também permanece aberta a questão de saber se o universo fornece massa negativa ou energia negativa em uma forma utilizável. O astrofísico Avi Loeb, da Universidade de Harvard, argumentou que a energia do vácuo associada à expansão cósmica é tão diluída que nem mesmo um cubo com cerca de 19 quilômetros de lado seria suficiente para manter uma lâmpada de 100 watts acesa por um minuto inteiro. Ele também escreveu que, até onde se sabe, nenhuma física conhecida pode dar origem a um objeto com massa negativa. Esse ponto torna a distância entre a teoria da velocidade da luz e uma nave real ainda mais ampla.


Ainda que o problema da energia seja resolvido, uma bolha de dobra ainda precisa ser iniciada, guiada e interrompida com segurança. Uma análise técnica posterior aponta que, em casos superluminais, a tripulação poderia enfrentar um “problema de horizonte”, ficando incapaz de criar ou controlar a bolha de dentro dela. Outro risco está no comportamento da bolha ao atravessar partículas no espaço. Um estudo de 2012 sugeriu que partículas poderiam ficar presas e acumuladas, liberando energia intensa quando a bolha desacelerasse perto do destino. Esse tipo de efeito transforma a ideia de atalho cósmico em um problema de segurança, já que a bolha não precisa apenas chegar rápido; ela tem de evitar danos à nave, à tripulação e ao ambiente próximo ao ponto de chegada.


A distância entre os métodos atuais e uma viagem próxima à velocidade da luz continua enorme. Loeb observa que foguetes humanos ainda não chegaram a 0,1% de "c", o que mantém a estrela mais próxima a milênios de viagem com a tecnologia de que dispomos atualmente. O impacto mais realista desses estudos, no curto prazo, está em transformar ideias de propulsão de dobra em perguntas testáveis, e um dos desafios é descobrir como detectar uma minúscula distorção artificial do espaço-tempo em laboratório, mesmo em escalas microscópicas.


Também existem pesquisas paralelas buscando alternativas à energia negativa. Erik Lentz propõe soluções de dobra espacial no estilo sóliton usando energia positiva, enquanto outros pesquisadores investigam motores de dobra físicos mais lentos que a luz como ponto de partida mais plausível. Nenhuma dessas abordagens chegou perto de um projeto concreto, mas elas mantêm ativo o debate sobre o que a relatividade geral permite e sobre o que a natureza realmente tolera.


O prazo para que esse tipo de física se transforme em tecnologia útil permanece incerto. Sabine Hossenfelder já apontou que ideias abstratas podem levar “talvez 1.000 ou 5.000 anos” para se tornarem ferramentas práticas, caso isso algum dia aconteça. No estágio atual, a velocidade da luz segue como uma fronteira muito mais teórica do que tecnológica para a exploração espacial. 


A nova proposta melhora a forma de pensar a bolha de dobra, mas o salto entre matemática, energia negativa, controle seguro e viagem real ainda permanece imenso.


Continua...

quinta-feira, 21 de maio de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — PROFECIAS E PAREIDOLIA

SÓ NÃO CONSEGUE EXPLICAR ALGO DE FORMA SIMPLES QUEM NÃO ENTENDEU O QUE PRETENDE EXPLICAR. 

Nossa mente, avessa a mudanças, vive nos pregando peças. Em grande medida, isso se deve ao fato de que, nos tempos de antanho, diferenciar amigos de inimigos rapidamente era uma questão de sobrevivência. Assim, nosso cérebro desenvolveu a tendência de identificar padrões familiares — especialmente rostos — em estímulos aleatórios ou ambíguos.


A questão que esse mecanismo — conhecido como pareidolia — dispara mesmo quando não há rosto algum nas nuvens, nas chamas de uma lareira, na superfície da Lua, na torrada queimada, e assim por diante, fazendo-nos enxergar coisas que não existem. Os exemplos mais famosos incluem a "Face de Marte" (uma formação rochosa fotografada pela NASA em 1976 que parecia um rosto humano gigante), o rosto de Cristo em cascas de árvore, manchas de umidade em paredes e fotografias aéreas de plantações ou relevos. 


De certo modo, esse mesmo mecanismo nos leva a "confirmar" profecias vagas como as de Nostradamus ou encontrar mensagens pessoais em horóscopos genéricos. Em suma, é a mesma engrenagem do efeito Barnum, só que operando no plano visual.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


A proposta de delação de Daniel Vorcaro decepcionou os investigadores, mas a prisão de Henrique Vorcaro, pai do dono do falecido Banco Master, tem potencial para mudar esse quadro.

Espera-se que a chegada do patriarca do clã Vorcaro ao sistema prisional transforme o filho num delator bem mais fluente e menos sovina — com disposição para levantar a blindagem que ainda oferece a parte de seus contatos e devolver os bilhões acumulados por meio da criminalidade.

Henrique Vorcaro foi preso preventivamente sob a acusação de ameaçar adversários da máfia comandada pelo filho. Trata-se de um desdobramento do pedaço do inquérito que desbaratou o funcionamento do grupo denominado "A Turma", no qual Vorcaro encomendava a um "Sicário", no escurinho do Zap, uma agressão a jornalista, "um sacode" em ex-funcionários e a intimidação de desafetos.

A atuação do novo preso não se restringiu ao departamento de intimidação do Master. Segundo a PF, foi numa conta do pai que Vorcaro escondeu dos seus credores e de suas vítimas R$ 2,2 bilhões. De resto, Henrique Vorcaro está vinculado a mais de 50 empreendimentos que se conectaram com o ecossistema do Master. Seu filho talvez se anime a tentar incluir o pai entre os premiados de uma delação mais caudalosa.


Partículas entrelaçadas mudam de polaridade quando uma delas é alterada, independentemente de ambas estarem no mesmo recinto ou a quilômetros de distância — cientistas chineses realizaram o mesmo experimento usando satélites e comprovaram que elas se mantinham conectadas mesmo quando separadas por milhares de quilômetros. Mesmo assim, continuamos aceitando a premissa relativística segundo a qual nada se move mais depressa do que a luz do vácuo.


A mecânica quântica trata do comportamento da matéria e da energia em escalas muito pequenas — átomos e partículas subatômicas, mas a quantidade de informações necessárias para mapear e reconstruir um ser vivo envolveria mais informação do que todos os computadores que existem atualmente são capazes de armazenar, bem como rearranjar todos os átomos, célula por célula, em um processo que levaria centenas de milhares de bilhões de anos. 


A tecnologia de que dispomos está tão distante dessa realidade quanto cruzar o Atlântico por ar em cerca de 3 horas estava quando Pedro Álvares Cabral e sua trupe levaram 44 dias para vir de Portugal até o que viria a ser o litoral sul da Bahia. Por outro lado, vale lembrar que uma ferramenta de inteligência artificial desenvolvida pelo Google para atuar como colaborador virtual em pesquisas científicas e biomédicas resolveu em 48 horas um problema que cientistas do Imperial College London demoraram uma década para solucionar, além de sugerir quatro outras soluções plausíveis, incluindo uma que sequer havia sido considerada pelos pesquisadores.


Sabe-se há décadas que o pensamento humano, quando focado, é capaz de alterar a química corporal do indivíduo, mas o conceito de cura ainda é visto com ceticismo, considerado vudu e objeto de escárnio por parte da comunidade médica — que parece acreditar com fervor que somos todos descendentes de Adão e Eva, a despeito dos indícios científicos acachapantes da evolução. 


Não faltam pessoas supostamente esclarecidas que refutam a esfericidade da Terra (coisa que Aristóteles descobriu no século III a.C.), cuja circunferência Eratóstenes calculou no século II a.C. a partir da diferença das sombras em duas cidades próximas, sem falar nas milhares de fotos tiradas do espaço e até da Lua.


Continua…

quarta-feira, 20 de maio de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — PROFECIAS E VATICÍNIOS

NA CIÊNCIA, O CRÉDITO VAI PARA QUEM CONVENCE O MUNDO DE UMA IDEIA, NÃO PARA QUEM A TEVE PRIMEIRO.  


Não há final de ano sem que programas de TV de quinta categoria entrevistem paranormais que invariavelmente antecipam "a morte de um artista famoso”, sabedores de que as palavras “artista” e “famoso” dão margem a múltiplas interpretações. Todavia, a despeito da evolução da ciência nos últimos séculos, um sem-número de pessoas que reputamos inteligentes continua a consultar cartomantes, quiromantes, videntes e afins.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


"Dark Horse" — nome do filme sobre a trajetória política do ex-presidente golpista e ora presidiário — já era sinal de mau agouro, pois significa "azarão", "vencedor improvável", mas ninguém imaginava que o Judiciário mandaria prender Lula, durante a pré-campanha eleitoral de 2018.

Na Bíblia, o terceiro cavaleiro do Apocalipse aparece montado num cavalo negro, com uma balança na mão, e anuncia fome e miséria (Ap 6,5-6). Contra "fome e miséria" de políticos e autoridades, ninguém melhor que Vorcaro nos últimos tempos, mas até o momento nenhum deles havia sido flagrado pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro. Flávio Rachadinha inaugurou a lista, pedindo ao dono do Master R$ 134 milhões, alegadamente para a cinebiografia do pai. Pelo menos R$ 61 milhões foram transferidos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações da Entre Investimentos, empresa ligada ao grupo Master, para o Havengate Development Fund LP, fundo registrado no Texas administrado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.

A operação contou com intermediários como Thiago Miranda, sócio-fundador do Portal Leo Dias, que participou das negociações. Fabiano Zettel, cunhado e principal operador financeiro de Vorcaro, organizava os repasses, e o deputado cassado e foragido Dudu Bananinha aparece nas conversas em 21 de março de 2025, sugerindo "alternativas para facilitar o envio dos recursos aos EUA".

Vorcaro foi preso pela Polícia Federal tentando deixar o país em 18 de novembro de 2025, no dia seguinte ao "estarei contigo sempre" de Flávio. O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central no dia seguinte, com rombo estimado em R$ 50 bilhões no FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Na época, a situação do Master não era segredo para ninguém em Brasília. A CVM investigava movimentações atípicas desde 2022, e o Banco Central emitiu ultimato a Vorcaro em 2024, com prazo de 180 dias para reestruturação do Master. O próprio Vorcaro assinou em novembro daquele ano documento ao BC assumindo os problemas, com prazo final para correção em maio de 2025, exatamente o período em que as seis transferências para o Texas foram concluídas. 

Nas conversas, Flávio reconhece que "Daniel estava passando por momentos difíceis". O Ministério Público Federal havia requisitado à PF, ainda em 2024, o início de investigações criminais do Master por emissão de títulos falsos. No ano seguinte, Brasília, estava careca de saber quem era Daniel Vorcaro.

Também merece atenção o valor — R$ 134 milhões — solicitados para uma produção com anjos caídos de Hollywood e um time B ou C nos créditos. Para um filme com time modesto em termos artísticos, com poucas pretensões além da propaganda política para convertidos, produtoras bolsonaristas nacionais fariam tudo por 10% desse valor, mesmo incluindo o cachê de Jim Caviezel. "Ainda Estou Aqui", vencedor do Oscar, teve um custo estimado em R$ 45 milhões, e "O Agente Secreto", pouco mais da metade desse valor. A conta não fecha.

Mário Frias, deputado bolsonarista do PL, roteirista e produtor executivo do filme, divulgou nota oficial afirmando que "dentre os mais de uma dezena de investidores que compõem o quadro de financiadores do longa-metragem Dark Horse, não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário".

Resta saber onde foram parar os mais de R$ 60 milhões repassados

Alguns oportunistas que vivem há anos do bolsonarismo já começaram a se distanciar de Flávio, lembrando o adágio que os ratos são sempre os primeiros a pular de um barco que afunda. Ainda é cedo para prever o que acontecerá nas próximas horas ou dias, mas o estrago é inegável. E sabe-se lá o que ainda está para surgir durante as investigações.

Até o momento, a surpresa é saber que um filme com jeito de documentário do Brasil Paralelo custou mais que uma festa de Vorcaro com Coldplay e isso, por si só, já é um escândalo que merece investigação rigorosa.

Cavalo negro, simbolicamente, nunca é portador de boas notícias. No folclore brasileiro, "Dark Horse" é a mula sem cabeça.


Nostradamus, sacerdotes do Oráculo de Delfos, astrólogos maias e afins foram venerados como semideuses, mas usaram e abusaram de ambiguidades e indeterminações para tornar suas chances de erro tão desprezíveis quanto as dos horoscopistas de almanaque, que embrulham no vistoso papel dos mapas astrais mensagens como cuide melhor da saúde, evite investimentos arriscados, aguarde novidades no campo sentimental, e por aí afora.


Dono de uma pena vocacionada a vaticínios macabros e apocalípticos, Michel de Nostradama (1503-1566) se notabilizou pela suposta capacidade de prever o futuro. Contrariando as conclusões tendenciosas que os arautos do apocalipse extraíram de suas Centúrias, o astrólogo francês não previu a Revolução Francesa, a ascensão de Hitler, o desmoronamento das torres gêmeas, o fim mundo na virada do milênio (nem em 21/12/2012) ou a coroação do rei Charles III e sua renúncia.


Nostradamus também não vaticinou a pandemia da Covid-19 — esse boato nasceu de uma publicação feita pelo cartunista argentino Cristian Dzwonik, criador do satírico Gato Gaturro. A mensagem original, postada na página do cartunista nas redes sociais, foi rotulada como FAKE NEWS pelo Facebook após ter sido desmentida por agências internacionaisFalando em redes sociais, elas foram a maior benesse para os serviços de inteligência desde que a Igreja Católica inventou a confissão, mas isso é uma outra conversa e fica para uma outra vez.


Alguns dos versos de Nostradamus contêm referências chocantes a supostos acontecimentos futuros, mas vale lembrar que o os escreveu de forma prolífica, cifrada e ambígua, como que visando acomodar as mais variadas versões dos fatos. Mesmo assim, entra ano, sai ano, milhões de pessoas se equipam para sobreviver a chuvas de meteoros, colisões com asteroides, inversões da polaridade terrestre e outros cataclismos oriundos de interpretações tendenciosas de profecias chinfrins feitas por quem ouviu o galo cantar sem saber onde.


Observação: Reza a lenda que, quando seu galo de estimação desapareceu, um alfaiate carioca do século XVIII ofereceu uma recompensa a quem o encontrasse. De olho na gratificação, um aprendiz afirmou ter ouvido a ave cantar, mas não soube dizer onde, e acabou demitido. A partir de então, a expressão "ouvir o galo cantar sem saber onde" tornou-se sinônimo de falar sobre sobre algo sem conhecer os detalhes ou o contexto.


A facilidade para encontrar verdades pessoais em afirmações genéricas é conhecida como "efeito Barnum" — assim chamado por causa dos "testes de personalidade" usados por P. T. Barnum para convencer os espectadores de circo a acreditarem que ele possuía poderes paranormais. Em decorrência dessa "característica", milhões de pessoas supostamente esclarecidas juram que somos todos descendentes de Adão e Eva, em que pesem os indícios científicos acachapantes da evolução.


Tampouco faltam cegos mentais que se refutam a enxergar a esfericidade da Terra — coisa que Aristóteles descobriu no século III a.C. e cuja circunferência Eratóstenes calculou a partir da diferença das sombras em duas cidades próximas — a despeito das milhares de fotos tiradas do espaço e até da Lua.


Continua...

terça-feira, 19 de maio de 2026

COMO LIMPAR A TELA DOS ELETROELETRÔNICOS

PARA RESOLVER OS PROBLEMAS DOS OUTROS, TODO MUNDO TEM SABEDORIA DE SOBRA.

A poeira e a gordura dos dedos maculam a tela de celulares, monitores e televisores. Para fazer a limpeza, recomenda-se usar panos de microfibra — que são macios, não soltam fiapos nem arranham a tela —, evitar solventes à base de aguarrás ou Thinner, limpa-vidros (como Vidrex) e produtos à base de amônia (como Ajax) ou cloro (como Cândida e outras águas sanitárias). 

O mesmo vale para desinfetantes, limpadores em aerossol e polidores de metais (como Kaöl ou Brasso). No caso do álcool, use somente o isopropílico, que não contém água e é menos agressivo.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Em abril de 2020 eu escrevi que o número de apoiadores de primeira hora que questionavam a sanidade mental de Bolsonaro vinha crescendo na mesma velocidade com que seus desafetos se multiplicavam. Dentre os aliados mais notórios que já haviam abandonado o barco, destacava-se o ex-amigo de fé, irmão e camarada Gustavo Bebianno, que era um arquivo vivo da campanha do futuro golpista e estava trabalhando no livro "Uma eleição improvável" (sobre os bastidores da eleição de Bolsonaro) quando morreu subitamente em decorrência de um enfarte.
Filho de um empresário que, nos tempos de vacas gordas, fazia questão de mandá-lo para a Europa, Bebianno cursou Direito na PUC-RJ e fez mestrado em Finanças pela Universidade de Illinois (EUA). Bolsonaro, cujo pai sustentava a família obturando e extraindo dentes (embora jamais tivesse estudado odontologia), cursou a AMAN e serviu nos grupos de artilharia de campanha e paraquedismo.
Em 1986, aos 31 anos de idade, Bolsonaro publicou um artigo em que reclamava do soldo — que lhe rendeu 15 dias de prisão disciplinar. No ano seguinte, voltou à carga com um plano de explodir bombas de baixa potência em quartéis e academias (também como forma de protesto contra os baixos salários dos militares) e acabou sendo excluído do quadro da Escola de Oficiais, mas foi absolvido das acusações pelo Superior Tribunal Militar. Ainda assim, sua carreira no Exército terminou ali.
Em 1988, após deixar a caserna pela porta lateral, Bolsonaro elegeu-se vereador. Dois anos depois, foi um dos deputados federais mais votados no Rio de Janeiro. Ao longo dos 27 anos no baixo clero da Câmara, aprovou 2 míseros projetos e colecionou dezenas de processos.
Em 2014, o advogado Gustavo Bebianno passou a enviar emails de cumprimentos ao deputado Jair Bolsonaro, de quem se declarava fã devido a seu “patriotismo”. Em 2017, ao saber que o então pré-candidato ao Planalto estaria num clube de golfe no Rio, correu para encontrá-lo, levando consigo cópias impressas dos emails (que jamais foram respondidos) como prova da antiguidade de sua admiração. Mais adiante, defendeu seu ídolo em diversos processos sem cobrar um tostão. Foi ele quem levou Bolsonaro para o PSL em março de 2018, quem coordenou sua campanha presidencial e quem presidiu o partido durante as eleições. De acordo com o empresário Paulo Marinho, que abrigou em sua casa o comitê de campanha, houve três grandes responsáveis pela vitória do capetão: Bebianno, o publicitário Marcos Carvalho e o esfaqueador inimputável Adélio Bispo de Oliveira, nessa ordem. O resto é folclore.
Valendo-se da condição de convalescente da facada que levou a um mês do segundo turno do pleito de 2018, Bolsonaro se recusou a participar dos debates — que inevitavelmente exporiam seu acachapante despreparo. Mesmo assim, a récua de muares desprovida de neurônios deu de ombros para os demais postulantes ao Planalto e enviou para o embate final o refuto da escória da humanidade e o preposto do demiurgo de Garanhuns (lembrando que o xamã petista teve a candidatura cassada por estar cumprindo pena em Curitiba). Assim, restou à parcela pensante do eleitorado — que teria votado no próprio Belzebu para impedir a volta do PT apoiar um sujeito tosco, polêmico, oportunista, populista, parlapatão, admirador confesso dos anos de chumbo da ditadura militar e defensor de opiniões "peculiares", digamos assim, sobre tudo e todos. Como era de esperar, essa sumidade se tornaria um mandatário impopular aos olhos de seus governados, um pária aos olhos do mundo e o alvo preferido de uma imprensa que não o suportava — e o sentimento era mútuo. Como todo populista que se preza, Bolsonaro contava com séquito de fanáticos fiéis que o seguiam cegamente — os “bolsomínions”, que somavam cerca 30% do eleitorado e agiam como os militantes esquerdopatas, só que com a polaridade político-ideológica invertida.
Voltando a Bebianno, em reconhecimento pelos bons serviços prestados pelo então amigo e admirador, Bolsonaro nomeou-o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, mas demitiu-o cerca de 40 dias depois, “envenenado” pelas intrigas urdidas pelo "pitbull" Carlos Bolsonaro, que sempre se roeu de ciúmes da amizade do pai com o assessor. E assim teve início o que viria a ser uma longa lista de auxiliares que se converteram em desafetos nos meses subsequentes — entre os quais Alexandre Frota, Joice Hasselmann, o General Santos Cruz e Sérgio Moro — e foram prontamente atacados e tratados como comunistas, antipatriotas e traidores pela súcia de convertidos que, acometidos de cegueira mental, bebiam as palavras do Messias que não miracula. Mais adiante, Bebianno lançou sua pré-candidatura à prefeito do Rio de Janeiro, mas morreu em 14 de março de 2020, aos 56 anos, quando estava em seu sítio em Petrópolis — consta que ele passou mal, sofreu uma queda e foi a óbito. Seu corpo foi encaminhado para o Instituto Médico Legal de Teresópolis e o laudo apontou infarto fulminante..
Ao ser demitido, Bebianno disse ter "amor" e "afeto" por Bolsonaro e declarou não ter dúvida de que seu governo “seria um sucesso”. Pouco antes de morrer, reconheceu que devia desculpas ao país por ter viabilizado a candidatura do ex-chefe, que, segundo ele, se tornara arrogante, autoritário e excessivamente influenciado pelos filhos “mimados e soberbos”. Em entrevistas, afirmou que o capetão demonstrava “traços de psicopatia” e que tratava as pessoas como meros capachos. Sua morte gerou especulações nas redes sociais, mas não surgiram evidências concretas que contrariassem a conclusão médica.
“Um dia o Brasil saberá quem Bolsonaro realmente é", disse Bebianno. Vindo de alguém que conviveu intensamente com o dejeto em forma de gente durante a campanha e no início do governo, a declaração ganhou forte repercussão, passou a ser frequentemente lembrada por críticos e ex-aliados e acabou adquirindo um tom quase profético. Para muitos, foi um alerta de alguém que conheceu de perto o funcionamento do núcleo bolsonarista e saiu profundamente decepcionado.


A limpeza deve ser feita com os aparelhos desligados. Monitores e televisores devem ser desconectados da tomada e limpos somente depois que esfriarem, de modo a evitar que o calor crie manchas difíceis de remover. Comece passando um pano de microfibra seco sobre toda a superfície da tela — em movimentos suaves e circulares, sem aplicar pressão. Para remover marcas de dedos ou gordura, umedeça o pano com água filtrada ou destilada (sem encharcar), faça a limpeza e dê acabamento com um pano seco.


Jamais borrife água ou outro líquido diretamente na tela. Evite usar papel toalha, panos ásperos, esponjas ou camisetas velhas, e jamais pressione o display com força durante a limpeza, pois isso pode danificar os pixels ou causar manchas permanentes.

 

Boa faxina.