sexta-feira, 5 de agosto de 2016

VÍRUS ― VOCÊ SABIA? (final)

SÓ O ROSTO É INDECENTE. DO PESCOÇO PARA BAIXO PODIA-SE ANDAR NU.

Como vimos, o vírus THE CREEPER é considerado o precursor dos antivírus, mas o primeiro programa comercial dessa natureza foi desenvolvido pela IBM e lançado em 1988 ― aliás, a empresa foi logo seguida pela Symantec, McAfee e outros desenvolvedores de aplicativos de segurança, que se multiplicaram a partir da virada do século. Todavia, alguns anos antes o indonésio Denny Yanuar Ramdhani havia desenvolvido um programa destinado a imunizar sistemas contra o vírus de boot paquistanês “Brain”, que é considerado por uma ala dos especialistas em segurança digital como o primeiro antivírus da história.

Note o leitor que pragas eletrônicas não são coisas sobrenaturais ou prodígios de magia, mas simples programas capazes de executar instruções maliciosas e/ou potencialmente destrutivas. Em princípio, qualquer software atende aos desígnios de seu criador, que tanto pode programá-lo para interagir com o usuário através de uma interface quanto para realizar automática e sub-repticiamente as mais variadas tarefas.

De uns tempos a esta parte, a maioria dos antivírus deixou de trabalhar apenas com “assinaturas” (trechos específicos do código das pragas a partir dos quais o programa identifica arquivos possivelmente infectados; daí a importância de se manter a licença em dia e as definições atualizadas) e passou a se basear também em técnicas que permitem identificar vírus desconhecidos com base em seu “comportamento” (tais como Heurística, HIPS e outras mais). Alguns até “mesclam” a proteção residente com serviços na nuvem (atualizados em tempo real), permitindo ao usuário usufruir do melhor desses dois mundos.

Retomando o fio da meada, um dos malwares de maior destaque, no finalzinho do século passado, foi o vírus de macro Melissa. Essa praga se alastrou pelo mundo bem mais rapidamente que as predecessoras ― para que você tenha uma ideia, a primeira notícia na mídia especializada relatando os estragos foi publicada apenas seis horas depois de ela ter sido detectada pela primeira vez. O Melissa foi escrito especificamente para o Word 97, e, quando ativado, se espalhava através de anexos de emails enviados a partir do Outlook, sem o conhecimento do usuário e, em muitos casos, com dados pessoais/confidenciais do mesmo.

Depois de muita relutância, os internautas parecem ter se conscientizado da necessidade de investir em segurança, o que contribuiu para o surgimento de um vasto leque de ferramentas, inclusive gratuitas, muitas das quais, atualmente, são tão competentes quanto suas correspondentes pagas. Quem já usava PCs nos primeiros anos deste século deve estar lembrado do sucesso retumbante das versões gratuitas dos antivírus AVG e AVAST, que até hoje são excelentes escolhas ― ou eram, melhor dizendo, já que a AVAST Software acabou de comprar a AVG Technologies pela bagatela de US$ 1,3 bilhão, incorporando à sua carteira cerca 400 milhões de usuários da ferramenta da (ex) concorrente.

Observação: Corre à boca pequena que a gigante dos microchips (INTEL) pretende se desfazer da sua divisão de segurança e pôr à venda a McAfee, que adquiriu em 2010 por US$ 7,7 bilhões. Também há poucos dias foi divulgado que a Symantec ― fabricante dos conceituados produtos NORTON ― está negociando a compra da BLUE COAT por US$ 4,65 bilhões, visando fortalecer seu portfólio de ferramentas de segurança e ajudar os clientes a rumarem para Cloud. A aquisição deve ser formalizada ainda no terceiro trimestre deste ano.

Como dito alhures, do ponto de vista da segurança dos dados, é fundamental contar com uma boa suíte antimalware, capaz de proteger o sistema não só contra vírus, mas também contra spywares, adwares, phishing-scam, além de integrar um firewall robusto. Aliás, esse é um dos principais diferenciais das suítes comerciais em relação às gratuitas, geralmente mais espartanas. E ainda que seja possível suprir as lacunas com programinhas individuais ― ou mesmo “se virar” com as ferramentas disponibilizadas gratuitamente pela Microsoft (como o Windows Firewall, o Security Essentials e o Windows Defender) ―, eu recomendo uma suíte paga. Até porque não faltam boas opções a preços acessíveis, com condições especiais para quem for instalá-las em mais de um PC e/ou no smartphone e/ou no tablet.

Segundo o conceituado site AV COMPARATIVES, que testou os antivírus mais populares numa máquina com Windows 7 Home Premium 64 bits SP1 com todas as atualizações críticas e de segurança instaladas, a ferramenta que se saiu melhor, tanto na proteção em tempo real quanto na remoção de pragas, foi a da empresa russa Kaspersky ― que também se destacou por não acusar falsos positivos. Claro que preferências pessoais, facilidade de uso e outras questões subjetivas também têm seu peso, mas, considerando que a maioria dos fabricantes permite fazer um “test drive” de seus produtos antes de registrá-los, não há porque você não aproveitar.

Para encerrar, vale relembrar que podemos (e devemos) obter uma segunda opinião sobre a saúde do sistema com serviços baseados na Web, como o Security Scanner (da Microsoft), o ESET Online Scanner, o House Call Free Online Virus Scan (da TrendMicro) e o Norton Security Scan (da Symantec) ― todos são gratuitos e eficientes, mas nenhum deles o desobriga de manter um antivírus residente operante e devidamente atualizado. Também é uma boa ideia baixar e instalar a versão freeware do consagrado Malwarebytes Antimalware, que, por não oferecer proteção em tempo real, não conflita com o antivírus residente.  

E para dirimir possíveis dúvidas sobre um arquivo específico, o Virus Total é sopa no mel: basta fazer o upload do arquivo duvidoso e aguardar o resultado da análise, que é feita com mais de 50 ferramentas de segurança dos mais diversos fabricantes.

E como hoje é sexta-feira:

Há alguns anos, perguntado por um repórter se as belíssimas jovens com quem era
frequentemente visto gostavam realmente dele, Olacyr de Moraes - o bilionário octogenário Rei da Soja - respondeu:
- Quando vou ao restaurante e peço uma lagosta, a menor das minhas preocupações é se ela gosta de mim; eu simplesmente como, pago a conta e ponto final.

Era isso, pessoal. Espero ter ajudado. Bom f.d.s. a todos.

2 comentários:

Martha disse...

Oi Fernando
Excelente continuação....
Eu uso o Norton há anos e renovo automaticamente a assinatura e uso apenas mais dois programas: o CCLEANER e o SpyHunter. Como te falei antes, o SpyHunter vale cada centavo. Não é caro e cumpre o que promete. Depois de usar vários programas ao mesmo tempo e ver que alguns conflitos existiam e perturbavam o funcionamento da máquina, resolvi ficar com poucos e tem dado certo.
Uso o Vírus Total Uploader e é tudo de bom....
PS- espero que vc resolva seu problema logo....ninguém merece!!!
Bjs e obrigada sempre!!!!

Fernando Melis disse...

Oi, Martha.
Também gosto muito dos produtos da Symantec, mas o AVAST PREMIER me cativou com sua caixa de areia e seu SafeZone Browser, dentre outras qualidades.
Uso o CCleaner há tempos (publiquei até uma sequência de postagens detalhando os recursos dessa excelente suíte de manutenção), mas não abro mão do Advanced System Care.
Quanto a utilizar vários apps, você está certíssima: em se tratando de software, menos geralmente é mais.
No que concerne ao update de aniversário, não deixe de ler minha postagem da próxima segunda-feira. Aliás, a recomendação, para quem ainda não atualizou o TEN, é esperar a poeira baixar, porque muita gente mais está enfrentando problemas com esse update.
Beijo grande e até amanhã, quando a postagem focará o cenário político tupiniquim.