quinta-feira, 1 de junho de 2017

RANSOMWARE WANNACRYPT AFETA MAIS O WINDOWS 7 DO QUE O XP

NÃO HÁ NADA PIOR QUE UM IDIOTA COM INICIATIVA.

Diferentemente do que se imaginou a princípio, o mega ataque hacker baseado no WannaCrypt não foi tão avassalador assim para o XP, embora a própria Microsoft tenha se apressado a disponibilizar uma correção para ele, mesmo tendo encerrado seu suporte estendido em 2014. De acordo com a Kaspersky ― empresa russa que é referência em softwares de segurança digital ―, a edição do Windows mais afetada foi o Seven x64 (confira no infográfico que ilustra esta postagem).

O XP foi o Windows mais longevo de todos os tempos. Lançado em 2001, ele recebeu três Service Packs e permaneceu ativo até abril de 2009, quando foi aposentado pela empresa de Redmond.

Como o Vista não decolou, o XP continuou recebendo atualizações críticas e de segurança por mais cinco anos, e a despeito de o Seven ter sido um sucesso de crítica e de público, o velho guerreiro ainda marca presença em mais de 140 milhões de máquinas ―  inclusive nos caixas eletrônicos do seu Banco.

Para rememorar a aposentadoria do XP, reproduzo a seguir sua carta de despedida, que publiquei originalmente em abril de 2014:

08/04/2014

Carta de despedida do Windows XP

Queridos usuários e amigos,

Como muitos de vocês já sabem, em 8 de abril de 2014, termina o meu suporte. Isso significa que você não receberá mais atualizações e patches de segurança, pois a melhor decisão é se afastar de mim e adotar o Windows 8.1. Com ele, você poderá trabalhar de forma mais segura e de acordo com as necessidades atuais, tanto no trabalho quanto em casa.

Gratidão é a palavra que vem ao meu kernel quando me lembro dos últimos 12 anos em que pude ajudar você a trabalhar, se comunicar e se divertir de uma maneira original em seu momento. Espero que fiquem com uma lembrança agradável do meu papel de parede, esse monte verde com um céu azul e nuvens brancas. Muito obrigado pela oportunidade de poder servi-los como um sistema operacional.

Esse é um momento de nostalgia e por que não derramar alguns bits ao recordar o que se passou desde os meus 600 dias de desenvolvimento – gestação – em Redmond, época na qual me chamavam de “Whistler”. Durante as reuniões Windows Info, foram consumidos 2.700 kg de macarrão e servidos 86.400 frappuccinos, segundo dados coletados pela minha equipe de desenvolvimento. Boas lembranças, mas não tão boas quanto as que tenho do tempo que passei nos monitores de todos vocês, ajudando-os desde trabalhar de forma mais eficiente até fazer um belo vídeo com o Windows Movie Maker.

Vocês se lembram de que fui o primeiro a aceitar conectividade USB quando ainda não havia memórias portáteis? Fui o primeiro a incluir um utilitário para gravar CD. Eu tinha o Windows Media Player. E o que dizer do Pinball? Com ele, fiz você perder um pouco de tempo muito antes dos pássaros mal-humorados e dos doces viciantes. Na minha época, tive o ambiente gráfico mais agradável, uma interface de uso mais fácil, fui o primeiro com vários perfis de usuário, o ClearType que já pensava na proliferação de monitores LCD, escritórios remotos. Grandes lembranças de outros tempos, mas a tecnologia avança e é preciso dar espaço à inovação.

Nos próximos dias, estarei aposentado e desfrutando da tranquilidade. Agora, preciso de um tempo para mim e meus bytes. E a primeira coisa a fazer será me esquecer das atualizações de terça-feira – tão necessárias e que não estarão mais disponíveis.

Desejo a vocês o melhor em todos os projetos profissionais e pessoais que empreenderem agora com o Windows 8.1. Estou contando os segundos para me sentar em uma cadeira de balanço com um chá gelado e ver passar as novas gerações, como o Windows 8.1 com sua próxima atualização e – por que não? – o Windows Phone 8.1. Ambos são herdeiros da estirpe dos grandes sistemas operacionais da Microsoft.

Despeço-me agora para preparar minha bagagem. Em pouco tempo, vou descansar ao lado de produtos icônicos e históricos, como Windows 3.1, Windows 95, Messenger e Office 2003.

Se quiser ter uma lembrança minha sempre presente, podem colocar a imagem do meu papel de parede no Windows, não importa qual nova versão você usa.

Muito obrigado por esses anos que compartilhamos.

Com os meus melhores desejos tecnológicos,

Windows XP 

A GRANDEZA DA RENÚNCIA ― ARTIGO EM FALTA NAS PRATELEIRAS DA POLÍTICA TUPINIQUIM

Conforme eu ponderei na postagem anterior, a melhor saída para o imbróglio em que Temer se meteu e meteu o país seria sua pronta renúncia. Aliás, se isto aqui não fosse a Banânia que é, um presidente flagrado num encontro clandestino com um investigado que, com a naturalidade de quem confidencia uma aventura extraconjugal, diz estar subornando juízes, procuradores e até ex-parlamentares (que hoje gozam da hospitalidade do nosso sistema prisional), se afastaria até a conclusão das investigações e, ao final, se tudo se resumisse a um falso positivo, reassumiria o cargo. Mas renúncia exige grandeza, e grandeza está em falta nas prateleiras da política tupiniquim.

Getúlio renunciou não só à presidência, mas também à vida. Jânio renunciou, mas, como reconheceu no livro “Jânio Quadros: Memorial à história do Brasil”, fê-lo como um blefe, achando que voltaria fortalecido pelas bênçãos do povo e das Forças Armadas ― e se deu mal. Collor, o primeiro presidente eleito pelo voto popular na “Nova República”, renunciou, às vésperas do julgamento do impeachment, mas apenas para tentar salvar seus direitos políticos ― não funcionou; ele foi apeado da presidência e ficou inelegível por oito anos. Dilma não renunciou ― e acabou penabundada.

Temer parece decidido a imitar sua antecessora e se agarrar ao cargo com unhas e dentes ― falando na mulher sapiens, diante da situação delicada em que se encontra seu desafeto, a mentecapta teve o desplante de postular a anulação do seu impeachment e sua recondução ao Planalto. Uma ideia tão mirabolante quanto a de certo penta-réu que tentar escapar do xilindró candidatando-se à sucessão presidencial. Mas isso é conversa para outra hora.

Como bem salientou Roberto Pompeu de Toledo ― em mais um brilhante artigo publicado na Revista Veja desta semana ―, a grandeza da renúncia ofereceu-se pela primeira vez a Michel Temer no dia do impeachment de Dilma. Se abdicasse de seus direitos de vice naquela ocasião, teria aberto caminho para eleições das quais surgiria um presidente abençoado pelo voto popular e com um mandato de mais de dois anos pela frente. A segunda vez se deu quando suas conversas com Joesley Batista foram divulgadas. Nesse caso, os benefícios não seriam amplos como na vez anterior, nem para o país ― porque o sucessor já não viria por eleição direta ― nem para ele próprio ― porque o gesto não apagaria a fatídica conversa de sua biografia. Seria, ainda assim, um gesto de grandeza, mas que ele repudia enfaticamente: “Se quiserem, me derrubem”. Ofertas de grandeza não costumam aparecer a toda hora, e como Temer já desperdiçou duas, tudo indica que vamos ficar sem elas.

Como também foi dito no post anterior, em não ocorrendo a renúncia espontânea, Temer poderá cair via impeachment ou ser afastado pelo STF ― atendendo a um pedido da PGR, o ministro Edson Fachin autorizou a abertura de inquérito para investigá-lo no imbróglio da JBS. A questão é que, tanto num caso como no outro, a coisa poderia se arrastar por meses, e isso seria traumático para um país que depôs uma presidente da República há menos de um ano. Ficamos, então, na expectativa de a chapa Dilma-Temer ser cassada pelo TSE na próxima semana ― mesmo que seja interposto recurso ao Supremo, o resultado seria mais rápido que o das alternativas anteriores. Por outro lado, é possível e até provável que algum dos ministros do TSE peça vista do processo, e aí só Deus sabe quando o julgamento será retomado (voltarei a esse assunto oportunamente).

O STF deve se pronunciar nesta tarde ― estou escrevendo este texto às 14 horas do dia 31 de maio ― sobre a restrição ao foro privilegiado para parlamentares. O caso concreto que será apreciado é de relatoria do ministro Luiz Roberto Barroso e envolve a restrição de foro do atual prefeito de Cabo Frio, Marcos da Rocha Mendes.

Barroso argumentou que o atual sistema “é feito para não funcionar” e se tornou uma “perversão da Justiça”, e disse ainda que “não é preciso prosseguir para demonstrar a necessidade imperativa de revisão do sistema. Há problemas associados à morosidade, à impunidade e à impropriedade de uma Suprema Corte ocupar-se, como primeira instância, de centenas de processos criminais. Não é assim em parte alguma do mundo democrático”. Segundo o ministro, existem na Corte aproximadamente 500 processos contra parlamentares, sendo 357 inquéritos e 103 ações penais. “O prazo médio para recebimento de uma denúncia pelo STF é de 565 dias, ao passo que um juiz de primeiro grau a recebe, como regra, em menos de uma semana, porque o procedimento é muito mais simples”.

Vamos acompanhar. 

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