segunda-feira, 28 de setembro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 120ª PARTE

HAY PERSONAS QUE, ADEMÁS DE NO HACERNOS COMPAÑÍA, NOS ROBAN LA SOLEDAD.

Vimos no capítulo anterior que a Teoria das Cordas busca unificar todas as forças fundamentais da natureza a partir de duas ideias ousadas: a de que todas as partículas são minúsculos filamentos de energia em permanente vibração; e a de que existem outras dimensões além das quatro conhecidas (três espaciais e uma temporal). Nesse contexto, o Universo seria uma gigantesca sinfonia em que cada modo de vibração das "cordas" corresponde a uma partícula diferente. 


A beleza matemática faz dessa proposta a principal candidata à tão sonhada Teoria de Tudo, mas o problema é que as hipotéticas cordas são tão pequenas que nenhuma tecnologia disponível é capaz de detectá-las — daí parte da comunidade científica considerá-la uma elegante construção teórica que carece de confirmação experimental. Nas versões atuais da Teoria das Supercordas, o Universo teria dez dimensões, e em sua formulação mais abrangente — conhecida como Teoria M — teria onze. Mas a pergunta que se coloca é: se essas dimensões existem, por que não conseguimos percebê-las?


Para entender melhor, imagine uma formiga caminhando sobre uma mangueira de jardim. Vista de longe, parece que ela só pode seguir adiante ou voltar para trás, mas ela pode igualmente andar ao redor da mangueira, explorando uma dimensão que passa despercebida para um observador distante. E a Teoria das Cordas sugere algo semelhante: as dimensões extras não estariam escondidas em algum lugar do cosmos, mas seriam extremamente pequenas e "enroladas" sobre si mesmas, tornando-se invisíveis na escala em que vivemos. 


Se essa hipótese estiver correta, o Universo pode ser muito mais complexo do que imaginamos, e é justamente nesse ponto que a história fica mais intrigante: se essas dimensões adicionais abrem caminho para uma das ideias mais fascinantes da física moderna, então a possibilidade de outros universos coexistirem ao lado do nosso é no mínimo plausível.


Até aqui, tratamos as dimensões extras apenas como um ingrediente necessário para que a Teoria das Cordas funcionasse, mas elas conduzem a uma consequência muito mais surpreendente: na Teoria M, as cordas deixam de ser os únicos protagonistas e passam a dividir o palco com objetos com várias dimensões, chamados branas (do inglês membranes), que podem ser imaginadas como superfícies que se estendem pelo espaço em diferentes números de dimensões.


Algumas branas se parecem com linhas, outras com folhas, outras ainda com volumes de dimensões superiores, impossíveis de visualizar intuitivamente. Segundo essa perspectiva, o próprio Universo pode ser uma dessas branas, ou seja, tudo o que conhecemos, das galáxias, estrelas, planetas, seres vivos e até nós mesmos — estaria confinado à superfície de uma gigantesca membrana cósmica mergulhada em um espaço de dimensões superiores.


Supõe-se que as branas podem coexistir muito próximas umas das outras em uma dimensão que não conseguimos perceber, e embora pareçam vizinhas em um espaço de dimensões superiores, são completamente inacessíveis para quem vive confinado dentro de uma delas — assim como duas páginas contíguas de um livro estão separadas por uma espessura minúscula, mas um personagem desenhado em uma das páginas jamais conseguiria atravessar para a outra.


Se isso estiver correto, é possível que existam inúmeros universos, cada qual com suas próprias propriedades físicas. Alguns poderiam ser praticamente idênticos ao nosso, e outros, tão diferentes que nem mesmo átomos ou estrelas conseguiriam existir. 


Vale salientar que tudo isso permanece no campo das hipóteses. Até o momento, não existe qualquer evidência experimental da existência de branas ou de outros universos. Trata-se de uma consequência matemática de alguns modelos da Teoria M, ainda distante de uma confirmação observacional. Como acontece com tantas ideias da física de fronteira, a elegância da teoria é inegável, mas a natureza ainda não revelou se ela corresponde à realidade. Por outro lado, a simples possibilidade de o Universo ser apenas uma entre inúmeras "membranas" cósmicas já basta para ampliar nossa perspectiva. 


Achávamos que a Terra fosse o centro de tudo até descobrirmos que ela é apenas um planeta entre bilhões. Agora, surge a hipótese de nosso Universo ser apenas um entre incontáveis outros. E, se isso parece extraordinário, espere pelo próximo capítulo, porque a viagem está apenas começando.


Continua…

domingo, 27 de setembro de 2026

MACARRÃO TRADICIONAL VS MACARRÃO INSTANTÂNEO (MIOJO)

NEM TUDO QUE RELUZ É OURO E NEM TUDO QUE BALANÇA CAI.

O macarrão se tornou a peça chave da dieta dos italianos no século XIII, depois que Marco Polo o trouxe da China, e chegou ao Brasil no começo do século passado, juntamente com o queijo, o vinho e outros produtos típicos da Itália.


O famigerado macarrão instantâneo japonês (Miojo é marca, mas virou sinônimo do produto) se tornou popular por ter preço baixo, vida útil longa, não requerer outros ingredientes além de água, ficar pronto em 3-5 minutos e ser oferecido em diversos sabores. 


Como nada é perfeito, essa gororoba é pré-frita, seu teor de sódio pode chegar a 1,5 g por pacote — mais da metade da recomendação diária —, e o que lhe falta em valor nutricional sobra em conservantes, aditivos artificiais e gorduras saturadas.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Sujeito oculto da sucessão de 2026, Jair Bolsonaro tentou voltar à cena na última quarta-feira, pedindo ao ministro Nunes Marques que suspendesse sua prisão domiciliar, de modo a poder circular livremente enquanto o tribunal não julga o pedido de revisão criminal da condenação que lhe impôs mais de 27 anos de prisão por liderar o complô do golpe. 

Menos de três horas depois, a defesa do preso deu meia-volta, desistindo do pedido, mas o vaivém produziu uma baixa no time de advogados do presidiário. O causídico Marcelo Bessa, que assinou o pedido de liberdade, deixou a equipe de defensores do "mito" preso. 

O curto-circuito que levou à saída do doutor foi reduzido a "uma reavaliação da estratégia da defesa". O movimento não apagou a impressão de que a soltura de Bolsonaro, além de esdrúxula, seria um escárnio. Esdrúxulo porque, até aqui, não surgiu nenhum fato novo capaz de desconstruir as provas que levaram à condenação de Bolsonaro. A solicitação de revisão criminal deu entrada no Supremo em 8 de maio. Escolhido como relator por sorteio, Nunes Marques requisitou manifestação da PGR, que se posicionou contra o pedido em 16 de junho. A liberação de Bolsonaro mediante uma liminar que antecipa uma decisão que cabe ao plenário do Supremo. Daí o escárnio.

Bolsonaro tentou retornar ao palco eleitoral a dez dias do primeiro turno da eleição presidencial. Deu sinal de vida num instante em que a autoridade de Alexandre de Moraes, relator do caso do golpe, derrete no caldeirão do Master. A manobra pareceu menos jurídica do que política, já que ele se reposicionaria em cena envergando sua fantasia de vítima. 

Um detalhe ajudou a comprometer o enredo: a toga de Nunes Marques, indicado ao Supremo por Bolsonaro, também está manchada por vínculos promíscuos com Daniel Vorcaro.


Já o macarrão tradicional (tanto fresco quanto seco) tem menos conservantes e aditivos, pouco sódio, cozinha em 8-12 minutos, é muito mais saudável e pode ser combinado com vegetais ou outros ingredientes nutritivos, deixando a refeição mais balanceada e apetitosa. Um molho de tomate como manda o figurino não fica pronto em menos de 2 horas, mas é possível prepará-lo com antecedência e guardar na geladeira por até 7 dias (ou no freezer por até 3 meses).


Para os tradicionalistas, macarrão se come com molho ao sugo, feito com tomates frescos ou pelados. A versão básica surgiu por volta do século XVIII, quando o tomate passou a ser amplamente utilizado na região sul da Itália, e se tornou a base para molhos mais complexos, como bolonhesa (com carne moída), putanesca (com alcaparras, azeitonas e aliche), arrabiata (com alho, azeite e muita pimenta), entre outros.

 

O espaguete é o formato de macarrão mais popular e consumido em todo o mundo (entre 30% e 50% de participação no mercado, conforme a região). Eu prefiro talharim, fettuccine, farfalle, e até fusilli, mas, como dizia minha avó, o que seria do verde se todos gostassem somente do amarelo? Além disso, qualquer desses formatos vai bem com molho ao sugo, como na receita a seguir, que é a mais simples que conheço: 

 

1) Em uma panela média, aqueça o azeite de oliva;

 

2) Adicione a cebola e alho picados e refogue por 2-3 minutos;

 

3) Acrescente o tomate pelado e cozinhe em fogo médio por 15 minutos;

 

4) Tempere com sal e uma pitada de açúcar e mexa bem para misturar os sabores;

 

5) Transfira o macarrão (cozido al dente) do escorredor para a panela do molho e misture bem;

 

6) Coloque a massa numa travessa, acrescente folhas de manjericão fresco e polvilhe queijo parmesão ralado a gosto.

 

Dica: Cozinhe a massa por um minuto a menos do tempo indicado na embalagem, ou ela passará do ponto enquanto estiver sendo misturada com o molho.


Bom apetite.

sábado, 26 de setembro de 2026

ASTEROIDE CAPAZ DE LIBERAR ENERGIA EQUIVALENTE À DE 22 BOMBAS NUCLEARES ENTRA NO RADAR DA NASA

HÁ MALES QUE VÊM PARA O BEM. O RESTO VEM DO ESPAÇO SIDERAL..

Uma imagem divulgada pela NASA mostra o asteroide Bennu durante a missão OSIRIS-REx, que tem cerca de 500 metros de diâmetro e é capaz de liberar uma energia equivalente à de 22 bombas nucleares em caso de impacto com a Terra. 


Bennu cruza periodicamente a órbita terrestre e sua trajetória é acompanhada há anos por cientistas. Segundo os cálculos mais recentes, a data que concentra a maior probabilidade de um eventual impacto é 24 de setembro de 2182.


Isso está longe de significar que uma colisão seja esperada: de acordo com a Nasa, a probabilidade total de Bennu atingir a Terra até o ano de 2300 é de aproximadamente 1 em 1.750, ou 0,057%. Já para 24 de setembro de 2182, a chance é de cerca de 1 em 2.700, equivalente a 0,037%. Em outras palavras, há mais de 99,9% de probabilidade de que o impacto não aconteça.


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Apesar dos rumores, a postura omissa do presidente do Congresso em relação ao escândalo do Master nunca foi devidamente explicada. Davi Alcolumbre ignorou os pedidos de instalação de uma CPI para apurar o caso, recusou-se a responder a um ofício sobre eventuais entradas de Vorcaro nas dependências do Senado, negou-se a fornecer à Polícia Federal a lista de visitantes do gabinete do senador Jaques Wagner, suspeito de receber propina, e sempre desconversa quando indagado sobre o nível de suas relações com o ex-banqueiro. 

Mensagens encontradas pela PF no celular de Vorcaro iluminam essa zona de sombra revelando que Alcolumbre é um amigo fraterno, um irmão, um parceiro fiel com quem o dono do Master podia contar a qualquer tempo, a qualquer hora, para qualquer coisa. Entre os dois, a intimidade ia muito além do limite da camaradagem. O senador recorria ao banqueiro até para resolver questões prosaicas, como tentar identificar a fonte de um jornalista, ao passo que o banqueiro recorria ao senador quando precisava abrir certas portas. Festas e encontros privados fortaleceram essa conexão.

Em junho passado, pouco depois de Davi Alcolumbre inviabilizar a criação da CPI no Congresso, uma reportagem de VEJA revelou detalhes de uma proposta de delação premiada que a defesa de Daniel Vorcaro encaminhou à Polícia Federal. Nela, entre outras revelações, o banqueiro se oferecia para falar sobre pagamentos feitos ao senador numa conta secreta aberta no exterior. Em troca de benefícios, o dono do Master prometia revelar o caminho de 30 milhões de dólares repassados a Alcolumbre por serviços prestados pelo político. O acordo de colaboração, no entanto, não foi aceito. Na época, o parlamentar disse que as informações eram falsas e, numa reunião com os colegas, negou até mesmo conhecer o banqueiro. Na última quarta-feira, quatro meses depois da ofensiva de Alcolumbre contra a criação de uma CPI, o ministro Cristiano Zanin negou um recurso para a instalação da comissão de inquérito sob o argumento de que não se comprovou omissão do presidente do Senado em apurar o escândalo financeiro e suas ramificações políticas. Em paralelo, seu colega Luiz Fux abriu prazo para que o presidente do Congresso se manifeste sobre um pedido do partido Novo para que se tornem públicos os registros de entrada e saída no Senado de diversas pessoas, incluindo Daniel Vorcaro. 

Em um dos últimos registros em poder dos investigadores, o dono do Banco Master pergunta a Alcolumbre se ele tem notícias do “nosso amigo”. “Estou em Cima!!! Pressão!!!”, respondeu o senador. A sombra começa a se dissipar.


Os números resultam de um refinamento inédito dos cálculos da órbita do asteroide, obtido graças à missão OSIRIS-REx, lançada em 2016, que chegou a Bennu em 2018 e permaneceu por mais de dois anos estudando detalhadamente o objeto. Durante esse período, a sonda mediu sua forma, massa, rotação, composição e outros fatores que influenciam sua trajetória ao redor do Sol.


Em outubro de 2020, a missão realizou uma operação histórica ao coletar amostras da superfície do asteroide. O material retornou à Terra em 24 de setembro de 2023 e continua sendo analisado. Além de fornecer pistas sobre a formação do Sistema Solar, as amostras ajudam a compreender melhor as propriedades físicas de Bennu e os efeitos que podem alterar sua órbita ao longo do tempo.


Outro momento considerado decisivo ocorrerá em 2135, quando Bennu fará uma aproximação significativa da Terra. Essa passagem não oferece risco de colisão, mas a gravidade do planeta poderá modificar levemente a órbita do asteroide, e a intensidade dessa alteração determinará suas trajetórias nas décadas seguintes e permitirá atualizar as estimativas de risco para os séculos futuros.


Além da gravidade exercida pelos planetas, a órbita de Bennu sofre influência do chamado efeito Yarkovsky — fenômeno provocado pela absorção e posterior emissão de calor pelo asteroide. Embora produza uma força muito pequena, ela é suficiente para alterar lentamente sua trajetória ao longo de décadas e séculos. As observações da OSIRIS-REx permitiram que esse efeito fosse calculado com muito mais precisão.


Segundo a Nasa, esse avanço representa um marco para os programas de defesa planetária. Quanto mais precisamente a órbita de um asteroide potencialmente perigoso for conhecida, maior será a capacidade de prever aproximações futuras e, se necessário, desenvolver estratégias para evitar uma colisão.

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

IDENTIFICADO O MATEMÁTICO QUE VIVEU HÁ MAIS DE MIL ANOS E ELABOROU CÁLCULOS SOBRE MOVIMENTOS PLANETÁRIOS

A MATEMÁTICA É A LINGUAGEM COM QUE O UNIVERSO FOI ESCRITO — GALILEU GALILEI

Há muito tempo se sabia que os maias possuíam conhecimentos sofisticados em astronomia e matemática, mas desconheciam quem eram os responsáveis por esses trabalhos. Agora, uma equipe de arqueólogos conseguiu atribuir uma dessas fórmulas a um indivíduo chamado Sak Tahn Waax (algo como "Raposa de Peito Branco", numa tradução livre). 


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Lula usou o discurso na Assembleia Geral da ONU para mirar o público interno e listar temas que têm dominado a campanha no Brasil. Despejando seus inevitáveis garranchos verbais para o mundo, o eterno Demiurgo de Garanhuns falou para o eleitorado brasileiro e, a 12 dias do primeiro turno, retirou do paiol um armamento antigo: o fator democrático. "A democracia está novamente em xeque", declarou. Sem mencionar Trump, incorporou-o à retórica ao dizer que o regime é atacado por "inimigos internos e externos".

À sua maneira, o macróbio eneadáctilo admitiu que o desejo de permanecer no Planalto desafia os ventos: "Existe, em todo o mundo, um anseio legítimo por mudanças", reconheceu. Em seguida, ponderou: "Mudar não é retroceder". Disse que os eleitores vão às urnas em 4 de outubro não para escolher um presidente, mas para "decidir entre democracia e negacionismo".

Há quatro anos, o apelo à democracia rendeu ao molusco uma vitória magra sobre Bolsonaro. Contra um adversário que atacou as vacinas numa pandemia e as urnas numa eleição, venceu por 2 milhões de votos. Imaginou que Flávio Bolsonaro, o filho do capitão, seria o adversário dos sonhos, mas descobriu que ele aparece nas pesquisas como rival competitivo. 

Ironicamente, o petista guerreia contra o retrocesso em 2026 com um armamento de 2022. A questão agora é saber se seus objetivos eleitorais serão alcançados.


Como aponta a National Geographic, a inscrição foi encontrada na estrutura conhecida como 10K-2 — uma pequena sala retangular descoberta em Xultún, famosa desde 2012 por preservar pinturas murais e dezenas de pequenos textos matemáticos escritos nas paredes. Agora, uma análise detalhada revelou que o penúltimo glifo traz a frase “che-he-na”, interpretada como "assim diz..." ou "é dito por...", e o último registra o nome Sak Tahn Waax. 


Após identificar a assinatura, a equipe concluiu que os glifos registram equações matemáticas relacionadas aos ciclos de Vênus e Marte — um dos principais interesses dos astrônomos maias. Os cálculos permitiam acompanhar um período de 2.920 dias, correspondente a cinco ciclos completos de Vênus. A partir das datas registradas na parede, os pesquisadores estimam que a fórmula tenha sido elaborada em 781 d.C..


O texto chama atenção por ser composto praticamente apenas de números e operações matemáticas, sem narrativas históricas ou descrições de acontecimentos, algo incomum nas inscrições maias. "Não havia substantivos, não havia verbos; não se tratava de descrever um evento. Era pura matemática", afirmou Heather Hurst, diretora do Projeto San Bartolo-Xultun no sítio arqueológico e coautora do estudo, em entrevista à National Geographic.


Os arqueólogos acreditam que a sala funcionava como um espaço de trabalho para especialistas em astronomia. Segundo os pesquisadores, as inscrições nas paredes podem representar uma etapa de preparação para informações que posteriormente seriam registradas em códices — os livros produzidos pelos maias em papel feito da casca de árvores.


Até hoje, os nomes preservados pelas inscrições maias pertenciam quase exclusivamente a reis, sacerdotes e governantes. Por isso, o extraordinário desta descoberta é que, pela primeira vez, foi possível identificar nominalmente um cientista maia — alguém cujo trabalho era produzir conhecimento matemático e astronômico, e não exercer poder político ou religioso.

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 119ª PARTE

O TEMPORA, O MORES…

O otimista é um ingênuo e o pessimista, um chato; melhor mesmo é ser um realista esperançoso, que reconhece os fatos, inclusive os desagradáveis, não fecha os olhos diante de estatísticas desfavoráveis e resultados preocupantes, mas tampouco transforma probabilidades em certezas. 


Entretanto, existe uma diferença enorme entre dizer "a situação é complicada" e dizer "está tudo perdido", pois a primeira frase descreve um cenário; a segunda decreta um destino.


Essa postura é muito próxima do método científico: em vez de partirem do pressuposto de que tudo vai dar certo ou vai dar errado, os pesquisadores formulam hipóteses, reúnem evidências, reveem conclusões quando surgem novos dados e seguem investigando enquanto a resposta não é conhecida.


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Ganhar a eleição já no primeiro turno é a meta de todos os candidatos. Sonho quase impossível, considerando que, das últimas nove disputas presidenciais, só duas foram decididas na etapa inicial — em 1994 e 1998 —, e isso porque FHC surfou no ocasional fator da unidade nacional em torno do combate à inflação e da estabilidade econômica. Em 2002, a eleição do macróbio que ora postula o quarto mandato — e cujos garranchos verbais milhões de brasileiros não suportam mais ouvir — introduziu na cena o antagonismo materializado no conceito do "nós contra eles", cuja continuidade se traduziu na reação do "eles contra nós" e tornou o debate político refém de duas forças políticas conduzidas pela afeição ou rejeição da maioria dos brasileiros. Essa dinâmica reduziu a possibilidade de construção de consensos mínimos e minou a probabilidade de as eleições presidenciais serem resolvidas na primeira etapa. Lula não conseguiu liquidar logo a fatura, mesmo quando estava nos píncaros da popularidade. É de se imaginar que tenha sido vítima do próprio veneno ao jogar na divisão, apostando na hipótese de a maioria se perfilar ao lado dele. Os índices de mais de 80% de aprovação ao fim do segundo mandato não se traduziram em apoio suficiente para repetir o feito de FHC, que apostou num projeto coletivo de economia estável enquanto Lula se apoiou no culto à própria personalidade. Insistiu nessa toada no terceiro mandato, a despeito das evidências de fadiga dessa matéria-prima, subestimou a oposição aos seus planos de continuidade eterna, dentro e fora do universo político. Agora, apresenta-se ao presidente um dilema. O molusco eneadáctilo se vê como grande líder, mas não lidera uma saída para a crise institucional, arrisca-se a encerrar a carreira com uma derrota vexaminosa para o herdeiro do golpista condenado. E, se ganhar, não está apto a oferecer ao Brasil nada além da promessa de "fazer mais" do mesmo.

Em qualquer dos cenários, o que se vê adiante é estrada escura e um caminho deserto.


Mutatis mutandis, a mesma premissa embasa esta série, até porque em vez de afirmar que viajar no tempo é possível ou impossível, prefiro convidar o leitor a acompanhar o que a física realmente diz, distinguindo fatos, hipóteses e especulações: em última análise, uma postura de curiosidade disciplinada, não de crença, na qual o otimista aposta sem olhar as cartas, o pessimista desiste antes do embaralhar, e o realista esperançoso joga sabendo que pode ganhar ou perder, e só descobrirá o resultado se permanecer na mesa.


Não há aqui qualquer pretensão de oferecer receitas para a felicidade ou frases de efeito, mas apenas uma constatação bem-humorada sobre a condição humana: vivemos sem garantias, porém com escolhas. E, enquanto houver escolhas, sempre fará sentido seguir em frente.


Feitas essas considerações, voltemos à nossa viagem, começando por dizer que, até aqui, tratamos o universo como um palco composto por três dimensões espaciais e uma temporal — um modelo que, durante mais de um século, descreveu com extraordinária precisão praticamente tudo o que observamos. Mas e se ele estiver incompleto? E se existirem outras dimensões ocultas de nossos sentidos, tão pequenas que passam despercebidas?


Embora possam soar como ficção científica, essas possibilidades estão no coração de uma das mais ousadas construções da física moderna: a Teoria das Cordas, que nasceu da tentativa de unificar todas as forças fundamentais da natureza, mas exige algo que desafia profundamente nossa intuição: a existência de dimensões adicionais do espaço. Segundo ela, todas as coisas do universo são compostas por filamentos de energia que vibram como as cordas de um violão, criando diferentes modos de vibração que supostamente correspondem às diversas partículas fundamentais da natureza.


Nessa analogia, o universo seria uma gigantesca sinfonia, na qual cada 'nota' daria origem a uma partícula diferente, mas dificuldade de provar a existência de algo tão minúsculo divide a comunidade científica: alguns pesquisadores consideram a Teoria das Cordas a candidata mais promissora à tão sonhada teoria de tudo, enquanto outros argumentam que, sem previsões passíveis de verificação experimental, ela corre o risco de permanecer mais próxima de uma elegante construção matemática do que de uma teoria física propriamente dita.


Vale ressaltar que, enquanto a Relatividade Geral descreve o universo em quatro dimensões (três espaciais e uma temporal), a Teoria das Cordas exige dimensões adicionais para que sua estrutura matemática permaneça consistente. Nas versões atuais da Teoria das Supercordas, são necessárias dez dimensões, e em sua formulação mais abrangente, conhecida como Teoria M, esse número sobe para onze, sendo sete ocultas à nossa percepção, cujas diferentes formas de vibração corresponderiam, entre outras partículas, aos fótons — partículas da luz — e aos grávitons, partículas hipotéticas que surgiriam numa descrição quântica da gravidade.


A Teoria das Cordas impressiona os físicos pela elegância, pela simetria de suas formulações matemáticas e por apontar para algo profundo sobre a estrutura do universo. No entanto, nosso primeiro impulso é reagir com incredulidade. Afinal, basta olhar ao redor para percebermos que vivemos em um universo com três dimensões espaciais, às quais o tempo assoma como uma quarta dimensão. Onde, então, estariam as dimensões adicionais? E se elas realmente existem, por que não conseguimos percebê-las?


A resposta começa por uma constatação curiosa: nossos sentidos não são árbitros absolutos da realidade. Durante milênios, acreditamos que a Terra era imóvel, que o Sol girava ao seu redor e que o espaço e o tempo eram absolutos. Cada uma dessas certezas acabou sendo revista à medida que novas observações e teorias ampliaram nossa compreensão do universo. Não seria a primeira vez que a natureza se revelaria mais complexa do que nossa intuição permitia imaginar.


É justamente aí que entra uma das analogias mais conhecidas da física teórica. Imagine uma formiga caminhando sobre uma longa mangueira de jardim. Vista de muito longe, a mangueira parece apenas uma linha. Para quem a observa à distância, existe apenas uma direção possível: para frente ou para trás. A formiga, entretanto, enxerga uma realidade diferente. Além de avançar ao longo da mangueira, ela pode contorná-la, caminhando em torno de sua circunferência. Em outras palavras, a formiga percebe uma dimensão que passa despercebida ao observador distante.


Segundo a Teoria das Cordas, algo semelhante poderia acontecer conosco. As dimensões adicionais não seriam grandes extensões ocultas em algum lugar do cosmos, mas dimensões extraordinariamente pequenas, "enroladas" sobre si mesmas — tão diminutas que escapam completamente à nossa percepção e aos instrumentos atualmente disponíveis. É por isso que, embora vivamos imersos nelas, temos a impressão de existir em apenas três dimensões espaciais.


Essa ideia recebeu o nome de compactificação. Em termos simples, significa que certas dimensões não desapareceram nem deixaram de existir; apenas permanecem compactadas em escalas tão minúsculas que, para todos os efeitos práticos, tornam-se invisíveis.


Se isso já parece difícil de imaginar, as dimensões extras são apenas o começo. No próximo capítulo, veremos que algumas versões da Teoria das Cordas abrem caminho para algo ainda mais surpreendente: outros universos coexistindo ao lado do nosso.


Continua…

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

DUAS PELO PREÇO DE UMA

NINGUÉM LHE DEVE NADA. O MUNDO NÃO É JUSTO; FAÇA O QUE VOCÊ TEM DE FAZER SEM ESPERAR NADA DE NINGUÉM.

Cientistas alemães desenvolveram uma nova técnica capaz de identificar os mínimos detalhes da "assinatura" das moléculas, incluindo seus níveis de energia, com precisão espectroscópica, e assim alcançar o limite quântico definitivo.


A precisão espectroscópica não se limita a "ver" a molécula e sua localização, mas também a medir exatamente como ela vibra, gira ou muda de estado quando recebe energia. Já o limite quântico é a fronteira fundamental de uma medição, imposta pelas próprias leis da mecânica quântica, como o Princípio da Incerteza de Heisenberg. Em outras palavras, a nova técnica atinge o nível máximo absoluto de sensibilidade e de resolução que a natureza permite.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


O Congresso é a casa do povo, mas é difícil despejar seus inquilinos. A 13 dias das eleições, a maioria já sabe em quem vai votar para presidente e governador, mas ganha uma estátua em praça pública o eleitor que já tiver escolhido todos os candidatos ao Legislativo. E ganha duas estátuas quem se lembrar dos candidatos em quem votou nas eleições passadas.

Dois em cada três eleitores esqueceram o voto para o Legislativo em 2022 e não se lembram de quem escolheram para senador, deputado federal e deputado estadual. Deveriam certificar-se de que não esqueceram a consciência em casa ao entrarem na cabine de votação em 4 de outubro, pois quem não vota com a cabeça paga com o bolso. 

Verbas orçamentárias continuam escorrendo pelo ladrão porque os ladrões não param de entrar nos orçamentos — federal e estaduais. Em meio à perversão, todos os gatunos parecem pardos. Mas igualdade absoluta é uma impossibilidade genética. Cabe ao eleitor impaciente punir os eleitos inconsequentes. Na dúvida, vote no contrário.

O maior escândalo do Legislativo não está nos que estão lá, mas nos que ainda não chegaram. A maior contribuição que muitos políticos podem dar ao país é perder as eleições. Você pode ajudá-los. Faça alguns parlamentares trabalharem: não os reeleja.


Observar as coisas nesse nível de detalhamento é importante porque muitas tecnologias dependem de objetos em nanoescala, como moléculas ou átomos, que interagem fortemente com a luz. Esses objetos são usados para gerar fótons individuais, armazenar informações quânticas e distribuir o entrelaçamento, processos com aplicações que vão das comunicações e da computação quânticas aos sensores mais avançados, capazes de realizar observações em escalas que vão da subatômica à cosmológica.


Estudar átomos e moléculas - ou sistemas quânticos, como os cientistas os chamam - exige mantê-los parados no lugar por um longo período, o que geralmente é feito colocando-os sobre um material hospedeiro em uma atmosfera de vácuo. O problema é que as superfícies facilmente absorvem contaminantes do ambiente, criando um entorno altamente instável e "ruidoso", que não apenas atrapalha a observação, mas também compromete as propriedades dos emissores quânticos, o que significa que as medições feitas não são confiáveis.


O avanço consistiu em gerar uma superfície totalmente limpa, onde o objeto quântico a ser observado pode ser depositado e manter-se lá sem contaminação.. Para obter essa superfície limpa, os pesquisadores tiraram proveito do fato de que um cristal orgânico evapora lentamente à temperatura ambiente. Assim, ao colocar um pequeno cristal em um criostato sob vácuo, as camadas superiores do cristal se desprendem naturalmente, levando consigo os contaminantes. Em seguida, o cristal é resfriado a apenas alguns graus Kelvin acima do zero absoluto para interromper a sublimação. Feito isso, basta depositar as moléculas a serem observadas sobre a superfície do cristal nessas baixas temperaturas, o que é feito em uma espécie de "forno" que a equipe construiu. Adeus ruídos, e bem-vindas medições com precisão espectroscópica no limite quântico.


Uma métrica essencial na observação de um sistema quântico é o seu tempo de coerência, que nunca pode ser maior do que o chamado limite de Fourier, que é dado pelo tempo que a molécula ou átomo leva para transferir sua energia para o ambiente. No entanto, em ambientes "sujos", ou ruidosos, o tempo de coerência acaba ficando centenas ou até milhares de vezes menor.


***


As leis da física são geralmente simétricas, e os processos naturais tendem a seguir uma direção definida, conhecida como seta do tempo. Mas num sistema quântico monitorado, os efeitos da medição e o mecanismo de retroalimentação induzem o sentido da seta do tempo. 


Explicando melhor: na maioria dos processos naturais, observamos que estes seguem uma seta do tempo: os cristais partem-se, os ovos eclodem, as estrelas explodem, etc., mas não se observa que esses processos tenham um comportamento na ordem inversa. No entanto, um estudo recente demonstra que é possível suprimir a seta do tempo num sistema quântico e, consequentemente, fazendo com que o fluxo temporal aparente possa ser alongado, difuso ou apresentar comportamento semelhante ao de uma evolução temporal invertida.


Aorma como a direção da seta do tempo se manifesta, com base nas leis da simetria temporal, tem suscitado incerteza e perplexidade entre cientistas e filósofos há décadas. As setas do tempo têm sido atribuídas a muitas origens diferentes; algumas delas têm sido associadas à gravidade. A seta do tempo mais reconhecível é talvez a termodinâmica: que surge da simetria temporal da dinâmica microscópica subjacente aos processos termodinâmicos. 


Na Segunda Lei da Termodinâmica, explica-se que, para os sistemas macroscópicos, os processos que aumentam a entropia são mais prováveis do que aqueles que a diminuem. Nos sistemas quânticos, porém, as regras da mecânica quântica implicam que as medições não só observam, como também alteram ativamente o sistema que está sendo medido. Essas características permitem conceber dinâmicas quânticas diferenciadas, incomuns e inesperadas, incluindo trajetórias que parecem uma evolução invertida do tempo.


No geral, a entropia do Universo aumenta. Quanto maior o sistema, mais difícil é identificar dinâmicas anômalas e mais complexo se torna observar dinâmicas que diminuam essa entropia. A manifestação da seta do tempo pode ser medida comparando-se a probabilidade de ocorrência de um processo com o seu inverso temporal.


Sabe-se que a aleatoriedade clássica é o resultado de uma falta de conhecimento completo da descrição microscópica de um sistema. Essa aleatoriedade quântica nos resultados das medições é fundamental. A descrição mais completa de um sistema quântico produz probabilidades de possíveis resultados de medição.


No trabalho de pesquisa, foram identificadas relações complexas entre os regimes de funcionamento dos motores de medição, o fluxo energético 

proveniente das medições, bem como a forma como o feedback afeta a percepção da seta do tempo.


Se estas medições extraem energia do sistema, o mecanismo de retroalimentação que prolonga a seta do tempo também extrai trabalho. No trabalho de simulação, os pesquisadores utilizaram os avanços alcançados para conceber um motor capaz de converter em trabalho parte da energia associada ao próprio processo de medição do sistema quântico.


A conferir.