segunda-feira, 26 de outubro de 2026

A VERDADE (AINDA) ESTÁ LÁ FORA — PARTE 3

O QUE É MAIS ASSUSTADOR? A IDEIA DE EXTRATERRESTRES EM MUNDOS ESTRANHOS OU A IDEIA DE QUE, EM TODO ESTE IMENSO UNIVERSO, NÓS ESTAMOS SOZINHOS?


Não existem provas cabais da existência de civilizações extraterrestres avançadas, conquanto não faltem relatos, objetos, fotografias, documentos e fenômenos que, ao longo da História, alimentaram a suspeita de que talvez não sejamos os únicos seres inteligentes a olhar para o céu. Mas aqui é preciso manter os pés no chão para não ser colocado dentro de um disco voador.


As Pirâmides de Gizé, Stonehenge, os Moais da Ilha de Páscoa, as Linhas de Nazca e outros monumentos da Antiguidade já foram apresentados como vestígios de uma suposta intervenção extraterrestre. A ideia é sedutora: nossos antepassados teriam recebido ajuda de visitantes vindos das estrelas para construir obras que, à primeira vista, parecem grandes demais, precisas demais ou misteriosas demais para sua época. O problema é que “misterioso” não significa necessariamente “extraterrestre”, sem falar que inexistem evidências arqueológicas aceitas pela comunidade científica de que qualquer dessas construções tenha sido erguida com auxílio de seres de outros mundos. Afirma-se, inclusive, que as sociedades humanas eram perfeitamente capazes de realizar obras monumentais por meio de engenharia, organização social, conhecimento astronômico e, principalmente, uma quantidade impressionante de trabalho humano, mas isso não torna as pirâmides menos extraordinárias — pelo contrário: talvez as torne ainda mais intrigantes.


Igualmente difícil é explicar tapetes voadores e cavernas repletas de tesouros que se abriam por comando de voz — como o célebre Abre-te Sésamo —, até porque aviões e edifícios com portas automáticas só surgiram dali a 4 mil anos. Ou a imaginação dos autores dos Contos das Mil e Uma Noites era mais prodigiosa do que a dos autores de ficção científica contemporâneos, ou suas "fantasias" retratavam coisas que eles já conheciam.


Os deuses das mitologias grega e nórdica habitavam lugares acima das nuvens — o Monte Olimpo e Asgard, respectivamente. Textos cuneiformes dos antigos assírios descrevem divindades vindas das estrelas que viajavam em barcos celestiais. Os deuses dos sumérios eram associados a estrelas e planetas numa época em que sequer se cogitava a existência de sistemas solares, além de serem retratados como seres com estrelas na cabeça ou cavalgando esferas aladas.


Carruagens com rodas cuspindo fogo foram descritas tanto nos apócrifos de Abraão quanto nos de Moisés. Perto de Bagdá, foi descoberto em 1936 um artefato de dois mil anos que experimentos modernos demonstraram ser capaz de gerar mais de 1,4 volts de eletricidade — potência suficiente para eletrodeposição de metais. A arqueologia oficial hesita em confirmar seu uso como bateria, mas a hesitação, ela mesma, é sugestiva.


Textos do Mahabharata descrevem uma arma chamada Brahmastra, cujos efeitos — luz cegante equivalente a dez mil sóis, explosão devastadora, terra que se torna estéril por gerações, cabelos e unhas que caem nos sobreviventes — são suficientemente precisos para que Oppenheimer, ao assistir ao primeiro teste nuclear em 1945, tenha citado espontaneamente o Bhagavadgita. Coincidência literária ou memória de algo que de fato aconteceu?


Não se nega que muitas teorias da conspiração permeiam o assunto, mas algumas proposições contam com defensores ilustres, como o russo Zecharia Sitchin e o britânico Graham Hancock. Mas não é só: com base na obra de Homero, Heinrich Schliemann pavimentou a descoberta de Tróia. No apogeu da civilização maia (entre 250 e 900 d.C.), grandes cidades, pirâmides e praças majestosas foram erguidas em plena floresta tropical do México, da Guatemala e de Belize. Teóricos da conspiração atribuem esse prodígio ora a alienígenas, ora a habitantes do Continente perdido de Atlântida. Em Stonehenge Decoded, o astrônomo Gerald Hawkins estima que a estrutura foi erguida no período neolítico, quando as Ilhas Britânicas eram habitadas por povos considerados atrasados em relação a seus contemporâneos mediterrâneos.


A hipótese extraterrestre parece tão irresistível porque suscita uma questão perfeitamente legítima: talvez o Universo — com suas centenas de bilhões, senão trilhões, de galáxias, cada uma contendo bilhões de estrelas — seja grande demais para a nossa imaginação. 


Não se sabe o destino das bibliotecas de Jerusalém e de Pérgamo, nem quantos segredos se perderam com as destruições em massa dos livros históricos, astronômicos e filosóficos ordenadas pelo imperador chinês Shih-Huang, por Hitler e por Mao Tsé-Tung. Um alfarrábio contendo "toda a ciência da antiguidade" foi destruído pelo imperador inca Pachacuti, e milhões de volumes pertencentes a Ptolomeu I Sóter foram incinerados por ordem do Califa Omar. O que se perdeu nessas fogueiras não se sabe, mas sabe-se que a história do conhecimento humano não é uma linha reta ascendente, e sim um arquipélago de ilhas separadas por mares de silêncio.


Estimativas sobre a quantidade total de estrelas e planetas variam enormemente porque dependem de modelos e observações indiretas, mas foi justamente essa imensidão que inspirou uma das frases mais conhecidas associadas a Carl Sagan: “Se somos apenas nós, parece um terrível desperdício de espaço.” A ideia aparece em Contato, embora a formulação tenha raízes mais antigas e Sagan também tenha citado uma reflexão de Thomas Carlyle sobre a possibilidade de outros mundos habitados.


Em suma, a existência de vida fora da Terra não é uma fantasia absurda, mas uma hipótese científica perfeitamente legítima. O problema começa quando saltamos de “é provável que exista vida em algum lugar” para “eles estão aqui” — duas afirmações completamente diferentes.


Observação: O acrônimo UFO, de unidentified flying object, deu lugar, em boa parte do vocabulário oficial americano, a UAP, de unidentified anomalous phenomena. A mudança não é apenas cosmética: UAP é uma categoria mais abrangente e não pressupõe sequer que aquilo observado seja uma aeronave. Mas a explicação oficial continua sendo muito menos emocionante que a imaginada pelos ufólogos: um fenômeno não identificado não é, por definição, um fenômeno extraterrestre.


Durante décadas, muitos relatos foram explicados como aeronaves, balões, fenômenos meteorológicos, efeitos ópticos, erros de percepção, artefatos fotográficos ou outros acontecimentos perfeitamente terrestres. Outros permaneceram sem explicação satisfatória, de modo que a discussão continua viva. E poucos episódios contribuíram tanto para transformar a ufologia moderna em fenômeno cultural quanto o Caso Roswell.


Em julho de 1947, jornais do Novo México noticiaram que militares haviam recuperado, nas proximidades de Roswell, um objeto descrito inicialmente como um “disco voador”. Pouco depois, a versão oficial mudou: os destroços seriam de um balão. Décadas mais tarde, a cidade se transformou no grande símbolo da suposta ocultação de naves e corpos extraterrestres pelo governo americano, ainda que as investigações oficiais posteriores "não tenham encontrado evidências" de uma nave alienígena.


Segundo a Força Aérea americana, os destroços eram compatíveis com um projeto de balão de alta altitude conhecido como Mogul, utilizado para pesquisas e monitoramento. A mesma investigação apontou que os supostos “corpos alienígenas” associados ao caso provavelmente resultaram da mistura de diferentes acontecimentos ocorridos em anos posteriores, inclusive testes com bonecos antropomórficos lançados de balões.


Seja como for, o caso sobreviveu por quase oito décadas, suscitando teorias conspiratórias que misturam segredo militar, documentos desaparecidos, testemunhas tardias, versões conflitantes e supostos encobrimentos, sendo difícil separar o acontecimento original da mitologia construída em torno dele. No entanto, por mais que Roswell seja fascinante, fascínio não constitui prova. 


Mais adiante, apareceu a Área 51, que acabou se transformando em uma espécie de parque temático mundial da conspiração. Não há provas de que existam ETs escondidos por lá, mas, se existirem, eles escolheram um lugar bastante apropriado para não receber visitas.


Entre 1947 e 1969, a Força Aérea Americana (USAF) investigou milhares de relatos por meio dos projetos Sign, Grudge e, por fim, do famoso Blue Book. Foram registrados 12.618 avistamentos, dos quais 701 permaneceram classificados como “não identificados” quando o projeto foi encerrado. Parece muita coisa, mas há uma diferença fundamental entre dizer que os relatos permaneceram sem identificação e afirmar que se trata de naves extraterrestres. 


O governo não chegou a essa conclusão; ao contrário: sua posição oficial foi que não havia evidência de que os casos classificados como não identificados representassem veículos extraterrestres. E o famoso Relatório Condon, resultado de um estudo conduzido pela Universidade do Colorado — a pedido da própria Força Aérea — também não encontrou base científica suficiente para sustentar a hipótese extraterrestre como explicação para os fenômenos investigados. 


Em dezembro de 1969, as investigações foram encerradas, mas o céu continua lá e as pessoas continuam olhando para ele.


Continua...

domingo, 25 de outubro de 2026

SEGUNDO TURNO DA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL DESTA BANÂNIA...

Votem com a consciência de vocês, lembrando sempre que bandido não tem eleitor, tem comparsa, cúmplice, assecla...

Hoje é domingo.
Domingo pede cachimbo.
O cachimbo é de barro,
Bate no jarro,
O jarro é de ouro,
Bate no touro,
O touro é valente,
Bate na gente,
A gente é fraco,
Cai no buraco,
O buraco é fundo,
Acabou-se o mundo!

sábado, 24 de outubro de 2026

A VERDADE (AINDA) ESTÁ LÁ FORA — CONTINUAÇÃO

O UNIVERSO NÃO PARECE NEM BENIGNO NEM HOSTIL, MAS MERAMENTE INDIFERENTE ÀS PREOCUPAÇÕES DE CRIATURAS TÃO INSIGNIFICANTES COMO NÓS.


Após divulgar dois lotes de relatórios de avistamentos de objetos voadores não identificados (UFOS, OVNIs ou UAPs), em 8 e 22 de maio deste ano o governo dos Estados Unidos tornou público um terceiro lote, com 72 arquivos do FBI, da CIA e do Pentágono, incluindo depoimentos, vídeos e representações artísticas de avistamentos de esferas ou orbes na região do nordeste daquele país. 


Um documento de fevereiro menciona entrevistas conduzidas pelo FBI com duas pessoas que afirmaram ter visto uma luz intensa e brilhante no quintal de suas casas. Outra testemunha descreveu o objeto como de um tom de vermelho intenso e incomum, e afirmou nunca ter visto nada semelhante (as identidades dos entrevistados e a localização exata do ocorrido foram ocultadas).


Segundo o documento, a esfera vermelha tinha cerca de um metro de diâmetro e continha um "sol de plasma branco" do tamanho aproximado de uma bola de basquete. Algumas testemunhas que observaram um segundo orbe afirmaram que ambos pareciam permanecer conectados enquanto se afastavam. Semanas depois, foi relatada a presença de vários corpos esféricos brancos sobrevoando a mesma região, mas a uma altitude muito maior.


Um caso registrado em outubro de 2024 descreve uma fonte luminosa abaixo da linha do horizonte, pairando sobre um lago. De acordo com as testemunhas, o objeto lembrava uma "esfera semelhante a plasma", capaz de alterar sua forma e intensidade luminosa de maneira intermitente. Em determinados momentos, a fonte principal parecia se fragmentar em pontos luminosos menores. "Esses arquivos, escondidos atrás de classificações, há muito alimentam especulações — e é hora de o povo americano ver isso por si mesmo", declarou o chefe do Pentágono, Pete Hegseth.


Muitos dos episódios acabam recebendo explicações convencionais — como balões, drones, fenômenos atmosféricos ou erros de percepção —, mas uma parcela significativa permanece sem conclusão definitiva. Isso não quer dizer que os objetos sejam necessariamente extraterrestres, apenas que as informações disponíveis não são suficientes para identificar sua natureza. 


Para os entusiastas da ufologia, cada novo lote de documentos representa a possibilidade de encontrar evidências de visitas alienígenas ou tecnologias desconhecidas. Já os céticos veem o material como um lembrete de que testemunhos sinceros nem sempre correspondem à realidade objetiva dos fatos. Entre uma interpretação e outra, permanece a constatação de que o céu continua produzindo fenômenos capazes de desafiar explicações imediatas. 


Seja qual for a explicação para os orbes descritos nos documentos, uma coisa é certa: eles continuarão alimentando debates por muito tempo. Afinal, sempre que o governo americano divulga arquivos sobre objetos misteriosos nos céus, metade do público acredita estar diante de evidências de visitantes interestelares, enquanto a outra metade tem certeza de que tudo não passa de balões, drones ou algum fenômeno mal compreendido. 


Nos últimos anos, audiências no Congresso, a criação de grupos especializados dentro do Pentágono e a publicação de relatórios periódicos contribuíram para retirar os UAPs do campo exclusivo da cultura popular e levá-los para o debate institucional, ainda que cercados de controvérsias e incertezas. 


No Brasil, documentos da FAB revelados pelo Arquivo Nacional mostram que pelo menos 18 casos envolvendo fenômenos anômalos não identificados, em inglês) foram relatados em 2025 por pilotos, controladores de tráfego e outras pessoas do setor aéreo. Londrina, no Paraná, concentra o maior número de casos, com pelo menos cinco documentos, e o estado do Ceará aparece em segundo lugar, com pelo menos quatro acionamentos por avistamento. 


Os relatos apontam para a presença de "pontos luminosos" sem identificação avistados por controladores de tráfego aéreo e pilotos nos meses de novembro e dezembro de 2025. Em relato de 23 de novembro, um operador da torre de controle em Londrina afirma ter feito a filmagem dos objetos, mas o vídeo não está disponível junto aos arquivos. Um objeto de "cor branca" e "redondo" é descrito como se fosse uma aeronave no Controle de Tráfego que sumia e aparecia com frequência e cujas luzes se mantinham por poucos minutos." 


Em julho, viralizou um relato de um piloto particular sobre "luzes sobrenaturais" ao Controle de Aproximação de Londrina. Em outro caso, ocorrido em 1º de setembro de 2025, em Guarulhos (SP), um comandante da Latam afirma ter visto "bolas de luzes fortes, quantidade de 2 a 3, luzes brancas, vermelhas, amarelas, com dança com movimentos irregulares". 


Por meio de nota, a empresa aérea informou que seus tripulantes são treinados e orientados a reportarem qualquer eventualidade de forma imediata ao controle de tráfego aéreo para as devidas orientações, e que segue os mais elevados padrões de segurança, atendendo aos regulamentos das autoridades nacionais e internacionais. 


Também por meio de nota, a FAB assim se manifestou: "A Força Aérea Brasileira informa que todos os documentos, vídeos, fotografias, relatos, entre outros, disponíveis, no âmbito do Comando da Aeronáutica, sobre fenômenos aéreos não identificados, no período de 1952 a 2025, já foram transferidos para o Arquivo Nacional, onde são de domínio público." A Portaria do Comando da Aeronáutica nº 551/GC3, de 09 de agosto de 2010, regulamenta o envio dos relatos de fenômenos aéreos recebidos pelo Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE) ao Arquivo Nacional.


Continua…

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

A VERDADE (AINDA) ESTÁ LÁ FORA

SE NÃO EXISTE VIDA FORA DA TERRA, ENTÃO O UNIVERSO É UM GRANDE DESPERDÍCIO DE ESPAÇO.

Há frases que envelhecem mal. Outras parecem ficar cada vez mais interessantes com o passar do tempo. Esta segunda categoria talvez se aplique à velha provocação segundo a qual, se estivermos sozinhos no Universo, todo esse espaço sideral terá sido um monumental desperdício de matéria-prima. Mas será que estamos mesmo sozinhos? Eu não tenho a resposta, e se alguém disser que tem, desconfie.


O assunto voltou a ganhar combustível — e não foi pouco — depois que o governo dos Estados Unidos liberou, em 12 de junho deste ano, uma terceira leva de documentos relacionados aos chamados UFOs, OVNIs ou UAPs. Foram 72 arquivos provenientes do FBI, da CIA e do Pentágono, contendo depoimentos, vídeos, fotografias e representações artísticas de fenômenos observados principalmente no nordeste dos Estados Unidos. Os dois primeiros lotes haviam sido divulgados em 8 e 22 de maio, e os relatos são daqueles que parecem ter saído diretamente de um roteiro de ficção científica.


Um dos documentos descreve um episódio ocorrido em julho de 2025. Uma testemunha afirmou ter encontrado, no quintal de casa, uma esfera vermelha extraordinariamente brilhante, pairando a poucos metros do solo. O objeto teria aproximadamente um metro de diâmetro e, em seu centro, havia algo que a testemunha comparou a um “sol de plasma” branco do tamanho de uma bola de basquete. 


A testemunha e seu cônjuge teriam observado a esfera subir lentamente e deslocar-se para o lado. Em seguida, perceberam uma segunda esfera semelhante pairando acima da primeira. Outros relatos da mesma região mencionaram posteriormente várias esferas brancas em altitudes maiores.


Outro caso, registrado em outubro de 2024, descreve uma fonte luminosa aparentemente pairando sobre um lago ou lagoa. Segundo o relato, a luz lembrava uma “esfera semelhante a plasma”, mudava intermitentemente de forma e intensidade e, em determinados momentos, parecia dividir-se em pontos luminosos menores. 


O detalhe mais interessante é que esse episódio foi registrado em vídeo por um cidadão usando um iPhone. O governo americano informa que a gravação foi analisada e autenticada, embora tenha sido cortada para preservar a privacidade do autor. O FBI classificou como altamente crível a pessoa que relatou o episódio.


Por outro lado, o fato de uma testemunha ser considerada confiável não significa que sua interpretação do fenômeno esteja correta. Uma pessoa pode ter visto exatamente aquilo que descreveu e, ainda assim, não saber o que estava vendo. É justamente por isso que o governo americano prefere atualmente a expressão UAP — Unidentified Anomalous Phenomena, ou fenômenos anômalos não identificados. 


O termo é deliberadamente mais amplo que UFO ou OVNI: não pressupõe sequer que aquilo observado seja um “objeto” propriamente dito, muito menos que seja uma aeronave. E “não identificado” é uma expressão muito mais modesta do que parece. Significa, simplesmente, que os dados disponíveis não foram suficientes para determinar o que foi observado. Não significa alienígena, nave espacial, tecnologia extraterrestre, ou que o fenômeno seja impossível de explicar. 


Pode ser um balão, um drone, uma aeronave convencional, um satélite, um fenômeno atmosférico, um reflexo, um artefato de câmera, uma ilusão de perspectiva ou simplesmente um erro de percepção. Pode também ser alguma coisa que ainda não conseguimos identificar. A diferença entre essas possibilidades é justamente o que torna o assunto interessante.


Nos primeiros lotes liberados pelo governo americano, diversos episódios receberam explicações convencionais ou foram considerados compatíveis com fenômenos já conhecidos. Outros permaneceram sem uma conclusão definitiva. E isso, embora possa frustrar tanto os ufólogos quanto os céticos militantes, é exatamente o que se espera de uma investigação séria: quando os dados não permitem uma conclusão, a conclusão é que não há dados suficientes para concluir. 


Parece óbvio, mas experimente dizer isso numa discussão sobre OVNIs e veja quanto tempo leva para alguém lhe explicar que você está “negando as evidências” — ou, dependendo do interlocutor, “acreditando em homenzinhos verdes”. Entre uma interpretação e outra, permanece uma constatação bastante curiosa: o céu continua produzindo acontecimentos que, pelo menos inicialmente, desafiam nossa capacidade de identificá-los, e o governo americano já não trata o assunto apenas como folclore. 


Nos últimos anos, audiências no Congresso, a criação de estruturas específicas para investigar UAPs e a divulgação periódica de documentos transformaram o tema em uma questão institucional. O assunto envolve segurança aérea, defesa, inteligência, tecnologia e, inevitavelmente, a eterna pergunta que desperta a imaginação humana desde que olhamos para as estrelas: e se não estivermos sozinhos? 


Não são apenas os americanos que andam olhando para o céu. Por aqui, a história também é bastante interessante. Aliás, o Brasil possui um arquivo público de relatos de fenômenos aéreos não identificados, e os registros não se limitam a histórias antigas de discos voadores vistos por agricultores no meio da noite. 


Há relatos envolvendo pilotos, controladores de tráfego aéreo e outras pessoas ligadas à aviação, inclusive em anos recentes.A Força Aérea Brasileira mantém há décadas registros de ocorrências envolvendo objetos voadores não identificados. E existe, inclusive, uma norma específica para isso. 


A Portaria nº 551/GC3, de 9 de agosto de 2010, determina que as atividades do Comando da Aeronáutica relacionadas aos OVNIs se restrinjam ao registro das ocorrências e ao encaminhamento da documentação ao Arquivo Nacional. Os relatos recebidos são registrados e catalogados, seguindo posteriormente o trâmite estabelecido pela própria Aeronáutica.


Entre os casos registrados em 2025 aparecem relatos de pontos luminosos observados por profissionais da aviação, inclusive na região de Londrina, no Paraná. Em um dos episódios, um operador da torre teria registrado imagens dos objetos, embora o vídeo não esteja disponível junto à documentação consultada. Outro relato, de 1º de setembro de 2025, em Guarulhos, descreve três — ou possivelmente dois — pontos luminosos com luzes brancas, vermelhas e amarelas realizando movimentos aparentemente irregulares.


Nada disso prova que alguém tenha avistado uma nave extraterrestre. Mas também não há motivo para, pura e simplesmente, arquivar esses relatos no gavetão das bobagens e teorias da conspiração. A aviação moderna é justamente um dos ambientes nos quais um fenômeno aéreo desconhecido merece ser registrado. Pilotos e controladores trabalham com radares, instrumentos, procedimentos e comunicação permanente. Se alguma coisa incomum aparece no céu, o registro da ocorrência é muito mais útil do que simplesmente dizer: “Vi uma coisa estranha ontem.”


E há um detalhe delicioso nessa história: o céu brasileiro continua produzindo relatos enquanto nós continuamos tentando descobrir o que, afinal, as pessoas estão vendo. Em julho deste ano, por exemplo, um piloto de uma aeronave particular que fazia a rota entre São Paulo e Maringá entrou em contato com o Controle de Aproximação de Londrina depois de observar duas luzes muito intensas e de movimento rápido. O episódio foi registrado na comunicação entre a aeronave e o controle de tráfego aéreo e posteriormente divulgado. O piloto chegou a descrever o fenômeno como “sobrenatural”. E para um piloto, que provavelmente já viu muita coisa no céu, essa não é exatamente uma palavra que passe despercebida.


Mas, novamente, sobrenatural é a descrição de uma sensação, não uma conclusão científica. E talvez seja justamente aí que esteja o verdadeiro mistério dos OVNIs. Não na pergunta simplista “são extraterrestres ou não?”, mas em uma questão muito mais interessante: quantas coisas nós realmente conseguimos identificar quando olhamos para o céu? Porque o Universo é enorme, e a nossa capacidade de observá-lo, apesar de telescópios, radares, satélites, câmeras e sensores cada vez mais sofisticados é limitada.


Aquilo que chamamos de “não identificado” pode significar muitas coisas diferentes. Pode ser algo perfeitamente terrestre que ainda não reconhecemos. Pode ser um fenômeno natural que ainda não compreendemos. Pode ser uma tecnologia humana desconhecida Pode ser simplesmente um engano, mas também pode ser algo que veio de muito mais longe. Só que, antes de saltarmos para essa última hipótese, existe uma pergunta que precisamos responder: o que seria necessário observar para podermos afirmar, de maneira cientificamente convincente, que um UAP é realmente extraterrestre?


É justamente aí que a história começa a ficar muito mais interessante.


Continua…

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

ATALHOS DE TECLADO

A RETA É O CAMINHO MAIS CURTO ENTRE DOIS PONTOS.

Depois que Steve Jobs revolucionou a telefonia celular com o lançamento do iPhone, a concorrência se viu forçada a promover seus dumbphones a smartphones.


Mais adiante, os telefoninhos inteligentes se tornaram verdadeiros computadores ultraportáteis, e hoje a maioria dos usuários só recorre a um PC de mesa ou portátil quando precisa de tela grande, teclado físico e mais poder de processamento do que os pequenos notáveis são capazes de oferecer.


Cerca de 70% dos smartphones usam atualmente o sistema Android, lançado pelo Google em 2008, enquanto 30% rodam o iOS — sistema proprietário desenvolvido pela Apple para seus iPhones (segundo dados do StatCounter referentes a junho de 2026).


A Microsoft perdeu o bonde da história ao não conseguir transformar o Windows Mobile numa alternativa capaz de enfrentar o Android e o iOS. Embora tivesse experiência no segmento móvel muito antes do iPhone, sua estratégia não acompanhou a velocidade da transformação provocada pelos smartphones de tela sensível ao toque, e seu sistema móvel, lançado em novembro de 2015, foi a derradeira tentativa de estabelecer uma plataforma móvel competitiva.


Em um mea-culpa pela falta de visão, Bill Gates disse em 2020 que “ALGUMA FALHA DA MINHA PARTE QUE FEZ A MICROSOFT NÃO SER O QUE O ANDROID É HOJE”.


O Windows Mobile não era um sistema ruim, mas tampouco era bom o bastante para fazer frente aos concorrentes. E havia um problema particularmente cruel: devido ao número reduzido de usuários, poucos desenvolvedores se interessavam em criar aplicativos para o sistema; e sem aplicativos ficava difícil conquistar novos usuários. É o velho círculo vicioso das plataformas.


Em setembro de 2013, Microsoft e Nokia anunciaram o acordo pelo qual a primeira compraria praticamente toda a divisão de dispositivos e serviços da segunda. A operação foi concluída em abril de 2014, quando o Windows Phone ainda ocupava uma posição relevante entre os sistemas móveis, mas não era o segundo colocado mundial — os dados citados pela própria Microsoft o colocavam em terceiro lugar, atrás de Android e iOS. Mas esse “casamento” não produziu os frutos esperados. 


A Microsoft chegou a lançar uma variedade considerável de aparelhos Lumia, e fabricantes como HP, Acer e Lenovo apostaram na plataforma, mas o ecossistema nunca alcançou a escala necessária para enfrentar os dois gigantes já estabelecidos. Em outubro de 2017, Joe Belfiore, então executivo da Microsoft, confirmou que novos recursos e hardware para o Windows 10 Mobile deixariam de ser prioridade, citando justamente a baixa participação de mercado e a consequente falta de aplicativos de terceiros.


Assim, o sistema móvel da Microsoft acabou entrando para a história da informática como uma daquelas boas ideias que chegaram tarde demais à festa. A última versão, 1709, foi lançada em outubro de 2017, e o suporte oficial terminou em dezembro de 2019. Mas diz um velho ditado que não se pode ganhar todas, e que o bom general escolhe suas batalhas e reconhece a hora de recuar, para estar vivo no próximo embate.


Passando ao mote desta postagem, o Windows continua liderando com folga o mercado mundial de sistemas operacionais para computadores pessoais, bem à frente do macOS da Apple, que,, ocupa o segundo lugar, e anos-luz adiante de sistemas como o Linux e o ChromeOS, que dividem o restante do mercado.


Por outro lado, causa espécie o fato de um sem-número de usuários — notadamente os mais jovens — digitar com desenvoltura nos acanhados teclados virtuais dos celulares e se atrapalhar com o teclado físico de um notebook ou desktop. 


Um estudo publicado em 2019 por pesquisadores da ETH Zürich, da Universidade de Cambridge e da Universidade de Aalto analisou mais de 37 mil usuários e descobriu que os jovens de 10 a 19 anos digitavam no celular cerca de 10 palavras por minuto mais rápido que a geração dos pais. Usando os dois polegares, a média chegou a aproximadamente 38 palavras por minuto — apenas cerca de 25% abaixo da velocidade observada em teclados físicos.


Um estudo de 2022 também chamou atenção para a forma como as novas gerações desenvolvem sua proficiência em digitação. Atualmente, boa parte dessa habilidade não vem mais de cursos formais de datilografia, mas da prática espontânea e prolongada. E há uma ironia deliciosa nisso: a geração chamada de “nativos digitais” pode ser extremamente competente em determinadas tecnologias digitais, mas completamente inepta em outras que nós, veteranos da informática, consideramos elementares. 


Digitar rápido não significa dominar o computador. A molecada pode ter desenvolvido enorme competência em entrada de texto por touchscreen, mas carece das habilidades associadas ao ambiente de trabalho do computador tradicional: combinações de teclas, atalhos, navegação pelo texto com o teclado, uso de Shift, Ctrl, Alt etc., gerenciamento de arquivos e outras operações que não possuem equivalente intuitivo no celular. Alguns não sabem sequer copiar e colar utilizando os atalhos mais famosos da história da informática: Ctrl+C e Ctrl+V.


Concluída essa (não tão) breve introdução, relaciono a seguir sete atalhos para as edições 10 e 11 do Windows que podem mudar seu dia a dia sem exigir a instalação de programas de terceiros:


— Win+H ativa a digitação por voz do Windows. Em um campo de texto compatível, basta pressionar as duas teclas para abrir a ferramenta de ditado e começar a falar. É especialmente útil para e-mails, mensagens e rascunhos rápidos.


— Win+PrtScn captura a tela inteira e salva automaticamente a imagem na pasta Imagens > Capturas de Tela, em vez de simplesmente colocá-la na área de transferência. Assim, não é preciso pressionar PrtScn, abrir o Paint, colar a captura e só então salvá-la.


— Win+Shift+S abre a ferramenta de captura do Windows. A tela escurece e você pode selecionar a área desejada, inclusive em formato retangular, livre ou de janela, conforme a versão do sistema. O resultado é copiado automaticamente para a área de transferência.


— Win+ponto (.) abre o painel de emojis, GIFs e símbolos. É daqueles atalhos que parecem bobagem até o dia em que você precisa de um símbolo que não está à mão — e descobre que ele estava escondido atrás de duas teclas.


— Win+Ctrl+D cria uma nova área de trabalho virtual. Você pode alternar entre elas com Win+Ctrl+seta para a esquerda/direita e fechar a área de trabalho atual com Win+Ctrl+F4. É uma maneira bastante prática de separar, por exemplo, trabalho, navegação e vida pessoal sem ficar empilhando janelas umas sobre as outras.


— Win+Ctrl+Q abre a Assistência Rápida, recurso nativo do Windows que permite ajudar outra pessoa — ou receber ajuda — por meio de uma conexão remota. Naturalmente, isso não significa que você deva entregar o controle do computador ao primeiro desconhecido que aparece afirmando ser técnico da Microsoft: use o recurso apenas com pessoas em quem você confia.


— Win+D mostra imediatamente a área de trabalho, minimizando as janelas abertas. Pressione novamente e elas reaparecem exatamente como estavam. É provavelmente um dos atalhos mais simples e úteis do sistema da Microsoft. 


Há ainda um daqueles atalhos que fazem você se perguntar como conseguiu viver sem ele: Win+seta para a esquerda/direita encaixa a janela ativa em uma das metades da tela e o próprio sistema sugere outras janelas para ocupar o espaço restante. É particularmente útil quando se precisa consultar um documento enquanto se trabalha em outro, por exemplo.


A moral da história é simples: quem conhece meia dúzia de atalhos não precisa necessariamente ser um expert do teclado. Basta saber onde apertar. Até porque, no mundo dos computadores, às vezes duas teclas bem escolhidas fazem um caminho muito mais curto do que uma dúzia de cliques.