DEUS DÁ NOZES A QUEM NÃO TEM DENTES E DENTES A QUEM NÃO TEM NOZES.
Nos tempos de antanho, cientistas e filósofos como Aristóteles e Johannes Kepler acreditavam que a velocidade da luz era infinita. Galileu foi um dos primeiros a questionar essa ideia e fazer novas medições, mas falhou devido às limitações impostas pela tecnologia disponível na época.
CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA
A campanha eleitoral de 2026 ganhou dois novos protagonistas: a língua de Daniel Vorcaro e a toga de André Mendonça. O delator colocará sobre a mesa do magistrado revelações que podem fulminar reputações e pretensões.
Mendonça diz em privado que não tomará decisões que tumultuem a conjuntura às vésperas das eleições, mas a dinâmica do inquérito desafia a discrição presumida do ministro, que, ao manusear a lista de políticos e autoridades que tiveram relações promíscuas com Vorcaro, será compelido a ordenar diligências capazes de influenciar os rumos da eleição.
Além do caso Master, o ministro "terrivelmente evangélico" indicado pelo refugo da escória da humanidade é relator do inquérito sobre o assalto contra os aposentados, o segundo escândalo mais rumoroso da República. Juntos, os dois casos enfiam a corrupção na agenda do eleitor, deixando 2026 mais parecido com 2018 do que com 2022.
No século XVII, após observar atrasos nos eclipses da lua jupiteriana de Io, o astrônomo dinamarquês Ole Rømer estimou em cerca de 22 minutos o tempo que a luz levava para cruzar o diâmetro da órbita da Terra (o valor atual é de aproximadamente 17 minutos). A partir desses dados, o matemático, físico e astrônomo holandês Christiaan Huygens fez o primeiro cálculo numérico da velocidade da luz.
Nos séculos XIX e XX, os físico francês Hippolyte Fizeau seu colega polonês Albert Michelson realizaram experimentos em laboratório com espelhos giratórios para obter medições cada vez mais precisas, e a velocidade exata — de 299.792.458 metros por segundo ou cerca de 1,08 bilhão de quilômetros por hora — foi estabelecida como uma constante universal em 1983.
A Teoria da Relatividade de Einstein descreveu a gravidade como a curvatura do espaço-tempo causada pela massa e energia, bem como revelou que o tempo passa mais devagar tanto em altas velocidades (dilatação do tempo) quanto em campos gravitacionais intensos (dilatação gravitacional).
Parafraseando o físico John A. Wheeler, o espaço-tempo diz à matéria como se mover e a matéria diz ao espaço-tempo como se curvar. E uma vez que o espaço-tempo se distorce para que a velocidade da luz seja constante em todos os referenciais, o tempo pára — ou simplesmente não existe — no referencial dos fótons (partículas de luz) .
Na famosa equação E = mc², a quantidade de energia (E) que um objeto possui é igual à sua massa (m) multiplicada pela velocidade da luz elevada ao quadrado (c²). Como "c" equivale a aproximadamente 1,08 bilhão de km/h, uma quantidade ínfima de massa se tornaria infinita na velocidade da luz, exigindo uma quantidade igualmente infinita de energia para continuar a acelerar.
A 99,999% da velocidade da luz, um corpo fica 224 vezes mais pesado; a 99,99999999%, o aumento é de 70 mil vezes. Na Terra, mesmo os aviões mais velozes não são rápidos o bastante para permitir que o ganho de massa seja aferido, mas os relógios atômicos dos satélites GPS que orbitam nosso planeta a 14 mil km/h adiantam 38 milissegundos por dia, tornando esse efeito mensurável.
A 99,999999999999999999981% de "c", um segundo no referencial do viajante equivale a 2,5 anos no tempo terrestre, ilustrando o efeito extremo da dilatação do tempo (como bem demonstrado pelo paradoxo dos gêmeos). Em um cenário mais moderado, chegar a Alpha Centauri (que dista 4,367 anos-luz da Terra) viajando a 99,9999999% de "c" levaria mais de 4 anos terrestres, mas o trajeto seria completado em aproximadamente 1,7 horas no referencial dos astronautas.
Observação: Para que os astronautas suportem a aceleração e desfrutem da gravidade artificial durante a jornada, seria preciso manter uma aceleração gradual e constante, sob pena de não resistirem ao aumento da força g.
A sonda espacial mais veloz lançada até agora alcançou 693 mil km/k (0,0643% da velocidade da luz) em dezembro de 2024. Essa velocidade permite ir da Terra à Lua em meia hora, a Marte em 15 dias e aos confins do nosso sistema solar em pouco menos de 3 anos, mas uma hipotética ida a Alpha Centauri levaria mais de 6 mil anos.
Considerando que a dilatação do tempo só é expressiva a velocidades próximas à da luz, e que a expectativa média de vida dos seres humanos é de 80 anos, missões tripuladas continuam restritas à nossa vizinhança imediata. Mas vale lembrar que a esquadra de Pedro Álvares Cabral levou 44 dias para cruzar o Atlântico em 1500, e que, em 2003, quando foi aposentado por motivos de segurança, o supersônico Concorde voava entre Londres e Nova York em cerca de três horas.
A tecnologia de que dispomos já permite criar colônias habitáveis na Lua ou em Marte. Isso não é suficiente para realocar toda a humanidade se a Terra sofrer um colapso ecológico, mas pode servir como laboratório para pesquisas sobre melhorias genéticas ou novas formas de vida.
Viajar a velocidades próximas à da luz facilitaria o acesso a exoplanetas onde pode haver formas de vida desconhecidas, ainda que não necessariamente inteligentes. Um estudo recente feito pela NASA estimou que a Via Láctea pode conter mais de 2 bilhões exoplanetas com bactérias, variantes de plantas etc.
Entre outras características curiosas da luz — além da velocidade — está a propagação dual — como onda e partícula. Uma simulação feita pela NASA mostra que, vistas a partir de uma espaçonave a uma velocidade bem próxima à da luz, astronautas veriam o cosmos como um borrão colorido quase indefinido (clique aqui para assistir ao vídeo).
Continua...

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