sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

NOMOFOBIA, SPAM, PHISHING E SPOOFING

AS MÍDIAS SOCIAIS DERAM O DIREITO DE FALA À LEGIÃO DE IMBECIS QUE ATÉ ENTÃO SÓ FALAVAM NOS BARES, DEPOIS DE UMA TAÇA DE VINHO, SEM CAUSAR DANOS À COLETIVIDADE. 

A telefonia móvel celular surgiu em meados do século passado, mas só começou a se tornar popular no final da década de 70. No Brasil, a privatização das Teles (em 1998, durante a segunda gestão do presidente Fernando Henrique) acelerou a expansão da tecnologia no país, rompendo com décadas de monopólio estatal e introduzindo a competição entre operadoras que democratizou o uso dos aparelhos. 

Curiosamente, a tecnologia que prometia liberdade de movimento e comunicação acabou criando uma nova forma de dependência. Depois que os telefones móveis evoluíram para “microcomputadores de bolso”, concentrando funções que antes estavam distribuídas em diversos dispositivos e espaços (como banco, câmera, biblioteca, escritório, entretenimento), muitos usuários passaram a sofrer de “nomofobia” — de no-mobile + fobos —, ou seja, a “ansiedade patológica” que acomete as pessoas que se veem privadas de seus dispositivos.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Condenado por invadir os sistemas do CNJ e plantar mandados falsos de prisão e de soltura, Walter Delgatti Neto, também conhecido como “o hacker de Araraquara”, passou para o regime semiaberto. Já sua comparsa, Carla Zambelli, continua detida na Itália, para onde fugiu em meados do ano passado.

Depois de dois adiamentos a pedido da defesa, a Corte de Apelação de Roma remarcou para o próximo dia 20 o julgamento do pedido de extradição da fujona. Vale lembrar que, diante do risco de fuga, seus pedidos de liberdade provisória e de prisão domiciliar foram negados.

O Ministério Público italiano deu parecer favorável à extradição, já que os crimes pelos quais Zambelli foi condenada são considerados comuns, e não políticos. Se perder na Corte de Apelação, ela ainda pode recorrer à Corte de Cassação ou mesmo ser beneficiada por uma decisão do governo italiano — hipótese remota, ao menos neste momento, pois nada indica que a primeira-ministra Giorgia Meloni esteja disposta a comprar essa briga para favorecer alguém que o próprio Bolsonaro acusou de ter contribuído para sua derrota em 2022.

Resumo da ópera: quem executou a fraude já vislumbra a porta de saída, enquanto a mentora intelectual aposta em recursos quase infinitos e na confusão institucional para adiar seu encontro com a prisão em regime fechado. Todavia, salvo intervenção política, o desfecho tende a ser menos cinematográfico do que a fuga e mais banal do que os discursos da caterva bolsonarista.

A conferir.

 

Outras consequências da evolução dos celulares foram a “inversão de hierarquia” (os smartphones, que eram complementares aos computadores convencionais, passaram a ser os dispositivos principais, relegando desktops e notebooks a funções específicas); o progressivo “desaparecimento” dos orelhões (símbolos urbanos que hoje são quase relíquias) e dos terminais fixos nas residências; e o desinteresse dos leitores do blog por artigos que focam o ambiente Windows — daí o número crescente de postagens sobre o sistema Android e aparelhos Samsung e Motorola, líderes de vendas no Brasil.

 

Concluído este (não tão) breve preâmbulo, passemos ao que interessa: golpistas, cibervigaristas e assemelhados vêm se valendo do “spoofing” para praticar toda sorte de fraudes, entre as quais se destacam: 


1) o golpe do falso banco, em que a ligação parece vir do número oficial da instituição, e o suposto atendente pede senhas ou dados confidenciais; 


2) os golpes da Receita Federal, dos Correios, da CNH e outros em que criminosos se passam por agentes públicos para exigir pagamentos indevidos; 


3) o falso suporte técnico, no qual alguém se apresenta como funcionário de empresas como Microsoft ou Apple, alegando que há um problema em seu computador e solicitando acesso remoto; 


4) phishing por SMS, no qual mensagens de texto que imitam notificações bancárias ou promoções e trazem links maliciosos que podem instalar malwares no celular.

 

Somente no primeiro semestre de 2024, os brasileiros receberam uma média de 26 chamadas não identificadas por mês, das quais 51% eram “spam” — mensagens em massa com conteúdo publicitário — e 13%, tentativas de fraude. Apesar de sofisticado, o “spoofing” — técnica de engenharia social que busca enganar uma rede ou pessoa fazendo-a acreditar que a fonte de uma informação espúria é confiável — pode ser combatido com a adoção de algumas medidas simples, entre as quais: 

 

1) Desconfie de ligações inesperadas do banco ou de um órgão público pedindo dados (desligue e retorne através dos canais oficiais da instituição); 


2) Jamais compartilhe senhas ou códigos por telefone; 


3) Use serviços de bloqueio de chamadas no telefone fixo (como o do Procon e o Não Me Perturbe); configure o app Telefone do celular para bloquear spam — ou utilize aplicativos como RoboKiller e Nomorobo


4) Jamais siga links recebidos por SMS, WhatsApp ou emails (se for necessário acessar o site, pesquise o endereço oficial e digite-o manualmente na caixa de endereços do navegador); 


5) Evite divulgar seu número de telefone em redes sociais ou cadastros desnecessários; 


6) Desconfie de mensagens que criam pressão temporal (como “sua conta será bloqueada hoje”); 


7) No caso de golpes envolvendo parentes, ligue diretamente para a pessoa antes de qualquer outra coisa.

Segundo o blog da McAfee, os estelionatários utilizam softwares e serviços de Voice over Internet Protocol (VoIP), que permitem configurar o número que aparece no identificador de chamada de modo a levar a vítima a acreditar que está recebendo uma ligação de seu banco, da Receita Federal ou até mesmo de um familiar.


Se suspeitar de que forneceu dados a um criminoso, mude imediatamente suas senhas, ative autenticação em duas etapas em contas sensíveis, avise a instituição falsificada para que possa alertar outros clientes e registre um boletim de ocorrência (BO) em uma delegacia, de preferência especializada em crimes cibernéticos.

 

Boa sorte. 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

SOBRE O QUE VEM DEPOIS...

NA NATUREZA NADA SE CRIA, NADA SE DESTRÓI, TUDO SE TRANSFORMA. 

Tudo que existe no Universo é formado por partículas elementares, que se combinam de modo a criar qualquer coisa — de uma massa amorfa de moléculas a um ser vivo. 

Diante disso, o que entendemos por realidade é apenas um "visual" que o Universo escolheu para o imenso número de partículas que o compõem. 

Se tudo é basicamente energia, a vida em si é energia, e se a vida é energia, a morte não a destrói, apenas transforma. Mas transforma em quê, exatamente? 

Um Universo infinito com um número finito de combinações possíveis de partículas sugere a existência de universos paralelos. Como a imensa quantidade de matéria do Universo gera uma força gravitacional igualmente imensa, capaz de curvá-lo até deixá-lo esférico, vivemos numa superfície tridimensional inserida em uma esfera 4D.  Assim como um avião que voa rumo ao oeste por tempo suficiente acaba retornando ao ponto de partida, um viajante cósmico que seguir em linha reta pelo espaço por tempo suficiente acaba voltando a seu ponto de origem. Mas isso é outra conversa; a questão que se coloca é a finitude da vida. 

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

A despeito do mensalão, Lula se reelegeu em 2006, fez sua sucessora em 2010 e deixou o Planalto nos píncaros da popularidade. Também em 2006, o “poste” que o xamã petista fez eleger para prefeitar a capital paulista foi fragorosamente derrotado pelo “outsider” João Dória logo no primeiro turno — algo inédito desde a redemocratização.

Lula respondeu a duas dúzias de processos e foi condenado em dois a penas que, somadas, perfizeram mais de 20 anos de cadeia, mas deixou sua cela VIP na PF de Curitiba depois de míseros 580 dias e, graças a Jair Bolsonaro — o pior mandatário desde Tomé de Souza —, foi “descoordenado”, reabilitado politicamente e eleito para um inusitado terceiro mandato. 

Ministro da Fazenda desde o início da terceira gestão de Lula, Haddad — um dos piores prefeitos que Sampa já amargou — deve deixar o comando da pasta em fevereiro para colaborar com a campanha à reeleição de seu amo e senhor.

Haddad não chega a ser uma Dilma, mas jamais será um Palocci. Ele ajudou a conceber uma âncora fiscal — que só existiu para efeito de propaganda — e passou os últimos três anos tentando dourar a pílula do déficit, reafirmando um compromisso de equilíbrio das contas públicas que Lula e os números tratavam de desmoralizar diariamente. 

Se o Lula do primeiro mandato ainda se preocupava em dar ao mercado e aos investidores a impressão de que trataria as contas públicas com seriedade, o Lula do terceiro mandato pisou no acelerador dos gastos sem qualquer pudor. “Não tem macroeconomia, não tem câmbio: se tiver dinheiro na mão do povo, está resolvido o nosso problema”, disse ele no final do ano passado.

Sob certos aspectos, o eterno bonifrate de Lula encerrará sua gestão como o ministro da Fazenda possível dentro de uma gestão petista com essas características. A despeito de seu esforço pela aprovação da reforma tributária sobre o consumo, Haddad foi incapaz de defender a segunda parte da reforma — que alteraria o Imposto de Renda —, sucumbindo aos imperativos populistas de Lula e protagonizando o constrangedor pronunciamento em rede de rádio e TV no qual foi obrigado a anunciar o plano eleitoreiro do presidente de isentar de IR quem ganha até R$ 5 mil. Foi talvez o ponto mais baixo de sua trajetória como ministro da Fazenda.

Vade retro! 

Viver para sempre é um sonho antigo. Os gregos acreditavam a água de um rio que nascia no Monte Olimpo tornava os homens imortais, mas não sobrou ninguém vivo para contar a história. Ponce de León partiu de Porto Rico em busca da lendária Fonte da Juventude, descobriu Flórida, mas morreu sem jamais encontrar o que perseguia. Graças à evolução da Ciência, nossa expectativa de vida, que era de 47,1 anos na década de 1950, aumentou para 73,4 anos em 2023, e deve alcançar 82,1 no final deste século. Ainda assim, a "lei" segundo a qual todo ser vivo nasce, cresce e morre ainda não foi revogada.
 
O gerontologista Aubrey de Grey afirma que o envelhecimento não é uma consequência biológica. Segundo ele, se a medicina se antecipasse aos danos celulares, seria possível vivermos por séculos sem os transtornos da velhice". Já o biogerontologista molecular João Pedro de Magalhães sustenta que a chave para a longevidade está na reescrita de nossos "softwares" genéticos. "Se conseguíssemos criar células resistentes ao câncer e imunes ao envelhecimento, nossa expectativa de vida aumentaria para mais de mil anos", diz ele. Mas parece que falar é mais fácil que fazer: a pessoa mais longeva da história — noves fora Matusalém, que, segundo a Bíblia, teria vivido 969 anos — foi a francesa Jeanne Calment, que morreu com 122 anos e 164 dias. 
 
Moisés anotou no Gênesis que Deus criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo. O arcebispo irlandês James Ussher foi mais além: em "The Annals of the World", ele cravou o início da obra divina pontualmente às 9h00 da manhã de 23 de outubro de 4004 a.C. Mas o que é a Bíblia senão um conjunto de mitos, lendas e tradições culturais transmitidos oralmente por várias gerações, até serem escritos em papiro, entre os séculos XV e XIII a.C.?
 
As narrativas que compõem o Gênesis não fornecem uma explicação científica ou histórica sobre o passado, mesmo porque os fatos não foram registrados em tempo real. Já a Ciência busca evidências, procura comprová-las por meio de experimentos e pode modificá-las à medida que novas descobertas surgem. Assim, dar por verdade absoluta o que diz a Bíblia é rejeitar todo o conhecimento que a Física, a Atronomia e a Biologia acumularam nos últimos séculos. 
 
Segundo o que as evidências científicas indicam, o Universo nasceu há 13,8 bilhões de anos, a partir de uma colossal liberação de energia e matéria. O gênero Homo surgiu há 2,5 milhões de anos, e o Homo Sapiens, há cerca de 300 mil anos. Não se trata de conjecturas, mas de estimativas baseadas em fósseis, datações radiométricas e estudos de ossos e crânios descobertos por arqueólogos e paleontólogos. Consequentemente, a fábula de Adão, Eva e a serpente tentadora não passa de mera cantiga para dormitar embalar bovinos. 
 
O risco de ignorar a Ciência fica evidente quando novas descobertas desafiam antigas crenças. Mesmo quando elas soam ousadas demais — como quando Copérnico deslocou o homem do centro do cosmos, Darwin refutou o criacionismo e Freud questionou a centralidade da mente humana sobre si mesma — a comprovação pode até tardar, mas raramente falha. Evidências são indícios que apontam para a ocorrência de fatos; fatos são os acontecimentos propriamente ditos; e provas são os meios usados para demonstrar que os fatos efetivamente ocorreram. 
 
Se uma evidência cientifica contradiz um "ensinamento" bíblico, a chance de erro é a mesma de uma árvore arrancar as raízes do solo e sair andando, mas há quem a rejeite "em nome da fé", embora o faça por cegueira mental. A questão é que ignorar os fatos não os torna menos verdadeiros. A realidade se impõe, gostemos dela ou não. Negar as evidências científicas para sustentar dogmas é como insistir que a Terra é plana enquanto se viaja de avião ao redor do globo.
 
Fé e religião costumam andar juntas, mas não se deve confundi-las. A fé é uma experiência subjetiva, uma crença íntima que pode existir independentemente de qualquer doutrina ou instituição. Já a religião envolve ritos, dogmas e uma estrutura organizacional. Muitas pessoas praticam uma religião por tradição familiar ou convenção social, enquanto outras cultivam uma fé pessoal sem seguir nenhuma religião.
 
Voltando à pergunta inicial, nosso nascimento marca o início de uma viagem rumo a um futuro que nunca chega — vivemos sempre no hoje, que é o amanhã de ontem e o ontem de amanhã. Não sabemos sequer se o tempo existe realmente ou se foi inventado para facilitar nossa compreensão do mundo. A única certeza que temos na vida é a da inevitabilidade da morte, mas se tudo se resume basicamente a energia, então a "vida" pode ser um estado organizado e consciente dessa energia, e a morte, a dissipação desse arranjo.
 
No nível físico, os restos mortais se reintegram ao ciclo da natureza — átomos que um dia foram parte de estrelas e, noutro, formaram um vivente, voltam à terra, ao ar, ao oceano. Mas o que acontece com a consciência? Será ela um fenômeno emergente da organização da matéria que a morte do corpo funde ao tecido do universo ou apaga como a chama de uma vela? A Física sugere que informação não se perde, apenas se redistribui, mas tentar entender isso é descobrir que, na prática, a realidade pode ser ainda mais maluca do que imaginamos. 
 
Talvez o aspecto mais fascinante da Ciência não seja as respostas que oferece, mas as perguntas que se descortinam a partir dessas respostas. A busca pelo conhecimento e a exploração de incógnitas abrem caminho para novas descobertas e levantam hipóteses que são testadas e discutidas, e a carência de respostas leva a novas pesquisas visando a uma compreensão mais profunda do Universo. Em suma, a Ciência é um processo contínuo e as perguntas são o motor que a impulsiona.
 
Se a vida é energia organizada de forma complexa, a questão central passa a ser o que define essa organização e o que acontece quando ela se desfaz. Se a energia nunca desaparece, apenas muda de forma, a morte não a extingue, apenas a redistribui na forma de energia térmica, química, ou mesmo eletromagnética. Mas e a consciência? Será que ela é um simples epifenômeno do cérebro, um efeito colateral da atividade neural, um software rodando no hardware do corpo? Se for assim, ela se apaga quando o cérebro morre e fim de papo. Mas se ela for um tipo de padrão energético que sobrevive à morte biológica, então temos um enigma cuja solução deve estar em algum ponto entre a Ciência e a especulação filosófica. 
 
Pode ser que, ao fim e ao cabo, nossa existência seja um tipo de fractal energético que se rearranja infinitamente, ou um flash temporário de organização dentro do caos cósmico, como uma faísca que brilha por um instante antes de se apagar. Algumas correntes da física teórica, como a interpretação da mecânica quântica por Roger Penrose e Stuart Hameroff, sugerem que a consciência pode estar ligada a processos quânticos nos microtúbulos das células cerebrais. 
 
Talvez a informação da consciência possa ser transferida de alguma forma, mas para onde ela iria? Se espalharia pelo universo como uma onda dissipada? Se conectaria a um "campo" maior de informação? E se a realidade que percebemos for apenas um efeito da maneira como interagimos com essas partículas fundamentais? Seria a morte apenas uma mudança na interface, após a qual a "energia consciente" continuaria existindo de outra forma? 

The answer, my friend, is blowing in the wind.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

SOPA DE LETRAS

TER ESPERANÇA É BOM, MAS DEPENDER APENAS DELA É RUIM.

Quando meu avô trocou Abbasanta, na Sardenha, por Ubá, em Minas Gerais, os lavradores despertavam ao nascer do sol e se recolhiam quando ainda podiam encontrar a cama sem precisar de lamparinas ou candeeiros. Banho se tomava no riacho, e comida se fazia no fogão à lenha.

Durante os anos 1960 e o início da década seguinte, ouvi muitas vezes do meu avô que “saber não ocupa lugar”. Esse epigrama é uma meia-verdade, mas ele não sabia.

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Um velho, um menino e um burro seguiam rumo à cidade. O menino ia montado no burro, e o velho, caminhando. Ao ouvirem algumas pessoas com quem cruzaram comentar que era um absurdo o velho caminhar enquanto o menino ia montado no burro, avô e neto trocaram de lugar. Mais adiante, ouviram de outros passantes que era inconcebível o velho obrigar a criança a caminhar enquanto ele ia confortavelmente aboletado no lombo do animal.

O velho decidiu que tanto ele quanto o neto caminhariam, mas outros passantes comentaram que eles eram dois idiotas por andarem quando dispunham de um burro para carregá-los. Diante disso, ambos montaram no burro, mas logo foram criticados por sobrecarregar o pobre animal.

O velho decidiu que ele e o neto carregariam o burro nos braços, mas perderam o equilíbrio ao atravessar a ponte e caíram no rio. Ambos se salvaram, mas o animal se afogou. 

Atribui-se a JFK a seguinte pérola: “Não conheço a fórmula do sucesso, mas a do fracasso é tentar agradar a todos ao mesmo tempo”. No fim, o burro não morreu por excesso de peso, mas por excesso de opinião. Isso vale também para ambientes polarizados, nos quais tentar agradar a todos não produz consenso — e sim desastre.

Se cada neurônio carregasse uma única lembrança, teríamos um sério problema de espaço. Mas as mais de 1 trilhão de conexões que nossos mais de 1 bilhão de neurônios são capazes de criar correspondem a cerca de 2,5 petabytes. Como 1 PB equivale a 1.000.000 de GB, esse latifúndio poderia conter a programação transmitida ininterruptamente por um canal de TV durante 300 anos, ou seja, é mais que suficiente para nossa expectativa de vida.

A memória dos PCs (tanto a física quanto a de massa) pode ser expandida por um upgrade. A nossa é mais parecida com a dos celulares, que permanecem com a configuração definida pelo fabricante ao longo de toda a vida útil do aparelho. Mas isso não significa que não possamos gastar alguns neurônios com “cultura inútil” (lembrando que conceitos como “útil” e “inútil” variam ao sabor da conjuntura).

Programas capazes de se autorreplicar remontam aos anos 1950, mas só passaram a atender por “vírus” nos anos 1980, depois que um pesquisador chamado Fred Cohen embasou sua tese de doutorado nas semelhanças entre vírus biológicos e digitais (mais detalhes na sequência Antivírus — A História).

Winchester” é o nome de uma empresa fundada em 1855 para fabricar rifles de repetição, mas passou a sinônimo de HDD (acrônimo de hard disk drive, ou “unidade de disco rígido”) depois que a IBM lançou um disco rígido capaz de armazenar 30 MB por unidade, numa referência ao popular rifle Winchester Modelo 30-30. Hardware (ferragem) tornou-se sinônimo do conjunto de componentes físicos que formam um PC (ou “micro”, como os primeiros computadores pessoais eram carinhosamente chamados pelos usuários).

Mais adiante, a popularização da Internet entre usuários domésticos levou aos dicionários termos como login, online, offline, boot, email, hacker, etc. Deletar (de delete) virou sinônimo de apagar; ícone, de representação gráfica de um programa ou arquivo; pendrive, de dispositivo portátil para armazenamento de dados; selfie, de fotografia tirada de si mesmo com o celular. E por aí segue a procissão.

As siglas são um capítulo à parte. Wi-Fi e USB “caíram na boca do povo”, mas outras continuam dando margem a dúvidas (sem falar que muitas pessoas ainda chamam o gabinete do computador de CPU — que na verdade é o processador principal — e confundem armazenamento com memória, talvez porque sejam expressos em múltiplos do byte).

Nove entre dez usuários de celulares sabem que SIM (Subscriber Identity Module) é o chip responsável por conectar o dispositivo à rede da operadora, e que GPS (Global Positioning System) é um sistema de localização via satélite. Mas poucos sabem que IMEI (International Mobile Equipment Identity) é o número exclusivo que identifica cada aparelho móvel no mundo; que NFC (Near Field Communication) é uma tecnologia de comunicação sem fio de curta distância, usada em pagamentos por aproximação; e que UFS (Universal Flash Storage) é um padrão de armazenamento mais rápido que o EMMC (embedded MultiMedia Card), que melhora significativamente o desempenho dos celulares.

Quase ninguém sabe que SoC (System on Chip) integra diversos componentes (como processador, GPU e memória) em um único chip, otimizando o consumo de energia e o desempenho, e que OTA (Over The Air) permite atualizações de software sem a necessidade de conexão física, facilitando a manutenção do sistema operacional.

Outras siglas que aparecem em manuais, configurações e especificações técnicas dos dispositivos móveis são PIN (Personal Identification Number), que é o código de segurança usado para desbloquear o chip SIM ou o próprio aparelho; e PUK (Personal Unblocking Key), que é código utilizado para desbloquear o SIM após erros consecutivos no PIN. OLED (Organic Light Emitting Diode) é uma tecnologia de tela que oferece cores mais vivas e maior eficiência energética; TFT (Thin Film Transistor) é um tipo de tela LCD (Liquid Cristal Display) comum em aparelhos de baixo custo; e UI (User Interface) é a interface gráfica do sistema operacional, responsável pela interação do usuário com o aparelho.

ROM (Read Only Memory) é a memória de massa (ou secundária) usada para armazenar de forma “persistente” o sistema operacional e os aplicativos; e RAM (Random Access Memory), a memória física (ou primária) onde os programas são carregados e as informações, processadas — desde o próprio sistema operacional até um simples documento de texto.

À medida que a tecnologia evolui, novas siglas surgem e passam a fazer parte do vocabulário dos usuários de dispositivos móveis. Compreender seu significado pode ser visto como “cultura inútil”, mas é fundamental para quem deseja acompanhar as inovações e utilizar os recursos disponíveis de maneira mais consciente e produtiva.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

PONTOS A PONDERAR

PODE-SE LEVAR UM BURRO ATÉ O RIACHO, MAS NÃO SE PODE OBRIGÁ-LO A BEBER.

 

Desde tempos imemoriais que a história da humanidade é marcada por rupturas, migrações e saltos tecnológicos surpreendentes. Iniciada há cerca de 20 milhões de anos, a jornada dos hominídeos é o fio condutor que nos levou da savana africana ao espaço aéreo transatlântico, passando por mamutes, caravelas e aviões supersônicos. 

 

Transformar algo que simplesmente rolava em um artefato funcional — com eixo, encaixe e aplicação sistemática — foi um salto tão extraordinário quanto aproveitar o fogo produzido pela queda de raios e utilizá-lo para aquecimento, proteção contra animais e cozimento de alimentos. 


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As fraudes de longa data do Banco Master — que resultaram na liquidação em novembro pelo Banco Central — é mais um dos muitos escândalos com os quais nos habituamos a conviver, mas exibe uma peculiaridade: tão ou mais escandalosa que as falcatruas do controlador, Daniel Vorcaro, é a rede de proteção formada para contestar a decisão da autoridade monetária.

As razões ainda são obscuras, mas o objetivo foi traduzido nas palavras do ex-presidente do BC Armínio Fraga: "Tem muita gente querendo assar uma pizza do tamanho do Maracanã". 

Suspeita plenamente justificada pelas movimentações dos subterrâneos do poder onde Vorcaro construiu uma teia de relações que, ao juízo dele, lhe permitiriam levar seus negócios com segurança e exibicionismo pelo terreno da lucrativa enganação.

Há sujeitos ocultos trabalhando para de algum modo amenizar a situação — o que não é de estranhar —, cujos modus operandi o então senador Romero Jucá explicitou na ideia de "estancar a sangria" mediante acordos "com o Supremo, com tudo", falando sobre a possibilidade de se anularem as consequências da operação Lava-Jato. 

A malfadada novidade aqui é ver o STF e o TCU arrastados ao campo da suspeição por conivência, mediante decisões individuais dos ministros Dias Toffoli e Jhonatan de Jesus, respectivamente, que precisaram recuar de providências mais danosas à imagem das instituições. Mas a ultrapassagem da linha da compostura institucional está dada e não tem conserto — a menos que os colegiados dessas instâncias abandonem o recato corporativista e se coloquem claramente em oposição a jabutis que, sabemos, só sobem em árvores por ação das mãos de gente.


A capacidade inata do ser humano de transformar simples percepções em saltos tecnológicos é notória. Por volta de 3000 a.C., os egípcios já navegavam pelo Nilo em barcos movidos a remo, mas levaram 500 anos para equipar suas embarcações com velas e aproveitar os ventos do norte para subir o rio e transportar excedentes agrícolas para centros comerciais como Mênfis e Tebas. E outros 3.000 anos se passaram até que portugueses e espanhóis singrassem os oceanos em naus, caravelas e galeões, na chamada Era das Grandes Navegações. 

 

Os primeiros barcos a vapor surgiram no início do século XIX, e os motores a óleo diesel, cerca de 50 anos depois. Em 1903, os irmãos Wright realizaram o primeiro voo motorizado. Em 1906, Santos Dumont demonstrou que um artefato mais pesado que o ar era capaz de decolar, voar e pousar por meios próprios. Dali a oito décadas, o supersônico Concorde já sobrevoava o Atlântico em menos de três horas — façanha que Cabral e sua trupe levaram 41 dias para realizar em 1500.

 

Não é exagero afirmar que a evolução tecnológica foi mais expressiva nos últimos dois séculos do que desde a invenção da roda até a Revolução Industrial, e que se intensificou ainda mais nos anos 1900. Segundo os teóricos da conspiração, parte desse avanço teria sido impulsionado pela aplicação de engenharia reversa numa tecnologia extraterrestre. 


Tudo começou em julho de 1947, quando uma suposta nave alienígena caiu em Roswell, no Novo México. O governo americano chegou a anunciar que havia recuperado um “disco voador”, mas logo recuou, alegando que se tratava de um simples balão meteorológico — versão que, como não poderia deixar de ser, só alimentou ainda mais as especulações (detalhes nesta postagem). 

 

A partir daí, surgiram relatos de instalações secretas na Área 51, agentes misteriosos conhecidos como “Homens de Preto” (MIB) e até mesmo de experimentos com corpos alienígenas em bases subterrâneas. O coronel Philip Corso, figura central nesse enredo, afirmou em seu livro The Day After Roswell que tecnologias como microchips, fibras ópticas e visão noturna teriam sido desenvolvidas a partir dos destroços da nave. 

 

O ser humano já singrou oceanos em caravelas, rasgou céus em aviões, pousou sondas em cometas, conectou bilhões de pessoas em tempo real por meio de redes invisíveis, criou algoritmos que diagnosticam doenças antes dos sintomas, carros autônomos e inteligências artificiais. Mas contrasta com esse avanço tecnológico embriagante algo profundamente desconcertante: quanto mais sofisticadas nossas ferramentas, mais primitivas parecem ser algumas de nossas crenças.

 

Numa era em que a ciência é capaz de editar genes, milhões de pessoas continuam negando a eficácia das vacinas. A despeito de satélites mapearem a Terra com precisão milimétrica e fotos tiradas do espaço e até da superfície lunar comprovarem a esfericidade do planeta, 7% dos brasileiros se declaram terraplanistas.

 

Quase um terço da população brasileira entre 15 e 64 anos é composto de analfabetos funcionais, dos quais 36% são alfabetizados em nível elementar e 35% têm ao menos a capacidade de selecionar múltiplas informações em textos e compreender tabelas. Nos EUA, 2% das pessoas acreditam que a Terra é plana e 5% têm dúvidas. 


Isso explica por que Trump foi reeleito lá e Lula, cá, por que os bolsomínions acreditam que Bolsonaro seja um ex-presidente de mostruário que Xandão e seus pares de toga, que o condenaram — e a seus asseclas de alto coturno — por tentar dar um golpe de Estado. 

 

No Brasil — e não só aqui, diga-se —, parlamentares que se dizem representantes do povo legislam em causa própria, líderes que se vendem como salvadores flertam com o autoritarismo, e uma democracia que se sustenta sobre urnas eletrônicas auditáveis é atacada por quem não aceita o resultado delas. É como se estivéssemos pilotando um foguete com o painel de controle de um bonde do século XIX — e com passageiros que querem puxar o freio de mão.

 

A tecnologia não é redentora por si só. Ela é uma ferramenta e, como tal, depende de quem a empunha. Um bisturi pode salvar ou tirar uma vida. Um algoritmo pode promover inclusão ou reforçar preconceitos. Um microfone pode informar ou manipular. O verdadeiro salto civilizacional não está apenas em inventar coisas novas, mas em usar as que já temos com ética, inteligência e coragem.

Talvez o maior desafio do nosso tempo não seja inventar o próximo foguete, mas impedir que ele seja sequestrado por quem quer usá-lo para apagar a luz da razão. Porque, no fim das contas, não há avanço tecnológico que compense o retrocesso moral.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

NOVA TEORIA PÕE EM XEQUE O BIG BANG

MEIAS-VERDADES SÃO SEMPRE MENTIRAS INTEIRAS.

A teoria do Big Bang não esclarece o que havia 13,8 bilhões de anos atrás nem o que causou a grande expansão, mas ainda é a melhor explicação sobre como e quando tudo começou. No entanto, uma equipe internacional de cientistas propôs recentemente o conceito de cosmologia de rebote de matéria não singular.

De acordo com esses pesquisadores, o universo "salta" ciclicamente de uma era quente e densa — como a que originou o Big Bang — para um estado muito mais frio —como o universo que observamos hoje. Em outras palavras, nosso cosmos seria uma reciclagem de um universo anterior.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

O fato de Nicolás Maduro ser um tirano sanguinário que herdou a ditadura de Hugo Chávez não muda o fato de que Donald Trump não passa de um autocrata aloprado, ególatra e narcisista. Foi ele quem tentou golpear a democracia americana em 2021, ao apoiar a invasão do Capitólio depois de perder as eleições de 2020 para Joe Biden, e que retornou ao poder em 2025 para, a partir daí, passar a atuar de forma abertamente inconstitucional e autocrática. Seja internamente, com perseguições e prisões ilegais, seja externamente, ao ameaçar aliados e destruir laços históricos, o padrão é o mesmo.

Tarifaços inconsequentes, cortes de verbas de programas educacionais e de saúde pública internacionais, rompimentos de acordos diplomáticos, uso da Lei Magnitsky como instrumento de pressão política e ideológica e, agora, um ataque a um país estrangeiro — sem autorização do Congresso, sem amparo no direito internacional — assumindo inclusive a “administração” desse país e a exploração de seu petróleo, não encontram paralelo na história americana.

No Vietnã foi diferente.
No Iraque foi diferente.
No Afeganistão foi diferente.
No Irã foi diferente.

Em todas essas ocasiões, houve não apenas algum grau de consenso interno e referendo político, como também apoio — ainda que controverso — da comunidade internacional.

É lamentável que o povo americano tenha reconduzido Donald Trump à Casa Branca. Por outro lado, isso não muda o fato de que o tiranete alaranjado, amigo de facínoras mundo afora — como Vladimir Putin e os sheiks árabes de quem é parceiro comercial — não moveu uma palha contra Maduro por boas intenções. A ele só interessa seu joguinho de tabuleiro contra a China e usar o petróleo venezuelano em favor de seus parças no Texas.

De acordo com um artigo publicado no Journal of Cosmology, certas condições no início do universo podem ter levado à formação dos chamados buracos negros primordiais (PBHs, na sigla em inglês). Diferentemente dos buracos negros "comuns", que surgem do colapso de estrelas massivas, os PBHs teriam se formado diretamente a partir da compressão de regiões extremamente densas de matéria primordial, logo após o Big Bang.

O estudo sugere que, durante uma fase em que o universo experimentou uma contração da matéria, ocorreram flutuações na densidade em escalas maiores do que o horizonte cosmológico — ou seja, além do limite do que podemos observar. Essas "perturbações da curvatura" podem ter sido amplificadas durante a transição dessa fase de contração para o estado de expansão conhecido como Big Bang quente (HBB). Em pequenas escalas, a ampliação dessas flutuações teria concentrado tanta matéria em certas regiões que estas colapsaram, formando os PBHs.

Esses buracos negros primordiais podem ajudar a explicar mistérios como a origem da matéria escura, a formação de estruturas cósmicas e até algumas das ondas gravitacionais detectadas nos tempos modernos. Em resumo, o que parecia ser apenas pequenas irregularidades na densidade do cosmos primordial pode ter desempenhado um papel crucial na criação de objetos exóticos e na estrutura do universo tal como o conhecemos.

Se essa hipótese for verdadeira, as ondas gravitacionais geradas durante a formação desses buracos negros poderiam ser detectadas por futuros observatórios especializados, oferecendo uma maneira de confirmar esse cenário como uma via de geração da matéria escura. No entanto, atualmente, não há buracos negros suficientes detectados para explicar esse fenômeno por completo.

Em que pese o "abalo" que essa nova teoria causou no que a comunidade científica sabe — ou imagina saber — sobre o "início de tudo", afirmar que certos colapsos de buracos negros primordiais podem gerar ondas gravitacionais ainda depende de missões futuras. Ou seja, a tese do "rebote" precisa de mais evidências antes de substituir o modelo cosmológico padrão, que continua sendo a melhor explicação disponível para o surgimento do cosmos.

ObservaçãoMatéria escura e energia escura compõem cerca de 95% do universo; ou seja, tudo o que conhecemos, observamos e conseguimos explicar representa meros 5% do cosmos. Enquanto a matéria escura aumenta a atração gravitacional, mantendo as galáxias coesas, a energia escura — uma das maiores incógnitas do universo — atua como uma força "repulsiva", afastando as galáxias e acelerando a expansão cósmica.

No entanto, a exemplo dos tucanos — refiro-me aos peessedebistas, não às aves da família Ramphastidae, conhecidas pelo bico grande, colorido e lateralmente achatado —, que são tão indecisos a ponto de mijar no corredor quando o imóvel tem mais de um banheiro, os cientistas também não são unânimes quanto à existência da energia escura.

Baseado em observações aprimoradas de supernovas, um estudo neozelandês propõe um modelo de expansão cósmica chamado "paisagem temporal", que dispensa a necessidade de postular a existência da energia escura. A explicação central desse novo modelo reside na maneira como medimos o tempo e a distância no universo. Segundo a teoria da relatividade, a gravidade faz com que relógios em diferentes locais funcionem em ritmos distintos. De acordo com esse estudo, um relógio na Via Láctea seria cerca de 35% mais lento do que outro em regiões cósmicas com pouca matéria.

Essa diferença significa que bilhões de anos a mais teriam se passado nos vazios, criando a ilusão de que a expansão do universo está acelerando, quando, na verdade, esse fenômeno seria apenas consequência da forma como o tempo é afetado pela gravidade em diferentes regiões do espaço. Essa proposta oferece uma solução potencial para várias questões sobre a expansão cósmica, incluindo a chamada tensão de Hubble — a discrepância entre a taxa de expansão do universo primitivo e a atual.

Os resultados do DESI — que questionam o modelo cosmológico padrão — parecem estar mais alinhados com essa nova proposta, e a expectativa é que esse mistério seja resolvido até o final da década. Aliás, a própria "não-existência" da matéria escura também foi sugerida recentemente pelo físico teórico Rajendra Gupta, segundo o qual o universo teria, na verdade, 26,7 bilhões de anos — quase o dobro da idade oficialmente aceita atualmente.

A conferir.