terça-feira, 1 de setembro de 2026

O TEMPO PERGUNTOU AO TEMPO QUANTO TEMPO O TEMPO TEM... (3ª PARTE)

O CAOS É UMA ORDEM POR DECIFRAR.

De acordo com as equações relativísticas de Einstein, a massa de um objeto aumenta à medida que ele se aproxima da velocidade da luz — que é representada pela letra "c" e equivale a aproximadamente 1.08 bilhão de km/h. A 90% de "c", a massa é 2,3 vezes maior do que em repouso; a 99%, 7 vezes; e a 99,9%, 22 vezes.


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Lula já tentou de tudo para deslanchar nas pesquisas, mas, por enquanto, tudo não quis nada com ele, que continua numericamente à frente, porém sentindo o bafo do filho do presidiário no cangote. 

O ex-presidiário ainda acredita que a fé na reeleição pode remover montanhas, mas decidiu empurrar enquanto reza. Há um certo desespero em sua pareceria com com os presidentes do Senado e da Câmara. Até outro dia, Alcolumbre e Motta eram chamados nas redes sociais petistas de "inimigos do povo"; na última quarta-feira, almoçaram com o macróbio no Alvorada e, ato contínuo, anunciaram o destravamento da pauta eleitoral do anfitrião no Congresso. 

Será aprovada na semana que vem a MP que extinguiu a taxa das blusinhas. E devem avançar a proposta que cria a escala de trabalho 5 X 2 e a PEC da Segurança Pública.

Noutros tempos, a parceria seria vista como sinal de força; hoje, é apenas um penúltimo esforço para abrir frestas para boas notícias num noticiário monopolizado pelas traficâncias de Lulinha. 

Depois de desembrulhar bondades eleitorais estimadas em cerca de R$ 200 bilhões, Lula recorre até a aliados da onça para lidar com a montanha que o separa do quarto mandato. Alcolumbre e Motta cobrarão o seu preço.


Na velocidade da luz, mesmo a massa ínfima de uma simples partícula se torna infinita e requer energia igualmente infinita para continuar a acelerar. E como não existe energia infinita em nosso Universo, temos uma barreira física codificada nas próprias leis da realidade, certo? Talvez não. Um grupo de cientistas propôs uma versão redesenhada da chamada "bolha de dobra", que poderia, em tese, transportar uma espaçonave por meio da distorção do espaço-tempo. O problema é que a quantidade de energia negativa necessária, os riscos de controle e os prazos estimados em até milhares de anos esbarram num obstáculo elementar: ainda não sabemos como produzir os ingredientes físicos exigidos pelo modelo, especialmente grandes quantidades dessa energia.


Embora nossa tecnologia tenha evoluído mais nos últimos 200 anos do que desde a invenção da roda à Revolução Industrial, e, por mais que avancemos nas próximas décadas — ou séculos —, dificilmente alcançaremos a velocidade da luz e, consequentemente, conseguiremos cruzar a fronteira que nos separa das estrelas. Mesmo que construíssemos uma nave capaz de alcançar 99% de "c", teríamos de lidar com um fenômeno relativístico conhecido como dilatação do tempo, segundo o qual o tempo desacelera para objetos em movimento em relação a observadores estacionários. Por outro lado, cruzar o Atlântico em pouco mais de 3 horas — como fazia o supersônico Concorde em 2003 — era inconcebível em 1500, quando Cabral levou 44 dias para vir de Portugal a Pindorama, e inimaginável no início do século XX, quando os irmãos Wright e Santos Dumont provaram que um artefato mais pesado que o ar era capaz de decolar, voar e pousar por meios próprios.   


Os hipotéticos tripulantes de uma nave viajando a 99% de "c" rumo a uma estrela a 50 anos-luz de distância demorariam 7 anos para chegar lá, mas 50 anos se passariam no mundo estático que eles haviam deixado para trás. E caso retornassem à Terra, seus contemporâneos estariam mortos e a civilização inteira teria evoluído além do reconhecimento. Mas volto a lembrar que as leis da física criam obstáculos para nos impedir de sair do Sistema Solar. É o caso da nuvem de Oort, que se estende de cerca de 2 mil UAs até 100 mil UAs. Como uma UA equivale a 150 milhões de quilômetros, a fronteira gravitacional do nosso sistema solar fica a quase 1,6 anos-luz do Sol. Viajando a cerca de 60 mil km/h, a sonda Voyager I percorreu em 47 anos apenas 0,002 ano-luz — uma fração minúscula da distância que nos separa dos confins do Sistema Solar. Nessa toada, ela deve levar mais 300 anos para alcançar a borda interna da nuvem de Oort e outros 30 mil anos para transpô-la. 


Diante disso, a pergunta que se impõe é: se não conseguimos sequer escapar do nosso próprio sistema solar, que dirá alcançar outras galáxias? E a resposta é "talvez". Afinal, não há nada como o tempo para passar (vide o que escrevi no terceiro parágrafo sobre Cabral, Santos Dumont e os irmãos Wright), e uma nova arquitetura para um motor de dobra — ideia associada há décadas ao sonho de reduzir distâncias entre estrelas — vem sendo desenvolvida. Ela não faz a nave ultrapassar localmente o limite imposto pela física moderna, mas move a região ao redor dela, comprimindo o espaço à frente e expandindo o espaço atrás. 


Esse estudo, assinado pelo engenheiro aeroespacial Harold “Sonny” White e pelos coautores Jerry Vera, Andre Sylvester e Leonard Dudzinski, ligados à Casimir, Inc., descreve “bolhas de dobra cilíndricas com interior plano para nacelas” e foi publicado na revista Classical and Quantum Gravity. A comparação com a ficção científica aparece de forma inevitável, especialmente pela semelhança com as nacelas gêmeas da USS Enterprise, mas o modelo refina a arquitetura da bolha, embora ainda dependa de condições que a ciência atual não consegue reproduzir em escala útil para uma espaçonave.


O ponto nevrálgico continua sendo transformar equações consistentes em algo fisicamente possível. Ainda que as leis da física impeçam que uma mísera partícula contendo massa alcance a velocidade da luz, nos conceitos de propulsão de dobra a nave não é empurrada como um foguete comum, mas carregada por uma bolha que altera a geometria do espaço ao seu redor. A lógica pode ser comparada a uma esteira rolante de aeroporto, na qual as pessoas que sobem chegam antes das demais não porque correm, mas porque a superfície sob seus pés também está em movimento. Na proposta de dobra espacial, essa “esteira” seria o próprio espaço-tempo e a região à frente da nave seria comprimida, enquanto a região atrás dela se expandiria, fazendo com que a bolha avançasse sem que a espaçonave dentro dela ultrapassasse localmente a velocidade da luz. 


Esse tipo de abordagem remonta à proposta de 1994, frequentemente citada como o documento métrico sobre propulsão de dobra. Desde então, o maior desafio tem sido conciliar a elegância matemática com limitações físicas extremamente rígidas, mas um dos pontos que mais chama a atenção no novo artigo é o foco na habitabilidade da bolha. No caso de uma missão tripulada, não bastaria mover uma espaçonave pelo espaço-tempo, seria preciso também garantir que a região interna não submetesse os astronautas a distorções gravitacionais perigosas, como as chamadas forças de maré, que podem criar efeitos muito mais severos do que as marés oceânicas observadas na Terra e tornar inviável a presença humana dentro da nave. 


Além disso, os autores defendem uma condição de “planicidade interior”, na qual a cabine permanece matematicamente plana em termos de espaço-tempo, ainda que a estrutura externa da bolha esteja altamente distorcida. Essa estabilidade é fundamental para navegação, relógios, suporte à vida e funcionamento normal das leis físicas dentro da espaçonave. Mesmo sendo uma proposta teórica, ela mira uma exigência que qualquer sistema real precisaria enfrentar. No entanto, o maior entrave para qualquer motor de dobra é a energia negativa.


Observação: Energia negativa e matéria exótica são coisas diferentes. A primeira é um efeito quântico específico, e a segunda engloba qualquer substância capaz de gerar repulsão gravitacional. A energia negativa pode ser um tipo de matéria exótica, mas nem toda matéria exótica se baseia exclusivamente em energia negativa.


A energia negativa aparece em quantidades mínimas em configurações quânticas muito específicas, e ampliá-la para o tamanho de uma espaçonave está muito além das capacidades atuais. E a crítica não é apenas tecnológica: uma análise de 1997 de Michael J. Pfenning e L. H. Ford aplicou limites quânticos às bolhas de dobra e concluiu que essa energia teria de ser comprimida em uma camada extremamente fina, com exigências totais de energia consideradas fisicamente inalcançáveis.


Também permanece em aberto a questão de saber se o universo fornece massa negativa ou energia negativa em uma forma utilizável. O astrofísico Avi Loeb, da Universidade de Harvard, argumentou que a energia do vácuo associada à expansão cósmica é tão diluída que nem mesmo um cubo com cerca de 19 quilômetros de lado seria suficiente para manter uma lâmpada de 100 watts acesa por um minuto inteiro. Ele também escreveu que nenhuma física conhecida pode dar origem a um objeto com massa negativa, e esse ponto amplia ainda mais a distância entre o conceito de velocidade máxima possível no Universo e uma nave real.


A história da ciência está repleta de ideias que pareciam impossíveis até que novos conhecimentos revelassem caminhos inesperados. A questão é saber se a propulsão de dobra pertence à categoria dos problemas difíceis ou à dos problemas impossíveis. E essa diferença pode levar muito tempo para ser descoberta. Em contrapartida, talvez seja mais fácil viajar no tempo do que para as estrelas. Afinal, a relatividade já permite "viajar para o futuro", embora ainda não tenhamos sido capazes de atravessar nosso próprio quintal cósmico.


Continua…

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 113ª PARTE

ONDE HOUVER UM FÍSICO TEÓRICO HAVERÁ POSSIBILIDADES TEÓRICAS QUE OS FÍSICOS EXPERIMENTAIS PODERÃO OU NÃO COMPROVAR.

Ao longo dos capítulos anteriores, exploramos algumas das hipóteses mais intrigantes já concebidas para explicar as viagens no tempo. Falamos sobre curvas fechadas do tipo tempo, buracos negros, buracos de minhoca, proteção cronológica, autoconsistência de Novikov e até mesmo sobre a possibilidade de o passado ser menos maleável do que imaginamos. Em comum, todas essas ideias tentam responder a uma pergunta aparentemente simples: existe realmente a possibilidade de viajar para outra época sem destruir a lógica do Universo?

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Na segunda-feira 24, Flávio Bolsonaro foi grosseiro com a repórter Ana Luiza Albuquerque, da Folha. Cobrado sobre a prestação de contas dos R$ 61 milhões que mordeu de Daniel Vorcaro, impacientou-se: "Olha só, vocês vão parar no tempo?". Na sexta-feira, indagado sobre o mesmo tema por Renata Vasconcellos, respondeu com respeito e compostura. Ou seja: estava completamente fora de si.

Na véspera, Lula quis ensinar à apresentadora do Jornal Nacional como formular uma pergunta sobre crise fiscal. Caprichando na teatralidade, o filho do capitão solidarizou-se com Renata. E colocou-se à disposição para responder "qualquer tipo de pergunta". Sobreveio uma sabatina sui generis, dura de roer. A plateia teve que ouvir o primogênito do presidiário por 40 minutos para concluir que ele não tem nada a dizer.

Vorcaro é apenas o "patrocinador privado" de uma "obra-prima": a cinebiografia de Bolsonaro. Nada a ver com o sujeito que passou a perna no banco público de Brasília. Ou que surrupiou fundos de aposentadoria de estados e municípios. E Flávio agora acha que não deve nada a ninguém. Muito menos explicações.

Questionado sobre as mentiras que andou dizendo sobre as urnas, Rachadinha deu o braço a torcer. Admitiu ter errado ao trombetear a falsidade segundo a qual urnas eletrônicas foram fabricadas por uma empresa venezuelana. Prometeu respeitar o resultado da eleição. Mas insinuou que seu respeito pode subir no telhado se Lula vencer: "Eu não vou perder. E digo mais: vou ganhar no primeiro turno". Sobre o complô do golpe, percorreu na sabatina o roteiro de sempre. Nesse script, Bolsonaro não fumou a democracia, não bebeu o Estado Democrático de Direito e não cheirou uma anistia em causa própria. Só mentiu um pouco. O filho ecoa a ficção: golpe, que golpe? "Ele foi julgado pelos seus inimigos". E adiciona inverdades novas ao estoque antigo: o brigadeiro Carlos Baptista, que negou apoio ao golpe, hoje "pede voto para o Lula".

A entrevista mostrou que há dois Bolsonarinhos na praça. O Flávio manjado condecorou na cadeia o miliciano Adriano da Nóbrega. Empregou a mãe e a mulher do PM matador na folha da rachadinha da Alerj. O sabatinado da Globo diz ter rendido homenagens a um "policial injustiçado". Não poderia supor que houvesse um facínora escondido dentro da alma do agraciado.

Flávio foi confrontado com um artigo de 2019. Nele, sustentou que o aquecimento global "não existe". Tentou calibrar sua aversão à ciência: "Pra mim, o que acontece hoje são exemplos climáticos extremos". Se os resíduos mentais do bolsonarismo fossem concretos, não haveria esgoto que bastasse. A sabatina de Flávio Bolsonaro foi 100% feita de cinismo.


Como mencionei em algumas postagens e detalhei em outras, a ciência em geral e a tecnologia em especial evoluíram mais nos últimos 200 anos do que desde a invenção da roda até a Revolução Industrial. No entanto, os cientistas ainda não conseguem explicar a natureza do tempo nem afirmar com certeza se ele realmente existe ou se não passa de uma convenção criada por nossos antepassados quando perceberam padrões no amanhecer, no anoitecer, nas fases da Lua e nas mudanças sazonais, entre outros. Aliás, eles tampouco chegaram a um consenso sobre as experiências de quase-morte (EQMs) e o déjà-vu (a estranha sensação de já termos vivido uma situação pela qual nunca passamos), mas isso é outra conversa e fica para outra vez.

Para efeito desta postagem, interessa dizer que viajamos no tempo rumo ao futuro desde o instante em que nascemos até o momento em que exalamos o derradeiro suspiro. Mas viajar no tempo como na ficção científica, seja mediante a construção de uma máquina do tempo, seja mergulhando num buraco negro e atravessando um buraco de minhoca… aí o buraco é mais embaixo. Aliás, esse é outro assunto que suscita calorosos debates no meio científico, ainda que, antes de pensar em viajar no tempo, seja preciso compreender o que o tempo realmente é. E é justamente nesse ponto que a física moderna empaca — não por falta de conhecimento, mas porque as duas teorias mais bem-sucedidas já produzidas até agora parecem descrever realidades diferentes em idiomas diferentes.

Enquanto a relatividade geral teorizada por Albert Einstein descreve com precisão o comportamento dos planetas, das estrelas, das galáxias e dos buracos negros, a mecânica quântica explica o comportamento das partículas elementares, dos átomos e dos fenômenos microscópicos, mas segue suas próprias leis. Graças à relatividade, sabemos que espaço e tempo não são entidades separadas, mas partes de uma mesma estrutura — o espaço-tempo. Sem a mecânica quântica, não existiriam computadores, lasers, semicondutores, enfim, praticamente toda a tecnologia moderna. Separadamente, ambas funcionam de maneira extraordinária; juntas, nem sempre.

Imagine dois mapas extremamente precisos. Um deles foi criado para orientar navios através dos oceanos, enquanto o outro foi projetado para guiar pedestres pelas ruas de uma cidade. Cada qual cumpre perfeitamente sua função; o problema surge quando se tenta sobrepor os dois para representar exatamente o mesmo lugar. Mutatis mutandis, algo semelhante acontece com a física moderna. Por um lado, a relatividade descreve um Universo contínuo, suave e geométrico; por outro, a mecânica quântica descreve um Universo probabilístico, descontínuo e repleto de flutuações. Quando ambas precisam atuar simultaneamente, as equações deixam de cooperar.

Não estamos diante de teorias fracassadas ou ultrapassadas. Estamos falando das duas descrições mais bem-sucedidas da realidade já produzidas pela mente humana. Ainda assim, quando confrontadas diretamente, elas se comportam como peças pertencentes a quebra-cabeças diferentes. Não obstante, talvez nenhuma das duas esteja errada; talvez ambas sejam apenas aproximações de algo mais profundo, e é justamente nos ambientes extremos, onde a gravidade se torna intensa demais para ser ignorada e os efeitos quânticos importantes demais para serem desprezados, que as duas teorias precisam trabalhar juntas. Assim, da inquietação advinda do fato de elas parecerem falar idiomas diferentes nasceu uma das maiores ambições científicas de todos os tempos: a busca por uma Teoria de Tudo.

Continua…

domingo, 30 de agosto de 2026

MANTEIGA NÃO É BOMBRIL, MAS TEM 1001 UTILIDADES

DO PRATO À BOCA PERDE-SE A SOPA.  


O azeite (óleo de oliva) surgiu há cerca de 6.000 anos e era usado pelos egípcios, gregos e romanos muito antes de Adão e Eva serem acomodados no Jardim do Éden. Até o surgimento das prensas mecânicas, usavam-se vigas de madeira ligadas a um contrapeso para extrair o óleo das azeitonas. Para ser considerado "extravirgem", a acidez do azeite deve ser inferior a 0,8%. 


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A autorização para que a Polícia Federal tenha acesso aos dados colhidos pela Polícia Civil de São Paulo sobre a produtora do filme "Dark Horse" provocou tremores de regozijo entre militantes indignados com notícias que transpiram das investigações sobre tráfico de influência envolvendo um filho, uma amiga lobista e o ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio da Silva (PT).

Estaria aí pavimentado o terreno para uma paridade de vazamentos com potencial mútuo de constrangimentos. No caso do filme, a suposição é a de que, a partir da PF, comecem a ser conhecidas as informações que Flávio Bolsonaro (PL) prometeu, mas não forneceu, sobre as andanças dos milhões de Daniel Vorcaro de um fundo no Texas (EUA) até o caixa da Go Up Entertainment —e dali sabe-se lá para onde.

A dona da produtora, Karina Ferreira da Gama, aparece como destinatária, por intermédio de duas agremiações, de recursos em emendas parlamentares de autoria de cinco deputados federais do campo da direita. Da investigação compartilhada com a PF consta a suspeita de fraude em licitação da Prefeitura de São Paulo, no valor de R$ 108 milhões, vencida pelo Instituto Conhecer Brasil, também de Karina.

Material para o embate, portanto, não falta. A questão em aberto é a motivação para a guerra entre duas campanhas à Presidência da República. O problema não são os vazamentos, mas o fato de um lado servir de vidraça e o outro ficar livre para atirar as pedras.

Quando ficam os dois na berlinda, há respiros de alívio pelo equilíbrio restabelecido, como se não houvesse mal algum estarem na corda bamba esticada sobre um pântano, arriscados a enfiarem suas almas na lama.

Os candidatos fogem de cobranças e fazem de conta que não é com eles. Lula dá entrevistas mandando o filho se explicar —que, no entanto, não se explica, só reclama por intermédio da defesa. Flávio Bolsonaro diz que não lhe cabe prestar contas de uma "página virada". É como estamos: sem a menor noção de onde iremos parar.


Itália, Espanha, França e Grécia são responsáveis por 90% da produção mundial de azeite, ao passo que o Brasil é o terceiro maior importador (atrás apenas dos EUA e da Grécia), embora produza azeites premium de excelente qualidade (que são caros e difíceis de encontrar nas gôndolas dos supermercados).


Observação: Para os criacionistas, Deus criou o mundo em 3761 a.C. Para o arcebispo irlandês James Ussher, o Senhor das Esferas deu início aos trabalhos pontualmente às 9h de 23 de outubro de 4004 a.C. Segundo a ciência e o modelo cosmológico baseado no Big Bang, o Universo tem 13,8 bilhões de anos, a Terra, 4,54 bilhões de anos, e o Homo Sapiens surgiu há cerca de 300 mil anos, a partir da evolução de outros primatas.

 

A manteiga, por sua vez, surgiu por volta de 4.000 a.C., na esteira do desenvolvimento da pecuária leiteira na Europa Central e Atlântica, quando alguém descobriu que bater a nata que se formava na superfície do leite resultava numa pasta cremosa que, em algumas culturas, chegou a ser vista como símbolo de status social e riqueza. 


O processo manual seguiu até meados do século XIX, a partir de quando o advento das centrífugas que separam o creme do leite ensejou a industrialização. Já a textura, o sabor e o teor de gordura do produto variam conforme o país de origem — as europeias, com destaque para as francesas, têm sabor mais acentuado e textura mais leve do que as produzidas no Brasil e nos EUA. 


O azeite é mais usado para regar saladas verdes e massas, no preparo de refogados e em frituras em fogo baixo, enquanto a manteiga, além de ser consumida in natura, é utilizada no preparo de bolos, biscoitos, recheios e assemelhados, bem como para untar, fritar e dar sabor aos pratos.


Só de pensar em um pão quentinho com manteiga à beça — como escreveu o saudoso Noel Rosa em Conversa de Botequim — a gente fica com água na boca, mas, como diz o título desta postagem, "manteiga não é Bombril, mas tem 1001 utilidades". Afora a aplicação revelada no filme Último Tango em Paris, de cujos detalhes sórdidos eu vou poupar o leitor, não faltam usos para aquele restinho de manteiga que sobrou na geladeira. Entre outros:


— Passe um pouco de manteiga nas dobradiças daquela porta guinchadora e dê adeus à trilha sonora de filme de terror.


— Esfregue uma quantia generosa de manteiga sobre manchas de tinta em objetos de plástico e deixe agir por 20 a 40 minutos antes de lavar. 


— Quem usa correntes ou cordões, sobretudo os mais finos, sabe que quanto mais se tenta desatar os nós, maior o risco de danificar as joias. Mas basta besuntar esses nós com manteiga e usar um garfo para desfazê-los facilmente.


— Marcas de água em móveis de madeira — como as que surgem quando alguém coloca um copo com bebida gelada sobre a mesinha de centro, por exemplo — podem ser removidas facilmente se esfregarmos um pouco de manteiga, deixarmos agir por uma noite e limparmos logo pela manhã.  


— Sabe quando você corta um bolo de chocolate e a faca sai toda suja com o recheio? Da próxima vez, passe um pouco de manteiga na faca e ela deslizará suavemente.


— Para prevenir que o queijo fresco e outros alimentos embolorem, sobretudo no verão, passe manteiga nas áreas expostas (onde você o cortou), e a gordura criará uma espécie de selagem, evitando que o alimento estrague. 


— Se usar metade de uma cebola, passe um pouco de manteiga na outra metade restante e cubra com filme plástico ou papel-alumínio.


— Passe um pouco de manteiga em pílulas ou cápsulas de remédio antes de ingerir e tome-as com um gole d'água. Dessa forma, elas passarão mais suavemente pela garganta, evitando desconfortos e engasgos.


— Para manter a saúde das unhas, passe um pouco de manteiga nas cutículas antes de dormir e calce um par de luvas de algodão. As proteínas e gorduras da manteiga atuam como um hidratante natural, que você pode inclusive usar para não ficar com as mãos ressecadas em períodos mais frios — basta passar um pouco de manteiga nas mãos e esfregar bem, como você faria com um creme comum.  


— Por último, mas não menos importante: se você tem cabelos secos e não se dá bem com os condicionadores convencionais, hidratar os fios com manteiga os deixará macios e brilhantes.


Use com moderação, ou vai faltar manteiga para o pãozinho...

sábado, 29 de agosto de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 112ª PARTE

HOJE É O AMANHÃ DE ONTEM E O ONTEM DE AMANHÃ.

Como vimos, viajar no tempo rumo ao futuro pode ser apenas uma questão de... tempo. No entanto, ainda que seja matematicamente plausível e encontre guarida na física quântica, viajar no tempo de volta ao passado esbarra nas leis da natureza e da física clássica. Mesmo assim, não faltam teorias que buscam resolvem o problema dos paradoxos e outras "questiúnculas" que nos impedem de colher "o fruto mais ambicionado da árvore da relatividade".


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A agenda de Lula previa apenas um compromisso na quinta-feira. Passou o dia se preparando para a sabatina na TV Globo, mas não obteve o sucesso que esperava. 

Renata Vasconcellos e César Tralli não estavam devidamente ensaiados. O constrangimento do petista estava mais nas perguntas que foi obrigado a ouvir do que nas respostas que conseguiu dar. De 40 minutos, cerca de 25 foram dedicados à corrupção.

Na defensiva, o molusco chamou Roberta Luchsinger de "pilantra". Jurou nunca ter visto a lobista do Careca do INSS. Era lorota. Pipocaram nas redes fotos da amiga do filho Lulinha e do ex-chefe de gabinete Marcola fazendo o "L" ao lado de um Lula sorridente. Quem tiver culpa terá que pagar, repetiu. Pediu votos para Jaques Wagner porque não abandona os amigos e não há sentença no caso Master contra seu ex-líder no Senado. Acusou a PF de vazar dados sigilosos e a imprensa de divulgar "ilações". Atrasou o relógio para relembrar a Lava Jato: "Fui acusado de ter apartamento que eu não tinha, chácara que eu não tinha". Faltou imparcialidade a Sérgio Moro. A força-tarefa de Curitiba barbarizou. O Supremo anulou sentenças. Mas nada disso apaga o petrolão.

Na sucessão passada, o próprio Lula admitiu, na mesma TV Globo: "Você não pode dizer que não houve corrupção se as pessoas confessaram". Em meio às confissões estavam as obras que a OAS e a Odebrecht fizeram graciosamente no sítio de Atibaia e no tríplex do Guarujá. Decorridos quatro anos, Lula voltou à emissora com tudo bem ensaiado, exceto as perguntas dos sabatinadores.

O eleitor que já decidiu votar em Lula não deve ter mudado de ideia. Mas a entrevista dificilmente terá acrescentado muitos votos ao candidato entre o cobiçado eleitorado independente. Resta ao macróbio um consolo: na sabatina de Flávio Bolsonaro. Renata Vasconcellos e César Tralli terão que dedicar pelo menos 25 minutos à corrupção. 

Material não falta.


Experimentos recentes com tunelamento quântico sugerem que fótons podem atravessar uma barreira em tempo aparentemente nulo ou negativo — como um automóvel que sai do túnel antes de ter entrado —, e que esse não é o único exemplo desconcertante de estranheza temporal em escalas muito pequenas. Uma das muitas esquisitices da mecânica quântica é a "superposição" — possibilidade de uma mesma partícula estar em dois lugares simultaneamente —, o "entrelaçamento quântico" — que Einstein batizou de "ação fantasmagórica à distância" — e a "causalidade" — capacidade das partículas de mudar o passado a partir do futuro. 


Diferentemente dos carros em um túnel, os fótons não têm posição ou trajetória fixa no espaço. Dada a impossibilidade de etiquetá-los e rastreá-los, os pesquisadores mediram o tempo gasto na travessia analisando a excitação dos átomos dentro da barreira à medida que as partículas de luz passam por eles ou os atingem, e o resultado apontou a existência do assim chamado "tempo negativo".


Os cientistas entendem matematicamente por que isso acontece, mas não sabem qual o significado, já que não há uma correspondência clara com o mundo físico que vivenciamos. Assim, eles concluem simplesmente que a mecânica quântica "é diferente". E se isso parece estranho, a "retrocausalidade" é ainda mais surpreendente.


Observação: A retrocausalidade — do latim retro, no sentido de 'para trás', e causalidade, a 'relação entre causa e efeito' — é exatamente o que o nome sugere: a possibilidade de que um evento futuro influencie um evento passado. No mundo clássico, isso soa como heresia, já que a causa precede o efeito, o passado determina o futuro e a seta do tempo aponta numa única direção. Quebrar essa regra seria o equivalente a afirmar que os estilhaços de um vaso que caiu no chão podem se reunir espontaneamente — coisa que nossa intuição rejeita enfaticamente. Mas a física quântica não pede licença às nossas intuições. No experimento de dupla fenda, um fóton exibe comportamento de onda quando não é observado (produzindo um padrão de interferência) e comportamento de partícula quando é observado (produzindo dois pontos distintos). No experimento de Wheeler, o momento da observação é deliberadamente adiado — e ainda assim o fóton parece "saber", retroativamente, se seria ou não observado, ajustando seu comportamento no passado de acordo com uma decisão ainda não tomada no presente. Os adeptos da interpretação de Copenhagen preferem dizer simplesmente que a pergunta "qual caminho o fóton tomou" não tem resposta antes da medição — e que portanto não há propriamente um passado sendo alterado, mas sim um passado que só se define no momento da observação. Outros, porém, argumentam que a retrocausalidade oferece uma explicação mais elegante para certos fenômenos quânticos do que a noção de que partículas simplesmente "não têm propriedades" antes de serem medidas. O debate está longe de ser resolvido, mas o simples fato de ele existir nos lembra de que o tempo, nessa escala infinitesimal, pode não ser via de mão-única que a experiência cotidiana nos ensinou a encarar como óbvia.


Embora não tenha a evidência observacional dos experimentos de túnel quântico, a retrocausalidade ajuda a compreender a chamada "ação fantasmagórica à distância", que acontece quando duas partículas estão "entrelaçadas" em lados opostos do Universo, mas quando os cientistas medem o giro ou a polarização de uma delas a parceira entrelaçada responde instantaneamente da mesma maneira. O que torna isso ainda mais assustador é que essas partículas não apresentam tais propriedades até serem medidas, ou seja, elas existem em vários estados simultaneamente até o momento em que algum tipo de sinal instantâneo vai de uma para a outra dizendo qual medição foi realizada, o que é muito estranho.


Nesse cenário, as informações não passam instantaneamente entre as partículas pelo espaço, mas pelo tempo — ou seja, uma partícula medida passa informações para o momento em que foi entrelaçada com seu par e depois para o momento em que ocorre a medição. Esse conceito contraintuitivo substitui uma impossibilidade por outra — uma cura que parece ser pior que a doença —, além de abrir a porta para os paradoxos temporais, nos quais influenciar o passado altera o presente. Mas essa não é a primeira vez que a mecânica quântica desafia o senso comum.


Segundo os defensores da retrocausalidade, ela só parece improvável porque nós — na escala macroscópica — vivenciamos o tempo em uma direção, ao passo que, em escalas muito pequenas, as leis da física são simétricas em relação ao tempo (com algumas exceções). E quanto ao aparente problema da viagem no tempo, isso só se aplica se a partícula foi medida no passado, eles dizem. Enquanto isso não acontece, ela permanece em seu estado quântico indeterminado.


A comprovação dessas teorias implica que o Universo funciona de forma diferente da que imaginamos, num cenário em que duas ou mais linhas do tempo coexistem lado a lado. Mas achar que há uma evolução para frente e uma evolução para trás do Universo — com duas setas causais separadas e independentes — é um tipo de imagem 'dinâmica' da retrocausalidade em que se têm processos literais de avanço e retrocesso acontecendo em alguma combinação. Talvez não seja uma maneira muito elegante de pensar sobre a retrocausalidade, já que se pode deparar facilmente com inconsistências, contradições e paradoxos.


A retrocausalidade é mais plausível se vivermos no que é conhecido como "universo em bloco" — um modelo hipotético e filosoficamente controverso de existência, no qual todos os momentos no tempo (passado, presente e futuro) coexistem em um objeto quadridimensional. Se esse bloco está preenchido com todos os eventos que já aconteceram ou vão acontecer, então é mais fácil ver como alguma influência hipotética poderia passar entre as partículas dentro dele. E para explicar as ações fantasmagóricas à distância das partículas entrelaçadas, as informações não precisam viajar para o passado em alguma linha de tempo retrocausal alternativa, mesmo porque não há fluxo temporal. O tempo é apenas outra dimensão dentro do bloco, e não uma coisa material que se move.


Sendo esse o caso, chegamos ao que pode ser a implicação mais preocupante sobre a mecânica quântica e seu estranho comportamento temporal. Na interpretação mais fatalista do universo em bloco, somos apenas personagens de uma série de TV cósmica. Podemos experimentar a vida episodicamente, mas nosso futuro é tão determinado quanto nosso passado. Então, se estivermos no meio de nossa história, o próprio final — o momento em que a luz se apaga — pode já ter sido escrito.


Continua...

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

O TEMPO PERGUNTOU AO TEMPO QUANTO TEMPO O TEMPO TEM… (CONTINUAÇÃO)

QUANDO O RELÓGIO BATE 13 VEZES…

Devido à imensidão do cosmos, os cientistas medem as distâncias em unidades astronômicas (UA) e anos-luz. Uma UA equivale à distância média entre a Terra e o Sol — que varia de 149,5 milhões de km no ponto mais próximo da estrela a 152,1 milhões no ponto mais distante — e um ano-luz corresponde à distância que os fótons percorrem no vácuo em um ano — que é de aproximadamente 9,5 trilhões de km.


Para ter uma ideia do que isso significa, se pudéssemos dirigir um carro a 100 km/h sem parar, demoraríamos mais de 10 milhões de anos para percorrer um único ano-luz. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Flávio Rachadinha pede dinheiro a Daniel Vorcaro, nega tudo ao ser descoberto, confirma o que negara após a explosão do áudio, promete prestar contas em 30 dias e se desobriga de prestar esclarecimentos quando os repórteres o questionam 90 dias depois: "Vocês vão parar no tempo?" Enquanto o filho do presidiário despistava — "É o Lula que tem que prestar contas" — o ministro do Supremo Flávio Dino abria à Polícia Federal as pistas recolhidas pela Polícia Civil paulista na produtora do filme Dark Horse.

O filho do refugo da escória da humanidade diz que Karina Gama, que produziu a cinebiografia do aspirante a golpista, já prestou contas — referindo-se a uma perícia anexada ao inquérito que corre em São Paulo. Contratados pela própria produtora, os peritos sustentam que o filme custou R$ 75 milhões — mais do que os R$ 61 milhões mordidos de Vorcaro. O diabo é que não foram exibidos recibos nem notas fiscais.

A apenas 40 dias do primeiro turno, candidato que mata o tempo comete suicídio. O filho do pai demora a perceber, mas político que se enrola nos detalhes normalmente se perde no essencial: perto da urna, todo fato consumado vira fato consumido. 

A demora no fornecimento de explicações empurra o Dark Horse para bem pertinho das urnas.


Segundo Einstein e o modelo cosmológico baseado na Teoria do Big Bang, a velocidade da luz (expressa pela letra "c") é limite máximo universal — ou seja, ela não pode ser alcançada por nenhum objeto que contenha massa, pois acelerar uma ínfima partícula de massa até a velocidade da luz exigiria uma quantidade infinita de energia. 


A 99,999% da velocidade da luz, um corpo aumenta de peso 224 vezes; a 99,99999999%, o aumento é de 70 mil vezes. A 99,999999999999999999981% de "c", um segundo equivale a 2,5 anos no tempo terrestre — ilustrando o efeito extremo da dilatação do tempo, como ilustra o paradoxo dos gêmeos. Em um cenário mais moderado, a 99,9999999% de "c", uma viagem de ida até Proxima Centauri, que fica a 4,2465 anos-luz de nós, levaria 4 anos terrestres, mas não duraria mais de duas horas no referencial dos astronautas.


A luz se propaga pelo cosmos a 299.792 km/s — ou 1,08 bilhão de km/h — e leva cerca de 8 minutos para vir do Sol à Terra. Já a luz de Proxima Centauri, que é nossa vizinha cósmica mais próxima, leva mais de 4 anos para chegar até nós. Por outro lado, a sonda mais veloz lançada pela NASA até agora alcançou respeitáveis 692 mil km/h (0,0643% da velocidade da luz). Com essa velocidade pode-se ir à Lua em meia hora, a Marte em 15 dias e aos confins do Sistema Solar em pouco menos de 3 anos, mas uma viagem à Proxima Centauri levaria cerca de 6,6 mil anos.


Uma vez que a dilatação do tempo só é expressiva em velocidades próximas à da luz e a expectativa média de vida dos seres humanos é de 80 anos, missões tripuladas continuam restritas à nossa vizinhança imediata. Mas não há nada como o tempo para passar, e o impossível só é impossível enquanto alguém não duvidar e provar o contrário. Basta lembrar que a esquadra de Cabral demorou 44 dias para vir de Lisboa até a costa sul do que viria ser o Estado da Bahia e que, 500 anos depois, o supersônico Concorde atravessava o Atlântico em pouco mais de três horas. 


A história da tecnologia mostra que aquilo que uma geração considera impossível não raro se torna banal para as gerações seguintes. Em 1865, Júlio Verne descreveu uma viagem tripulada à Lua (errando por apenas 20 milhas o local exato do lançamento do Saturno V, que levou a Apollo 11 ao nosso satélite em 20 de julho de 1969). Com a tecnologia atual, as naves mais rápidas são capazes de ir à Lua em cerca de três dias e a Marte entre seis e nove meses, mas uma viagem até Proxima Centauri demoraria 70 mil anos com a sonda Voyager 1 — que já rompeu a barreira do Sistema Solar — e cerca de 6,6 mil anos com a Parker Solar Probe. Nesse entretempo, civilizações inteiras nasceriam, floresceriam e desapareceriam. 


Pode-se dizer que a velocidade da luz é uma prisão perpétua escrita nas leis fundamentais do universo. Os fótons se movem com a velocidade da luz porque são partículas de luz. Já a energia necessária para acelerar um objeto massivo se torna infinita à medida que sua velocidade se aproxima da velocidade da luz, e como não existe energia infinita disponível no universo observável, é impossível alcançar exatamente esse limite.


Os neutrinos são "partículas-fantasmas" teorizadas nos anos 1930 pelo físico austríaco Wolfgang Pauli e, logo após e com mais precisão, pelo italiano Enrico Fermi, que podem se deslocar a velocidades muito próximas de "c". Como eles raramente interagem com a matéria, sua detecção é baseada no choque de uma quantidade ínfima com os átomos, que pode ser registrado por detectores ultrassensíveis. Estima-se que existam 10 bilhões de neutrinos para cada elétron existente no universo, mas, assim como os elétrons e outras partículas elementares, eles são tratados pelos modelos atuais como entidades puntiformes, sem tamanho interno detectável.


Os táquions, por sua vez, seriam partículas superluminais — ou seja, que já nascem além da barreira da velocidade da luz e não podem desacelerar até "c". Sua existência segue no campo das teorias, mas a relatividade especial não exclui completamente sua possibilidade matemática, embora nenhuma evidência experimental de sua existência tenha sido encontrada.


Talvez a verdadeira beleza da ciência não esteja nas respostas, mas nas novas perguntas que essas respostas suscitam. Os físicos ainda não conseguiram conciliar a física clássica e a mecânica quântica, mas a metáfora proposta pela física teórica Sabine Hossenfelder reformula a visão tradicional da velocidade da luz como limite absoluto e a coloca entre dois regimes distintos de movimento: num deles, as partículas superluminais habitam um domínio próprio da física, e no outro, elas habitam o nosso. 


A simetria entre esses regimes indica que a relatividade especial não proíbe explicitamente a existência de objetos superluminais, embora uma eventual transição entre os dois domínios viole o princípio da causalidade. Já o conceito do cone de luz atua como um "organizador da causalidade": enquanto os objetos subluminais estariam restritos a interações dentro do futuro e do passado causalmente conectados, os superluminais ficariam numa região "desconectada" do espaço-tempo convencional, resultando em interações exóticas ou paradoxos temporais, dependendo da interpretação.


Continua…