domingo, 14 de junho de 2026

O FRIO CHEGOU — DÁ-LHE CAIPIRINHA!

UM ALCOÓLATRA É ALGUÉM DE QUEM VOCÊ NÃO GOSTA E QUE BEBE TANTO QUANTO VOCÊ.


Cerveja e caipirinha são unanimidades nacionais, embora, de uns tempos a esta parte, os brasileiros venham consumindo cada vez mais vinho ― aliás, há excelentes vinhos nacionais, ainda que a preços não raro superiores ao dos importados, mas isso é outra história.


Segundo a Organização Mundial da Saúde, a parcela da população brasileira que é chegada num “birinaite” (cerca de 60%) consome, em média, o equivalente a 15 litros de álcool por ano. No que tange à caipirinha, muitos acham que basta esmagar limão com açúcar, adicionar gelo e cachaça, mexer, e pronto. Mas tudo nesta vida tem sua ciência, e esse drinque não é exceção.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


A exemplo do que fez no passado — e foi imitado por um poste chamado Dilma — Lula quer porque quer um quarto mandato. E está quebrando o país para se reeleger.

Não se trata de incapacidade (embora a capacidade do molusco eneadáctilo seja discutível), mas de método, de projeto deliberado do PT para se manter no poder. Um editorial recente do Estadão lembrou que "petista usa truques contábeis para esconder o aumento cavalar de despesas" — numa alusão às malfadadas pedaladas fiscais da mulher sapiens", — "mas a conta da dívida pública explosiva sempre chega”. Ainda segundo o jornal, somente neste ano foram nada menos do que 33 medidas diferentes, somando a incrível marca de R$ 215 bilhões em aumento de despesas ou redução de receitas”. Mas o problema não está nos gastos em si, e sim no timing e nos truques para ocultá-los, fazendo parecer que o arcabouço fiscal continua em pé e saudável. 

Os petistas não erram tentando acertar. Eles apostam na desgraça econômica justamente porque ela produz dependência estatal. É por isso que o lulismo — uma máquina de criar dependência resgatando o velho voto de cabresto — sempre promove esse populismo explosivo. Como consequência disso tudo, temos o empobrecimento permanente de boa parcela da população, que vota na esquerda populista perpetuando um círculo vicioso. Enquanto isso, aqueles com poupança acumulada se beneficiam dos altos retornos oferecidos por um governo perdulário e irresponsável.

O rentismo prospera no Brasil justamente porque o populismo é a regra nas finanças públicas. Com cerca de 17 anos de petismo desde 2003, não poderia ser diferente. A esquerda fode os mais pobres, endivida o Estado de forma insustentável, e depois reclama dos investidores que exigem elevados retornos para financiar o Estado falido. Como resultado inexorável do esquerdismo, os ricos ficam mais ricos e os pobres mais pobres.


Comecemos pela origem, que remonta ao ano de 1918, época em que a gripe espanhola campeava solta. Dizem os estudiosos e curiosos que alguém resolveu unir o útil ao agradável e criou uma receita de xarope que levava limão, alho, mel e um pouco de cachaça ― antigamente, era comum usar álcool para acelerar o efeito dos medicamentos. Daí para “outro alguém” eliminar o alho e substituir o mel por açúcar (para reduzir a acidez do limão) foi um pulo.


Hoje em dia, muita gente substitui o limão por abacaxi, caju, kiwi, maracujá, morango e outras frutas, além de trocar a tradicional cachaça por destilados “mais nobres”, como gim, rum, saquê, tequila, uísque, vodca e afins..


Observação: Convém ter em mente que pinga, cachaça e aguardente são termos largamente utilizados como sinônimos, mas aguardente é o nome que se dá a qualquer bebida obtida a partir da fermentação de vegetais doces, e cachaça, a aguardente de cana-de-açúcar. Já o termo pinga é usado vulgarmente como sinônimo de cachaça, e sua origem remonta ao tempo dos engenhos, época em que os escravos eram encarregados da destilação da aguardente e o vapor que se condensava no teto pingava sobre eles… Seja como for, toda cachaça é aguardente, mas nem toda aguardente é cachaça.


No que diz respeito à receita perfeita de caipirinha, bem, fazendo uma analogia com o futebol (outra preferência nacional), é como escalar a seleção ― ou seja, cada um tem suas preferências. Mas o que importa, mesmo, é seguir algumas regrinhas básicas:


― Embora o limão galego e o siciliano apresentem excelentes resultados, a receita tradicional leva mesmo o tahiti. Mais importante que o tipo de limão é escolher frutos de casca lisa e fina, que costumam ser mais sumarentos, e evitar os muito moles, que provavelmente estão “passados”.


― Descascar ou não o limão vai do gosto de cada um, mesmo porque o amargor não provém da casca, mas da columela (o “miolo branco da fruta"). O importante é cortar o limão ao meio, mas não de forma transversal, como fazemos quando cortamos laranjas para espremer, e sim longitudinal (ao comprido). Depois, devemos cortar as metades pela metade, de modo a facilitar a remoção da parte branca — ou cortar o limão em rodelas e remover o miolo de cada uma delas, que também fica bom.


― Segundo os especialistas, deve-se macerar a fruta no próprio copo (evitando, portanto, o uso de coqueteleiras), colocar as bandas da fruta com a polpa virada para cima e evitar macerar demais a casca, que pode resultar num indesejável gosto amargo, cobrir com açúcar e socar com um pilão apenas o suficiente para liberar o sumo, pois socar demais também resulta em amargor, mesmo que se tenha tomado as precauções anteriores. Além disso, é recomendável usar copos baixos e de boca larga, como os do tipo “Ilhabela”.


― Se você está de dieta e não resistir a uma boa caipirinha, substituir o açúcar por adoçante não fará grande diferença, pois as calorias provêm do álcool — como se sabe, bebidas destiladas são extremamente calóricas; uma dose de cachaça chega facilmente a 150 kcal.


― Caipirinha morna, ninguém merece, mas convém usar gelo de água mineral ou filtrada e colocar os cubos no copo depois de macerar o limão com o açúcar (vale também adicionar um pouco de gelo picado, mas só se a ideia for “enfraquecer” um pouco a bebida), e só então acrescentar a cachaça ou o destilado de sua preferência.


― Se for servir várias pessoas (como num churrasco com amigos, por exemplo), o preparo individual se torna por demais trabalhoso. Nesse caso, você pode adiantar o expediente preparando a bebida numa coqueteleira, transferi-la para para uma jarra e completar com gelo, lembrando que o resultado nunca fica igual.


― A escolha da cachaça também vai da preferência de cada um, mas o mais importante é usar um produto de boa qualidade ― ou seja, fugir daquelas cachaças “mata-pinguço”, que cheiram como o etanol que usamos para abastecer o carro. Ao contrário do que muita gente pensa, pode-se perfeitamente usar cachaça de alambique, dita “artesanal”. O problema é o “custo benefício”, já que uma aguardente dessa categoria pode custar tanto ou até mais que um bom uísque.


Receitas mais sofisticadas podem agradar muita gente, mas tenha em mente que determinadas combinações produzem melhores resultados. Experimente misturar hortelã com frutas cítricas ou ácidas e pimenta com as mais doces, mas tome cuidado para não abusar de ervas muito aromáticas, como manjericão e alecrim, que podem deixar o sabor do drinque “intenso” demais.


Destilados como cachaça, vodca e saquê têm características distintas, e combinam melhor com determinadas frutas. A pinga vai muito bem com limão, lima-da-pérsia e jabuticaba, por exemplo, enquanto o saquê deve ser reservado para frutas mais delicadas e menos ácidas, como kiwi, uva verde e morango. Já a vodca é versátil e combina com quase tudo, exceto frutas cremosas, como mamão ou banana… mas quem vai fazer caipirinha de mamão ou banana?


Para concluir, confira as receitas abaixo:


Macere a polpa de 1/2 maracujá azedo com dois talos de capim-limão e açúcar, complete com gelo e rum branco e decore com folhas de capim-limão.


Macere de 8 a 12 jabuticabas com casca e caroço (deixando algumas inteiras), complete com gelo e cachaça e mergulhe um picolé de limão no copo.


Congele 6 bagos de uva Itália (verde) e oito de uva niágara (roxa). Feito isso, macere 4 colheres (sopa) de graviola fresca (com as sementes) com uma de açúcar, junte as uvas congeladas e complete com gelo e cachaça.


Macere uma carambola fatiada e pedaços de abacaxi com açúcar, acrescente um cravo da índia inteiro e folhas de manjericão (sem amassar). Complete com gelo e vodca.


Consuma com moderação (se conseguir).

sábado, 13 de junho de 2026

CUIDADO COM AS FRAUDES

QUANDO A ESMOLA É DEMAIS O SANTO DESCONFIA. 

A “paternidade” do correio eletrônico costuma ser atribuída a Ray Tomlinson, que criou para si o primeiro endereço de email (tomlinson@bbn-tenexa) e passou a enviar mensagens aos colegas da universidade, ensinando-os a utilizar o novo recurso. 

Até surgimento dos aplicativos de mensagens e das redes sociais, o email era o serviço mais popular da Internet. Atualmente, mesmo sem o protagonismo de outrora, ele continua sendo utilizado no ambiente corporativo, sem falar que precisamos de um endereço eletrônico para fazer logon em sistemas, websites e aplicativos, preencher cadastros e formulários, realizar compras online e assim por diante.

Apesar de as plataformas de mídia social terem se tornado mais eficientes quando o assunto é nos bombardear com anúncios patrocinados, mensagens de spam e scam continuam chegando às nossas caixas postais. E por se disseminarem a uma velocidade sem precedentes, esses conteúdos acabam criando o ambiente perfeito para golpistas lançarem campanhas fraudulentas a um custo irrisório.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

O Brasil tem muitos problemas, e a cada nova eleição ressurge um problema que os brasileiros não sabiam que tinham antes que as campanhas o criassem: a religião.

Quatro dias depois da apropriação da Marcha de Jesus pelo filho do refugo da escória da humanidade, o PT borrifou na conjuntura eleitoral uma carta aos evangélicos — como Lula havia feito em 2022. Ao mesmo tempo que puxa a brasa cristã para a sardinha de Lula, a epístola petista sustenta que a mensagem de Jesus orna com a pauta progressista.

O número de vertentes religiosas é espantoso, e o mais espantoso é que todas alegam ter linha direta com o Todo-Poderoso, embora tenham sido erguidas sobre sangue e ossos dos que se recusaram a aceitar a ideia de Deus que elas pregam.

Toda sociedade tem uma religião, toda religião tem um propósito social e toda cerimônia religiosa tem um ritual. Cada religião é a verdade sagrada para quem a professa, mas não passa de fantasia para os seguidores das demais. E não há crença, por mais estúpida que seja, que não tenha fiéis seguidores dispostos a pegar em lanças para defendê-la.

A crença num Deus cabo eleitoral é perversão de valores cristãos. Não sei se Deus existe, mas sei que o Deus partidário não existe, embora os políticos o recriem a partir de sua própria imagem e semelhança e lhe roguem não que seja feita a Sua Vontade, mas que Ele mande para o inferno as vontades do candidato adversário.

À esquerda ou à direita, a conversão da fé em plataforma eleitoral é um dos fenômenos mais nocivos da política contemporânea.

De acordo com dados da Federal Trade Commission, cerca de 70% das pessoas contatadas por meio de golpes em mídias sociais registram perdas que somam bilhões de reais. Parte do problema está no fato de que distinguir anúncios legítimos de falsificações se torna mais difícil a cada dia. Ofertas mirabolantes — como produtos de grife vendidos a preços incrivelmente baixos — são, no mínimo, suspeitas, mas continuam ludibriando um número significativo de consumidores. Portanto, se a oferta parece boa demais para ser verdade, o ideal é verificar diretamente no site oficial da marca antes de informar os dados do cartão de crédito.

Sempre que clicar em um anúncio, verifique se o endereço exibido na barra do navegador começa com “https”. A ausência do “s” indica que o site não utiliza uma conexão segura e criptografada. Na dúvida, faça uma busca no Google e encontre você mesmo o site verdadeiro. As plataformas de mídia social estão repletas de promoções com brindes ou descontos superiores a 50%, mas a experiência ensina que, quando a esmola é demais, até o santo desconfia.

Expressões como “estoque limitado” ou “oferta exclusiva por tempo determinado” são projetadas para pressionar potenciais vítimas a agir sem refletir. Um forte indício de fraude é a rapidez com que os golpistas solicitam dados de pagamento. Se lhe pedirem informações financeiras antes de fornecer detalhes concretos sobre um produto ou serviço, convém pôr as barbas de molho.

Mesmo quando a oferta parecer legítima, evite utilizar cartão de débito ou efetuar pagamentos via Pix. Prefira gerar um cartão virtual, com numeração, validade e código de segurança limitados a uma única transação, a um número específico de compras ou a um prazo determinado. A emissão é feita pelo próprio usuário por meio do aplicativo do banco ou da administradora, e as despesas são lançadas normalmente na fatura do cartão físico.

Golpistas também criam perfis falsos que imitam empresas reais, reproduzindo logotipos, descrições e identidade visual. Muitos chegam a comprar seguidores falsos para parecer convincentes à primeira vista. Um dos principais indícios está no nome de usuário: letras extras, grafias incomuns ou sublinhados estranhos costumam surgir porque o nome verdadeiro já pertence à marca legítima. Outro fator importante é a taxa de interação. Contas falsas frequentemente exibem milhares de seguidores, mas quase nenhuma curtida ou comentário autêntico em suas publicações.

Se você encontrar um anúncio ou perfil de vendas com os comentários desativados, ligue o desconfiômetro. Em condições normais, as marcas desejam incentivar perguntas e feedback público, pois isso gera confiança. Para golpistas, porém, a possibilidade de consumidores alertarem uns aos outros é contraproducente, motivo pelo qual desativam completamente os comentários. Há exceções, naturalmente, mas publicações comerciais costumam permitir interação aberta.

Também convém desconfiar de avaliações excessivamente positivas. Se diversos comentários apresentarem estilos de escrita semelhantes, entusiasmo exagerado e poucos detalhes concretos, desistir da compra pode proteger tanto o seu bolso quanto suas informações pessoais.

A ausência de hashtags (#) em conteúdos promocionais também deve levantar suspeitas. Vendedores de falsificações evitam deliberadamente essas marcações, pois elas atraem a atenção tanto das empresas legítimas quanto dos moderadores das plataformas. Anúncios autênticos geralmente incluem a indicação clara de conteúdo “patrocinado”, sobretudo em redes como o Instagram, sinalizando que a publicação passou por algum nível de verificação antes de ser exibida.

Anúncios fraudulentos podem apresentar aparência visual profissional, mas frequentemente revelam gramática descuidada, frases mal construídas ou erros de digitação. Marcas legítimas prezam pelo profissionalismo; já os golpistas costumam agir rápido demais para se preocupar com o acabamento. Se a linguagem parecer estranha, mal traduzida ou inadequada, vale confiar na própria intuição e evitar fornecer qualquer informação pessoal.

Lembre-se: cautela e canja de galinha (se me desculpam o pleonasmo) nunca fizera mal a ninguém.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — O ANTIGO TESTAMENTO E OS CONTOS DA CAROCHINHA

NEM TODO ARGUMENTO INTERESSANTE É CONVINCENTE.

A despeito de a literatura bíblica não ser jornalismo nem registrar os fatos em tempo real, criacionistas e seguidores das religiões abraâmicas sustentam que Deus criou o mundo e tudo o que nele existe em seis dias e descansou no sétimo. O arcebispo irlandês James Ussher, autor de The Annals of the World, o Criador teria iniciado os trabalhos às 9h da manhã de 23 de outubro de 4004 a.C.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

O ministro Edson Fachin informou na última segunda-feira que funcionará até novembro o grupo de trabalho constituído por ele no Conselho Nacional de Justiça para discutir a encrenca dos super salários no Judiciário.

Em decisão controversa, o Supremo havia determinado que nenhum juiz poderia receber mais do que R$ 78,8 mil, mas manteve os super salários inconstitucionais transitoriamente permitidos, até que o Congresso legislasse acerca do tema. Como os parlamentares deram de ombros, surge agora o grupo de trabalho de Fachin — lembrando que, na administração pública, grupo de trabalho é um conjunto de pessoas nomeadas por uma autoridade para protelar a resolução de um problema grave. 

Flávio Dino chamou as perversões salariais do Judiciário de "Império dos penduricalhos", e Gilmar Mendes disse que o teto de R$ 46,3 mil mensais "virou piso, e um piso muito ordinário." Embalado pela inação do Congresso, o grupo de trabalho do CNJ dá ao que é ordinário uma aparência de extraordinária normalidade.


O Velho Testamento é um conjunto de lendas, mitos e tradições culturais transmitidos oralmente por várias gerações até por volta de 1200 a.C., quando foram compilados supostamente por Moisés, a quem se atribui a autoria do Pentateuco. O primeiro livro da Bíblia judaico-cristã começa com a palavra bereshit (“no princípio”, em hebraico) e narra a origem da vida, do mundo e do povo que o líder dos judeus errantes teria guiado pessoalmente pelo deserto do Sinai até a terra que Jeová supostamente prometera a Abraão e seus descendentes.

A certa altura, o líder dos judeus errantes estendeu seu cajado e o Mar Vermelho se abriu, permitindo que ele e seu povo o atravessassem — para, em seguida, fechar-se sobre os soldados egípcios que os perseguiam. Em outro momento, instruído a falar com uma rocha para que dela brotasse água, Moisés bateu nela com o cajado e atribuiu a si próprio a autoria do milagre. Como castigo pela desobediência, o deus rancoroso e vingativo do Velho Testamento permitiu que ele avistasse Canaã do alto do Monte Nebo (na atual Jordânia), mas o proibiu de nela entrar.


Embora dominasse os segredos das águas, o velho Moishe não fez bom uso do GPS que Jeová supostamente lhe forneceu: vagou pelo deserto do Sinai durante 40 anos para percorrer cerca de 600 km até Canaã. Ainda segundo a narrativa bíblica, ele morreu aos 120 anos, e Josué assumiu a liderança dos hebreus pelo restante da jornada.


Delírios e fantasias à parte, nosso Universo tem 13,78 bilhões de anos, e a Terra, 4,5 bilhões de anosOs primeiros microrganismos surgiram há cerca de 3,5 bilhões de anos, os primatas, há 65 milhões de anos, e os primeiros hominídeos, há 20 milhões de anos. A separação entre os ramos que levaram aos humanos e aos chimpanzés ocorreu entre 6 e 8 milhões de anos atrás. O gênero Homo surgiu há cerca de 2,5 milhões de anos. O Homo Sapiens evoluiu do Homo Erectus há 300 mil anos, e o Sahelanthropus Tchadensis foi o precursor de uma linhagem de primatas iniciada pelo Orrorin tugenensis, que foi o primeiro hominídeo bípede.

O cosmo inteiro foi construído com os mesmos “tijolos”: átomos de hidrogênio que se agregaram para formar estrelas — e estas, ao explodirem, deram origem a elementos mais pesados. Apesar da diversidade de planetas em nosso sistema solar, seus vulcões, oceanos e planícies são compostos pelos mesmos materiais básicos que formam a Terra. Por razões que a ciência ainda não conseguiu explicar plenamente, a combinação desses elementos inertes deu origem a bactérias, protozoários e organismos mais complexos, que, mais adiante, evoluíram para plantas e animais.

Uma hipótese chamada panspermia (do grego: “sementes em todo lugar”) propõe que micro-organismos — ou seus precursores químicos — poderiam viajar pelo espaço em asteroides, cometas ou meteoros, “semeando” a vida em planetas com condições favoráveis. A ideia possui variantes e um respaldo científico moderado: não é consenso, mas também não é fringe science. No caso da Terra, isso poderia ter ocorrido há cerca de 3,5 bilhões de anos.

A pergunta que se impõe é: se a vida veio de outro lugar, como surgiu lá, e como eventuais micro-organismos sobreviveriam a milhões de anos no espaço, à radiação, ao calor da entrada na atmosfera e ao impacto contra o solo?

O cenário mais aceito é o de que o espaço tenha fornecido ingredientes químicos essenciais para a vida (uma versão mais moderada da hipótese), porém uma versão mais ousada — que ainda carece de evidência definitiva — sustenta a chegada de organismos vivos em meteoritos.

Em favor dessa hipótese, a NASA identificou, em 1996, estruturas no meteorito marciano ALH84001 que alguns cientistas interpretaram como possíveis microfósseis. O debate permanece aberto, mas a descoberta demonstrou que rochas marcianas chegaram à Terra. O meteorito de Murchison (Austrália, 1969) continha mais de 90 aminoácidos, incluindo alguns presentes na biologia terrestre. Açúcares, bases nitrogenadas do DNA e até estruturas semelhantes a membranas lipídicas também já foram encontrados em meteoritos.

Resumo da ópera: a abiogênese terrestre é uma hipótese plausível — experimentos como o de Miller-Urey (1953) demonstram que moléculas orgânicas complexas podem surgir espontaneamente em condições primitivas —, e a panspermia permanece como possibilidade científica legítima. A conferir...

Continua…

quinta-feira, 11 de junho de 2026

SABEDORIA DOS PROVÉRBIOS POPULARES

EM TERRA DE CEGO, QUEM TEM UM OLHO É… CAOLHO.

Os provérbios populares remontam aos primórdios da humanidade. No contexto bíblico, eles lembram Salomão, terceiro rei de Israel, que ensina regras de justiça, disciplina e boa convivência em seu Livro dos Provérbios, mas no nordeste brasileiro eles evocam o folclorista Mário Souto Maior, cuja vasta obra inclui Alimentação e Folclore — uma coleção de ditos populares que se enraizaram na cultura tupiniquim. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Reunido para julgar a censura imposta por Nunes Marques à pesquisa AtlasIntel, o plenário do TSE decidiu não decidir, mantendo a liminar atendeu a um pedido esdrúxulo do primogênito de seu benfeitor. O plenário do tribunal tinha pelo menos três razões para desdizer o "10% de Bolsonaro no Supremo", cuja decisão monocrática se revelou juridicamente inepta, politicamente inútil e cientificamente perigosa. 

A liminar é Inepta porque liminares pressupõem urgência, e a pesquisa suspensa foi divulgada no mês passado — a alegação de que o áudio do filho do pai pedindo dinheiro a Vorcaro induziu os entrevistados não fica em pé, quanto mais não seja porque a peça só foi exibida no final do questionário sobre intenção de voto.

A liminar é inútil porque retirar de circulação uma pesquisa amplamente divulgada é tão inviável quanto desfritar um ovo, e perigosa porque o TSE ameaça quebrar vários ovos para produzir não uma omelete, mas uma lambança.

O julgamento foi interrompido por um pedido de vista da ministra Estela Aranha, e num prenúncio do que está por vir, o vice-presidente da corte,, André Mendonça, insinuou que o tempo pedido pela colega seria útil para inaugurar um debate sobre regras para os institutos de pesquisa. Surpreendentemente, Dias Toffoli afirmou que "quanto mais proibição, mais tutela", e que "as pesquisas deveriam ser liberadas totalmente". 

Nada pode ser mais perigoso do que um debate no qual a voz precária de Toffoli soa como contraponto lúcido.

"A fome é o melhor tempero" é um bom exemplo. Embora o sal, o azeite, o vinagre, o orégano, a salsinha, a cebolinha, o manjericão, a hortelã, o louro, o cravo, a canela, a noz-moscada, as pimentas e condimentos preparados, como a mostarda e o molho inglês, sejam imprescindíveis, não há nada como a fome para deixar a comida mais apetitosa.

"A verdade e o azeite andam em cima" - Como as demais gorduras e a nata do leite, o azeite sobe à superfície quando misturado a outros líquidos.

"Amizade remendada, café requentado" - Reaquecer o café destrói as substâncias responsáveis pelo aroma e o sabor dessa bebida da mesma forma que uma amizade (ou uma relação amorosa) reatada não volta a ser como era antes do rompimento.

"Azeite, vinho e amigo, melhor o antigo" — Dizem que só quem come trinta quilos de sal (um quilo por ano) é amigo de verdade. Isso vale também para os vinhos — que melhoram com o tempo quando não viram vinagre —, mas não para o azeite, que fica rançoso depois de alguns meses.

"Barato que só bolo de goma" - Goma é o polvilho da mandioca, que é usado para fazer tapioca, biscoitos, beijus e… bolo de goma. A receita é simples, rende muito e é barata.

"Puxar a brasa para sua sardinha" (ou “puxar a sardinha para sua brasa”, dependendo da versão) — A sardinha recebeu esse nome por ser abundante na ilha da Sardenha (Itália), e a expressão em tela (ou sua variante inversa) nasceu de um contexto culinário típico de feiras, romarias, festas populares e acampamentos, no qual as pessoas assavam as sardinhas na mesma fogueira e tentavam arrastar a brasa mais quente para perto da sua. Com o passar do tempo, a expressão passou a significar agir em benefício próprio em detrimento do interesse coletivo.

"Em casa onde falta pão, todos brigam e ninguém tem razão" — O pão é o principal alimento dos povos desde a pré-história, e a falta dele, o pavio para toda sorte de desentendimentos (outro ditado semelhante é: “quando a necessidade entra pela porta, o amor sai pela janela”).

"Macaco, quando não pode comer banana, diz que ela está verde" — Bananas verdes não devem ser consumidas in natura porque travam na boca e dão dor de barriga. Aliás, os macacos começam a descascar a banana pela ponta (o bico preto), evitando que aqueles fiozinhos amargos fiquem grudados na fruta.

"Não há mulher sem graça nem festa sem cachaça" — A cachaça é um subproduto da cana-de-açúcar, que os escravos consumiam para suportar o frio e o trabalho duro nos canaviais, e os senhores de engenho usavam como remédio para quase tudo, de reumatismo a sífilis e picada de cobra. Mulher sem graça pode até ter, mas festa sem cachaça, no Nordeste, é meio difícil.

"Não se faz omelete sem quebrar ovos" - Como a omelete é feita com ovos batidos, o sentido oculto da frase é que não há bônus sem ônus nem resultado sem sacrifício. Em outras palavras, para alcançar um objetivo — seja ele pessoal, político, econômico ou até moralmente nobre — algo precisa ser perdido, destruído ou colocado em risco.

"O frango de hoje é preferível ao galo de amanhã" - O provérbio ensina que a carne mais nova e tenra é sempre melhor e mais saborosa que a mais velha e dura.

"Ninguém fica pra semente" - Na linguagem bíblica, isso se diz de quem vive muito além da média (caso de Matusalém, que teria vivido 969 anos).

"Para quem ama, catinga de bode é cheiro" — Versão nordestina do ditado “quem ama o feio bonito lhe parece”. A propósito, a catinga do bode é causada por uma glândula que se desenvolve na cabeça do animal a partir do quinto mês de vida. Para obter melhores resultados culinários, recomenda-se abater o caprino antes dessa idade.

"Pimenta nos olhos dos outros é refresco" - A pimenta arde por ser rica em capsaicinoides, que não têm cheiro nem sabor, mas estimulam as células nervosas da boca, produzindo a sensação de ardor. Uma variação menos elegante desse provérbio substitui olhos por cu, mas isso é outra conversa.

"Uma azeitona é ouro, a segunda é prata e terceira mata" — Cada 100 g de azeitonas verdes têm 140 kcal, e das pretas, 180 kcal. Mas o provérbio é um exagero, já que uma azeitona a mais dificilmente mata alguém.

A associação com a comida deixa claro que a origem dessas pérolas está menos nos púlpitos e mais nas cozinhas, feiras e fogões improvisados. Antes de virar metáfora política, moral ou social, era só gente tentando garantir o jantar. O cardápio mudou, mas os ditados ficaram — e a fome, como sempre, continua sendo o melhor tempero da lucidez.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — A RELIGIÃO E O APAGAMENTO DE NOSSA INFÂNCIA INTELECTUAL

ANTIGOS MISTÉRIOS DERAM ORIGEM A MUITOS MITOS, MAS ISSO NÃO SIGNIFICA QUE ELES PRÓPRIOS FOSSEM APENAS LENDAS.

Vimos que fé e religião são coisas distintas, que tanto é possível ter fé e não ser religioso quanto seguir uma religião apenas por tradição familiar ou convenção social, e que a fé é uma experiência subjetiva e visceral, enquanto a religião funciona como mapa, rito e código social.

Os primeiros textos védicos remontam ao ano de 1500 a.C. e, antes de chegar ao papiro, o conceito que eles encerram foi transmitido oralmente e preservado durante séculos mediante métodos mnemônicos de recitação cruzada, onde cada sílaba tinha uma entonação matemática precisa. Quando os textos foram finalmente compilados, o mundo viu nascer uma das maiores bibliotecas do pensamento humano.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Está acontecendo de novo. A exemplo das eleições de 2018 e 2022, a deste ano se parece muito com uma feijoada rala. Com excesso de pesquisas, tem mais caldo do que feijão. Carne, nem pensar. Os candidatos gastam tempo e energia espinafrando-se mutuamente. Há uma inanição de ideias e projetos, mas de concreto, por enquanto, o que há além dos ataques é o alto custo da campanha — R$ 4,9 bilhões. 

Dividindo-se a conta pela população, cada brasileiro entra com R$ 22,95. Parece pouco, mas é dinheiro suficiente para comprar 3,2 quilos de feijão preto. Em condições normais, o custo bilionário seria apenas vergonhoso. Numa era em que as campanhas digitais atenuam a necessidade de grandes comícios, a coisa tornou-se escabrosa.

Donos das maiores bancadas no Congresso, o PL e o PT beliscaram, respectivamente, R$ 881,6 milhões e R$ 615,4 milhões. O filho do presidiário e o ex-presidiários frequentam as pesquisas numa condição paradoxal: somam simultaneamente os maiores percentuais de intenção de voto e as maiores taxas de rejeição. Quer dizer: a disputa de 2026 repetirá o script das últimas sucessões. Parte do eleitorado irá ao segundo turno optar pelo "mal menor", ou seja, votar em um candidato para não ver o outro no Planalto. Como o menor dos males não deixa de ser um mal para quem odeia, a metade do país representada pelo polo perdedor sairá do processo eleitoral com a sensação de que pagou por uma feijoada ruim, e o Brasil terá a partir de 2027 não um presidente, mas um novo terceiro turno de quatro anos.


Curiosamente, enquanto a tradição oral védica sobreviveu quase intacta por milênios, uma parcela significativa dos registros físicos foi destruída por incêndios, enchentes e outras catástrofes naturais, e os que restaram se tornaram reféns de governantes despóticos e líderes religiosos mais preocupado com a manutenção do poder institucional do que com a busca da verdade.


Para muitos conquistadores, o conhecimento de um povo era uma ameaça à nova ordem, e destruir os textos era uma forma de "desmemoriar" a população para facilitar a dominação. Na Índia, a Grande Biblioteca de Nalanda foi queimada no século XII por invasores — reza a lenda que a quantidade de manuscritos era tão vasta que a biblioteca queimou por três meses seguidos. A Biblioteca de Alexandria é, talvez, o símbolo máximo dessa tragédia cultural — se os Vedas representam a sobrevivência pela voz, Alexandria representa a vulnerabilidade do suporte físico (o papiro e o pergaminho) diante da intolerância e do tempo.


O fim de Alexandria foi uma lenta agonia causada por uma combinação de fatores, começando pelos conflitos geopolíticos (que resultaram em sucessivas guerras pelo poder), seguindo pelo fanatismo e pela intolerância (com a ascensão do cristianismo como religião oficial do Império Romano, o conhecimento contido em Alexandria foi visto como "pagão" e perigoso) e destruído pela "negligência" de governantes que pararam de financiar os estudiosos e a manutenção dos rolos (sem investimento, os escribas pararam de copiar os textos antigos, e papiro, por ser um material orgânico, apodrece se não for cuidado).


Com o desaparecimento de milhares de rolos, perderam-se as obras completas de Aristarco de Samos — que já propunha o heliocentrismo 1.800 anos antes de Copérnico —, textos de Sófocles, Eurípides e Ésquilo, bem como mapas antigos e registros de navegação que poderiam ter antecipado a era das descobertas em séculos. Foi como se a humanidade tivesse sofrido uma amnésia coletiva: o que os Vedas salvaram através do som, Alexandria perdeu no silêncio das cinzas.


É curioso notar que muitos dos que destruíram essas bibliotecas o fizeram em nome de uma "religião", embora certamente carecessem daquela "fé" que busca a verdade e respeita a criação intelectual humana. Se um texto antigo oferecia uma visão de fé que não exigia intermediários ou que contradizia a convenção social estabelecida, ele era rotulado como herético ou perigoso. Em outras palavras, em nome do poder ou de uma suposta "pureza" da fé, variações regionais dos textos foram destruídas para impor uma versão única que servisse ao status quo.


É irreparável o dano causado pela perda de nossa "infância intelectual" em fogueiras de vaidade e ignorância. O pouco que restou e foi recuperado por meio da arqueologia e da filologia ainda é vasto. No caso dos Vedas, a tradição oral acabou sendo a "nuvem de backup" mais segura da antiguidade: enquanto o papiro queimava e a tinta desbotava, o som e a métrica eram passados de mestre para discípulo, sobrevivendo onde a pedra e o papel falharam.


Resumo da ópera: É ingenuidade achar que o apagamento da memória decorre apenas de causas naturais — na maioria das vezes ele é perpetrado por quem detém o poder —, e o mesmo fenômeno de controle que vitimou Alexandria se repetiu de forma ainda mais insidiosa na sistematização da Bíblia. 


O que hoje o senso comum aceita como uma unidade indivisível é, em essência, o resultado de uma curadoria política e arbitrária, realizada por "religiosos" poderosos, que se autoconcederam o poder de decidir o que era sopro divino e o que era "conhecimento nocivo".Sob o pretexto de proteger os fiéis de heresias, esses editores da fé filtraram a pluralidade das experiências espirituais primitivas e descartaram textos que ofereciam uma visão de transcendência direta, sem a necessidade de pedágios institucionais. 


Quando se entrega aos lobos a chave do redil, perde-se o direito de reclamar do sumiço das ovelhas: o que foi sacrificado foram meros pergaminhos, mas a própria liberdade do pensamento em busca do sagrado. Ao canonizar uma versão e demonizar as outras, as lideranças inescrupulosas não só moldaram uma religião; mas também criaram um cerco intelectual: aquilo que ia contra o establishment ou empoderava o indivíduo fora das amarras da convenção social foi rotulado como apócrifo e condenado ao esquecimento.


Assim, a "pureza" da fé tornou-se o álibi perfeito para uma das maiores operações de silenciamento da história, garantindo que o mapa nunca fosse maior do que o território permitido pelo palácio.


Continua…

terça-feira, 9 de junho de 2026

PROJETO CHRYSALIS

NADA PERECE NO UNIVERSO; TUDO O QUE ACONTECE NÃO PASSA DE MERAS TRANSFORMAÇÕES.

O Projeto Chrysalis, vencedor do concurso internacional Hyperion 2025, prevê a construção de uma nave interestelar capaz de transportar até 2.400 pessoas durante 400 anos, mantendo uma sociedade estável em ambiente isolado.


Esse esforço visionário se insere num contexto em que até algumas das maiores figuras da exploração espacial moderna estão reavaliando prioridades. Recentemente, Elon Musk, fundador da SpaceX, anunciou que a empresa está priorizando a construção de uma “cidade autossustentável” na Lua — passível de ser estabelecida em menos de dez anos — em detrimento dos planos de colonização de Marte, que poderiam levar mais de duas décadas.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


A Marcha para Jesus em São Paulo foi convertida num efusivo palanque eleitoral, onde políticos e autoridades presentes demonstraram que a tentação de uma multidão de evangélicos é simplesmente irresistível para quem precisa de votos.

Bolsonaro e seu aliado Tarcísio de Freitas marcaram presença com o espírito devoto — ou de voto. Após pedir a palavra, o filho do presidiário não a devolveu em boas condições: entoando uma propaganda eleitoral em timbre de oração, o primogênito do refugo da escória da humanidade decretou o início de uma "guerra espiritual" e convocou as forças divinas para expulsar o "mundo do mal" do governo nas urnas de outubro.

Do outro lado do espectro político, a santidade também foi disputada por meio de procuração divina. O advogado-geral da União, Jorge "Béssias" Messias, atuou como o intermediário celestial ao conectar num telefonema o apóstolo Hernandes diretamente com seu amo e senhor — falo do macróbio eneadáctilo que é candidato à reeleição —, que fez questão de declarar durante a conversa que jamais usaria algo tão sagrado para obter proveito eleitoral — uma afirmação de desapego político tão genuína que, por puro milagre da tecnologia, acabou sendo amplamente reproduzida no palanque virtual das redes sociais.

Na prática, a celebração de Corpus Christi serviu para mostrar que, na teologia eleitoral brasileira, as ideologias se anulam no altar do pragmatismo. Enquanto Cristo insistia no mandamento de "Amai-vos uns aos outros", os candidatos de esquerda e direita uniram-se em um coro muito mais urgente e fervoroso, rogando aos fiéis o verdadeiro dogma da temporada: "Votai em mim, não nos outros".

Não fosse trágico, seria cômico.


Embora a colonização marciana ainda esteja nos planos de longo prazo, o foco imediato em um assentamento lunar mais acessível reflete uma mudança estratégica importante nas ambições humanas de expandir a vida além da Terra.


Vale destacar que a nave em assunto não é mera ficção científica, mas o resultado de estudos avançados de engenharia espacial que objetivam criar uma verdadeira “cidade no espaço”, apta a funcionar por muitas gerações. O projeto envolve desde o desenho estrutural da nave até a organização política e o equilíbrio psicológico dos tripulantes.


Estudos recentes, como os apresentados pela NASA, indicam que missões interestelares exigem soluções de longo prazo para preservar a saúde humana. Em outras palavras, viagens de séculos tornam inviável depender exclusivamente da microgravidade ou de conceitos ainda especulativos, como a hibernação prolongada.


Ao longo das últimas décadas, engenheiros propuseram estruturas rotativas gigantescas capazes de simular a gravidade terrestre. Esse conceito ganhou bases técnicas mais sólidas graças aos avanços em materiais de alta resistência e simulações computacionais, fazendo com que a ideia da nave geracional deixasse o campo exclusivo da ficção e passasse a integrar debates acadêmicos concretos.


Estruturas rotativas garantem gravidade artificial estável, enquanto sistemas fechados de reciclagem permitem o reaproveitamento contínuo de água, ar e resíduos. A blindagem externa protege contra radiação cósmica e micrometeoritos. Uma governança estruturada mantém a ordem social ao longo das gerações; programas educacionais asseguram a transmissão de conhecimento técnico e cultural; e o planejamento populacional evita a sobrecarga dos recursos disponíveis.


A gravidade artificial baseia-se na rotação de grandes cilindros ou anéis. Quando a estrutura gira, a força centrífuga empurra os ocupantes contra o solo interno, simulando peso semelhante ao da Terra. Os engenheiros ajustam o raio e a velocidade de rotação para alcançar níveis próximos de 1 g. No entanto, estruturas menores exigem rotações mais rápidas, o que pode provocar desconforto e desorientação.


Manter 2.400 pessoas em ambiente fechado por quatro séculos requer integração absoluta entre engenharia e organização social. Qualquer falha nos sistemas de suporte à vida pode comprometer toda a missão. Por isso, redundância tecnológica e manutenção contínua são prioridades. O equilíbrio psicológico e a prevenção de conflitos também dependem de processos seletivos rigorosos e de uma educação voltada à cooperação. A estabilidade social, portanto, dependerá tanto da tecnologia quanto da cultura coletiva.


A gravidade artificial reduz os impactos fisiológicos associados à microgravidade prolongada e facilita atividades cotidianas, como agricultura e construção interna. Manter um ambiente semelhante ao terrestre aumenta significativamente as chances de sucesso da missão. Ao mesmo tempo, a sensação constante de peso contribui para a estabilidade psicológica. Implementar essa solução, contudo, exige investimentos colossais em infraestrutura e energia — razão pela qual especialistas a consideram peça central de qualquer nave geracional viável.


Atualmente, cientistas testam módulos rotativos em pequena escala. Ainda assim, os avanços em engenharia espacial, inteligência artificial e sistemas avançados de reciclagem indicam progresso consistente. Cada experimento orbital aproxima o conceito de nave geracional da realidade, mas vale destacar que o desafio central não é apenas apenas tecnológico, mas também ético e social.


Decidir enviar gerações futuras em uma jornada possivelmente sem retorno exige consenso global e planejamento profundo. Resta saber até onde estamos dispostos a ir para expandir nossa presença no cosmos.


Enfim, quem viver verá.