quinta-feira, 1 de outubro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — INTERLÚDIO

O MAPA NÃO É O TERRITÓRIO

Ao longo dos últimos capítulos, falamos de dimensões ocultas, da Teoria das Cordas, da Teoria M, de branas cósmicas e, por fim, dos buracos de minhoca. Como não poderia deixar de ser, algumas ideias paralelas foram omitidas para não quebrar o ritmo da narrativa, e agora chegou o momento de amarrar essas pontas soltas e só então abordar os paradoxos das viagens no tempo. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Não existem ateus em campanhas eleitorais, mas a família Bolsonaro exagera. Ao fazer da facada de 2018 parte de uma via-crúcis particular, o patriarca do clã, hoje em prisão domiciliar, age como messias. Já o primogênito e herdeiro do martírio faz uma associação mórbida entre a tentativa de homicídio e um suposto plano de tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. 

"Acho que posso considerar uma espécie de facada também essa fake news em mim", disse o filho do "mito" a um podcast católico. Como de hábito, vinculou o criminoso ao ecossistema de Lula — "um ex-integrante do PSOL" —, esquecendo de lembrar ou lembrando de esquecer esquecer que a PF constatou que Adélio Bispo, o agressor, agiu como "lobo solitário", foi diagnosticado com transtorno delirante persistente e está internado numa penitenciária federal de Campo Grande, de onde não sairá antes de 2038.

Um dia depois de acusar a CNBB de orquestrar a aleivosia da tramoia contra Nossa Senhora, o filho do pai disse não ter nada contra religiões diferentes da dele, além de ressaltar que presidente não se mete em religião e definir-se como evangélico, relembrando, emocionado, sua conversão, em 2022. 

Considerando-se o histórico do pai, é difícil saber se a conversão do filho é sincera, mas convém não duvidar: para quem aceitou Daniel Vorcaro a ponto de pedir dinheiro a ele, a adesão à metafísica não chega a ser algo tão radical.


A ciência nem sempre avança em linha reta; às vezes ela cresce justamente explorando caminhos que não conduzem a lugar algum. Mas o importante não é que toda hipótese esteja correta, e sim que seja suficientemente consistente para merecer a devida investigação.


Uma dessas hipóteses nasceu da Teoria M, proposta em 1995 pelo físico Edward Witten como uma tentativa de unificar as cinco versões existentes da Teoria das Supercordas, juntamente com a Supergravidade, dentro de um único arcabouço matemático. No entanto, embora ela seja frequentemente apresentada como candidata à chamada Teoria de Tudo, convém não confundir alhos com bugalhos: a Teoria M procura unificar as leis fundamentais da física; a ideia de um multiverso pode surgir dela, mas também aparece em outras áreas da cosmologia e da mecânica quântica.


Se esse modelo estiver correto, talvez o Universo seja apenas uma entre inúmeras "branas" coexistindo em um espaço de dimensões superiores. Embora pareça um tanto bizarra, essa premissa decorre naturalmente das equações utilizadas em alguns modelos matemáticos, levando a uma pergunta inevitável: se existem outras dimensões, por que nunca as percebemos?


A resposta proposta pela teoria é que essas dimensões não seriam grandes extensões ocultas em algum lugar do cosmos, mas estariam compactificadas e enroladas sobre si mesmas em escalas próximas ao comprimento de Planck — cerca de 10⁻³⁵ metro —, uma distância tão pequena que desafia qualquer tentativa atual de observação direta.


Para compreender melhor, imagine — mais uma vez — uma formiga caminhando sobre uma mangueira de jardim. Vista de longe, essa mangueira parece apenas uma linha, mas a formiga percebe algo que escapa ao observador distante: além de seguir para frente ou para trás, ela pode ainda contornar a circunferência — uma dimensão adicional que sempre esteve ali, mas permanecia invisível em razão da escala.


Segundo alguns físicos, algo semelhante poderia acontecer conosco. Se for assim, isso explica a extraordinária fraqueza da gravidade quando comparada às demais forças fundamentais: enquanto o eletromagnetismo e as forças nucleares permaneceriam confinados à nossa "brana", a gravidade se espalharia pelas dimensões extras, chegando até nós bastante diluída. Mas vale destacar que, embora seja uma ideia elegante, ela ainda carece de confirmação experimental.


Outra proposta igualmente fascinante surge na chamada Interpretação dos Muitos Mundos da mecânica quântica. Segundo ela, o Universo não escolheria um único resultado para cada evento quântico. Em vez disso, todas as possibilidades compatíveis com as leis da física continuariam existindo, cada uma em sua própria ramificação da realidade. Note que não se trata de universos separados por dimensões espaciais, como na Teoria M, mas de histórias alternativas que se desdobram continuamente.


À primeira vista, ambas as ideias parecem defender a existência de inúmeros universos, mas elas nascem de fundamentos completamente diferentes e não devem ser confundidas. Em uma, os universos coexistem como branas em dimensões superiores; na outra, eles surgem como ramificações naturais da evolução quântica. 


Convém ter em mente que nenhuma dessas hipóteses foi confirmada até agora, mas a história da ciência está repleta de teorias que permaneceram décadas — ou mesmo séculos — aguardando instrumentos capazes de colocá-las à prova, bem como de ideias brilhantes que acabaram abandonadas quando confrontadas com novos dados. E isso também se aplica aos buracos de minhoca, que, diferentemente dos buracos negros — que já foram inclusive fotografados pelo Event Horizon Telescope —, continuam envoltos na bruma das especulações. 


As equações da Relatividade Geral admitem soluções que descrevem túneis ligando regiões muito distantes do espaço-tempo, mas o problema é que essas estruturas seriam instáveis e colapsariam antes que qualquer partícula pudesse atravessá-las. Daí surgiu outra formulação igualmente ousada: a utilização de matéria exótica — uma forma hipotética de matéria ou energia capaz de apresentar densidade de energia negativa — que nada tem de extraterrestre ou sobrenatural, pois é apenas uma configuração física diferente daquela observada na matéria comum.


Alguns efeitos previstos pela mecânica quântica — como o efeito Casimir — mostram que pequenas regiões de energia negativa podem surgir em condições muito específicas. O enorme desafio consiste em transformar esse fenômeno microscópico em algo suficiente para manter aberto um túnel através do espaço-tempo.


Há poucos anos, o físico português João Luís Rosa propôs uma alternativa interessante baseada em uma versão modificada da gravidade. Segundo seus cálculos, é possível obter buracos de minhoca atravessáveis sem recorrer às quantidades gigantescas de matéria exótica normalmente exigidas pelos modelos tradicionais. A proposta despertou interesse, mas, como tantas outras ideias de fronteira, ainda aguarda confirmação observacional.


É importante notar que nenhum desses cenários constitui licença para acreditar em qualquer possibilidade imaginável. Pelo contrário. Todos eles nascem de modelos matemáticos rigorosos e permanecem submetidos ao mesmo juiz implacável: a realidade. Isso posto, por que devemos levar essas ideias a sério, mesmo sem provas? Talvez a melhor resposta seja: porque é justamente essa disposição para submeter as próprias ideias ao teste dos fatos que distingue a ciência da fantasia.


É possível que essas teorias não sobrevivam às próximas décadas, mas pode ser que algumas resistam, ou que venhamos a descobrir que o Universo é ainda mais estranho do que todas elas juntas nos levam a imaginar. Ademais, cada hipótese bem construída amplia um pouco mais o horizonte das perguntas possíveis, e mesmo os fracassos ensinam, uma vez que delimitam o caminho pelo qual a natureza decidiu não seguir.


Em última análise, para descobrir como o Universo realmente funciona é preciso aceitar a desconcertante possibilidade de que ele funcione de um modo muito diferente daquele que nossa intuição considera possível.

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 121ª PARTE

QUE A REALIDADE SEJA APENAS O PONTO DE PARTIDA PARA A NOSSA FICÇÃO.

Como vimos nos capítulos anteriores, algumas das teorias mais ousadas da física contemporânea admitem a existência de dimensões adicionais do espaço e até mesmo de outros universos coexistindo ao lado do nosso. Também vimos que, caso essas dimensões realmente existam, é possível que aquilo que percebemos como enormes distâncias esconda atalhos invisíveis para quem está confinado às quatro dimensões do espaço-tempo.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Quando não há alternativa, a decisão está tomada. Até aqui, a coragem dos candidatos favoritos ao Planalto revelou-se uma realidade fugidia, que desapareceu tão logo foram convidados a se expor em debates. Espremidos num empate técnico nas pesquisas, Bolsonarinho e o macróbio eneadáctilo foram intimados pelas circunstâncias a abandonar o comportamento de avestruz. 

No último domingo, o filho do presidiário confirmou que irá ao debate da Globo, na quinta-feira. Falou em timbre de desafio. "Estou chamando o Lula para o debate", disse, além de desdenhar de Ronaldo Caiado e Augusto Cury, que também estarão no debate: "Eu não tenho adversários concorrendo comigo, a não ser o Lula". Escalou o salto alto: "É ele que eu vou tirar da Presidência".

Seja qual for o desempenho, os dois candidatos mais bem colocados nas pesquisas tendem a conservar os votos de suas respectivas tribos. Mas o embate da Globo, a três dias da eleição, será a última oportunidade para ambos tentarem seduzir o eleitorado não alinhado, fiel da balança. 

Ao confirmar presença no último debate do primeiro turno, Bolsonarinho torna incontornável a presença do postulante ao quarto mandato.. Ausentar-se agora premiaria o adversário com o monopólio do confronto, e a fuga poderia ser letal.


À primeira vista, essa ideia parece pertencer exclusivamente ao terreno da ficção científica. Afinal, como seria possível encurtar distâncias de bilhões de anos-luz sem violar o limite imposto pela velocidade da luz? Surpreendentemente, essa possibilidade surgiu não na literatura nem no cinema, mas da própria Relatividade Geral de Einstein.


Em 1935, Albert Einstein e Nathan Rosen perceberam que determinadas soluções das equações da Relatividade permitiam imaginar uma espécie de "ponte" ligando regiões muito distantes do espaço-tempo. Essas estruturas ficaram conhecidas como pontes de Einstein-Rosen e, mais tarde, ganharam um nome muito mais sugestivo: buracos de minhoca (ou buraco de verme, na tradução literal do inglês wormhole).


Os buracos de minhoca são soluções matemáticas das equações da Relatividade Geral que, em princípio, poderiam conectar dois pontos muito distantes do espaço — ou até dois instantes diferentes no tempo. Em vez de percorrer toda a distância entre dois lugares, uma espaçonave atravessaria um atalho criado pela própria geometria do espaço-tempo, reduzindo uma viagem que levaria milhões ou bilhões de anos a um intervalo muito menor.


Para visualizar essa ideia, imagine uma maçã aparentemente perfeita. Para quem caminha apenas sobre sua superfície, a menor distância entre dois pontos consiste em seguir ao longo da casca. Um "bicho de maçã", porém, pode escavar um túnel através do interior da fruta e chegar ao destino percorrendo um caminho muito menor. Segundo alguns modelos teóricos, algo semelhante poderia acontecer com o próprio Universo.


Mas nem tudo são flores nesse jardim. Segundo a Relatividade Geral, esses túneis seriam extremamente instáveis, tendendo a colapsar quase instantaneamente, antes que qualquer partícula conseguisse atravessá-los. Em outras palavras, mantê-los abertos representa um dos maiores desafios da física teórica.


É justamente aí que entra um dos conceitos mais curiosos dessa história: a chamada matéria exótica. Apesar do nome, ela não tem qualquer relação com alienígenas ou substâncias misteriosas produzidas por civilizações avançadas. Trata-se apenas da denominação dada a uma forma hipotética de matéria ou energia com propriedades muito diferentes das observadas na matéria comum, incluindo a possibilidade de apresentar densidade de energia negativa. Alguns fenômenos quânticos sugerem que efeitos desse tipo possam ocorrer em escalas microscópicas, mas ninguém sabe se seria possível reunir quantidade suficiente para estabilizar um buraco de minhoca.


É nesse ponto que a ciência se torna particularmente interessante. Em vez de afirmar categoricamente que essas estruturas existem ou não existem, ela reconhece os limites do conhecimento disponível. Os buracos de minhoca permanecem como soluções matemáticas perfeitamente legítimas, mas cuja existência física ainda aguarda confirmação experimental. A matemática permite sua existência; a natureza ainda não disse se concorda.


Suponhamos, porém, que um buraco de minhoca pudesse permanecer aberto. Se uma de suas extremidades fosse submetida a uma dilatação temporal diferente da outra — por exemplo, viajando a velocidades próximas à da luz ou permanecendo durante longo tempo sob intensa gravidade —, suas duas "bocas" deixariam de marcar o mesmo instante no tempo. Nesse caso, atravessar o túnel deixaria de ser apenas uma viagem pelo espaço para tornar-se também uma viagem no tempo.


Essa possibilidade foi estudada em detalhes pelo físico teórico Kip Thorne e seus colaboradores, do Caltech. Segundo seus cálculos, uma das extremidades do buraco de minhoca poderia ser transportada para as proximidades de uma estrela de nêutrons ou acelerada até velocidades relativísticas. Como o tempo transcorreria de forma diferente em cada extremidade, surgiria uma defasagem temporal entre elas. Se essa diferença fosse, por exemplo, de dez anos, alguém que atravessasse o túnel poderia emergir dez anos no futuro. E, fazendo o percurso inverso, retornaria ao passado — embora nunca pudesse chegar a um instante anterior à criação do próprio buraco de minhoca.


Naturalmente, tudo isso permanece no terreno das hipóteses. Até hoje, nenhum buraco de minhoca foi observado, e não sabemos sequer se o Universo permite que essas estruturas existam de forma estável. Ainda assim, elas representam uma consequência legítima das equações da Relatividade Geral e continuam sendo objeto de intensa investigação por parte dos físicos.


Atravessar um atalho espacial já seria um feito extraordinário, mas a física reserva uma surpresa ainda maior: dependendo da maneira como esses túneis se comportam, talvez eles não encurtem apenas as distâncias, mas também o próprio tempo.


É justamente nesse ponto que nossa história deixa de tratar apenas de geografia cósmica para entrar em um território onde passado, presente e futuro começam a perder seus significados habituais. Quando isso acontece, surgem alguns dos paradoxos mais intrigantes de toda a física — assunto do próximo capítulo.


Continua…

terça-feira, 29 de setembro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 120ª PARTE

QUANDO O ELEVADOR PARA EM OUTRO UNIVERSO.

Vimos no capítulo anterior que alguns modelos derivados da Teoria M admitem a possibilidade de nosso Universo ser apenas uma entre inúmeras "branas" coexistindo em um espaço de dimensões superiores. 


Embora permaneça sem confirmação experimental, essa hipótese amplia de maneira extraordinária nossa visão do cosmos. Afinal, se o Universo não for tudo o que existe, haveria alguma forma de atravessar a fronteira entre essas membranas cósmicas?


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Numa eleição, todo candidato é sua autoestima dividida pelo desprezo que desperta no eleitorado. No caso de Romeu Zema, a equação conduz a um resultado patológico. Zema é pressionado pelos correligionários do partido Novo a desistir em favor de Flávio Bolsonaro. Mas não dá o braço a torcer: "Levo a minha proposta até o final", disse ele no vídeo. "Derrotei já o PT duas vezes em Minas Gerais. E sou um candidato ficha limpa, sem rabo preso e que mais combate a corrupção, que é o grande câncer do Brasil".Só faltou Zema definir o seu conceito de fim. Na nova rodada da Quaest, Zema aparece com 1% das intenções de voto. A uma semana do primeiro turno, esse percentual cai como uma lápide sobre qualquer autoestima. Mas Zema, com a candidatura jurada de morte pelo eleitor, assegura que seu projeto político está cheio de vida.


À primeira vista, a resposta parece ser negativa. Se universos vizinhos existissem, nós já não os teríamos encontrado? Ocorre que essa objeção parte de uma suposição que talvez não seja verdadeira: a de que a menor distância entre dois pontos é sempre aquela que percebemos. Talvez a geometria do espaço seja muito mais surpreendente do que nossa intuição permite imaginar.


Para entender melhor, imagine duas folhas de papel colocadas sobre uma mesa. Um pequeno inseto desenhado sobre uma delas poderia caminhar indefinidamente por sua superfície sem jamais alcançar a outra. Agora imagine que alguém dobre as folhas até que dois pontos muito distantes fiquem praticamente encostados. Para o inseto, a travessia continuaria impossível; para quem observa de fora, bastaria um pequeno salto para passar de uma folha à outra. 


Talvez o espaço funcione de maneira semelhante. Se as dimensões adicionais previstas pela Teoria M realmente existirem, aquilo que percebemos como enormes distâncias pode esconder atalhos invisíveis para quem está confinado às quatro dimensões do espaço-tempo. Em outras palavras, dois pontos separados por bilhões de anos-luz poderiam estar muito mais próximos quando observados através de dimensões superiores.


Essa possibilidade não surge apenas da imaginação dos físicos, mas da própria estrutura matemática da teoria. As dimensões extras não seriam grandes extensões ocultas em algum lugar do cosmos, e sim dimensões compactificadas — enroladas sobre si mesmas em escalas tão diminutas que escapam completamente à nossa percepção.


Vista de longe, uma mangueira de jardim parece apenas uma linha, mas uma formiga caminhando sobre ela percebe algo que escapa ao observador distante: além de avançar para a frente ou para trás, ela pode contornar toda a circunferência da mangueira. Em outras palavras, a dimensão adicional sempre esteve ali; apenas permanecia invisível devido à escala.


Segundo alguns modelos da Teoria M, algo semelhante poderia ocorrer com o próprio Universo. As dimensões extras talvez influenciem o comportamento das partículas e até expliquem por que a gravidade é muito mais fraca que as demais forças fundamentais, como se parte de sua intensidade "vazasse" para dimensões às quais não temos acesso direto.


Convém ter em mente que tudo isso permanece no terreno das hipóteses. Até hoje, nenhuma evidência experimental confirmou a existência dessas dimensões adicionais, cuja detecção exigiria energias muito superiores às que conseguimos produzir atualmente — daí elas permanecerem como uma das grandes incógnitas da física contemporânea.


Supondo que essas dimensões realmente existam, talvez o espaço seja muito menos rígido do que imaginamos, e distâncias aparentemente intransponíveis poderiam esconder caminhos inesperados, invisíveis para quem observa apenas as quatro dimensões familiares. 


É justamente dessa possibilidade que nasce uma das ideias mais fascinantes da física moderna: a existência de atalhos através do espaço-tempo, conhecidos como buracos de minhoca — ou pontes Einstein-Rosen —, sobre os quais falaremos no próximo capítulo.


Continua…

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 120ª PARTE

HAY PERSONAS QUE, ADEMÁS DE NO HACERNOS COMPAÑÍA, NOS ROBAN LA SOLEDAD.

Vimos no capítulo anterior que a Teoria das Cordas busca unificar todas as forças fundamentais da natureza a partir de duas ideias ousadas: a de que todas as partículas são minúsculos filamentos de energia em permanente vibração; e a de que existem outras dimensões além das quatro conhecidas (três espaciais e uma temporal). Nesse contexto, o Universo seria uma gigantesca sinfonia em que cada modo de vibração das "cordas" corresponde a uma partícula diferente. 


A beleza matemática faz dessa proposta a principal candidata à tão sonhada Teoria de Tudo, mas o problema é que as hipotéticas cordas são tão pequenas que nenhuma tecnologia disponível é capaz de detectá-las — daí parte da comunidade científica considerá-la uma elegante construção teórica que carece de confirmação experimental. Nas versões atuais da Teoria das Supercordas, o Universo teria dez dimensões, e em sua formulação mais abrangente — conhecida como Teoria M — teria onze. Mas a pergunta que se coloca é: se essas dimensões existem, por que não conseguimos percebê-las?


Para entender melhor, imagine uma formiga caminhando sobre uma mangueira de jardim. Vista de longe, parece que ela só pode seguir adiante ou voltar para trás, mas ela pode igualmente andar ao redor da mangueira, explorando uma dimensão que passa despercebida para um observador distante. E a Teoria das Cordas sugere algo semelhante: as dimensões extras não estariam escondidas em algum lugar do cosmos, mas seriam extremamente pequenas e "enroladas" sobre si mesmas, tornando-se invisíveis na escala em que vivemos. 


Se essa hipótese estiver correta, o Universo pode ser muito mais complexo do que imaginamos, e é justamente nesse ponto que a história fica mais intrigante: se essas dimensões adicionais abrem caminho para uma das ideias mais fascinantes da física moderna, então a possibilidade de outros universos coexistirem ao lado do nosso é no mínimo plausível.


Até aqui, tratamos as dimensões extras apenas como um ingrediente necessário para que a Teoria das Cordas funcionasse, mas elas conduzem a uma consequência muito mais surpreendente: na Teoria M, as cordas deixam de ser os únicos protagonistas e passam a dividir o palco com objetos com várias dimensões, chamados branas (do inglês membranes), que podem ser imaginadas como superfícies que se estendem pelo espaço em diferentes números de dimensões.


Algumas branas se parecem com linhas, outras com folhas, outras ainda com volumes de dimensões superiores, impossíveis de visualizar intuitivamente. Segundo essa perspectiva, o próprio Universo pode ser uma dessas branas, ou seja, tudo o que conhecemos, das galáxias, estrelas, planetas, seres vivos e até nós mesmos — estaria confinado à superfície de uma gigantesca membrana cósmica mergulhada em um espaço de dimensões superiores.


Supõe-se que as branas podem coexistir muito próximas umas das outras em uma dimensão que não conseguimos perceber, e embora pareçam vizinhas em um espaço de dimensões superiores, são completamente inacessíveis para quem vive confinado dentro de uma delas — assim como duas páginas contíguas de um livro estão separadas por uma espessura minúscula, mas um personagem desenhado em uma das páginas jamais conseguiria atravessar para a outra.


Se isso estiver correto, é possível que existam inúmeros universos, cada qual com suas próprias propriedades físicas. Alguns poderiam ser praticamente idênticos ao nosso, e outros, tão diferentes que nem mesmo átomos ou estrelas conseguiriam existir. 


Vale salientar que tudo isso permanece no campo das hipóteses. Até o momento, não existe qualquer evidência experimental da existência de branas ou de outros universos. Trata-se de uma consequência matemática de alguns modelos da Teoria M, ainda distante de uma confirmação observacional. Como acontece com tantas ideias da física de fronteira, a elegância da teoria é inegável, mas a natureza ainda não revelou se ela corresponde à realidade. Por outro lado, a simples possibilidade de o Universo ser apenas uma entre inúmeras "membranas" cósmicas já basta para ampliar nossa perspectiva. 


Achávamos que a Terra fosse o centro de tudo até descobrirmos que ela é apenas um planeta entre bilhões. Agora, surge a hipótese de nosso Universo ser apenas um entre incontáveis outros. E, se isso parece extraordinário, espere pelo próximo capítulo, porque a viagem está apenas começando.


Continua…

domingo, 27 de setembro de 2026

MACARRÃO TRADICIONAL VS MACARRÃO INSTANTÂNEO (MIOJO)

NEM TUDO QUE RELUZ É OURO E NEM TUDO QUE BALANÇA CAI.

O macarrão se tornou a peça chave da dieta dos italianos no século XIII, depois que Marco Polo o trouxe da China, e chegou ao Brasil no começo do século passado, juntamente com o queijo, o vinho e outros produtos típicos da Itália.


O famigerado macarrão instantâneo japonês (Miojo é marca, mas virou sinônimo do produto) se tornou popular por ter preço baixo, vida útil longa, não requerer outros ingredientes além de água, ficar pronto em 3-5 minutos e ser oferecido em diversos sabores. 


Como nada é perfeito, essa gororoba é pré-frita, seu teor de sódio pode chegar a 1,5 g por pacote — mais da metade da recomendação diária —, e o que lhe falta em valor nutricional sobra em conservantes, aditivos artificiais e gorduras saturadas.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Sujeito oculto da sucessão de 2026, Jair Bolsonaro tentou voltar à cena na última quarta-feira, pedindo ao ministro Nunes Marques que suspendesse sua prisão domiciliar, de modo a poder circular livremente enquanto o tribunal não julga o pedido de revisão criminal da condenação que lhe impôs mais de 27 anos de prisão por liderar o complô do golpe. 

Menos de três horas depois, a defesa do preso deu meia-volta, desistindo do pedido, mas o vaivém produziu uma baixa no time de advogados do presidiário. O causídico Marcelo Bessa, que assinou o pedido de liberdade, deixou a equipe de defensores do "mito" preso. 

O curto-circuito que levou à saída do doutor foi reduzido a "uma reavaliação da estratégia da defesa". O movimento não apagou a impressão de que a soltura de Bolsonaro, além de esdrúxula, seria um escárnio. Esdrúxulo porque, até aqui, não surgiu nenhum fato novo capaz de desconstruir as provas que levaram à condenação de Bolsonaro. A solicitação de revisão criminal deu entrada no Supremo em 8 de maio. Escolhido como relator por sorteio, Nunes Marques requisitou manifestação da PGR, que se posicionou contra o pedido em 16 de junho. A liberação de Bolsonaro mediante uma liminar que antecipa uma decisão que cabe ao plenário do Supremo. Daí o escárnio.

Bolsonaro tentou retornar ao palco eleitoral a dez dias do primeiro turno da eleição presidencial. Deu sinal de vida num instante em que a autoridade de Alexandre de Moraes, relator do caso do golpe, derrete no caldeirão do Master. A manobra pareceu menos jurídica do que política, já que ele se reposicionaria em cena envergando sua fantasia de vítima. 

Um detalhe ajudou a comprometer o enredo: a toga de Nunes Marques, indicado ao Supremo por Bolsonaro, também está manchada por vínculos promíscuos com Daniel Vorcaro.


Já o macarrão tradicional (tanto fresco quanto seco) tem menos conservantes e aditivos, pouco sódio, cozinha em 8-12 minutos, é muito mais saudável e pode ser combinado com vegetais ou outros ingredientes nutritivos, deixando a refeição mais balanceada e apetitosa. Um molho de tomate como manda o figurino não fica pronto em menos de 2 horas, mas é possível prepará-lo com antecedência e guardar na geladeira por até 7 dias (ou no freezer por até 3 meses).


Para os tradicionalistas, macarrão se come com molho ao sugo, feito com tomates frescos ou pelados. A versão básica surgiu por volta do século XVIII, quando o tomate passou a ser amplamente utilizado na região sul da Itália, e se tornou a base para molhos mais complexos, como bolonhesa (com carne moída), putanesca (com alcaparras, azeitonas e aliche), arrabiata (com alho, azeite e muita pimenta), entre outros.

 

O espaguete é o formato de macarrão mais popular e consumido em todo o mundo (entre 30% e 50% de participação no mercado, conforme a região). Eu prefiro talharim, fettuccine, farfalle, e até fusilli, mas, como dizia minha avó, o que seria do verde se todos gostassem somente do amarelo? Além disso, qualquer desses formatos vai bem com molho ao sugo, como na receita a seguir, que é a mais simples que conheço: 

 

1) Em uma panela média, aqueça o azeite de oliva;

 

2) Adicione a cebola e alho picados e refogue por 2-3 minutos;

 

3) Acrescente o tomate pelado e cozinhe em fogo médio por 15 minutos;

 

4) Tempere com sal e uma pitada de açúcar e mexa bem para misturar os sabores;

 

5) Transfira o macarrão (cozido al dente) do escorredor para a panela do molho e misture bem;

 

6) Coloque a massa numa travessa, acrescente folhas de manjericão fresco e polvilhe queijo parmesão ralado a gosto.

 

Dica: Cozinhe a massa por um minuto a menos do tempo indicado na embalagem, ou ela passará do ponto enquanto estiver sendo misturada com o molho.


Bom apetite.

sábado, 26 de setembro de 2026

ASTEROIDE CAPAZ DE LIBERAR ENERGIA EQUIVALENTE À DE 22 BOMBAS NUCLEARES ENTRA NO RADAR DA NASA

HÁ MALES QUE VÊM PARA O BEM. O RESTO VEM DO ESPAÇO SIDERAL..

Uma imagem divulgada pela NASA mostra o asteroide Bennu durante a missão OSIRIS-REx, que tem cerca de 500 metros de diâmetro e é capaz de liberar uma energia equivalente à de 22 bombas nucleares em caso de impacto com a Terra. 


Bennu cruza periodicamente a órbita terrestre e sua trajetória é acompanhada há anos por cientistas. Segundo os cálculos mais recentes, a data que concentra a maior probabilidade de um eventual impacto é 24 de setembro de 2182.


Isso está longe de significar que uma colisão seja esperada: de acordo com a Nasa, a probabilidade total de Bennu atingir a Terra até o ano de 2300 é de aproximadamente 1 em 1.750, ou 0,057%. Já para 24 de setembro de 2182, a chance é de cerca de 1 em 2.700, equivalente a 0,037%. Em outras palavras, há mais de 99,9% de probabilidade de que o impacto não aconteça.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Apesar dos rumores, a postura omissa do presidente do Congresso em relação ao escândalo do Master nunca foi devidamente explicada. Davi Alcolumbre ignorou os pedidos de instalação de uma CPI para apurar o caso, recusou-se a responder a um ofício sobre eventuais entradas de Vorcaro nas dependências do Senado, negou-se a fornecer à Polícia Federal a lista de visitantes do gabinete do senador Jaques Wagner, suspeito de receber propina, e sempre desconversa quando indagado sobre o nível de suas relações com o ex-banqueiro. 

Mensagens encontradas pela PF no celular de Vorcaro iluminam essa zona de sombra revelando que Alcolumbre é um amigo fraterno, um irmão, um parceiro fiel com quem o dono do Master podia contar a qualquer tempo, a qualquer hora, para qualquer coisa. Entre os dois, a intimidade ia muito além do limite da camaradagem. O senador recorria ao banqueiro até para resolver questões prosaicas, como tentar identificar a fonte de um jornalista, ao passo que o banqueiro recorria ao senador quando precisava abrir certas portas. Festas e encontros privados fortaleceram essa conexão.

Em junho passado, pouco depois de Davi Alcolumbre inviabilizar a criação da CPI no Congresso, uma reportagem de VEJA revelou detalhes de uma proposta de delação premiada que a defesa de Daniel Vorcaro encaminhou à Polícia Federal. Nela, entre outras revelações, o banqueiro se oferecia para falar sobre pagamentos feitos ao senador numa conta secreta aberta no exterior. Em troca de benefícios, o dono do Master prometia revelar o caminho de 30 milhões de dólares repassados a Alcolumbre por serviços prestados pelo político. O acordo de colaboração, no entanto, não foi aceito. Na época, o parlamentar disse que as informações eram falsas e, numa reunião com os colegas, negou até mesmo conhecer o banqueiro. Na última quarta-feira, quatro meses depois da ofensiva de Alcolumbre contra a criação de uma CPI, o ministro Cristiano Zanin negou um recurso para a instalação da comissão de inquérito sob o argumento de que não se comprovou omissão do presidente do Senado em apurar o escândalo financeiro e suas ramificações políticas. Em paralelo, seu colega Luiz Fux abriu prazo para que o presidente do Congresso se manifeste sobre um pedido do partido Novo para que se tornem públicos os registros de entrada e saída no Senado de diversas pessoas, incluindo Daniel Vorcaro. 

Em um dos últimos registros em poder dos investigadores, o dono do Banco Master pergunta a Alcolumbre se ele tem notícias do “nosso amigo”. “Estou em Cima!!! Pressão!!!”, respondeu o senador. A sombra começa a se dissipar.


Os números resultam de um refinamento inédito dos cálculos da órbita do asteroide, obtido graças à missão OSIRIS-REx, lançada em 2016, que chegou a Bennu em 2018 e permaneceu por mais de dois anos estudando detalhadamente o objeto. Durante esse período, a sonda mediu sua forma, massa, rotação, composição e outros fatores que influenciam sua trajetória ao redor do Sol.


Em outubro de 2020, a missão realizou uma operação histórica ao coletar amostras da superfície do asteroide. O material retornou à Terra em 24 de setembro de 2023 e continua sendo analisado. Além de fornecer pistas sobre a formação do Sistema Solar, as amostras ajudam a compreender melhor as propriedades físicas de Bennu e os efeitos que podem alterar sua órbita ao longo do tempo.


Outro momento considerado decisivo ocorrerá em 2135, quando Bennu fará uma aproximação significativa da Terra. Essa passagem não oferece risco de colisão, mas a gravidade do planeta poderá modificar levemente a órbita do asteroide, e a intensidade dessa alteração determinará suas trajetórias nas décadas seguintes e permitirá atualizar as estimativas de risco para os séculos futuros.


Além da gravidade exercida pelos planetas, a órbita de Bennu sofre influência do chamado efeito Yarkovsky — fenômeno provocado pela absorção e posterior emissão de calor pelo asteroide. Embora produza uma força muito pequena, ela é suficiente para alterar lentamente sua trajetória ao longo de décadas e séculos. As observações da OSIRIS-REx permitiram que esse efeito fosse calculado com muito mais precisão.


Segundo a Nasa, esse avanço representa um marco para os programas de defesa planetária. Quanto mais precisamente a órbita de um asteroide potencialmente perigoso for conhecida, maior será a capacidade de prever aproximações futuras e, se necessário, desenvolver estratégias para evitar uma colisão.