sexta-feira, 30 de outubro de 2026

A VERDADE (AINDA) ESTÁ LÁ FORA — PARTE 6

NOSSO SOL É UMA ENTRE MAIS DE 100 BILHÕES DE ESTRELAS NA VIA LÁCTEA, RAZÃO PELA QUAL É MUITA PRESUNÇÃO ACHAR QUE SOMOS OS ÚNICOS SERES DO UNIVERSO.

Em 2017, o objeto interestelar Oumuamua — cujo nome havaiano significa “mensageiro de longe que chega primeiro” — atravessou o Sistema Solar em uma trajetória altamente hiperbólica, deixando a comunidade científica perplexa.


O astrônomo Avi Loeb, de Harvard, argumentou que ele poderia ter atingido altas velocidades a partir de uma vela solar criada por uma civilização extraterrestre — uma hipótese polêmica, sem dúvida, mas formulada por um cientista com décadas de carreira acadêmica e centenas de artigos publicados.


O enredo ganhou um novo capítulo em julho de 2025, quando um terceiro objeto interestelar, o 3I/ATLAS, foi detectado aproximando-se do Sistema Solar a cerca de 217.000 km/h, vindo aproximadamente da direção da constelação de Sagitário. Loeb levantou a hipótese de que características do objeto poderiam ser compatíveis com uma origem tecnológica, embora essa interpretação esteja longe de ser consensual. Como costuma acontecer quando se mexe com extraterrestres, a discussão rapidamente ultrapassou as fronteiras da astronomia e entrou no território da especulação.


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Em setembro de 2023, a NASA publicou o relatório elaborado por sua equipe independente de estudo sobre UAPs — os chamados fenômenos anômalos não identificados. O documento reconheceu que há relatos de testemunhas consideradas confiáveis, entre elas aviadores militares, sobre objetos ou fenômenos que não conseguiram identificar. Isso, porém, está muito longe de constituir uma confirmação de tecnologia extraterrestre: a NASA deixou claro que não encontrou evidências conclusivas de que os UAPs tenham origem alienígena. Ainda assim, a possibilidade de fenômenos ou tecnologias desconhecidas continua sendo uma questão legítima de investigação científica.

Na audiência histórica de julho de 2023 no Congresso americano — uma das mais importantes discussões públicas sobre o assunto em décadas —, David Grusch, ex-oficial de inteligência dos EUA, declarou sob juramento que, segundo informações que havia recebido, o governo americano possuiria veículos de origem não humana “intactos e parcialmente intactos”. Suas afirmações provocaram enorme repercussão, embora não tenham sido acompanhadas, publicamente, de evidências físicas que permitissem confirmar tais alegações.


Já o comandante David Fravor, veterano da Marinha americana, descreveu o objeto que avistou em 2004 como muito superior às tecnologias conhecidas à época e relatou características de voo que, segundo ele, não correspondiam a nenhuma aeronave convencional. O chamado “Tic Tac” tornou-se desde então um dos casos mais conhecidos da história recente dos UAPs.


É fato que a NASA colocou astronautas na Lua e enviou sondas para o espaço interestelar. Também é fato que o rover Perseverance encontrou, em um antigo leito fluvial marciano, uma formação rochosa posteriormente batizada de “Cheyava Falls”, cujas características químicas e mineralógicas podem ser compatíveis com processos biológicos ocorridos no passado. A rocha contém moléculas orgânicas à base de carbono, minerais como a vivianita e estruturas que despertaram especial interesse dos pesquisadores. Essas características foram consideradas possíveis bioassinaturas — isto é, sinais que podem ter origem biológica —, mas ainda não constituem prova de que Marte tenha abrigado vida.


Por outro lado, nenhuma tecnologia desenvolvida até agora permitiu cruzar o cosmos a velocidades próximas à da luz ou criar atalhos no espaço-tempo que possibilitem percorrer milhões ou bilhões de quilômetros em questão de minutos — ao menos até onde sabemos. Mas basta manter a mente aberta para admitir a possibilidade de existirem civilizações muito mais desenvolvidas que a nossa e, portanto, capazes de dominar tecnologias que hoje sequer conseguimos imaginar. Afinal, a história da ciência e da tecnologia está repleta de coisas que pareciam impossíveis até deixarem de sê-lo.


Causa espécie o fato de milhões de pessoas no mundo inteiro continuarem acreditando que a Terra é plana e negando qualquer possibilidade de vida extraterrestre, mesmo quando confrontadas com a avalanche de imagens que demonstram a esfericidade do planeta e com os incontáveis avistamentos de OVNIs que alimentam o debate sobre o assunto. Não se nega a esses bocórios o direito de viver dentro de suas bolhas, orbitando certezas que desafiam a gravidade da lógica. Como disse alguém mais sábio, pode-se derrotar 40 sábios com um único argumento, mas 400 argumentos não bastam para convencer um idiota daquilo que lhe salta aos olhos.


Se não há evidências de universos paralelos, tampouco se pode afirmar que eles não existam. Afinal, as equações da mecânica quântica, combinadas às da relatividade geral, já nos brindaram com inúmeras “previsões mirabolantes” para a época, posteriormente confirmadas por experimentos de laboratório e observações astronômicas. A título de ilustração, a expedição comandada por Pedro Álvares Cabral levou 44 dias para navegar de Lisboa até o que viria a ser o litoral sul da Bahia, enquanto hoje qualquer voo comercial atravessa o Atlântico em menos de dez horas.


No que concerne à vida extraterrestre, porém, a história é outra. Se existem dezenas de sextilhões de estrelas no Universo observável, e muitas delas são orbitadas por exoplanetas, a Terra seria pouco mais que um minúsculo grão de areia numa praia de dimensões cósmicas. Dito isso, é muita pretensão afirmar que nenhuma forma de vida tenha se desenvolvido em alguns desses corpos celestes. Não estou falando necessariamente de vida inteligente, mas tampouco essa possibilidade deve ser descartada.


Desde que o primeiro exoplaneta em torno de uma estrela semelhante ao Sol foi descoberto, há cerca de 30 anos, milhares deles vêm sendo identificados orbitando não apenas estrelas semelhantes à nossa, mas também anãs vermelhas e outros tipos de astros. Graças a missões como Kepler e TESS, a NASA Exoplanet Archive já registrou milhares de exoplanetas confirmados, e outros milhares de candidatos aguardam confirmação. Para explorar dados detalhados sobre esses mundos, pode-se consultar o Painel de Descobertas da NASA.


Há desde mundos pequenos e rochosos, como a Terra, até gigantes gasosos maiores que Júpiter. Há também os chamados “Júpiteres quentes”, “super-Terras” — planetas geralmente maiores e mais massivos que a Terra — e “mini-Netunos”, versões menores dos gigantes gasosos que conhecemos. Existem ainda sistemas em que planetas orbitam duas estrelas ao mesmo tempo e até planetas que giram em torno de remanescentes de estrelas mortas. Tudo somado e subtraído, há provavelmente centenas de bilhões de planetas somente na Via Láctea, sobre os quais ainda sabemos relativamente pouco.


Observação: Com lançamento previsto para 2027, o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman deverá ampliar significativamente a busca e o estudo de exoplanetas, utilizando diferentes métodos de detecção. Já a Missão ARIEL, da Agência Espacial Europeia, com lançamento previsto para 2029, terá como uma de suas principais tarefas estudar as atmosferas de exoplanetas, investigando sua composição, nuvens e neblinas.


Em meados do século passado, durante uma conversa descontraída com alguns colegas, o físico italiano Enrico Fermi levantou uma pergunta que atravessaria gerações: “Onde está todo mundo?" Considerando que existe um número astronômico — sem trocadilho — de estrelas somente na Via Láctea, e que muitas delas constituem sistemas planetários, não se pode descartar a possibilidade de alguns desses exoplanetas reunirem condições propícias ao surgimento da vida e de essa vida, em algum momento, evoluir para formas inteligentes e tecnologicamente avançadas.


Se formos um pouco mais além e considerarmos que algumas dessas hipotéticas civilizações são muito mais desenvolvidas que a nossa, como negar a possibilidade de extraterrestres viajarem pelo cosmos em busca de outros mundos? O surgimento da vida, da forma como a conhecemos, é um processo extremamente complexo, que precisa superar inúmeras barreiras, sobretudo quando tomamos a Terra como exemplo de um planeta habitável.


Por outro lado, se outras civilizações alcançaram um estágio de desenvolvimento semelhante ao nosso, por que não conseguimos detectar sinais de rádio ou de outro tipo de tecnologia alienígena avançada, como aqueles que nós mesmos somos capazes de produzir?


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quinta-feira, 29 de outubro de 2026

MERCÚRIO ESTÁ ENCOLHENDO?

A ABSTINÊNCIA É UMA BOA COISA, DESDE QUE PRATICADA COM MODERAÇÃO.

Depois que Plutão foi rebaixado a objeto transnetuniano (2006), nosso sistema solar ficou reduzido a 8 planetas, sendo quatro internos (os rochosos Mercúrio, Vênus, Terra e Marte) e quatro externos (os gasosos Júpiter, Saturno, Urano e Netuno).


Mercúrio é o primeiro planeta por ordem de afastamento do Sol, mas a ausência de atmosfera provoca variações brutais de temperatura (de 430 °C no lado iluminado a −180 °C no lado noturno). Vênus, por outro lado, mantém a maior média térmica do Sistema Solar — 475 °C de forma constante, dia e noite, em qualquer ponto da superfície, como uma estufa perfeita e infernal.


Mercúrio ganhou o nome do deus associado ao comércio, às viagens e à eloquência (correspondente a Hermes, o mensageiro dos deuses na mitologia grega), completa sua translação em 87 dias terrestres, mas leva 58 dias e 16 horas para girar em torno do próprio eixo. A distância média entre ele e a Terra é de 91,7 milhões de km, mas cai para 77 milhões de km na conjunção inferior e aumenta para 221 milhões de km quando passa pelo lado oposto do Sol em relação a nós. 


Mercúrio sempre teve um órbita estranha (para os padrões da gravidade newtoniana). Urbain Le Verrier passou a vida acreditando ter descoberto um planeta ainda mais próximo do Sol, e chegou mesmo a batizá-lo de Vulcano (em homenagem ao deus romano do fogo). Sua teoria foi entusiasticamente recebida por astrônomos profissionais e amadores, que decretaram aberta a "temporada de caça a Vulcano". Como a suposta existência desse planeta mais complicava do que simplificava as coisas, a comunidade científica a descartou, a teoria morreu junto com Le Verrier (1877) e o mistério das anomalias na órbita de Mercúrio só foi desvendado quando Einstein publicou sua célebre teoria.


Observação: Acredita-se que nosso sistema solar começou com vários planetas nas vizinhanças do Sol, mas suas órbitas se tornaram instáveis demais, e Mercúrio foi o único sobrevivente. De acordo com Brett Gladman e Kathryn Volk, o planetinha pode ter tido vários "irmãos", mas foi trombando com eles até destruí-los todos.


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Mercúrio pode ter encolhido entre 10% e 30% a mais do que os cientistas estimavam anteriormente. Um novo estudo sugere que parte das marcas deixadas pela contração do planeta está escondida sob detritos produzidos por impactos de asteroides. E isso permite traçar uma nova estimativa, que indica que Mercúrio pode ter perdido até 23 km de diâmetro ao longo de sua história. O trabalho, publicado na revista Geophysical Research Letters, foi liderado pelo cientista planetário Gaku Nishiyama, do Instituto de Pesquisa Espacial do Centro Aeroespacial Alemão (DLR).


Assim como os outros planetas rochosos do Sistema Solar, Mercúrio se formou há cerca de 4,5 bilhões de anos, em meio a colisões entre rochas e asteroides que orbitavam o Sol. Esses impactos produziram grandes quantidades de calor, que o planeta vem perdendo desde então. Conforme seu interior esfria, ele se contrai. As camadas rochosas mais externas precisam se adaptar à redução de tamanho e, nesse processo, se deformam e se rompem, originando estruturas tectônicas como escarpas e cristas — uma espécie de registro geológico do encolhimento do planeta.


Saber quanto Mercúrio se contraiu pode revelar características de seu interior. Uma maior contração significa que ele poderia ter um núcleo metálico maior, menos elementos leves como o silício misturados ao núcleo metálico ou uma temperatura inicial mais alta. Como o resfriamento deveria provocar uma contração relativamente uniforme, os sinais desse processo também deveriam estar distribuídos de maneira semelhante pela superfície. Mas há um problema: novos impactos formam crateras, criam depressões e espalham detritos pelo local, tornando algumas regiões mais irregulares e dificultando a identificação das marcas do encolhimento.


Para investigar essa questão, os pesquisadores combinaram mapas anteriores das evidências geológicas de contração com novos mapas da rugosidade de toda a superfície de Mercúrio. Pela primeira vez, a equipe mostrou que as regiões mais irregulares apresentam menos sinais visíveis de contração.


A hipótese levantada pela equipe é que os detritos produzidos pelos impactos estejam encobrindo parte dessas estruturas. Nishiyama compara o processo a uma camada de cascalho recém-colocada sobre uma estrada, capaz de esconder os sulcos que existiam anteriormente. A equipe então usou a contração necessária para formar cristas e escarpas nas áreas menos afetadas por impactos para estimar quanto o planeta teria encolhido como um todo, incluindo as regiões onde possíveis estruturas estão escondidas.


Até agora, estimava-se que Mercúrio tivesse perdido entre 4 e 16 km de seu diâmetro ao longo de sua história. O novo cálculo indica que a contração pode ter sido de 10% a 30% maior do que se pensava, elevando a redução total para até 23 km. Para Nishiyama, embora o valor de 30% seja surpreendente, a estimativa corrigida faz sentido. Com os novos números, as observações sobre o resfriamento e a contração de Mercúrio ficam mais próximas das previsões feitas com base na física, o que pode contribuir para uma compreensão mais precisa do interior do planeta. Ainda assim, o novo cálculo pode continuar subestimando o fenômeno. Os dados disponíveis da missão MESSENGER, da NASA, encerrada em 2015, permitem medir de maneira confiável apenas estruturas com mais de aproximadamente 5 km de diâmetro.]


A expectativa é que esse cenário mude em novembro deste ano, quando a missão BepiColombo começará a obter imagens de maior resolução da superfície de Mercúrio. Nishiyama, que integra a equipe científica da missão, espera que os novos dados permitam observar escarpas, cristas e crateras de impacto com detalhes inéditos, e, assim, revelar outras marcas do encolhimento do planeta.

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

A VERDADE (AINDA) ESTÁ LÁ FORA — PARTE 5

A VIDA EM OUTROS PLANETAS É REAL E FAZ PARTE DA EVOLUÇÃO ESPIRITUAL — CHICO XAVIER.

Embora devesse ser uma evidência objetiva, a fotografia sempre foi um dos grandes problemas da ufologia. Isso se deve ao fato de que uma foto registra apenas aquilo que atingiu o filme ou o sensor, ou seja, não explica o que provocou a imagem em questão. 


Em julho de 1952, o fotógrafo da Guarda Costeira americana Shell Alpert registrou quatro pontos luminosos em formação sobre Salem, Massachusetts. A foto se tornou uma das imagens clássicas da história dos OVNIs e está preservada pela Biblioteca do Congresso americano,


Diversas análises do caso feitas ao longo dos anos levantaram hipóteses como dupla exposição e reflexos no vidro da janela. O próprio histórico do episódio mostra que diferentes análises chegaram a interpretações distintas. Em outras palavras, até uma fotografia autêntica pode ser uma evidência ambígua. 


Isso fica ainda mais evidente quando aparecem imagens deliberadamente falsificadas, como a foto das espaçonaves capturadas pela câmera do mecânico Paul Villa, de Albuquerque, nos anos 1960, que disse ter sido contatado telepaticamente por seres extraterrestres. As fotos foram posteriormente alvo de críticas relacionadas ao tamanho aparente e à perspectiva dos objetos, levantando a hipótese de que se tratava de modelos em miniatura.


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Vale destacar que a história dos OVNIs não é composta apenas por fenômenos inexplicados, mas também por enganos, interpretações equivocadas, brincadeiras, fraudes e pessoas sinceramente convencidas de terem visto algo extraordinário, o que torna a investigação muito mais difícil. Mas a história fica realmente interessante quando deixamos as fotografias antigas e chegamos aos casos envolvendo militares e sensores modernos.


Em 2004, durante exercícios da Marinha americana na costa da Califórnia, pilotos de F/A-18 encontraram um fenômeno que posteriormente ficou associado ao chamado Incidente Nimitz. Anos depois, vídeos registrados pelos sensores das aeronaves vieram a público, e, em 2020, o próprio Departamento de Defesa americano confirmou oficialmente a autenticidade dos três deles — um registrado em 2004 e dois em 2015 — e afirmou que os fenômenos mostrados permaneciam classificados como não identificados.


Uma coisa é alguém filmar uma luz no céu com um celular, outra é um sensor militar registrar um fenômeno durante uma operação de treinamento, mas mesmo nesse caso precisamos resistir à tentação de completar a história com aquilo que gostaríamos que estivesse nela. Um vídeo autêntico prova que as imagens não foram adulteradas, mas não prova a natureza do objeto filmado, nem que suas aparentes manobras desafiaram as leis da Física.


Para chegar a essa conclusão é necessário conhecer perfeitamente a posição, a distância, a velocidade, o movimento do sensor, as condições atmosféricas e todas as demais variáveis envolvidas. Por outro lado, isso não torna os vídeos menos interessantes, apenas os coloca no lugar correto: são dados a serem investigados, não certificados de origem extraterrestre.


Deixemos de lado por um instante os discos voadores propriamente ditos e foquemos a possibilidade de encontrar vida em algum planeta ou satélite do nosso Sistema Solar ou nos incontáveis exoplanetas espalhados pelo Universo observável.  


Em abril de 2025, observações do Telescópio Espacial James Webb colocaram novamente o exoplaneta K2-18 b no centro das atenções. Pesquisadores anunciaram indícios de moléculas como sulfeto de dimetila (DMS) e dissulfeto de dimetila (DMDS) em sua atmosfera — substâncias que, na Terra, estão associadas principalmente a processos biológicos.


A manchete parecia pronta: “James Webb encontra sinais de vida alienígena.” Só que a ciência é menos cinematográfica. Os próprios pesquisadores foram cautelosos ao tratar o resultado como possível bioassinatura, e análises posteriores questionaram a robustez estatística da detecção. Um estudo publicado posteriormente chegou a apontar que não havia evidência suficiente para confirmar a presença de DMS e DMDS na atmosfera do planeta. Dito isso, K2-18 b não nos entregou uma prova de vida microbiana e muito menos um ET, mas talvez mais valioso: uma hipótese que pode ser testada.


É assim que a ciência deveria funcionar. Não precisamos acreditar. Precisamos observar, medir, repetir e tentar derrubar a própria hipótese. Se ela sobreviver, teremos algo muito mais interessante do que uma história de ficção científica. Aliás, poucos nomes representam melhor essa mudança de atitude do que o astrônomo e ufólogo J. Allen Hynek.


Hynek trabalhou como consultor científico do Projeto Blue Book e, inicialmente, encarava muitos relatos com bastante ceticismo. Com o tempo, porém, ele passou a defender uma investigação mais rigorosa dos casos que permaneciam sem explicação, e sua contribuição mais importante talvez não tenha sido afirmar que os extraterrestres estavam chegando, e sim insistir que um fenômeno não deve ser descartado simplesmente porque sua explicação ainda não foi encontrada. 

Essa é uma diferença sutil, mas fundamental, mesmo porque dizer “não sei o que é” não significa dizer “é uma nave alienígena”, mas simplesmente “não sei o que é.” E por vezes essa é a resposta mais científica que podemos dar.


O Brasil também tem seu quinhão de histórias, que não é pequeno. O Arquivo Nacional guarda dezenas de quilos de documentos relacionados a ocorrências investigadas pela Aeronáutica ao longo das décadas, incluindo descrições, croquis, fotografias e relatórios. Entre esses documentos está o material do SIOANI — Sistema de Investigação de Objetos Aéreos Não Identificados, que funcionou no antigo IV Comar, em São Paulo, entre 1969 e 1972, bem como registros de episódios notórios, como o Caso Trindade, o ET de Varginha e a Operação Prato, entre outros.


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terça-feira, 27 de outubro de 2026

A VERDADE (AINDA) ESTÁ LÁ FORA — PARTE 4

SE NON È VERO, É BENE TROVATO.

No apogeu da civilização maia (entre 250 e 900 d.C.), grandes cidades, pirâmides e praças majestosas foram erguidas em plena floresta tropical do México, da Guatemala e de Belize.

Teóricos da conspiração atribuem esse prodígio ora a alienígenas, ora a habitantes do Continente perdido de Atlântida. Em Stonehenge Decoded, o astrônomo Gerald Hawkins estima que a estrutura foi erguida no período neolítico, quando as Ilhas Britânicas eram habitadas por povos considerados atrasados em relação a seus contemporâneos mediterrâneos.

A hipótese extraterrestre parece tão irresistível porque suscita uma questão perfeitamente legítima: talvez o Universo — com suas centenas de bilhões, senão trilhões, de galáxias, cada uma contendo bilhões de estrelas — seja grande demais para a nossa imaginação. 

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Lula sonhou com uma vitória no primeiro turno, mas obteve 2,2 milhões de votos a menos que Flávio Bolsonaro, ficou transtornado com a necessidade de disputar a Presidência contra um adversário que considera desqualificado e, em off, disse que tem "biografia", enquanto o rival tem "ficha corrida". 

O molusco levou sua inconformidade ao palanque nas megamanifestações que marcaram a véspera do encerramento de sua sétima e última eleição presidencial, adicionando a seus discurso no Rio de Janeiro nomes de velhos adversários, como Ulysses Guimarães, Leonel Brizola, Mário Covas, Fernando Henrique Cardoso, José Serra e Geraldo Alckmin. Depois, além de chamar Flávio Bolsonaro de "miliciano", classificou-o como alguém que "não é uma pessoa, é uma mentira".

Repetida em São Paulo, a frase expõe menos uma divergência programática do que a irritação de Lula com o baixo nível que atribui à disputa, ou seja, o desabafo contém uma armadilha. 

Ao evocar os nomes que enfrentou no passado, o macróbio reivindica para si uma trajetória de grandes embates e sugere que a política brasileira perdeu estatura, mas, ao reduzir o filho do presidiário à condição de adversário sem credenciais, transforma a eleição também num julgamento sobre a própria capacidade de enfrentá-lo. Se o rival é tão desqualificado, por que a disputa chegou tão apertada à reta final? A pergunta não precisa ser justa para ser politicamente incômoda.

A eleição não só não coloca em jogo a continuidade de um governo como testa o enredo que Lula construiu sobre a própria trajetória: a de um personagem capaz de atravessar crises, superar adversários e permanecer no centro da política nacional. Uma derrota no fim da carreira não apagaria essa história, mas mudaria a maneira como seu epílogo seria contado.

Preso e banido das urnas, Jair Bolsonaro invadiria o epílogo de Lula.


Não se sabe o destino das bibliotecas de Jerusalém e de Pérgamo, nem quantos segredos se perderam com as destruições em massa dos livros históricos, astronômicos e filosóficos ordenadas pelo imperador chinês Shih-Huang, por Hitler e por Mao Tsé-Tung. Um alfarrábio contendo "toda a ciência da antiguidade" foi destruído pelo imperador inca Pachacuti, e milhões de volumes pertencentes a Ptolomeu I Sóter foram incinerados por ordem do Califa Omar. O que se perdeu nessas fogueiras não se sabe, mas sabe-se que a história do conhecimento humano não é uma linha reta ascendente, e sim um arquipélago de ilhas separadas por mares de silêncio.


Estimativas sobre a quantidade total de estrelas e planetas variam enormemente porque dependem de modelos e observações indiretas, mas foi justamente essa imensidão que inspirou uma das frases mais conhecidas associadas a Carl Sagan: “Se somos apenas nós, parece um terrível desperdício de espaço.” A ideia aparece em Contato, embora a formulação tenha raízes mais antigas e Sagan também tenha citado uma reflexão de Thomas Carlyle sobre a possibilidade de outros mundos habitados.


Em suma, a existência de vida fora da Terra não é uma fantasia absurda, mas uma hipótese científica perfeitamente legítima. O problema começa quando saltamos de “é provável que exista vida em algum lugar” para “eles estão aqui” — duas afirmações completamente diferentes.


Observação: O acrônimo UFO, de unidentified flying object, deu lugar, em boa parte do vocabulário oficial americano, a UAP, de unidentified anomalous phenomena. A mudança não é apenas cosmética: UAP é uma categoria mais abrangente e não pressupõe sequer que aquilo observado seja uma aeronave. Mas a explicação oficial continua sendo muito menos emocionante que a imaginada pelos ufólogos: um fenômeno não identificado não é, por definição, um fenômeno extraterrestre.


Durante décadas, muitos relatos foram explicados como aeronaves, balões, fenômenos meteorológicos, efeitos ópticos, erros de percepção, artefatos fotográficos ou outros acontecimentos perfeitamente terrestres. Outros permaneceram sem explicação satisfatória, de modo que a discussão continua viva. E poucos episódios contribuíram tanto para transformar a ufologia moderna em fenômeno cultural quanto o Caso Roswell.


Em julho de 1947, jornais do Novo México noticiaram que militares haviam recuperado, nas proximidades de Roswell, um objeto descrito inicialmente como um “disco voador”. Pouco depois, a versão oficial mudou: os destroços seriam de um balão. Décadas mais tarde, a cidade se transformou no grande símbolo da suposta ocultação de naves e corpos extraterrestres pelo governo americano, ainda que as investigações oficiais posteriores "não tenham encontrado evidências" de uma nave alienígena.


Segundo a Força Aérea americana, os destroços eram compatíveis com um projeto de balão de alta altitude conhecido como Mogul, utilizado para pesquisas e monitoramento. A mesma investigação apontou que os supostos “corpos alienígenas” associados ao caso provavelmente resultaram da mistura de diferentes acontecimentos ocorridos em anos posteriores, inclusive testes com bonecos antropomórficos lançados de balões.


Seja como for, o caso sobreviveu por quase oito décadas, suscitando teorias conspiratórias que misturam segredo militar, documentos desaparecidos, testemunhas tardias, versões conflitantes e supostos encobrimentos, sendo difícil separar o acontecimento original da mitologia construída em torno dele. No entanto, por mais que Roswell seja fascinante, fascínio não constitui prova. 


Mais adiante, apareceu a Área 51, que acabou se transformando em uma espécie de parque temático mundial da conspiração. Não há provas de que existam ETs escondidos por lá, mas, se existirem, eles escolheram um lugar bastante apropriado para não receber visitas.


Entre 1947 e 1969, a Força Aérea Americana (USAF) investigou milhares de relatos por meio dos projetos Sign, Grudge e, por fim, do famoso Blue Book. Foram registrados 12.618 avistamentos, dos quais 701 permaneceram classificados como “não identificados” quando o projeto foi encerrado. Parece muita coisa, mas há uma diferença fundamental entre dizer que os relatos permaneceram sem identificação e afirmar que se trata de naves extraterrestres. 


O governo não chegou a essa conclusão; ao contrário: sua posição oficial foi que não havia evidência de que os casos classificados como não identificados representassem veículos extraterrestres. E o famoso Relatório Condon, resultado de um estudo conduzido pela Universidade do Colorado — a pedido da própria Força Aérea — também não encontrou base científica suficiente para sustentar a hipótese extraterrestre como explicação para os fenômenos investigados. 


Em dezembro de 1969, as investigações foram encerradas, mas o céu continua lá e as pessoas continuam olhando para ele.


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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

A VERDADE (AINDA) ESTÁ LÁ FORA — PARTE 3

O QUE É MAIS ASSUSTADOR? A IDEIA DE EXTRATERRESTRES EM MUNDOS ESTRANHOS OU A IDEIA DE QUE, EM TODO ESTE IMENSO UNIVERSO, NÓS ESTAMOS SOZINHOS?


Não existem provas cabais da existência de civilizações extraterrestres avançadas, conquanto não faltem relatos, objetos, fotografias, documentos e fenômenos que, ao longo da História, alimentaram a suspeita de que talvez não sejamos os únicos seres inteligentes a olhar para o céu. Mas aqui é preciso manter os pés no chão para não ser colocado dentro de um disco voador.


As Pirâmides de Gizé, Stonehenge, os Moais da Ilha de Páscoa, as Linhas de Nazca e outros monumentos da Antiguidade já foram apresentados como vestígios de uma suposta intervenção extraterrestre. A ideia é sedutora: nossos antepassados teriam recebido ajuda de visitantes vindos das estrelas para construir obras que, à primeira vista, parecem grandes demais, precisas demais ou misteriosas demais para sua época.


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As duas campanhas levaram multidões às ruas no último sábado: Lula, em Copacabana, e Flávio Bolsonaro, na Paulista, na Praça da Liberdade e na Barra da Tijuca. O asfalto cheio confirma a força da polarização e antecipa um desafio para o próximo governo, que terá de conviver com uma portentosa oposição extraparlamentar mobilizada e capaz de ocupar os espaços públicos. 

Encerrada a votação, mas não necessariamente a disputa política, as multidões voltarão para casa. Por outro lado, seria imprudente descartar a hipótese de que o asfalto volte a roncar se o lado derrotado se sentir contrariado pelo governo que tomará posse em janeiro de 2027.

As manifestações de sábado demonstram capacidade de mobilização, porém não garantem disposição permanente para a contestação, deixando à mostra um país dividido, no qual a derrota nas urnas pode não significar o recolhimento imediato das bandeiras. Há, porém, um paradoxo: o eleitor que não se identifica com nenhuma das candidaturas serve como tira-teima das urnas. Lula, na qualidade de vencedor, será forçado a governar não apenas para a multidão que o celebrou, mas para o país que não coube em nenhum dos palanques.


O problema é que “misterioso” não significa necessariamente “extraterrestre”, sem falar que inexistem evidências arqueológicas aceitas pela comunidade científica de que qualquer dessas construções tenha sido erguida com auxílio de seres de outros mundos. Afirma-se, inclusive, que as sociedades humanas eram perfeitamente capazes de realizar obras monumentais por meio de engenharia, organização social, conhecimento astronômico e, principalmente, uma quantidade impressionante de trabalho humano, mas isso não torna as pirâmides menos extraordinárias — pelo contrário: talvez as torne ainda mais intrigantes.


Igualmente difícil é explicar tapetes voadores e cavernas repletas de tesouros que se abriam por comando de voz — como o célebre Abre-te Sésamo —, até porque aviões e edifícios com portas automáticas só surgiram dali a 4 mil anos. Ou a imaginação dos autores dos Contos das Mil e Uma Noites era mais prodigiosa do que a dos autores de ficção científica contemporâneos, ou suas "fantasias" retratavam coisas que eles já conheciam.


Os deuses das mitologias grega e nórdica habitavam lugares acima das nuvens — o Monte Olimpo e Asgard, respectivamente. Textos cuneiformes dos antigos assírios descrevem divindades vindas das estrelas que viajavam em barcos celestiais. Os deuses dos sumérios eram associados a estrelas e planetas numa época em que sequer se cogitava a existência de sistemas solares, além de serem retratados como seres com estrelas na cabeça ou cavalgando esferas aladas.


Carruagens com rodas cuspindo fogo foram descritas tanto nos apócrifos de Abraão quanto nos de Moisés. Perto de Bagdá, foi descoberto em 1936 um artefato de dois mil anos que experimentos modernos demonstraram ser capaz de gerar mais de 1,4 volts de eletricidade — potência suficiente para eletrodeposição de metais. A arqueologia oficial hesita em confirmar seu uso como bateria, mas a hesitação, ela mesma, é sugestiva.


Textos do Mahabharata descrevem uma arma chamada Brahmastra, cujos efeitos — luz cegante equivalente a dez mil sóis, explosão devastadora, terra que se torna estéril por gerações, cabelos e unhas que caem nos sobreviventes — são suficientemente precisos para que Oppenheimer, ao assistir ao primeiro teste nuclear em 1945, tenha citado espontaneamente o Bhagavadgita. Coincidência literária ou memória de algo que de fato aconteceu?


Continua...