O QUE CHAMAMOS DE MAGIA É APENAS A CIÊNCIA QUE AINDA NÃO COMPREENDEMOS.
Como dito no capítulo anterior, não se sabe ao certo se o ábaco foi criado pelos assírios, pelos egípcios ou pelos chineses, mas sabe-se que ele surgiu por volta do ano 4000 a.C. e que é considerado o precursor do computador — assim como o UNIX, desenvolvido em meados do século passado, é tido como o pai de todos os sistemas operacionais.
CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA
Mudou de patamar a crise que opõe o ministro André Mendonça ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Desavenças que eram sussurradas no escurinho ganharam a forma de uma lavagem de roupa suja sob holofotes. Superintendentes da PF nos 27 estados escancararam as desavenças numa nota pública divulgada nesta quinta-feira.
Ao acender a luz dos bastidores, os chefes estaduais da PF iluminaram a gênese da encrenca. O pano de fundo é a percepção dos investigadores de que Mendonça duvida da transparência e do empenho na apuração de suspeitas que recaem sobre Lulinha. O ministro passou a se imiscuir no trabalho da polícia. Na nota, os subordinados de Andrei Rodrigues saíram em defesa do chefe e da corporação dirigida por ele.
Sustentaram no texto que a credibilidade da corporação "decorre da atuação técnica e independente de seus servidores, orientada exclusivamente pelos fatos, pelas provas e pelos mecanismos de controle previstos no ordenamento jurídico". Anotaram que as investigações não estão subordinadas "a interesses políticos, ideológicos ou pessoais, mas ao estrito cumprimento da lei".
As queixas dos delegados soaram nas pegadas da abertura de inquéritos para investigar Lulinha, dois deles sob a relatoria de Mendonça. Incomodado com os ruídos, Lula entrou em cena. Manifestou incômodo com a passividade do ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, superior hierárquico da PF.
Entrou em cena o advogado-geral da União, Jorge Messias. Evangélico como Mendonça, ele articulou um encontro do ministro do Supremo com o titular da Justiça. A reunião a três ocorreu horas depois da divulgação do documento dos delegados. O magistrado revelou no encontro preocupação com a independência da PF. O ministro Lima e Silva tranquilizou-o. Assegurou que não há interferência no trabalho dos investigadores.
Espera-se que a abertura do diálogo jogue água fria na fervura. Primeiro porque não convém eleitoralmente a Lula a insinuação segundo a qual a PF faz corpo mole. Segundo porque a maledicência não orna com a credibilidade do órgão, que investiga suspeitos de todos os quadrantes ideológicos. Terceiro porque as rusgas entre PF e Supremo interessam apenas aos investigados, ávidos pelo surgimento de material para fundamentar pedidos de nulidade por falhas processuais.
Muita areia escoou pela ampulheta desde a criação da clássica moldura com bastões paralelos e contas deslizantes até a primeira calculadora mecânica, idealizada no século XVII pelo matemático Blaise Pascal e posteriormente aprimorada pelo alemão Gottfried Leibniz, que adicionou a capacidade de multiplicar e dividir. Mais adiante, o Tear de Jacquard serviu de base para Charles Babbage projetar uma engenhoca capaz de computar e imprimir tabelas científicas, e Herman Hollerith, fundador da IBM, desenvolveu seu tabulador estatístico.
Em meados do século passado, pesquisadores da Universidade da Pensilvânia construíram o primeiro computador digital eletrônico — uma monstruosidade de 30 toneladas que ocupava uma área de 180 m², integrava 70 mil resistores e 18 mil válvulas de vácuo, que queimavam à razão de uma a cada 2 minutos. Como os sistemas operacionais ainda não existiam, a geringonça era controlada por meio de chaves, fios e luzes de aviso.
Mais adiante, os batch systems (sistemas em lote) permitiram que cada programa fosse escrito em cartões perfurados e carregado juntamente com o respectivo compilador. Só que não havia padronização de arquitetura e cada máquina usava um sistema operacional específico.
O primeiro SO funcional foi criado pela General Motors para controlar o IBM 704. Na sequência, diversas empresas desenvolveram sistemas para seus mainframes, e algumas se especializaram em produzi-los para terceiros. O mais famoso foi EXEC, escrito para operar o UNIVAC. O software fez muito sucesso nos anos 1950/60 e foi adotado por universidades e pequenas empresas por ser pequeno (para os padrões da época, já que era mais ou menos do tamanho de um guarda-roupas) e relativamente barato.
Lançado em meados dos anos 1970 e comercializado na forma de kit, o Altair 8800 é considerado o primeiro microcomputador, embora não tivesse qualquer utilidade prática até Bill Gates e Paul Allen criarem o “interpretador” Microsoft-BASIC — que não era propriamente um sistema operacional, mas foi o precursor dos sistemas para microcomputadores.
O MIT, a GE e a AT&T criaram uma força tarefa para desenvolver o MULTICS, mas o projeto foi abandonado depois de uma década de trabalho. Em 1969, Ken Thompson criou o UNICS — escrito em Assembly, reescrito em C e rebatizado de UNIX. Seu kernel (núcleo) logo passou a servir de base para outros sistemas operacionais — como o BSD, o POSIX, o MINIX, o FreeBSD e o Solaris, para ficar nos mais conhecidos.
O sucesso do Altair estimulou a Apple a investir no segmento de computadores pessoais e lançar o Apple II (1977), que vinha montado, dispunha de um Disk Operating System, trazia um teclado integrado e era capaz de reproduzir gráficos coloridos e sons — daí ser considerado o “primeiro computador pessoal moderno”.
Observação: Steve Jobs foi pioneiro na adoção da interface gráfica, com sistema de janelas, caixas de seleção, fontes e suporte ao uso do mouse, mas a XEROX já dispunha dessa tecnologia — que nunca explorou porque só tinha interesse em computadores de grande porte. Quando a Microsoft lançou o Windows — inicialmente como uma interface gráfica baseada no MS-DOS —, a Apple já estava anos-luz à frente, mas sua arquitetura fechada, seu software proprietário e o alto custo de seus produtos restringiram sua participação no mercado a um segmento de nicho.
De olho no sucesso da Apple, a IBM — então líder no âmbito dos mainframes — resolveu lançar o IBM-PC, com arquitetura aberta e sistema operacional desenvolvido pela Microsoft (que viriam a se tornar o padrão do mercado). Como jamais havia escrito um sistema operacional, a empresa de Redmond comprou o QDOS (dizem que pela bagatela de US$ 50 mil), adaptou-o ao hardware da IBM e o licenciou para a gigante dos computadores com o nome de MS-DOS.
Continua…







