quarta-feira, 13 de maio de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 104ª PARTE — O ENTRELAÇAMENTO QUÂNTICO E A SETA DO TEMPO

WE ARE ALL TIME TRIPPERS 

Nossos ancestrais começaram a medir a passagem do tempo quando notaram padrões no amanhecer e no anoitecer, nas fases da Lua e nas estações, por exemplo. Mas a física moderna sugere que o tempo pode ser uma ilusão.

O que convencionamos chamar de "dia" é o intervalo de uma meia-noite à seguinte; o que chamamos de "mês", uma sequência de 28 a 31 dias; e o que chamamos de "ano", um ciclo de aproximadamente 365 dias e 6 horas — arredondamento que explica a existência dos anos bissextos.

O que cada pessoa faz a cada dia é subjetivo: no mesmo dia que você volta de férias e desfaz as malas eu posso estar arrumando as malas para sair de férias — e vice-versa. Segundo a teoria da relatividade de Einstein, o Universo é um bloco quadridimensional estático que contém o espaço e o tempo simultaneamente, sem um “agora” especial. Consequentemente, o tempo não flui do passado para o futuro, mesmo porque o que é futuro para um observador pode ser passado para outro. As equações relativísticas de Einstein levaram ao que os filósofos chamam de "eternismo", cuja ideia central é a de que passado, presente e futuro existem com o mesmo status ontológico — ou seja, o que chamamos de "agora" é apenas uma fatia arbitrária desse bloco quadridimensional. 

Antes de Einstein, o “presente” era compartilhado por todos no universo: existia um “Grande Agora”. A gente podia olhar para o relógio, ver que marcava meio-dia, por exemplo, e dizer que muitas coisas estavam acontecendo “agora”, mesmo para pessoas muito distantes de nós. Com as equações do físico alemão, isso deixou de ser verdade.


Cada um só pode falar sobre o "presente" a partir de seu próprio referencial. O "Grande Agora", que se estendia por todo o Universo, deixou de existir. O que está acontecendo "agora" da sua perspectiva pode parecer muito diferente para um hipotético alienígena viajando numa nave espacial a uma velocidade incrivelmente alta. 


Observação: A 99,999999999999999999981% da velocidade da luz, que é de 1,08 bilhão de km/h, a dilatação do tempo faz com que um segundo no referencial do viajante equivalha a 2,5 anos no tempo terrestre (como bem demonstrado pelo paradoxo dos gêmeos). Em um cenário mais moderado, chegar a Alpha Centauri (que dista 4,367 anos-luz da Terra) viajando a essa velocidade levaria mais de 4 anos terrestres, mas o trajeto seria completado em menos de duas horas no referencial dos astronautas.


O fato de a simultaneidade ser relativa ao observador conflita com a mecânica quântica, na qual o tempo funciona como um parâmetro externo e universal, não sujeito à incerteza quântica como posição e momento. Em outras palavras, a relatividade exige que o tempo seja local e relacional, enquanto a mecânica quântica o trata como um pano de fundo fixo e comum a todos os observadores.


No entanto, a ideia de que o tempo é uma construção mental não é nova (detalhes nesta postagem).. Em meados do século XVII, as Leis de Newton já eram simétricas no tempo — ou seja, suas equações funcionam igualmente bem se imaginarmos pessoas andando para trás, relógios retrocedendo da tarde para a manhã ou frutas subindo do chão para os galhos das árvores.


De acordo com um artigo publicado na revista Physical Review A, o tic-tac do relógio é apenas uma representação conveniente de uma série de eventos emaranhados, pois o tempo não é uma dimensão contínua e independente, mas uma sequência de acontecimentos correlacionados que emergem do entrelaçamento quântico.


Na visão dos autores, o tempo é uma ilusão, e conceitos como passado, presente e futuro são simples convenções que usamos para descrever nossa experiência subjetiva. Isso explica por que as equações da física quântica são simétricas no tempo — ou seja, funcionam tanto para frente quanto para trás. O próprio Einstein costumava dizer que a distinção entre passado, presente e futuro é apenas "uma ilusão teimosamente persistente". Mas se é assim, de onde vem a flecha do tempo?


A flecha que avança do passado para o futuro surge somente quando nos afastamos do mundo microscópico em direção ao macroscópico. Isso tem a ver com o fato de olharmos para as coisas grandes e ignorarmos os detalhes. Isso não significa que o mundo seja fundamentalmente orientado no espaço e no tempo, mas, quando olhamos à nossa volta, vemos a direção na qual a entropia dos objetos do dia a dia aumenta — como a fruta madura que cai da árvore e apodrece no chão, sem nunca fazer o caminho inverso.


A Segunda Lei da Termodinâmica diz que a entropia de um sistema isolado sempre aumenta. Por estar indissociavelmente ligada à direção do tempo, ela é a única lei da física com direcionalidade temporal que perde essa característica quando se fecha o foco em coisas muito pequenas. A entropia de um cubo de gelo aumenta conforme ele é aquecido, já que suas moléculas se movimentam com mais liberdade quando o gelo derrete e se transforma em água líquida — e mais ainda quando a água ferve e se transforma em vapor. Mas isso levanta uma questão perturbadora: se as leis microscópicas são simétricas no tempo, então a assimetria que sentimos como "o tempo fluindo" pode ser apenas um fenômeno estatístico.


O físico Ludwig Boltzmann passou anos tentando explicar por que o Universo começou com entropia tão baixa. A resposta moderna aponta para o Big Bang como uma condição inicial de baixíssima entropia, mas isso apenas empurra o mistério para trás. Na tentativa de unificar a relatividade geral com mecânica quântica, a gravidade quântica em loop e outras abordagens chegam a uma conclusão chocante. A famosa equação de Wheeler-DeWitt — uma tentativa de equação quântica para o Universo inteiro — simplesmente não tem o tempo como variável. O universo, descrito matematicamente, é estático.


Para o físico Carlo Rovelli, o tempo não existe para uma única partícula, mas emerge de interações entre muitos sistemas, e seu "fluir" seria nossa percepção de um aumento de correlações com o ambiente — nossa velha conhecida entropia novamente. Por outro lado, a física ainda não sabe responder porque, se as leis são simétricas, temos memória do passado e não do futuro? O que exatamente colapsa a função de onda, e isso define um "agora"? Como reconciliar o tempo relativo de Einstein com o tempo como parâmetro externo da mecânica quântica?


Alguns físicos — como Roger Penrose — sugerem que a experiência subjetiva do tempo pode ter raízes quânticas no cérebro. Uma ideia controversa, mas é curioso que nossos ancestrais tinham acesso a algo genuinamente misterioso simplesmente observando o Sol e a Lua, e nós, com toda a física moderna, não sabemos sequer se o tempo existe.


Continua…

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — DE VOLTA À CONSCIÊNCIA NÃO LOCAL

A MELHOR VACINA CONTRA UMA CRENÇA É O CETICISMO. 

A ciência evoluiu consideravelmente desde a invenção da roda e do uso do fogo, mas ainda não sabe se o tempo existe realmente ou se ele não passa de uma convenção criada por nossos antepassados para explicar fenômenos naturais sazonais (como as fases da lua e as estações do ano). E tampouco consegue explicar as experiências de quase-morte (EQMs) e o déjà-vu (a estranha sensação de já termos vivido uma situação pela qual nunca passamos).


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Flávio Bolsonaro subiu no salto. De passagem por Santa Catarina, carbonizou a proposta de emenda constitucional em que ele mesmo previu o fim da reeleição, e declarou que, se chegar ao Planalto, seu mandato pode durar oito anos.

Discursando para uma plateia de empresários, o primogênito do chorume da escória da humanidade revelou que seu seu sonho — que ele vai realizar — é acabar o governo, seja daqui a quatro, daqui a cinco, daqui a oito anos, "onde a gente vai poder bater o peito e falar: 'Menos pessoas dependem de políticos para levar comida para dentro de casa e levar dignidade para as suas famílias". Questionado sobre esse peido verbal, Flávio tentou se corrigir, mas a emenda piorou o soneto, pois deixou evidente o desejo do candidato de esticar um mandato que ainda não obteve.

Originalmente, a emenda sobre o fim da reeleição foi apresentada pelo escarto do golpista para engambelar Tarcísio de Freitas. A ideia era sinalizar para o aliado que, trocando o sonho presidencial pela reeleição ao Governo de São Paulo, ele teria o apoio de Bolsonaro e seus devotos para concorrer ao Planalto em 2030. Ficou entendido que faz papel de bobo quem acredita no conto da carochinha segundo o qual a família do "mito" preso passe a cultivar, de repente, uma noção qualquer de desapego pelo poder. O salto alto do eterno rachadista é o menor dos problemas. Alguma coisa subiu à cabeça do candidato. E não é nada que se pareça com bom senso.

Na sexta-feira, em entrevista à CNN, Bobi Filho disse que, se quiser, Bibo pai será uma espécie de eminência parda de sua eventual Presidência. Além de pressupor a anistia de Bolsonaro, a declaração carrega a admissão de que ele pode voltar a dar as cartas no Planalto.


O cérebro humano é uma máquina de reconhecimento de padrões extremamente sofisticada, mas não se sabe se ele "produz" e "armazena" a "consciência" — assim chamada a nossa capacidade de ter conhecimento e percepção de nós mesmos, do mundo ao nosso redor e de nossos pensamentos e sentimentos. Se for esse o caso, como é possível que pessoas clinicamente mortas e posteriormente reanimadas relatem encontros com parentes já falecidos, túneis de luz, sensação de paz e até conversas que ocorreram enquanto os médicos tentavam trazê-las de volta à vida?


Os neurologistas passaram a associar a consciência ao córtex pré-frontal em 1848, depois que um pacato trabalhador ferroviário teve o crânio trespassado por uma barra de ferro, sofreu uma série de convulsões, "recobrou a consciência" e se tornou um cafajeste arrogante. Mais adiante, amparados pelos avanços da medicina, eles descobriram que a área afetada do cérebro do trabalhador em questão foi o córtex pré-frontal, que exerce um papel preponderante na capacidade de sentir emoções como o remorso, por exemplo.


Atualmente, acredita-se que a consciência seja um tipo de "filme" que reúne a história da vida de cada um de nós (nossas preferências, emoções, enfim, nossa identidade) e é "projetado" por uma série de atividades realizadas no cérebro. Vale destacar que essa capacidade de representar o mundo na mente é um traço evolutivo que se estende aos demais seres vivos. No entanto, enquanto uma anêmona-do-mar se expande ou se contrai na presença da luz solar, o Homo sapiens conta com uma série de instrumentos que representam o ambiente de forma bem mais sofisticada.


A pergunta que se coloca é: em que momento essas atividades formam aquilo que chamamos de consciência? A resposta é: ainda não se sabe. Sabe-se, no entanto, que a consciência não é um lampejo, mas um fluxo contínuo de conexões neurológicas que se inicia com o nascimento e termina com a morte, e que cada nova experiência leva o cérebro a criar uma imagem mental e armazená-la na memória.


Os avanços da tecnologia tornaram possível monitorar o funcionamento do cérebro por meio da tomografia por emissão de pósitrons (PET), e os resultados revelaram que diversas atividades responsáveis pela consciência demandam ações conjuntas de várias regiões do cérebro. Em outras palavras, o que cada um de nós faz é a soma de todas as representações feitas de nós mesmos, dos outros e do ambiente que nos circunda.


Adeptos da Teoria da Informação Integrada (IIT, de Giulio Tononi), da Teoria do Espaço de Trabalho Global (GWT, de Stanislas Dehaene) e do materialismo buscam explicar a origem daquilo que os religiosos tratam por alma ou espírito — e que, em tese, sobrevive à morte do corpo físico.


Observação: A IIT sugere que a consciência surge da integração complexa de informações neurais, com picos detectados até em cérebros de ratos morrendo (estudo de 2014 na Nature); a GWT vê a consciência como um "broadcast" neural amplo.


Mas há quem sustente a tese da "consciência não-local", cujas implicações são tão vastas quanto perturbadoras — ecoando o “problema difícil” da consciência, proposto por David Chalmers: por que processos físicos geram subjetividade?


Pesquisas recentes alimentam o debate. O estudo AWARE II (2023, de Sam Parnia) mediu ondas gama elevadas em pacientes durante paradas cardíacas, indicando lucidez persistente por minutos sem atividade cortical global. Outro, de Pim van Lommel (2001, The Lancet), registrou percepções verificáveis em 18% de 344 casos de EQMs, como detalhes de conversas médicas. Céticos como Susan Blackmore atribuem isso a hipóxia e expectativas culturais, mas casos como esses desafiam explicações puramente cerebrais.


Na iminência da morte, o aumento dos níveis de adrenalina, endorfina e até dimetiltriptamina (DMT, liberada na glândula pineal) alivia as dores e ajuda o corpo a suportar o estresse do processo. A consequência lógica seria os níveis do ácido gama-aminobutírico (GABA) aumentarem à medida que o cérebro vai se desligando, mas não é isso que acontece.


Para os defensores da consciência não-local, o cérebro é uma espécie de rádio que recebe sinais de uma quantidade incalculável de estações. O GABA reduz os disparos neuronais e desliga determinadas partes do cérebro para filtrar o excesso de estímulos — ou seja, ele funciona como o sintonizador, ajustando uma frequência e bloqueando as demais.


Continua…

terça-feira, 12 de maio de 2026

MATERIAL QUÂNTICO EM QUE A ELETRICIDADE FLUI SEM GERAR CALOR

O IMPOSSÍVEL SÓ É IMPOSSÍVEL ATÉ ALGUÉM DUVIDAR E PROVAR O CONTRÁRIO.

Computadores, notebooks, smartphones, tablets e outros dispositivos elétricos ou eletro-eletrônicos geram calor, e seu desempenho sofre com esse calor — ou seja, com o efeito joule, que é a dificuldade que os elétrons encontram ao atravessar condutores como o cobre.


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Ao suspender a aplicação da lei da dosimetria, redigida com a caligrafia de ministros do Supremo, entre eles o próprio Moraes, Gilmar Mendes e Dias Toffoli, Moraes prorrogou um jogo jogado. 

O deputado Paulinho da Força alegou ter obtido o aval dos ministros, que receavam a aprovação de uma anistia que passaria uma borracha nas condenações. Numa escala de zero a dez, a chance de o Supremo deixar de aplicar a redução das penas dos golpistas, numa análise a ser feita caso a caso, é de menos onze. Bolsonaro, por exemplo, foi condenado a mais de 27 anos de cadeia. Passaria 6 anos e 8 meses em regime fechado. Na interpretação mais generosa da nova lei, esse intervalo seria reduzido para 2 anos e 4 meses.

Moraes alegou ter agido para preservar a "segurança jurídica", pois a constitucionalidade da lei da dosimetria foi questionada em ações movidas pela federação PSOL-Rede e pela Associação Brasileira de Imprensa. Assim, seria preciso julgar o mérito dessas ações antes de decidir sobre a atenuação das sentenças dos bagrinhos do 8 de janeiro e dos tubarões do Estado-Maior do golpismo.

Por um capricho dos algoritmos do Supremo, Moraes, que é o executor das penas, foi sorteado na sexta-feira como relator das ações anti-dosimetria, e sustentou que aguardará o julgamento do plenário da Corte sobre a constitucionalidade da lei.

O encadeamento faria mais nexo se viesse junto com um ofício do ministro Edson Fachin, presidente de turno do Tribunal, no qual Xandão solicitaria a inclusão do julgamento das ações relatadas por ele na pauta do plenário.

Ao retardar a reanálise das penas por tempo indeterminado, ele estimula novas aventuras antidemocráticas e adia um vexame — já que a participação de togas supremas na redação de uma lei feita sob medida para beneficiar agressores da democracia potencializa a vergonha.


A boa notícia é que um grupo de cientistas desenvolveu um material quântico no qual a eletricidade flui de forma organizada e protegida pelas leis da topologia, como os elétrons em uma rodovia expressa sem trânsito, o que elimina a resistência e, consequentemente, a geração de calor. O estudo, publicado na renomada revista Nature, detalha o uso de bicamadas torcidas de um composto específico para criar o que é chamado de "isolante de Chern fracionário" livre de dissipação.


Diferente de supercondutores tradicionais, que exigem campos magnéticos intensos, esse efeito foi observado em campo zero, representando um avanço promissor para futuras aplicações práticas. Além de revolucionar o consumo de energia em dispositivos móveis e computadores de alto desempenho, essa tecnologia é a base para computadores quânticos topológicos, muito mais estáveis e livres de erros do que os modelos atuais.


A má notícia é que essa descoberta está longe de "acabar com o calor" em CPUs/GPUs. Os próprios autores estimam escalas energéticas (gaps) da ordem de ~20 K (gap do FCI) e ~55 K (gap de spin), o que corresponde à faixa criogênica mencionada nas discussões do trabalho. Isso é melhor do que "colado no zero absoluto", mas continua sendo freezer de laboratório, não gabinete gamer.


O transporte "perfeito" acontece em modos de borda (edge states) de um sistema 2D extremamente limpo, ou seja, não se trata de substituir trilhas e vias metálicas de um chip moderno, que carregam correntes grandes e atravessam camadas 3D complexas. Ademais, a fabricação exige controle fino de ângulo, tensão, alinhamento e qualidade cristalina — o que é um ótimo sinal científico, mas permanece um gargalo de manufatura em escala.


A integração com CMOS é outro problema: mesmo que se faça o material repetível, ainda falta transformar isso em arquiteturas de circuito, contatos, encapsulamento, variabilidade, confiabilidade e rendimento (yield) compatíveis com linhas industriais. Em suma, estamos diante de um passo real em "eletrônica topológica" e em estados que interessam para computação quântica topológica, mas a ponte até a "CPU sem cooler" ainda precisa superar vários obstáculos fundamentais, sendo o maior deles operar em temperaturas mais próximas da ambiente sem perder o efeito.


Vale lembrar que os gigantescos mainframes dos anos 1950/60/70 ocupavam enormes salas refrigeradas — e tinham menos poder de processamento que um smartwatch atual. É um bom exemplo de que o impossível só é impossível até alguém duvidar e provar o contrário.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — CONSCIÊNCIA EXPANDIDA E CONEXÃO UNIVERSAL

O FATO DE NÃO VERMOS A ÁRVORE CAIR NÃO SIGNIFICA QUE ELA NÃO CAIU. 

Os estados de iluminação que tanto buscamos — como a consciência expandida, a conexão universal, o despertar espiritual e a genialidade criativa — parecem privilégios de mentes raras, mas talvez todos tenhamos essas capacidades e a química cerebral as bloqueia.
CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Tanto Bolsonaro em 2018 quanto Lula em 2022 pegaram em lanças para defender o fim da reeleição. Mas bastou serem eleitos para enfiar as promessas onde a luz não bate e. O capetão mandrião se deu mal: além de não conseguir se reeleger, está cumprindo pena por tentativa de golpe de Estado. Já o desempregado que deu certo quer porque quer o quarto mandato, embora o terceiro tenha sido ainda pior do que os anteriores. Para isso, lançou 11 medidas populistas que somam R$ 143,7 bilhões neste ano eleitoral.

Segundo levantamento feito pela Folha, boa parte do pacote de bondades — R$ 76,2 bilhões — garante aumento de linhas de crédito para pessoas físicas (caminhoneiros, microempreendedores individuais, estudantes do Fies) e empresas de diferentes setores da economia, como habitação, indústria e agronegócio. Outros R$ 32 bilhões representam subsídios e renúncia fiscal para financiar a redução de combustíveis resultante da guerra no Irã, além de R$ 15,2 bilhões do FGTS para socorrer os endividados e R$ 5,3 bilhões para o programa eleitoreiro Gás do Povo.

Para bancar o Desenrola 2, o governo anunciou um aporte de até R$ 15 bilhões no fundo administrado pelo Banco do Brasil que garante o pagamento das dívidas renegociadas pelos bancos em caso de calote. Novas medidas também estão no forno e devem beneficiar pessoas que estão em dia com o pagamento dos empréstimos, mas têm dívidas com custo muito alto, além de trabalhadores informais, taxistas e motoristas de aplicativos, que são grupos de eleitores em que Lula e o PT enfrentam mais resistência.

Das 11 medidas listadas pela reportagem, uma delas permite o uso de arrecadação extra com alta do petróleo para subsidiar a redução dos preços das gasolina e etanol, mas ainda não tem valor estimado e depende de aprovação de projeto de lei enviado ao Congresso. No caso do pacote de subvenção para diesel, gás de cozinha, biodiesel e o querosene de aviação, o governo adotou o Imposto de Exportação de petróleo instituído em março para compensar o custo da medida.

Como disse alguém mais sábio, a diferença entre o estadista e o populista é que o primeiro governa pensando no futuro do país, enquanto o segundo governa de olho na próxima eleição. 

Vade retro, camarilha de imprestáveis.

As substâncias alucinógenas produzem uma reação em cadeia de perturbações neurológicas que desregulam a serotonina e causam déficits cognitivos, instabilidade emocional ou surtos psicóticos permanentes. O Oráculo de Delfos inalava gases do Monte Parnaso para prever o futuro; os astecas consultavam "espíritos do porvir" com peiote; os egípcios usavam mandrágora e lótus azul para vislumbrar o dia seguinte; e Castañeda, Burroughs, McKenna, Huxley e Leary seguiram o mesmo caminho químico em busca da expansão mental.
Meditadores acessam isso sem drogas, focando a mente até o corpo "evaporar", deixando uma consciência deslocalizada. Muitos atingem sonhos lúcidos, onde controlam o sonho consciente. Esses sonhos, reconhecidos há séculos, ganharam validação empírica nos anos 1970 com Stephen LaBerge. Nele, o sonhador sinaliza aos pesquisadores com movimentos oculares pré-combinados, provando consciência fora do corpo adormecido.
William James, pai da psicologia americana, alertava: um único corvo branco basta para derrubar a tese de que todos são pretos. Pesquisadores como Harold PuthoffRussell Targ e Edwin May, entre outros, revelaram anomalias em física de plasma, matemática não linear e consciência não-local. Seus livros — Mentes sem BarreirasPercepções RemotasO Sétimo SentidoCognição Anômala e Magia Verdadeira — desafiam o paradigma.
No orgasmo — universalmente visto como o pico de prazer — o mundo corpóreo some em êxtase, dissipando preocupações, dores e medos. Poetas o chamam de "pequena morte", ecoando a separação corpo-mente que as experiências de quase morte elevam à irrefutabilidade. Milhares de ressuscitados descrevem cenas precisas — cirurgias com olhos vendados, conversas de médicos, prantos de parentes — enquanto clinicamente mortos. Hipóxia cerebral? Alma em êxodo? Vislumbre de outra existência? 
As EQMs revelam a morte como libertação física e fusão com o todo. Se a consciência é extracerebral, como os noéticos defendem, ela abandona o corpo e se reintegra ao universal. A questão é que precisamos morrer para ver a verdade, e aí não voltamos para contarDaqui a séculos, cientistas podem rir de nossos dilemas sobre consciência não-local como rimos das teorias medievais de combustão — ou confirmar que estávamos certos.
De relatos antigos a experimentos modernos, uma certeza emerge: a morte não é o fim abrupto, mas uma porta entre véus que nos convida a viver com mais intensidade, questionando se o "eu" que carregamos é prisioneiro ou passageiro de carne e osso. Talvez as EQMs sejam o universo sussurrando: "Você é mais do que pensa — e a prova virá."
E se, em vez de temer o desconhecido, usássemos essas histórias como bússola? Cultivar meditação, empatia e curiosidade pode nos aproximar dessa consciência expandida aqui e agora, adiando o "quase" para um "de fato" sereno. 
A árvore caiu; cabe a nós ouvir o eco.
Continua...

domingo, 10 de maio de 2026

BOLO DE CARNE SEM CARNE

NEM TUDO QUE RELUZ É OURO, NEM TUDO QUE BALANÇA CAI.

O ser humano é onívoro por natureza e carnívoro por opção — com a possível exceção dos vegetarianos, veganos e assemelhados, a quem eu dedico o post de hoje.

Da mesma forma que existem cervejas sem álcool e refrigerantes sem açúcar (não sei qual é a graça de tomar essas beberagens, mas isso é outra conversa), existem hambúrgueres, espetinhos, salsichas, linguiças e outros derivados da carne... sem carne, para atender um nicho do mercado que vem crescendo a cada dia..

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Segundo a PF, o senador Ciro Nogueira recebia propina de R$ 500 mil por mês de Vorcaro e outras vantagens pagas pelo ex-dono do Master, como voos privados, viagens internacionais e despesas num hotel de luxo em Nova York. Em troca, ele atuava no Senado em favor dos interesses privados de Vorcaro.
Na Casa Branca, Lula e Trump se reuniram durante quase três horas e discutiram terras raras, crime organizado e comércio. O molusco falou em divergência sobre as tarifas, mas ambos classificaram o encontro como muito produtivo. 
Entrementes, o partido Avante lançou a pré-candidatura de Augusto Cury à Presidência da República — a exemplo do cabo Daciolo, Cury vai ganhar o que Luzia ganhou atrás da horta. 

Para fazer um bolo de carne sem carne que serve de 6 a 8 pessoas, você vai precisar de:

— 1 cebola média picada

— 1 colher de sopa de manteiga ou óleo

— 2 xícaras de cogumelos finamente picados

— 2 dentes de alho finamente picados

— 1 colher de chá de tomilho seco

— 1 colher de chá de manjerona seca

— 1 colher de chá de manjericão seco

— 1 colher de chá de sálvia seca

— 1 cálice de vinho tinto

— 2 xícaras de arroz integral cozido

— 2 xícaras de nozes finamente picadas ou pulsadas no processador

— 1 xícara de castanha de caju ou amêndoa finamente picada ou pulsada no processador

— 5 ovos

— 1 xícara de queijo cottage

— 100 gramas de queijo tipo parmesão ralado

— 1/2 xícara de ervas picadas frescas (cheiro-verde, orégano, tomilho, etc.)

— Sal e pimenta-do-reino a gosto.

Refogue a cebola no óleo ou manteiga até começar a amolecer, adicione os cogumelos, tempere com uma pitada de sal e pimenta e deixe cozinhar.

Quando os cogumelos ficarem macios, acrescente o alho e as ervas secas e leve de volta ao fogo. Quando a panela começar a secar, despeje um cálice de vinho tinto e cozinhe até reduzir. Quando o conteúdo da panela estiver apenas úmido, desligue o fogo e deixe amornar.

Unte uma forma de pão média e forre com papel-manteiga. Numa tigela, misture as nozes e o arroz. Em outra tigela, bata os ovos com o queijo cottage. Misture o conteúdo das duas tigelas, junte os cogumelos, o queijo ralado e as ervas frescas e misture até obter uma massa homogênea.

Ajuste o tempero, tampe a tigela e deixe-a na geladeira por algumas horas (não mais de uma dia). Passado esse tempo, encha o recipiente com a mistura de nozes, bata na mesa ou no balcão para se livrar das bolhas de ar e use uma espátula para suavizar o topo.

Decore com fatias de cogumelos, pimentões picados ou nozes inteiras e leve ao forno (pré-aquecido a 180ºC) por cerca de uma hora ou até que o pão fique firme. 

Deixe descansar por 10 minutos, retire o pão da forma e a folha de papel manteiga e sirva em um prato decorado com ervas. 

sábado, 9 de maio de 2026

NOVIDADES NO GMAIL

QUEM TEM PRESSA COMO CRU. 

O conceito de correio eletrônico surgiu em meados dos anos 1960, em sistemas de comunicação interna entre computadores, mas a versão aprimorada por Ray Tomlinson em 1971 foi a primeira capaz de enviar mensagens entre diferentes nós conectados à ARPANET — que mais adiante daria origem à Internet

Como as mensagens chegavam ao destinatário em poucos segundos, independentemente da distância, e logo se tornaram capazes de transportar arquivos digitais, o serviço não demorou a conquistar os internautas — para desgosto dos fabricantes dos caros e limitados aparelhos de fax.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Um mês e meio depois de assinar um compromisso de confidencialidade, Vorcaro entregou sua proposta de colaboração judicial. A PF e a PGR não têm prazo para decidir se os segredos que o delator se dispôs a contar têm ou não serventia. Por mal dos pecados, a demora leva o caso para dentro do calendário eleitoral, e o ministro André Mendonça — a quem caberá homologar ou não o acordo — já disse que não tomará decisões que possam tumultuar o processo eleitoral. Resta definir "tumultuar".

Em dois meses, os partidos realizarão as convenções para formalizar as candidaturas; em três, começará formalmente a campanha; e em cinco, o eleitor irá às urnas fazer merda, como tem feito desde 1989, quando lhe foi devolvido o direito de eleger seu presidente. 

Para ser levado a sério, Vorcaro terá que expor os podres dos poderosos com os quais manteve relações promíscuas. Pela lei, todo suspeito tem a seu favor o benefício da dúvida, mas o eleitor consciente tem o dever de não eleger biografias duvidosas, fornecendo-lhes tempo livre para exercitar longe de funções públicas o sacrossanto direito de defesa.

A operação da PF contra o senador Ciro Nogueira, presidente do PP e oligarca do Centrão, empurrou o caso Master para dentro da sucessão de 2026. A intoxicação política do escândalo ganhou ímpeto e logo atingirá outros ilustres personagens de partidos que vinham tricotando uma aliança com a candidatura de Flávio Bolsonaro.

O receio do comitê de campanha do filho do refugo da escória da humanidade é o de que a bola da vez seja o União Brasil, que compõe com o PP, de Ciro, uma federação partidária comandada por políticos enlaçados a Daniel Vorcaro. Seu chefe é Antônio Rueda, e seu maior expoente, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que se aliou ao bolsonarismo para impor dupla derrota a Lula no Congresso.

Operadores políticos de Bobi Filho já discutem a conveniência de selar uma aliança com o Centrão. Subiu no telhado a ideia de selecionar uma candidata a vice-presidente dos quadros do PP. Encabeçavam a lista a senadora Tereza Cristina e a deputada Simone Marqueto, ambas do partido de Ciro Nogueira. O PL de Valdemar Costa Neto passou a cultivar a ideia de realizar uma campanha presidencial solo.

O PT ergue os punhos, mas o Planalto orientou autoridades do governo a reagirem com moderação à revelação de que Ciro Nogueira alugou seu mandato a Vorcaro em troca de régia remuneração. É como se os operadores de Lula intuíssem que o petismo está fadado a pagar uma parte da conta pelos vínculos radioativos com o dono do falecido Banco Master. 

Indagado durante a visita à Casa Branca sobre a ação da PF, Lula disse que os agentes cumpriram a ordem judicial que partiu de André Mendonça, ministro indicado para o Supremo por Bolsonaro, e declarou esperar que "todas as pessoas investigadas sejam inocentes".

Ficou subentendido que Vorcaro acabou despolarizando a perversão financeira que infectou a política brasileira.

Inicialmente, as “caixas postais” criadas nos servidores dos provedores e acessadas por meio dos navegadores ofereciam míseros 5 MB de espaço e lotavam rapidamente, obrigando os usuários a esvaziá-las com frequência para abrir espaço a novas mensagens. Mas isso mudou em 2004, quando o Google lançou seu serviço de webmail. Oito anos depois, o Gmail desbancou gigantes como Hotmail e Yahoo Mail e se tornou o queridinho dos internautas.

Além de oferecer 1 GB de espaço para armazenamento de mensagens, o Gmail permitia anexar arquivos de até 10 MB (quando a maioria dos concorrentes não liberava mais de 2 MB), e a campanha “Infinito + 1” prometia ampliar progressivamente a capacidade disponível. Em 2013, no entanto, a empresa puxou o freio de mão nos 15 GB — compartilhados com o Google Drive e o Google Fotos —, embora continuasse oferecendo mais espaço a quem se dispusesse a pagar pelo excedente.

Num primeiro momento — e durante muito tempo, diga-se — os neófitos ostentavam orgulhosamente seus endereços eletrônicos com nome ou sobrenome (ou ambos), mas nada como o tempo para mudar esse hábito. Hoje, dar de bandeja indícios importantes sobre o dono da conta é uma péssima ideia. Ainda assim, a maioria dos usuários mantém a conta de email de antanho, até porque utiliza o endereço eletrônico para acessar redes sociais, lojas virtuais, aplicativos financeiros e uma série de serviços web — e alterá-lo pode ser tão problemático quanto mudar o número do celular.

A boa notícia é que o Google vem liberando gradualmente uma atualização que permitirá aos usuários do Gmail alterar o prefixo do endereço (a parte que antecede @gmail.com) sem perder suas compras na Play Store, o acesso a arquivos armazenados no Drive e no Fotos, os logins em aplicativos bancários, lojas virtuais e sites de terceiros que utilizam o login simplificado do Google como base de acesso.

Realizar a modificação é um processo simples e pode ser feito por meio do painel de informações pessoais da conta Google, em qualquer navegador ou aplicativo móvel. Uma vez atualizado, o sistema vincula automaticamente o endereço anterior como e-mail alternativo, garantindo que todas as mensagens enviadas ao nome antigo continuem chegando normalmente à nova caixa de entrada.

Ao definir um novo identificador, todos os serviços conectados passam a refletir a nova “face” do usuário de maneira integrada e preservam a autenticação original da conta. Vale destacar, no entanto, que a empresa estabeleceu um limite vitalício de apenas três trocas de nome por conta, respeitando um intervalo obrigatório de 12 meses entre cada modificação. Em caso de arrependimento, o sistema permite reverter ao nome original imediatamente, mas bloqueia novas alterações por um período de segurança de 30 dias após esse retorno.

Apesar do foco inicial no mercado dos Estados Unidos, os sinais de liberação em outros países indicam uma expansão global iminente. No Brasil, o novo recurso deve chegar em ondas graduais, seguindo o cronograma tradicional de atualizações de interface e backend da companhia.

Para conferir se você já tem acesso ao recurso, acesse sua conta Google, clique em Informações Pessoais, procure por Email e veja se aparece a opção Alterar e-mail da conta Google. Se não aparecer, aguarde mais algumas semanas — e assegure-se de manter o Gmail devidamente atualizado.

Até pouco tempo atrás, mudar o endereço de email sem precisar reconstruir a própria vida digital parecia tão plausível quanto ressuscitar o fax. Ao que tudo indica, até o imutável resolveu se atualizar — ainda que com regras bem claras.