O CONHECIMENTO É LIMITADO, MAS A IMAGINAÇÃO ENVOLVE O MUNDO. Vimos que a ciência está historicamente repleta de ideias tidas como impossíveis até que novos conhecimentos revelaram caminhos inesperados. Vimos também que a propulsão de dobra — ideia associada há décadas ao sonho de reduzir distâncias entre estrelas — não afronta as equações relativísticas quanto à velocidade da luz, pois consiste basicamente em mover a região ao redor da espaçonave, comprimindo o espaço à frente e expandindo-o para trás.
Um estudo recente publicado na revista Classical and Quantum Gravity tem como principal mudança em relação ao modelo anterior a geometria da bolha de dobra — que, em vez de concentrar a energia exótica em um único anel circular ao redor da nave, organiza essa energia em três ou quatro segmentos tubulares posicionados ao redor da fuselagem, visando manter o interior da espaçonave calmo e plano enquanto a parte externa realiza o trabalho de distorcer o espaço-tempo.
CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA
Eleições têm dois tipos de candidatos: os que fazem poeira e os que comem poeira. O psiquiatra Augusto Cury continua engolindo a poeira levantada pelos favoritos Lula e Flávio Bolsonaro, mas já começa a enxergar no retrovisor após quebrar a barreira dos dois dígitos, enquanto Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos ^tem 4%, 3% e 2%, respectivamente.
As pesquisas empurram o filho do presidiário para uma encruzilhada: ele ainda é o anti-Lula mais competitivo, mas sua vitória está longe de ser assegurada. Aos poucos, Cury vai deixando de ser um mero soluço. As novas rodadas da Quaest e do Datafolha vão mostrar se o fenômeno Cury também aparece em pesquisas presenciais ou se está concentrado nas sondagens telefônicas e digitais.
Na pesquisa Real Time, Lula continua à frente no primeiro turno. Mas perdeu terreno no cenário de segundo turno. Em um mês, sumiram os três pontos de vantagem sobre Flávio. Os dois estão agora numericamente empatados em 44%. Quer dizer: a sucessão continua aberta ao imponderável.
Vimos também que pode ser mais fácil viajar no tempo para o futuro do que avançar além do nosso próprio quintal cósmico, pois é enorme a distância que separa uma viagem a velocidades próximas à da luz — que é representada pela letra"c" e equivale a aproximadamente 1,08 bilhão de km/h — à do objeto mais veloz lançado pela NASA até agora, que atingiu 0,064% de "c" em dezembro de 2024, quando a sonda se aproximou a apenas 6,1 milhões de km da superfície solar. A essa velocidade, uma viagem de ida a Proxima Centauri — o sistema estelar mais próximo do nosso — levaria cerca de 6.600 anos.
A história ensina que ideias abstratas podem levar séculos ou até milênios para se tornarem ferramentas práticas. No estágio atual, "c" segue como uma fronteira muito mais teórica do que tecnológica para a exploração espacial, e a nova proposta melhora a forma de pensar a bolha de dobra, mas o salto entre matemática, energia negativa, controle seguro e viagem real continua imenso.
Voltando ao que dizíamos sobre a imensidão do cosmos, o que observamos no céu noturno é uma gravação atrasada do passado, que varia conforme a distância e o tempo que a luz leva para percorrê-la. Quando olhamos para a Lua, vemos como ela era 1,3 segundo antes; quando olhamos para o Sol, vemos como ele era cerca de 8 minutos atrás.
Nosso sistema estelar vizinho mais próximo está a 4,37 anos-luz de nós, o que significa que a luz que vemos iniciou sua jornada há mais de 4 anos. Já quando olhamos para Betelgeuse — gigante vermelha na constelação de Órion, que fica a cerca de 550 anos-luz da Terra, o que vemos é a luz emitida quando os europeus ainda viviam na Idade Média, e a luz que nos chega desde Andrômeda — a maior galáxia espiral vizinha da Via Láctea, que fica a 2,5 milhões de anos-luz — partiu de lá quando os primeiros hominídeos começaram a caminhar eretos na África.
Olhar para o espaço profundo não é observar o universo, é assistir a um filme de fantasmas cósmicos, já que uma parcela significativa das estrelas que vemos brilhando no céu já explodiram, colapsaram em buracos negros ou se apagaram há séculos ou milênios, embora a notícia de sua morte ainda não tenha chegado até nós. Além disso, a expansão do universo a uma velocidade superluminal, graças a algo misterioso chamado "energia escura", está empurrando o tecido do espaço-tempo para fora em todas as direções, e quanto mais distante uma galáxia está de nós, mais rápido ela parece se afastar.
Observação: Note que não são as galáxias que estão se afastando mais rápido que a luz — até porque isso violaria as leis da física — e sim o espaço entre elas que vem se expandindo cada vez mais depressa. Para entender melhor, pense no cosmos como uma bexiga de borracha e nas galáxias como a inscrição "Feliz Aniversário". À medida que a bexiga enche, a distância entre as letras aumenta, não por mudarem de lugar, mas por acompanharem a expansão causada pela pressão do ar no interior da bexiga.
Isso cria o que chamamos de horizonte de eventos cósmico, e qualquer coisa além dessa linha não pode ser alcançada, não importa o quanto nossa tecnologia avance. Centenas de bilhões de galáxias já foram perdidas, e mais galáxias cruzam essa fronteira e desaparecem da nossa realidade observável a cada segundo — ou seja, o território do universo disponível para nós está encolhendo ativamente, prendendo-nos numa ilha cósmica enquanto a maré sobe.
E se isso não bastasse, algumas estimativas sugerem que a parte observável do universo contém cerca de dois trilhões de galáxias. O problema é que não sabemos qual é a extensão real do cosmos além dessa região iluminada pela luz que teve tempo de chegar até nós desde o Big Bang. O universo pode ser muito maior do que imaginamos, talvez centenas, milhares ou até infinitas vezes mais vasto que a fração infinitesimal que conseguimos observar.
Em outras palavras, tudo o que a humanidade já viu — cada estrela, planeta, nebulosa, galáxia e aglomerado galáctico catalogado até hoje — pode corresponder apenas a uma minúscula gota em um oceano cuja dimensão permanece desconhecida. E, como veremos mais adiante, algumas hipóteses vão ainda mais longe: sugerem que o nosso universo talvez seja apenas um entre inúmeros outros.
Continua…




