A REALIDADE É AQUILO QUE NÃO DESAPARECE QUANDO VOCÊ PARA DE PENSAR NELA.
No início do século XX, as equações relativísticas de Einstein demonstraram que tempo e espaço formam um único tecido contínuo — o espaço-tempo. Mais adiante, essa premissa foi comprovada experimentalmente, com base na dessincronização provocada nos relógios atômicos pela velocidade, pela gravidade e pela estrutura do próprio cosmos.
Isso significa que os relógios mais precisos seguem caminhos diferentes no espaço-tempo, e que o tempo não é uma regra universal válida para todo o cosmos. Para entender melhor essa ideia, precisamos voltar no tempo até o início do século XX, quando as leis de Newton explicavam o movimento dos planetas, as maçãs caindo das árvores, e por aí afora.
Até então, acreditava-se que se sabia quase tudo sobre o funcionamento do universo, noves fora alguns detalhes que não tardaram a vir à luz. Mas não há nada como o tempo para passar: em 1905, Einstein publicou uma série de artigos que viraram esse entendimento de pernas para o ar, começando pela Teoria da Relatividade Restrita.
CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA
Em maio, Flávio prevalecia sobre Lula entre os brasileiros que afirmam não ser lulistas nem bolsonaristas: 38% a 32%. Desde a explosão do caso Dark Horse, a tendência se inverteu. Lula agora aparece à frente do filho de Bolsonaro nesse nicho do eleitorado: 40% das intenções de voto, contra 31% atribuídos a Flávio na simulação de segundo turno.
No quadro geral, os dados coletados pelo Datafolha revelam um cenário de estabilidade. Lula continua à frente. Mas não disparou. Flávio, a despeito da desvantagem, não derreteu. No primeiro turno, a dianteira de Lula oscilou de 10 para 8 pontos percentuais: 40% a 32%. No segundo turno, foi de 4 para 5 pontos: 48% a 43%.
São variações dentro da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos. Normalmente, seriam consideradas como um ativo eleitoral de Flávio. Sobretudo quando se considera que o candidato do clã Bolsonaro tropeça numa agenda negativa que inclui a relação promíscua com Daniel Vorcaro, as desavenças com a madrasta, o tarifaço de Trump, os desencontros com o centrão, o ataque às urnas eletrônicas e um interminável etcétera.
Nesse contexto, a estratégia que distancia Flávio do eleitor de centro não faz nexo. Foi esse eleitor que deu a Lula, em 2022, a vitória sobre Bolsonaro pela pequena margem de 1,8 ponto percentual. O jogral do pai preso — "É sangue do meu sangue" —com filho-refém — "Aqui tem sangue de Bolsonaro" — desce à crônica da sucessão como uma esperteza do avesso.
É como se a dinastia desejasse transformar limonada em limão.
A ideia central fica mais fácil de entender se imaginarmos duas pessoas e um trem. A primeira pessoa está viajando no trem a uma velocidade constante, enquanto a segunda está parada na plataforma da estação. De acordo com as leis de Newton, a primeira pessoa acha que é a segunda quem está se afastando, enquanto a segunda acha que é a primeira que está se movendo.
O problema surge quando experiências como a que Michelson e Morley realizaram no final do século XIX demonstraram que a velocidade da luz no vácuo é sempre a mesma, não importa se a fonte está em movimento ou se o observador está parado. Isso parece ser apenas um detalhe, mas, segundo a física clássica, a velocidade de uma bola arremessada dentro de um trem seria a velocidade da bola somada à velocidade do trem, e com a luz a velocidade continuaria exatamente a mesma (na percepção de quem está parado).
Isso levou Einstein a propor dois postulados simples, mas revolucionários: 1) A velocidade da luz no vácuo é constante (299.792.458 m/s ou cerca de 1,08 bilhão de km/h) para todos os observadores, independentemente do seu movimento; 2) As leis da física são as mesmas em todos os referenciais inerciais, ou seja, para observadores que não estão acelerando.
A combinação dessas duas ideias foi de encontro (e não ao encontro) do senso comum, segundo o qual o tempo e espaço simplesmente não podem se comportar da forma que se imaginava até então. Isso levou Einstein a concluir que, para o universo continuar a fazer sentido, era preciso abandonar a noção clássica de tempo e espaço e abraçar a ideia de que o tempo não é um valor absoluto, igual para todos, que flui como um relógio cósmico universal, mas algo relativo que leva a um conceito ainda mais profundo — que é o do espaço-tempo.
Para entender melhor a gravidade, imaginemos o espaço-tempo como uma grande tela elástica, e objetos massivos como planetas e estrelas deformando essa tela. Se colocarmos uma bola de boliche no centro dessa tela elástica, o tecido irá afundar. Se acrescentarmos uma bola de tênis, ela vai se mover em direção à bola maior, não porque uma força misteriosa a puxa, mas porque a superfície está deformada. Na visão de Einstein, a gravidade funciona assim, como o resultado da curvatura do espaço-tempo, e não como uma força invisível exercida à distância..
Einstein demonstrou ainda que o tempo também é afetado pela gravidade, e que, quanto mais intenso for o campo gravitacional, mais lentamente ele fluirá. É devido a esse efeito — conhecido como dilatação gravitacional do tempo — que um relógio anda mais devagar ao nível do mar do que no alto de uma montanha, onde a atração gravitacional é menor.
Isso tem implicações profundas na forma como entendemos o universo e a nós mesmos, pois desmonta a ideia segundo a qual o tempo é um rio que corre de maneira uniforme para todos.
Continua…






