domingo, 1 de fevereiro de 2026

DE VOLTA AO CHURRASCO DE DOMINGO

NA PRESENÇA DE IMBECIS E LOUCOS, O SILÊNCIO NÃO É OMISSÃO, MAS AUTODEFESA INTELECTUAL.

Assim como toda panela tem sua tampa, cada preparo tem a carne mais adequada. Um refogado, por exemplo, combina com carne magra, como patinho ou acém bem limpos. Já o hambúrguer pede de 20% a 30% de gordura — que também não pode faltar na carne grelhada na frigideira, no bife e, principalmente, na picanha, cuja capa de gordura é indispensável.

Observação: Contra-filé, alcatra, coxão mole e patinho rendem bons bifes fritos ou grelhados, mas o filé-mignon se destaca pela maciez e pelo sabor inconfundível. No churrasco, a picanha é presença obrigatória, embora o miolo da alcatra, o ancho e o ojo de bife também sejam excelentes opções.

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A tentativa de impor a candidatura de Carluxo ao Senado por Santa Catarina escancarou uma crise entre lideranças estaduais e a direção nacional do PL. O movimento, articulado pelo pai do pimpolho e hóspede compulsório da Papudinha, gerou reações negativas e ameaça alianças do partido no estado.

Valdemar Costa Neto avalia que o prestígio do ex-presidente golpista e a repercussão que ele ainda tem num pedaço expressivo do eleitorado brasileiro justificam a submissão. Até porque o objetivo do ex-presidiário do mensalão é fazer muitos parlamentares para aumentar a caixa registradora do fundo eleitoral, do fundo partidário do PL, e para isso empurra Zero Dois, que é do Rio de Janeiro, goela abaixo dos catarinenses. 

Independentemente do que aconteça, Santa Catarina seria um estado melhor se varresse do mapa eleitoral do estado a candidatura do filho do pai ao Senado. Mas esperar o que de um povinho medíocre, que repete a cada eleição, por ignorância, o que Pandora fez uma única vez por curiosidade?

Arrancar elogios dos amigos e familiares com uma carninha na brasa requer muitas horas de pilotagem de churrasqueira. Além de selar a gordura da forma correta, e preciso deixar a deve descansar para ficar mais suculenta. O sal realça o sabor e a suculência da carne, mas salgá-la demais, economizar no carvão e usar a mesma tábua para cortes crus e assados são erros comuns. 

O sal grosso deve ser aplicado momentos antes de colocar a carne no fogo, ou, em alguns casos, durante o preparo, virando a peça. O equilíbrio entre tempo e quantidade garante sabor e suculência. Igualmente importante é deixar a carne descansar de 5 a 10 minutos antes de fatiar, para que os sucos se redistribuam internamente.

Posicionar a carne muito próxima da brasa deixa a parte externa esturricada e o interior cru ou ressecado. O ideal é ajustar a altura da grelha ou a intensidade do fogo de acordo com o tipo e a espessura do corte. Churrascos mais suculentos são feitos com fogo moderado e paciência. A cocção lenta preserva os sucos internos e deixa a carne no ponto certo, com uma crosta saborosa e um interior macio.

Usar um garfo ou apertar a carne com uma espátula é outro erro que compromete a suculência. A cada perfuração, os líquidos naturais escapam, deixando o corte mais seco e menos saboroso. Sempre manuseie a carne com pinças ou espátulas planas, vire o mínimo necessário e respeite o tempo de cada lado para formar a crosta ideal sem perda de umidade.

Por último, mas não menos importante, para carnes mais duras ou menos nobres, a marinada pode ser uma aliada. Ingredientes como azeite, alho, vinagre ou limão ajudam a amaciar e preservar a umidade do corte durante o preparo, mas é importante não exagerar no tempo — que deve variar de 30 minutos a 2 horas, dependendo da carne. Marinadas muito longas, especialmente com ingredientes ácidos, podem “cozinhar” a carne antes da hora e alterar sua textura. Já a linguiça pode ser servida como aperitivo, acompanhamento e até mesmo como prato principal.

No fim das contas, churrasco é menos sobre ostentação e mais sobre método. Quem grita demais, fura a carne, espreme o bife e discute política na beira da grelha costuma errar nos quatro ao mesmo tempo. E não adianta culpar a carne: assim como na vida, o problema quase sempre está em quem não soube lidar com o fogo.

Bom apetite.

sábado, 31 de janeiro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 70ª PARTE

TIME AND TIDE WAIT FOR NO MEN.

Desde as mais priscas eras, o tempo se apresenta ora como um deus implacável, ora como um fluxo sereno, ora como uma ilusão. Na mitologia grega, Cronos usa sua foice para castrar seu pai, Urano, que aprisionava os filhos por receio de ser destronado, e passa a devorar os seus


Trata-se de uma metáfora cruel, em que o tempo surge como uma força que tudo consome, destruindo sem concessões pai e filho, criação e criador. Não por acaso, a iconografia ocidental transformou a foice de Cronos na imagem tradicional da morte ceifadora.


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Pelo andar das carruagens, Flávio Bolsonaro terá que brigar com um candidato do seu próprio campo ideológico por uma vaga no segundo turno para se consolidar como um anti-Lula oficial. No melhor estilo Marcola, Fernandinho Beira-Mar e Cia. Ltda.,, Bolsonaro produziu de dentro da cadeia uma briga autofágica da direita por território e vem tratando facções do Centrão como drones operados por controle remoto desde a Papudinha.

Noutros tempos, o fardo do divisionismo era carregado pela esquerda. A falta de opção faz de Lula um fator de união desse segmento. Na outra ponta, Bolsonaro impõe seu estilo canibal ao conservadorismo brasileiro.

A primeira novidade da sucessão de 2026 surgiu em dezembro de 2025, quando Zero Um disse ter sido escolhido pelo pai como candidato do PL ao Planalto. Decorridos quase dois meses, Tarcísio de Freitas foi à Papudinha para ouvir dos lábios do criador que seu sonho presidencial foi pelos ares.

A segunda novidade surgiu dias atrás, com o desembarque de Ronaldo Caiado no PSD. Sua chegada afunilou a articulação do partido de Kassab para oferecer uma opção ao eleitorado conservador. Vai à urna Ratinho Júnior, Caiado ou Eduardo Leite — o que estiver mais musculoso nas pesquisas até abril —, e o pior é que o eleitorado medíocre, desinformado e mal-ajambrado baterá os cascos em apoio a esse tipo de gente.

 

Enquanto poemas, músicas como Dust in the Wind e pinturas traduzem a inevitável transitoriedade da vida, Proust devolve ao presente aquilo que o passado parecia ter devorado, como na célebre cena da Madeleine, e o cinema faz do tempo um personagem central, tanto nas narrativas fragmentadas de Amnésia quanto nos paradoxos temporais de Interestelar, que transforma em drama humano a dilatação di tempo prevista por Einstein.

 

Na filosofia, Santo Agostinho sintetiza sua angústia na frase: “Se ninguém me pergunta, eu sei o que é; mas se me perguntam, já não sei responder” — para ele, presente e futuro só existem dentro da consciência, como memória, atenção e expectativa. Séculos depois, Henri Bergson distingue entre o tempo mensurável da ciência e a duração subjetiva da vida, fluida e elástica, enquanto Martin Heidegger faz do tempo a condição fundamental da existência.

 

Mas é na ciência moderna que o tempo se torna questão de medição e de leis. Newton falava de um “tempo absoluto”, invisível mas necessário para ordenar os movimentos do mundo. Essa noção foi revolucionada por Einstein, que demonstrou com suas equações relativísticas que não somos viajantes imóveis em um rio inexorável, e sim habitantes de um tecido cósmico onde espaço e tempo formam uma única realidade. A partir daí, tornou-se possível compreender que o tempo não é igual para todos.

 

Devido às dilatações do tempo e da gravidade, o relógio anda mais devagar para quem se move em altas velocidades ou habita regiões onde a atração gravitacional é mais intensa. Um minuto numa espaçonave viajando a uma velocidade próxima à da luz equivale a milhares de anos terrestres, e um minuto no topo do Monte Everest corresponde a 60,000000000058 segundos no nível do mar — uma diferença de míseros 58 nanossegundos, mas mensurável com relógios atômicos de alta precisão.

 

Na cosmologia, o tempo como o conhecemos nasceu com o Big Bang — especular sobre o que havia antes dele faz tanto sentido quanto perguntar o que existe ao norte do Polo Norte. Alguns físicos sugerem que o tempo pode não ser uma dimensão primordial, e sim uma propriedade emergente das relações entre partículas e energias, ao passo que outros chegam a questionar se ele existe de fato ou é apenas uma ilusão fabricada por nossa mente para ordenar as mudanças que percebemos.

 

Nossos antepassados começaram a medir o tempo quando notaram que as fases da Lua e a mudança das estações influenciavam o comportamento dos animais — uma questão vital para quem vivia da caça e da pesca. Em meados do terceiro milênio a.C., os sumérios criaram o primeiro calendário lunar, e os egípcios, um modelo solar com 365 dias divididos em 12 meses de 30 dias, mais 5 dias ao final do ano para completar o ciclo. O calendário juliano foi criado em 46 a.C., e o gregoriano — utilizado atualmente em 168 países — em 1582 d.C. 

 

De acordo com a causalidade (não confundir com casualidade), o que aconteceu ontem impõe restrições ao que acontece hoje, e o que acontece hoje influencia o que acontecerá amanhã. Como esse princípio dá ao Universo uma direção única, a possibilidade de voltar no tempo põe a ciência em xeque. Mas em algumas interpretações da física — como a da gravidade quântica — o tempo se resume a uma dimensão secundária que surge da interação entre eventos e partículas, sem existir como entidade independente. No entanto, se causa e efeito estão relacionados pela ordem dos eventos, e não pela passagem do tempo em si, então o tempo é ilusório e a causalidade pode se manter através dessas relações ordenadas.


Continua...

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

COMPUTADORES QUÂNTICOS — FIM DA SEGURANÇA DIGITAL?

OS GANHOS VÊM AOS POUCOS; AS DESGRAÇAS VEM EM LOTES.

 

Em um futuro não tão distante, o mundo irá se deparar com um novo pesadelo digital: o "Q-day". 

Nesse dia fatídico, computadores quânticos poderão quebrar em poucas horas as barreiras da criptografia tradicional, expondo dados confidenciais não só de instituições financeiras, órgãos governamentais e empresas de grande, médio e pequeno porte, mas também de bilhões de pessoas comuns. 
 
A despeito da iminência do "Q-day", demora-se a desenvolver soluções de criptografia pós-quântica e buscar alternativas seguras para proteger dados sensíveis — que os cibercriminosos já vêm armazenando, enquanto aguardam o momento oportuno para quebrar a criptografia com o auxílio de computadores quânticos. 

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Ronaldo Caiado ensaia um movimento oposto ao de Tarcísio de Freitas. Em vez de abdicar de sua pretensão presidencial em favor de Flávio Bolsonaro, o governador de Goiás decidiu se oferecer ao eleitorado como opção supostamente mais qualificada da direita.

Desprezado pelo União Brasil, seu partido, ele se equipa para trocar de legenda — a negociação está mais avançada com o Solidariedade e o PSD —, mas seu plano só fará sentido se vier acompanhado de uma disposição real de expor contrapontos nítidos ao bolsonarismo.

Hoje, Caiado integra ao lado de Romeu Zema, Ratinho Júnior e do próprio Tarcísio um bloco de políticos conservadores que têm dificuldades de se dissociar de Bolsonaro — um personagem que duvidou das vacinas durante uma pandemia que matou 700 mil brasileiros, e que tentou dar um golpe para anular a derrota de 2022.

 
Algoritmos de criptografia como RSA e ECC, pilares da segurança digital por décadas, estão cada vez mais vulneráveis. Assim que a bandidagem encontrar meios de explorar essa nova realidade, as muralhas da criptografia e a segurança cibernética, outrora praticamente intransponíveis, poderão ser derrubadas. Mas as ameaças são tratadas como se fossem um problema distante.

A pergunta que se coloca é: será que esse pânico é justificado ou será que estamos simplesmente repetindo o velho padrão do "socorro, a tecnologia vai nos destruir"? Desde que o mundo é mundo, as pessoas temem o desconhecido. O medo do novo já fez nossos antepassados reverenciarem trovões, a Igreja repudiar a prensa de Gutenberg e os luditas queimarem teares. As bolas da vez são a Inteligência Artificial e a Computação Quântica. 
 
Hollywood adora uma boa distopia, e o "O Exterminador do Futuro" nos ensinou a temer máquinas que ganham consciência e decidem nos exterminar. Mas a verdade é que IA ainda está longe de ser uma Skynet. Modelos de deep learning funcionam reconhecendo padrões e gerando respostas estatisticamente prováveis, mas não há consciência nem intenção maligna, só matemática. Por outro lado, a automação pode substituir certas funções humanas, e sistemas mal treinados podem reforçar preconceitos. Mas essas são questões que exigem regulamentação e adaptação, não pânico generalizado.
 
Pelo andar da carruagem, os computadores quânticos poderão quebrar algoritmos de criptografia que hoje consideramos seguros, já que eles podem resolver certos problemas matemáticos (como a fatoração de números primos) "n" vezes mais rápido que os computadores convencionais. Por outro lado, os modelos atuais são extremamente instáveis, exigem temperaturas próximas do zero absoluto e funcionam com poucos qubits úteis. Além disso, esforços para desenvolver criptografia resistente a ataques quânticos vêm sendo feitos, de modo que, quando os computadores quânticos se tornarem uma ameaça real, a segurança digital já terá evoluído.
 
O medo da IA e da computação quântica segue um roteiro clássico: a tecnologia avança, o pânico vem, o tempo passa e a humanidade se adapta. A IA não vai se tornar um ditador global, mas pode transformar mercados e exigir regulações. A computação quântica pode, sim, ameaçar a criptografia atual, mas soluções para contornar isso já estão sendo desenvolvidas. No entanto, considerando que é melhor acender uma vela do que amaldiçoar a escuridão, por que não trocar o pânico por planejamento? 

Em suma, menos Hollywood, mais ciência.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

TEORIA PROPÕE QUE O TEMPO TEM TRÊS DIMENSÕES

TODA VERDADE É RIDICULARIZADA E VIOLENTAMENTE COMBATIDA ANTES DE SER FINALMENTE ACEITA COMO AUTOEVIDENTE.


Gunther Kletetschka, professor de pesquisa associado no Instituto Geofísico da UAF, propôs que o tempo se apresenta em três dimensões e o espaço surge como uma manifestação secundária. Assim, as três dimensões temporais seriam como a tela de uma pintura, e as três espaciais, como a tinta sobre essa tela.


Segundo essa teoria, o tempo teria três direções independentes, e o "caminho normal", que experimentamos como "avançar no tempo", seria cortado por cruzamentos que levariam a uma "linha de tempo alternativa" — a dimensão do tempo —, enquanto a transição entre diferentes versões desse momento seria a terceira dimensão. 


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Depois de Moraes e Toffoli, quem se vê envolvido no caso do Banco Master é Lewandowski, com cujo escritório de advocacia a instituição enrolada manteve um contrato de consultoria jurídica por cerca de 21 meses. 

Firmado em agosto de 2023, o acordo previa pagamentos de R$250 mil mensais e só foi encerrado em setembro de 2025, somando cerca de R$6,5 milhões, dos quais R$5,25 milhões foram pagos depois da posse no ministério. 

Diante das crescentes pressões sobre o STF para que Toffoli abandone o caso, Fachin, presidente de turno da Corte, declarou que a perseguição a ministros no exercício de suas funções é um dos sinais do que chamou de “modalidade silenciosa” do autoritarismo. Já o decano Gilmar Mendes — verdadeira herança maldita de FHC — disse que a atuação de Toffoli observa o devido processo legal e já foi analisada pela PGR.

Na esteira da crise, o presidente da OAB-SP encaminhou a Fachin a minuta de um código de ética que prevê a vedação da participação de ministros do Supremo em julgamentos que envolvam parentes até o terceiro grau, amigos íntimos, interesses próprios ou de pessoas próximas, ou processos nos quais os magistrados tenham atuado antes de integrar a Corte.


Kletetschka sustenta ser possível preservar a causalidade mesmo com múltiplas dimensões temporais, e sua abordagem contribui para uma teoria do tudo (a unificação das quatro forças fundamentais), pois consegue reproduzir massas de elétrons, múons e quarks e explicar por que elas são o que são. Ele diz que não se trata não de matemática puramente especulativa, já que produz previsões concretas, e que mudar a hierarquia do espaço tempo para tempo como primário e espaço emergente pode elucidar enigmas atuais da física. 


Trata-se de uma teoria ousada e instigante, mas que ainda precisa aparecer em periódicos de alto impacto e ser amplamente discutida para ser aceita pela comunidade científica. Relatividade geral, mecânica quântica e sucessos do modelo-padrão são proposituras extremamente bem testadas; qualquer nova proposta (como o tempo 3D) precisa harmonizar com elas nos regimes onde já foram confirmadas e fazer previsões novas onde elas falham.


Ainda não se sabe se a teoria de Kletetschka tem essa propriedade de limite clássico correto. O conceito de andar por uma dimensão temporal alternativa — ou seja, mudar de linha de tempo — remete a mundos paralelos, realidades alternativas e outras ideias com cheiro de ficção científica, e traduzir tudo isso em variáveis físicas mensuráveis e operacionais é um desafio enorme.


Mesmo que exista previsão de massa de partículas, é preciso que ela possa ser medida (ou refutada) com os instrumentos que temos ou que venhamos a construir. Se os resultados diferirem da teoria atual, há que encontrar uma solução decisiva que favoreça (ou descarte) a proposta.


Algo tão heterodoxo quanto o tempo tridimensional e o espaço emergente implica o risco de tornar a teoria demasiadamente flexível, ou de novos parâmetros serem acomodados para mascarar eventuais discrepâncias com dados. Se isso acontecer, o conceito perde seu valor explicativo.


A proposta de Kletetschka é um palpite no estilo dos experimentos mentais que às vezes abrem caminhos inesperados. Seu valor está mais no estímulo para refletir e questionar pressupostos do que em afirmar que já provou que o espaço é secundário.


Para a maioria dos físicos, o espaço-tempo como conceito unificado é uma construção altamente bem-sucedida, e quaisquer conjecturas que a contrariem precisam mostrar ganho claro de poder explicativo, e não mera curiosidade conceitual. Ainda que não haja evidências de que a proposta seja forte o suficiente para derrubar o modelo vigente, nada a impede de vir a complementá-lo.


A conferir.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

SEGURO MORREU DE VELHO

SEGURANÇA É UM HÁBITO E, COMO TAL, DEVE SER CULTIVADO.

Kevin Mitnick — o "papa" dos hackers nos anos 1980 — dizia que computador seguro é computador desligado. Essa máxima também se aplica aos smartphones, que são microcomputadores ultraportáteis ainda mais vulneráveis que os desktops e notebooks, já que a maioria dos usuários nunca os desliga.

Mesmo que segurança absoluta seja História da Carochinha, sempre é possível reduzir os riscos ativando a biometria e a dupla autenticação (o site Two Factor Auth ensina como configurar esse recurso em sites de bancos, redes sociais etc.).

Igualmente importante é manter o sistema e os aplicativos atualizados, não recarregar a bateria usando um computador que não seja o seu sem ativar a opção de não compartilhar dados com aquele dispositivo, dispôr de um software antimalware, evitar redes Wi-Fi públicas e jamais clicar em links recebidos por e-mail, SMS, WhatsApp etc. sem checá-los, mesmo que o remetente lhe pareça confiável.

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Dois raios abrilhantaram a marcha de Nikolas Ferreira et caterva neste domingo. O primeiro, vindo do céu, atingiu a multidão que aguardava em Brasília, sob chuva torrencial, a chegada do deputado e do cordão de bolsonaristas conduzidos por ele numa peregrinação que cruzou rodovias de Minas Gerais e de Goiás durante uma semana. O segundo foi o raio que o parta inserido por Nikolas no discurso de encerramento da marcha, que caiu sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e despejou estilhaços no STF.

Nikolas discursou para uma plateia estimada em 18 mil pessoas. Ignorando as 72 vítimas do raio que caiu das nuvens horas antes de sua chegada numa praça situada a 6 quilômetros do Planalto, o parlamentar se absteve de prestar solidariedade até aos 30 bolsonaristas que tiveram que ser hospitalizados. Cobrou de Alcolumbre o destravamento das CPIs dos casos do assalto aos aposentados e do Banco Master, mencionou a suspeita de repasses do Careca do INSS, estrela dos desvios da folha do INSS, para o filho do Lula, e afirmou que o país "precisa saber o que aconteceu para uma esposa de ministro STF ter um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master."

O pano de fundo da marcha sobre Brasília era um objetivo inalcançável. — a anistia de Bolsonaro —, mas a meta real foi plenamente atingida. Cientes de que a força bolsonarista nas redes sociais não é derivada da moderação, mas do radicalismo, Nikolas e sua trupe se esmeraram em produzir postagens ácidas enquanto percorriam rodovias mineiras e goianas, a caminho de Brasília.

Como lhe interessa preservar a fidelidade do eleitorado radical, a deputado prefere manter o estilo histriônico a endossar o discurso moderado com que Flávio Bolsonaro tenta atrair o Centrão para seu projeto presidencial. 

Entre os vídeos instagramáveis de beira de estrada e os feridos do raio brasiliense, a marcha de Nikolas salvou a retórica antissistema que move o plano da facção legislativa do bolsonarismo de se manter como a maior força de oposição no Congresso durante um eventual quarto mandato de Lula.

Triste Brasil, cujo eleitorado tem bandidos de estimação e vota em políticos dessa catadura.

Bateria descarregando muito rápido, telefone aquecendo em stand-by, configurações que se alteram sozinhas, reinicializações aleatórias, apps que surgem do nada e mensagens enviadas à sua revelia são sinais sinais de alerta; considere a possibilidade de mudar suas senhas, cancelar o cartão de crédito que você usa nas compras online (a menos que seja virtual) e avisar seus contatos de que seu aparelho pode ter sido invadido.

Ocultar aplicativos sensíveis e pastas com conteúdo pessoal/confidencial também é recomendável. O iOS não oferece uma ferramenta nativa para essa finalidade, mas o Face ID permite vincular o acesso a aplicativos à autenticação facial. Para isso, selecione a opção Exigir Face ID, confirme a ação tocando novamente em Exigir Face ID e oculte o próprio Face ID ativando a opção Ocultar e Exigir Face ID.

No Android, a Pasta Segura — quando disponível (o que não é o caso do meu Motorola G75 5G), permite proteger aplicativos e pastas com diferentes métodos de autenticação. Para conferir, vá em Configurações > Privacidade (ou Segurança e privacidade, dependendo da versão do sistema) > Bloqueio de Aplicativos > Pasta Segura, defina o método de proteção (PIN, impressão digital ou reconhecimento facial) e selecione os aplicativos que deseja proteger.

Feito esse ajuste, os apps só poderão ser acessados mediante a autenticação definida, garantindo maior segurança para seus dados.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 69ª PARTE

NÃO HÁ DEFEITO MAIS IRRITANTE QUE O DE CRITICAR DEFEITOS ALHEIOS.

A ânsia de acreditar que já fomos visitados por seres do futuro nos leva a enxergar “provas” em fotos borradas e lendas extravagantes, mas convenhamos: um viajante do tempo que deixa cair um relógio suíço numa tumba chinesa não merece sequer a passagem de volta. Além disso, todo fato tem ao menos três versões: a sua, a minha e a verdadeira. Quando as versões se sobrepõem aos fatos nascem os mitos, os boatos e as teorias da conspiração


Mitos são narrativas ancestrais que buscam explicar a origem do mundo ou transmitir crenças sobre o desconhecido; boatos surgem de informações distorcidas que são espalhadas de boca em boca, por mensagens instantâneas e nas redes sociais. Já as teorias da conspiração se baseiam em interpretações subjetivas de evidências circunstanciais e atribuem eventos políticos ou sociais a esquemas secretos arquitetados por grupos poderosos 


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Há líderes políticos cuja obra só será entendida daqui a um século. No caso de Trump — cuja credibilidade como parceiro continua sub-zero —, a história é um dossiê criminal com a documentação de culpas que só poderiam ser perfeitamente entendidas se o relógio da Europa fosse atrasado para a década de 1930. Sob Trump, os Estados Unidos estão do lado errado.

No Brasil, entre várias esquisitices, o caso Master expôs as vísceras do nepotismo processual. Toffoli não se constrange com a revelação dos negócios de dois de seus irmãos com um dos alvos da investigação, nem Moraes se incomoda com a descoberta de que o banco falido pagava R$3,6 milhões mensais à advogada Viviane Barci, sua mulher.

A penúltima tentativa de golpe mostrou que a democracia precisa de um Judiciário forte, mas Fachin defende o STF valendo-se da tática de confundir o joio com o trigo — ou seja, os ministros com a instituição. Na nota divulgada na semana passada, a expressão “Código de Conduta” não aparece uma única vez nas 582 palavras que compõem as três páginas que formam o documento.


As teorias conspiratórias são particularmente sedutoras para aqueles que a cegueira mental impede de enxergar o óbvio. Elas são tão antigas quanto a própria humanidade, mas continuam entre nós, como aponta um estudo que analisou mais de 100 mil cartas enviadas por leitores ao The New York Times e ao Chicago Tribune entre 1890 e 2010. A diferença, segundo Umberto Eco, é que a Internet promoveu os idiotas da aldeia a portadores da verdade. Antes, eles falavam apenas no bar, sem causar maiores danos, e agora têm o mesmo direito à palavra que um Prêmio Nobel.

 

Bastou a Apollo 11 alunissar e Neil Armstrong e Buzz Aldrin darem seus primeiros passos na superfície lunar para que os teóricos da conspiração começassem a acusar a NASA de encenar uma farsa — supostamente filmada na Área 51. Segundo eles, a "tremulação" da bandeira fincada no solo lunar seria impossível sem a presença de vento, mas o movimento observado foi causado pelo manuseio da haste metálica costurada na borda superior da bandeira, projetada justamente para mantê-la estendida em um ambiente sem atmosfera. 

 

A ausência de estrelas se deveu ao fato de as câmeras terem sido configuradas para captar a superfície lunar intensamente iluminada pelo Sol, o que impossibilitou a captura de objetos menos brilhantes no fundo nas fotos, mas também foi alvo de suspeitas. As chamadas "sombras inexplicáveis" resultaram da combinação entre o relevo irregular da Lua e os ângulos das imagens, e os supostos "objetos estranhos" nos visores dos capacetes, do reflexo equipamento que os astronautas carregavam.


As missões Apollo foram acompanhadas por observadores independentes que verificaram as transmissões ao vivo e os sinais de rádio vindos da Lua. Além disso, 382 kg de amostras de rochas lunares foram analisadas por cientistas de todo o mundo, e imagens de alta resolução feitas por sondas e telescópios modernos mostram claramente os locais de pouso, incluindo as marcas dos módulos lunares e equipamentos deixados para trás na superfície do satélite. O físico David Grimes, da Universidade de Oxford (UK), concebeu uma equação levando em conta o número de conspiradores envolvidos (411 mil funcionários da NASA) e o tempo transcorrido desde o evento e concluiu que alguém fatalmente teria dado com a língua nos dentes depois de 3,7 anos.
 

No fim das contas, todas essas narrativas dizem mais sobre nós do que sobre o passado. Revelam nossa dificuldade em aceitar que povos antigos podiam ser inteligentes sem precisar de ajuda externa, e nossa vontade de acreditar que o futuro já esteve aqui, dando pistas em baixo-relevo, fotos borradas e lendas fantásticas. 


Convenhamos: se um viajante do tempo realmente tivesse deixado cair um relógio suíço dentro de uma tumba chinesa, talvez não merecesse nem a passagem de volta.


Continua...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

DE VOLTA À TEORIA DAS CORDAS (CONTINUAÇÃO)

TIME HEALS ALL WOUNDS, BUT LEAVES ALL SCARS

Dimensões extras podem ser melhor explicadas com o uso de metáforas como a da corda, que, para nós, têm apenas uma dimensão — a largura. Se andarmos sobre ela, poderemos ir para frente e para trás, mas uma formiguinha poderá ir também para os lados e até contornar o diâmetro da corda, acessando a dimensão da profundidade. 

Se substituirmos nossa hipotética corda por uma mangueira de jardim, o interior do tubo representa uma dimensão ainda mais escondida e inacessível para nós, mas não para a água. No entanto, se essas dimensões realmente existem, por que ainda não foram detectadas? Seria por serem tão pequenas que nem toda a energia dos colisores de partículas consegue encontrar?

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

A proximidade de Daniel Vorcaro com a banda mercantilista da política é muito parecida com aquelas festinhas de amasso dos velhos tempos, nas quais os parceiros dançavam de rostinho colado. A diferença é que no bolero do Master com os políticos não tem música; a coreografia se desenrola no silêncio dos bastidores.

Na última sexta-feira, agentes federais visitaram endereços de gestores do Rioprevidência, puxando o fio de uma meada que começa no Rio, passa por prefeituras de São Paulo e vai até o Amapá. O rolo envolve 18 fundos previdenciários de estados e municípios. Juntos, compraram quase R$2 bilhões em letras financeiras podres do Master.

No Rio, a caixa registradora dos servidores estaduais foi entregue ao União Brasil, presidido por Antonio Rueda, um amigo de Vorcaro. A entidade adquiriu R$970 milhões em letras financeiras podres do banco. Coube ao Amprev, fundo dos servidores do Amapá, o segundo maior mico: R$400 milhões. Ali, a caixa registradora era gerenciada por um apadrinhado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, outro chegado de Vorcaro.

O novo desdobramento do escândalo chegou às manchetes horas depois da divulgação de uma nota em que o atual presidente do Supremo, dando de ombros para a vinculação dos irmãos de Dias Toffoli com o banco falido num resort situado no Paraná, afirmou que o colega de toga vem "atuando na regular supervisão judicial" do inquérito.

Embora reconheça o direito da imprensa à crítica, Fachin enxergou nas revelações do noticiário uma tentativa de constranger o Supremo. Anotou que "o primitivismo da pancada", quando endereçado a ministros do STF, "erra de endereço". 

Essa tática de confundir a crítica a magistrados com ameaças ao Supremo é um velho hábito da corporação das togas. Os ministros não são a instituição, e misturar o joio com o trigo demonstra que o bolero do Master com as instâncias do Poder ainda vai longe.

Nas pegadas da liberação da nota de Fachin, veio à luz o teor do depoimento prestado por Vorcaro em 30 de dezembro do ano passado. A certa altura, ele disse à PF ter conversado mais de uma vez com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, sobre a operação que levou o BRB, banco estatal de Brasília, a enterrar R$12 bilhões no Master.

Procurado, Ibaneis soou esquisito. "Fui convidado para um almoço na casa dele [Vorcaro], organizado por um amigo em comum. Mas não o conhecia. Entrei mudo e saí calado."

A casa a que se refere Ibaneis é uma mansão às margens do Lago Paranoá. Foi comprada por Vorcaro por R$36 milhões. Tornou-se palco de reuniões do banqueiro ostentação com hierarcas da política. Gente como o senador Ciro Nogueira, chefão do PP, ex-chefe da Casa Civil de Bolsonaro. Ou Antônio Rueda, o mandachuva do União Brasil cujos aliados davam as cartas no Rioprevidência.


Usando um colisor de partículas, os cientistas "dividem" os prótons, revelando os quarks que os compõem e as interações de campos. Isso permite criar partículas potencialmente novas — desde que haja energia o suficiente para colidir os prótons. O maior colisor do mundo — o Large Hadron Collider — é capaz de medir as forças atrativas ou repulsivas entre partículas, mas em uma escala da ordem de 10⁻¹⁸ metros, menor que o diâmetro de um próton (lembrando que o número de Planck é tão menor que nem vale a pena pensar nisso). 

Havendo desvios (vazamentos) no comportamento esperado da força eletromagnética nesses experimentos, o LHC os teria detectado, mas todos os resultados foram os mesmos previstos pelo Modelo Padrão, tornando desnecessárias teorias adicionais ou dimensões extras para explicá-los. 

Na Teoria das Cordas, a gravitação atua nessas dimensões ocultas, onde supostamente está o gráviton. Os cientistas se referem a esse cenário como universo holográfico, no qual vivemos apenas sobre uma superfície produzida pela atuação das forças nas dimensões adicionais. A própria atuação da gravidade nessas dimensões minúsculas poderia gerar as demais três forças naturais.

Tudo isso é fascinante para os físicos teóricos, que buscam uma Teoria de Tudo capaz de harmonizar a gravidade com a mecânica quântica. Mas enquanto não houver evidências de que existem outras dimensões, eles terão de buscar respostas em hipóteses mais fáceis de testar.

domingo, 25 de janeiro de 2026

CHURRASCO URUGUAIO

QUEM ESTÁ POR BAIXO PELO MENOS ESTÁ LIVRE DE CAIR.  

Mais que uma refeição, o churrasco uruguaio é uma tradição que une paciência, técnica e respeito aos ingredientes locais. Os cortes são escolhidos a dedo e dispostos na grelha de maneira estratégica, o preparo é lento, o tempero se resume a sal e pimenta e o cozimento sobre lenha garante sabor autêntico e natural.


Observação: O que determina a qualidade do churrasco uruguaio é o uso de lenha em vez do carvão, seja por proporcionar calor uniforme e aroma suave, seja por evitar o ressecamento da carne, que tende a acontecer quando se usa temperos intensos ou carvões comuns. Os churrasqueiros experientes acendem as brasas de lenha antes de iniciar o preparo, garantindo que a carne absorva o máximo de sabor.


Para alcançar um churrasco autêntico, é preciso paciência e controle do fogo. A carne é colocada na grelha apenas com sal e pimenta, com os ossos inicialmente voltados para o fogo, e somente quando as brasas atingem a intensidade ideal. Além disso, o cozimento lento é indispensável para manter a maciez e a complexidade aromática.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Na tribuna de Davos, Trump rugiu. Na rede social, miou. Diante do microfone, voltou a exigir que a Dinamarca lhe entregue a Groenlândia, ameaçando aliados europeus com o caos. Horas depois, empurrou a Europa para o pântano numa postagem em que diz ter obtido o "esboço" de um acordo com a Otan, a aliança militar do ocidente.

Sem expor os detalhes do alegado acordo, o inquilino da Casa Branca disse ter desistido de impor a tarifa de 10% contra oito países europeus, que entraria em vigor em 1º de fevereiro e subiria para 25% em junho, até que ele conseguisse anexar a Groenlândia ao mapa dos Estados Unidos.

Em reação a essas ameaças tarifárias, o Parlamento Europeu congelou a votação para ratificar um acordo comercial entre os Estados Unidos e a União Europeia. Conviria manter o acordo em cima do telhado. Antes do recuo de Trump, líderes europeus incluíram na pauta de reunião marcada para a última quinta-feira a adoção de tarifas retaliatórias contra os Estados Unidos. Talvez devessem manter o dedo no gatilho.


Diversos cortes — como assado de tira, vazio ou costela — destacam-se nessa tradição. Todos se beneficiam do preparo na lenha, preservando textura, suculência e o sabor defumado característico, que torna cada experiência única e genuína.


Madeiras duras e secas, como espinilho, quebracho ou algarrobo, são as preferidas. Elas queimam lentamente e produzem brasas duradouras. Mantenha as brasas sempre vivas, mas sem chamas altas. O segredo está na constância — o fogo deve cozinhar, não queimar.


Acenda a lenha e aguarde até obter brasas quentes e uniformes, posicione os cortes com o lado do osso voltado para o fogo, tempere suavemente com sal e pimenta ao longo do cozimento e vire a carne no momento certo para garantir um douramento uniforme.


Use pinças em vez de garfos para não furar a carne, pois isso resultaria na perda dos sucos naturais que garantem sua maciez. Mantenha a grelha a cerca de 25 a 30 centímetros das brasas, ajustando conforme a intensidade do calor, e deixe a carne repousar alguns minutos fora do fogo antes de servir, de modo a permitir que os sucos se redistribuam e o sabor se intensifique.

A simplicidade é parte da arte. Um bom churrasco uruguaio dispensa exageros, mas aceita parceiros discretos, como pão rústico, batatas fritas ou assadas, farofa leve, vinagrete tradicional ou o molho à campanha, que acrescentam acidez na medida certa. Para completar, saladas frescas, legumes grelhados. Um vinho tinto uruguaio — de preferência um tannat, orgulho nacional — harmoniza perfeitamente com a gordura e o defumado das carnes.


No churrasco uruguaio, o tempo não corre — ele cozinha. Enquanto a lenha vira brasa e a carne conversa com o fogo, o segredo se revela: paciência, simplicidade e respeito. O resto é fumaça e história servida em cada fatia, mas que ninguém se engane: não há milagre, nem truque de chef, apenas fogo, lenha e tempo... três ingredientes que, curiosamente, continuam fora de estoque nos fast-foods.

Bom apetite.