sexta-feira, 16 de outubro de 2026

OS DEUSES DO TEMPO

O TEMPO NÃO PARA NO PORTO, NÃO APITA NA CURVA, NÃO ESPERA NINGUÉM;


Segundo a mitologia grega, Urano, temendo ser destronado, devolvia os filhos ao útero de Gaia, até que, cansada de gerar para perder, a deusa escondeu Cronos e lhe pediu que castrasse o pai.


Cronos atendeu ao pedido da mãe, mas quem sai aos seus não degenera, e assim ele devorou a própria prole até que Réia escondeu Zeus e lhe pediu que obrigasse o pai a regurgitar seus irmãos.


Zeus não só cumpriu a missão como derrotou Cronos numa guerra que durou dez anos e se tornou o rei dos deuses.


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Flávio Bolsonaro parecia ter princípios sólidos para refutar a proposta de emenda constitucional que acaba com a escala de trabalho 6x1, que chamou de "inoportuna e eleitoreira". Além disso, acusou Lula de recorrer à "hipocrisia" para obter votos e disse que a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso e sem redução salarial, produziria "desemprego em massa".

No entanto, após visitar o pai em seu domicílio prisional, o primogênito do refugo da escória da humanidade afirmou que "a maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da escala 6x1" e antecipou a posição que acabou por adotar no Senado: "Vou votar a favor do fim da 6x1". Lula ironizou: "Parece que, depois da pressão da sociedade, o PL resolveu votar o fim da escala 6x1."

No primeiro turno, o filho do pai obteve 2,2 milhões de votos a mais que o macróbio petista. Segundo o Ministério do Trabalho, 14,8 milhões de trabalhadores com carteira assinada atuam na escala 6x1. O molusco enxergou nessa legião de beneficiários da PEC uma oportunidade para tentar a virada eleitoral. Num esforço para manter o rival nas cordas, o senador das rachadinhas, panetones e mansões milionárias mostrou, enfim, que tem princípios. Mas pode ter outros se o trabalhador não gostar deles. Na disputa pelo poder, não hesita em aderir ao que chamava de hipocrisia.




Urano e Cronos são deuses mitológicos, assim como Saturno — a versão romana de Cronos, posteriormente associada ao tempo, que ceifava os dias com sua foice. Mas há uma distinção fundamental entre Cronos (χρόνος) e Kairós (καιρός): o primeiro representa o tempo cronológico, linear e mensurável, e o segundo é associado ao tempo da experiência, do acontecimento, do instante significativo. Alguns pensadores da Antiguidade falavam de Aión, que representa um tempo que não se mede nem se aproveita, mas que se habita e escapa ao relógio e às urgências do agora. 


Por convenção, o tempo que rege nossas vidas é o de Cronos — aquele que o relógio mede e os calendários transformam segundos em minutos, minutos em horas, horas em dias, meses e anos. Essa lógica nos leva a tratá-lo como algo mensurável e manejável — um recurso a ser administrado, otimizado e explorado a serviço do trabalho, do consumo e da vida acelerada que naturalizamos no cotidiano.


Embora outras formas de compreender e viver o tempo persistam entre povos tradicionais, povos originários, povos indígenas, africanos e do sul global — nessas cosmovisões, o tempo não se comporta como uma flecha que avança inexoravelmente para a frente, podendo ser cíclico, circular ou espiralar —, convencionou-se adotar o tempo cronológico como padrão universal por ele colonizar o presente — sequestrando nossa atenção —, capturar o passado — reduzindo a memória a registro — e comprometer o futuro — empobrecendo nossa capacidade de imaginá-lo. 


Na era dos algoritmos, Cronos deixou de ser apenas uma abstração: tornou-se um sistema de controle íntimo, automático e permanente. No fim das contas, ele venceu não como mito, mas como método. Já não empunha uma foice, mas um relógio digital. Não reina no Olimpo, mas rege os calendários, metas, prazos e as notificações. Não precisa mais devorar os filhos; apenas convencê-los de que estão sempre atrasados. E nós, acreditando dominá-lo, seguimos oferecendo aquilo que ele sempre exigiu: nossa própria vida, em parcelas mensais.


Poucas expressões resumem melhor uma experiência humana universal do que "agora ou nunca", pois remete à ideia de que existe um instante preciso para agir e que, se o deixarmos escapar, ele talvez não volte — e com efeito: às vezes nós só compreendemos a importância desses momentos depois que eles já passaram, e então vêm os lamentos: "se eu tivesse dito alguma coisa naquele momento!", ou então as comemorações: "ainda bem que tive coragem", ou ainda a satisfação de descobrir que uma decisão tomada no último minuto foi mesmo a correta.


Além de perceberem o valor desses sopros fugazes, os gregos antigos batizaram esse conceito com o nome do deus, kairós, que, diferentemente de Cronos — que rege o tempo do calendário e do relógio — representa algo mais fugidio, como a ocasião oportuna que se abre e se fecha, o instante em que algo, uma palavra, uma decisão, uma ação, pode acontecer com toda a sua força ou se perder para sempre. Dito com outras palavras, enquanto Cronos expressa a concepção quantitativa do tempo, a duração, a idade, a velocidade, Kairós remete ao momento que marca uma oportunidade que talvez não volte. 


Em essência, nem todo instante é igual: alguns têm peso, e esse peso não é medido em horas. Para os antigos gregos, esse peso era tão importante que merecia mais do que uma palavra, e por isso foi personificado em Kairós — uma divindade menor do panteão grego, filho de Zeus segundo algumas fontes, irmão do Destino segundo outras. E além de sua genealogia divina, vale a pena observar sua aparência — quando se tratava de imaginar seus deuses, os gregos deixavam pouco ao acaso: cada detalhe tinha um significado.


Continua...

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

SISTEMA PLANETÁRIO ATÍPICO DESCOBERTO NA VIA LÁCTEA INTRIGA CIENTISTAS

A HUMANIDADE ESTÁ SEMPRE TRÊS UÍSQUES ATRASADA.

Cientistas estão documentando um sistema planetário na Via Láctea que inclui uma anã vermelha com cerca de 40% da massa do nosso Sol, orbitada por uma anã marrom — um corpo celeste na fronteira entre um planeta e uma estrela.


A anã marrom é orbitada por um mundo gasoso do tamanho de Júpiter, recém-descoberto com o auxílio do Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul, localizado no Chile.


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Daniel Vorcaro levou a diversificação dos negócios às fronteiras do paroxismo. A Polícia Federal descobriu que, no ramo afetivo, além de financiar os prazeres sexuais de políticos e autoridades, o ex-banqueiro Investiu pelo menos R$ 4,3 milhões numa rede internacional de prostituição, atuando, inclusive, no recrutamento de mulheres. No mercado financeiro, isso se chama gestão de ativos. No mercado da patifaria, chama-se cafetinagem. No caso de Vorcaro, a perversão teve como agravante a suspeita de tráfico internacional de mulheres vulneráveis.

Na prática, Vorcaro fez da República um bordel pós-ideológico. A diferença é que a prostituição foi exercida não pelas mulheres, mas pelos políticos e autoridades recrutados por Vorcaro. Prostituíram-se em troca de contratos advocatícios milionários, patrocínio de filme, custeio de exílio antipatriótico, voos em jatinhos patrocinados, hospedagem em hotéis de luxo, convescotes com uísque e charuto. Tudo isso e mais favores sexuais.


Usando nosso sistema solar como referência, um corpo que orbita outro corpo que orbita uma estrela deveria ser chamado de lua — ou exolua, por estar além do nosso sistema solar —, mas o objeto que orbita a anã marrom não se assemelha a nenhuma das muitas luas do nosso sistema solar, que são mundos relativamente pequenos, rochosos ou gelados, em termos de composição e tamanho. A maioria dos astrônomos concorda com o nome "exossatélite", pelo menos até que adotemos formalmente definições para objetos como esses.


O sistema em questão fica a cerca de 72 anos-luz da Terra — lembrando que um ano-luz é a distância que a luz percorre em um ano, ou seja, 9,5 trilhões de km. O exossatélite possui pelo menos 90% da massa de Júpiter — o maior planeta do nosso sistema solar — e completa uma órbita ao redor da anã marrom a cada 170 dias, a uma distância de cerca de um quinto daquela que separa a Terra do Sol.


A descoberta desses objetos incomuns, diferentes de tudo que conhecemos em nosso sistema solar, abriu uma caixa de Pandora para a comunidade científica, que agora busca entender, mediante modelos teóricos, como esses tipos de objetos se formam e se são comuns ou não. 


Embora mais de 6.300 exoplanetas — como são conhecidos os planetas fora do nosso sistema solar — tenham sido descobertos, encontrar exoluas tem se mostrado mais desafiador, com apenas alguns bons candidatos identificados. Os pesquisadores estão tentando descobrir as origens do exossatélite, que pode ter se formado a partir do disco de gás e poeira ao redor da anã marrom — assim como os planetas se formam ao redor das estrelas — ou ter sido capturado gravitacionalmente pela anã marrom.


Uma anã marrom não é estrela nem planeta, mas algo entre os dois. Elas podem ser consideradas estrelas em formação que, durante seus estágios iniciais, não alcançaram a massa necessária para iniciar a fusão nuclear em seu núcleo, como uma estrela. Mas são mais massivas do que os maiores planetas — a anã marrom desse sistema é cerca de 33 vezes mais massiva, 50% maior em tamanho e muito mais quente que Júpiter.


Desde a primeira detecção de exoplanetas, na década de 1990, os cientistas identificaram uma ampla variedade de sistemas planetários, alguns muito semelhantes ao nosso e outros bem diferentes. O sistema examinado na nova pesquisa é um caso atípico. Provavelmente, houve uma história dinâmica bastante caótica que o deixou em seu estado atual, mas é difícil dizer exatamente que tipo de caos ele passou.

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

SOBRE AS LUAS DE SATURNO — CONCLUSÃO

VULNERANT OMNES, ULTIMA NECAT.

Retomando o assunto da postagem anterior, as pequenas luas saturnianas são difíceis de detectar porque não aparecem como pontos brilhantes ao lado do planeta nas fotografias. Pelo contrário, são objetos tão tênues que precisam ser acompanhados durante meses para que seus movimentos possam ser distinguidos do fundo estrelado, e suas órbitas, determinadas com precisão suficiente para que o Minor Planet Center e a União Astronômica Internacional as reconheçam oficialmente como satélites naturais. Por isso, embora a confirmação tenha sido anunciada em março de 2025, o trabalho científico começou muito antes. 


A equipe observou sistematicamente os arredores de Saturno entre 2019 e 2021, acumulando milhares de imagens que, depois de combinadas, revelaram dezenas de pequenos corpos praticamente invisíveis em observações isoladas. Parte dessas descobertas foi confirmada em 2023; outras somente em 2025, evidenciando que a ciência costuma avançar muito antes de os resultados chegarem às manchetes.


Entre as principais luas destacam-se Titã, Encélado, Reia, Jápeto, Dione e Mimas. Algumas apresentam intensa atividade geológica; outras escondem oceanos de água líquida sob espessas camadas de gelo. Titã, por exemplo, é maior do que Mercúrio e possui uma atmosfera densa, enquanto Encélado se tornou um dos objetos mais fascinantes do Sistema Solar graças aos gigantescos gêiseres que lançam vapor d'água, cristais de gelo, sais minerais e compostos orgânicos ao espaço.


Em 2008, a sonda Cassini atravessou uma dessas plumas a aproximadamente 18 quilômetros por segundo, e seu Analisador de Poeira Cósmica detectou grãos de gelo extraordinariamente "frescos", fornecendo fortes evidências de que aquele material provinha diretamente do oceano subterrâneo de Encélado. Anos mais tarde, estudos publicados na revista Nature Astronomy reforçaram essa conclusão ao indicar que parte das moléculas orgânicas encontradas também se originava nesse oceano oculto, tornando essa pequena lua um dos ambientes potencialmente habitáveis mais promissores do Sistema Solar.


Isso, naturalmente, não significa que existam homenzinhos verdes caminhando sobre o gelo de Encélado. A descoberta apenas demonstra que alguns dos ingredientes considerados fundamentais para o surgimento da vida — como água líquida, compostos orgânicos e fontes de energia — parecem coexistir naquele ambiente. Se algum dia encontrarmos vida fora da Terra, ela provavelmente será microscópica e muito diferente da imagem popular criada pelo cinema e pelas histórias em quadrinhos.


Na astronomia, a região ao redor de uma estrela onde a água líquida pode permanecer estável na superfície de um planeta é conhecida como zona habitável, ou zona de Cachinhos Dourados (Goldilocks Zone). A expressão faz referência ao famoso conto infantil em que a protagonista rejeita o mingau frio demais e o quente demais, escolhendo justamente aquele que estava "na medida certa". Embora Encélado esteja muito além dessa região, seu oceano interno é aquecido pelas forças de maré exercidas por Saturno, mostrando que a habitabilidade pode surgir por caminhos bastante diferentes daqueles observados na Terra.


Até hoje não existe nenhuma evidência científica conclusiva de que civilizações extraterrestres tenham visitado a Terra. Entretanto, o simples fato de ainda não termos encontrado outra forma de vida inteligente não significa que ela inexista. O Universo observável estende-se por aproximadamente 46,5 bilhões de anos-luz em todas as direções, abriga cerca de dois trilhões de galáxias, centenas de sextilhões de estrelas e um número ainda maior de planetas. Diante dessa imensidão, continua difícil acreditar que a vida tenha florescido exclusivamente em um pequeno mundo azul perdido na periferia de uma galáxia espiral.


Como dizia Carl Sagan, se estivermos realmente sozinhos no Universo, "seria um terrível desperdício de espaço".


Voltando a Saturno, a maioria de suas "novas" luas pertencem ao grupo dos satélites irregulares — que percorrem órbitas distantes, inclinadas e frequentemente excêntricas —, sugerindo que muitas são fragmentos de corpos maiores capturados ou destruídos ao longo da história do planeta. Outras podem ter origens completamente distintas. Isso significa que o sistema de satélites de Saturno é menos uma família homogênea e mais uma complexa árvore genealógica escrita ao longo de bilhões de anos.


O anúncio de 2025 chamou a atenção do mundo por praticamente dobrar, de uma só vez, o número oficial de luas conhecidas de Saturno. Em março de 2026, novas confirmações elevaram novamente essa contagem, demonstrando que o inventário do Sistema Solar permanece em constante evolução. Cada novo objeto confirmado representa mais um pequeno fragmento de uma história iniciada há bilhões de anos e ainda longe de ser totalmente compreendida.


A liderança de Saturno em número de satélites é, ao mesmo tempo, uma consequência de sua história e do progresso tecnológico. O planeta realmente possui uma impressionante coleção de pequenas luas, mas o número que atribuímos a elas também depende da sensibilidade dos telescópios, da duração das campanhas de observação e do refinamento dos métodos empregados para distinguir uma lua de um simples fragmento ainda insuficientemente conhecido.


O mais fascinante em toda essa história talvez seja justamente isso. Mesmo depois de séculos observando o céu e décadas enviando sondas ao espaço, continuamos descobrindo novos mundos ao redor de um planeta que julgávamos conhecer muito bem. As 128 luas anunciadas em 2025 não surgiram naquele ano; elas sempre estiveram ali, silenciosamente orbitando Saturno, aguardando apenas que nossa tecnologia se tornasse capaz de percebê-las.


A ciência possui essa extraordinária capacidade de nos lembrar que o Universo não muda porque aprendemos mais sobre ele. Quem muda somos nós. A cada novo telescópio, a cada nova sonda e a cada nova descoberta, ampliamos um pouco mais o horizonte do conhecimento e percebemos que, mesmo em nosso próprio quintal cósmico, ainda existem incontáveis mundos esperando para serem encontrados

terça-feira, 13 de outubro de 2026

SOBRE AS LUAS DE SATURNO

TIME HEALS ALL WOUNDS, BUT WOUNDS LEAVE SCARS.


Segundo o modelo cosmológico mais aceito, o Universo nasceu há cerca de 13,8 bilhões de anos, e nosso Sistema Solar, há aproximadamente 4,567 bilhões de anos, quando uma gigantesca nuvem de gás e poeira — conhecida como nebulosa solar primordial — entrou em colapso sob a ação da gravidade. A Terra se formou entre 10 e 100 milhões de anos mais tarde, e a Lua provavelmente resultou do colossal impacto de um protoplaneta chamado Theia.

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Flávio Bolsonaro ainda não se deu conta, mas a pior vingança de um político é permanecer fiel ao erro. Neste sábado, num comício em São Gonçalo (RJ), o candidato não só falou como se estivesse eleito, mas também atribuiu ao seu êxito presumido um caráter de revanche contra os que fizeram do seu pai um presidiário. Discursando do alto de um carro de som, o filho do tal presidiário vociferou: "Vocês verão aqueles que tentaram calar Jair Messias Bolsonaro, aqueles que tiraram o poder dele na mão grande são os mesmos que estão colocando Flávio Bolsonaro na cadeira de presidente". Nessa versão, Bolsonaro é convertido de líder do complô do golpe em vítima de perseguição.

Em condições normais, as declarações do primogênito do refugo da escória da humanidade seriam apenas palavras ocas de um filho magoado. O problema é que as falas foram acompanhadas da reiteração de uma dissonância cognitiva, como demonstra a reafirmação que será entronizado no cargo de presidente pelo pai: "Vocês verão Jair Messias Bolsonaro colocando a faixa de presidente."

De duas, uma: ou o sacripanta supõe que conseguirá arrancar do Congresso uma anistia entre sua eventual vitória e a posse, ou conta com um empurrãozinho de Nunes Marques — relator do pedido de revisão criminal formulado pela defesa do condenado — que levará o tema à pauta após a proclamação do resultado do segundo turno. Nesse entretempo, Brasília treme com a hipótese de Nunes Marques conceder uma liminar que liberte Bolsonaro. 

Na política brasileira, como nas novelas, a vingança é um desfecho tão antigo quanto usual. Mas a transformação do Supremo e de Alexandre de Moraes em cabos eleitorais e de Bolsonaro em ex-presidiário por liminar seria um epílogo inusitado para o projeto de revanche.


Quando eu era estudante, aprendia-se que o Sol era uma estrela de quinta grandeza orbitada por nove planetas; que Júpiter, o maior deles, possuía 12 satélites; e que Saturno, o único a exibir anéis, tinha 9 luas. Mas o tempo costuma transformar certezas em notas de rodapé.

Em 2006, Plutão deixou de ser considerado o nono planeta do Sistema Solar para ser reclassificado como planeta anão, e hoje sabemos que Júpiter, Urano e Netuno também possuem sistemas de anéis. Mais impressionante ainda é a quantidade de satélites naturais conhecidos: Júpiter já soma 115 luas, enquanto Saturno lidera com 292, segundo as contagens mais recentes.

Ao longo de 2026, esse inventário continuou evoluindo. Em março, eram conhecidas 101 luas de Júpiter e 285 de Saturno; poucas semanas depois, novas confirmações do Minor Planet Center elevaram ainda mais a contagem, fazendo o Sistema Solar ultrapassar a marca de 440 luas oficialmente reconhecidas.

Saturno mantém essa liderança graças à sua imensa esfera de Hill — a região onde sua gravidade consegue reter satélites — e também porque há fortes indícios de que antigas luas maiores tenham se fragmentado em incontáveis pedaços, hoje detectáveis apenas pelos telescópios mais poderosos do mundo, como o Magellan-Baade, instalado no Chile.

Júpiter, Saturno, Urano e Netuno são conhecidos como gigantes gasosos por serem constituídos principalmente de hidrogênio e hélio. Suas atmosferas são espessas e eles não possuem uma superfície sólida propriamente dita. Mercúrio, Vênus, Terra e Marte, por sua vez, são classificados como planetas terrestres por apresentarem composição predominantemente rochosa ou metálica. Embora Urano e Netuno também possuam anéis, nenhum deles rivaliza com o espetacular sistema de Saturno, formado por bilhões de fragmentos de gelo, poeira e rochas.

Saturno — o sexto planeta a partir do Sol e o segundo maior do Sistema Solar— recebeu o nome do deus romano do tempo porque leva aproximadamente trinta anos terrestres para completar uma volta ao redor do Sol. Uma de suas luas mais famosas, Encélado, abriga um oceano global de água líquida sob uma espessa camada de gelo, aquecido pela ação das forças de maré. E, onde há água líquida existe a possibilidade haver ambientes favoráveis à vida.

Apesar de possuir um núcleo rochoso, Saturno é composto quase inteiramente por hidrogênio e hélio. Sua densidade média é tão baixa que, em teoria, ele flutuaria se existisse um oceano grande o suficiente para comportá-lo. Um dia saturniano dura apenas 10 horas e 32 minutos, a rotação extremamente rápida faz com que o planeta seja achatado nos polos e dilatado no equador, e a temperatura média em suas nuvens gira em torno de -178 °C.

Até poucos anos atrás, a disputa entre Júpiter e Saturno pelo título de planeta com mais luas parecia relativamente equilibrada, mas isso mudou depois que novos telescópios se tornaram capazes de revelar satélites cada vez menores. Inicialmente, as descobertas aconteciam gradualmente, quase sempre em pequenos grupos, mas em 2025 os astrônomos anunciaram a confirmação de 128 novas luas saturnianas, consolidando sua liderança de forma incontestável.

Esse salto não ocorreu porque alguém apontou um telescópio para Saturno numa única noite e se deparou com 128 novos mundos. O que aconteceu foi bem mais interessante: após anos reunindo observações, a União Astronômica Internacional (IAU) reconheceu oficialmente um grande conjunto de pequenos objetos como satélites naturais do planeta, depois de comprovar que todos eles realmente percorriam órbitas estáveis a seu redor.

A Universidade da Colúmbia Britânica resumiu a descoberta de forma direta: 128 novas luas de Saturno foram reconhecidas pela IAU graças ao trabalho conjunto de pesquisadores de Taiwan, Canadá, Estados Unidos e França. A confirmação elevou a contagem oficial de 146 para 274 luas — um número que, à época, superava o total de satélites naturais conhecidos de todos os demais planetas do Sistema Solar reunidos.

A palavra "lua" pode sugerir corpos grandes e arredondados, semelhantes ao satélite natural da Terra, mas a maioria dessas novas integrantes da família saturniana é formada por pequenos satélites irregulares, muitos deles com apenas alguns quilômetros de diâmetro, movendo-se em órbitas distantes, inclinadas e bastante excêntricas.

A própria NASA descreve o sistema saturniano como um conjunto extremamente diverso, que vai desde Titã — maior do que o planeta Mercúrio — até pequenos corpos que mal ultrapassam o tamanho de uma arena esportiva. Essa enorme variedade explica por que a contagem de luas cresce tão rapidamente: os levantamentos modernos já não identificam apenas os grandes satélites, mas também fragmentos muito menores, remanescentes da longa história dinâmica de Saturno.

No trabalho publicado em 2025, os pesquisadores utilizaram o Telescópio Canadá–França–Havaí (CFHT) para monitorar repetidamente as regiões ao redor do planeta e combinaram diversas imagens por meio de uma técnica conhecida como shift-and-stack ("deslocar e empilhar"), que alinha sucessivas fotografias de acordo com o movimento esperado de um objeto distante. Dessa forma, o brilho extremamente fraco desses pequenos satélites é reforçado, enquanto o ruído de fundo é reduzido, tornando possível revelar corpos praticamente invisíveis em observações convencionais.

Para não estender ainda mais este texto, o restante fica para o post de amanhã. Até lá.

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

COMO EINSTEIN, TESLA E FEYNMAN RESOLVIAM PROBLEMAS COMPLEXOS.

PODEMOS ESCOLHER O QUE PLANTAMOS, MAS SÓ COLHEMOS O QUE ESCOLHEMOS PLANTAR.

Einstein, Tesla e Feynman não eram só mais inteligentes que a maioria dos mortais, mas também pensavam com um sistema operacional diferente.

Einstein criava um filme na cabeça - se imaginar correndo ao lado de um raio de luz, ou caindo dentro de um elevador sem peso, por exemplo - e deixava essa imagem amadurecer por semanas, meses, ou mesmo anos (o elevador, aliás, o acompanhou por quase uma década antes de virar a relatividade geral, em 1915). Era uma imersão profunda e depois um descanso deliberado, confiando que o subconsciente ia fazer as conexões. Só depois a matemática entrava para traduzir a intuição.

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O caminho para o inferno brasileiro começou a ser pavimentado depois que Deus transformou o Caos em ordem, criou o dia e a noite, separou as terras das águas, criou as plantas, as aves, os peixes e então cometeu a maior de todas as burradas.

Mais adiante, acusado de protecionismo por conta do tratamento dispensado à porção global que se tornaria o Brasil, o Criador sentenciou: "Vocês vão ver o povinho de merda que eu vou colocar lá".

Dito e feito: desde a redemocratização — com exceção de 1994 e 1998 —, o tal povinho de merda vem fazendo por ignorância, a cada eleição, o que Pandora fez, uma única vez, por curiosidade.

Acreditando que insistir no erro uma hora produzirá um acerto, essa récua de muares tem elegido governantes demagogos e populistas em troca de promessas vazias que minaram a igualdade de oportunidades e arruinaram a meritocracia. Os resultados dessas escolhas são um Estado ineficiente, caro e disfuncional e a predominância do capitalismo de Estado.

Se a missão da geração passada foi restaurar a democracia, a da atual é garantir que o Brasil volte a crescer de maneira sustentável. Mas isso só acontecerá se o deplorável eleitorado tupiniquim não deixar a política nas mãos de populistas, que esgrimem as "virtudes" do nacional-estatismo, tratam a economia de mercado como um mal necessário e sabotam a competitividade econômica. 

Crescimento econômico sustentável não traz votos no curto prazo, mas ajuda a recuperar a esperança em um país melhor para as próximas gerações.


Tesla era o oposto do físico alemão. Ele tinha uma espécie de laboratório mental onde construía uma turbina inteira, deixava rodar por semanas e depois desmontava para ver qual peça havia se desgastado. Era experimentação pura, mas sem gastar material: construir, falhar, iterar, tudo na cabeça, até o protótipo físico já nascer quase perfeito. Por isso ele focava tanto no "funciona no mundo real?" e não só no "faz sentido na teoria?" (vale um parênteses: essa cena vem da autobiografia do próprio Tesla, e ele não era exatamente um narrador modesto - mas o relato é coerente com o que se sabe de sua memória eidética e sua capacidade incomum de visualização espacial, então a lenda aqui parece ter fundamento).

Feynman era obcecado por clareza. Sua regra era: se você não consegue explicar algo complexo para uma criança de 8 anos, você não entendeu de verdade. Então ele pegava a mecânica quântica, que é absurdamente contraintuitiva, tentava simplificar ao extremo e procurava falhas no próprio entendimento. É o que hoje chamam de Técnica Feynman - um nome e um método em passos que vieram depois, cunhados por quem estudou seu jeito de pensar, não por ele mesmo - mas que capturam bem o espírito: aprender ativamente ensinando.

O mais curioso é que isso não é um dom, mas uma pura questão de treino. E você pode roubar um pouco de cada quando se deparar com um problema — transformá-lo num desenho ou diagrama como Einstein, fazer um mini-experimento para testá-lo como Tesla e tentar explicar sua solução com palavras simples, como Feynman.

Em suma, o "modo deus" do cérebro não é ficar mais rápido, e sim combinar esses três ritmos: imaginar fundo, testar na prática e simplificar até o osso.

domingo, 11 de outubro de 2026

SOBRE OVOS E OUTRAS DICAS CULINÁRIAS

QUEM SABE FAZ, QUEM NÃO SABE ENSINA.

Quando queremos nos referir a alguém totalmente cru — se me concedem o trocadilho — nas artes culinárias, dizemos que esse alguém “não sabe nem fritar um ovo”. No entanto, ainda que fritar ovos como manda o figurino não seja exatamente uma operação de engenharia aeroespacial, tampouco consiste em quebrá-los dentro da frigideira e esperar que a Providência Divina faça o resto.

Para começar, os ovos devem ser retirados da geladeira com alguma antecedência, pois o ideal é que estejam em temperatura ambiente. Depois, uma pitada de farinha de trigo na gordura — óleo ou manteiga —, fogo médio, os ovos colocados um a um, uma pitada de sal, frigideira tampada e alguns minutos de paciência, até a clara ficar bem “rendada” e a gema chegar ao ponto desejado.

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Nas primeiras inserções da famigerada e vomitativa propaganda eleitoral no segundo turno, o eleitor testemunhou uma espécie de diálogo unilateral entre as duas campanhas presidenciais remanescentes. Lula tocou o terror, anunciando a mudança prometida pelo rival ao risco de cortes em programas sociais e investimentos em saúde e educação. No final de uma das peças, o locutor sentencia: "Com Flávio Bolsonaro você perde".
Antevendo o ataque, o filho de Bolsonaro apresentou o contra-ataque. Na sua propaganda de rádio, a palavra "mudança" apareceu 22 vezes. Sustentou que o tesouraço cortará impostos e gastos públicos, não programas sociais. Prometeu manter logomarcas petistas como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e Farmácia Popular. 
As inserções de Lula evocaram os cortes em rubricas sociais realizados sob a Presidência de Jair Bolsonaro. A campanha petista trombeteou que o filho imitará o pai. À espera de mudanças desde dom João VI, o eleitor terá que escolher qual candidato dará mais um pouco de tempo.

Parece simples. E é. Mas, como se costuma dizer, o diabo mora nos detalhes, e é justamente aí que entra o vídeo de hoje. Porque talvez você já saiba fritar um ovo e esteja até convencido de que o faz muito bem. Mas será que conhece todos aqueles pequenos truques capazes de fazer diferença na cozinha?

Pois é, eu também achava que sabia. Até descobrir que algumas pessoas são capazes de transformar um simples ovo frito em uma pequena obra de arte, enquanto outras conseguem convertê-lo numa espécie de acidente de trânsito culinário.

Dito isso, passemos ao vídeo, sem mais delongas.

Bom domingo e bom apetite.

sábado, 10 de outubro de 2026

MITOS DUROS DE MATAR

A VOZ DO TOLO É CONHECIDA PELA PROFUSÃO DE PALAVRAS. 

Mitos são fatos históricos "não verdadeiros", e teorias da conspiração, narrativas que carecem de provas e/ou embasamento científico.


Um exemplo de mito é a lenda segundo a qual Prometeu roubou o fogo de Zeus e o deu aos mortais, e um exemplo de teoria da conspiração, a alegada forjadura da alunissagem da Apollo 11.


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Estou chegando ao ponto de vomitar quando escuto falar no filho do presidiário ou ouço os garranchos verbais regurgitados pelo demiurgo de Garanhuns, mas vamos lá. 

A pesquisa Datafolha mais recente separa os dois postulantes ao Planalto por quatro pontos percentuais, o que configura empate técnico dentro da margem de erro. 

Para virar o jogo, o macróbio precisa atrair eleitores que hoje preferem o adversário. É como gritar "Timão" no meio da torcida do Palmeiras.

Na conta dos votos válidos, o filho do golpista soma 52%, contra 48% do adversário. Há 5% de brancos e nulos, 1% de indecisos e 92% dos eleitores de cada candidato totalmente decididos.

É improvável que os eleitores inclinados ao voto branco ou nulo migrem em massa para Lula. E ainda que atraísse a ínfima parcela de indecisos, o petista não viraria o placar. Terá que seduzir o eleitor que vota em em Flávio menos por identificação com o bolsonarismo do que por rejeição ao petismo. O jogo ainda não está jogado, mas a posição do desafiante é mais confortável. 

Para administrar sua vantagem, não pode espantar o eleitor, Lula terá que fazer o inverso: invadir a arquibancada adversária e convencer parte da torcida a trocar de camisa. Tudo isso em 15 dias.

A despeito de Aristóteles, Eratóstenes e Pitágoras terem refutado o terraplanismo séculos antes do início da era cristã, e dos mais de 4 milhões de fotos tiradas do espaço comprovarem que a Terra é redonda, 8% dos brasileiros se declaram terraplanistas (e o pior é que essa gente vota!)  


Einstein teria dito que o Universo e a estupidez humana são infinitos, mas ressalvado que, no tocante ao Universo, ele não estava 100% certo. Em Ensaio sobre a cegueira, o escritor português José Saramago, Nobel de Literatura em 1998, descreveu com perfeição a conjuntura surreal que vivenciamos anotando que "a pior cegueira é a mental, pois faz com que não reconheçamos o que temos pela frente".


Inúmeros mitos ensejaram teorias que ainda movem os moinhos dos conspiracionistas, mesmo tendo sido desbancados pelos fatos. Na visão míope dos anencéfalos, Paul McCartney morreu num acidente de carro em 1966, Michael Jackson forjou a própria morte, a princesa Diana foi assassinada a mando da Família Real Britânica, o tsunami do Oceano Índico foi causado por testes nucleares dos EUA e de Israel, e a rainha-consorte Maria Antonieta proferiu a célebre frase "se não têm pão, que comam brioches" — ela tinha apenas 9 anos e vivia na Áustria quando esse epigrama foi registrado pela primeira vez.


Entre outros mitos que não param em pé, mas continuam sendo tidos e havidos como verdades absolutas, figura o do Cavalo de Tróia. Embora a cidade tenha existido e a guerra contra os gregos tenha acontecido, o mesmo não se aplica ao cavalo de madeira recheado de soldados que os gregos deixaram nos portões da cidade.


Alguns pesquisadores acreditam que o famoso cavalo de madeira foi na verdade um carneiro parecido com um cavalo, ou então uma arma de cerco, enquanto outros afirmam que um terremoto destruiu os muros da cidade. Seja qual for o verdadeiro motivo, tudo indica que o cavalo de Tróia é conto da Carochinha.


Reza a lenda que, quando partiam em suas cruzadas, os cavaleiros medievais trancaram as partes íntimas de suas esposas com cintos de castidade e levavam a chave com eles, mas isso não passa de uma narrativa criada pelos renascentistas para exemplificar o obscurantismo da Idade Média. Até porque alguém que usasse tal acessório por períodos tão prolongados morreria de septicemia (infecção generalizada). Além disso, não há uma fonte confiável de registros da Idade Média que diga algo sobre esses artefatos. 

 

Em A Conquista de Marte de Edison, o astrônomo americano Garret P. Serviss anotou que "alguém de fora da Terra" teria visitado o Egito e construído as Pirâmides e a Esfinge. Sete décadas depois, Erich von Däniken publicou Eram os Deuses Astronautas?


O livro de Serviss é pura ficção científica, e o de Däniken foi tachado de pseudociência — mas isso não muda o fato de a obra do pesquisador suíço ter sido traduzida para mais de 30 idiomas, vendido dezenas de milhões de cópias e inspirado a bem-sucedida série Alienígenas do Passado, produzida pelo History Channel. 


A teoria segundo a qual soldados de Napoleão Bonaparte destruíram a tiros o nariz da Esfinge de Gizé não se sustenta ante indícios robustos de que a escultura foi mutilada pelo sufi Muhammad Sa’im al-Dahr, que viveu no Egito no século XIV e achava que o culto àquele monumento afrontava os preceitos muçulmanos. Aliás, a destruição de artefatos históricos por fanáticos religiosos foi uma prática recorrente ao longo de toda a história, haja vista o que fez o Estado Islâmico na Síria e no Iraque. 


Outro mito que não para em pé afirma que William Shakespeare não é o autor das obras que lhe são atribuídas, uma vez que alguém nascido e criado em um comércio de ovelhas não teria conhecimento suficiente para escrever descrições elaboradas de política, justiça e culturas de outros países. Além disso, a maioria de suas obras foi assinada de maneiras diferentes e seu sobrenome foi grafado ora como Shakespeare, ora como Shake-speare, ora como Shak-spear. 


Heródoto associou a construção das pirâmides de Gizé ao trabalho escravo. Ocorre que o historiador grego viveu no século V a.C., e as gigantescas pirâmides foram erguidas entre 2600 e 2500 a.C. Ademais, escavações lideradas por Zahi Hawass e Mark Lehner nas vilas dos operários em Gizé, nos anos 1990, atestam que os restos mortais encontrados eram de trabalhadores assalariados e bem tratados, que foram inclusive sepultadas com honrarias, junto com seus faraós — o que não ocorreria com escravos.


Milhares de pergaminhos e obras de conhecimento inestimável foram supostamente queimados durante o ataque de Júlio César a Alexandria, no Egito, mas, na verdade, a biblioteca havia sido seriamente desfalcada antes da chegada do imperador romano. Isso porque o Estado reduziu gradualmente suas despesas com as necessidades da biblioteca, bolsas de estudos foram canceladas e cientistas estrangeiros foram proibidos de visitar o local. 


Em última análise, os mitos e as teorias da conspiração sobrevivem porque oferecem respostas fáceis a perguntas difíceis e, a exemplo das religiões, confortam mentes inquietas diante do desconhecido. Mas avançar como sociedade exige cultivar o espírito crítico e a curiosidade científica, lembrando que a verdade, mesmo sendo menos sedutora do que a fantasia, é infinitamente mais libertadora.