SE TANTA GENTE TEM AVISTADO DISCOS VOADORES, É PORQUE HÁ DISCOS VOADORES.
O homem almeja voar como os pássaros desde tempos imemoriais. Ícaro tentou com asas de cera, mas caiu no mar porque se aproximou demais do Sol. Leonardo da Vinci concebeu seu "parafuso aéreo" quase 500 anos antes do primeiro voo de helicóptero, mas foi somente no século XX que os irmãos Wright e Santos Dumont provaram que objetos mais pesados que o ar podiam voar.
Até pouco tempo atrás acreditava-se que meteoros não podiam cair do céu — afinal, no céu não havia pedras —, e que passageiros de um trem a mais de 34 km/h morreriam asfixiados. Felizmente, sempre houve fantasistas suficientemente audaciosos e surdos às críticas que lhe eram feitas — sem eles, não haveria trens-bala, aviões a jato ou viagens interplanetárias.
CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA
Há na praça um novo Xandão. A metamorfose ficou evidente com a decisão de prorrogar por tempo indeterminado a prisão domiciliar humanitária de Bolsonaro. A mulher do preso celebrou o despacho do marido: "Vou profetizar aqui, porque Deus transformou Saulo em Paulo. Nosso irmão em Cristo, Alexandre de Moraes, liberou o cabeleireiro. E ele [Bolsonaro] está com aquele cabelinho cortadinho, jogadinho, aqueles olhos azuis brilhantes..." Premonitória, Michelle se referia à mais extraordinária conversão retratada na Bíblia: a passagem do soldado Saulo, um perseguidor de cristãos, pela estrada de Damasco. Aconteceu no século 1º da era cristã. De repente, Saulo foi paralisado por uma luz ofuscante. Caiu do cavalo. Ouviu uma voz vinda do céu: "Saulo, por que me persegues?" Por alguns instantes, ele ficou cego, tal a claridade que o arrebatou. Converteu-se em São Paulo, um dos pilares do cristianismo. A mudança de Moraes talvez tenha conotações mais mundanas do que celestiais. Desde o desgaste provocado pelo caso Master, o ministro, antes implacável, parece mais cauteloso em suas decisões. Ao encomendar ao procurador-geral uma manifestação sobre a apreensão da pistola Glock de 9 milímetros de Bolsonaro numa blitz da Lei Seca, o magistrado salientou que a Lei de Execução Penal considera "falta grave" o condenado "possuir, indevidamente, instrumento capaz de ofender a integridade física de outrem". Agora, converteu-se numa espécie de ex-xerife que raciocina politicamente, chegando mesmo a sustentar que uma das consequências seria a revogação da prisão domiciliar. Gonet divergiu. Primeiro, sugeriu esperar pelo encerramento da investigação sobre a apreensão da arma. Depois, escorando-se nas conclusões da Polícia Civil do Distrito Federal, recomendou a manutenção de Bolsonaro em casa. Moraes não estava obrigado a seguir a recomendação de Gonet, mas decidiu ecoar o procurador-geral em sua decisão: "Não há imputar ao sentenciado falta disciplinar que impacte negativamente sobre o atual regime em que cumpre pena". Paradoxalmente, Gonet reconheceu que a situação jurídica de Bolsonaro não orna com a posse de armas: "A condição atual do custodiado é incompatível com a posse de arma de fogo", escreveu ele, no trecho reproduzido por Moraes. O ministro potencializou o paradoxo. Além de revogar o porte de arma de Bolsonaro, Moraes ordenou o recolhimento de todo o arsenal registrado em nome do preso: dez armas. Quer dizer: levando-se a Lei de Execução Penal ao pé da letra, Bolsonaro teria cometido não uma, mas uma dezena de "faltas graves". Afora a pistola Glock, o condenado mantinha em casa fuzis, carabinas, revólveres e espingardas. Ignorando a consequência legal que havia antecipado anteriormente — a regressão do regime prisional —, Moraes desistiu de considerar a hipótese de devolver Bolsonaro à Papudinha. Fiou-se em argumentos médicos. O ex-algoz de Bolsonaro se absteve de encomendar um laudo médico independente. Sustentou que os laudos dos doutores que acompanham o preso, apresentados semanalmente pela defesa, demonstram uma melhora clínica do paciente. Mas avaliou que permanecem as circunstâncias humanitárias que justificam a prisão em casa. Pelo andar da carruagem, vem aí mais uma evidência do surgimento de um novo Moraes. Nos próximos dias, o ministro terá que decidir sobre a validade da Lei da Dosimetria, que pode atenuar a pena de Bolsonaro. Condenado a 27 anos e 3 meses de cana, ele foi presenteado pelo Congresso com uma mudança legal que atenua o castigo. Moraes suspendeu a aplicação do benefício. Mas isso ocorreu antes da profecia de Michelle Bolsonaro. Uma coisa é a posição de um magistrado supremo. Coisa bem diferente é a compreensão de um "irmão em Cristo".
Falando em viagens interplanetárias e, por extensão, intergalácticas, o artefato mais veloz construído até agora - a Parker Solar Probe — atingiu 692 mil km/h no final de 2024, impulsionada pela gravidade solar. Para efeito de comparação, esse valor representa cerca de 0,064% da velocidade da luz e é quase o dobro da velocidade alcançada pela sonda New Horizons.
Nessa toada, seria possível ir da Terra a Netuno em menos de 9 meses — façanha notável se considerarmos que a Voyager II demorou 12 anos e a New Horizons, 8,5 anos para percorrer distâncias comparáveis — mas uma viagem até Proxima Centauri — nossa vizinha estelar mais próxima, que fica a "módicos" 4,246 anos-luz — levaria mais de 6 mil anos.
Considerando que os demais planetas e satélites que compõem nosso sistema solar não são habitados (há indícios de vida microbiana em alguns deles, mas não de civilizações desenvolvidas), os objetos voadores não identificados de origem extraterrestre são fruto de uma tecnologia muito mais avançada do que a nossa.
Aqui cabe abrir um parêntese para dizer que a missão Kepler da NASA monitorou cerca de 150.000 estrelas entre 2009 e 2018 e concluiu que, em média, cada estrela possui pelo menos um planeta. Isso significa cerca de um septilhão de planetas no Universo — mais do que o número estimado de grãos de areia em todas as praias da Terra. Se aplicarmos critérios conservadores — estrela estável, zona habitável, tamanho rochoso semelhante à Terra etc. — uma em cada 5 estrelas pode hospedar um planeta nessas condições.
Portanto, haveria 40 bilhões de planetas habitáveis somente na Via Láctea e cerca de 10 sextilhões no universo observável, que tem cerca de 93 bilhões de anos-luz de diâmetro. Mesmo se vida for extremamente rara - tipo uma chance em um bilhão de planetas habitáveis desenvolver vida - ainda sobrariam 10 trilhões de planetas com vida só no universo observável. Diante disso, a intuição de que "somos únicos" fica difícil de sustentar mesmo para o mais conservador dos conservadores. Aliás, esse é basicamente o cerne do Paradoxo de Fermi: se há tantos mundos, "cadê todo mundo?"
Se existem seres inteligentes em alguns desses 10 trilhões de planetas, eles devem ter descoberto maneiras de singrar o cosmos em altíssimas velocidades e atravessar buracos de minhoca — supostos atalhos cósmicos que diminuem a distância entre dois pontos seja, neste ou em outro universo, seja no presente ou em outro momento da linha do tempo. Afinal, se os avistamentos de OVNIs fossem meras alucinações coletivas ou confusões com balões meteorológicos, seria de esperar que os governos simplesmente dissessem isso e encerrassem o assunto com um sorriso condescendente. Mas não é bem isso que acontece.
Em 1947, o general Nathan Twining, chefe do Comando de Material da Força Aérea Norte-americana, enviou um memorando confidencial afirmando que os discos voadores eram "reais e não imaginários", e que sua performance — incluindo velocidade, manobras e ausência de fumaça ou som — era superior à de qualquer aeronave conhecida. O memorando ficou classificado (sob sigilo) por décadas e, quando veio a público, levantou uma pergunta incômoda: se não há nada a esconder, por que esconder?
O Projeto Blue Book, iniciado em 1952, investigou oficialmente mais de 12 mil casos de avistamentos nos Estados Unidos. Ao final, em 1969, encerrou suas atividades declarando que nenhum dos casos representava ameaça à segurança nacional e que nenhum era de origem extraterrestre. No entanto, dos 12 mil casos analisados, 701 permaneceram oficialmente "sem explicação", e essa categoria, curiosamente, incluía alguns dos relatos mais bem documentados, feitos por pilotos militares experientes com suporte de radar.
Décadas depois, em 2017, o New York Times revelou a existência do AATIP — Advanced Aerospace Threat Identification Program —, um programa secreto do Pentágono dedicado ao estudo de fenômenos aéreos não identificados, no qual foram investidos 22 milhões de dólares entre 2007 e 2012. Junto com a reportagem vieram três vídeos gravados por caças da Marinha americana mostrando objetos que realizavam manobras fisicamente improváveis: acelerações instantâneas, mudanças bruscas de direção e hovering sem propulsão aparente. O Pentágono confirmou a autenticidade das imagens mas nenhuma explicação convincente foi oferecida.
Em 2021, o governo americano publicou um relatório preliminar sobre UAPs — sigla para Fenômenos Aéreos Não Identificados em inglês, que substituiu "OVNIs" nas comunicações oficiais por soar menos como ficção científica — admitindo que 143 dos 144 casos analisados permaneciam sem explicação. O único "explicado" era um balão. Para os outros 143, o relatório concluiu, com rara honestidade burocrática, que simplesmente não havia dados suficientes para uma conclusão.
O padrão que emerge dessa cronologia não é o de uma conspiração hollywoodiana, com homens de preto e hangares secretos em Nevada — embora a Area 51 exista de fato e tenha abrigado projetos de aviação ultrassecretos por décadas. O padrão é mais prosaico e, por isso mesmo, mais perturbador: o de instituições que sabem mais do que dizem, dizem mais do que admitem e admitem mais do que gostariam. A pergunta que fica não é se há algo lá fora. É o que exatamente esse "algo" é — e o que aqueles que o conhecem decidiram, até agora, manter fora do alcance do público.
Resumo da ópera: Pode-se argumentar que indícios e evidências não são provas, mas ignorar milhares de avistamentos de OVNIs (ou UAPs) relatados por pilotos civis e militares, controladores de voo e outros profissionais capazes de diferenciar esses eventos de fenômenos atmosféricos equivale a tapar o Sol com peneira.
Continua…






