O CAOS É UMA ORDEM POR DECIFRAR.
De acordo com as equações relativísticas de Einstein, a massa de um objeto aumenta à medida que ele se aproxima da velocidade da luz — que é representada pela letra "c" e equivale a aproximadamente 1.08 bilhão de km/h. A 90% de "c", a massa é 2,3 vezes maior do que em repouso; a 99%, 7 vezes; e a 99,9%, 22 vezes.
CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA
Lula já tentou de tudo para deslanchar nas pesquisas, mas, por enquanto, tudo não quis nada com ele, que continua numericamente à frente, porém sentindo o bafo do filho do presidiário no cangote.
O ex-presidiário ainda acredita que a fé na reeleição pode remover montanhas, mas decidiu empurrar enquanto reza. Há um certo desespero em sua pareceria com com os presidentes do Senado e da Câmara. Até outro dia, Alcolumbre e Motta eram chamados nas redes sociais petistas de "inimigos do povo"; na última quarta-feira, almoçaram com o macróbio no Alvorada e, ato contínuo, anunciaram o destravamento da pauta eleitoral do anfitrião no Congresso.
Será aprovada na semana que vem a MP que extinguiu a taxa das blusinhas. E devem avançar a proposta que cria a escala de trabalho 5 X 2 e a PEC da Segurança Pública.
Noutros tempos, a parceria seria vista como sinal de força; hoje, é apenas um penúltimo esforço para abrir frestas para boas notícias num noticiário monopolizado pelas traficâncias de Lulinha.
Depois de desembrulhar bondades eleitorais estimadas em cerca de R$ 200 bilhões, Lula recorre até a aliados da onça para lidar com a montanha que o separa do quarto mandato. Alcolumbre e Motta cobrarão o seu preço.
Na velocidade da luz, mesmo a massa ínfima de uma simples partícula se torna infinita e requer energia igualmente infinita para continuar a acelerar. E como não existe energia infinita em nosso Universo, temos uma barreira física codificada nas próprias leis da realidade, certo? Talvez não. Um grupo de cientistas propôs uma versão redesenhada da chamada "bolha de dobra", que poderia, em tese, transportar uma espaçonave por meio da distorção do espaço-tempo. O problema é que a quantidade de energia negativa necessária, os riscos de controle e os prazos estimados em até milhares de anos esbarram num obstáculo elementar: ainda não sabemos como produzir os ingredientes físicos exigidos pelo modelo, especialmente grandes quantidades dessa energia.
Embora nossa tecnologia tenha evoluído mais nos últimos 200 anos do que desde a invenção da roda à Revolução Industrial, e, por mais que avancemos nas próximas décadas — ou séculos —, dificilmente alcançaremos a velocidade da luz e, consequentemente, conseguiremos cruzar a fronteira que nos separa das estrelas. Mesmo que construíssemos uma nave capaz de alcançar 99% de "c", teríamos de lidar com um fenômeno relativístico conhecido como dilatação do tempo, segundo o qual o tempo desacelera para objetos em movimento em relação a observadores estacionários. Por outro lado, cruzar o Atlântico em pouco mais de 3 horas — como fazia o supersônico Concorde em 2003 — era inconcebível em 1500, quando Cabral levou 44 dias para vir de Portugal a Pindorama, e inimaginável no início do século XX, quando os irmãos Wright e Santos Dumont provaram que um artefato mais pesado que o ar era capaz de decolar, voar e pousar por meios próprios.
Os hipotéticos tripulantes de uma nave viajando a 99% de "c" rumo a uma estrela a 50 anos-luz de distância demorariam 7 anos para chegar lá, mas 50 anos se passariam no mundo estático que eles haviam deixado para trás. E caso retornassem à Terra, seus contemporâneos estariam mortos e a civilização inteira teria evoluído além do reconhecimento. Mas volto a lembrar que as leis da física criam obstáculos para nos impedir de sair do Sistema Solar. É o caso da nuvem de Oort, que se estende de cerca de 2 mil UAs até 100 mil UAs. Como uma UA equivale a 150 milhões de quilômetros, a fronteira gravitacional do nosso sistema solar fica a quase 1,6 anos-luz do Sol. Viajando a cerca de 60 mil km/h, a sonda Voyager I percorreu em 47 anos apenas 0,002 ano-luz — uma fração minúscula da distância que nos separa dos confins do Sistema Solar. Nessa toada, ela deve levar mais 300 anos para alcançar a borda interna da nuvem de Oort e outros 30 mil anos para transpô-la.
Diante disso, a pergunta que se impõe é: se não conseguimos sequer escapar do nosso próprio sistema solar, que dirá alcançar outras galáxias? E a resposta é "talvez". Afinal, não há nada como o tempo para passar (vide o que escrevi no terceiro parágrafo sobre Cabral, Santos Dumont e os irmãos Wright), e uma nova arquitetura para um motor de dobra — ideia associada há décadas ao sonho de reduzir distâncias entre estrelas — vem sendo desenvolvida. Ela não faz a nave ultrapassar localmente o limite imposto pela física moderna, mas move a região ao redor dela, comprimindo o espaço à frente e expandindo o espaço atrás.
Esse estudo, assinado pelo engenheiro aeroespacial Harold “Sonny” White e pelos coautores Jerry Vera, Andre Sylvester e Leonard Dudzinski, ligados à Casimir, Inc., descreve “bolhas de dobra cilíndricas com interior plano para nacelas” e foi publicado na revista Classical and Quantum Gravity. A comparação com a ficção científica aparece de forma inevitável, especialmente pela semelhança com as nacelas gêmeas da USS Enterprise, mas o modelo refina a arquitetura da bolha, embora ainda dependa de condições que a ciência atual não consegue reproduzir em escala útil para uma espaçonave.
O ponto nevrálgico continua sendo transformar equações consistentes em algo fisicamente possível. Ainda que as leis da física impeçam que uma mísera partícula contendo massa alcance a velocidade da luz, nos conceitos de propulsão de dobra a nave não é empurrada como um foguete comum, mas carregada por uma bolha que altera a geometria do espaço ao seu redor. A lógica pode ser comparada a uma esteira rolante de aeroporto, na qual as pessoas que sobem chegam antes das demais não porque correm, mas porque a superfície sob seus pés também está em movimento. Na proposta de dobra espacial, essa “esteira” seria o próprio espaço-tempo e a região à frente da nave seria comprimida, enquanto a região atrás dela se expandiria, fazendo com que a bolha avançasse sem que a espaçonave dentro dela ultrapassasse localmente a velocidade da luz.
Esse tipo de abordagem remonta à proposta de 1994, frequentemente citada como o documento métrico sobre propulsão de dobra. Desde então, o maior desafio tem sido conciliar a elegância matemática com limitações físicas extremamente rígidas, mas um dos pontos que mais chama a atenção no novo artigo é o foco na habitabilidade da bolha. No caso de uma missão tripulada, não bastaria mover uma espaçonave pelo espaço-tempo, seria preciso também garantir que a região interna não submetesse os astronautas a distorções gravitacionais perigosas, como as chamadas forças de maré, que podem criar efeitos muito mais severos do que as marés oceânicas observadas na Terra e tornar inviável a presença humana dentro da nave.
Além disso, os autores defendem uma condição de “planicidade interior”, na qual a cabine permanece matematicamente plana em termos de espaço-tempo, ainda que a estrutura externa da bolha esteja altamente distorcida. Essa estabilidade é fundamental para navegação, relógios, suporte à vida e funcionamento normal das leis físicas dentro da espaçonave. Mesmo sendo uma proposta teórica, ela mira uma exigência que qualquer sistema real precisaria enfrentar. No entanto, o maior entrave para qualquer motor de dobra é a energia negativa.
Observação: Energia negativa e matéria exótica são coisas diferentes. A primeira é um efeito quântico específico, e a segunda engloba qualquer substância capaz de gerar repulsão gravitacional. A energia negativa pode ser um tipo de matéria exótica, mas nem toda matéria exótica se baseia exclusivamente em energia negativa.
A energia negativa aparece em quantidades mínimas em configurações quânticas muito específicas, e ampliá-la para o tamanho de uma espaçonave está muito além das capacidades atuais. E a crítica não é apenas tecnológica: uma análise de 1997 de Michael J. Pfenning e L. H. Ford aplicou limites quânticos às bolhas de dobra e concluiu que essa energia teria de ser comprimida em uma camada extremamente fina, com exigências totais de energia consideradas fisicamente inalcançáveis.
Também permanece em aberto a questão de saber se o universo fornece massa negativa ou energia negativa em uma forma utilizável. O astrofísico Avi Loeb, da Universidade de Harvard, argumentou que a energia do vácuo associada à expansão cósmica é tão diluída que nem mesmo um cubo com cerca de 19 quilômetros de lado seria suficiente para manter uma lâmpada de 100 watts acesa por um minuto inteiro. Ele também escreveu que nenhuma física conhecida pode dar origem a um objeto com massa negativa, e esse ponto amplia ainda mais a distância entre o conceito de velocidade máxima possível no Universo e uma nave real.
A história da ciência está repleta de ideias que pareciam impossíveis até que novos conhecimentos revelassem caminhos inesperados. A questão é saber se a propulsão de dobra pertence à categoria dos problemas difíceis ou à dos problemas impossíveis. E essa diferença pode levar muito tempo para ser descoberta. Em contrapartida, talvez seja mais fácil viajar no tempo do que para as estrelas. Afinal, a relatividade já permite "viajar para o futuro", embora ainda não tenhamos sido capazes de atravessar nosso próprio quintal cósmico.
Continua…




