quarta-feira, 20 de maio de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — PROFECIAS E VATICÍNIOS

NA CIÊNCIA, O CRÉDITO VAI PARA QUEM CONVENCE O MUNDO DE UMA IDEIA, NÃO PARA QUEM A TEVE PRIMEIRO.  


Não há final de ano sem que programas de TV de quinta categoria entrevistem paranormais que invariavelmente antecipam "a morte de um artista famoso”, sabedores de que as palavras “artista” e “famoso” dão margem a múltiplas interpretações. Todavia, a despeito da evolução da ciência nos últimos séculos, um sem-número de pessoas que reputamos inteligentes continua a consultar cartomantes, quiromantes, videntes e afins.


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"Dark Horse" — nome do filme sobre a trajetória política do ex-presidente golpista e ora presidiário — já era sinal de mau agouro, pois significa "azarão", "vencedor improvável", mas ninguém imaginava que o Judiciário mandaria prender Lula, durante a pré-campanha eleitoral de 2018.

Na Bíblia, o terceiro cavaleiro do Apocalipse aparece montado num cavalo negro, com uma balança na mão, e anuncia fome e miséria (Ap 6,5-6). Contra "fome e miséria" de políticos e autoridades, ninguém melhor que Vorcaro nos últimos tempos, mas até o momento nenhum deles havia sido flagrado pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro. Flávio Rachadinha inaugurou a lista, pedindo ao dono do Master R$ 134 milhões, alegadamente para a cinebiografia do pai. Pelo menos R$ 61 milhões foram transferidos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações da Entre Investimentos, empresa ligada ao grupo Master, para o Havengate Development Fund LP, fundo registrado no Texas administrado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.

A operação contou com intermediários como Thiago Miranda, sócio-fundador do Portal Leo Dias, que participou das negociações. Fabiano Zettel, cunhado e principal operador financeiro de Vorcaro, organizava os repasses, e o deputado cassado e foragido Dudu Bananinha aparece nas conversas em 21 de março de 2025, sugerindo "alternativas para facilitar o envio dos recursos aos EUA".

Vorcaro foi preso pela Polícia Federal tentando deixar o país em 18 de novembro de 2025, no dia seguinte ao "estarei contigo sempre" de Flávio. O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central no dia seguinte, com rombo estimado em R$ 50 bilhões no FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Na época, a situação do Master não era segredo para ninguém em Brasília. A CVM investigava movimentações atípicas desde 2022, e o Banco Central emitiu ultimato a Vorcaro em 2024, com prazo de 180 dias para reestruturação do Master. O próprio Vorcaro assinou em novembro daquele ano documento ao BC assumindo os problemas, com prazo final para correção em maio de 2025, exatamente o período em que as seis transferências para o Texas foram concluídas. 

Nas conversas, Flávio reconhece que "Daniel estava passando por momentos difíceis". O Ministério Público Federal havia requisitado à PF, ainda em 2024, o início de investigações criminais do Master por emissão de títulos falsos. No ano seguinte, Brasília, estava careca de saber quem era Daniel Vorcaro.

Também merece atenção o valor — R$ 134 milhões — solicitados para uma produção com anjos caídos de Hollywood e um time B ou C nos créditos. Para um filme com time modesto em termos artísticos, com poucas pretensões além da propaganda política para convertidos, produtoras bolsonaristas nacionais fariam tudo por 10% desse valor, mesmo incluindo o cachê de Jim Caviezel. "Ainda Estou Aqui", vencedor do Oscar, teve um custo estimado em R$ 45 milhões, e "O Agente Secreto", pouco mais da metade desse valor. A conta não fecha.

Mário Frias, deputado bolsonarista do PL, roteirista e produtor executivo do filme, divulgou nota oficial afirmando que "dentre os mais de uma dezena de investidores que compõem o quadro de financiadores do longa-metragem Dark Horse, não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário".

Resta saber onde foram parar os mais de R$ 60 milhões repassados

Alguns oportunistas que vivem há anos do bolsonarismo já começaram a se distanciar de Flávio, lembrando o adágio que os ratos são sempre os primeiros a pular de um barco que afunda. Ainda é cedo para prever o que acontecerá nas próximas horas ou dias, mas o estrago é inegável. E sabe-se lá o que ainda está para surgir durante as investigações.

Até o momento, a surpresa é saber que um filme com jeito de documentário do Brasil Paralelo custou mais que uma festa de Vorcaro com Coldplay e isso, por si só, já é um escândalo que merece investigação rigorosa.

Cavalo negro, simbolicamente, nunca é portador de boas notícias. No folclore brasileiro, "Dark Horse" é a mula sem cabeça.


Nostradamus, sacerdotes do Oráculo de Delfos, astrólogos maias e afins foram venerados como semideuses, mas usaram e abusaram de ambiguidades e indeterminações para tornar suas chances de erro tão desprezíveis quanto as dos horoscopistas de almanaque, que embrulham no vistoso papel dos mapas astrais mensagens como cuide melhor da saúde, evite investimentos arriscados, aguarde novidades no campo sentimental, e por aí afora.


Dono de uma pena vocacionada a vaticínios macabros e apocalípticos, Michel de Nostradama (1503-1566) se notabilizou pela suposta capacidade de prever o futuro. Contrariando as conclusões tendenciosas que os arautos do apocalipse extraíram de suas Centúrias, o astrólogo francês não previu a Revolução Francesa, a ascensão de Hitler, o desmoronamento das torres gêmeas, o fim mundo na virada do milênio (nem em 21/12/2012) ou a coroação do rei Charles III e sua renúncia.


Nostradamus também não vaticinou a pandemia da Covid-19 — esse boato nasceu de uma publicação feita pelo cartunista argentino Cristian Dzwonik, criador do satírico Gato Gaturro. A mensagem original, postada na página do cartunista nas redes sociais, foi rotulada como FAKE NEWS pelo Facebook após ter sido desmentida por agências internacionaisFalando em redes sociais, elas foram a maior benesse para os serviços de inteligência desde que a Igreja Católica inventou a confissão, mas isso é uma outra conversa e fica para uma outra vez.


Alguns dos versos de Nostradamus contêm referências chocantes a supostos acontecimentos futuros, mas vale lembrar que o os escreveu de forma prolífica, cifrada e ambígua, como que visando acomodar as mais variadas versões dos fatos. Mesmo assim, entra ano, sai ano, milhões de pessoas se equipam para sobreviver a chuvas de meteoros, colisões com asteroides, inversões da polaridade terrestre e outros cataclismos oriundos de interpretações tendenciosas de profecias chinfrins feitas por quem ouviu o galo cantar sem saber onde.


Observação: Reza a lenda que, quando seu galo de estimação desapareceu, um alfaiate carioca do século XVIII ofereceu uma recompensa a quem o encontrasse. De olho na gratificação, um aprendiz afirmou ter ouvido a ave cantar, mas não soube dizer onde, e acabou demitido. A partir de então, a expressão "ouvir o galo cantar sem saber onde" tornou-se sinônimo de falar sobre sobre algo sem conhecer os detalhes ou o contexto.


A facilidade para encontrar verdades pessoais em afirmações genéricas é conhecida como "efeito Barnum" — assim chamado por causa dos "testes de personalidade" usados por P. T. Barnum para convencer os espectadores de circo a acreditarem que ele possuía poderes paranormais. Em decorrência dessa "característica", milhões de pessoas supostamente esclarecidas juram que somos todos descendentes de Adão e Eva, em que pesem os indícios científicos acachapantes da evolução.


Tampouco faltam cegos mentais que se refutam a enxergar a esfericidade da Terra — coisa que Aristóteles descobriu no século III a.C. e cuja circunferência Eratóstenes calculou a partir da diferença das sombras em duas cidades próximas — a despeito das milhares de fotos tiradas do espaço e até da Lua.


Continua...

terça-feira, 19 de maio de 2026

COMO LIMPAR A TELA DOS ELETROELETRÔNICOS

PARA RESOLVER OS PROBLEMAS DOS OUTROS, TODO MUNDO TEM SABEDORIA DE SOBRA.

A poeira e a gordura dos dedos maculam a tela de celulares, monitores e televisores. Para fazer a limpeza, recomenda-se usar panos de microfibra — que são macios, não soltam fiapos nem arranham a tela —, evitar solventes à base de aguarrás ou Thinner, limpa-vidros (como Vidrex) e produtos à base de amônia (como Ajax) ou cloro (como Cândida e outras águas sanitárias). 

O mesmo vale para desinfetantes, limpadores em aerossol e polidores de metais (como Kaöl ou Brasso). No caso do álcool, use somente o isopropílico, que não contém água e é menos agressivo.

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Em abril de 2020 eu escrevi que o número de apoiadores de primeira hora que questionavam a sanidade mental de Bolsonaro vinha crescendo na mesma velocidade com que seus desafetos se multiplicavam. Dentre os aliados mais notórios que já haviam abandonado o barco, destacava-se o ex-amigo de fé, irmão e camarada Gustavo Bebianno, que era um arquivo vivo da campanha do futuro golpista e estava trabalhando no livro "Uma eleição improvável" (sobre os bastidores da eleição de Bolsonaro) quando morreu subitamente em decorrência de um enfarte.
Filho de um empresário que, nos tempos de vacas gordas, fazia questão de mandá-lo para a Europa, Bebianno cursou Direito na PUC-RJ e fez mestrado em Finanças pela Universidade de Illinois (EUA). Bolsonaro, cujo pai sustentava a família obturando e extraindo dentes (embora jamais tivesse estudado odontologia), cursou a AMAN e serviu nos grupos de artilharia de campanha e paraquedismo.
Em 1986, aos 31 anos de idade, Bolsonaro publicou um artigo em que reclamava do soldo — que lhe rendeu 15 dias de prisão disciplinar. No ano seguinte, voltou à carga com um plano de explodir bombas de baixa potência em quartéis e academias (também como forma de protesto contra os baixos salários dos militares) e acabou sendo excluído do quadro da Escola de Oficiais, mas foi absolvido das acusações pelo Superior Tribunal Militar. Ainda assim, sua carreira no Exército terminou ali.
Em 1988, após deixar a caserna pela porta lateral, Bolsonaro elegeu-se vereador. Dois anos depois, foi um dos deputados federais mais votados no Rio de Janeiro. Ao longo dos 27 anos no baixo clero da Câmara, aprovou 2 míseros projetos e colecionou dezenas de processos.
Em 2014, o advogado Gustavo Bebianno passou a enviar emails de cumprimentos ao deputado Jair Bolsonaro, de quem se declarava fã devido a seu “patriotismo”. Em 2017, ao saber que o então pré-candidato ao Planalto estaria num clube de golfe no Rio, correu para encontrá-lo, levando consigo cópias impressas dos emails (que jamais foram respondidos) como prova da antiguidade de sua admiração. Mais adiante, defendeu seu ídolo em diversos processos sem cobrar um tostão. Foi ele quem levou Bolsonaro para o PSL em março de 2018, quem coordenou sua campanha presidencial e quem presidiu o partido durante as eleições. De acordo com o empresário Paulo Marinho, que abrigou em sua casa o comitê de campanha, houve três grandes responsáveis pela vitória do capetão: Bebianno, o publicitário Marcos Carvalho e o esfaqueador inimputável Adélio Bispo de Oliveira, nessa ordem. O resto é folclore.
Valendo-se da condição de convalescente da facada que levou a um mês do segundo turno do pleito de 2018, Bolsonaro se recusou a participar dos debates — que inevitavelmente exporiam seu acachapante despreparo. Mesmo assim, a récua de muares desprovida de neurônios deu de ombros para os demais postulantes ao Planalto e enviou para o embate final o refuto da escória da humanidade e o preposto do demiurgo de Garanhuns (lembrando que o xamã petista teve a candidatura cassada por estar cumprindo pena em Curitiba). Assim, restou à parcela pensante do eleitorado — que teria votado no próprio Belzebu para impedir a volta do PT apoiar um sujeito tosco, polêmico, oportunista, populista, parlapatão, admirador confesso dos anos de chumbo da ditadura militar e defensor de opiniões "peculiares", digamos assim, sobre tudo e todos. Como era de esperar, essa sumidade se tornaria um mandatário impopular aos olhos de seus governados, um pária aos olhos do mundo e o alvo preferido de uma imprensa que não o suportava — e o sentimento era mútuo. Como todo populista que se preza, Bolsonaro contava com séquito de fanáticos fiéis que o seguiam cegamente — os “bolsomínions”, que somavam cerca 30% do eleitorado e agiam como os militantes esquerdopatas, só que com a polaridade político-ideológica invertida.
Voltando a Bebianno, em reconhecimento pelos bons serviços prestados pelo então amigo e admirador, Bolsonaro nomeou-o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, mas demitiu-o cerca de 40 dias depois, “envenenado” pelas intrigas urdidas pelo "pitbull" Carlos Bolsonaro, que sempre se roeu de ciúmes da amizade do pai com o assessor. E assim teve início o que viria a ser uma longa lista de auxiliares que se converteram em desafetos nos meses subsequentes — entre os quais Alexandre Frota, Joice Hasselmann, o General Santos Cruz e Sérgio Moro — e foram prontamente atacados e tratados como comunistas, antipatriotas e traidores pela súcia de convertidos que, acometidos de cegueira mental, bebiam as palavras do Messias que não miracula. Mais adiante, Bebianno lançou sua pré-candidatura à prefeito do Rio de Janeiro, mas morreu em 14 de março de 2020, aos 56 anos, quando estava em seu sítio em Petrópolis — consta que ele passou mal, sofreu uma queda e foi a óbito. Seu corpo foi encaminhado para o Instituto Médico Legal de Teresópolis e o laudo apontou infarto fulminante..
Ao ser demitido, Bebianno disse ter "amor" e "afeto" por Bolsonaro e declarou não ter dúvida de que seu governo “seria um sucesso”. Pouco antes de morrer, reconheceu que devia desculpas ao país por ter viabilizado a candidatura do ex-chefe, que, segundo ele, se tornara arrogante, autoritário e excessivamente influenciado pelos filhos “mimados e soberbos”. Em entrevistas, afirmou que o capetão demonstrava “traços de psicopatia” e que tratava as pessoas como meros capachos. Sua morte gerou especulações nas redes sociais, mas não surgiram evidências concretas que contrariassem a conclusão médica.
“Um dia o Brasil saberá quem Bolsonaro realmente é", disse Bebianno. Vindo de alguém que conviveu intensamente com o dejeto em forma de gente durante a campanha e no início do governo, a declaração ganhou forte repercussão, passou a ser frequentemente lembrada por críticos e ex-aliados e acabou adquirindo um tom quase profético. Para muitos, foi um alerta de alguém que conheceu de perto o funcionamento do núcleo bolsonarista e saiu profundamente decepcionado.


A limpeza deve ser feita com os aparelhos desligados. Monitores e televisores devem ser desconectados da tomada e limpos somente depois que esfriarem, de modo a evitar que o calor crie manchas difíceis de remover. Comece passando um pano de microfibra seco sobre toda a superfície da tela — em movimentos suaves e circulares, sem aplicar pressão. Para remover marcas de dedos ou gordura, umedeça o pano com água filtrada ou destilada (sem encharcar), faça a limpeza e dê acabamento com um pano seco.


Jamais borrife água ou outro líquido diretamente na tela. Evite usar papel toalha, panos ásperos, esponjas ou camisetas velhas, e jamais pressione o display com força durante a limpeza, pois isso pode danificar os pixels ou causar manchas permanentes.

 

Boa faxina.

segunda-feira, 18 de maio de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — REENCARNAÇÃO

A EXTINÇÃO É A REGRA; SOBREVIVER É A EXCEÇÃO.

Mistérios do além, reencarnação e vidas passadas costumam render boas histórias. A escritora Elizabeth Jhin, autora de novelas como Escrito nas Estrelas, Além do Tempo e Espelho da Vida, diz ser fascinada pelo tema. A Viagem, de Ivani Ribeiro, foi recordista de audiência no horário das 19h e produziu um aumento significativo na venda de livros sobre espiritismo.

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Já se sabia que o investimento na candidatura de Flávio Bolsonaro — com a imagem rachadinha, os vínculos milicianos e a mansão de R$ 6 milhões — era arriscado, mas poucos imaginavam que a coisa ficaria pior do que o esperado tão rapidamente: a quatro meses e meio da eleição, o projeto presidencial da Famiglia Bolsonaro passou a valer tanto quanto um CDB do falecido Banco Master. 

Dirigido pela marquetagem de sua campanha, o filho do pai se esforçava para ostentar uma certa superioridade moral sobre o PT no escândalo do Master. A moral perdeu o sentido diante do áudio vadio em que ele pede dinheiro ao "irmão" Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o pai. Confrontado com os fatos, disse que era "uma mentira", deu risada e se retirou de uma entrevista. Horas depois, viu-se obrigado a admitir o que se tornou inegável. À noite, o nome de Michelle saía dos lábios dos operadores da campanha com hedionda naturalidade: o enrosco em que se meteram os enteados deu à madrasta má ares de Cinderela. 

Flávio negociou com Vorcaro R$ 134 milhões. Com a quebra do Master, teria recebido R$ 61 milhões. A dinheirama escorreu para um fundo sediado no Texas e que tem como representante legal um advogado de Eduardo Bolsonaro.

Reorientado numa reunião de emergência com seu staff de campanha, o primogênito do chorume da escória da humanidade saiu-se com a ficção segundo a qual tudo não passou de uma transação privada. "Zero de dinheiro público. Zero de Lei Rouanet". Passou a entoar mandamentos que começam sempre com "não": "Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem."

O escândalo do Master está encharcado de dinheiro público. A caminho da ruína, Vorcaro invadiu as arcas de fundos de previdência de estados e municípios.

A desvalorização de Flávio tende a aumentar no mercado futuro. No momento, a única certeza disponível é que o candidato está no inquérito da Polícia Federal. Apostar que sua foto estará na urna em outubro seria um exercício de quiromancia.

 
Em sua primeira obra psicografada (Parnaso de Além-Túmulo), o médium mineiro Chico Xavier, que estudou até o ensino fundamental, produziu poemas atribuídos a gigantes como Augusto dos Anjos, morto anos antes. Monteiro Lobato chegou a dizer que, se Xavier fosse um embuste como médium, como escritor ele poderia estar em qualquer Academia de Letras, pois seus versos eram "coisa de outro mundo".

O professor Ian Stevenson dedicou a vida acadêmica ao estudo da reencarnação a partir de episódios envolvendo fatos que somente os familiares das pessoas mortas poderiam saber. Entre outros relatos de lembranças ocorridas na infância, ele destaca em seu livro Twenty Cases Suggestive of Reincarnation o caso de uma menina nascida em 1948 de uma rica família da Índia.

Durante uma viagem de carro, Swarnlata Mishra apontou uma estrada que levava à cidade de Katni e disse ao pai que vivera lá quando se chamava Biya Pathak, e que teve dois filhos. Embora morasse com a família em Pradesh, a 160 quilômetros dali, a menina descreveu detalhadamente o que chamou de "minha casa". Ao tomar conhecimento do caso, o pesquisador de fenômenos paranormais Sri H. N. Banerjee usou as anotações do pai de Swarnlata para encontrar a família Pathak, que confirmou tudo que a criança dissera sobre Biya (morta em 1939). Até aquele momento, nenhuma das duas famílias jamais ouvira falar da outra. 
 
Meses depois, o viúvo de Biya foi com o irmão e um dos filhos até a casa dos Mishra em Pradesh. Todos foram prontamente reconhecidos por Swarnlata, que tratou o "marido" e o "cunhado" pelo nome e o "irmão" pelo apelido de infância. Semanas depois, ela foi com o pai até a casa dos Pathak em Katni, chamou os parentes e amigos de Biya pelo nome, relembrou episódios domésticos e tratou os filhos da falecida com uma intimidade de mãe. 

Observação: Stevenson diz no livro que presenciou um dos encontros das duas famílias, e que, diferentemente de milhares de relatos de lembranças de outras vidas, as memórias de Swarnlata não desapareceram depois que ela cresceu.

Nem sempre a lembrança de quem fomos, verdadeira ou não, vem espontaneamente. Para isso existe a chamada terapia regressiva — conjunto de abordagens psicoterapêuticas que buscam acessar lembranças antigas  com o objetivo de identificar possíveis origens de traumas, medos, bloqueios emocionais ou padrões de comportamento repetitivos. A ideia central é que certas experiências mal elaboradas continuam atuando “nos bastidores” da mente, e, em gerais, ela pode funcionar de duas formas principais:

1) O terapeuta conduz o paciente (às vezes com técnicas de relaxamento profundo ou hipnose clínica) a recordar episódios esquecidos ou pouco acessíveis da própria história. A intenção é revisitar a memória com maturidade emocional atual, reinterpretar o ocorrido e, assim, reduzir o impacto psicológico.

2Na regressão a vidas passada — popularizada por autores como Brian Weiss —, parte-se da hipótese de que traumas atuais poderiam ter origem em existências anteriores. Não há validação científica sólida para essa proposta, e a maior parte da psicologia acadêmica a considera uma prática de base espiritual ou simbólica, não empírica.

A memória humana não é um arquivo estático; ela é reconstruída cada vez que é evocada. Pesquisas de psicólogos como Elizabeth Loftus mostraram o quão fácil é formar falsas memórias sob determinadas condições. Isso significa que, em certos contextos sugestivos, a pessoa pode criar lembranças vívidas de eventos que nunca aconteceram — acreditando genuinamente neles. É por isso que no meio clínico tradicional o uso de regressão com hipnose é tratado com cautela, já que pode trazer benefícios quando conduzido com rigor, mas também pode reforçar narrativas distorcidas se mal aplicada. 

No fundo, não importa se a lembrança é historicamente exata, mas sim o significado emocional que ela carrega. Em última análise, a mente não sofre por fatos, mas por interpretações.

Continua...

domingo, 17 de maio de 2026

DESMISTIFICANDO AS CARNES “GOURMET”

A GALINHA É APENAS O MEIO QUE O OVO ENCONTROU PARA PRODUZIR OUTRO OVO.

A carne gourmet virou presença constante em cardápios, programas de gastronomia e redes sociais, mas que nem sempre (ou quase nunca) está disponível nas prateleiras refrigeradas dos supermercados. Nas butiques de carne, o mesmo boi continua sendo desossado, mas a apresentação e o nome escolhido fazem toda a diferença no preço — em muitos casos, basta usar a nomenclatura correta para comprar a mesma carne por um preço bem menor.


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Ao lavar as mãos para o drama criminal do aliado Ciro Nogueira, Flávio Bolsonaro imaginou que blindaria sua candidatura presidencial. De repente, descobre-se que o filho do golpista tentava sumir com o sabonete. O site The Intercept revelou que ele não apenas conhecia o dono do falecido Banco Master como recorreu a ele para financiar um épico cinematográfico destinado a eternizar a imagem do pai nas telas. Coisa de R$ 134 milhões, dos quais R$ 62 milhões teriam sido efetivamente liberados.

O roteiro do financiamento do longa a ser cujo lançamento estava previsto para setembro torna o enredo original ficar parecido com um documentário infantil. Além do filho do pai, integram o elenco personagens como Dudu Bananinha e Mario Frias. O primogênito do refugo da escória da humanidade se acorrentou ao futuro presidiário aparecendo em mensagens e áudios vadios, pressionando Vorcaro pela liberação de recursos, preocupado com o risco de dar "calote" em astros internacionais do filme. "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente", disse o pré-candidato do PL na véspera da liquidação do Master.

A cinebiografia virou thriller policial e a candidatura do "Bolsonarinho" subiu no telhado. No que depender de mim, ela bem que poderia descer pelo esgoto e levar junto a pretensão do molusco indigesto de disputar o quarto mandato. Mas cada país tem o povo que merece, e todo povo de merda tem os políticos de merda que merece.

Triste Brasil.


Cortes como flat iron, denver e tomahawk ganharam espaço fora dos restaurantes e passaram a aparecer no dia a dia dos açougues, mas, apesar de os nomes sugerirem de um novo tipo de gado ou técnica revolucionária, eles são recortes específicos de regiões já conhecidas do boi.


O flat iron, por exemplo, nada mais é do que uma parte da paleta bovina, tradicionalmente chamada de raquete. O denver steak vem do acém, mais especificamente do miolo do acém sem osso — quando mantém o osso, costuma ser chamado de short ribs, outro termo que ganhou fama recente. Já o tomahawk impressiona pelo osso longo e pela apresentação, mas corresponde ao tradicional prime rib com osso grande, também conhecido como chuleta


Ao especificar o tamanho do osso e a espessura desejada, é possível obter o mesmo corte sem pagar pelo efeito visual, provando que muitos desses nomes sofisticados apenas maquiam cortes que sempre fizeram parte do cotidiano.


Para um evento especial, pode valer a pena investir em carnes de raças britânicas (Angus/Hereford) com alto marmoreio (gordura entremeada), mas para o strogonoff, o picadinho ou carne de panela do dia a dia os cortes tradicionais estão de bom tamanho. Entre as opções com melhor custo-benefício para churrasco está a fraldinha — que deve ser limpa, mas com gordura. Se preferir a maminha — tida como a rainha do forno/grelha —, assegure-se de que a peça seja recoberta por uma capa de gordura uniforme e de remover somente a pele prateada (espelho). A bananinha — pequeno músculo que fica junto do contrafilé, próximo à alcatra — também e saborosa, mas desde que você remova o excesso de sebo e mantenha a gordura.


Outras boas opções são o miolo de acém com osso — que deve ser cortado em pedaços com 2 dedos de altura — e o contrafilé — cortado em pedaços com 3 a 4 centímetros de altura e mantida a gordura lateral. Quanto à costela, evite a ponta que tem mais osso e menos carne e prepare-a em forno baixo, com cozimento lento.


Para o bife do dia a dia (frigideira), o miolo de alcatra aparece como primeira escolha, seguido de perto pelo contrafilé. A paleta vem do dianteiro, mas não deixa a desejar quando bem preparada. A orientação para todos os bifes de frigideira é a mesma: pedir bifes não muito finos e manter um pouco de gordura.


A costela do traseiro vai bem tanto na panela quanto assado no forno. O peito com osso é ideal para cozimentos longos. A paleta é ótima para assar inteira; o coxão duro é perfeito para a panela de pressão; o acém é extremamente versátil; e o peixinho é uma boa pedida para quem prefere um corte macio e com pouca gordura (é só limpar bem a peça e cortar em medalhões para grelhar rápido).


Vale lembrar que a carne deve ter cor vermelho-brilhante (não escura/roxa), a gordura deve ser branca ou levemente amarelada (gordura muito amarela indica animal velho), a fibra deve ser curta e o toque deve ser firme, não pegajoso.


O mito de que churrasco bom não precisa de técnica precisa cair. Técnica simples, aplicada com atenção, faz mais diferença do que exagero de temperos ou carne cara.. O maior inimigo é o fogo descontrolado. Muitas vezes a carne vai para a grelha antes que a brasa fique no ponto ou é exposta a calor excessivo, o que compromete sua textura e suculência. O segredo da carne macia


Selar a carne prende serve para criar sabor e textura. O que retém o suco é o descanso após o preparo. Se você cortar a carne imediatamente, o suco escorre todo na tábua e a carne fica seca. Vale lembrar também que é preciso secar a carne com papel toalha e deixá-la atingir a temperatura ambiente antes de colocá-la na grelha — carne úmida “cozinha” no vapor e não cria aquela crostinha perfeita. 


Recomenda-se salpicar um pouco de sal grosso levemente moído quando virar a carne na grelha e finalizar depois, com flor de sal, que permite ajuste fino e muda a percepção de salinidade, e complementar com vinagrete ou chimichurri de ervas frescas, que dão acidez e frescor sem mascarar o sabor da carne. Para os cortes mais baixos — com até 3 cm de altura — sal apenas no final da cocção ajuda muito na caracterização da carne criando uma crostinha uniforme.


O carvão oferece constância e controle, mas a lenha traz aroma e identidade que o carvão sozinho não entrega. Ademais, é importante preparar o fogo e atentar para o tempo de cocção. O churrasco é um processo social e térmico; se você tentar apressar o fogo ou o descanso, o resultado deixará a desejar.


Bom churrasco.