O ETERNO NOS CRIOU À SUA IMAGEM E SEMELHANÇA, MAS DEVE TER ERRADO ALGUM INGREDIENTE OU O TEMPO DE COZIMENTO, POIS NOS TORNAMOS DEUSES DE MERDA.
Vimos que os físicos Fred Hoyle, Thomas Gold e Hermann Bondi levantaram a hipótese de que o universo não teria começo nem fim; que Hoyle ironizou a ideia de toda a matéria ter surgido em um "grande estrondo", que a ironia pegou e o termo Big Bang foi adotado pela imprensa, embora tudo tenha começado não como uma grande explosão, mas como uma expansão cósmica há quase 14 bilhões de anos, cujos efeitos ainda podem ser observados através do desvio para o vermelho na luz das galáxias distantes.
CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA
Numa homenagem à imprestabilidade, o PL oficializou a escolha do primogênito do refugo da escória da humanidade como candidato à Presidência em uma convenção em São Paulo com direito a discurso do filho do pai com referências a si próprio como "o filho mais velho do capitão". A convenção contou com um recado do primeiro-ministro de Israel, que afirmou que o filho do pai é um grande defensor do Brasil, e com a presença do presidente da Argentina, que veio especialmente para a convenção e chamou o ministro Alexandre de Moraes de "lixo careca" por negar a autorização para que ele visitasse o golpista, que cumpre pena em prisão domiciliar humanitária. .
Também marcaram presença o governador Tarcísio de Freitas, puxa-saco do Messias, de Valdemar Costa Neto, ex-presidiário do Mensalão e presidente do PL, e do senador Rogério Marinho — outro que morreria afogado se Bolsonaro tomasse um banho de assento —, além de uma série de congressistas e candidatos do PL.
Estavam no palco ainda o prefeito de São Paulo e candidatos a governador pelo PL, como Sergio Moro, o ex-herói nacional que passou a vergonha nacional e disputa o governo do Paraná. O evento nauseabundo começou com o hino nacional e 22 segundos de silêncio em alusão à suposta tentativa de calar a direita no Brasil, nas palavras do cerimonialista.
A ex-primeira-dama e madrasta não participou presencialmente do evento, alegando estar em casa cuidando do "seu galego", e tampouco elogiou o enteado-candidato mas pediu que Deus abençoe e proteja sua candidatura e desejou força para a família dele para cumprir a missão com a lealdade que nosso povo merece (pausa para as gargalhadas).
Os sinais de isolamento do stronzino foram evidenciados pela ausência dos presidentes nacionais dos demais partidos — embora o PL queira repetir a coligação de Bolsonaro em 2022 com a federação União Brasil-PP e o Republicanos, as legendas sinalizaram preferir a neutralidade desta vez.
A falta de uma coligação deixou a chapa sem candidato a vice — a expectativa era de que partidos aliados indicassem um nome, de preferência uma mulher. Em seu discurso, Tarcísio, que foi preterido pelo filho do pai para concorrer ao Planalto, disse que o senador das rachadinhas, panetones e mansões milionárias estava ali não pelo sobrenome, mas por ser uma pessoa que vai honrar o pai e o legado e será o maior presidente da história (pausa para o Plasil).
O governador puxa-saco de presidiário aproveitou para criticar o PT e pedir ao público que busque votos e convença os indecisos: "não tem espaço mais para o cansaço, a gente não pode mais se poupar, são 70 dias de trabalho e sacrifício".
Em resumo, mudaram as moscas, mas a merda continua sendo rigorosamente a mesma.
A despeito da imprecisão, o nome Big Bang se espalhou pelo mundo como um bordão irresistível. Em 1993, a revista Sky and Telescope organizou um concurso para substituir o nome e recebeu 13.099 sugestões de 41 países, mas nenhuma convenceu a banca de jurados, que incluía o astrônomo Carl Sagan. Assim, o nome permaneceu, e Hoyle entrou para a história como o homem que batizou uma teoria na qual nunca acreditou.
Faltou dizer que um esforço para melhorar as comunicações por rádio, um ruído vindo do espaço e alguns físicos teóricos formaram uma improvável conjunção de fatores que ajudou a comprovar o principal pilar da cosmologia moderna, embora não explique que existia antes da "grande expansão" e sustente que as leis da física clássica não se aplicam àquele momento inicial. Essa lacuna deu origem a alternativas como a Teoria M, segundo a qual existem inúmeros universos paralelos, e a colisão entre dois deles teria gerado toda a matéria e energia que compõem o nosso Universo. Algumas correntes sustentam que espaço e tempo sempre existiram, e que a grande expansão não foi o ponto inicial de tudo, mas o resultado do colapso entre diferentes dimensões — nesse caso, a explosão primordial — que teria dado origem múltiplos universos que surgiram como bolhas em um caldo cósmico de possibilidades. Essas ideias já foram consideradas pura ficção científica, mas hoje ensejam debates sérios entre físicos teóricos, que tentam conciliar a Relatividade com a Mecânica Quântica por meio de hipóteses como a de que o nosso universo seria apenas uma "membrana" flutuando em um espaço de dimensões superiores imperceptíveis para nossos sentidos. A questão é que aquilo que chamamos de “realidade” seria apenas um entre incontáveis cenários possíveis, com leis físicas diferentes, constantes variadas e talvez até versões alternativas de nós mesmos em outras configurações do espaço-tempo. Na esteira desse raciocínio, o Big Bang deixaria de ser o "início de tudo" e se tornaria apenas um episódio em uma história muito maior — uma entre trilhões de páginas de uma história que ninguém escreveu, mas que insiste em se desenrolar. Ainda que tudo isso não passe de hipóteses, são hipóteses escoradas em equações, observações indiretas e modelos matemáticos complexos, e para muitos físicos a elegância de uma teoria é quase tão sedutora quanto sua capacidade de ser testada. É nesse limite entre o rigor e o devaneio que a ciência avança. Aliás, a verdadeira "beleza" da ciência não está nas respostas, mas nas novas perguntas que cada resposta suscita. Dito isso, o que veio antes do tempo? O que existe fora do espaço? O nada é mesmo nada ou apenas algo que ainda não fomos capazes de entender? A física como a conhecemos deixa de fazer sentido nos primeiros 5,39 × 10⁻⁴⁴ segundos contados do "início" do universo — intervalo conhecido como tempo de Planck. Nesse limite extremo, a gravidade e a mecânica quântica tornam-se incompatíveis. Conforme o universo se expandiu e esfriou — por volta de 10⁻⁶ segundos após o Big Bang — sopa densa e quente de quarks e glúons começou a formar prótons e nêutrons. Assim, quando falamos que “tudo veio do nada”, devemos ter em mente que, na cosmologia, “nada” pode significar ausência de matéria, de espaço-tempo ou mesmo um vácuo quântico repleto de flutuações. Segundo a Teoria Quântica de Campos, mesmo no vácuo existem atividades físicas — flutuações de energia que podem dar origem a partículas que logo desaparecem. Por mais que esse cenário pareça uma abstração matemática, essas partículas foram detectadas em inúmeros experimentos. Algumas hipóteses sugerem que o Universo pode ter surgido de uma flutuação do vácuo, com energia total zero — em que a energia positiva da matéria seria cancelada pela energia negativa da gravidade. Stephen Hawking e outros físicos exploraram a ideia de que o surgimento espontâneo do Universo seria possível dentro da física quântica —, mas não devemos perder de vista que estamos falando de um campo altamente especulativo. Voltando no tempo até a chamada Era de Planck — que ocorreu um décimo de milionésimo de um trilionésimo de um trilionésimo de um trilionésimo de segundo após o Big Bang — deparamo-nos com um limite onde nossas melhores teorias entram em colapso e próprio espaço-tempo sofre flutuações quânticas. E como a mecânica quântica governa o micromundo das partículas, e a relatividade geral, o universo em grande escala, unificá-las exige um Teoria de Tudo. Segundo a Teoria das Cordas e a Gravidade Quântica em Loop, espaço e tempo seriam conceitos emergentes como ondas na superfície de um oceano profundo, e o que chamamos de espaço-tempo seria o resultado de processos quânticos ainda mais fundamentais. Isso fica ainda mais interessante quando tentamos entender que, na Era de Planck, o espaço e o tempo deixam de fazer sentido e a causalidade se desintegra. As principais candidatas à "teoria da gravidade quântica" descrevem um tipo de realidade física que estaria ocorrendo no tal "momento primordial" — uma espécie de precursor quântico do espaço e tempo. Mas a física ainda não encontrou um exemplo confirmado de algo surgindo literalmente do nada — a procura por esse "santo graal" deu azo a explicações sobrenaturais, a modelos cíclicos do Universo e à Teoria do Multiverso, segundo a qual infinitos universos coexistem, cada qual com suas próprias leis e histórias. Inspirado por uma conexão matemática curiosa entre um universo inicial quente e denso e um universo final frio e vazio, Roger Penrose, ganhador do Nobel de Física em 2020, propôs a chamada cosmologia cíclica conformada, na qual os estados iniciais e finais se tornam matematicamente idênticos quando levados aos seus limites. Em outras palavras, o Big Bang pode ter surgido de um "quase nada", isto é, do resquício de um universo anterior onde toda a matéria teria sido consumida por buracos negros e transformada em fótons dispersos num imenso vazio. Mesmo assim, esse "nada" ainda seria um tipo de "algo", ainda que fosse um universo físico desprovido de estrutura. O paradoxo aqui é que esse estado frio e vazio pode ser o mesmo que o estado quente e denso visto sob outra perspectiva. A solução, segundo Penrose, poderia ser uma transformação geométrica complexa, que altera o tamanho, mas não a forma — já que tanto o conceito de tamanho como o próprio tempo podem deixar de fazer sentido em estados extremos. O estado frio e vazio existiria eternamente numa linha do tempo própria, enquanto o estado quente e denso habitaria uma nova linha temporal. Ainda que essa hipótese se comprove no futuro, a pergunta filosófica mais profunda ainda permanece: de onde veio a própria realidade física? De ciclos infinitos, cada um gerando o próximo com variações quânticas aleatórias? Ou de um único ciclo, repetido eternamente, como um universo que retorna sempre ao mesmo ponto, reproduzindo a si mesmo? Ao sugerir que cada ciclo do universo é único, Penrose abre a possibilidade de detectarmos vestígios do ciclo anterior na radiação cósmica de fundo que observamos hoje. Ele e seus colegas afirmam ter encontrado essas marcas nos dados coletados pelo satélite Planck, que mapeou com alta precisão essa radiação remanescente do Big Bang, e que, certos padrões circulares identificados nos mapas poderiam ser ecos de buracos negros supermassivos que existiram no ciclo anterior. Ainda que essas conclusões ainda sejam alvo de intenso debate entre os cientistas, um dia encontrarmos uma forma natural de transformar a cosmologia cíclica de múltiplos ciclos para um único ciclo fechado, e assim nosso Universo poderia ser um loop contínuo do Big Bang ao vazio e de volta ao Big Bang, num renascimento perpétuo do mesmo multiverso quântico onde tudo que pode acontecer acontece, e acontece de novo, de novo e de novo. Na mitologia nórdica, a serpente Jörmungandr, filha de Loki,, morde a própria cauda, criando o círculo que sustenta o equilíbrio do mundo. Como se vê, a pergunta "de onde viemos?" pode ser mais antiga do que imaginamos. As teorias são muitas, mas, ao fim e ao cabo, talvez todas nos levem de volta ao ponto de partida.
Continua...





