segunda-feira, 1 de junho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — AINDA SOBRE RELIGIÃO X CIÊNCIA

COSTUMAMOS ACHAR QUE O PIOR VAI ACONTECER PORQUE, QUANDO NÃO ACONTECE, O QUE É RUIM NOS PARECE RAZOÁVEL.


Como vimos no capítulo anterior, a possibilidade de existir um “ser superior” é plausível. No entanto, entre admitir essa hipótese e acreditar num 'criador' que distribui livre-arbítrio, recompensa os virtuosos e pune os pecadores, estende-se um abismo conceitual cuja travessia exige um considerável exercício de fé. Até porque qualquer pessoa minimamente inclinada ao questionamento refutaria a promessa de passar a eternidade tocando harpa num paraíso celestial ou assando no braseiro de um suposto “anjo caído”. 


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Uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, em vigor há quase quatro meses, vem dificultando o gerenciamento da crise provocada pelos áudios e mensagens trocados entre Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro sobre o repasse de R$ 61 milhões para o filme “Dark Horse”.

Desde 29 de janeiro, por decisão de Moraes, o ex-presidiário do mensalão e dono do PL, Valdemar Costa Neto, está proibido de se encontrar com o ex-presidente golpista, que está cumprindo 27 anos e três meses de prisão em regime temporariamente domiciliar.

Segundo aliados, o presidente do PL prefere Michelle a Flávio, mas nunca vai admitir em público e nem contrariar Bolsonaro, pois foi o capital eleitoral do ex-presidente quem lhe deu a maior parte da bancada e, portanto, dos fundos públicos aos quais seu partido tem direito.

Como os dois não podem conversar, Bolsonaro só tem acesso a informações sobre o cenário político pela imprensa, pelos filhos e pela mulher, Michelle, que não se dão bem e na prática disputam o espólio político de Jair.

Mesmo considerando que seria muito difícil o refugo da história da humanidade desistir da candidatura do filho em favor da mulher, lideranças do PL acreditam que ele poderia mudar de avaliação se pudesse discutir o caso em detalhes com aliados de confiança.

Para integrantes da legenda, Moraes “segue usando sua caneta para impedir comunicações e estratégias do PL”, o que em momentos críticos como o atual pode ser fatal para a direita. O impacto do escândalo já se reflete nas pesquisas eleitorais, como revelou o Datafolha no dia 22, ao apontar que Lula superou numericamente o adversário nas simulações de segundo turno (47% a 43%) na esteira do caso “Dark Horse”. No levantamento anterior, com a maioria das entrevistas realizadas antes do escândalo vir à tona, os dois estavam tecnicamente empatados, com 45%.

Antes de entrar na mira de Moraes e ser proibido de se encontrar com Bolsonaro, Valdemar chegou a atuar em parceria com o ministro do STF, que o chamou de “grande parceiro da Justiça Eleitoral” numa audiência reservada na sede do Tribunal Superior Eleitoral.

Pelo visto, a parceria não existe mais.


Questionar crenças enraizadas é fundamental. Somente pela reflexão se alcança uma espiritualidade mais ampla e profunda. Ainda assim, religiões de diferentes tradições continuam a apresentar tais narrativas como certezas inquestionáveis — embora elas raramente sobrevivam intactas a um escrutínio crítico. No espírito filosófico de Aristóteles, duvidar é o primeiro passo rumo à compreensão. Muito antes dele, Homero e Horácio já insinuavam que o desejo de permanecer na memória coletiva advém do medo inevitável da morte. Séculos depois, Platão ensinou no Mito da Caverna que a sabedoria começa quando ousamos desconfiar das sombras que tomamos por realidade.


Toda religião é verdade absoluta para quem a professa e mera fantasia para sectários de outras crenças. Em pleno século XXI, doutrinas improváveis continuam a mobilizar multidões dispostas a defender rituais e liturgias como se delas dependesse o equilíbrio do Universo. A história, porém, demonstra que convicções sobrevivem menos pela força das evidências e mais pelo conforto emocional que oferecem.


No Brasil — e em tantos outros lugares — ideias desacreditadas há séculos continuam sendo impulsionadas por desinformação, algoritmos complacentes e comunidades digitais fechadas em si mesmas. O terraplanismo talvez seja o exemplo mais emblemático. Ao observar eclipses lunares e mudanças na posição das estrelas conforme a latitude, Aristóteles concluiu há mais de 2 mil anos que a Terra era esférica — o que foi posteriormente confirmada por fotografias orbitais, satélites artificiais e missões espaciais.


Em Ensaio sobre a cegueira, o escritor português José Saramago ensinou que o pior tipo de cegueira é a mental, pois impede as pessoas de enxergar o que está diante delas. Sob essa perspectiva, a Terra plana deixa de ser apenas um equívoco científico para revelar a extraordinária capacidade humana de abraçar teorias estapafúrdias que a realidade insiste em contradizer — afinal, aceitar que a Terra é redonda requer apenas observação.


Deixando de lado essa e outras teses negacionistas, é curioso observar que, escudados durante séculos num ceticismo arrogante, luminares de alto coturno tratam as ciências antigas como superstições ignorantes. Todavia, após avançar às cegas pela história, a comunidade científica se deparou com uma encruzilhada há muito sugerida por textos antigos, calendários primitivos e até pelas estrelas.


Aos olhos dos não iniciados, as descobertas da ciência noética se confundem com prodígios de magia. Mas mito e magia se tornam realidade quando consideramos o potencial ainda não explorado da mente humana. Segundo os pesquisadores noéticos, o pensamento, quando adequadamente direcionado, é capaz de interagir com sistemas físicos mensuráveis.


Não se trata de truques de salão destinados a impressionar plateias crédulas, mas de investigações conduzidas sob condições controladas, cujos resultados sugerem uma interação entre a consciência e a matéria que, se confirmada em toda a sua extensão, indica que nossos pensamentos não só interpretam o mundo físico como participam dele, produzindo efeitos que alcançam até o domínio subatômico.


Talvez nossa mente não seja apenas uma espectadora da realidade, mas também — e sobretudo — sua principal arquiteta.


Continua…

domingo, 31 de maio de 2026

DICAS DE PATÊS CASEIROS DE DAR ÁGUA NA BOCA

QUANDO GERA CORRUPÇÃO NA CÉLULA SOCIAL, A POLÍTICA SE TORNA UM CÂNCER QUE DESTRÓI A SOCIEDADE E SEUS VALORES MORAIS.

Pãezinhos fresquinhos com manteiga ou requeijão vão bem no café da manhã ou no lanche da tarde. À noite, porém, um patê feito com ingredientes que a maioria de nós tem na geladeira garante um lanche mais saboroso, versátil e nutritivo — e também mais econômico, já que permite aproveitar sobras de legumes ou carnes que acabariam indo para o lixo.

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A nova pesquisa Meio Ideia ecoa um fenômeno ruinoso para a campanha do desafiante de Lula, que derreteu em sua própria gordura desde a revelação dos vínculos obscuros que o ligam a Daniel Vorcaro — sobretudo entre os eleitores ricos, os que se identificam com a centro-direita e os jovens da geração Lava-Jato, nichos onde viceja o antipetismo.

Há três semanas, o filho do refugo da escória da humanidade estava estatisticamente empatado com o macróbio que quer porque quer um quarto mandato. Na nova sondagem, amarga uma desvantagem de 5,1 pontos num cenário de primeiro turno e de 7 pontos numa eventual segunda rodada. Mas vale destacar que as intenções de voto que fugiram do filho do presidiário não correram para o ex-presidiário. Elas se refugiaram sob a marquise dos votos brancos e nulos — o percentual de eleitores que declaram a intenção de votar em branco ou anular o voto engordou 6,1 pontos. 

A cinco meses da eleição, os operadores do bolsonarinho administram uma estratégia de contenção dos danos produzidos pelo efeito Master, chegando mesmo a recorrer a Trump para trazer de volta o conservador antipetista que já parecia disposto a devolver o bolsonarismo ao Planalto.

Por mim, essa caterva poderia morrer com a boca cheia de formigas.

Para quem aprecia carne de aves — o que não é o caso deste humilde escriba —, o truque é desfiar sobras de frango assado ou cozido, misturar com 3 colheres (sopa) de maionese ou iogurte natural, acrescentar 1 cenoura pequena ralada, salsinha e cebolinha a gosto, temperar com sal e pimenta-do-reino, misturar bem e levar à geladeira por 30 minutos antes de servir.

O atum em lata é um ingrediente coringa. Para preparar o patê, amasse o conteúdo de uma lata de atum sólido com um garfo, misture com 1/2 cebola pequena picada e 2 colheres (sopa) de maionese ou creme de leite até formar uma pasta homogênea. Tempere com algumas gotas de limão, sal e pimenta-do-reino a gosto e mantenha na geladeira até a hora de servir. O limão corta o sabor mais intenso do peixe e deixa o patê mais leve. Para dobrar o rendimento, vale adicionar um ovo cozido bem picadinho à mistura.

Já o patê de cenoura é uma ótima opção para quem prefere algo mais leve. Bata no liquidificador (ou no processador) duas cenouras médias cozidas, 1 dente de alho, 2 colheres (sopa) de azeite e 1/2 pote de iogurte natural ou maionese. Tempere com sal, pimenta-do-reino e orégano a gosto. Se a mistura ficar muito espessa, acrescente uma colher da água do cozimento da cenoura.

Para fazer um patê de gorgonzola, roquefort ou bleu d’Auvergne — todos queijos de “mofo azul”; a diferença é que o primeiro é originário da Itália e produzido com leite de vaca, enquanto os outros dois, da França, são feitos com leite de ovelha —, basta misturar 250 g do queijo de sua preferência, cortado em cubos, com 2 colheres (sopa) de manteiga, 4 colheres (sopa) de azeite extravirgem, 4 ou 5 dentes de alho picados, 4 colheres (sopa) de salsinha picada e pimenta-do-reino a gosto. Para render mais e suavizar o sabor, use 100 g de queijo azul e complete com 150 g de ricota ou queijo minas frescal.

Fazer patê em casa é mais vantajoso do que comprar as versões industrializadas, tanto do ponto de vista econômico quanto da saúde. Assim, você se livra dos conservantes, do excesso de sódio e dos corantes artificiais presentes nos produtos vendidos nos supermercados. Sem contar que é possível ajustar sal, pimenta e ervas ao próprio paladar, deixar o patê mais cremoso ou mais pedaçudo, enfim… Também dá para substituir a maionese tradicional por opções mais leves, como iogurte natural, ricota ou creme de ricota caseiro, mantendo o sabor e reduzindo calorias de forma inteligente e econômica.

Como a maioria dos patês leva maionese, iogurte ou creme de leite, convém armazená-los em potes de vidro herméticos, que não retêm odores e ajudam a manter a temperatura mais baixa do que os de plástico. 

Igualmente importante é usar colher ou espátula limpa para retirar o patê do recipiente, evitando a contaminação cruzada que faz o alimento estragar mais rápido. 

Falando nisso, o tempo médio de conservação é de 3 a 4 dias. Se você preparar uma quantidade maior, divida em potes menores, abra apenas o que for consumir no dia e mantenha os demais bem fechados e refrigerados. 

Vale também trocar o pão francês por pão de forma, torradas caseiras feitas com pão amanhecido, bolachas cream cracker, club social e assim por diante.

Bom apetite.

sábado, 30 de maio de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — MAIS SOBRE PSICOTRÔNICA, RELIGIÃO E CIÊNCIA NOÉTICA

O HOMEM TEME O QUE NÃO COMPREENDE — E MAIS AINDA O QUE COMPREENDE PROFUNDAMENTE.

Vimos que a Psicotrônica — como os russos chamavam suas primeiras pesquisas envolvendo fenômenos paranormais — pode ser considerada a precursora daquilo que hoje se convencionou chamar de ciência noética, e que, durante a Guerra Fria, a URSS e os EUA teriam investido somas vultosas nesse campo.


Fala-se que a CIA mordeu a isca da desinformação russa e "correu atrás do próprio rabo com ciências marginais", como o projeto Stargate, que buscava desenvolver uma técnica conhecida como “visualização remota”, na qual pessoas em estado de transe profundo projetam a consciência para além do corpo visando observar eventos à distância. 


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Segundo a mitologia grega, Pandora foi criada por Hefesto e Palas Atena a mando de Zeus, que queria castigar Prometeu por roubar o fogo dos deuses e dá-lo aos homens. Depois de ganhar um dom de cada divindade de Olimpo, Pandora recebeu de Zeus uma caixa que jamais deveria ser aberta e a missão de seduzir o irmão de Prometeu, que, encantado com a formosura da moça e ignorando as advertências do irmão sobre aceitar presentes do deus dos deuses, tomou Pandora como esposa. 

Mas ao criar a mulher, Deus criou também a curiosidade. E a curiosidade levou Pandora a abrir a caixa e libertar todos os males que recaíram sobre a humanidade. A esperança ficou presa no fundo da caixa para nos ajudar a enfrentar as adversidades, mesmo que o mal muitas vezes vença o bem. E foi assim que "abrir a Caixa de Pandora" se tornou uma metáfora para ações que desencadeiam consequências maléficas e irreversíveis.

Revisito essa fábula por três motivos: 1) sempre gostei de mitologia; 2) muita gente usa essa metáfora sem saber sua origem; 3) insistir no erro esperando produzir um acerto é a melhor definição de imbecilidade que conheço. 

Em momentos distintos da ditadura, Pelé e o general Figueiredo alertaram para o perigo de misturar brasileiros com urnas em eleições presidenciais. Ambos foram muito criticados, mas o tempo provou que eles estavam certos: a cada dois anos, os eleitores tupiniquins fazem nas urnas, por ignorância, o que Pandora fez uma única vez, por curiosidade. E como ensinou o Conselheiro Acácio (personagem do romance O Primo Basílio), as consequências vêm sempre depois. 

Ao acompanhar o golpe de Estado que levou Napoleão III ao poder, Karl Marx concluiu que a história acontece como tragédia e se repete como farsa. Já o Barão de Itararé dizia que político brazuca é um sujeito que vive às claras, aproveita as gemas e não despreza as cascas, e o saudoso maestro Tom Jobim, que o Brasil não é para principiantes. E com efeito. 

Em 2018, nenhum dos 13 postulantes ao Planalto empolgava, mas por que se arriscar a acertar com Geraldo Alckmin, Álvaro Dias, Henrique Meirelles ou João Amoedo quando se podia errar com certeza escalando Bolsonaro e o bonifrate do então presidiário Lula para o segundo turno? Em 2022, as opções eram ainda menos atraentes, mas, de novo: por que correr o risco de acertar votando em Simone Tebet, Felipe D'Avila ou mesmo Ciro Gomes (situações desesperadoras justificam medidas desesperadas) quando se podia errar com certeza despachando Lula e Bolsonaro para o 2º turno?

Em ambos os pleitos a fatídica polarização fez com que tanto a merda quanto as moscas permanecessem as mesmas. A diferença é que em 2018 a parcela minimamente pensante do eleitorado foi levada a apoiar Bolsonaro para evitar que o país fosse presidido por um fantoche do presidiário, e em 2022 essa mesma parcela se viu forçada a embarcar na falaciosa "Frente Democrática" capitaneada pelo ex-presidiário "descondenado" para evitar mais 4 anos (ou sabe-se lá quantos) sob a batuta do refugo da escória da humanidade.

Há males que tempo cura, males que vêm para pior e males que pioram com o passar do tempo. Lula 3.0 é uma reedição piorada das versões 1 e 2, e como nada é tão ruim que não possa piorar, o macróbio cogita disputar a reeleição em 2026 (que os deuses nos livrem tanto dessa desgraça quanto da volta do aspirante a golpista encarnado em seu abominável primogênito).

As consequências da inconsequência do eleitorado tupiniquim são lamentadas todos os dias, inclusive por quem abriu a Caixa de Pandora achando que estava escolhendo o menor de dois males - o que se justifica quando e se não há outra opção. E tanto em 2018 quanto em 2022 havia alternativas; só não viu quem não quis ou não conseguiu porque sofre do pior tipo de cegueira que existe.

Einstein achava que o Universo e a estupidez humana eram infinitos, mas salientou que, quanto ao
Universo, ele ainda não tinha 100% de certeza. Alguns aspectos de suas famosas teorias não sobreviveram à passagem do tempo, mas sua percepção da infinitude da estupidez humana merece ser bordada com fios de ouro nas asas de uma borboleta. 


O conceito básico da visualização remota tem mais de sete mil anos. Os antigos sumérios registraram suas "viagens às estrelas" — experiências místicas fora do corpo nas quais a mente ia até as estrelas para observar mundos distantes. Supõe-se que alucinógenos como o ópio e o ácido lisérgico foram largamente utilizados para induzir estados alterados de consciência. De textos antigos como Rigue Veda e Mistérios de Elêusis até o clássico As Portas da Percepção, de Aldous Huxley, grandes autores sugeriram que substâncias psicodélicas poderiam expandir a consciência  — lembrando que essas sensações fora do corpo são um reflexo da realidade sem filtros, não de alucinações. Mas isso é outra conversa.


A habilidade fundamental de um visualizador remoto é a capacidade de induzir uma experiência fora do corpo, mas a questão é que pouquíssimas pessoas conseguem ter essas experiências espontaneamente — com a possível exceção dos epiléticos, mas isso também é outra conversa. Interessa dizer que vida após a morte é uma convenção criada pelas religiões para mitigar o medo da finitude e manter o "rebanho" na rédea curta com a promessa de recompensar os bons e punir os maus. 


Qualquer pessoa minimamente esclarecida deveria refutar a ideia de passar a eternidade tocando harpa numa nuvem ou assando lentamente em um espeto. A possibilidade de existir um ser superior é plausível — desde que não seja o deus vingativo dos pastores papa-dízimo e dos padres pedófilos. Todas as religiões são a verdade sagrada para quem as professa e uma fantasia para sectários de outros credos.


Mesmo as crenças mais estúpidas têm fiéis seguidores e fanáticos dispostos a defendê-las com unhas e dentes, embora elas sejam como um golpe de seguro: os fiéis pagam o prêmio e não têm como reclamar quando descobrem que a empresa que levou seu dinheiro não existe. No fim das contas, viemos do mistério e ao mistério retornaremos; caso exista algo além, dificilmente será o deus das igrejas.


Fiz uma pesquisa no Google e fiquei perplexo com a quantidade de vertentes religiosas. Católicos, metodistas, episcopalianos, mórmons, anglicanos, luteranos, presbiterianos, adventistas do sétimo dia, ortodoxos gregos, quacres, muçulmanos, budistas, judeus, hindus, etc., todos alegam ter linha direta com o Todo-Poderoso, mas muitos foram construídas sobre sangue e ossos dos que se recusaram a aceitar a ideia de Deus que eles pregam.


Romanos atiraram cristãos aos leões; cristãos mutilaram e queimaram hereges; Hitler sacrificou milhões de judeus ao falso deus da pureza racial; outros milhões de seres humanos foram eletrocutados, enforcados, esquartejados e envenenados... tudo em nome de um deus.


A promessa de que o Céu nos espera e que lá tudo fará sentido nos é impingida desde a infância na versão segundo a qual Papai Noel traz presentes para as crianças bem-comportadas e deixa as malcriadas a ver navios. Mais adiante, a falácia passa a ser "céu para os bons, inferno para os maus". Mas o paraíso é a cenoura, e o inferno, a vara. Padres, pastores. rabinos e afins ameaçam os pequenos com o fogo eterno por roubarem uma bala ou mentirem, mas não existe prova alguma disso, apenas uma certeza cega de que tudo tem um propósito.


A morte é a única certeza que temos na vida, porém o que acontece depois — se realmente existir um "depois" — intriga a humanidade desde as mais priscas eras. Os católicos acreditam que os bons vão para o Céu e os pecadores, para o Inferno, e os espíritas, que os maus reencarnam para evoluir espiritualmente. Entre os judeus, cada grupo tem sua própria versão do que seria a vida após a morte, e por aí segue o desfile de crenças, que é tão variado quanto o das escolas de samba na Marquês de Sapucaí.


A perspectiva da vida eterna vem sendo explorada desde sempre por proselitistas que alegam falar em nome de um deus cuja existência conseguem provar, embora soem convincentes — afinal, o sucesso do vigarista depende da capacidade de ludibriar as vítimas, como bem ilustra a origem do termo conto do vigário. No entanto, é fundamental não confundir fé com religião: ainda que elas andem de mãos dadas, tanto é possível ter fé sem ser religioso quanto seguir uma religião sem ter fé (apenas por tradição familiar ou convenção social). 


A fé individual independe de rituais, hierarquias ou dogmas. Ela surge movida por experiências profundas e pessoais — como um momento inesperado de conexão com a existência —, e se desenvolve sem a necessidade de intermediários ou tradições rígidas. Já a religião deveria servir para "religar" o homem a Deus, mas cada vertente define "Deus" à sua maneira.


Os primeiros textos védicos remontam a 1500 a.C., mas os conceitos que eles encerram foram transmitidos oralmente durante séculos. A frase "este é meu corpo", que Cristo teria dito na Última Ceia, é repetida até hoje durante a Eucaristia. Quando "lavou as mãos", Pilatos deixou clara a ligação entre religião e política — aliás, Igreja e Estado foram as duas faces da mesma moeda até a Revolução Francesa, e velhos vícios e maus hábitos são difíceis de erradicar.


Toda sociedade tem uma religião, toda religião tem um propósito social e toda cerimônia religiosa tem um ritual. O Seder de Pessach e a comunhão são adaptações litúrgicas de uma prática observada nos chimpanzés. Ainda que as religiões tenham perdido muito da empatia de antanho, fenômenos complexos se desenvolvem a partir de começos simples, e tudo o que fazemos é influenciado por nossa história biológica e cosmológica.


Ao longo da História, Cristo, Buda, Maomé, Krishna e outros ícones religiosos deixaram mensagens para determinados povos em determinadas épocas, mas em vez de levarem à unidade, ao amor e ao bem de todos, essas mensagens foram deturpadas para atender a interesses escusos daqueles que detêm o poder e o utilizam para manipular seus semelhantes. 


Há fortes evidências de que o Universo surgiu há 13,8 bilhões de anos e o homo sapiens, há cerca de 300 mil anos — a partir da evolução de outros primatas, e não de Adão e Eva. O Velho Testamento foi transmitido oralmente até 1200 a.C., quando as lendas e tradições que o compõem foram compiladas por Moisés durante sua longa jornada pelo deserto do Sinai em busca da terra supostamente prometida por Jeová a Abraão e seus descendentes. 


Observação: Talvez o sol escaldante explique por que o autor do Pentateuco retratou o Criador como uma entidade rancorosa e vingativa, tão diferente da imagem vendida nas igrejas, templos, mesquitas e sinagogas por padres, pastores, imãs e rabinos que, em vez de oferecer orientação e conforto espiritual aos fiéis, ameaçam-nos com a "danação eterna".

 

As religiões são como os vaga-lumes: precisam da escuridão para brilhar e são úteis para os poderosos, que lhes dão ares de verdade para ludibriar os menos esclarecidos, e portanto é fundamental questionar as crenças enraizadas, pois somente a partir da reflexão que se alcança uma espiritualidade mais ampla e profunda.


A possibilidade de existir um ente superior é admissível, mas como acreditar num "criador" que concede livre-arbítrio às criaturas, promete recompensar os "bons" com a vida eterna num inverossímil "paraíso celestial" e punir os "maus" com o fogo eterno num hipotético inferno comandado por um "anjo caído"?

 

A rigidez das religiões perpetua tradições e práticas que raramente resistem ao questionamento crítico, enquanto a fé resultante de experiências espirituais e emocionais leva as pessoas a acreditarem em algo que não lhes foi enfiado goela abaixo por dogmas religiosos. A flexibilidade faz com que a fé se adapte aos valores e interpretações de cada um, e sua relação com a religião é ainda mais intrigante quando se questiona a natureza da divindade. 


A ciência não invalida a fé — ela a expande. Mas a complexidade do Universo pode ser contemplada e apreciada sem uma explicação esotérica. Ao afirmar que somos poeira das estrelas, o astrofísico Carl Sagan descortinou um vasto Universo sem uma figura divina. Ainda assim, a fé (não confundir com as religiões) pode ser definida como uma admiração pelo Universo, uma disposição para o questionamento, uma abertura ao desconhecido, uma busca por novas respostas, um modo de honrar o mistério da existência. 


Einstein dizia que "o mistério é a fonte de toda verdadeira arte e ciência". Spinoza e outros grandes pensadores viam no Universo uma ordem tão majestosa que, mesmo sem acreditar em um deus pessoal, sentiam-se conectados a uma força criadora e consideravam a busca pelo conhecimento um ato quase espiritual.


A busca pelo autoconhecimento mostra que a espiritualidade desvinculada das religiões pode ser uma maneira de nos conectarmos com o mundo sem a necessidade de um conjunto de crenças formais. Nesse contexto, a fé se torna uma prática interior, uma jornada de descoberta pessoal que aceita as incertezas da existência.


Enquanto as religiões tradicionais impõem normas e rituais rígidos, a espiritualidade pessoal se ajusta aos valores e necessidades de cada um. Meditação, contemplação da natureza ou mesmo o simples exercício de gratidão são maneiras de alinhar a vida com uma ordem maior. Uma fé íntima e universal, que respeita o mistério sem se prender às religiões formais nem enjeitar as tradições, aceita respostas parciais, valoriza o caminho, celebra o mistério e dá um sentido mais original à espiritualidade. 


Continua…

sexta-feira, 29 de maio de 2026

O BIG BANG TEM UM "ANTES"?

PERGUNTAR O QUE HAVIA ANTES DO BIG BANG É COMO QUERER SABER O QUE EXISTE ACIMA DO POLO NORTE.

Se o espaço-tempo é uma superfície fechada sem fronteiras, como definiu Stephen Hawking, então o conceito de "antes" não faz sentido, Dito isso, especular sobre o que havia antes da grande expansão é como discutir o que existe ao norte do Polo Norte. 

Segundo Albert Einstein, o Universo e a estupidez humana são infinitos. Talvez por isso algumas pessoas confundem perseverança com teimosia. 

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Bolsonarinho superestimou a foto com Trump. Imaginando que esconderia atrás da fumaça obtida em Washington a crise provocada pela relação promíscua com Daniel Vorcaro ateou na campanha, não se deu conta de que usar o trumpismo como cortina de fumaça é como brincar dentro de um paiol.

Se o PT tivesse que organizar a agenda do rival em Washington, não faria melhor. O primogênito do refugo da escória da humanidade foi à Casa Branca com o irmão Dudu Bananinha e se comparsa Paulo Figueiredo — chefes do departamento anti-Brasil que o bolsonarismo mantém nos Estados Unidos. 

Na conversa com os repórteres, o pré-candidato tentou fugir das perguntas sobre Vorcaro, mas foi desmentido pelo governador bolsonarista Tarcísio de Freitas, que soou como um aliado da onça a 7.700 quilômetros de distância: "Tem muitas questões que ele precisa explicar." O ministro André Mendonça, outro amigo da Famiglia Bolsonaro, mandou a PF à cobertura do bolsonarista Cláudio Castro. Os mais de R$ 3 bilhões desviados sob Castro do Rioprevidência para o Master carbonizam o lero-lero segundo o qual não há dinheiro público nos milhões que o Dark Potro pediu a Vorcaro para investir no filme Dark Horse. Haja cortina de fumaça para tantas labaredas.

Ao tratar Trump como cabo eleitoral, os bolsonaristas convidam Lula a desenrolar novamente a bandeira da soberania.

Um estudo conduzido pelos renomados matemáticos Ghazal Geshnizjani, do Perimeter Institute, Jerome Quintin, da Universidade de Waterloo, e Eric Ling, da Universidade de Copenhague, analisou a singularidade do período anterior ao Big Bang à luz da relatividade geral. A teoria atualmente dominante na comunidade científica sustenta que o Universo nasceu há 13,8 bilhões de anos, expandindo-se exponencialmente numa fração de segundo, impulsionado por uma forma de energia que se opõe à gravidade, e o estudo questiona se a singularidade do Big Bang tal como descrita hoje é realmente um fenômeno físico ou apenas um artefato matemático. 

Para esclarecer essa questão, considera-se a função matemática 1/x. Quando x se aproxima de zero, a função torna-se indefinida — ou seja, não pode ser calculada. Se a singularidade do Big Bang funcionasse de forma análoga, seria apenas uma ilusão matemática, sem correspondência com a realidade física. Uma comparação útil é o meridiano de Greenwich: se houvesse uma função baseada em "1/longitude", ela seria indefinida naquele ponto (longitude zero). 

Fisicamente, não há nada de anômalo nas regiões atravessadas por essa linha imaginária. O problema seria trivial — bastaria reposicionar o ponto de referência zero. Por essa lógica, se a singularidade do Big Bang fosse apenas um artefato matemático similar, o Universo poderia ser descrito consistentemente sem recorrer a ela, mediante uma simples redefinição dos parâmetros iniciais.

Algo semelhante já foi observado nas análises matemáticas de buracos negros. Uma das primeiras equações sobre esse tipo de objeto foi publicada em 1916 por Karl Schwarzschild, e apontava uma singularidade no horizonte de eventos. Anos depois, ao empregar outro sistema de coordenadas, o astrônomo Arthur Eddington demonstrou que essa singularidade não estava ali, mas em outro ponto.

Em contraste, o centro de um buraco negro não pode ser eliminado por uma simples mudança de coordenadas. Ali, a densidade e a curvatura do espaço-tempo tornam-se genuinamente infinitas — uma singularidade real. A proposta do trio de pesquisadores é justamente investigar se a singularidade do Big Bang se assemelha ao centro de um buraco negro — um ponto final inevitável — ou se está mais próxima de um horizonte de eventos: um limite aparente que desaparece quando se muda a forma de descrever o espaço-tempo.

Talvez o Big Bang não seja o “começo de tudo”, mas apenas o limite do que nossas equações conseguem enxergar sem entrar em curto-circuito. A singularidade, nesse caso, diria menos sobre a origem do Universo e mais sobre os limites da nossa matemática — e da nossa imaginação. 

Sempre que a ciência encontra uma parede, há quem insista em atravessá-la a marretadas metafísicas. E aí voltamos a Einstein: se o Universo é infinito, a nossa disposição para forçar respostas onde talvez só caiba silêncio parece disputar seriamente o segundo lugar.