terça-feira, 3 de março de 2026

DICAS E MAIS DICAS

SE COMEÇARMOS A DIZER CLARAMENTE QUE A DEMOCRACIA É UMA PIADA, UM ENGANO, UMA FACHADA, UMA FALÁCIA E UMA MENTIRA, TALVEZ
PASSEMOS A NOS ENTENDER MELHOR. 

O ancestral mais remoto da calculadora surgiu há cerca de 5.000 anos, o primeiro "cérebro eletrônico", em meados do século passado, e os primeiros microcomputadores, nos anos 1960, mas só se popularizaram nos anos 1990, e perderam o protagonismo para os smartphones depois que a Apple lançou o icônico iPhone (2007).


O aumento da demanda por mobilidade propiciou o surgimento de notebooks com hardware comparável ao dos desktops, mas um levantamento feito pela FGV em 2023 apontou que 70% dos 364 milhões de dispositivos digitais portáteis ativos no Brasil são smartphones (média de 1,2 por habitante), que, a exemplo de seus “irmãos maiores”, são suscetíveis a pragas digitais, bugs e travamentos.


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É no Judiciário que se acumulam as mais fartas e escandalosas concessões de auxílios, e ali que deve se concentrar a resistência; senão ao fim, ao menos a uma reorganização da farra com o dinheiro público. Quando Dino partiu ao encalço do uso indevido de emendas parlamentares, o Congresso fez de conta que aderiu ao pacto proposto em 2024, mas até hoje cria atalhos para fugir das correções.

Está nas mãos do Supremo levar adiante a cruzada ou ceder ao canto das regalias das quais também se beneficia.

Falando em histórias da Carochinha, a política, que é a arte de engolir sapos, vai mais além em período eleitoral, pedindo apoio aos aliados, votos ao eleitorado, e mentindo para ambos. Tarcísio de Freitas engoliu o sapo do veto de Bolsonaro a seu plano de disputar o Planalto, e agora é convidado pelo filho do pai a acreditar que existe vida após a morte dos projetos políticos.

Nessa coisa de crença, convém agir com cuidado sob pena de maltratar a faringe. Quem acredita piamente em tudo o que ouve não pode ter de engolir elefantes em vez de sapos.

Bolsonaro elegeu-se em 2018 combatendo a reeleição. No trono, mudou de ideia. Derrotado em 2022, tentou o golpe. Preso, empurrou o filho para a urna. Quer dizer: Flávio está preso à ideia de extinguir a reeleição por grilhões de barbante.


Enquanto os tradicionais computadores de mesa e portáteis permitem incontáveis combinações de CPUs, placas-mãe, módulos de memória RAM, HDDs, SSDs etc., os smartphones nascem e morrem como o mesmo hardware. Os aplicativos projetados para eles são mais leves e menos exigentes, e o próprio sistema se encarrega de gerenciá-los. O Android dispõe de um vastíssimo ecossistema de apps, mas o usuário deve instalar somente os necessários — e fazê-lo a partir da Google Play Store ou das lojas de apps do fabricante do aparelho.


Mesmo que esses dispositivos substituam com vantagens os desktops e notebooks como instrumento de trabalho, entretenimento, compras, pagamento de contas etc., algumas tarefas ainda requerem telas de grandes dimensões, teclado e mouse físicos e poder de processamento superior. Assim, é recomendável manter um notebook em casa — além de oferecer mobilidade e portabilidade, essa arquitetura substitui os jurássicos computadores de mesa.


Para prolongar a vida útil do notebook, evite operá-lo no colo, sobre travesseiros, almofadas, colchas ou edredons — o bloqueio das ranhuras de ventilação pode dificultar a troca do ar quente dissipado pelos componentes internos pelo ar fresco do ambiente.


Para limpar a tela (tanto dos notes quanto dos smartphones e monitores), use um produto apropriado, vendido em lojas de suprimentos para informática — o álcool isopropílico possui menos de 1% de água, mas ser usado em telas sensíveis ao toque, com ou sem película de proteção. Fuja do álcool em gel, que possui emulsificantes e hidratantes — e evite usar detergente de louça, limpa-vidros, alvejantes à base de amônia, esponjas, escovas duras ou produtos abrasivos, que podem causar manchas e outros danos irreversíveis.


Proceda à limpeza com um pano de microfibras — toalhas de papel ou papel higiênico tendem a espalhar a sujeira pela tela e causar arranhões permanentes — borrife o produto no pano — que não deve ficar encharcado, apenas levemente umedecido — esfregue delicadamente e dê acabamento com uma flanela. Para remover a sujeira que se acumula entre a tela e a moldura dos notes, use um cotonete ou uma escova de cerdas macias. Caso a tela esteja rachada, evite líquidos. Na dúvida, siga as recomendações do fabricante do aparelho.


Crie senhas fortes, não as repita, reutilize ou compartilhe com quem quer que seja (namoros terminam, noivados são rompidos, casamentos acabam em divórcio — nem sempre de forma amigável — e segredo entre três, só matando dois) e recorra sempre que possível à dupla autenticação. Mantenha o sistema e os programas devidamente atualizados e invista numa boa suíte de segurança.


Observação: John McAfee, criador do primeiro antivírus comercial, disse que os programas antimalware são obsoletos (detalhes nesta postagem), mas, com a possível exceção da virtualização, não existe outra maneira de manter o computador protegido, e nenhum sistema operacional é imune a malwares e/ou ataques baseados em engenharia social


Quase ninguém lê aqueles textos intermináveis (EULA), que descrevem o que os usuários podem ou não fazer com os aplicativos. Isso se deve ao fato de a instalação só seguir adiante depois que o usuário clica em "Yes", "OK" "Submit", etc., mas muitos apps (sobretudo os gratuitos) trazem módulos adicionais que exibem toneladas de propaganda como forma de incentivar o upgrade para a versão paga, e outros, ainda mais invasivos, se auto-concedem permissões de administrador, pondo em risco a privacidade e a segurança do aparelho.


Evite expor o smartphone a altas temperaturas — como no porta-luvas do carro sob o sol meridiano do verão tupiniquim — molhá-lo na praia ou na piscina (eletroeletrônicos geralmente temem umidade) — e fazer compras online ou acessar aplicativos bancários utilizando redes Wi-Fi de lojas de departamento, hipermercados, aeroportos e assemelhados. Faça o logoff de sua conta de email ou rede social após o uso e só desconecte pendrives e outras mídias de armazenamento externo depois de encerrar a transferência de dados. 


Os dispositivos computacionais e os sistemas operacionais evoluíram muito nas últimas décadas, mas a segurança depende em grande medida do usuário. Muita gente utiliza 123456 como senha e acha que antivírus é superstição. Em outras palavras, o maior gargalo da tecnologia continua sendo a pecinha que fica entre a cadeira e o monitor, que ignora avisos, recicla senhas, clica onde não deve e jura que "o computador enlouqueceu sozinho".

segunda-feira, 2 de março de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 79ª PARTE

SE O PROBLEMA TEM SOLUÇÃO, NÃO HÁ RAZÃO PARA SE PREOCUPAR; SE O PROBLEMA NÃO TEM SOLUÇÃO, DE NADA ADIANTA SE PREOCUPAR.  

Trinta anos atrás, os físicos provaram que a comunicação entre duas partículas entrelaçadas é instantânea. A experiência original envolvia o uso de um imã para inverter a polaridade de uma das partículas, o que fazia a polaridade de sua partícula gêmea se inverter de imediato, quer ela estivesse localizada no mesmo recinto ou a quilômetros de distância.

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Segundo um velho axioma da política tupiniquim, CPI a gente sabe como começa mas não sabe como acaba. Geralmente acaba em pizza, mas houve casos notórios em que essas comissões produziram resultados. Um bom exemplo é a CPI da Pandemia. Bolsonaro não foi punido porque Augusto Aras, antiprocurador-geral e esbirro do capetão, moveu mundos e fundos para blindar seu amo e senhor.  

A CPI do Crime Organizado começou de forma bombástica, convidando o presidente e o ex-presidente do BC, ex-ministros da Fazenda de diversos governos, um ministro palaciano atual e togas do STF. No entanto, ao contrário de convocações, Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e outros "convidados" não estão obrigados a depor — embora devessem esclarecer suas eventuais ligações com um banqueiro acusado de fraude.

Paralelamente, a CPI está tentando quebrar o sigilo de uma empresa controlada pelo Maquiavel de Marília, e aí o jogo se torna mais perigoso para todos os envolvidos.

Dado o amplo grau de compra de acesso exercido pelo dono do Banco Master em vários setores da política brasileira, o apetite no Parlamento por uma CPI voltada apenas para o tal banco é bastante reduzido.

Segundo matéria publicada no Economist, o STF está envolvido em um "enorme escândalo", mas o Senado barrou a quebra de sigilo do escritório da mulher de Moraes. Nos bastidores, o entendimento foi de que uma eventual quebra de sigilo poderia desencadear um confronto institucional com o STF.

Triste Brasil.


Levando o raciocínio mais além, cientistas chineses realizaram o mesmo experimento usando satélites e demonstraram que duas partículas entrelaçadas permaneciam “instantaneamente conectadas” a uma distância de 12 mil quilômetros. A revista Science Magazine publicou a matéria de capa "China quebra o recorde de ‘Ação Fantasmagórica à Distância’", referindo-se à expressão cunhada por Einstein em meados da década de 1930.

ObservaçãoA chave para esse processo é o entrelaçamento quântico: quando duas partículas estão entrelaçadas (ou emaranhadas, como alguns preferem dizer), a alteração no estado de uma delas provoca uma mudança imediata na outra, independentemente da distância que as separa. Usando uma interface de rede fotônica, pesquisadores da Universidade de Oxford conectaram com sucesso dois processadores quânticos separados para formar um único computador quântico totalmente conectado. A informação foi transferida de um fóton para outro, com a velocidade da luz, sem que o fóton original se movesse fisicamente, mas o transporte de matéria exigiria transformar um objeto em informação e, em seguida, a informação captada em uma reprodução em outro lugar usando uma espécie de impressora 3D. Mas isso já é outra conversa e fica para uma outra vez.

Os cientistas demonstraram há décadas que o pensamento humano, quando focado, é literalmente capaz de alterar a química corporal do indivíduo, mas o conceito de cura remota continua sendo visto com ceticismo, considerado vudu e tratado com desdém por parte da medicina. Sei de pessoas com QI superior a 140 que dão por verdade a fábula da criação do mundo segundo Gênesis e que acreditam que os seres humanos provêm de Adão e Eva, a despeito dos indícios científicos acachapantes da evolução e de os arqueólogos terem encontrado fósseis com mais de três milhões de anos.

"Eu acredito que Deus espalhou esses indícios como um truque para testar minha fé", afirmam os fanáticos religiosos, e se você acha que eles têm um apego irracional pela própria visão do mundo, é porque não conhece alguns acadêmicos catedráticos que tendem a seguir agarrados a suas crenças, mesmo depois de seus modelos ficarem claramente obsoletos.

Voltando ao mapa dos atalhos cósmicos, talvez as chaves do tempo não estejam apenas nas equações de Einstein, mas também nas entrelinhas da curiosidade humana — esse motor que, desde H.G. Wells, insiste em girar no sentido contrário das impossibilidades.

Conforme eu mencionei no final do capítulo anterior, há quem diga que o primeiro a testar uma dessas teorias não foi um físico, mas um homem comum, cujo desaparecimento intriga tanto quanto as equações que ele dizia ter decifrado. Em última análise, impossível mesmo é voltar atrás depois de cruzar o horizonte de eventos da própria curiosidade.

Continua…

domingo, 1 de março de 2026

COMPLEMENTOS QUE NÃO PODEM FALTAR NO CHURRASCO

A POLÍTICA É A CIÊNCIA DA CORRUPÇÃO.

Além das carnes suculentas, um bom churrasco inclui acompanhamentos que vão do clássico ao criativo. Bons exemplos são os molhos à campanha, vinagrete e chimichurri, mas alguns comensais não dispensam uma Salada Cesar cujas folhas crocantes, molho cremoso e lascas de parmesão ornam perfeitamente com carnes grelhadas.

Se você está entre aqueles que preferem farofa de ovo, derreta 100 g de manteiga numa frigideira, adicione meia cebola picada e 2 dentes de alho picados e refogue bem. Junte mais 100 g de manteiga e 6 ovos batidos, mexendo bem. Quando dourar, acrescente 150 g de farinha de mandioca fina e finalize com 1/2 xícara de cheiro-verde picado, sal e pimenta-do-reino a gosto.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Decorridos dois meses do lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto, o apoio de Tarcísio de Freitas continua sendo um compromisso de gogó. O governador de São Paulo condiciona nos bastidores seu empenho na campanha do filho do pai à formalização de um compromisso político que inclua o fim da reeleição.

Essa mesma promessa foi feita por Bolsonaro em 2018 e por Lula em 2022, mas ambos varreram-na para debaixo do tapete.

O instituto da reeleição foi embutido na Constituição Cidadã e aprovada no Congresso sob atmosfera vadia, com vozes de deputados pilhados numa fita estampando a compra de votos. Aprovada a PEC, Fernando Henrique se reelegeu em 1998; em 2020, com 23 anos de atraso, reconhecer que foi um erro, e hoje defende um mandato de cinco anos, sem reeleição.

Os operadores políticos da campanha bolsonarista esperam que a aliança com Tarcísio evolua do gogó para a concretização formal de um acordo, mas o êxito nas urnas contra um adversário que combina o carisma pessoal com o controle da máquina federal, é incerto.

Se a carbonização do sonho presidencial de Tarcísio serviu para alguma coisa, foi para reforçar a percepção de que, para os aliados da família Bolsonaro, a confiança cega é apenas um passo que antecede o arrependimento futuro.

O pão de alho é uma maneira saborosa de aproveitar pães franceses amanhecidos. Basta besuntá-los com uma pasta de alho, maionese, orégano, cheiro-verde picado ou outros temperos a gosto, polvilhar queijo provolone ralado, envolvê-los em papel-alumínio e levá-los à churrasqueira ou ao forno até que fiquem dourados e crocantes por fora, e macios por dentro.

Batatas ou polentas fritas também são excelentes acompanhamentos. Para fries sequinhas e crocantes como as do McDonald’s, o ideal é usar uma fritadeira elétrica industrial, mas você obtém bons resultados fritando-as em duas etapas. Numa panela de borda alta, aqueça o óleo a 120 °C–140 °C, coloque um punhado de batatas por vez (evitando que o óleo esfrie e elas grudem umas nas outras), retire-as antes que dourem, escorra-as numa peneira de metal e repita o processo com as demais. Ao final, aumente a temperatura para 180 °C, mergulhe as batatas “pré-fritas”, deixe-as atingir a cor desejada, torne a escorrer, salgue e sirva.

Observação: Polvilhar uma colher (sopa) de amido de milho sobre as batatas cruas e misturar até que fiquem levemente cobertas cria uma camada de proteção que evita o encharcamento. O resultado é ainda melhor se você as deixar de molho numa vasilha com água e duas colheres (sopa) de vinagre por 10 minutos, secá-las com um pano de prato e só então polvilhar o amido.

Para a polenta (calcule cerca de 80 g a 100 g por pessoa), dissolva 2 a 3 xícaras de fubá mimoso em um litro de água fria, mexa bem para não formar grumos, leve ao fogo médio e, quando começar a ferver, mexa sem parar por 10 a 15 minutos, até a polenta engrossar e começar a desgrudar do fundo da panela. Tempere com sal e pimenta e reserve. Em outra panela, refogue a cebola e o alho na manteiga até dourar levemente, misture esse refogado à polenta, despeje em um refratário untado com óleo, cubra e leve à geladeira por 4 a 6 horas ou até ficar bem firme. Na hora de degustar, você pode aquecer novamente, cortar em bastões  com a grossura de 1 dedo, empanar e fritar por imersão em gordura bem quente e grelhar, ou então degustá-la cremosa, com queijo ralado por cima. 

Para algumas pessoas, arroz branco, biro-biro, com alho ou dourado na manteiga são tão indispensáveis quando a linguiça, mas quando o acompanhamento rouba a cena é porque alguma coisa deu errado na grelha. 

Abusar da maionese de batata antecipa a sensação de saciedade, o que é útil quando a carne é pouca, mas frustrante para quem prefere picanha a salada russa. O mesmo vale para provolone grelhado (com orégano ou chimichurri seco), queijo coalho (pincelado com manteiga e ervas), queijo brie (envolto em papel-alumínio com alho assado ou mel), cebola em pétalas (direto na grelha) e alho inteiro assado (para espalhar no pão ou na carne).

No fim das contas, churrasco é menos sobre o que se serve e mais sobre não estragar o que já está bom.

Bom apetite.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

O PAÍS DO FUTURO QUE NUNCA CHEGA

BRASIL, UM PAÍS DE TOLOS

A coisa vai de bem a melhor nesta republiqueta de bananas.

No STF, Dias Toffoli finalmente deixou a relatoria do caso Master, mas o imbróglio não deixou o escolhido de Lula, em 2009, para ocupar a vaga de Menezes Direito, embora ornassem o currículo do Maquiavel de Marília duas reprovações seguidas em concursos para juiz de primeira instância em São Paulo.

André Mendonça, o ministro terrivelmente evangélico que Bolsonaro acomodou na vaga de Marco Aurélio Mello, ora acumula a relatoria dos dois escândalos mais rumorosos da República (o roubo das aposentadorias do INSS e as fraudes do Master). Na contramão do antecessor, ele mandou Davi Alcolumbre franquear à CPI o acervo do celular de Daniel Vorcaro, permitindo à PF prosseguir com as investigações.

Exemplo de corporativismo, o ninho de togas se uniu para livrar o colega Toffoli do impedimento, e ainda criticou duramente a PF — sem a qual jamais teria encerrado o caso Marielle Franco (fosse com oito ou com oitenta anos de atraso).  

O julgamento dos mentores foi como a radiografia que expõe as células de um tumor já em metástase. Na cobertura da “orcrim” estavam um conselheiro do TCE-RJ e um deputado federal cassado; abaixo deles, um ex-chefe da Polícia Civil e policiais militares. Mas as condenações não são a cura, e sim parte do tratamento, já que, no banco dos réus, o sujeito oculto era o próprio Estado infiltrado por criminosos.

Na capital fluminense, crime e política operam em regime de coalizão. A doença evoluiu da contaminação para a fusão: quando não concorrem diretamente, os milicianos e os traficantes tornam-se sócios; quando não concorrem, elegem representantes na Câmara Municipal, na ALERJ e no Congresso, indicam prepostos para cargos públicos — inclusive na segurança. Para saber como o câncer evolui, basta olhar o que acontece no México.

Há em Brasília dois tipos de políticos: os que temem o enrosco e os que vivem de desgastar os enroscados. Numa escala de zero a dez, a hipótese de uma combinação como essa terminar bem marca menos onze.

Com as bênçãos do pai presidiário, o ex-deputado das rachadinhas, dos panetones e das mansões milionárias amealhou parte do eleitorado bolsonarista e votos da direita mais ampla, aparecendo tecnicamente empatado com Lula na maioria das pesquisas. 

Eleições altamente polarizadas costumam ser decididas pelos “isentões” (ou “nem-nens”), que não têm bandido de estimação. Em 2018, o misto de mau militar e parlamentar medíocre derrotou o bonifrate do então presidiário mais famoso do Brasil por 13% dos votos válidos. Em 2022, já solto, descondenado e reabilitado politicamente, Lula venceu Bolsonaro pela diferença irrisória de 1,76%.

A polarização desembarcou em Pindorama junto com Cabral e esteve presente em todos os capítulos da nossa história. O quadro se agravou com a rivalidade entre mortadelas e coxinhas, que atravessou décadas até 2002, quando Fernando Henrique não conseguiu emplacar José Serra seu sucessor e entregou “de bandeja” a presidência para Lula, derrotado antes por Collor em 1989 e pelo próprio FHC em 1994 e 1998.

Em 2010, o desempregado que deu certo declarou que a disputa seria “nós contra eles”, acirrando esquerda e direita. Depois de escolher Dilma para manter aquecida a poltrona que pretendia voltar a disputar em 2014, falou em “extirpar” o DEM (atual União Brasil) da política tupiniquim. Durante a campanha da pupila, retomou o ramerrão vomitativo do “nós contra eles” e rebateu acusações de incompetência que a nefelibata da mandioca vinha colecionando.

Em 2016, após o segundo impeachment da Nova República, Lula chamou o vice Michel Temer de “golpista” e vociferou que “a direita raivosa cresce quando os jovens rejeitam a política”. Em 2018, quando o TRF-4 aumentou a pena do camelô de empreiteiras no caso do triplex para 12 anos e 1 mês, a estrelinha vermelha Gleisi Hoffmann — codinomes “coxa” e “amante” nas planilhas da Odebrecht — vaticinou que “para prender Lula seria preciso matar muita gente”. Mas ninguém morreu, noves fora as mais de 700 mil vítimas da Covid durante a gestão negacionista do capetão genocida. 

Lula teve as férias compulsórias interrompidas após míseros 580 dias quando o STF anulou seus processos a pretexto da incompetência territorial da 13ª Vara Federal — tese escatológica que já havia sido rejeitada uma dezena de vezes pela própria Corte. Na pré-campanha de 2022, com a cara de pau que Deus lhe deu, desdenhou dos antigos adversários: “agora quem acabou foi o PSDB”. Os tucanos reagiram dizendo que o PT passara anos tentando reescrever a história, semeando ódio, perseguindo adversários, dividindo a sociedade e montando uma usina de fake news. 

Posteriormente e com a mesma cara de pau, Bolsonaro “lamentou” o 8 de janeiro, atribuiu o vandalismo a uma armadilha da esquerda e afirmou que os ataques às sedes dos Poderes não configuraram tentativa de golpe. O palanque ambulante respondeu dizendo que o rival era um presidente sem controle emocional, desmoralizado pela quantidade de mentiras contadas durante a campanha, que inventou aquilo tudo e ainda fugiu porque não teve coragem de participar.

Todo fato tem pelo menos três versões: a sua, a minha e a verdadeira. Também são três os tipos de polarização: na ideológica, diverge-se sobre programas políticos; na social, as diferenças socioeconômicas dividem; na afetiva, até a imagem ou o som da voz do adversário provoca reações viscerais. 

Basta lembrar a última gestão Vargas, quando situação e oposição não dialogavam, não se reconheciam nem autorizavam a existência uma da outra. Em 1954, o suposto “suicídio” do tirano baixou a fervura, mas não impediu que a polarização crescesse até desaguar no golpe de 1964 — que Bolsonaro tentou reprisar em 2022, sem sucesso, por falta de apoio das Forças Armadas.

Nada de bom resulta de um cenário em que desavenças e violência política continuam crescendo. Um passo necessário — ainda que insuficiente — para recolocar o Brasil nos eixos é drenar a intolerância do discurso político. Mas só Deus e o diabo sabem quando — e se — isso acontecerá. Até lá, o parteiro do Brasil Maravilha e o mito dos descerebrados continuarão empenhados numa repugnante desumanização mútua e esmerdeando-se ao estendê-la aos apoiadores dos respectivos rivais.

Enquanto a régua de muares insistir em fazer, a cada eleição, por ignorância, o que Pandora fez com sua caixa uma única vez, por curiosidade, será mais fácil nevar no inferno do que um país assim dar certo.

Triste Brasil.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 78ª PARTE

YESTERDAY'S GONE, TOMORROW NEVER COMES.

Publicado por H.G. Wells em 1895, o romance A Máquina do Tempo não só inaugurou o conceito de uma tecnologia capaz de nos levar a outros pontos da linha temporal como espaço para dilemas filosóficos e sociais e forneceu material para os escritores e roteiristas de ficção científica.

Nos filmes, os buracos negros são retratados como “atalhos” que permitem percorrer milhares de anos-luz em poucos segundos e chegar a outras galáxias, neste ou em outro universo, no passado ou num ponto futuro da linha do tempo, mas esse papel cabe na verdade aos buracos de minhocatambém como Pontes de Einstein-Rosen.

Previstos nas soluções teóricas das equações da relatividade geral, esses túneis cósmicos ficam nas imediações ou no interior dos buracos negros. No entanto, enquanto os buracos negros “engolem” tudo que atravessa seu horizonte de eventos, os buracos de minhoca só permitem uma travessia segura se permanecerem abertos e estáveis por tempo suficiente, e isso exigiria uma quantidade imensa de um tipo hipotético de matéria com massa negativa e propriedades antigravitacionais que nunca foi observadas na natureza.

Alguns modelos matemáticos sugerem que atravessar um buraco de minhoca pode ser mais demorado do que fazer a viagem pelo espaço convencional, pois a geometria interna do túnel poderia se alongar de forma imprevisível, tornando-o não apenas inútil, mas potencialmente perigoso. Esse paradoxo entre a promessa da ficção científica e as limitações da física teórica ilustra o quanto ainda há para compreender sobre a verdadeira natureza do espaço-tempo.

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O julgamento dos mentores do assassinato de Marielle Franco foi como a radiografia que expõe as células de um tumor que virou metástase, e as condenações são parte do tratamento, não a cura.

Na cobertura da organização criminosa, estavam um conselheiro do Tribunal de Contas do Rio e um deputado federal cassado, que pegaram 76 anos e três meses de cadeia. Abaixo deles, um ex-chefe da Polícia Civil e policiais militares, cujas penas foram de 9 a 56 anos de prisão.

O crime demorou oito anos para ser julgado porque havia no banco dos réus um sujeito oculto: o Estado. A infiltração de criminosos no aparato estatal é um câncer nacional. Mas no Rio de Janeiro a doença evoluiu da contaminação para a fusão. Ali, o crime e a política operam em regime de coalizão

Milicianos e traficantes atuam como sócios na exploração de pedaços do mapa, controlam o território e os votos, elegem representantes na Câmara Municipal, na Assembleia Legislativa e no Congresso e indicam prepostos para cargos públicos, inclusive no setor de segurança. Para saber como o câncer evolui, basta olhar para o que acontece no México.


A existência de portais dimensionais no Universo é uma perspectiva sedutora. Diversos cientistas publicaram estudos sobre a possibilidade de haver buracos de minhoca nas profundezas dos buracos negros, a despeito da inexistência de provas concretas. Por outro lado, a teoria da relatividade geral sustenta que o espaço-tempo pode ser distorcido e comprimido por qualquer objeto massivo o bastante — e essa distorção é o fenômeno que chamamos de gravidade. 


Comprimindo o espaço-tempo, podemos chegar mais longe viajando menos. A metáfora da folha de papel dobrada facilita a compreensão dessa premissa, mas os pesquisadores se baseiam principalmente em cálculos matemáticos das equações de Einstein. Dependendo de como esses problemas se resolvem, um buraco de minhoca poderia criar um “atalho” no espaço-tempo através do qual seria possível chegar a um lugar distante 10 milhões de anos-luz numa fração de segundo no referencial dos astronautas, já que a velocidade com que o tempo passa diminui à medida que a velocidade do observador aumenta. Na prática, porém, as coisas podem ser diferentes.


Voltando aos buracos negros, o tamanho desses corpos celestes depende do chamado raio de Schwarzschild, que estabelece o limite crítico a partir do qual um objeto de determinada massa se torna um buraco negro. O raio de Schwarzschild do Sol, por exemplo, é de aproximadamente 3 km, e o da Terra, de aproximadamente 9 mm. Isso significa que, se o Sol fosse comprimido até atingir um raio de apenas 3 km (ou seja, 6 km de diâmetro), ele se transformaria em um buraco negro. O mesmo ocorreria com a Terra se fosse espremida até ter apenas 9 mm de raio.


Esse processo de compressão extrema não ocorre naturalmente com estrelas como o Sol. Para que uma estrela colapse e dê origem a um buraco negro no final da vida requer uma massa pelo menos dez vezes superior à do Sol. E uma vez formado o buraco negro, só seria possível escapar dele ultrapassando a velocidade da luz — algo impossível segundo a física clássica, que estabelece a luz como o limite máximo de velocidade no universo.


Os astrônomos não sabem exatamente qual o tamanho máximo que um buraco negro pode atingir, mas existem limites para tudo no Universo, incluindo esses titãs cósmicos. Quando estudam a natureza dos buracos negros, alguns cientistas optam por usar um modelo teórico (como a métrica de Schwarzschild) ou o que é conhecido como buraco negro astrofísico, que leva em conta apenas o que se pode ter certeza a respeito desses objetos. Por não ser bem compreendida, a singularidade gravitacional não é levada em conta nesses cálculos.


Observação: A singularidade gravitacional é basicamente o ponto onde toda a massa se achatou para formar um buraco negro. Esse ponto é inferior ao comprimento de Planck (10⁻³⁵ metro, cerca de 10²⁰ vezes menor que o raio do próton), mas sua densidade tende ao infinito. Como a física clássica não lida com infinitos nem com coisas menores que o comprimento de Planck, a existência da singularidade continua sendo discutida.


Além dos hipotéticos buracos de minhoca, a física teórica oferece outras possibilidades intrigantes para as viagens no tempo. Entre as soluções que derivam diretamente das equações da relatividade geral de Einstein, destacam-se os cilindros de Tipler e as cordas cósmicas — estruturas hipotéticas que poderiam distorcer o espaço-tempo de maneiras surpreendentes e potencialmente úteis nas viagens temporais, tanto para o passado quanto para o futuro.


Propostos pelo físico Frank Tipler em 1974, os Cilindros de Tipler consistem em cilindros infinitamente longos e extremamente densos girando em altíssima velocidade. Sua rotação distorceria o espaço-tempo a seu redor de tal forma que as linhas temporais se curvariam, criando curvas temporais fechadas (CTCs, na sigla em inglês), ou seja, trajetórias através do espaço-tempo que retornam ao mesmo ponto no tempo de onde partiram. 


Em teoria, uma espaçonave que orbitasse esse cilindro em espiral poderia emergir em um momento anterior ao da partida. Na prática, construir ou encontrar tal objeto exigiria uma quantidade de matéria e energia absolutamente proibitiva, além de tecnologias que nem sequer começamos a arranhar conceitualmente.


Já as cordas cósmicas são defeitos topológicos no tecido do espaço-tempo que teriam se formado nos primeiros momentos após o Big Bang, durante as transições de fase do Universo primitivo. Para facilitar a compreensão, podemos imaginá-las como "rachaduras" unidimensionais extremamente finas, mas incrivelmente densas: uma corda cósmica com a espessura de um átomo poderia pesar tanto quanto uma montanha. 


Quando passam uma pela outra em alta velocidade, duas cordas cósmicas distorcem o espaço-tempo de maneira tão intensa que criam condições para viagens temporais. No entanto, a exemplo dos Cilindros de Tipler, elas permanecem no campo da especulação, já que não existem evidências observacionais que confirmem sua existência — e mesmo que existissem, controlá-las ou interagir com elas seria um desafio colossal.


Outro conceito fascinante são os táquions — partículas hipotéticas que, em algumas formulações da teoria da relatividade, são superluminais, isto é, movem-se mais rápido que a luz. Supõe-se que sua energia diminui à medida que eles aceleram, e que eles são capazes de transmitir informações para o passado, violando o princípio da causalidade. Muitos físicos acreditam que essas partículas sejam matematicamente possíveis e fisicamente inexistentes, mas isso não muda o fato de que a perspectiva de serem reais vem dando margem a questões filosóficas sobre a natureza do tempo e da causalidade.


Em teoria, já temos o mapa dos atalhos cósmicos. Falta apenas construí-los — o que, convenhamos, é tão complicado quanto dobrar o espaço-tempo com as próprias mãos. Mas vai que algum dia alguém consegue. Talvez alguém já tenha conseguido e não contou pra ninguém — não seria a primeira vez que a ciência se disfarça de ficção — e vice-versa.


Talvez as chaves do tempo não estejam apenas nas equações de Einstein, mas também nas entrelinhas da curiosidade humana — esse motor que, desde H.G. Wells, insiste em girar no sentido contrário das impossibilidades. Há até quem diga que o primeiro a realmente testar uma dessas teorias não foi um físico, e sim um homem comum — cujo desaparecimento ainda hoje intriga tanto quanto as equações que ele dizia ter decifrado. Em última análise, impossível mesmo é voltar atrás depois de cruzar o horizonte de eventos da própria curiosidade.


Continua…