sábado, 30 de maio de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — MAIS SOBRE PSICOTRÔNICA, RELIGIÃO E CIÊNCIA NOÉTICA

O HOMEM TEME O QUE NÃO COMPREENDE — E MAIS AINDA O QUE COMPREENDE PROFUNDAMENTE.

Vimos que a Psicotrônica — como os russos chamavam suas primeiras pesquisas envolvendo fenômenos paranormais — pode ser considerada a precursora daquilo que hoje se convencionou chamar de ciência noética, e que, durante a Guerra Fria, a URSS e os EUA teriam investido somas vultosas nesse campo.


Fala-se que a CIA mordeu a isca da desinformação russa e "correu atrás do próprio rabo com ciências marginais", como o projeto Stargate, que buscava desenvolver uma técnica conhecida como “visualização remota”, na qual pessoas em estado de transe profundo projetam a consciência para além do corpo visando observar eventos à distância. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Segundo a mitologia grega, Pandora foi criada por Hefesto e Palas Atena a mando de Zeus, que queria castigar Prometeu por roubar o fogo dos deuses e dá-lo aos homens. Depois de ganhar um dom de cada divindade de Olimpo, Pandora recebeu de Zeus uma caixa que jamais deveria ser aberta e a missão de seduzir o irmão de Prometeu, que, encantado com a formosura da moça e ignorando as advertências do irmão sobre aceitar presentes do deus dos deuses, tomou Pandora como esposa. 

Mas ao criar a mulher, Deus criou também a curiosidade. E a curiosidade levou Pandora a abrir a caixa e libertar todos os males que recaíram sobre a humanidade. A esperança ficou presa no fundo da caixa para nos ajudar a enfrentar as adversidades, mesmo que o mal muitas vezes vença o bem. E foi assim que "abrir a Caixa de Pandora" se tornou uma metáfora para ações que desencadeiam consequências maléficas e irreversíveis.

Revisito essa fábula por três motivos: 1) sempre gostei de mitologia; 2) muita gente usa essa metáfora sem saber sua origem; 3) insistir no erro esperando produzir um acerto é a melhor definição de imbecilidade que conheço. 

Em momentos distintos da ditadura, Pelé e o general Figueiredo alertaram para o perigo de misturar brasileiros com urnas em eleições presidenciais. Ambos foram muito criticados, mas o tempo provou que eles estavam certos: a cada dois anos, os eleitores tupiniquins fazem nas urnas, por ignorância, o que Pandora fez uma única vez, por curiosidade. E como ensinou o Conselheiro Acácio (personagem do romance O Primo Basílio), as consequências vêm sempre depois. 

Ao acompanhar o golpe de Estado que levou Napoleão III ao poder, Karl Marx concluiu que a história acontece como tragédia e se repete como farsa. Já o Barão de Itararé dizia que político brazuca é um sujeito que vive às claras, aproveita as gemas e não despreza as cascas, e o saudoso maestro Tom Jobim, que o Brasil não é para principiantes. E com efeito. 

Em 2018, nenhum dos 13 postulantes ao Planalto empolgava, mas por que se arriscar a acertar com Geraldo Alckmin, Álvaro Dias, Henrique Meirelles ou João Amoedo quando se podia errar com certeza escalando Bolsonaro e o bonifrate do então presidiário Lula para o segundo turno? Em 2022, as opções eram ainda menos atraentes, mas, de novo: por que correr o risco de acertar votando em Simone Tebet, Felipe D'Avila ou mesmo Ciro Gomes (situações desesperadoras justificam medidas desesperadas) quando se podia errar com certeza despachando Lula e Bolsonaro para o 2º turno?

Em ambos os pleitos a fatídica polarização fez com que tanto a merda quanto as moscas permanecessem as mesmas. A diferença é que em 2018 a parcela minimamente pensante do eleitorado foi levada a apoiar Bolsonaro para evitar que o país fosse presidido por um fantoche do presidiário, e em 2022 essa mesma parcela se viu forçada a embarcar na falaciosa "Frente Democrática" capitaneada pelo ex-presidiário "descondenado" para evitar mais 4 anos (ou sabe-se lá quantos) sob a batuta do refugo da escória da humanidade.

Há males que tempo cura, males que vêm para pior e males que pioram com o passar do tempo. Lula 3.0 é uma reedição piorada das versões 1 e 2, e como nada é tão ruim que não possa piorar, o macróbio cogita disputar a reeleição em 2026 (que os deuses nos livrem tanto dessa desgraça quanto da volta do aspirante a golpista encarnado em seu abominável primogênito).

As consequências da inconsequência do eleitorado tupiniquim são lamentadas todos os dias, inclusive por quem abriu a Caixa de Pandora achando que estava escolhendo o menor de dois males - o que se justifica quando e se não há outra opção. E tanto em 2018 quanto em 2022 havia alternativas; só não viu quem não quis ou não conseguiu porque sofre do pior tipo de cegueira que existe.

Einstein achava que o Universo e a estupidez humana eram infinitos, mas salientou que, quanto ao
Universo, ele ainda não tinha 100% de certeza. Alguns aspectos de suas famosas teorias não sobreviveram à passagem do tempo, mas sua percepção da infinitude da estupidez humana merece ser bordada com fios de ouro nas asas de uma borboleta. 


O conceito básico da visualização remota tem mais de sete mil anos. Os antigos sumérios registraram suas "viagens às estrelas" — experiências místicas fora do corpo nas quais a mente ia até as estrelas para observar mundos distantes. Supõe-se que alucinógenos como o ópio e o ácido lisérgico foram largamente utilizados para induzir estados alterados de consciência. De textos antigos como Rigue Veda e Mistérios de Elêusis até o clássico As Portas da Percepção, de Aldous Huxley, grandes autores sugeriram que substâncias psicodélicas poderiam expandir a consciência  — lembrando que essas sensações fora do corpo são um reflexo da realidade sem filtros, não de alucinações. Mas isso é outra conversa.


A habilidade fundamental de um visualizador remoto é a capacidade de induzir uma experiência fora do corpo, mas a questão é que pouquíssimas pessoas conseguem ter essas experiências espontaneamente — com a possível exceção dos epiléticos, mas isso também é outra conversa. Interessa dizer que vida após a morte é uma convenção criada pelas religiões para mitigar o medo da finitude e manter o "rebanho" na rédea curta com a promessa de recompensar os bons e punir os maus. 


Qualquer pessoa minimamente esclarecida deveria refutar a ideia de passar a eternidade tocando harpa numa nuvem ou assando lentamente em um espeto. A possibilidade de existir um ser superior é plausível — desde que não seja o deus vingativo dos pastores papa-dízimo e dos padres pedófilos. Todas as religiões são a verdade sagrada para quem as professa e uma fantasia para sectários de outros credos.


Mesmo as crenças mais estúpidas têm fiéis seguidores e fanáticos dispostos a defendê-las com unhas e dentes, embora elas sejam como um golpe de seguro: os fiéis pagam o prêmio e não têm como reclamar quando descobrem que a empresa que levou seu dinheiro não existe. No fim das contas, viemos do mistério e ao mistério retornaremos; caso exista algo além, dificilmente será o deus das igrejas.


Fiz uma pesquisa no Google e fiquei perplexo com a quantidade de vertentes religiosas. Católicos, metodistas, episcopalianos, mórmons, anglicanos, luteranos, presbiterianos, adventistas do sétimo dia, ortodoxos gregos, quacres, muçulmanos, budistas, judeus, hindus, etc., todos alegam ter linha direta com o Todo-Poderoso, mas muitos foram construídas sobre sangue e ossos dos que se recusaram a aceitar a ideia de Deus que eles pregam.


Romanos atiraram cristãos aos leões; cristãos mutilaram e queimaram hereges; Hitler sacrificou milhões de judeus ao falso deus da pureza racial; outros milhões de seres humanos foram eletrocutados, enforcados, esquartejados e envenenados... tudo em nome de um deus.


A promessa de que o Céu nos espera e que lá tudo fará sentido nos é impingida desde a infância na versão segundo a qual Papai Noel traz presentes para as crianças bem-comportadas e deixa as malcriadas a ver navios. Mais adiante, a falácia passa a ser "céu para os bons, inferno para os maus". Mas o paraíso é a cenoura, e o inferno, a vara. Padres, pastores. rabinos e afins ameaçam os pequenos com o fogo eterno por roubarem uma bala ou mentirem, mas não existe prova alguma disso, apenas uma certeza cega de que tudo tem um propósito.


A morte é a única certeza que temos na vida, porém o que acontece depois — se realmente existir um "depois" — intriga a humanidade desde as mais priscas eras. Os católicos acreditam que os bons vão para o Céu e os pecadores, para o Inferno, e os espíritas, que os maus reencarnam para evoluir espiritualmente. Entre os judeus, cada grupo tem sua própria versão do que seria a vida após a morte, e por aí segue o desfile de crenças, que é tão variado quanto o das escolas de samba na Marquês de Sapucaí.


A perspectiva da vida eterna vem sendo explorada desde sempre por proselitistas que alegam falar em nome de um deus cuja existência conseguem provar, embora soem convincentes — afinal, o sucesso do vigarista depende da capacidade de ludibriar as vítimas, como bem ilustra a origem do termo conto do vigário. No entanto, é fundamental não confundir fé com religião: ainda que elas andem de mãos dadas, tanto é possível ter fé sem ser religioso quanto seguir uma religião sem ter fé (apenas por tradição familiar ou convenção social). 


A fé individual independe de rituais, hierarquias ou dogmas. Ela surge movida por experiências profundas e pessoais — como um momento inesperado de conexão com a existência —, e se desenvolve sem a necessidade de intermediários ou tradições rígidas. Já a religião deveria servir para "religar" o homem a Deus, mas cada vertente define "Deus" à sua maneira.


Os primeiros textos védicos remontam a 1500 a.C., mas os conceitos que eles encerram foram transmitidos oralmente durante séculos. A frase "este é meu corpo", que Cristo teria dito na Última Ceia, é repetida até hoje durante a Eucaristia. Quando "lavou as mãos", Pilatos deixou clara a ligação entre religião e política — aliás, Igreja e Estado foram as duas faces da mesma moeda até a Revolução Francesa, e velhos vícios e maus hábitos são difíceis de erradicar.


Toda sociedade tem uma religião, toda religião tem um propósito social e toda cerimônia religiosa tem um ritual. O Seder de Pessach e a comunhão são adaptações litúrgicas de uma prática observada nos chimpanzés. Ainda que as religiões tenham perdido muito da empatia de antanho, fenômenos complexos se desenvolvem a partir de começos simples, e tudo o que fazemos é influenciado por nossa história biológica e cosmológica.


Ao longo da História, Cristo, Buda, Maomé, Krishna e outros ícones religiosos deixaram mensagens para determinados povos em determinadas épocas, mas em vez de levarem à unidade, ao amor e ao bem de todos, essas mensagens foram deturpadas para atender a interesses escusos daqueles que detêm o poder e o utilizam para manipular seus semelhantes. 


Há fortes evidências de que o Universo surgiu há 13,8 bilhões de anos e o homo sapiens, há cerca de 300 mil anos — a partir da evolução de outros primatas, e não de Adão e Eva. O Velho Testamento foi transmitido oralmente até 1200 a.C., quando as lendas e tradições que o compõem foram compiladas por Moisés durante sua longa jornada pelo deserto do Sinai em busca da terra supostamente prometida por Jeová a Abraão e seus descendentes. 


Observação: Talvez o sol escaldante explique por que o autor do Pentateuco retratou o Criador como uma entidade rancorosa e vingativa, tão diferente da imagem vendida nas igrejas, templos, mesquitas e sinagogas por padres, pastores, imãs e rabinos que, em vez de oferecer orientação e conforto espiritual aos fiéis, ameaçam-nos com a "danação eterna".

 

As religiões são como os vaga-lumes: precisam da escuridão para brilhar e são úteis para os poderosos, que lhes dão ares de verdade para ludibriar os menos esclarecidos, e portanto é fundamental questionar as crenças enraizadas, pois somente a partir da reflexão que se alcança uma espiritualidade mais ampla e profunda.


A possibilidade de existir um ente superior é admissível, mas como acreditar num "criador" que concede livre-arbítrio às criaturas, promete recompensar os "bons" com a vida eterna num inverossímil "paraíso celestial" e punir os "maus" com o fogo eterno num hipotético inferno comandado por um "anjo caído"?

 

A rigidez das religiões perpetua tradições e práticas que raramente resistem ao questionamento crítico, enquanto a fé resultante de experiências espirituais e emocionais leva as pessoas a acreditarem em algo que não lhes foi enfiado goela abaixo por dogmas religiosos. A flexibilidade faz com que a fé se adapte aos valores e interpretações de cada um, e sua relação com a religião é ainda mais intrigante quando se questiona a natureza da divindade. 


A ciência não invalida a fé — ela a expande. Mas a complexidade do Universo pode ser contemplada e apreciada sem uma explicação esotérica. Ao afirmar que somos poeira das estrelas, o astrofísico Carl Sagan descortinou um vasto Universo sem uma figura divina. Ainda assim, a fé (não confundir com as religiões) pode ser definida como uma admiração pelo Universo, uma disposição para o questionamento, uma abertura ao desconhecido, uma busca por novas respostas, um modo de honrar o mistério da existência. 


Einstein dizia que "o mistério é a fonte de toda verdadeira arte e ciência". Spinoza e outros grandes pensadores viam no Universo uma ordem tão majestosa que, mesmo sem acreditar em um deus pessoal, sentiam-se conectados a uma força criadora e consideravam a busca pelo conhecimento um ato quase espiritual.


A busca pelo autoconhecimento mostra que a espiritualidade desvinculada das religiões pode ser uma maneira de nos conectarmos com o mundo sem a necessidade de um conjunto de crenças formais. Nesse contexto, a fé se torna uma prática interior, uma jornada de descoberta pessoal que aceita as incertezas da existência.


Enquanto as religiões tradicionais impõem normas e rituais rígidos, a espiritualidade pessoal se ajusta aos valores e necessidades de cada um. Meditação, contemplação da natureza ou mesmo o simples exercício de gratidão são maneiras de alinhar a vida com uma ordem maior. Uma fé íntima e universal, que respeita o mistério sem se prender às religiões formais nem enjeitar as tradições, aceita respostas parciais, valoriza o caminho, celebra o mistério e dá um sentido mais original à espiritualidade. 


Continua…

sexta-feira, 29 de maio de 2026

O BIG BANG TEM UM "ANTES"?

PERGUNTAR O QUE HAVIA ANTES DO BIG BANG É COMO QUERER SABER O QUE EXISTE ACIMA DO POLO NORTE.

Se o espaço-tempo é uma superfície fechada sem fronteiras, como definiu Stephen Hawking, então o conceito de "antes" não faz sentido, Dito isso, especular sobre o que havia antes da grande expansão é como discutir o que existe ao norte do Polo Norte. 

Segundo Albert Einstein, o Universo e a estupidez humana são infinitos. Talvez por isso algumas pessoas confundem perseverança com teimosia. 

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Bolsonarinho superestimou a foto com Trump. Imaginando que esconderia atrás da fumaça obtida em Washington a crise provocada pela relação promíscua com Daniel Vorcaro ateou na campanha, não se deu conta de que usar o trumpismo como cortina de fumaça é como brincar dentro de um paiol.

Se o PT tivesse que organizar a agenda do rival em Washington, não faria melhor. O primogênito do refugo da escória da humanidade foi à Casa Branca com o irmão Dudu Bananinha e se comparsa Paulo Figueiredo — chefes do departamento anti-Brasil que o bolsonarismo mantém nos Estados Unidos. 

Na conversa com os repórteres, o pré-candidato tentou fugir das perguntas sobre Vorcaro, mas foi desmentido pelo governador bolsonarista Tarcísio de Freitas, que soou como um aliado da onça a 7.700 quilômetros de distância: "Tem muitas questões que ele precisa explicar." O ministro André Mendonça, outro amigo da Famiglia Bolsonaro, mandou a PF à cobertura do bolsonarista Cláudio Castro. Os mais de R$ 3 bilhões desviados sob Castro do Rioprevidência para o Master carbonizam o lero-lero segundo o qual não há dinheiro público nos milhões que o Dark Potro pediu a Vorcaro para investir no filme Dark Horse. Haja cortina de fumaça para tantas labaredas.

Ao tratar Trump como cabo eleitoral, os bolsonaristas convidam Lula a desenrolar novamente a bandeira da soberania.

Um estudo conduzido pelos renomados matemáticos Ghazal Geshnizjani, do Perimeter Institute, Jerome Quintin, da Universidade de Waterloo, e Eric Ling, da Universidade de Copenhague, analisou a singularidade do período anterior ao Big Bang à luz da relatividade geral. A teoria atualmente dominante na comunidade científica sustenta que o Universo nasceu há 13,8 bilhões de anos, expandindo-se exponencialmente numa fração de segundo, impulsionado por uma forma de energia que se opõe à gravidade, e o estudo questiona se a singularidade do Big Bang tal como descrita hoje é realmente um fenômeno físico ou apenas um artefato matemático. 

Para esclarecer essa questão, considera-se a função matemática 1/x. Quando x se aproxima de zero, a função torna-se indefinida — ou seja, não pode ser calculada. Se a singularidade do Big Bang funcionasse de forma análoga, seria apenas uma ilusão matemática, sem correspondência com a realidade física. Uma comparação útil é o meridiano de Greenwich: se houvesse uma função baseada em "1/longitude", ela seria indefinida naquele ponto (longitude zero). 

Fisicamente, não há nada de anômalo nas regiões atravessadas por essa linha imaginária. O problema seria trivial — bastaria reposicionar o ponto de referência zero. Por essa lógica, se a singularidade do Big Bang fosse apenas um artefato matemático similar, o Universo poderia ser descrito consistentemente sem recorrer a ela, mediante uma simples redefinição dos parâmetros iniciais.

Algo semelhante já foi observado nas análises matemáticas de buracos negros. Uma das primeiras equações sobre esse tipo de objeto foi publicada em 1916 por Karl Schwarzschild, e apontava uma singularidade no horizonte de eventos. Anos depois, ao empregar outro sistema de coordenadas, o astrônomo Arthur Eddington demonstrou que essa singularidade não estava ali, mas em outro ponto.

Em contraste, o centro de um buraco negro não pode ser eliminado por uma simples mudança de coordenadas. Ali, a densidade e a curvatura do espaço-tempo tornam-se genuinamente infinitas — uma singularidade real. A proposta do trio de pesquisadores é justamente investigar se a singularidade do Big Bang se assemelha ao centro de um buraco negro — um ponto final inevitável — ou se está mais próxima de um horizonte de eventos: um limite aparente que desaparece quando se muda a forma de descrever o espaço-tempo.

Talvez o Big Bang não seja o “começo de tudo”, mas apenas o limite do que nossas equações conseguem enxergar sem entrar em curto-circuito. A singularidade, nesse caso, diria menos sobre a origem do Universo e mais sobre os limites da nossa matemática — e da nossa imaginação. 

Sempre que a ciência encontra uma parede, há quem insista em atravessá-la a marretadas metafísicas. E aí voltamos a Einstein: se o Universo é infinito, a nossa disposição para forçar respostas onde talvez só caiba silêncio parece disputar seriamente o segundo lugar.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA NOITE — DE VOLTA À PSICOTRÔNICA

NEM TUDO QUE RELUZ É OURO, NEM TUDO QUE BALANÇA CAI E NEM TUDO É O QUE PARECE.

A Psicotrônica — como os russos chamavam suas primeiras pesquisas envolvendo fenômenos paranormais, leitura da mente, percepção extrassensorial, controle do pensamento e estados alterados de consciência — é frequentemente apontada como uma espécie de precursora daquilo que hoje se convencionou chamar de ciência noética. 

Durante a Guerra Fria, a URSS teria investido somas vultosas nesse campo, numa iniciativa de caráter “neuromilitar” que orbitava conceitos como psicovigilância, manipulação cognitiva e outras ideias que, ainda hoje, parecem oscilar entre o laboratório e a ficção científica.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

O covarde nunca aproveita uma oportunidade. Na verdade, ele é a oportunidade que os outros aproveitam. 

Isolado no seu domicílio prisional, Bolsonaro se aproveita da covardia de Tarcísio, Caiado, Zema e Ratinho Júnior para manter a centralidade política que conquistou nos últimos oito anos. Na sucessão de 2026, paralisou o conservadorismo nacional, submetendo-o aos seus interesses — que não coincidem com o interesse nacional.

A última pesquisa Datafolha (no sentido de mais recente, embora bem poderia ser a última "literalmente", já que essas abordagens antecipadas prestam um desserviço ao influenciar a opinião de ameba da maioria do eleitorado) mostrou que as obscuras relações financeiras com Daniel Vorcaro corroeram a moderação cenográfica de Flávio Bolsonaro, mas não o retiraram da posição de principal representante do antipetismo — combustível que move as forças oposicionistas. O primogênito do "mito" preso continua sendo o anti-Lula mais competitivo da praça.

No primeiro turno, o filho do refugo da escória da humanidade aparece nove pontos atrás de Lula, mas numa hipotética segunda rodada ele estaria apenas quatro pontos atrás do macróbio petista. Com o escândalo do Master em movimento, a corrosão pode aumentar, mas é improvável que o primogênito do clã Bolsonaro perca os eleitores que se mantêm acorrentados ao pai — o que lhe garante um piso eleitoral de algo como 20% a 30% do eleitorado.

Ainda que o molusco eneadáctilo prevaleça sobre o filho do pai, o Brasil continuará convivendo com um estorvo condenado por atentar contra a democracia. Nessa hipótese, Bibo Pai conservaria intacto o título de principal líder da oposição, enquanto o PL manteria viva a perspectiva de obter uma polpuda bancada parlamentar. Em 2022, a despeito da vitória de Lula, o partido do ex-presidiário do mensalão Valdemar Costa Neto conquistou a maior bancada da Câmara e a mais vistosa caixa registradora do sistema partidário. 

Quer dizer: mesmo derrotado, Bolsonaro emergiria da sucessão de 2026 como vitorioso, porque a direita presumivelmente democrática deixou de aproveitar — por fidelidade tosca ou medo atávico — as oportunidades que a conjuntura ofereceu para a construção de um projeto conservador à margem da quadrilha Bolsonaro. Não foram poucas as chances: a pandemia, o ataque às urnas eletrônicas, o complô golpista, o tarifaço americano urdido por Dudu Bananinha, o lero-lero da anistia e um interminável etcétera.

Uma democracia genuína pressupõe o convívio entre diferentes. É essencial para a estabilidade democrática a existência de conservadores direita ou de centro com projetos nítidos de poder e de país. Isso não é coisa que se construa do dia para a noite, na base do improviso. Governadores autoproclamados moderados, cultivaram a ilusão de que um Bolsonaro inelegível e condenado passaria graciosamente o seu bastão para um deles, e se tornaram reféns de um preso que levou às urnas um herdeiro biológico cujos únicos projetos eram manter Vorcaro no armário e conservar a hegemonia do pai sobre uma direita que não teve a coragem de se endireitar.

Toda covardia política tem um preço, e quem usa o cinismo para regatear aumenta o custo.


Nos Estados Unidos, um projeto similar — batizado de Stargate — acabou se tornando um dos episódios mais constrangedores da história recente da CIA. Alvo de zombaria pública, o programa foi acusado de desperdiçar milhões em pseudociência, truques questionáveis e tentativas pouco ortodoxas de treinar algo próximo de “espiões psíquicos”. No fim das contas, há quem diga que a Agência apenas mordeu a isca de uma possível campanha de desinformação soviética e passou anos correndo atrás do próprio rabo — desta vez, guiada por ciências marginais que jamais entregariam o que prometiam.

O Stargate tentou desenvolver uma técnica de vigilância inédita, conhecida como “visualização remota”, na qual um indivíduo — o “visualizador” —, sentado em um ambiente controlado, entraria em estado de transe profundo para projetar sua consciência para além do próprio corpo, “materializando-a” em qualquer ponto do planeta com o objetivo de observar eventos à distância.

Apesar do histórico de fracassos e do constrangimento institucional, essas tentativas de explorar fenômenos mentais extraordinários não se limitavam ao campo da espionagem. Elas dialogavam, direta ou indiretamente, com áreas que hoje seriam classificadas como metafísica ou parapsicologia. E, de certo modo, com ideias muito mais antigas.

A noção de projeção da consciência, por exemplo, remonta ao Antigo Egito. Alguns intérpretes defendem que os dutos internos das pirâmides teriam sido projetados com inclinações específicas para permitir que o “Ka” dos faraós — frequentemente traduzido como “alma”, embora haja quem o entenda como uma espécie de “veículo” da consciência — pudesse viajar até as estrelas e retornar. Nesse contexto, o conhecimento adquirido nessas jornadas estaria associado à ideia de uma consciência capaz de operar de forma independente do corpo físico.

O conceito de uma entidade consciente incorpórea, aliás, atravessa culturas, religiões e épocas. Mas o fato de uma crença ser amplamente difundida não a transforma automaticamente em evidência científica. Para desacreditar a afirmação de que “todos os corvos são pretos”, basta a existência de um único corvo branco.

Ainda assim, algumas mentes respeitáveis — como Harold Puthoff, Russell Targ e Edwin May, entre outros — exploraram, em diferentes momentos, hipóteses relacionadas à possibilidade de uma consciência não local, transitando por áreas como a física de plasma, a matemática não-linear e a antropologia da consciência. O tema também ganhou espaço em obras populares que ajudaram a difundir essas ideias para além dos círculos acadêmicos.

A noção de uma mente separada do corpo, portanto, não é tão exótica quanto pode parecer à primeira vista. Milhões de praticantes de meditação relatam experiências em que, ao focar intensamente a atenção, o corpo físico parece “desaparecer”, restando apenas a percepção de uma consciência desancorada. Em alguns casos mais raros — e controversos —, praticantes avançados descrevem a sensação de deslocamento da própria consciência para fora do corpo.

Relatos semelhantes surgem também em contextos neurológicos específicos, como certos episódios epilépticos, bem como em experiências de quase morte (EQMs), nas quais indivíduos descrevem a sensação de observar o próprio corpo à distância, como se estivessem pairando sobre ele.

Os chamados “sonhos lúcidos” talvez sejam uma das manifestações mais intrigantes dessa fronteira entre consciência e percepção. Trata-se de um estado em que o indivíduo desperta dentro do próprio sonho e, consciente de que está sonhando, passa a interagir ativamente com o ambiente onírico. Durante muito tempo considerados apenas curiosidades subjetivas, os sonhos lúcidos começaram a ser estudados de forma mais sistemática a partir da década de 1970, especialmente graças ao trabalho do psicofisiologista Stephen LaBerge.

LaBerge demonstrou que indivíduos em estado de sonho lúcido são capazes de se comunicar com pesquisadores por meio de padrões específicos de movimentos oculares previamente combinados — uma evidência curiosa de que, mesmo imerso em uma realidade subjetiva, o cérebro mantém uma ponte mensurável com o mundo externo. Hoje, sabe-se que a indução desse estado pode ser facilitada por técnicas específicas, dispositivos de monitoramento do sono e até substâncias como a galantamine.

No caso das EQMs, os relatos são ainda mais impactantes. Muitos pacientes que passaram por estados críticos, com sinais vitais drasticamente reduzidos, descrevem experiências fora do corpo nas quais afirmam ter observado, com detalhes surpreendentes, o ambiente ao seu redor — incluindo ações e diálogos ocorridos durante procedimentos médicos, mesmo quando seus olhos estavam fechados ou cobertos.

A ciência, no entanto, ainda não chegou a um consenso sobre a origem dessas experiências. Para alguns pesquisadores, tratam-se de alucinações complexas provocadas por fatores como hipóxia cerebral, estresse extremo ou descargas neuroquímicas. Para outros, podem representar algo mais profundo — talvez um vislumbre de uma realidade que ainda não compreendemos.

O fato é que continuamos tateando no escuro quando o assunto é a natureza da consciência — e, sobretudo, da morte. Ao contrário de muitos outros mistérios da existência, este carrega uma peculiaridade incômoda: se a resposta existe, ela é invariavelmente revelada de forma individual… e irreversível.

No fim das contas, nossos últimos instantes de vida podem muito bem ser nossos primeiros momentos de verdade. Infelizmente, quando finalmente tivermos a resposta… já não haverá ninguém por perto para conferir se acertamos.

Continua…

quarta-feira, 27 de maio de 2026

VÍRUS NOS CELULARES XIAOMI

SEGURO MORREU DE VELHO.

Problemas de propaganda invasiva e falsos alertas de vírus em celulares Xiaomi costumam vir de aplicativos maliciosos instalados sem o usuário perceber, mas o próprio MIUI ou Hyper OS oferece recursos capazes de identificá-los sem que seja preciso baixar um antivírus.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA 

Uma semana depois de se autoproclamar representante de "um projeto de Deus" no município paulista de Sorocaba, Flávio Bolsonaro não compareceu à Marcha para Jesus, no Rio de Janeiro, porque, segundo sua assessoria, ficaria em Brasília no final de semana para conversar com o pai, que está em prisão domiciliar. Na véspera da marcha, o Datafolha revelou o estrago que o efeito Master produziu na candidatura do primogênito do escroto golpista: entre os evangélicos, as intenções de voto caíram de 49% para 42%, e a taxa de rejeição nesse nicho do eleitorado subiu de 28% para 34%.

Ironicamente, o prestígio do filho do pai entre os evangélicos decaiu depois da descoberta de que ele pediu dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse. O deputado-pastor Sóstenes Cavalcante, principal voz do bolsonarismo da Câmara, relativizou o resultado da pesquisa e a ausência de Bolsonarinho no ato evangélico do Rio. Atribuiu a mudança de planos à necessidade do presidenciável do PL de se preparar para um encontro, nesta semana, com Trump. A conversa ainda está pendente de confirmação da Casa Branca.

O pastor Silas Malafaia também minimizou o resultado do Datafolha, mas, a exemplo dos evangélicos que tomaram distância do "projeto de Deus" estruturado pelo messias preso, evitou se comprometer com a candidatura do filho.

"Eu não sou de partido, não tenho poder de decidir... Estou analisando tudo que está acontecendo para me pronunciar na hora certa", disse o pastor durante a Marcha para Jesus.

A julgar pela evolução das investigações da PF, são realmente insondáveis os desígnios de Deus.

A maneira mais simples e eficiente é observar qual aplicativo entra em atividade no momento em que o alerta falso aparece — por se auto ativarem para exibir propagandas, essas pragas figuram na lista de apps “usados recentemente”. O processo é simples, rápido, e intuitivo, mesmo para quem não entende de tecnologia.

Convém ter em mente que os apps maliciosos costumam se disfarçar de ferramentas de limpeza, navegadores ou falsas atualizações do sistema para parecerem legítimos. Na dúvida, verifique a avaliação dos programinhas suspeitos na Play Store ou os comentários relatando anúncios excessivos.

Antes de desinstalar um programa suspeito, toque em Configurações > Aplicativos > Visualizar todos os apps > usados recentemente, acesse os detalhes do app na loja e avalie os relatos de outros usuários. Suspeite especialmente de programinhas como Speed Boost, Flash Pro, Browser 4G, Update System, Clearoid, apps de limpeza ou antivírus desconhecidos e navegadores alternativos fora das lojas oficiais do fabricante e do Google. Uma vez encontrado o app mal intencionado, toque em Desinstalar dentro das configurações do próprio app — esse método funciona em aparelhos Xiaomi e Samsung

Depois da remoção, os pop-ups desaparecem imediatamente. Para evitar novos problemas, evite instalar apps fora da Play Store e desconfie de anúncios que prometem “limpeza milagrosa” ou alertas exagerados de vírus.

Boa sorte.

terça-feira, 26 de maio de 2026

O QUE CONECTAR PRIMEIRO, O CARREGADOR NA TOMADA OU O CELULAR NO CARREGADOR?

TUDO É FÁCIL QUANDO SE SABE. 

Mesmo as coisas mais simples têm ciência. Se até cozinhar ovos exige expertise, que dirá carregar a bateria do celular. Como esse procedimento se resume a inserir o carregador na tomada e o conector do cabinho no aparelho, pouca gente se preocupa com a sequência certa — que, aliás, não é mencionada claramente no manual do usuário. 


Segundo os pais da matéria, para manter o aparelho protegido de sobretensões (variações inesperadas da tensão para valores acima dos estabelecidos), conecte primeiro o carregador na tomada e só então plugue o cabo no celular. Para desligar, retire primeiro o cabo do celular e, em seguida, o carregador da tomada. Essa ordem evita que uma corrente reversa flua para o aparelho e cause danos aos componentes. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Jair Bolsonaro e filhos nunca foram chegados no batente nem se caracterizaram por terem boas ideias — a de enfrentar a pandemia a golpes de negacionismo custou ao chefe da quadrilha a reeleição, e a de montar uma rede de ilegalidades para ficar no poder levou-o à prisão. O projeto de criar um partido morreu antes de nascer, o que fez a turma da extrema se acoitar no PL que saiu de legenda mediana para o lugar de maior bancada na Câmara. A união vigorou como bênção até agora, mas se transformou em maldição e passou para a antessala da demolição depois que o presidiário decidiu fazer do primogênito candidato a presidente.

Pega de calças curtas pela intimidade de Flávio Bolsonaro com o "mermão" Daniel Vorcaro, a agremiação do ex-presidiário do mensalão Valdemar Costa Neto ficou vendida nas versões desencontradas e na incerteza do que pode vir por aí, podendo, inclusive, perder o bonde da Presidência e assistir ao que se desenha como um efeito dominó em sua área de influência. O prócer do aliado PP, Ciro Nogueira, já se foi. Outros integram a fila da beira do abismo.

As adversidades mais visíveis localizam-se nos três maiores colégios eleitorais do país. Em São Paulo, os estilhaços têm potencial para atingir Tarcísio de Freitas, cuja percepção do risco se materializa na solidariedade bem mais ou menos que o governador empresta ao enroscado Flávio. Em Minas Gerais, o partido rivaliza com o PT na dificuldade de formação de palanque. Mas é no Rio de Janeiro, berçário político da grei Bolsonaro, que o PL fica pior na fita.

A Justiça não parece disposta a permitir que o presidente da ALERJ assuma o Palácio Guanabara para completar o mandato interrompido de Cláudio Castro que, pego como cúmplice nas falcatruas da Refit, perdeu qualquer condição de concorrer ao Senado. Nos demais estados, essa direita se divide entre o compasso de espera e os preparativos para o abandono do navio.

Que morram todos com a boca cheia de formiga.


Habitue-se também a deixar o telefone carregando por mais tempo que o necessário (o ideal é manter o nível de carga entre 20% e 80%). Os riscos de superaquecimento e explosão são desprezíveis quando a bateria e o carregador são originais ou homologados pelo fabricante do aparelho, pois um sistema inteligente interrompe a passagem de corrente quando a bateria está cheia. 


Igualmente recomendável é retirar o carregador da tomada quando ele estiver ocioso, pois mantê-lo ligado desnecessariamente gera o chamado "consumo fantasma", diminui a vida útil do dispositivo e aumenta o risco de acidentes. 


O consumo é extremamente baixo para um carregador original e certificado, mas o desgaste contínuo dos circuitos internos é real, pois o carregador é essencialmente um transformador de tensão — quando você o mantém na tomada, seus circuitos ficam permanentemente energizados e aquecem o transformador interno, sem falar nos danos causados por eventuais picos ou quedas de tensão da rede elétrica (comuns durante tempestades com raios).


Carregadores originais possuem sistemas de segurança avançados, porém o cenário muda com fontes de má qualidade ou fios danificados. Podem ocorrer superaquecimento e curto-circuitos, principalmente se o carregador ficar em locais abafados, isso sem falar no risco de choques elétricos caso crianças ou animais de estimação peguem ou mordam o cabo energizado.


Como dizia meu avô: "quem avisa amigo é".