terça-feira, 18 de agosto de 2026

SOBRE A TEORIA DAS CORDAS

AUSÊNCIA DE EVIDÊNCIA NÃO É EVIDÊNCIA DE AUSÊNCIA. 


Albert Einstein sonhava com uma "Teoria de Tudo", que juntasse o eletromagnetismo e a gravidade (as forças nucleares forte e fraca só foram descobertas mais tarde), mas morreu sem conseguir realizar seu sonho.


Mais adiante, diversos físicos — entre os quais John Schwarz, Michael Green e Yoichiro Nambu — desenvolveram o conceito da Teoria das Cordas, que combina a relatividade geral (que explica o comportamento de grandes corpos como planetas e estrelas) com a mecânica quântica (voltada para a explicação de partículas subatômicas).


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A nova rodada da Quaest mostra que a vantagem de Lula sobre Bolsonaro encolheu: apenas três pontos no cenário de segundo turno. O empate técnico é um prenúncio do que está por vir. Faltam 50 dias para a eleição. Serão dias violentos.

O filho de capetão voltou ao patamar que ostentava em maio, antes da explosão do caso Dark Horse. A recuperação não pode ser atribuída às ideias do candidato do PL, que são poucas e confusas. Ele readquiriu forças graças às vulnerabilidades do adversário.

Os mimos do sócio do Master para Jaques Wagner, líder de Lula no Senado, dividiram o noticiário com a mordida de Flávio Bolsonaro no bolso de Daniel Vorcaro. Lulinha passou a estrelar três inquéritos. O eleitor soube que Marcola, chefe de gabinete do presidente, recebeu dinheiro da lobista do Careca do INSS.

A campanha começou formalmente neste domingo. A plateia pode imaginar o que fariam os candidatos se não precisassem se controlar. Coisas envolvendo machadinhas, arames sob as unhas e óleo quente no ouvido. Até a eleição de outubro, a política tende a ser mais violenta que luta de MMA. As acusações se sobrepõem aos projetos.


Surgida no fim da década de 1920, a mecânica quântica dividiu os físicos entre os que queriam estudá-la e os que preferiam continuar a desvendar os mistérios dos grandes corpos do universo usando a relatividade geral de Einstein. A questão é que os conceitos da relatividade não se aplicam ao mundo subatômico e vice-versa. E é aí que entra a Teoria das Cordas, segundo a qual todas as coisas do universo são compostas por filamentos de energia que vibram como as cordas de um violão, criando cada qual um som diferente e produzindo uma coisa diferente na natureza. À luz dessa premissa, o universo seria uma grande sinfonia gerada a partir da vibração dessas cordas. 


Durante muito tempo, acreditou-se que o átomo (palavra grega para 'indivisível') era a menor unidade da matéria. No início do século XX, Ernest Rutherford demonstrou que o átomo possui um pequeno núcleo central cercado por elétrons. Mais tarde, descobriu-se que os prótons e os nêutrons são formados por partículas menores ainda: os quarks, enquanto os elétrons pertencem a outra família de partículas fundamentais conhecida como léptons.


Hoje, acredita-se que os seis tipos diferentes de quarks e os seis tipos diferentes de léptons sejam as partículas fundamentais da matéria. Os quarks nunca aparecem isolados na natureza — sua existência é inferida por observações indiretas — enquanto os léptons podem ser detectados experimentalmente. Daí os defensores da Teoria das Cordas proporem que quarks, léptons e demais partículas não sejam fundamentais, mas manifestações diferentes de minúsculas cordas vibrantes.


Dada a dificuldade de provar a existência de algo tão minúsculo, os físicos mais céticos acham que a Teoria das Cordas não passa de uma espécie de golpe de marketing. Já o físico iraniano Cumrun Vafa, da Universidade Harvard — um dos mais influentes no campo — rebate as acusações: “muito do esforço humano vem de tentar compreender as coisas primeiro; se focarmos apenas nos experimentos, vamos perder um cenário muito maior”. Para ele, o fato de não ter nada em laboratório para mostrar não tira o mérito da teoria — na qual Leonard e Sheldon, da série The Big Bang Theory, também acreditam


Haters gonna hate”, dizem os físicos que defendem a Teoria das Cordas. Mas o xis da questão é que, diferentemente do que Einstein imaginava, as versões mais modernas dessa teoria não veem o universo como um espaço-tempo de quatro dimensões (altura, profundidade, largura e tempo), mas sim com 11 dimensões — as outras sete que não conseguimos enxergar estão ali, ocultas à nossa percepção, e as vibrações das cordas nessas dimensões geram tanto os fótons — partículas que compõem não só a luz como também o eletromagnetismo — quanto os grávitons — partículas hipotéticas que surgiriam numa descrição quântica da gravidade.


Apesar de ainda não ter sido confirmada experimentalmente, a Teoria das Cordas impressiona muitos físicos pela elegância e pela simetria de suas formulações matemáticas. Seus defensores veem nisso um indício de que ela possa estar apontando para algo profundo sobre a estrutura do universo; seus críticos respondem que, sem evidências experimentais, beleza matemática não basta para transformar uma hipótese em realidade.


Como disse Carl Sagan, "ausência de evidência não é evidência de ausência". 


Mas também não é evidência de presença.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

CONSCIÊNCIA NÃO-LOCAL, VIDA APÓS A MORTE E QUE TAIS — CONCLUSÃO

A IDADE TRANSFORMA O TEMPO NUM ARTIGO RARO. QUANTO MAIS VELHOS FICAMOS, MAIS ESCASSO ELE SE TORNA.

Toda cultura no mundo tem seu livro sagrado — para os cristãos, o "Verbo" é a Bíblia; para os muçulmanos, o Alcorão; para os judeus, a Torá, e assim por diante. Cada um é diferente do outro, mas no fundo são todos iguais, e os mais estudados são justamente os menos entendidos. 


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Às vésperas do megacomício de estreia da campanha, no domingo, em São Bernardo, Lula disse acreditar nas juras de inocência que ouve do filho, mas evitou levar a mão ao fogo por Lulinha: "Só ele sabe a verdade. Só ele", disse o presidente em entrevista. "Eu não sei a verdade. Ele sabe se ele fez ou não fez. Ele jura que não fez. Se não fez, então brigue. Se meu filho tiver culpa, ele pagará".

Lulinha é alvo de três inquéritos da PF — dois são relatados pelo ministro do Supremo André Mendonça e o terceiro, por Flávio Dino. Lula disse ter feito uma recomendação aos advogados do filho: "Ninguém vai pedir o fechamento de processo do meu filho. Quer fazer inquérito? Faça."

Lula foge de sabatinas jornalísticas e evita confirmar a presença em debates. Optou por falar no ambiente controlado dos podcasts. Desde o mês passado, já havia conversado com os canais no YouTube "Inteligência Ltda.", "Meteoro Brasil" e "Os Três Elementos". Nesta sexta-feira, falou aos podcasts "Não Inviabilize" e "As Cunhãs". Flávio Bolsonaro adota a mesma estratégia. Ambos desviam da fricção com jornalistas e do embate com adversários. Com isso, privam o eleitor do contraditório.


Deve haver uma razão para os monges cristãos passarem a vida tentando decifrar as escrituras e místicos e cabalistas judeus se debruçarem sobre o antigo testamento. Talvez o motivo seja a linguagem cifrada, usada para compartilhar os "misteriosos segredos" — como o próprio Evangelho segundo João alerta: "falarei em parábolas e direi coisas ocultas". Até porque esses livros supostamente escondem um vasto acervo de conhecimento inexplorado esperando para ser desvendado — ou pelo menos é isso que muitos estudiosos afirmam. 


Mesmo considerando os chamados livros sagrados uma mistura de mitos, lendas e tradições orais acumuladas ao longo dos séculos, eu reconheço que eles constituem um importante repositório da sabedoria e dos ensinamentos atribuídos aos antigos mestres. Não obstante, eles não fornecem uma explicação científica ou histórica do passado — e nem poderiam, pois literatura religiosa não é jornalismo, não registra acontecimentos em tempo real nem leva em conta o conhecimento acumulado nos últimos séculos em áreas como física, astronomia e biologia.


Enquanto dogmas religiosos pedem fé inquestionável, a ciência busca evidências e procura comprová-las por meio de experimentos. Por outro lado, se a Bíblia não contém um significado oculto, por que cientistas brilhantes da Real Sociedade de Londres ficaram tão obcecados com seu estudo?


O próprio Isaac Newton escreveu milhares de páginas sobre o verdadeiro significado das Escrituras — incluindo um manifesto de 1704 alegando que ele havia extraído informações científicas da Bíblia. Sir Francis Bacon ficou tão convencido de que as escrituras continham um significado cifrado que escreveu seus próprios códigos, que são estudados até hoje. E até mesmo o poeta iconoclasta William Blake sugeriu que deveríamos ler nas entrelinhas.


Nos Estados Unidos, John Adams e Benjamin Franklin alertaram sobre os riscos de interpretar a Bíblia de forma literal. Thomas Jefferson estava tão convencido de que a verdadeira mensagem estava escondida que recortou páginas e reeditou o livro, tentando, em suas próprias palavras, "eliminar a estrutura artificial e restaurar as doutrinas genuínas". 


Há quem diga que os Antigos Mistérios são uma chama acesa que, nas mãos de um mestre, pode iluminar o caminho, mas nas mãos de um louco pode abrasar a Terra. Talvez sejam mesmo, mas isso não significa que a Bíblia e os Antigos Mistérios se contraponham: enquanto a Bíblia fala do "Deus acima de nós" — e nela o homem seja um pecador impotente — os Mistérios aludem ao deus dentro de nós — ou do homem como deus. Mas é inegável que as vozes dos antigos mestres se perderam na ladainha caótica daqueles que se autoproclamam "escolhidos" e dizem ser os únicos a compreender a Palavra — que, segundo eles, está escrita na sua língua e em nenhuma outra. Diante disso, fica evidente que as religiões se tornaram uma cabine de pedágio para o céu. 


Um homem sábio disse certa vez que a diferença entre o homem e Deus é que o homem esqueceu que é divino. Buda disse: "você mesmo é Deus", e Jesus, que "o reino de Deus está entre vós" — além de prometer que quem crê Nele fará as coisas que Ele faz e até maiores do que elas. O primeiro antipapa — Hipólito de Roma — criou a mesma mensagem: "Abandone a busca por Deus e, em vez disso, procure por Ele tomando a si mesmo como ponto de partida". 


Quiçá isso tudo não passe de velhas histórias fabricadas pelo homem que o tempo se encarregou de exagerar, mas há fortes indícios de que os antigos compreendiam o pensamento de modo mais profundo do que o compreendemos hoje. Mesmo sendo uma disciplina nova, a noética é a ciência mais antiga do mundo — o estudo da mente humana —, e talvez um dia nossa ciência alcance a sabedoria dos antigos.


A mente humana era a única tecnologia à disposição dos antigos, e os primeiros filósofos a estudaram de forma incansável. Os Vedas descrevem o fluxo de energia mental; a Pistis Sophia fala sobre a consciência universal, e o Zohar explora a natureza da mente-espírito. Os textos xamanísticos produzem a "ação fantasmagórica à distância" de Einstein em termos de cura remota. 


Quando a Bíblia diz que devemos "construir nosso templo" e fazer isso "sem ferramentas e sem ruído", tudo indica que se trata do nosso corpo — "Vós sois o tempo de Deus" (Coríntios 3:16). E o Evangelho segundo João diz a mesma coisa. Infelizmente, parece que grande parte do mundo religioso está esperando que um templo de tijolos seja construído — como prega a Profecia Messiânica — em vez da construção do tempo de nossas mentes. 


Pode-se argumentar que as Escrituras descrevem em detalhes um templo físico que precisa ser construído, cuja estrutura seria dividida em um templo externo chamado Santo e um santuário interno chamado Santo dos Santos. As duas partes estão separadas uma da outra por um tênue véu, da mesma forma que, em nosso cérebro, a membrana aracnoide separa a dura-mater da pia-mater. Segundo alguns cientistas, quando em estado avançado de concentração o cérebro humano produz uma secreção que supostamente tem um efeito curativo capaz de regenerar células e pode ser o motivo por trás da longevidade dos iogues. 


Curiosamente, a Bíblia fala em "maná dos céus" — uma substância mágica que teria caído do céu para alimentar os famintos. Consta que ela curava os doentes, dava vida eterna e, estranhamente, não produzia dejetos ao ser consumida. Diante disso, alguns estudiosos interpretam "templo" como uma código para o corpo, "céu", um código para a mente, a Escada de Jacó, a coluna vertebral, e o "maná", essa rara substância produzida pelo cérebro. Aliás, essa mesma substância aparece em todos os Antigos Mistérios com outros nomes, como "néctar dos deuses", "elixir da vida", "a,brosia", "fonte da juventude", "pedra filosofal", e por aí afora. 


Segundo Mateus 6:22, "quando teu olho for bom, todo o teu corpo terá luz". Se usado corretamente, nosso cérebro pode invocar poderes literalmente sobre-humanos. Mas, por incrível que pareça, a ciência ainda não alcançou todo o potencial da mente. Os antigos já conheciam muitas das verdades científicas que estão sendo redescobertas atualmente. É provável que dentro de mais alguns anos seremos forçados a aceitar o que hoje é impensável: nossas mentes podem gerar energia capaz de transformar a matéria física. E se as partículas reagem ao pensamento, então os pensamentos têm o poder de mudar o mundo.


Talvez Deus seja na verdade uma energia mental que permeia tudo, e os seres humanos foram criados à sua semelhança. Nossos corpos evoluíram com o passar do tempo, mas nossas mentes é que foram criadas à imagem e semelhança desse "Deus". Pelo mundo todo, os religiosos olham para o céu em busca de Deus, sem perceberem que nós somos criadores, embora desempenhamos ingenuamente o papel de criaturas. Vemos a nós mesmos como ovelhas indefesas, ajoelhamo-nos como crianças assustadas implorando ajuda, perdão, ou seja lá o que for. Quando percebermos que fomos realmente feitos à imagem do Criador, entenderemos que nós também somos criadores. E esse entendimento fará com que as portas do conhecimento humano se escancarem. 


A grande ironia é que, durante séculos, a maioria das religiões incentivou seus sectários a abraçarem os conceitos de fé e crença. Agora a ciência, que passou séculos considerando as religiões como mera superstição, está construindo uma ponte para atravessar o abismo que ela própria criou. Mas usar a mente é como tocar violino: requer dedicação e um longo período de aprendizado. O pensamento bem direcionado é uma habilidade que se adquire. E como no caso do violino, algumas pessoas demonstram uma aptidão natural maior do que as outras. Há relatos de casos incomuns e ainda não totalmente explicados de remissão espontânea de certos tipos de câncer, fenômeno que alguns pesquisadores associam a fatores psicológicos e fisiológicos pouco compreendidos. Os noéticos, por sua vez, atribuem esses casos à capacidade da mente de transformar células cancerosas em células saudáveis apenas pelo pensamento.


Talvez seja a hora de aceitarmos que o mundo não é exatamente como imaginamos. Historicamente, todos os grandes avanços científicos começaram com uma ideia simples que ameaçou virar todas as crenças de cabeça para baixo. A simples afirmação de que a Terra é redonda foi desprezada e tachada de impossível porque as pessoas acreditavam que, se fosse assim, os oceanos se derramariam do planeta, e o heliocentrismo foi chamado de heresia. 


As mentes medíocres sempre atacaram aquilo que não entendem, mas os criadores sempre acabam encontrando quem lhes dê ouvidos. Então a quantidade de seguidores cresce até alcançar um número crítico, e de repente o mundo se torna redondo e o Sol passa a ser o centro do sistema solar. Ou seja, a percepção se transforma e uma nova realidade nasce. Não faltam evidências de que o poder do pensamento humano cresce exponencialmente em proporção à quantidade de mentes que compartilham um mesmo pensamento. É esse o poder inerente aos grupos de oração, aos círculos de cura, aos cantos coletivos e às devoções em massa.


Em última análise, Deus pode estar na união de muitos, e não em um só. Aliás, a palavra hebraica usada no Antigo Testamento para se referir a Deus — Elohim — está no plural, talvez porque as mentes dos homens são plurais e, portanto, Deus é plural.

domingo, 16 de agosto de 2026

DICAS PARA CHURRASCO

A VIDA ESTÁ DIFÍCIL, MAS O CHURRASCO CONTINUA UMA DELÍCIA.

Depois de provar Flat Iron no restaurante, você vai ao açougue e descobre que a carne de nome chique é extraída da paleta, se chama raquete e é considerada carne de segunda.


Vale lembrar que a diferença entre cortes "de primeira" e "de segunda" não é o valor proteico, mas o sabor, que depende da quantidade de gordura, e da maciez, que variam conforme o trabalho muscular realizado pela região do boi de onde a peça foi extraído.


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Em sua penúltima bufonaria (para não dizer palhaçada), o filho do presidiário, esperando ser guindado ao Planalto pelo voto dos estultos, néscios e cegos mentais que têm ojeriza ao molusco eneadáctilo e votariam no próprio Belzebu para evitar que macróbio petista permaneça mais quatro anos no poder — que os deuses nos livrem de ambas essas desgraças —, expôs no site da Alerj, no portal do Senado e no perfil do LinkedIn um currículo claramente anabolizado. 

Apanhado no contrapé por uma reportagem do G1, o filho do pai mandou a assessoria da campanha dizer que "eventuais registros diferentes dos reais são erros ou equívocos". Embora as informações sejam de responsabilidade do candidato, ele culpou a Wikipédia e se tornou um caso raro de político que não lê o próprio currículo.

Na biografia exposta no site da Alerj, o primogênito do refugo da escória da humanidade havia se pós-graduado na Universidade Federal do Rio de Janeiro, a UFRJ. Se a inverdade tivesse sido descoberta na hora, seria uma mentira deslavada. No portal do Senado, virou quase um lapso de memória. Ali, aparecia a especialização em Ciência Política sem citar o nome da universidade. Mais um pouco e a mentira viraria parte da formação acadêmica do herdeiro político do "mito" preso. Graças ao jornalismo, entrou para a categoria dos "erros ou equívocos". 

Bolsonarinho é formado em Direito pela Universidade Cândido Mendes. Fez pós-graduação em Políticas Públicas pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio, MBA em Empreendedorismo na FGV e mestrado em Ciências Ocultas e Letras Apagadas na Universidade da Casa do Carvalho. Com essa formação, o menino prodígio poderia ter dispensado a especialização em mentirologia.


Nos últimos anos, nomes como Flat Iron, Denver e Tomahawk migraram dos cardápios para os balcões de açougue em São Paulo. A rigor, o primeiro é paleta, o segundo vem do acém central e o terceiro é a costela com osso longo. A mudança de nome serve apenas para justificar o preço, que não raro é triplicado. 


Alguns connoisseurs sustentam que o Flat Iron vem sem o nervo central da Raquete e é cortado de modo mais uniforme, enquanto outros afirmam que uma paleta vendida no açougue dificilmente será de uma rês da raça Angus (que é muito mais macia). 


Se você quer o corte sem usar o nome “de moda”, peça ao açougueiro que retire o nervo central da raquete e corte a peça em bifes longos — ou simplesmente peça a raquete limpa em bifes.


O Denver Steak é o miolo de acém sem osso e pode ser pedido simplesmente como “miolo de acém sem osso”. Já o Tomahawk, extraído entre a quinta e a décima terceira costela do boi, é o que tradicionalmente se chama de Prime Rib com osso grande ou chuleta. 


Entre as opções com melhor custo-benefício para churrasco, os especialistas destacam a fraldinha, em peça inteira e com gordura. Eu, particularmente, prefiro o miolo da alcatra ou do contrafilé (cortado em pedaços de 3 a 4 cm de altura, para não ressecar). 


A maminha não decepciona, desde que em peça inteira e com a gordura preservada e sem aquela pela prateada conhecida como "espelho". Já a bananinha intercostal — pequeno músculo que fica junto do contrafilé, próximo à alcatra — é saborosa e tem preço convidativo. Só não deixe de pedir ao açougueiro que mantenha a gordura, mas retire o excesso de sebo.


Por último, mas não menos importante, a carne deve ter cor vermelho-brilhante (não escura/roxa) e a gordura deve ser branca ou levemente amarelada (gordura muito amarela indica animal velho). A fibra deve ser curta e o toque deve ser firme, não pegajoso.


Bom proveito.

sábado, 15 de agosto de 2026

CONSCIÊNCIA NÃO-LOCAL, VIDA APÓS A MORTE E QUE TAIS

QUIS CUSTODIET IPSOS CUSTODES?

Vimos que tanto as projeções astrais orgânicas quanto as experiências de quase morte (EQMs) são descritas como um "desligamento" do corpo físico, um breve período de consciência não-local que sugere que nossa consciência não fica "armazenada" no cérebro.


Vimos também que um cérebro que sonha se parece com um cérebro que morre, já que em ambos os níveis do ácido gama-aminobutírico (GABA) caem quase a zero, enfraquecendo os filtros e abrindo a porta para bandas mais largas de informação. 


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Em um dia para lá de cheio em Brasília, Flávio "Rachadinha" Bolsonaro afirmou que o ministro Alexandre de Moraes atua como um “articulador do Lula” ao promover encontros políticos em sua residência. Durante coletiva de imprensa em um dos comitês de campanha, o candidato do Partido dos Ladrões voltou a defender que o impeachment de ministros do STF se torne uma pauta eleitoral e perguntou aos colegas de partido candidatos ao Senado, que se encontravam presentes no evento, se apoiavam a destituição de Moraes. Em resposta, ouviu gritos de “Fora, Moraes”. 

Apesar das críticas, o filho do presidiário defendeu que a decisão cabe ao Senado, e não ao presidente da República, e disse ainda que os candidatos ao Senado serão cobrados pelos eleitores sobre o tema durante a campanha. 

Mais cedo, Moraes tomou uma decisão polêmica ao autorizar a realização de busca e apreensão contra o ex-secretário de Assuntos Legislativos do Maranhão, Raimundo Cutrim, apontado pela PF como a fonte de um jornalista em reportagens sobre o suposto uso irregular de carros oficiais pelo ministro Flávio Dino e familiares no estado nordestino. A medida recebeu parecer favorável da PGR e foi confirmada pelo STF. Segundo a defesa de Cutrim, a decisão tem como base informações obtidas após a quebra do sigilo telemático do jornalista, que teria identificado o ex-secretário como responsável por repassar informações consideradas privilegiadas.

Cutrim já havia sido alvo de mandados de busca e apreensão e de prisão domiciliar expedidos pelo próprio Dino em um outro inquérito, que investiga um homicídio no Maranhão. Foram apreendidas 26 armas em endereços dele e o caso acabou no centro da disputa do governo do Maranhão. Agora, com base em dados obtidos na operação de março contra Luís Pablo, a PF concluiu que Cutrim era informante do blogueiro e apontou trocas de mensagens sobre a transferência de R$ 100 mil depositada na conta de um terceiro, Danilo Cutrim, mas que seria em benefício de Raimundo. O pedido da PF afirma que o blog “parece mais se assemelhar a um veículo de mídia destinado à publicação de matérias compradas, com direcionamento político”.


Quando sonhamos, é comum nos sentirmos como seres desprovidos de peso ou massa corporal, capazes de atravessar obstáculos, voar e até nos teletransportar como uma consciência sem forma física. Essa aparente capacidade de transitar entre o mundo dos vivos e o dos mortos faz com que o "corpo do sonho" seja considerado sagrado por muitas culturas.


Falando em corpo, embora a morte o transforme numa concha vazia, ele é embalsamado, vestido, sepultado e visitado regularmente por familiares e amigos. Isso apesar de as EQMs mostrarem claramente que a pessoa sente alívio por se livrar de um corpo envelhecido ou doente e não dá a menor importância ao que acontece com ele.


A ciência noética sustenta que nosso cérebro funciona como uma antena de rádio que recebe sinais do universo. Vale ressaltar que a existência desse plano cósmico ainda não restou provada, mas costuma ser experimentado pela maioria das pessoas em estados alterados de consciência. A questão é que confirmar isso experimentalmente é complicado, já que não existe máquina ou tecnologia que consiga receber sinais do plano cósmico — até onde sabemos, só o cérebro parece ser capaz de fazer isso. 


A integração física completa é tão inviável quanto a conexão de todas as lâmpadas do planeta a um mesmo interruptor. Pode-se argumentar que o impossível só é impossível até alguém duvidar e provar o contrário, e que a fissão nuclear também era um sonho impossível até se tornar real. No entanto, o urânio e a tecnologia nuclear já existiam nos anos 1940, ou seja, tudo que os cientistas precisaram fazer foi aprender como reunir e manipular os elementos pré-existentes.


Voltando à vaca fria, quando sentimos medo de morrer, o cérebro lança mão de estratégias muito bem definidas para "gerir" esse terror. Em circunstâncias normais, essa inquietante certeza — conhecida como "saliência da mortalidade" — é gerida por uma ampla gama de estratégias, como negação, espiritualidade, práticas de atenção plena e reflexões filosóficas. Em circunstâncias extremas — guerras, catástrofes, confrontos violentos etc. —, as pessoas se comportam de modo previsível: ou lutam até a morte para sobreviver ou fogem da ameaça.   


Observação: Segundo o Dicionário de Provérbios e Curiosidades (São Paulo, Editora Cultrix), de R. Magalhães Júnior, "voltar à vaca fria" significa retomar um assunto interrompido, insistir em questões já debatidas. A vianda fria é um prato com que se iniciam as refeições e ao qual não é costume voltar, depois de servidos os pratos quentes. Em francês há uma expressão equivalente: Retournons à nos moutons (Voltemos aos nossos carneiros), cuja origem é literária.


Todos os dias somos lembrados pela mídia de que nosso meio ambiente está em colapso e que o risco de uma guerra nuclear só aumenta. A imprensa fala em futuras pandemias, genocídio e inúmeras atrocidades que acontecem mundo afora, levando nosso cérebro a criar uma gestão de terror e mantê-la permanentemente ativa em segundo plano. Embora não se trate de um modo de fuga ou luta totalmente ativado, isso nos faz sempre prever o pior e nos torna egoístas: quanto mais aterrorizante o mundo, mais tempo gastamos nos preparando para a morte em nosso inconsciente. 


Quanto mais tememos a morte, mais nos agarramos a nós mesmos, a nossos pertences e a nossos espaços seguros, ao passo que, como sugerem alguns estudos, quem não teme a morte tende a manifestar um comportamento mais benevolente, a aceitar melhor os outros, a ser mais empático e cooperativo. Assim, se pudéssemos livrar nossa mente do terror que sentimos em relação à morte, viveríamos num mundo radicalmente melhor. Nas palavras do grande psiquiatra tcheco Stanislav Grof: "a eliminação do medo da morte transforma o modo de ser do indivíduo no mundo".


Talvez a realidade não seja como achamos que ela é, e isso inclui a ideia provocadora de que a morte seja uma ilusão e que nossa consciência sobreviva à morte física e siga adiante. Se essa tese restar provada, daqui a algumas gerações a mente humana funcionará segundo a crença de que a morte, no fim das contas, não é tão aterrorizante assim.


Ao fim e ao cabo, tudo se funde para formar um conceito mais geral: a morte não é o fim. Essa ideia é defendida pela maioria das religiões, que falam em vida eterna (seja tocando harpa sentado em uma nuvem, seja assando num espeto por toda a eternidade) ou esposam a tese da reencarnação. Mas as religiões evoluíram das superstições de nossos antepassados mais remotos, que atribuíam tempestades, terremotos, eclipses e outros fenômenos naturais a forças sobrenaturais. 


Observação: Convém não confundir religião com fé; ainda que ambas andem de mãos dadas, tanto é possível ter fé e não ser religioso como seguir uma religião simplesmente por tradição familiar ou convenção social.


Continua…

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — CONSCIÊNCIA E CIÊNCIA NOÉTICA

A HUMANIDADE TROCOU OS DEUSES PELOS LABORATÓRIOS, MAS NÃO ABANDONOU AS CRENÇAS.

Em sociedades antigas, a crença no sobrenatural e em prodígios de magia era uma maneira natural de explicar fenômenos incompreendidos, dar sentido ao desconhecido e oferecer conforto diante da incerteza.


Tempestades, eclipses e mudanças sazonais eram interpretados como manifestações divinas ou forças invisíveis. Com o avanço da ciência, porém, aquilo que antes pertencia ao domínio do mito passou a ser compreendido por meio da observação sistemática, da experimentação e do raciocínio lógico. Em outras palavras, o que ontem chamávamos de magia hoje atende pelo nome de ciência e tecnologia.


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As pesquisas mostram que a corrupção é o segundo item na agenda de inquietações do eleitor, perdendo apenas para a segurança pública. Num instante em que a Polícia Federal conduz inquéritos que roçam as campanhas dos dois candidatos mais bem-postos na corrida presidencial, a troca de chumbo entre eles tende a virar um jogo de soma zero.

As investigações que atingem Lulinha, o ex-líder do governo Jaques Wagner e Marcola, ex-assessor do ex-presidiário, desgastam a imagem do candidato do PT. O inquérito que apura o destino dos R$ 61 milhões que o filho do presidiário mordeu de Daniel Vorcaro e a investigação de desvios de verbas de emendas do vice Alfredo Gaspar tornam desconexa a retórica anticorrupção do presidenciável do PL.

Nesse contexto, os ataques que os candidatos e seus aliados fazem uns aos outros tendem a ser neutralizados. A permanência de nhô-ruim e nhô-pior no topo do ranking das pesquisas indica que os eleitores cativos de ambos dão de ombros para as suspeitas sob investigação. Resta acompanhar o comportamento do eleitor dito independente, que não morre de amores nem pelo bolsonarismo nem pelo petismo, e é decisivo no tira-teima da sucessão. 

Por ser mais sensível às denúncias de corrupção, o voto dessa parcela do eleitorado pode migrar de um lado para o outro conforme o movimento da lama, desempatando por pequena margem o placar de zero a zero. 

Quer dizer: a atuação da Polícia Federal tornou-se um dos fatores centrais da disputa eleitoral.


As inovações tecnológicas revelam a extraordinária capacidade humana de transformar o mundo ao seu redor. Voar, conversar instantaneamente a milhares de quilômetros de distância ou observar galáxias remotas eram impossibilidades absolutas até poucas gerações atrás. Em tese, a evolução do pensamento humano desloca-se do plano mítico para o científico — ainda que negacionistas, teóricos da conspiração e seus semelhantes insistam em remar contra a maré num oceano particularmente resistente à razão. Ainda assim, a ciência avançou mais nos últimos duzentos anos do que durante milênios inteiros que os antecederam.


Mais de cinco mil anos separam a invenção da roda da compreensão da eletricidade como a utilizamos hoje. Em contraste, bastaram poucos séculos para que travessias marítimas que exigiam semanas passassem a ser realizadas em horas pelos céus. Aprendemos a prever eclipses, compreender as marés e decifrar o nascimento das estrelas, mas seguimos incapazes de cruzar o espaço em velocidades próximas à da luz. O horizonte continua sempre um pouco além do alcance.


O fruto mais cobiçado da árvore da relatividade permanece inacessível. Ainda assim, a história do conhecimento sugere cautela antes de declarar qualquer fronteira definitiva. Muitas impossibilidades revelaram-se apenas limitações temporárias, dissolvidas pelo surgimento de novas ideias ou novas ferramentas. Talvez o impossível não seja aquilo que jamais acontecerá, mas apenas aquilo que ainda não fomos capazes de explicar. Afinal, estamos longe de explorar todo o potencial das próprias mentes que fazem essas perguntas.


Em 2001, nas horas que se seguiram aos ataques terroristas de 11 de setembro, pesquisadores ligados à chamada ciência noética relataram um fenômeno curioso: medições realizadas por geradores de eventos aleatórios distribuídos pelo planeta teriam apresentado desvios estatísticos durante momentos de intensa comoção coletiva. As interpretações permanecem controversas, mas o episódio reacendeu discussões sobre a possibilidade de relações ainda pouco compreendidas entre consciência humana e sistemas físicos complexos.


A hipótese dialoga, ao menos simbolicamente, com antigas ideias espirituais sobre uma consciência universal compartilhada. Estudos envolvendo meditação, intenção coletiva e estados mentais sincronizados passaram a investigar se processos cognitivos poderiam influenciar organismos vivos ou ambientes experimentais específicos.


Alguns autores defendem que a consciência não estaria totalmente confinada aos limites do cérebro, sugerindo que o pensamento direcionado poderia produzir efeitos mensuráveis em determinadas circunstâncias — uma proposta recebida com cautela pela maior parte da comunidade científica.


A expressão “a mente domina a matéria”, portanto, talvez não deva ser entendida como afirmação literal, mas como metáfora poderosa. Somos menos espectadores do universo do que participantes ativos dele. Expectativas, decisões e percepções moldam profundamente a maneira como interagimos com o mundo — e, por consequência, os resultados que dele emergem.


No nível subatômico, interpretações populares da mecânica quântica frequentemente destacam o papel do observador no processo de medição. Isso não implica que a consciência humana crie a realidade à vontade, mas revela algo igualmente intrigante: aquilo que medimos depende inevitavelmente de como escolhemos medir. Entre possibilidade e resultado existe sempre uma interação. Para alguns pensadores, essa relação sugere que compreender o universo exige também compreender quem o observa.


Resumo da ópera: durante séculos acreditamos habitar um universo sólido, objetivo e indiferente à nossa presença — um palco onde a matéria existia independentemente do olhar humano. Hoje sabemos que o observador raramente é apenas espectador. Seja pela psicologia, pela neurociência ou pela própria física experimental, percepção e interpretação participam ativamente da experiência que chamamos de realidade.


Talvez a intenção seja uma habilidade adquirida. Assim como na meditação, controlar a atenção exige prática. Ao longo da história, a capacidade de abstração de alguns poucos indivíduos redefiniu completamente nossa compreensão do cosmos. Talvez esse seja o verdadeiro elo entre o antigo misticismo e a investigação moderna: não a substituição de perguntas antigas por respostas definitivas, mas a persistência das mesmas perguntas sob novas linguagens.


O conhecimento técnico das civilizações antigas, embora frequentemente romantizado, era impressionante em muitos aspectos. Engenheiros dominavam alavancas e polias muito antes de tais princípios serem descritos matematicamente. Alquimistas, apesar de seus equívocos filosóficos, abriram caminhos que mais tarde conduziram à química moderna. Hoje sabemos que partículas podem permanecer correlacionadas à distância por meio do entrelaçamento quântico — um fenômeno rigorosamente estudado — ainda que comparações diretas com crenças espirituais antigas pertençam mais ao campo da metáfora do que da equivalência científica.


Desde sempre, o ser humano buscou compreender sua conexão com o todo. Diferentes tradições chamaram esse impulso de redenção, iluminação ou união. Talvez todas descrevam o mesmo anseio fundamental: superar a sensação de separação diante de um universo vasto demais para caber apenas na experiência individual. Há quem encontre paralelos simbólicos entre teorias cosmológicas modernas e antigas concepções filosóficas sobre múltiplas dimensões da realidade. A teoria das supercordas, por exemplo, imagina um universo mais complexo do que aquele acessível aos sentidos. 


Comparações com ideias antigas podem ser poeticamente sedutoras, embora pertençam mais à analogia cultural do que a uma continuidade histórica direta. No entanto, toda verdade parece exercer sua própria força gravitacional, e ideias abandonadas retornam, reinterpretadas à luz de novos métodos e novas evidências. Talvez a ciência não avance apenas descobrindo o desconhecido, mas também revisitando perguntas antigas com instrumentos mais precisos. Em certos momentos, temos a impressão de que a humanidade não está apenas aprendendo — mas lembrando.

Às vezes, uma lenda atravessa séculos porque guarda algum fragmento de verdade; noutras, como disse Freud, "às vezes um charuto é apenas um charuto". Talvez o verdadeiro desafio não seja escolher entre ciência ou mito, razão ou mistério, mas descobrir qual história ainda não terminou de ser contada.


Continua...