sábado, 31 de outubro de 2026

A VERDADE (AINDA) ESTÁ LÁ FORA — PARTE 7

AUSÊNCIA DE EVIDÊNCIA NÃO É EVIDÊNCIA DE AUSÊNCIA — CARL Sagan

No final da década de 1970, militares da Força Aérea Brasileira liderados pelo Capitão da Aeronáutica Uyrangê de Hollanda Lima, então comandante do Para-Sar,  foram enviados ao Pará pelo Coronel Camilo Ferraz de Barros, chefe da 2ª Seção do Comar 1, para investigar relatos de fenômenos luminosos observados por moradores de localidades próximas a Belém e à região de Colares.


Durante meses, a chamada Operação Prato recolheu depoimentos, fez registros, produziu desenhos e fotografias e acompanhou os fenômenos relatados.


A missão visava investigar um fenômeno apelidado de chupa-chupa, que começou a ser relatado em 1976 por moradores da região oeste do Maranhão e se espalhou por Colares, a 80 quilômetros da capital paraense. No total, 400 pessoas teriam sido atingidas por luzes que, segundo os depoimentos, sugavam-lhes o sangue. A médica que atendeu a maioria dos pacientes disse que eles apresentavam "paresia, cefaleia, tonturas, tremor generalizado e queimaduras de primeiro grau, bem como marcas de pequenas perfurações". 


Tomados pelo pavor, os moradores da região se uniram para afugentar os invasores. Não passava pela cabeça deles que o intruso pudesse ser de outro planeta. A hipótese mais provável era obra do demônio ou castigo divino. À noite, famílias inteiras acendiam fogueiras, batiam latas e soltavam fogos de artifício. Outras, mais religiosas, rezavam o terço. Outras, ainda, empunhavam paus, pedras e espingardas. Diante do desespero da população, o prefeito pediu socorro às Forças Armadas.

 

Para desmistificar o fenômeno, a equipe foi designada para colher depoimentos durante o dia e ficar em campana à noite, munida de câmeras com teleobjetivas de 300 mm a 1000 mm, filmadoras e gravadores. "Meu irmão viu várias naves", contou o comandante da operação, que, no auge das investigações, relatou que um disco voador do tamanho de um DC-10 ficou a 50 metros de sua cabeça, e que sua equipe havia filmado e fotografado tudo. 


A ocorrência número 16 da pasta Registro de Observações de OVNIs descreve o avistamento de um corpo luminoso emitindo lampejos azulados, que se movia a uma velocidade estimada de 800 km/h. O incidente ocorreu em Colares, às 19h do dia 1º de novembro de 1977, e foi testemunhado por militares do I Comar. Além da luminosidade, o objeto apresentava um pequeno semicírculo avermelhado na parte superior e se deslocava do sudoeste para o nordeste sem fazer ruído nem provocar deslocamento de ar. Os arquivos contêm ainda depoimentos de civis, trocas de correspondências entre militares sobre UFOs, recortes de jornais da época e várias conversas entre pilotos e controladores de voos sobre estranhos fenômenos no espaço aéreo nacional.


Continua...

 

Parentes e amigos do capitão Uyrangê relataram que ele e o sargento João Flávio Costa tiveram um contato imediato de terceiro grau em dezembro de 1977. A nave de cerca de 100 metros de comprimento e formato de bola de futebol americano havia pousado em pé na outra margem do rio Guajará-Mirim, no Pará. Na sequência, uma porta se abriu, um ET saiu e ficou flutuando sobre a água. 


Na hora da reunião, após ouvir atentamente a história, o brigadeiro Protásio mandou suspender a operação — uma decisão que até hoje intriga ufólogos. A maioria dos militares que participaram da missão já morreram, incluindo o próprio capitão Hollanda, que concedeu uma entrevista ao jornalista e ufólogo Ademar José Gevaerd, editor da revista UFO, em agosto de 1997. 


Na oportunidade, o militar reformado relembrou seus muitos avistamentos, admitiu que teve medo de ser abduzido e revelou que a investigação foi amplamente documentada. Só de fotografias havia mais de 500. Isso sem falar das 16 horas de filmagens (nos formatos Super-8 e Super-16) e de um calhamaço de 2 mil páginas de relatórios. "Aquele monstro azul, embora tivesse um brilho muito forte, podia ser olhado diretamente sem que ardessem as vistas", declarou à revista UFO.


Dois meses após a bombástica entrevista, Hollanda se enforcou em casa, com a corda de seu roupão. Houve quem especulasse que ele teria sido assassinado por revelar informações sigilosas e colocar a segurança nacional em risco., bem como quem afirmasse que ele não morreu: apenas mudou de identidade e deixou o país. Mas não há evidências que sustentem essas versões.


Por essas e outras razões, a Operação Prato continua a ser apontada por ufólogos do Brasil inteiro como um dos mais intrigantes casos de avistamento de ovnis já registrados no país. "Foi a maior missão militar para investigar OVNIs de que se tem notícia no mundo", classifica Gevaerd. Thiago Luiz Ticchetti, presidente da Comissão Brasileira de Ufólogos concorda: "O que mais impressiona é o fato de termos investigado algo tão incrível e, ainda hoje, não sermos capazes de explicar o que aconteceu."


O 1º tenente médico Pedro Ernesto Póvoa integrava a equipe chefiada pelo Capitão Hollanda. No dia 26 de outubro de 1977, o psiquiatra foi a um vilarejo chamado Santo Antônio de Ubintuba, no município de Vigia, ouvir relatos de avistamentos e ataques de luzes insólitas, e seu veredito foi "histeria coletiva". A certa altura da operação, agentes do antigo Serviço Nacional de Informações (SNI) foram chamados para ajudar nas investigações. Em sua primeira noite na Ilha do Mosqueiro, a 80 km de Belém, Jorge Bessa — um dos oficiais do SNI deslocados para a missão — avistou um objeto luminoso que realizou pequenas manobras e desapareceu em grande velocidade, deixando claro que obedecia a um comando inteligente. 


Cercada de segredos, histórias e fenômenos sem explicação, a Operação Prato se tornou uma espécie de caso Roswell tupiniquim. A diferença é que, enquanto os militares americanos primeiro admitiram e depois negaram a existência dos OVNIs, os brasileiros que atuaram em Belém afirmaram taxativamente que viram diversas vezes os objetos não identificados sobrevoarem a Amazônia.


Quarenta anos depois, ufólogos ainda tentam ter acesso ao material coletado durante a operação. "Onde estão as fotos que o capitão Hollanda e sua equipe tiraram? E as filmagens? Que fim levou esse material?", pergunta Thiago Luiz Ticchetti, da CBU. Por intermédio de sua assessoria de imprensa, a Aeronáutica informou que todo o material disponível já foi encaminhado ao Arquivo Nacional, e que não dispõe de profissionais especializados para realizar investigações científicas ou emitir parecer a respeito deste tipo de fenômeno aéreo. Mas nem sempre foi assim. 


Entre 1969 e 1972, a Aeronáutica chegou a ter um órgão específico para tratar do assunto. Até ser extinto pelo governo militar, o Sistema de Investigação de Objetos Aéreos Não Identificados apurou mais de 70 casos de avistamentos de discos voadores. Hoje, o acervo sobre OVNIs é um dos mais visitados do Arquivo Nacional. Somente em julho de 2021, foram registrados mais de 12 mil acessos. 


Do total de 753 relatórios disponibilizados, material que abrange um período de 63 anos (1952-2015), apenas seis dizem respeito à Operação Prato. Vão de 2 de setembro de 1977 a 28 de novembro de 1978 e englobam 15 municípios do interior do Pará. "O material disponível para consulta pública é apenas a ponta do iceberg", afirma o ufólogo Edison Boaventura Júnior, presidente do Grupo Ufológico do Guarujá (GUG). Segundo ele, a filha do Brigadeiro Protásio, uma pedagoga aposentada, é uma das poucas felizardas que tiveram acesso às filmagens ultrassecretas. "Entre outros fatos aterradores, ela cita a nave-mãe pairando sobre o rio Amazonas", alega.


Outra cena impressionante, aponta Edison, é a que revela um OVNI submergindo nas águas do rio Tapajós em plena luz do dia. A filmagem, segundo o ufólogo, teria sido feita pelo Sargento João Flávio Costa, braço-direito do Capitão Hollanda. "A única certeza que tenho é que estamos diante de um dos maiores enigmas da ufologia. E mais: os avistamentos não acabaram", diz Edison, alegando que "40 anos depois, discos voadores continuam aparecendo naquela região".


O simples fato de militares brasileiros terem sido mobilizados para investigar relatos de ocorrências aéreas anômalas já é, por si só, um capítulo bastante curioso da nossa história. Talvez seja justamente esse o ponto que une Roswell, Blue Book, Nimitz, K2-18 b, Operação Prato e tantos outros episódios aparentemente desconexos. A rigor, "ainda não sabemos” pode ser uma resposta frustrante, mas também pode ser o começo de uma descoberta.


Se um dia encontrarmos vida fora da Terra, provavelmente não será porque uma nave pousou na Casa Branca, um ET saiu pela porta e pediu para falar com o presidente. Talvez seja muito mais sutil, como uma molécula numa atmosfera distante, um sinal de rádio, uma alteração química impossível de explicar por processos naturais conhecidos, uma assinatura tecnológica, ou mesmo alguma coisa que sequer sabemos procurar. 


E aí teremos chegado ao ponto mais interessante desta história, até porque, se existe uma diferença gigantesca entre acreditar que estamos sendo visitados e descobrir que não estamos sozinhos, a primeira depende de interpretação, mas a segunda exige evidência. E talvez seja justamente essa evidência — e não os discos voadores, os homenzinhos verdes ou as teorias conspiratórias — que deveríamos estar procurando.


A pergunta que se coloca não é “existem extraterrestres?”, mas sim "se finalmente encontrarmos alguma coisa lá fora, seremos capazes de reconhecer que a encontramos?”


Continua…

A VERDADE (AINDA) ESTÁ LÁ FORA — PARTE 8

SE EXISTE VIDA EXTRATERRESTRE INTELIGENTE, OS ALIENS QUEREM DISTÂNCIA DOS TERRÁQUEOS.

O Universo observável se estende em todas as direções por 46,6 bilhões de anos-luz (raio de cerca de 440 sextilhões de quilômetros), e existe algo entre 100 bilhões e 1 trilhão de exoplanetas somente na Via Láctea. Estima-se que muitos desses corpos celestes estejam na zona habitável, onde recebem tanta luz de sua estrela quanto a Terra recebe do Sol, e a temperatura na superfície permite a existência de água em estado líquido. 


Observação: Os astrônomos se referem a essa zona como "Cachinhos Dourados", numa alusão ao conto infantil homônimo, no qual a protagonista não gosta do mingau doce como o do bebê urso nem salgado como o do papai urso, mas "no ponto certo", como o da mamãe ursa.


O problema é que a nossa tecnologia ainda não permite vencer as distâncias incomensuráveis que nos separam desses mundos. Já conseguimos pisar na Lua, mas ela fica a menos de 400 mil km da Terra. A sonda espacial mais veloz lançada pela NASA atingiu 692 mil km/h — ou seja, 0,064% da velocidade da luz, o que, ao menos em tese, nos permite ir a Netuno em menos de 9 meses. Trata-se de um progresso significativo se considerarmos que a Voyager 1 demorou 35 anos para atravessar a heliopausa — fronteira onde o vento solar cede lugar ao meio interestelar. No entanto, uma viagem ao sistema binário Alpha Centauri A/B, que fica a 4,37 anos-luz, levaria mais de 6 mil anos. 


A ausência de indícios de vida inteligente nos demais planetas e satélites do nosso Sistema Solar sugere que os avistamentos de OVNIs (ou UFOs, ou ainda UAPs) envolvem naves provenientes de exoplanetas que abrigam civilizações mais avançadas do que a nossa. E conforme vimos em outras postagens, as suspeitas de que alienígenas visitaram e continuam visitando a Terra não vêm de hoje.


Segundo os Teóricos dos Antigos Astronautas, aliens teriam ajudado a construir monumentos como as pirâmides de Gizé, Stonehenge e Tikal, entre outros, e destroços de objetos voadores não identificados (como no chamado Caso Roswell, ocorrido em julho de 1947, no Novo México) teriam acelerado consideravelmente a nossa evolução tecnológica. De acordo coma a versão oficial, os destroços seriam de um balão do Projeto Mogul — programa secreto de vigilância acústica para detectar testes nucleares soviéticos — mas o incidente forneceu terreno fértil para especulação, e desse vácuo informacional nasceu a hipótese de que os destroços de um disco voador teriam sido encaminhados a laboratórios militares para engenharia reversa.

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O nome mais citado nessa narrativa é o do tenente-coronel Philip J. Corso, que publicou "The Day After Roswell" em 1997. No livro, ele afirma que, na década de 1960, teria distribuído fragmentos de tecnologia alienígena recuperada em Roswell para empresas e laboratórios americanos sem que essas empresas soubessem a origem real do material. Corso atribui a essa suposta distribuição uma lista impressionante de saltos tecnológicos: o circuito integrado, a fibra óptica, o Kevlar, os lasers e até os sistemas de visão noturna.


Nenhuma dessas atribuições resiste a uma checagem histórica factual — todas essas tecnologias têm trajetórias de desenvolvimento documentadas, com nomes, patentes e datas conhecidas, que não deixam espaço para uma origem alienígena —, mas a força narrativa do livro (um oficial de carreira, com décadas no Pentágono e no Conselho de Segurança Nacional, "revelando" a verdade) deu à teoria uma sobrevida que persiste até hoje.


Outro nome recorrente é o de Bob Lazar, que em 1989 afirmou ter trabalhado num local próximo à Área 51, conhecido informalmente como S-4, analisando o sistema de propulsão de discos voadores recuperados pelo governo americano. Lazar chegou a mencionar o elemento 115 (moscóvio, sintetizado em 2003 mas só confirmado pela IUPAC em 2015 e batizado em 2016) como suposto combustível para geração de gravidade artificial — uma coincidência que seus defensores tratam como prova e que os céticos tratam como o tipo de detalhe fácil de forjar retroativamente ou simplesmente errar.


Vale mencionar também os documentos "Majestic 12", que começaram a circular em 1984 e supostamente comprovariam a existência de um comitê ultrassecreto, criado por Truman em 1947, para gerenciar a recuperação de destroços e corpos alienígenas — inclusive os de Roswell. O FBI investigou os documentos e os classificou como fraudulentos; a maior parte dos historiadores e pesquisadores sérios do fenômeno OVNI (incluindo alguns simpáticos à hipótese extraterrestre em geral) os considera falsificação.


Do ponto de vista de quem defende essa narrativa, o argumento estrutural costuma ser este: a aceleração tecnológica do pós-guerra — do transistor (1947, mesmo ano de Roswell) ao circuito integrado (1958) — teria sido rápida demais para ser resultado apenas do acúmulo orgânico de pesquisa militar e acadêmica, sugerindo um "empurrão" externo. É um argumento que se apoia mais na sensação de vertigem histórica do que em evidência documental, mas é justamente esse tipo de coincidência cronológica que dá liga às teorias de tecnologia reversa.


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sexta-feira, 30 de outubro de 2026

A VERDADE (AINDA) ESTÁ LÁ FORA — PARTE 6

NOSSO SOL É UMA ENTRE MAIS DE 100 BILHÕES DE ESTRELAS NA VIA LÁCTEA, RAZÃO PELA QUAL É MUITA PRESUNÇÃO ACHAR QUE SOMOS OS ÚNICOS SERES DO UNIVERSO.

Em 2017, o objeto interestelar Oumuamua — cujo nome havaiano significa “mensageiro de longe que chega primeiro” — atravessou o Sistema Solar em uma trajetória altamente hiperbólica, deixando a comunidade científica perplexa.


O astrônomo Avi Loeb, de Harvard, argumentou que ele poderia ter atingido altas velocidades a partir de uma vela solar criada por uma civilização extraterrestre — uma hipótese polêmica, sem dúvida, mas formulada por um cientista com décadas de carreira acadêmica e centenas de artigos publicados.


O enredo ganhou um novo capítulo em julho de 2025, quando um terceiro objeto interestelar, o 3I/ATLAS, foi detectado aproximando-se do Sistema Solar a cerca de 217.000 km/h, vindo aproximadamente da direção da constelação de Sagitário. Loeb levantou a hipótese de que características do objeto poderiam ser compatíveis com uma origem tecnológica, embora essa interpretação esteja longe de ser consensual. Como costuma acontecer quando se mexe com extraterrestres, a discussão rapidamente ultrapassou as fronteiras da astronomia e entrou no território da especulação.


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Em setembro de 2023, a NASA publicou o relatório elaborado por sua equipe independente de estudo sobre UAPs — os chamados fenômenos anômalos não identificados. O documento reconheceu que há relatos de testemunhas consideradas confiáveis, entre elas aviadores militares, sobre objetos ou fenômenos que não conseguiram identificar. Isso, porém, está muito longe de constituir uma confirmação de tecnologia extraterrestre: a NASA deixou claro que não encontrou evidências conclusivas de que os UAPs tenham origem alienígena. Ainda assim, a possibilidade de fenômenos ou tecnologias desconhecidas continua sendo uma questão legítima de investigação científica.

Na audiência histórica de julho de 2023 no Congresso americano — uma das mais importantes discussões públicas sobre o assunto em décadas —, David Grusch, ex-oficial de inteligência dos EUA, declarou sob juramento que, segundo informações que havia recebido, o governo americano possuiria veículos de origem não humana “intactos e parcialmente intactos”. Suas afirmações provocaram enorme repercussão, embora não tenham sido acompanhadas, publicamente, de evidências físicas que permitissem confirmar tais alegações.


Já o comandante David Fravor, veterano da Marinha americana, descreveu o objeto que avistou em 2004 como muito superior às tecnologias conhecidas à época e relatou características de voo que, segundo ele, não correspondiam a nenhuma aeronave convencional. O chamado “Tic Tac” tornou-se desde então um dos casos mais conhecidos da história recente dos UAPs.


É fato que a NASA colocou astronautas na Lua e enviou sondas para o espaço interestelar. Também é fato que o rover Perseverance encontrou, em um antigo leito fluvial marciano, uma formação rochosa posteriormente batizada de “Cheyava Falls”, cujas características químicas e mineralógicas podem ser compatíveis com processos biológicos ocorridos no passado. A rocha contém moléculas orgânicas à base de carbono, minerais como a vivianita e estruturas que despertaram especial interesse dos pesquisadores. Essas características foram consideradas possíveis bioassinaturas — isto é, sinais que podem ter origem biológica —, mas ainda não constituem prova de que Marte tenha abrigado vida.


Por outro lado, nenhuma tecnologia desenvolvida até agora permitiu cruzar o cosmos a velocidades próximas à da luz ou criar atalhos no espaço-tempo que possibilitem percorrer milhões ou bilhões de quilômetros em questão de minutos — ao menos até onde sabemos. Mas basta manter a mente aberta para admitir a possibilidade de existirem civilizações muito mais desenvolvidas que a nossa e, portanto, capazes de dominar tecnologias que hoje sequer conseguimos imaginar. Afinal, a história da ciência e da tecnologia está repleta de coisas que pareciam impossíveis até deixarem de sê-lo.


Causa espécie o fato de milhões de pessoas no mundo inteiro continuarem acreditando que a Terra é plana e negando qualquer possibilidade de vida extraterrestre, mesmo quando confrontadas com a avalanche de imagens que demonstram a esfericidade do planeta e com os incontáveis avistamentos de OVNIs que alimentam o debate sobre o assunto. Não se nega a esses bocórios o direito de viver dentro de suas bolhas, orbitando certezas que desafiam a gravidade da lógica. Como disse alguém mais sábio, pode-se derrotar 40 sábios com um único argumento, mas 400 argumentos não bastam para convencer um idiota daquilo que lhe salta aos olhos.


Se não há evidências de universos paralelos, tampouco se pode afirmar que eles não existam. Afinal, as equações da mecânica quântica, combinadas às da relatividade geral, já nos brindaram com inúmeras “previsões mirabolantes” para a época, posteriormente confirmadas por experimentos de laboratório e observações astronômicas. A título de ilustração, a expedição comandada por Pedro Álvares Cabral levou 44 dias para navegar de Lisboa até o que viria a ser o litoral sul da Bahia, enquanto hoje qualquer voo comercial atravessa o Atlântico em menos de dez horas.


No que concerne à vida extraterrestre, porém, a história é outra. Se existem dezenas de sextilhões de estrelas no Universo observável, e muitas delas são orbitadas por exoplanetas, a Terra seria pouco mais que um minúsculo grão de areia numa praia de dimensões cósmicas. Dito isso, é muita pretensão afirmar que nenhuma forma de vida tenha se desenvolvido em alguns desses corpos celestes. Não estou falando necessariamente de vida inteligente, mas tampouco essa possibilidade deve ser descartada.


Desde que o primeiro exoplaneta em torno de uma estrela semelhante ao Sol foi descoberto, há cerca de 30 anos, milhares deles vêm sendo identificados orbitando não apenas estrelas semelhantes à nossa, mas também anãs vermelhas e outros tipos de astros. Graças a missões como Kepler e TESS, a NASA Exoplanet Archive já registrou milhares de exoplanetas confirmados, e outros milhares de candidatos aguardam confirmação. Para explorar dados detalhados sobre esses mundos, pode-se consultar o Painel de Descobertas da NASA.


Há desde mundos pequenos e rochosos, como a Terra, até gigantes gasosos maiores que Júpiter. Há também os chamados “Júpiteres quentes”, “super-Terras” — planetas geralmente maiores e mais massivos que a Terra — e “mini-Netunos”, versões menores dos gigantes gasosos que conhecemos. Existem ainda sistemas em que planetas orbitam duas estrelas ao mesmo tempo e até planetas que giram em torno de remanescentes de estrelas mortas. Tudo somado e subtraído, há provavelmente centenas de bilhões de planetas somente na Via Láctea, sobre os quais ainda sabemos relativamente pouco.


Observação: Com lançamento previsto para 2027, o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman deverá ampliar significativamente a busca e o estudo de exoplanetas, utilizando diferentes métodos de detecção. Já a Missão ARIEL, da Agência Espacial Europeia, com lançamento previsto para 2029, terá como uma de suas principais tarefas estudar as atmosferas de exoplanetas, investigando sua composição, nuvens e neblinas.


Em meados do século passado, durante uma conversa descontraída com alguns colegas, o físico italiano Enrico Fermi levantou uma pergunta que atravessaria gerações: “Onde está todo mundo?" Considerando que existe um número astronômico — sem trocadilho — de estrelas somente na Via Láctea, e que muitas delas constituem sistemas planetários, não se pode descartar a possibilidade de alguns desses exoplanetas reunirem condições propícias ao surgimento da vida e de essa vida, em algum momento, evoluir para formas inteligentes e tecnologicamente avançadas.


Se formos um pouco mais além e considerarmos que algumas dessas hipotéticas civilizações são muito mais desenvolvidas que a nossa, como negar a possibilidade de extraterrestres viajarem pelo cosmos em busca de outros mundos? O surgimento da vida, da forma como a conhecemos, é um processo extremamente complexo, que precisa superar inúmeras barreiras, sobretudo quando tomamos a Terra como exemplo de um planeta habitável.


Por outro lado, se outras civilizações alcançaram um estágio de desenvolvimento semelhante ao nosso, por que não conseguimos detectar sinais de rádio ou de outro tipo de tecnologia alienígena avançada, como aqueles que nós mesmos somos capazes de produzir?


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quinta-feira, 29 de outubro de 2026

MERCÚRIO ESTÁ ENCOLHENDO?

A ABSTINÊNCIA É UMA BOA COISA, DESDE QUE PRATICADA COM MODERAÇÃO.

Depois que Plutão foi rebaixado a objeto transnetuniano (2006), nosso sistema solar ficou reduzido a 8 planetas, sendo quatro internos (os rochosos Mercúrio, Vênus, Terra e Marte) e quatro externos (os gasosos Júpiter, Saturno, Urano e Netuno).


Mercúrio é o primeiro planeta por ordem de afastamento do Sol, mas a ausência de atmosfera provoca variações brutais de temperatura (de 430 °C no lado iluminado a −180 °C no lado noturno). Vênus, por outro lado, mantém a maior média térmica do Sistema Solar — 475 °C de forma constante, dia e noite, em qualquer ponto da superfície, como uma estufa perfeita e infernal.


Mercúrio ganhou o nome do deus associado ao comércio, às viagens e à eloquência (correspondente a Hermes, o mensageiro dos deuses na mitologia grega), completa sua translação em 87 dias terrestres, mas leva 58 dias e 16 horas para girar em torno do próprio eixo. A distância média entre ele e a Terra é de 91,7 milhões de km, mas cai para 77 milhões de km na conjunção inferior e aumenta para 221 milhões de km quando passa pelo lado oposto do Sol em relação a nós. 


Mercúrio sempre teve um órbita estranha (para os padrões da gravidade newtoniana). Urbain Le Verrier passou a vida acreditando ter descoberto um planeta ainda mais próximo do Sol, e chegou mesmo a batizá-lo de Vulcano (em homenagem ao deus romano do fogo). Sua teoria foi entusiasticamente recebida por astrônomos profissionais e amadores, que decretaram aberta a "temporada de caça a Vulcano". Como a suposta existência desse planeta mais complicava do que simplificava as coisas, a comunidade científica a descartou, a teoria morreu junto com Le Verrier (1877) e o mistério das anomalias na órbita de Mercúrio só foi desvendado quando Einstein publicou sua célebre teoria.


Observação: Acredita-se que nosso sistema solar começou com vários planetas nas vizinhanças do Sol, mas suas órbitas se tornaram instáveis demais, e Mercúrio foi o único sobrevivente. De acordo com Brett Gladman e Kathryn Volk, o planetinha pode ter tido vários "irmãos", mas foi trombando com eles até destruí-los todos.


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Mercúrio pode ter encolhido entre 10% e 30% a mais do que os cientistas estimavam anteriormente. Um novo estudo sugere que parte das marcas deixadas pela contração do planeta está escondida sob detritos produzidos por impactos de asteroides. E isso permite traçar uma nova estimativa, que indica que Mercúrio pode ter perdido até 23 km de diâmetro ao longo de sua história. O trabalho, publicado na revista Geophysical Research Letters, foi liderado pelo cientista planetário Gaku Nishiyama, do Instituto de Pesquisa Espacial do Centro Aeroespacial Alemão (DLR).


Assim como os outros planetas rochosos do Sistema Solar, Mercúrio se formou há cerca de 4,5 bilhões de anos, em meio a colisões entre rochas e asteroides que orbitavam o Sol. Esses impactos produziram grandes quantidades de calor, que o planeta vem perdendo desde então. Conforme seu interior esfria, ele se contrai. As camadas rochosas mais externas precisam se adaptar à redução de tamanho e, nesse processo, se deformam e se rompem, originando estruturas tectônicas como escarpas e cristas — uma espécie de registro geológico do encolhimento do planeta.


Saber quanto Mercúrio se contraiu pode revelar características de seu interior. Uma maior contração significa que ele poderia ter um núcleo metálico maior, menos elementos leves como o silício misturados ao núcleo metálico ou uma temperatura inicial mais alta. Como o resfriamento deveria provocar uma contração relativamente uniforme, os sinais desse processo também deveriam estar distribuídos de maneira semelhante pela superfície. Mas há um problema: novos impactos formam crateras, criam depressões e espalham detritos pelo local, tornando algumas regiões mais irregulares e dificultando a identificação das marcas do encolhimento.


Para investigar essa questão, os pesquisadores combinaram mapas anteriores das evidências geológicas de contração com novos mapas da rugosidade de toda a superfície de Mercúrio. Pela primeira vez, a equipe mostrou que as regiões mais irregulares apresentam menos sinais visíveis de contração.


A hipótese levantada pela equipe é que os detritos produzidos pelos impactos estejam encobrindo parte dessas estruturas. Nishiyama compara o processo a uma camada de cascalho recém-colocada sobre uma estrada, capaz de esconder os sulcos que existiam anteriormente. A equipe então usou a contração necessária para formar cristas e escarpas nas áreas menos afetadas por impactos para estimar quanto o planeta teria encolhido como um todo, incluindo as regiões onde possíveis estruturas estão escondidas.


Até agora, estimava-se que Mercúrio tivesse perdido entre 4 e 16 km de seu diâmetro ao longo de sua história. O novo cálculo indica que a contração pode ter sido de 10% a 30% maior do que se pensava, elevando a redução total para até 23 km. Para Nishiyama, embora o valor de 30% seja surpreendente, a estimativa corrigida faz sentido. Com os novos números, as observações sobre o resfriamento e a contração de Mercúrio ficam mais próximas das previsões feitas com base na física, o que pode contribuir para uma compreensão mais precisa do interior do planeta. Ainda assim, o novo cálculo pode continuar subestimando o fenômeno. Os dados disponíveis da missão MESSENGER, da NASA, encerrada em 2015, permitem medir de maneira confiável apenas estruturas com mais de aproximadamente 5 km de diâmetro.]


A expectativa é que esse cenário mude em novembro deste ano, quando a missão BepiColombo começará a obter imagens de maior resolução da superfície de Mercúrio. Nishiyama, que integra a equipe científica da missão, espera que os novos dados permitam observar escarpas, cristas e crateras de impacto com detalhes inéditos, e, assim, revelar outras marcas do encolhimento do planeta.

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

A VERDADE (AINDA) ESTÁ LÁ FORA — PARTE 5

A VIDA EM OUTROS PLANETAS É REAL E FAZ PARTE DA EVOLUÇÃO ESPIRITUAL — CHICO XAVIER.

Embora devesse ser uma evidência objetiva, a fotografia sempre foi um dos grandes problemas da ufologia. Isso se deve ao fato de que uma foto registra apenas aquilo que atingiu o filme ou o sensor, ou seja, não explica o que provocou a imagem em questão. 


Em julho de 1952, o fotógrafo da Guarda Costeira americana Shell Alpert registrou quatro pontos luminosos em formação sobre Salem, Massachusetts. A foto se tornou uma das imagens clássicas da história dos OVNIs e está preservada pela Biblioteca do Congresso americano,


Diversas análises do caso feitas ao longo dos anos levantaram hipóteses como dupla exposição e reflexos no vidro da janela. O próprio histórico do episódio mostra que diferentes análises chegaram a interpretações distintas. Em outras palavras, até uma fotografia autêntica pode ser uma evidência ambígua. 


Isso fica ainda mais evidente quando aparecem imagens deliberadamente falsificadas, como a foto das espaçonaves capturadas pela câmera do mecânico Paul Villa, de Albuquerque, nos anos 1960, que disse ter sido contatado telepaticamente por seres extraterrestres. As fotos foram posteriormente alvo de críticas relacionadas ao tamanho aparente e à perspectiva dos objetos, levantando a hipótese de que se tratava de modelos em miniatura.


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Vale destacar que a história dos OVNIs não é composta apenas por fenômenos inexplicados, mas também por enganos, interpretações equivocadas, brincadeiras, fraudes e pessoas sinceramente convencidas de terem visto algo extraordinário, o que torna a investigação muito mais difícil. Mas a história fica realmente interessante quando deixamos as fotografias antigas e chegamos aos casos envolvendo militares e sensores modernos.


Em 2004, durante exercícios da Marinha americana na costa da Califórnia, pilotos de F/A-18 encontraram um fenômeno que posteriormente ficou associado ao chamado Incidente Nimitz. Anos depois, vídeos registrados pelos sensores das aeronaves vieram a público, e, em 2020, o próprio Departamento de Defesa americano confirmou oficialmente a autenticidade dos três deles — um registrado em 2004 e dois em 2015 — e afirmou que os fenômenos mostrados permaneciam classificados como não identificados.


Uma coisa é alguém filmar uma luz no céu com um celular, outra é um sensor militar registrar um fenômeno durante uma operação de treinamento, mas mesmo nesse caso precisamos resistir à tentação de completar a história com aquilo que gostaríamos que estivesse nela. Um vídeo autêntico prova que as imagens não foram adulteradas, mas não prova a natureza do objeto filmado, nem que suas aparentes manobras desafiaram as leis da Física.


Para chegar a essa conclusão é necessário conhecer perfeitamente a posição, a distância, a velocidade, o movimento do sensor, as condições atmosféricas e todas as demais variáveis envolvidas. Por outro lado, isso não torna os vídeos menos interessantes, apenas os coloca no lugar correto: são dados a serem investigados, não certificados de origem extraterrestre.


Deixemos de lado por um instante os discos voadores propriamente ditos e foquemos a possibilidade de encontrar vida em algum planeta ou satélite do nosso Sistema Solar ou nos incontáveis exoplanetas espalhados pelo Universo observável.  


Em abril de 2025, observações do Telescópio Espacial James Webb colocaram novamente o exoplaneta K2-18 b no centro das atenções. Pesquisadores anunciaram indícios de moléculas como sulfeto de dimetila (DMS) e dissulfeto de dimetila (DMDS) em sua atmosfera — substâncias que, na Terra, estão associadas principalmente a processos biológicos.


A manchete parecia pronta: “James Webb encontra sinais de vida alienígena.” Só que a ciência é menos cinematográfica. Os próprios pesquisadores foram cautelosos ao tratar o resultado como possível bioassinatura, e análises posteriores questionaram a robustez estatística da detecção. Um estudo publicado posteriormente chegou a apontar que não havia evidência suficiente para confirmar a presença de DMS e DMDS na atmosfera do planeta. Dito isso, K2-18 b não nos entregou uma prova de vida microbiana e muito menos um ET, mas talvez mais valioso: uma hipótese que pode ser testada.


É assim que a ciência deveria funcionar. Não precisamos acreditar. Precisamos observar, medir, repetir e tentar derrubar a própria hipótese. Se ela sobreviver, teremos algo muito mais interessante do que uma história de ficção científica. Aliás, poucos nomes representam melhor essa mudança de atitude do que o astrônomo e ufólogo J. Allen Hynek.


Hynek trabalhou como consultor científico do Projeto Blue Book e, inicialmente, encarava muitos relatos com bastante ceticismo. Com o tempo, porém, ele passou a defender uma investigação mais rigorosa dos casos que permaneciam sem explicação, e sua contribuição mais importante talvez não tenha sido afirmar que os extraterrestres estavam chegando, e sim insistir que um fenômeno não deve ser descartado simplesmente porque sua explicação ainda não foi encontrada. 

Essa é uma diferença sutil, mas fundamental, mesmo porque dizer “não sei o que é” não significa dizer “é uma nave alienígena”, mas simplesmente “não sei o que é.” E por vezes essa é a resposta mais científica que podemos dar.


O Brasil também tem seu quinhão de histórias, que não é pequeno. O Arquivo Nacional guarda dezenas de quilos de documentos relacionados a ocorrências investigadas pela Aeronáutica ao longo das décadas, incluindo descrições, croquis, fotografias e relatórios. Entre esses documentos está o material do SIOANI — Sistema de Investigação de Objetos Aéreos Não Identificados, que funcionou no antigo IV Comar, em São Paulo, entre 1969 e 1972, bem como registros de episódios notórios, como o Caso Trindade, o ET de Varginha e a Operação Prato, entre outros.


Continua…