sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

DE VOLTA À GUERRA DOS NAVEGADORES

NAVEGAR É PRECISO, MAS CONVENCER O INTERNAUTA A MUDAR DE NAVEGADOR É UMA BATALHA TRAVADA NÃO NO CÓDIGO, MAS NA PERCEPÇÃO. 

Em meio à Guerra Fria, o Departamento de Defesa dos EUA criou a Advanced Research Projects Agency Network, cujo objetivo era criar um sistema de comunicação descentralizado e resistente a ataques. 


Inicialmente, o acesso à ARPANET ficou restrito ao uso militar e acadêmico, mas logo se estendeu a instituições governamentais, grandes corporações e, mais adiante, ao público em geral, sobretudo por meio de provedores como AOL, CompuServe e Prodigy.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Ano eleitoral é sempre cheio de prognósticos quase sempre desmentidas pelos fatos, carrascos da reputação de adivinhos. Quem, em janeiro de 1989, cravaria que em dezembro a batalha final seria travada entre dois novatos no meio de duas dezenas de candidatos experientes tanto nas lides da ditadura quanto na trincheira de oposição ao regime? Mas Collor bateu Lula, deixando no ora veja gente como Ulysses Guimarães, Mário Covas, Paulo Maluf, Leonel Brizola e mais 16 outros concorrentes.

Cinco anos e um impeachment depois, seria eleito o ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso, que começou a campanha com ínfimos índices de intenção de votos nas pesquisas, mas derrotou Lula no primeiro turno e repetiu o feito em 1998.

O tucano de plumas vistosas não conseguiu emplacar o sucessor no ano de 2002, que se iniciou com apostas em Roseana Sarney, cuja candidatura derreteu junto com a exibição de fotos de dinheiro apreendido no escritório do marido. No rebuliço político do mensalão, a reeleição parecia impossível, mas Lula não apenas conseguiu, como elegeu e reelegeu Dilma, que acabou impedida em 2016.

No início de 2018, o inexpressivo deputado do baixo clero Jair Bolsonaro era piada, o centro ainda apostava em Aécio Neves (PSDB) e ninguém sonhava que Lula seria preso para em 2022 voltar ao poder. Como se vê, vaticínios na política são produtos perecíveis.

 

A popularização da Internet entre os usuários domésticos se deveu em grande parte ao surgimento de navegadores amigáveis, como o Navigator, que foi lançado em 1994 pela Netscape Communications Corporation. Em 1995, a Microsoft criou o Internet Explorer, disponibilizou-o como parte de pacotes adicionais do Windows 95 e, mais adiante, integrou-o ao Windows 98. Graças a essa estratégia, o IE desbancou o rival e a manteve a liderança até maio de 2012, quando foi finalmente superado pelo Google Chrome.


Em julho de 2015, após esgotar todas as tentativas de revitalizar o IE, a empresa criou o Edge e o integrou-o ao Windows 10, que disponibilizou gratuitamente para usuários de máquinas compatíveis que rodavam versões 7 SP1 e 8.1 do sistema. Dessa vez, porém, a estratégia não funcionou. Muitos usuários ficaram incomodados com insistência da empresa em “empurrar” o software — “Dê uma chance ao Microsoft Edge”, lia-se em uma caixa de diálogo exibida de forma insistente — e com a dificuldade de configurar o Chrome como navegador padrão na nova versão do sistema. 

 

Apesar de ser inovador sob diversos aspectos, o Edge rodava somente no Windows 10 — ou seja, não era compatível nem mesmo com as versões anteriores do sistema. A baixa adesão desmotivou os desenvolvedores parceiros a criar extensões (plugins) para ele, desestimulando ainda mais sua popularização. A Microsoft adicionou suporte às versões anteriores do Windows e outras plataformas, inclusive móveis, e tentou criar um ecossistema saudável de extensões para o Edge, mas não funcionou, e a solução foi criar uma nova versão “do zero” baseada no Projeto Chromium (que serve de base para o Opera, o Vivaldi e o próprio Chrome, entre outros). 

 

O Edge Chromium, lançado em 2020, é compatível com outras plataformas — como Android e iOS —, possui sua própria loja de complementos e aceita extensões da Chrome Web Store. Ainda assim, aparece em terceiro lugar no ranking de navegadores do StatCounter Global Stats, com apenas 4,5% de participação, atrás do Google Chrome (65%) e do Apple Safari (18%), que, vale lembrar, só roda no macOS e no iOS. O Mozilla Firefox ocupa a quarta posição, com 3%, seguido pelo Opera, com 2%, apesar de ser o único dos cinco navegadores que oferece VPN integrada gratuita.

 

A Microsoft vem tentando reduzir a migração de usuários do Edge para o rival. Em ocasiões anteriores, foram testadas pesquisas exibidas durante o download do Chrome e até mudanças no Edge que dificultavam encontrar o link de instalação do concorrente. Agora a abordagem é usar mensagens publicitárias diretamente nos resultados de busca.


Quem abrir o Edge e buscar pelo Chrome no Bing verá um aviso promocional com a frase “All you need is right here” (tudo que você precisa está aqui) destacando as qualidades do navegador da Microsoft, bem como uma tabela comparando os dois navegadores. Entre outros argumentos, a empresa afirma que “o Edge roda na mesma tecnologia que o Chrome, com a confiança adicional da Microsoft”, e oferece atalhos rápidos para serviços populares como YouTube, WhatsApp e Instagram.

 

O Edge recebeu diversas melhorias nos últimos anos. Ficou mais rápido, ganhou ferramentas integradas de IA e continuará recebendo suporte após o fim do ciclo de vida do Windows 10. Ainda assim, muitos usuários continuam preferindo o Chrome, e a intenção da Microsoft é convencê-los a usar o navegador nativo destacando semelhanças técnicas e reforçando a ideia de segurança por estar dentro do ecossistema da empresa. No entanto, práticas como essa podem produzir efeito oposto ao desejado se as pessoas enxergarem a ação não como sugestão, e sim como forma de pressão.

 

No fim das contas, a disputa entre navegadores não se resume a desempenho ou recursos, mas à confiança do usuário — e essa, como a história mostra, não se conquista com insistência, mas com consistência.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

RETROSPECTIVA 2025


 
HÁ MALES QUE VÊM PARA O BEM E BENS QUE VÊM PARA O MAL.





Boas entradas.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

FELIZ 2026



UMA IMPRENSA LIVRE PODE SER BOA OU RUIM, MAS, SEM LIBERDADE DE IMPRENSA, NADA PODE SER SENÃO RUIM.



BOAS ENTRADAS.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

OS IDIOTAS VÃO DOMINAR O MUNDO...

... NÃO PELA CAPACIDADE, MAS PELA QUANTIDADE.

Em Ensaio sobre a cegueira, o escritor português José Saramago — Nobel de Literatura em 1998 — elencou diversas frases que poderiam descrever nosso surreal cotidiano. Entre elas, eu detaco: 1) "se queres ser cego, sê-lo-ás"; 2) "a pior cegueira é a mental, que faz com que não reconheçamos o que temos pela frente"; 3) "a cegueira é uma questão privada entre a pessoa e os olhos com que nasceu, não há nada que se possa fazer a respeito."

A cegueira pode ser congênita ou adquirida, reversível ou irreversível, mas, metaforicamente falando, "o pior cego é aquele que não quer enxergar". É fato que os efeitos tendem a desaparecer quando se lhes suprime a causa, mas argumentar com quem acredita nas próprias mentiras é o mesmo que dar remédio a um morto.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


O Banco Master é um daqueles escândalos que envolve tanta gente, mas tanta gente, que mal nasce e já há um rosário de voluntários se propondo a assar uma pizza em sua homenagem, e as ações de Toffoli, como uma acareação fora de hora entre o dono do banco e o diretor de fiscalização do Banco Central cheiram a marguerita.

O ministro não conseguiria extinguir a liquidação do banco, que morreu bem antes de ser enterrado pelo BC, mas pode livrar a cara de Daniel Vorcaro e garantir que ele mantenha o bico fechado, já que a canto dessa ave, em forma de delação, levaria ao apocalipse em Brasília.

Faria bem ao país se o caso fosse apurado dentro da lei e longe da promiscuidade, mas o problema é o de sempre: a instrumentalização para um lado ou para o outro do resultados de investigações. Além disso, tudo indica que muita gente tem culpa no cartório, mas o sistema nunca age por contra própria e sempre se protege. 

Em outras palavras, um crime dessa magnitude não se sustenta sem apoio político. Daniel Vorcaro construiu ou comprou amizades em um espectro ideológico amplo. Ao contrário de Mauro Cid, que era de Jair, Vorcaro é de muitos. 

Se a investigação sobre o golpe expôs o projeto autoritário de um grupo político, o caso Master tem condições de escancarar o modo de financiamento de parte da política brasileira, o condomínio de interesses que transforma banco em máquina de fabricar dinheiro público para campanhas, consultorias de fachada e patrimônio oculto em paraíso fiscal.

Claro, tudo isso depende de as instituições estarem dispostas a ir até o fim. A experiência de delações passadas mostra que, no Brasil, o sistema político tem uma capacidade impressionante de metabolizar escândalos sem se depurar. Não falta advogado caro, voto em tribunal superior ou narrativa patriótica para transformar propina em "erro contábil" e fraude em "risco de mercado".

Num país em que banqueiro é tratado como gênio disruptivo mesmo quando vende vento por bilhões, talvez seja simbólico que a maior bomba não esteja em instalações militares, mas num banco em liquidação.


Um poema atribuído ao dramaturgo alemão Bertolt BrechtO pior analfabeto / É o analfabeto político / Ele não ouve, não fala / Nem participa dos acontecimentos políticos / Não sabe que o custo de vida / O preço do feijão, do peixe / Da farinha, do aluguel, do calçado / Depende de decisões políticas — resume magistralmente o conceito de "idiota" (do grego ἰδιώτης, idiṓtēs). Originalmente, o termo não tinha relação com inteligência (ou com a falta dela) e, portanto, não era considerado insultuoso — na verdade, ele era usado para definir um cidadão comum em contraposição a um estudioso ou alguém que ocupava cargo público e agia em nome do Estado. Para os gregos, sem a participação cívica a democracia entraria em colapso; todos os cidadãos deveriam estar familiarizados com assuntos públicos — ou, por outra, não deveriam ser idiotas.

 

Como permanecer à margem da vida pública era sinal de ignorância, quem não contribuía para os debates políticos era considerado absolutamente inútil. Nesse contexto, a palavra "idiota" adquiriu a desdenhosa conotação negativa que a acompanha até hoje — segundo o Michaelis, "idiota" é alguém que "sofre de idiotia, que demonstra falta de inteligência, de discernimento ou de bom senso, estúpido, imbecil, tolo etc."

 

No início do século passado, os psicólogos Alfred Binet e Theodore Simon criaram o primeiro teste de inteligência moderno, que aferia o QI com base na capacidade das crianças de realizar tarefas como apontar para o nariz e contar moedas. Mais adiante, pessoas com quociente intelectual superior a 70 passaram a ser consideradas "normais", e aquelas que superassem 130, "superdotadas". Para lidar com pessoas com QI inferior a 70, criou-se uma nomenclatura segundo a qual um adulto com idade mental inferior a 3 anos foi rotulado de "idiota"; entre 3 e 7, de "imbecil"; e entre 7 e 10, de "débil mental".

 

A exemplo do que ocorreu com "imbecil", o termo "idiota" passou a ser usado em contextos jurídicos e psiquiátricos para descrever graus de deficiência psíquica — e daí a se tornar insultuoso foi um passo. Algumas culturas deixaram de usar o termo por considerá-lo ofensivo, mas ele continua figurando no Diccionario de la lengua española, da Real Academia Española, com o sentido de "transtorno caracterizado por uma deficiência muito profunda das faculdades mentais".

 

Segundo Walter C. Parker, professor emérito da Universidade de Washington, a antiga etimologia pode ser uma ferramenta valiosa para uma compreensão contemporânea da democracia e da cidadania: "idiota é alguém cuja vida privada é sua única preocupação, alguém que não toma iniciativa na política, alguém imaturo, com desenvolvimento truncado, que pode ter vida social, mas não vida pública", diz ele. 


Já para a historiadora e filósofa Hannah Arendt, todos podemos ter uma vida social — com nossos amigos e familiares, redes sociais, trabalho, lazer — sem necessariamente termos uma vida pública (ou política). De acordo com ela, "o ideal da democracia liberal é que o povo participe, estabelecendo o governo e criando as regras que o defendam do tipo de vida pública que não deseja".

 

O idiota rejeita tudo isso. Ele simplesmente se enterra na sua vida privada e na sua vida social, permitindo que populistas, demagogos e aproveitadores da pior espécie assumam o poder. Apesar de viver num mundo em que as pessoas têm meios de acesso à informação, ele acredita mais nas versões do que nos fatos, o que resulta num terreno fértil — e muito perigoso — para a demagogia. E daí para a polarização é um passo.

 

Atribui-se a Nelson Rodrigues a máxima segundo a qual os idiotas vão dominar o mundo, não por capacidade, mas pela quantidade. A julgar pelo comportamento dos eleitores, que fazem a cada dois anos, por ignorância, o que Pandora fez, por curiosidade, uma única vez, nada indica que haja luz no fim desse túnel. 


E assim seguimos: com cada vez mais idiotas nas redes, no Congresso, no poder. No fim das contas, a democracia pode até sobreviver aos canalhas, mas dificilmente resistirá aos idiotas — esses, afinal, estão por toda parte, até mesmo aqui, lendo este texto. Ou não.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Ó DÚVIDA CRUEL!

PODE-SE LEVAR UM BURRO ATÉ O REGATO, MAS NÃO SE PODE FORÇÁ-LO A BEBER.

Quando precedido da preposição “de”, o pronome “se” já expressa sentido passivo, de modo que não deve ser usado com expressões como difícil de, fácil de, bom de, possível de e equivalentes quando seguidas de verbo no infinitivo. Assim, o correto é: “fácil de entender”, “fácil de fazer” e “possível de aceitar” — e não “fácil de se entender”, “fácil de se fazer”, “possível de se aceitar”.

Igualmente inadequado é o uso de “se” com verbos no infinitivo precedidos de expressões como é de, era de, foi de, seria de, etc. Assim, o certo é: “isso é de admirar” (e não “de se admirar”), “era de esperar” (e não “de se esperar”), e assim por diante.

O uso de por hora, por ora e outros ora também suscita dúvidas. Nos dois primeiros casos, o sentido é temporal, mas “por hora” refere-se ao tempo contado em minutos, como em:

O estacionamento cobra R$ 20,00 por hora.” “O encanador cobra por hora.” “A velocidade máxima é de 120 km por hora.

Já “por ora” tem o sentido de atualmente, por enquanto, neste momento, agora. Exemplos:

"Apesar de demitido, ele disse que, por ora, não iria viajar.""Por ora, pretendo esperar." "Este seminário que ora iniciamos busca alcançar alguma solução."

O uso de "ora" como conjunção também pode confundir. O correto é:

"Aquele político ora defende a democracia, ora defende a ditadura." "Aquele cara ora diz que quer se casar, ora diz que ainda é cedo para se amarrar." "Ora, ocorreu que, naquela época, uma notícia chacoalhou a cidade."

"Ora" também pode ser interjeição:

"Ora, bolas!" "Ora, pois!" "Ora… ora… olha quem vem vindo…"

Para saber se uma determinada palavra existe oficialmente, digite-a no campo de buscas do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP).

Por ora é só, pessoal. Até outra hora.

domingo, 28 de dezembro de 2025

PICADINHO DE CARNE E BIFE À PARMEGIANA

FAÇA O MELHOR QUE PUDER E AGUARDE O RESULTADO. FICAR SE PREOCUPANDO NÃO VAI AJUDAR EM NADA.

Herdeiro dos guisados portugueses que surgiu como prato popular nas casas de pasto brasileiras por volta de 1816 e ganhou destaque na cozinha do Copacabana Palace durante os anos 1950, quando o barão austríaco Max Von Stuckart o introduziu no cardápio da boate Meia-Noite com ingredientes como cebolinha, louro, sálvia, manteiga e tomate, o "picadinho" combina pedaços macios de carne bovina, suína ou de frango com molhos e acompanhamentos variados. 

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Silvinei Vasques — o ex-diretor da PRF no governo Bolsonaro condenado a mais de 26 anos de prisão — rompeu a tornozeleira eletrônica em Santa Catarina e foi detido no Paraguai, prestes a voar para El Salvador com documentos falsos. O episódio escancarou falhas no monitoramento eletrônico, revelou o padrão de fuga de aliados do ex-presidente e reabriu o debate sobre a eficácia do sistema e a responsabilidade dos agentes públicos. Resta saber como um condenado supostamente monitorado por tornozeleira conseguiu se deslocar até o Paraguai sem ser importunado.

A Polícia Federal só foi acionada no fim da noite, quando Silvinei já estava fora do país, e as imagens do prédio mostram que ele deixou o local horas antes. Moraes anotou no despacho em que decretou sua prisão preventiva que na madrugada de 25 de dezembro, por volta de 3h, a tornozeleira parou de transmitir o sinal de GPS e que às 13h pifou também o sinal de GPRS. Mas a polícia penal catarinense só se deu por achada às 20h, quando então enviou uma equipe ao apartamento do Silvinei e descobriu que ele não estava mais lá.

A superintendência da PF em Santa Catarina foi acionada às 23h e verificou que o fugitivo fora visto pela última vez na véspera, 24 de dezembro, na garagem, enquanto colocava uma mochila e o cachorro no carro. Depois disso, ele foi visto às 19h22 no aeroporto de Assunção, tentando embarcar para El Salvador com um passaporte paraguaio falso, fazendo-se passar por surdo, mudo e canceroso.

O Brasil oficial parece um país alternativo, onde autoridades se comportam como se não devessem nada ao Brasil de verdade. Muito menos explicações. A fuga constitui o modus operandi do bolsonarismo: sem tornozeleira, fugiram Alexandre Ramagem, Carla Zambelli e, antes deles, mais de 60 envolvidos no 8 de janeiro escaparam para o exterior quando estavam sob hipotético monitoramento, exatamente como agora. Alguém precisa explicar para que serve esse sistema de tornozeleiras, que, aliás, custa caro aos contribuintes.

Para preparar um picadinho de carne com legumes, você vai precisar de:

— 600 g de carne bovina (sugiro alcatra ou coxão-mole) cortada em cubos; 

— 1 cebola picada; 

— 2 dentes de alho picados; 

— 1 tomate sem pele e sem sementes picado; 

— 2 batatas cortadas em cubos grandes; 

— 1 cenoura cortada em rodelas grossas; 

— 1 talo de salsão picado; 

— 1/2 pimentão vermelho cortado em cubos; 

— 1 colher de sopa de extrato de tomate; 

— 2 colheres de sopa de óleo; 

— 3 xícaras de chá de água quente; 

— Sal, tomilho e pimenta-do-reino moída a gosto.

Em uma panela grande, aqueça uma colher de sopa de óleo em fogo médio, doure os cubos de carne até que fiquem bem selados, retire e reserve. Na mesma panela, adicione o restante do óleo, refogue a cebola e o alho até dourar, junte o tomate e o extrato e mexa até formar um molho espesso. Coloque a carne de volta na panela, misture bem, adicione a água quente, tempere com sal e pimenta-do-reino, tampe e deixe cozinhar em fogo baixo por cerca de 40 minutos.

Quando a carne estiver bem macia, acrescente as batatas, a cenoura, o salsão e o pimentão e cozinhe por mais 20 minutos, para que os legumes fiquem macios e o caldo, encorpado. Ajuste o sal e a pimenta-do-reino, salpique o tomilho e sirva com arroz branco, batata frita ou outro acompanhamento de sua preferência.

Para quem prefere um prato mais rebuscado, o bife à parmegiana combina carne empanada (filé, alcatra, coxão-mole ou patinho) com molho de tomate e queijo gratinado, e o empanamento e a fritura por imersão garantem o sabor e a textura marcantes do prato.

Comece temperando os bifes, passando-os na farinha de trigo, depois no ovo batido e finalmente na farinha de rosca (ou farinha panko). Aqueça o óleo e frite os bifes um de cada vez, por imersão, acomode-os numa assadeira, cubra com molho de tomate, fatias de presunto e queijo muçarela, polvilhe parmesão, leve ao forno para gratinar e sirva com arroz branco ou à grega.

A versatilidade do bife à parmegiana permite adaptações para diferentes gostos. Há quem prefira frango ou berinjela em vez de carne, quem troque a muçarela por uma versão light, substitua o arroz e as fritas por salada verde fresca ou vegetais assados, e por aí vai.

Para deixar a receita menos calórica, asse os bifes por 25 minutos no forno pré-aquecido a 220°C, vire-os, gire a assadeira por 180°, asse por mais 25 minutos (ou até que eles fiquem dourados), seque em papel toalha, espalhe molho de tomate temperado por cima, cubra com fatias de presunto e muçarela (nessa ordem), polvilhe orégano e leve de volta no forno para gratinar.

Bom apetite. 

sábado, 27 de dezembro de 2025

SAUDOSISMO

TO REMIND THE PAST IS TO LIVE TWICE.

Você certamente já ouviu alguém dizer que no tempo de seus avós os carros eram melhores, as pessoas viviam melhor, e blá, blá, blá. Segundo os psicólogos, isso é mais uma ilusão da mente do que um retrato fiel do passado: como o cérebro não distingue passado, presente e futuro, tendemos a nos lembrar das coisas boas e relativizar as ruins.


Proprietários de veículos que não dispensam vidros e travas elétricas, injeção eletrônica de combustível e computador de bordo se dizem saudosas dos Fuscas, Gordinis, DKWs e outras carroças dos anos 1950/60. Muitos nem eram nascidas quando os primeiros PCs foram lançados e a maioria nunca usou o Windows 9x/ME ou sabe o que é um disquete 1,44 MB, mas diz sentir saudades dos bugs e das telas azuis da morte. 


Se for para sentir saudade de alguma coisa, que seja daqueles programas clássicos que a gente usava para baixar as músicas, reproduzir vídeos e trocar mensagens instantâneas com amigos. Talvez eles não tenham utilidade prática nos dias atuais, mas alguns deles resistiram (e continuam resistindo) bravamente à passagem do tempo. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Na reação contra a publicidade estrelada por Fernanda Torres, o bolsonarismo usou uma velha arma da propaganda: a personalização. Tudo pode ser vendido — de purgante a óleo de peroba — se tiver um rótulo e um enredo. O mal, como abstração retórica, desperta pouca atenção, mas basta dar ao maligno um par de chifres e um propósito obscuro para ter um inimigo tão nítido como a Havaiana comunista.

O bolsonarismo vive atrás de uma teoria unificada que explique tudo. Não se trata de uma teoria conspiratória — que exige o suor dos neurônios para misturar fatos obscuros a especulações maldosas e tirar suas próprias confusões —, mas de uma teoria unificadora que é justamente um pretexto para não pensar.

Com o ex-mito preso, o saco de dinheiro do Sóstenes nas manchetes, a dosimetria nas mãos do Lula, a bancada dos fujões cassada e a Magnitsky do Xandão cancelada, o bolsonarismo entrou em parafuso. Eduardo Bolsonaro, Nikolas Ferreira e seus robôs digitais correram às redes para proclamar: por trás de tudo está a Havaiana, inimiga declarada do "pé direito". 

Monitoramento de 100 mil grupos de WhatsApp revelou que 98% das reações ecoaram o bolsonarismo nos ataques à sandália. Já a esquerda negligenciou o movimento, e o pedaço neandertal da direita arrumou um demônio de ocasião para o qual transferir suas culpas — ou pelo menos para desconversar: a Havaiana comunista exime o bolsonarismo de todo exame do mal, a começar pelo mais difícil: o autoexame.

 
eMule foi o programa de compartilhamento de arquivos preferido da molecada de duas décadas atrás. Sua capacidade de "consertar arquivos danificados" contribuiu significativamente para que se sobressaísse em meio a um mar de alternativas. Embora tenha perdido a razão de existir com o surgimento dos serviços de streaming (como Spotify, Netflix e YouTube), ele foi ressuscitado por desenvolvedores independentes em 2020, e teve seu design clássico preservado (clique aqui para mais informações e download).
 
Internautas "old school" recordam com saudades do barulhinho de máquina de escrever e do canto do cuco do ICQ — programinha israelense que ficou anos no topo da lista dos mensageiros mais populares nos anos 90 e início dos 2000, até perder espaço para o MSN Messenger. Em 2010, uma empresa russa adquiriu o ICQ e implementou diversas melhorias. Hoje, ele conta com cerca de 1,5 milhões de usuários ativos e pode ser baixado gratuitamente a partir deste link.
 
Napster revolucionou a maneira como as pessoas acessavam e compartilhavam músicas no mundo inteiro. Depois de enfrentar uma série de problemas legais envolvendo direitos autorais, ele passou a operar de maneira semelhante ao iTunes, comercializando músicas legalmente mediante uma assinatura mensal de R$ 17,99 (clique aqui para mais informações e download).
 
Quando se fala em baixar arquivos via Peer-to-Peer (P2P), é impossível não pensar no uTorrent. Ele foi lançado em 2005 e fez um sucesso estrondoso, mas, a exemplo do eMule, acabou sendo vítima da expansão de serviços de streaming. Mesmo assim, ainda tem usuários fieis e oferece planos pagos para quem quer uma experiência sem anúncios e com mais funcionalidades (para mais informações e download, clique aqui).
 
Amantes de música saudosistas que viveram a era digital no início dos anos 2000 devem se lembrar com saudades do VLC. Muitos não sabem que ele ainda existe, reproduz arquivos multimídia dos mais diversos formatos, tem interface atraente e intuitiva e é capaz de interagir com dispositivos como o Chromecast — o que permite projetar vídeos e fotos diretamente na tela grande da TV. 

Quem tinha o Winamp como companheiro inseparável ainda pode fruir de suas funcionalidades únicas, pois ele não só sobreviveu à transição tecnológica como recebeu atualizações que lhe asseguram compatibilidade com novos codecs de áudio e suporte ao Windows 11. E para aqueles que achavam que personalizar o visual do player era tão importante quanto a música, abrir o app e se deparar com a skin clássica é uma verdadeira viagem no tempo.
 
Para encerrar, o festejado Windows Media Player (que você pode baixar clicando aquirecebeu atualizações até o Windows 10, quando então Microsoft o substituiu pelo Groove Music (que foi descontinuado em 2018). 


Com a chegada do Windows 11, o app Reprodutor Multimídia tornou-se a opção padrão de mídia, mas o velho player ganhou um visual moderno e manteve elementos do extinto Groove como uma homenagem a seu passado.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

COMO PROTEGER SEU WHATSAPP

O PREGO SALIENTE É O QUE LEVA A MARTELADA.

Por ser o sistema operacional para PCs mais popular do planeta, o Windows é o alvo preferencial dos cibercriminosos. E o mesmo acontece com o Android no universo dos smartphones e com o WhatsApp entre os aplicativos de mensagens instantâneas — que, com cerca de 3 bilhões de usuários em mais de 100 países, aproxima amigos e familiares, facilita o trabalho remoto e agiliza o atendimento a clientes: 

Com o WhatsApp Web, pode-se iniciar uma conversa no celular e continuar no computador ou no tablet, por exemplo, mas não gerenciar adequadamente os dispositivos conectados implica o risco de ter as mensagens bisbilhotadas por um cônjuge ciumento ou um colega de trabalho xereta. Portanto, se alguém além de você tem acesso ao seu PC, desconecte o WhatsApp Web quando terminar de usá-lo — basta abrir o WhatsApp no celular, tocar no ícone de três pontinhos (no canto superior direito), selecionar Dispositivos conectados e encerrar quaisquer sessões ativas que você não estiver usando ou não reconhecer — e reconecte-o quando precisar dele novamente. 

Aproveite o embalo para habilitar a verificação em duas etapas — ao ativar essa função, você define uma senha que será solicitada periodicamente pelo aplicativo, dificultando o acesso por pessoas não autorizadas, mesmo que elas consigam o código de verificação enviado por mensagem de texto.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Aproveitando sua oitava cirurgia pós-facada, Bolsonaro redigiu, na carceragem da PF, uma carta-testamento na qual anotou que a escolha de Flávio Bolsonaro como seu herdeiro político é "consciente e legítima". 

O texto deu à transferência oral do legado político a aparência de um compromisso de papel passado de pai para filho, e sua carga nostálgica revelou a intenção do patriarca de guerrear em 2026 com as armas de 2018.

Caprichando no messianismo, o mico realçou ter "enfrentado duras batalhas e pagado com a saúde”, evocando o episódio da facada. Numa alusão à tentativa de golpe, declarou-se vítima de "injustiça", e para justificar a escolha do senador das rachadinhas, panetones e mansões milionárias como candidato ao Planalto, alegou que deseja "impedir que a vontade popular seja silenciada" em 2026.

Ao ler o testamento de Bibo Pai, Bobi Filho insinuou que se trata de uma resposta aos que duvidavam da consistência de sua candidatura presidencial e acenou para os aliados que ainda cultivam a ideia de que Tarcísio de Freitas seria um anti-Lula mais competitivo.

Pai e filho falam para um país de 2018 que não existe mais, quando estava preso. Hoje, o ex-presidiário cavalga a máquina do governo, a Lava-Jato é uma vaga lembrança e as "Minhas Forças Armadas" estão na cadeia. O antipetismo não desapareceu do cenário, mas uma parte dele já desembarcou do bolsonarismo em 2022, assustada com os quatro anos em que o capitão virou uma vidraça estilhaçada por flagelos como a aversão à vacina, os mortos da pandemia e uma Presidência antidemocrática, marcada pela industrialização do ódio.

Tudo isso inclui no legado passado de pai para filho, além dos votos, as altas taxas de rejeição.

Dependendo da marca e do modelo do aparelho, você pode usar recursos nativos do Android — como o Bloqueio de Aplicativos — para proteger seus apps por senha ou biometria. Toque no ícone da engrenagem para acessar as configurações do sistema, procure por opções como Bloqueio de Aplicativos, Segurança, Privacidade ou Biometria e Segurança e siga as instruções na tela para definir quais aplicativos deseja proteger e o método de desbloqueio (senha, padrão ou biometria).

Igualmente importante é manter o sistema e os aplicativos atualizados, evitar compartilhar o aparelho com terceiros e só seguir links recebidos por mensagem quando o envio tiver sido combinado previamente com o remetente.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

DE NOVO É NATAL. E ANO ELEITORAL.

O PROBLEMA NÃO É ACREDITAR NO PAPAI NOEL DEPOIS DE CRESCER, MAS SIM CONTINUAR ACREDITANDO NOS POLÍTICOS.






BOAS FESTAS.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

FELIZ NATAL

NO BRASIL, MEDE-SE COM PAQUÍMETRO, MARCA-SE COM GIZ E CORTA-SE COM MACHADO.

Quando comecei a me entender por gente, no início dos anos 60, as crianças perdiam os dentes-de-leite bem antes de deixar de acreditar em Papai Noel. O “Espírito do Natal” surgia timidamente no começo de dezembro, crescia como o apito de um trem que se aproxima da estação e depois baixava com força total, feito orixá em terreiro — e só cantava pra subir lá pelo Dia de Reis, quando a gente desmontava a árvore.


Detesto essa conversa de que “no meu tempo era melhor”, mas é difícil não ver que uma festa essencialmente religiosa vem se tornando cada vez mais comercial. Vivemos num mundo capitalista, é verdade, porém a pergunta é: onde foi parar aquele clima festivo, aquela camaradagem que tomava conta das pessoas, independentemente de fé ou crença?


O Natal celebra o nascimento de Jesus — que, curiosamente, era judeu — e marca o início da Era Cristã. Ele foi fixado em 25 de dezembro lá pelo século IV (talvez por coincidir com o solstício de inverno no hemisfério norte), mas há controvérsias sobre a data, a idade e até sobre Cristo ter realmente existido


Voltando aos tempos de antanho, os votos de boas festas soavam mais sinceros. Durante todo dezembro, desejava-se um feliz Natal — e depois um feliz ano novo — ao padeiro, ao balconista, ao frentista, ao faxineiro do prédio e até mesmo a completos desconhecidos no ônibus ou na rua, e montar a árvore, o presépio, e pendurar a guirlanda faziam parte do ritual.


A tradição da árvore de Natal remonta ao século XVI, quando Martinho Lutero tentou reproduzir, com galhos, velas e enfeites, a visão de pinheiros cobertos de neve sob um céu estrelado. O presépio é atribuído a São Francisco de Assis. Já Papai Noel foi inspirado num bispo chamado Nicolau, conhecido por ajudar os pobres deixando moedas nas chaminés.


Embora o Natal chegue cada vez mais cedo — especialmente nos shoppings, onde outubro mal acaba e os enfeites já brotam —, tudo ficou impessoal, sem graça. Mesmo com árvores montadas e luzinhas piscando nas janelas, o clima é artificial e os votos carecem de calor humano (apesar do calor da estação).


Originalmente, Papai Noel vestia marrom. O figurino vermelho, com detalhes brancos e cinto preto, veio com o cartunista Thomas Nast e foi eternizado nos anos 1930 por uma campanha da Coca-Cola — coincidência cromática, claro.



Boas festas.