sábado, 15 de agosto de 2026

CONSCIÊNCIA NÃO-LOCAL, VIDA APÓS A MORTE E QUE TAIS

QUIS CUSTODIET IPSOS CUSTODES?

Vimos que tanto as projeções astrais orgânicas quanto as experiências de quase morte (EQMs) são descritas como um "desligamento" do corpo físico, um breve período de consciência não-local que sugere que nossa consciência não fica "armazenada" no cérebro.


Vimos também que um cérebro que sonha se parece com um cérebro que morre, já que em ambos os níveis do ácido gama-aminobutírico (GABA) caem quase a zero, enfraquecendo os filtros e abrindo a porta para bandas mais largas de informação. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Em um dia para lá de cheio em Brasília, Flávio "Rachadinha" Bolsonaro afirmou que o ministro Alexandre de Moraes atua como um “articulador do Lula” ao promover encontros políticos em sua residência. Durante coletiva de imprensa em um dos comitês de campanha, o candidato do Partido dos Ladrões voltou a defender que o impeachment de ministros do STF se torne uma pauta eleitoral e perguntou aos colegas de partido candidatos ao Senado, que se encontravam presentes no evento, se apoiavam a destituição de Moraes. Em resposta, ouviu gritos de “Fora, Moraes”. 

Apesar das críticas, o filho do presidiário defendeu que a decisão cabe ao Senado, e não ao presidente da República, e disse ainda que os candidatos ao Senado serão cobrados pelos eleitores sobre o tema durante a campanha. 

Mais cedo, Moraes tomou uma decisão polêmica ao autorizar a realização de busca e apreensão contra o ex-secretário de Assuntos Legislativos do Maranhão, Raimundo Cutrim, apontado pela PF como a fonte de um jornalista em reportagens sobre o suposto uso irregular de carros oficiais pelo ministro Flávio Dino e familiares no estado nordestino. A medida recebeu parecer favorável da PGR e foi confirmada pelo STF. Segundo a defesa de Cutrim, a decisão tem como base informações obtidas após a quebra do sigilo telemático do jornalista, que teria identificado o ex-secretário como responsável por repassar informações consideradas privilegiadas.

Cutrim já havia sido alvo de mandados de busca e apreensão e de prisão domiciliar expedidos pelo próprio Dino em um outro inquérito, que investiga um homicídio no Maranhão. Foram apreendidas 26 armas em endereços dele e o caso acabou no centro da disputa do governo do Maranhão. Agora, com base em dados obtidos na operação de março contra Luís Pablo, a PF concluiu que Cutrim era informante do blogueiro e apontou trocas de mensagens sobre a transferência de R$ 100 mil depositada na conta de um terceiro, Danilo Cutrim, mas que seria em benefício de Raimundo. O pedido da PF afirma que o blog “parece mais se assemelhar a um veículo de mídia destinado à publicação de matérias compradas, com direcionamento político”.


Quando sonhamos, é comum nos sentirmos como seres desprovidos de peso ou massa corporal, capazes de atravessar obstáculos, voar e até nos teletransportar como uma consciência sem forma física. Essa aparente capacidade de transitar entre o mundo dos vivos e o dos mortos faz com que o "corpo do sonho" seja considerado sagrado por muitas culturas.


Falando em corpo, embora a morte o transforme numa concha vazia, ele é embalsamado, vestido, sepultado e visitado regularmente por familiares e amigos. Isso apesar de as EQMs mostrarem claramente que a pessoa sente alívio por se livrar de um corpo envelhecido ou doente e não dá a menor importância ao que acontece com ele.


A ciência noética sustenta que nosso cérebro funciona como uma antena de rádio que recebe sinais do universo. Vale ressaltar que a existência desse plano cósmico ainda não restou provada, mas costuma ser experimentado pela maioria das pessoas em estados alterados de consciência. A questão é que confirmar isso experimentalmente é complicado, já que não existe máquina ou tecnologia que consiga receber sinais do plano cósmico — até onde sabemos, só o cérebro parece ser capaz de fazer isso. 


A integração física completa é tão inviável quanto a conexão de todas as lâmpadas do planeta a um mesmo interruptor. Pode-se argumentar que o impossível só é impossível até alguém duvidar e provar o contrário, e que a fissão nuclear também era um sonho impossível até se tornar real. No entanto, o urânio e a tecnologia nuclear já existiam nos anos 1940, ou seja, tudo que os cientistas precisaram fazer foi aprender como reunir e manipular os elementos pré-existentes.


Voltando à vaca fria, quando sentimos medo de morrer, o cérebro lança mão de estratégias muito bem definidas para "gerir" esse terror. Em circunstâncias normais, essa inquietante certeza — conhecida como "saliência da mortalidade" — é gerida por uma ampla gama de estratégias, como negação, espiritualidade, práticas de atenção plena e reflexões filosóficas. Em circunstâncias extremas — guerras, catástrofes, confrontos violentos etc. —, as pessoas se comportam de modo previsível: ou lutam até a morte para sobreviver ou fogem da ameaça.   


Observação: Segundo o Dicionário de Provérbios e Curiosidades (São Paulo, Editora Cultrix), de R. Magalhães Júnior, "voltar à vaca fria" significa retomar um assunto interrompido, insistir em questões já debatidas. A vianda fria é um prato com que se iniciam as refeições e ao qual não é costume voltar, depois de servidos os pratos quentes. Em francês há uma expressão equivalente: Retournons à nos moutons (Voltemos aos nossos carneiros), cuja origem é literária.


Todos os dias somos lembrados pela mídia de que nosso meio ambiente está em colapso e que o risco de uma guerra nuclear só aumenta. A imprensa fala em futuras pandemias, genocídio e inúmeras atrocidades que acontecem mundo afora, levando nosso cérebro a criar uma gestão de terror e mantê-la permanentemente ativa em segundo plano. Embora não se trate de um modo de fuga ou luta totalmente ativado, isso nos faz sempre prever o pior e nos torna egoístas: quanto mais aterrorizante o mundo, mais tempo gastamos nos preparando para a morte em nosso inconsciente. 


Quanto mais tememos a morte, mais nos agarramos a nós mesmos, a nossos pertences e a nossos espaços seguros, ao passo que, como sugerem alguns estudos, quem não teme a morte tende a manifestar um comportamento mais benevolente, a aceitar melhor os outros, a ser mais empático e cooperativo. Assim, se pudéssemos livrar nossa mente do terror que sentimos em relação à morte, viveríamos num mundo radicalmente melhor. Nas palavras do grande psiquiatra tcheco Stanislav Grof: "a eliminação do medo da morte transforma o modo de ser do indivíduo no mundo".


Talvez a realidade não seja como achamos que ela é, e isso inclui a ideia provocadora de que a morte seja uma ilusão e que nossa consciência sobreviva à morte física e siga adiante. Se essa tese restar provada, daqui a algumas gerações a mente humana funcionará segundo a crença de que a morte, no fim das contas, não é tão aterrorizante assim.


Ao fim e ao cabo, tudo se funde para formar um conceito mais geral: a morte não é o fim. Essa ideia é defendida pela maioria das religiões, que falam em vida eterna (seja tocando harpa sentado em uma nuvem, seja assando num espeto por toda a eternidade) ou esposam a tese da reencarnação. Mas as religiões evoluíram das superstições de nossos antepassados mais remotos, que atribuíam tempestades, terremotos, eclipses e outros fenômenos naturais a forças sobrenaturais. 


Observação: Convém não confundir religião com fé; ainda que ambas andem de mãos dadas, tanto é possível ter fé e não ser religioso como seguir uma religião simplesmente por tradição familiar ou convenção social.


Continua…

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — CONSCIÊNCIA E CIÊNCIA NOÉTICA

A HUMANIDADE TROCOU OS DEUSES PELOS LABORATÓRIOS, MAS NÃO ABANDONOU AS CRENÇAS.

Em sociedades antigas, a crença no sobrenatural e em prodígios de magia era uma maneira natural de explicar fenômenos incompreendidos, dar sentido ao desconhecido e oferecer conforto diante da incerteza.


Tempestades, eclipses e mudanças sazonais eram interpretados como manifestações divinas ou forças invisíveis. Com o avanço da ciência, porém, aquilo que antes pertencia ao domínio do mito passou a ser compreendido por meio da observação sistemática, da experimentação e do raciocínio lógico. Em outras palavras, o que ontem chamávamos de magia hoje atende pelo nome de ciência e tecnologia.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


As pesquisas mostram que a corrupção é o segundo item na agenda de inquietações do eleitor, perdendo apenas para a segurança pública. Num instante em que a Polícia Federal conduz inquéritos que roçam as campanhas dos dois candidatos mais bem-postos na corrida presidencial, a troca de chumbo entre eles tende a virar um jogo de soma zero.

As investigações que atingem Lulinha, o ex-líder do governo Jaques Wagner e Marcola, ex-assessor do ex-presidiário, desgastam a imagem do candidato do PT. O inquérito que apura o destino dos R$ 61 milhões que o filho do presidiário mordeu de Daniel Vorcaro e a investigação de desvios de verbas de emendas do vice Alfredo Gaspar tornam desconexa a retórica anticorrupção do presidenciável do PL.

Nesse contexto, os ataques que os candidatos e seus aliados fazem uns aos outros tendem a ser neutralizados. A permanência de nhô-ruim e nhô-pior no topo do ranking das pesquisas indica que os eleitores cativos de ambos dão de ombros para as suspeitas sob investigação. Resta acompanhar o comportamento do eleitor dito independente, que não morre de amores nem pelo bolsonarismo nem pelo petismo, e é decisivo no tira-teima da sucessão. 

Por ser mais sensível às denúncias de corrupção, o voto dessa parcela do eleitorado pode migrar de um lado para o outro conforme o movimento da lama, desempatando por pequena margem o placar de zero a zero. 

Quer dizer: a atuação da Polícia Federal tornou-se um dos fatores centrais da disputa eleitoral.


As inovações tecnológicas revelam a extraordinária capacidade humana de transformar o mundo ao seu redor. Voar, conversar instantaneamente a milhares de quilômetros de distância ou observar galáxias remotas eram impossibilidades absolutas até poucas gerações atrás. Em tese, a evolução do pensamento humano desloca-se do plano mítico para o científico — ainda que negacionistas, teóricos da conspiração e seus semelhantes insistam em remar contra a maré num oceano particularmente resistente à razão. Ainda assim, a ciência avançou mais nos últimos duzentos anos do que durante milênios inteiros que os antecederam.


Mais de cinco mil anos separam a invenção da roda da compreensão da eletricidade como a utilizamos hoje. Em contraste, bastaram poucos séculos para que travessias marítimas que exigiam semanas passassem a ser realizadas em horas pelos céus. Aprendemos a prever eclipses, compreender as marés e decifrar o nascimento das estrelas, mas seguimos incapazes de cruzar o espaço em velocidades próximas à da luz. O horizonte continua sempre um pouco além do alcance.


O fruto mais cobiçado da árvore da relatividade permanece inacessível. Ainda assim, a história do conhecimento sugere cautela antes de declarar qualquer fronteira definitiva. Muitas impossibilidades revelaram-se apenas limitações temporárias, dissolvidas pelo surgimento de novas ideias ou novas ferramentas. Talvez o impossível não seja aquilo que jamais acontecerá, mas apenas aquilo que ainda não fomos capazes de explicar. Afinal, estamos longe de explorar todo o potencial das próprias mentes que fazem essas perguntas.


Em 2001, nas horas que se seguiram aos ataques terroristas de 11 de setembro, pesquisadores ligados à chamada ciência noética relataram um fenômeno curioso: medições realizadas por geradores de eventos aleatórios distribuídos pelo planeta teriam apresentado desvios estatísticos durante momentos de intensa comoção coletiva. As interpretações permanecem controversas, mas o episódio reacendeu discussões sobre a possibilidade de relações ainda pouco compreendidas entre consciência humana e sistemas físicos complexos.


A hipótese dialoga, ao menos simbolicamente, com antigas ideias espirituais sobre uma consciência universal compartilhada. Estudos envolvendo meditação, intenção coletiva e estados mentais sincronizados passaram a investigar se processos cognitivos poderiam influenciar organismos vivos ou ambientes experimentais específicos.


Alguns autores defendem que a consciência não estaria totalmente confinada aos limites do cérebro, sugerindo que o pensamento direcionado poderia produzir efeitos mensuráveis em determinadas circunstâncias — uma proposta recebida com cautela pela maior parte da comunidade científica.


A expressão “a mente domina a matéria”, portanto, talvez não deva ser entendida como afirmação literal, mas como metáfora poderosa. Somos menos espectadores do universo do que participantes ativos dele. Expectativas, decisões e percepções moldam profundamente a maneira como interagimos com o mundo — e, por consequência, os resultados que dele emergem.


No nível subatômico, interpretações populares da mecânica quântica frequentemente destacam o papel do observador no processo de medição. Isso não implica que a consciência humana crie a realidade à vontade, mas revela algo igualmente intrigante: aquilo que medimos depende inevitavelmente de como escolhemos medir. Entre possibilidade e resultado existe sempre uma interação. Para alguns pensadores, essa relação sugere que compreender o universo exige também compreender quem o observa.


Resumo da ópera: durante séculos acreditamos habitar um universo sólido, objetivo e indiferente à nossa presença — um palco onde a matéria existia independentemente do olhar humano. Hoje sabemos que o observador raramente é apenas espectador. Seja pela psicologia, pela neurociência ou pela própria física experimental, percepção e interpretação participam ativamente da experiência que chamamos de realidade.


Talvez a intenção seja uma habilidade adquirida. Assim como na meditação, controlar a atenção exige prática. Ao longo da história, a capacidade de abstração de alguns poucos indivíduos redefiniu completamente nossa compreensão do cosmos. Talvez esse seja o verdadeiro elo entre o antigo misticismo e a investigação moderna: não a substituição de perguntas antigas por respostas definitivas, mas a persistência das mesmas perguntas sob novas linguagens.


O conhecimento técnico das civilizações antigas, embora frequentemente romantizado, era impressionante em muitos aspectos. Engenheiros dominavam alavancas e polias muito antes de tais princípios serem descritos matematicamente. Alquimistas, apesar de seus equívocos filosóficos, abriram caminhos que mais tarde conduziram à química moderna. Hoje sabemos que partículas podem permanecer correlacionadas à distância por meio do entrelaçamento quântico — um fenômeno rigorosamente estudado — ainda que comparações diretas com crenças espirituais antigas pertençam mais ao campo da metáfora do que da equivalência científica.


Desde sempre, o ser humano buscou compreender sua conexão com o todo. Diferentes tradições chamaram esse impulso de redenção, iluminação ou união. Talvez todas descrevam o mesmo anseio fundamental: superar a sensação de separação diante de um universo vasto demais para caber apenas na experiência individual. Há quem encontre paralelos simbólicos entre teorias cosmológicas modernas e antigas concepções filosóficas sobre múltiplas dimensões da realidade. A teoria das supercordas, por exemplo, imagina um universo mais complexo do que aquele acessível aos sentidos. 


Comparações com ideias antigas podem ser poeticamente sedutoras, embora pertençam mais à analogia cultural do que a uma continuidade histórica direta. No entanto, toda verdade parece exercer sua própria força gravitacional, e ideias abandonadas retornam, reinterpretadas à luz de novos métodos e novas evidências. Talvez a ciência não avance apenas descobrindo o desconhecido, mas também revisitando perguntas antigas com instrumentos mais precisos. Em certos momentos, temos a impressão de que a humanidade não está apenas aprendendo — mas lembrando.

Às vezes, uma lenda atravessa séculos porque guarda algum fragmento de verdade; noutras, como disse Freud, "às vezes um charuto é apenas um charuto". Talvez o verdadeiro desafio não seja escolher entre ciência ou mito, razão ou mistério, mas descobrir qual história ainda não terminou de ser contada.


Continua...

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

AINDA SOBRE VÊNUS

AS NUVENS DO CÉU — O CÉU DO INFINITO EU DE NENHUM LUGAR.

Enquanto quase todos os planetas parecem obedecer à mesma coreografia cósmica, dois deles resolveram desafiar a regra: Vênus e Urano giram “ao contrário” dos demais — como engrenagens defeituosas num mecanismo celeste que deveria funcionar em perfeita harmonia.

Como vimos no post do último dia 5, seis dos oito planetas do nosso sistema solar orbitam o Sol no mesmo sentido da rotação da estrela, que é anti-horário — as exceções são Vênus e Urano, que têm "rotação retrógrada".

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Em desvantagem junto ao eleitorado feminino, o Plano A de Flávio Rachadinha era fechar um acordo com o PP e indicar a senadora Tereza Cristina para a vice. Deu errado. O Plano B era atrair o Republicanos e anunciar Daniela Marques, ex-presidente da Caixa, como número 2. Falhou. O Plano C era seduzir o Podemos e fazer da presidente do partido, Renata Abreu, a companheira de chapa. Novo malogro.

Abandonado pelas legendas do centrão, o filho do refugo da escória da humanidade descobriu que lhe faltava um plano de contingência. Obrigado a olhar para dentro do seu próprio partido, percebeu que lhe faltava no PL uma mulher de destaque. Improvisou um Plano D nas coxas e escolheu como candidato a vice um deputado de biografia mais que duvidosa.

O improviso foi realçado por uma postagem. Na noite da véspera, o escolhido, que havia informado nas redes sociais que disputaria uma vaga no Senado, foi empurrado para a cena nacional graças ao papel que exerceu como relator da CPI do INSS. Rejeitado pela comissão, seu relatório incluiu Lulinha no rol de indiciados. Seu papel na campanha será desgastar Lula, fustigando o primogênito do petista. As mulheres ficaram em segundo plano.

A escolha também desprezou uma questão essencial: a qualificação de quem poderá assumir a Presidência. Num país em que três vices assumiram o comando do país desde o fim da ditadura — Sarney, Itamar e Temer — é uma temeridade.


Para Urano, as hipóteses mais aceitas são: 1) a inclinação axial de 97,77° faz seu eixo de rotação ficar quase perpendicular ao plano orbital e "rolar" em torno do Sol; 2) a colisão com um grande objeto ter "derrubado" o planeta de lado e formado os 29 satélites que o orbitam a partir de pedaços de matéria ejetados, que foram se acumulando gradualmente.

Especula-se ainda que Urano pode ter sofrido mais de um impacto massivo no início de sua história, o que explicaria tanto seu ângulo axial quanto a órbita equatorial de suas luas — que giram em torno de Urano no mesmo plano do equador dele, o que é curioso, já que o planeta está "deitado".

No caso de Vênus, supõe-se que uma ou mais colisões com asteroides de grande porte alteraram seu sentido de rotação, ou que ele seja "puxado" pela gravidade solar e "empurrado" ao mesmo tempo por ondas gigantes, como num cabo de guerra, daí sua rotação ser não apenas retrógrada, mas também extremamente lenta — um dia venusiano dura 243 dias terrestres. Em contraste, sua órbita ao redor do Sol leva 225 dias terrestres. Isso significa que um dia é mais longo do que um ano — uma curiosidade sem paralelo no Sistema Solar. Isso sem mencionar que, devido à rotação invertida, o Sol nasce no oeste e se põe leste — um céu literalmente “ao contrário” do nosso.

Estar na superfície de Vênus seria como estar no fundo de um oceano muito, muito quente, com temperaturas superiores a 450 °C — calor suficiente para derreter chumbo. E o principal culpado não é o Sol, mas o efeito estufa descontrolado provocado pela densa atmosfera de dióxido de carbono, que retém o calor como um cobertor espesso ao redor do planeta. Além disso, a pressão atmosférica na superfície venusiana é cerca de 90 vezes maior do que a que experimentamos na Terra, equivalente à encontrada a 900 metros de profundidade nos oceanos terrestres.

Outro detalhe curioso: apesar de ser o segundo planeta a partir do Sol, Vênus é o mais quente em termos de temperatura média. Embora Mercúrio fique mais próximo do Sol, a ausência de atmosfera provoca variações brutais de temperatura (de 430 °C no lado iluminado a −180 °C no lado noturno), enquanto Vênus mantém a maior média térmica do Sistema Solar — 475 °C de forma constante, dia e noite, em qualquer ponto da superfície, como uma estufa perfeita e infernal.

Vênus é o astro mais brilhante do céu noturno depois da Lua, e por isso foi chamado de "Estrela da Manhã" ou "Estrela da Tarde" por diversas culturas ao longo da história — a depender de em qual parte de sua órbita se encontrava ao ser observado. Os maias chegaram a construir templos alinhados com seu movimento, tão importante era o planeta em sua cosmologia.

Visto da Terra, Vênus parece belo, sereno e brilhante, um farol delicado no céu noturno. Sob suas nuvens eternas, no entanto, esconde-se um verdadeiro apocalipse atmosférico em rotação lenta — uma lembrança cósmica de que aparência e realidade nem sempre orbitam juntas.

Como se vê, o Universo também sabe fazer propaganda enganosa.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

VIAGEM FANTÁSTICA — FINAL

DÊ-ME UMA ALAVANCA E UM PONTO DE APOIO E EU MOVEREI O MUNDO.

Depois de uma breve parceria, IBM e Microsoft buscaram cada qual à sua maneira desenvolver um sistema operacional que rompesse com as limitações do DOS, mas a estrela de Bill Gates brilhou mais forte: a arquitetura aberta se tornou padrão no mercado e o Windows, o SO para PCs mais popular em todo o mundo.


O Apple Macintosh foi criado para ter um sistema revolucionário, com interface gráfica, para o qual diversas empresas — inclusive a própria Microsoft — foram convidadas a desenvolver aplicativos. Contudo, a arquitetura fechada, o software proprietário e o preço elevado tornaram-no um “produto de nicho”.


Antes das edições NT e 95, o sistema operacional da Microsoft era o MS-DOS, e o Windows, apenas uma interface gráfica. No início dos anos 1990, Linus Torvalds lançou o Linux e abriu seu código para que outros programadores pudessem colaborar.


Observação: Linux não é Unix, mas um núcleo de sistema operacional que, combinado com o GNU, forma o GNU/Linux. Tanto o GNU quanto o Linux foram criados com o objetivo de serem mais simples que o Unix, mas compatíveis com a maioria dos aplicativos Unix, mas isso é outra conversa.


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Ao levar finalmente um companheiro de chapa à vitrine, Flávio Rachadinha expôs ao país não um vice dos sonhos, mas o resultado dos seus piores pesadelos: o abandono do centrão, a ausência de alternativas, o descompromisso com as mulheres e o descaso institucional. 

Ao sapatear sobre as pretensões políticas de Tarcísio de Freitas, o ex-presidente golpista imaginou que o centrão cairia no colo de seu primogênito por gravidade. Deu em abandono. Bateram em retirada o PP de Tereza Cristina, o Republicanos de Daniela Marques e o Podemos de Renata Abreu. Restou o precário Plano D masculino.

O filho do pai tentou emendar a desfeita com as mulheres. Piorou o soneto. "Fiz duas filhas. Quando ficar velhinho, vou ter quem vai tomar conta de mim", disse. Imaginou enaltecer os bons sentimentos femininos. Tolice. Pela lei, o cuidado com os pais é dever dos filhos, sem distinção de sexo.

É temerária a escolha de um deputado às voltas com pedido de investigação por suspeita de estupro de vulnerável e com emendas vasculhadas pelo TCU. Como se fosse pouco, a escolha também desprezou o essencial: a qualificação de quem pode assumir a Presidência. Poucas vezes a escolha de um vice expôs tantos vícios. Isso levou o candidato das rachadinhas, panetones e mansões milionárias a gastar baldes de saliva para sinalizar que teria uma vice mulher — depois de pelo menos três tentativas inexitosas, ele escolheu um homem, mas continuou sorrindo em público. 

Quem sorri quanto tudo deu errado é porque já descobriu em quem pôr a culpa. O filho do refugo da escória da humanidade, a culpa é dos oligarcas do centrão. As mulheres cogitadas para compor a sua chapa estão fechadas com ele. "Quem não veio foram os caciques, os partidos". 

Não há melhor remédio para a culpa do que reconhecê-la. Mas a terceirização de responsabilidades é um hábito hereditário no clã Bolsonaro. Flávio esqueceu de lembrar — ou lembrou de esquecer — que os caciques do centrão estavam fechados com o projeto presidencial de Tarcísio de Freitas, e que seu pai, preso, preferiu enfiar a candidatura do primogênito goela abaixo dos aliados. Isolado, dedica-se agora a cuspir no prato em que o centrão não o deixou comer. Pode ser um bom desabafo, mas não adiciona um mísero segundo à propaganda de rádio e TV, e permite aos aliados retaliar dizendo que a única maneira de Flávio evitar as más companhias é nunca andar só.


Os principais sistemas usados atualmente em servidores, desktops e laptops são o Windows, o MacOS e as distribuições Linux. Nos smartphones e tablets, o Android (lançado pelo Google no final de 2007) lidera com larga vantagem sobre o Apple iOS (75% a 23%). Symbian, BlackBerry e Windows Mobile tiveram seus 15 minutos de fama, mas não passaram disso. Em 2013, a Microsoft chegou a comprar a finlandesa Nokia quando viu que empurrar seu sistema móvel para fabricantes de smartphones que já haviam optado pelo Android era perda de tempo, mas nem assim a coisa prosperou. 


Resumo da ópera: O computador levou milênios para evoluir do ábaco até os primeiros mainframes, mas poucas décadas bastaram para a computação pessoal se tornar realidade e encantar os consumidores domésticos — isso a despeito de os primeiros PCs custarem caro e não passarem de substitutos da máquina de escrever, da calculadora, do baralho de cartas e, mais adiante, dos consoles de videogame. A partir de então, em apenas 30 anos, a evolução tecnológica fez com que desktops e laptops diminuíssem de tamanho e de preço e seu poder de processamento e gama de recursos e funções crescesse em progressão geométrica. Daí foi um passo até surgirem os smartphones ― hoje tão “indispensáveis” que a gente se pergunta como conseguiu viver sem eles durante tanto tempo.


Fruto da genialidade de Steve Jobs, o iPhone, lançado em 2007, transformou em computador ultraportátil o que até então era um telefone sem fio de longo alcance. Com sistema operacional e uma profusão de aplicativos, a demanda energética dos pequenos notáveis cresceu para além da capacidade da bateria, e a autonomia passou a disputar com o tamanho da tela a característica mais valorizada pelos usuários. Segundo levantamentos recentes, há no Brasil mais celulares do que habitantes.


A computação quântica promete aposentar as máquinas binárias. Ela já vem sendo usada pela indústria automotiva em simulações que visam encontrar a melhor composição química para maximizar o desempenho das baterias de veículos elétricos, por exemplo. Fabricantes de aeronaves, como a Airbus, também a utilizam para traçar a melhor trajetória de decolagem e pouso que proporcione maior economia de combustível. Mas nem tudo são flores.


Computadores quânticos são volumosos, complexos e caríssimos. Para manter a estabilidade dos qubits (bits quânticos) é preciso manter as máquinas virtualmente congeladas — quanto mais próximas do zero absoluto, melhor —, tornando seu uso inviável no ambiente de negócio. A IBM oferece acesso via cloud a seus processadores quânticos desde 2016. A China investiu cerca de US$ 400 milhões em pesquisas quânticas, e os EUA pretendem investir bilhões nesse segmento. A Ford vem desenvolvendo em parceria com a Microsoft um projeto-piloto de pesquisa que se vale de uma tecnologia inspirada na computação quântica para simular a movimentação de milhares de veículos e reduzir os congestionamentos.

 

Observação: Quando os computadores quânticos se tornarem padrão de mercado, os modelos binários terminarão seus dias como peças de museu. Mas isso não acontecerá da noite para o dia. 


Os celulares desembarcaram no Brasil nos anos 1980. Os primeiros modelos eram volumosos e caríssimos (tanto o hardware quanto os planos oferecidos pelas famigeradas TELES), embora servissem mais como símbolo de status do que para fazer e receber chamadas. Mas não há nada como o tempo para passar: o lançamento do iPhone levou os demais fabricantes de celulares a promover seus dumbphones a smartphones pequenos e leves o bastante para caber no bolso da calça — e mais poderosos que os desktops de alguns anos atrás. 


Observação: Lançado em 1996, o Motorola StarTAC media apenas 94 x 55 x 19 milímetros (com a tampa fechada) e pesava menos de 100 gramas (para efeito de comparação, uma caixa de fósforos mede 54 x 35 x 15 milímetros). 


O aumento exponencial de funcionalidades contribuiu para interromper o processo de miniaturização dos celulares e prejudicou sua portabilidade — acompanhar o usuário a toda parte é justamente o diferencial dos smartphones em relação aos desktops e notebooks. No entanto, como ensinou tio Ben a Peter Parker, “grandes poderes implicam grandes responsabilidades" — o que significa, no caso dos smartphones, telas de tamanho compatível com as novas funções, sobretudo depois que a tecnologia touchscreen e o teclado virtual se tornaram padrão de mercado. 


A questão é que andar para cima e para baixo com um dispositivo do tamanho de uma tábua de carne é desconfortável e perigoso: além do risco de queda, a exposição chama a atenção dos amigos do alheio (lembrando que modelos top de linha custam mais de R$ 10 mil).


Pendurar o celular no cinto ou no cós da calça era moda nos tempos de antanho, mas nem o hardware nem as capinhas dos modelos atuais integram a indispensável presilha. Na bolsa... bem, cada vez menos mulheres usam esse acessório no dia a dia, e ainda que assim não fosse, as notificações sonoras ficariam inaudíveis e olhar a tela para conferir se chegou mensagem pelo WhatsApp tornar-se-ia mais complicado.  


Moçoilas (de todas as idades) andam com o aparelho emergindo do bolso traseiro da calça, como se isso não facilitasse a ação da bandidagem. Aliás, muitas “tanajuras” vestem calças justíssimas para valorizar o derriére, o que chama ainda mais a atenção da bandidagem e submete o celular a uma pressão que ele não foi projetado para suportar. Afora a possibilidade de trincar a tela quando a dona do buzanfã se aboleta no carro, no sofá ou seja lá onde for sem tirar o aparelho do bolso, e colocá-lo no sutiã não é a solução, pois potencializa os riscos de câncer de mama.


Para o consumidor masculino o cenário não é muito melhor. Levar o dispositivo no bolso lateral implica o risco de a radiação eletromagnética inibir a produção de espermatozoides. Nas calças tipo “cargo”, o bolso próximo à coxa seria a solução ideal, mas manter o aparelho junto à coxa ou ao quadril pode enfraquecer os ossos, especialmente se essa prática se prolongar por anos a fio.   


Puérperas e baby-sitters jamais devem colocar o telefone no carrinho do bebê — segundo pesquisadores, a criança pode apresentar problemas comportamentais, como TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade). Igualmente desaconselhável é dormir com ele sob o travesseiro. O fato de a tela se iluminar a cada mensagem recebida interfere na produção de melatonina (hormônio que induz o sono), podendo, inclusive, causar tonturas e/ou dores de cabeça.


Cada vez mais usuários mantêm os olhos grudados na tela do smartphone mesmo quando estão no trabalho, na escola, no supermercado e durante almoços ou jantares com a família ou amigos, tanto em casa quanto em restaurantes. E a despeito do perigo, muita gente não resiste à tentação de trocar mensagens pelo WhatsApp no trânsito, enquanto estão dirigindo. Se for o seu caso, convém pisar no freio o quanto antes. Não é preciso abandonar o celular e voltar a viver na idade da pedra lascada; basta se nortear pelo bom senso. 


Evite levar o smartphone para a cama, quando por mais não seja, porque a luz da tela inibe os hormônios que regulam o sono. Se você depende do alarme para acordar de manhã, arrume um despertador “de verdade”. E se a primeira coisa que faz ao despertar é checar suas mensagens de WhatsApp, resista a essa tentação. Corte a barba, tome seu banho, vista-se e confira as novidades enquanto espera a água do café ferver, por exemplo.


Na hora do almoço, bata um papo descontraído com seus colegas de trabalho. Ignore o aviso de novas mensagens pelo menos até terminar a refeição (a menos que haja alguma pendência urgente). Em casa, procure conversar com os familiares por pelo menos uma hora sem ficar olhando a tela do aparelho. Se puder, desative os alertas sonoros e demais notificações. Elimine todos os apps supérfluos. Além de ganhar espaço na memória e melhorar o desempenho do gadget, você ganhará eficiência, tanto no trabalho quanto na execução de quaisquer outras tarefas.


No que tange à configuração ideal, o "melhor aparelho" é aquele que atende às suas necessidades por um preço que você pode pagar. Todavia, para evitar arrependimentos, opte por um modelo com 8 GB de memória RAM e 256 GB de armazenamento interno. A memória virtual proporciona alguma melhora no desempenho, notadamente quando muitos aplicativos são executados concomitantemente. 


Ainda assim, o desempenho da memória flash usada como armazenamento interno é muito inferior ao da RAM, o que resulta numa diminuição considerável na performance geral do sistema. Isso sem falar que o espaço alocado no armazenamento pode fazer falta em aparelhos de configuração espartana (com menos de 64 GB de memória interna). 

 

Na prática, a coisa funciona assim: se seu aparelho dispõe de 8 GB de RAM e 256 GB de armazenamento, ativar a memória virtual fará com que o sistema aloque uma determinada quantidade de espaço para expandir a RAM Ainda que não seja a melhor maneira de otimizar o desempenho do celular, fabricantes chinesas como Xiaomi e Realme vêm apostando nesse recurso há algum tempo, a exemplo da coreana Samsung, que introduziu esse recurso em alguns modelos. 


Smartphones com 6 GB de RAM física e outros 6 GB de memória virtual podem ser uma mão na roda, a despeito da diferença de desempenho entre as duas tecnologias de memória. Por outro lado, essa possibilidade é mais útil do que na plataforma PC, já que o upgrade de RAM física nos smartphones é inviável.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

VIAGEM FANTÁSTICA — CONTINUAÇÃO

O QUE CHAMAMOS DE MAGIA É APENAS A CIÊNCIA QUE AINDA NÃO COMPREENDEMOS.

Como dito no capítulo anterior, não se sabe ao certo se o ábaco foi criado pelos assírios, pelos egípcios ou pelos chineses, mas sabe-se que ele surgiu por volta do ano 4000 a.C. e que é considerado o precursor do computador — assim como o UNIX, desenvolvido em meados do século passado, é tido como o pai de todos os sistemas operacionais.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Mudou de patamar a crise que opõe o ministro André Mendonça ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Desavenças que eram sussurradas no escurinho ganharam a forma de uma lavagem de roupa suja sob holofotes. Superintendentes da PF nos 27 estados escancararam as desavenças numa nota pública divulgada nesta quinta-feira.

Ao acender a luz dos bastidores, os chefes estaduais da PF iluminaram a gênese da encrenca. O pano de fundo é a percepção dos investigadores de que Mendonça duvida da transparência e do empenho na apuração de suspeitas que recaem sobre Lulinha. O ministro passou a se imiscuir no trabalho da polícia. Na nota, os subordinados de Andrei Rodrigues saíram em defesa do chefe e da corporação dirigida por ele.

Sustentaram no texto que a credibilidade da corporação "decorre da atuação técnica e independente de seus servidores, orientada exclusivamente pelos fatos, pelas provas e pelos mecanismos de controle previstos no ordenamento jurídico". Anotaram que as investigações não estão subordinadas "a interesses políticos, ideológicos ou pessoais, mas ao estrito cumprimento da lei".

As queixas dos delegados soaram nas pegadas da abertura de inquéritos para investigar Lulinha, dois deles sob a relatoria de Mendonça. Incomodado com os ruídos, Lula entrou em cena. Manifestou incômodo com a passividade do ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, superior hierárquico da PF.

Entrou em cena o advogado-geral da União, Jorge Messias. Evangélico como Mendonça, ele articulou um encontro do ministro do Supremo com o titular da Justiça. A reunião a três ocorreu horas depois da divulgação do documento dos delegados. O magistrado revelou no encontro preocupação com a independência da PF. O ministro Lima e Silva tranquilizou-o. Assegurou que não há interferência no trabalho dos investigadores.

Espera-se que a abertura do diálogo jogue água fria na fervura. Primeiro porque não convém eleitoralmente a Lula a insinuação segundo a qual a PF faz corpo mole. Segundo porque a maledicência não orna com a credibilidade do órgão, que investiga suspeitos de todos os quadrantes ideológicos. Terceiro porque as rusgas entre PF e Supremo interessam apenas aos investigados, ávidos pelo surgimento de material para fundamentar pedidos de nulidade por falhas processuais.


Muita areia escoou pela ampulheta desde a criação da clássica moldura com bastões paralelos e contas deslizantes até a primeira calculadora mecânica, idealizada no século XVII pelo matemático Blaise Pascal e posteriormente aprimorada pelo alemão Gottfried Leibniz, que adicionou a capacidade de multiplicar e dividir. Mais adiante, o Tear de Jacquard serviu de base para Charles Babbage projetar uma engenhoca capaz de computar e imprimir tabelas científicas, e Herman Hollerith, fundador da IBM, desenvolveu seu tabulador estatístico.


Em meados do século passado, pesquisadores da Universidade da Pensilvânia construíram o primeiro computador digital eletrônico — uma monstruosidade de 30 toneladas que ocupava uma área de 180 m², integrava 70 mil resistores e 18 mil válvulas de vácuo, que queimavam à razão de uma a cada 2 minutos. Como os sistemas operacionais ainda não existiam, a geringonça era controlada por meio de chaves, fios e luzes de aviso. 


Mais adiante, os batch systems (sistemas em lote) permitiram que cada programa fosse escrito em cartões perfurados e carregado juntamente com o respectivo compilador. Só que não havia padronização de arquitetura e cada máquina usava um sistema operacional específico.


O primeiro SO funcional foi criado pela General Motors para controlar o IBM 704. Na sequência, diversas empresas desenvolveram sistemas para seus mainframes, e algumas se especializaram em produzi-los para terceiros. O mais famoso foi EXEC, escrito para operar o UNIVAC. O software fez muito sucesso nos anos 1950/60 e foi adotado por universidades e pequenas empresas por ser pequeno (para os padrões da época, já que era mais ou menos do tamanho de um guarda-roupas) e relativamente barato.


Lançado em meados dos anos 1970 e comercializado na forma de kit, o Altair 8800 é considerado o primeiro microcomputador, embora não tivesse qualquer utilidade prática até Bill Gates e Paul Allen criarem o “interpretador” Microsoft-BASIC — que não era propriamente um sistema operacional, mas foi o precursor dos sistemas para microcomputadores.


O MIT, a GE e a AT&T criaram uma força tarefa para desenvolver o MULTICS, mas o projeto foi abandonado depois de uma década de trabalho. Em 1969, Ken Thompson criou o UNICS — escrito em Assembly, reescrito em C e rebatizado de UNIX. Seu kernel (núcleo) logo passou a servir de base para outros sistemas operacionais — como o BSD, o POSIX, o MINIX, o FreeBSD e o Solaris, para ficar nos mais conhecidos.


O sucesso do Altair estimulou a Apple a investir no segmento de computadores pessoais e lançar o Apple II (1977), que vinha montado, dispunha de um Disk Operating System, trazia um teclado integrado e era capaz de reproduzir gráficos coloridos e sons — daí ser considerado o “primeiro computador pessoal moderno”.


Observação: Steve Jobs foi pioneiro na adoção da interface gráfica, com sistema de janelas, caixas de seleção, fontes e suporte ao uso do mouse, mas a XEROX já dispunha dessa tecnologia — que nunca explorou porque só tinha interesse em computadores de grande porte. Quando a Microsoft lançou o Windows — inicialmente como uma interface gráfica baseada no MS-DOS —, a Apple já estava anos-luz à frente, mas sua arquitetura fechada, seu software proprietário e o alto custo de seus produtos restringiram sua participação no mercado a um segmento de nicho.


De olho no sucesso da Apple, a IBM — então líder no âmbito dos mainframes — resolveu lançar o IBM-PC, com arquitetura aberta e sistema operacional desenvolvido pela Microsoft (que viriam a se tornar o padrão do mercado). Como jamais havia escrito um sistema operacional, a empresa de Redmond comprou o QDOS (dizem que pela bagatela de US$ 50 mil), adaptou-o ao hardware da IBM e o licenciou para a gigante dos computadores com o nome de MS-DOS.


Continua…