sábado, 18 de abril de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 96ª PARTE — TERIA SIDO O BIG BANG UM BIG BOUNCE?

QUANDO A JUSTIÇA FALHA, OS HOMENS JUSTOS SE ERGUEM. 

Filosoficamente, uma realidade simulada ainda teria leis próprias e seria tão real para nós quanto qualquer outra. Mas se somos arranjos temporários de partículas em um universo indiferente destinado à morte térmica, qual é o significado objetivo da vida?


Os niilistas não acreditam num propósito cósmico; segundo eles, todo significado é uma construção humana temporária. Para os existencialistas, criamos significado por meio de escolhas e compromissos, ao passo que os seguidores do emergentismo defendem que significado, valor e propósito são propriedades emergentes reais de sistemas complexos, e embora inexistem no nível fundamental, são genuínas no nível apropriado de descrição.


Segundo a teoria do Estado Estacionário, o Universo não teve início nem terá fim — ou seja, sempre existiu e sempre existirá —, uma vez que a expansão é compensada pela criação contínua de matéria (um átomo por metro cúbico a cada bilhão de anos). Embora a descoberta da radiação cósmica de fundo em micro-ondas (CMB) aponte para um início quente, e não para um universo eterno e contínuo, versões modificadas dessa teoria ainda persistem.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Ninguém viu ainda o código de ética prometido pelo ministro Fachin, mas já é possível identificar um movimento coordenado, com ações que limitam investigações, CPIs e delações. Juntas, compõem um manual de blindagem, e o pedido de Gilmar Mendes para Paulo Gonet investigar o senador Alessandro Vieira se insere nesse contexto em que o Supremo prioriza a autoproteção em vez da autocontenção. 

As togas se equipam para impor limites ao funcionamento de CPIs — farão isso ao julgar ação que discute a quebra do sigilo de Lulinha pela falecida CPI do INSS. Antes, Alexandre de Moraes reviu seus próprios conceitos para limitar o uso de relatórios de inteligência do Coaf, vitais no avanço das investigações sobre o Master. Há mais: às vésperas da delação de Daniel Vorcaro, Moraes pôs para andar ação antidelação movida pelo PT em 2021.

Antes disso, Fachin engavetou documento em que a PF apontava indícios de crime de Toffoli para permitir que o colega deixasse a relatoria do caso Master sem a pecha da suspeição. Depois, Gilmar desengavetou ação que arquivara três anos atrás para suspender a quebra dos sigilos da empresa de Toffoli na recém-encerrada CPI do Crime.

Tomadas em conjunto, as providências adotadas no Supremo constituem uma espécie de código informal de falta de ética.


Existe também a hipótese de que forças eletromagnéticas em plasmas cósmicos — e não a gravidade — dominam a estrutura do Universo em larga escala. Mas essa proposta não explica a expansão acelerada, a CMB, a abundância de elementos leves e a formação de estruturas cósmicas tão bem quanto o modelo ΛCDM


Outra possibilidade é que o fato de o universo ter passado por ciclos infinitos de expansão e contração evita a singularidade do Big Crunch. Inspirada na Teoria das Cordas e em cenários de D-branas colidindo, essa perspectiva sugere que o cosmos seria uma brana flutuando em um espaço de dimensões extras, e que colisões periódicas gerariam novos Big Bangs sem um início absoluto. Isso elimina a necessidade de um início singular, mas abre espaço para perguntas difíceis: como evitar o acúmulo de entropia ciclo após ciclo? E por que cada ciclo teria as propriedades que tem? 


Talvez o Big Bang não tenha sido uma singularidade, e sim um Big Bounce — uma contração prévia revertida em expansão ao atingir densidade crítica, porém finita. Na escala de Planck, a gravidade quântica pode gerar uma repulsão que impede o colapso total em singularidade e elimina o problema do início absoluto, permitindo que informação do universo anterior atravesse o bounce. Essa solução é matematicamente elegante, mas empiricamente desafiadora de testar. 


Outra possibilidade é a inflação cósmica continuar produzindo infinitos “universos-bolha” com propriedades distintas. A Teoria das Cordas prevê cerca de 10⁵⁰⁰ possíveis “vácuos”, cada um correspondendo a um conjunto particular de leis físicas e criando um multiverso em que todos os universos possíveis existem em algum lugar do espaço-tempo. Mas se qualquer observação pode ser explicada dizendo “isso acontece em algum universo do multiverso”, até que ponto preservamos o poder preditivo da ciência?


Usando tempo imaginário, James Hartle e Stephen Hawking propuseram um universo sem borda, uma condição de contorno em que o universo não começa em uma singularidade, mas emerge suavemente de um estado quântico. Essa proposta elimina a pergunta “quem (ou o que) causou o universo”, já que substitui a causa externa por uma flutuação quântica espontânea.


Segundo o Princípio Holográfico, toda a informação de um volume de espaço pode ser codificada em sua superfície, assim como um holograma 2D codifica uma imagem 3D. A entropia de um buraco negro é proporcional à área de seu horizonte de eventos, não ao volume, e em certos modelos uma teoria gravitacional em N dimensões equivale a uma teoria quântica sem gravidade em N–1 dimensões. 


Filosoficamente, a dimensionalidade do espaço pode ser uma ilusão conveniente — uma maneira eficiente de organizar relações informacionais profundas. Niels Bohr advertiu que quem não fica chocado ao conhecer a teoria quântica pela primeira vez provavelmente não a entendeu. No entanto, por mais estranhas que sejam, todas essas teorias emergem de evidências sólidas e matemática rigorosa.


Talvez a lição mais profunda seja a de que a realidade não tem obrigação de ser intuitiva. Se lidamos com objetos de tamanho médio que se movem em velocidades médias, não há motivo para o cosmos, em suas escalas extremas, se comportar de forma confortável para nosso cérebro. Em última análise, a questão não é se essas ideias são estranhas, mas se são verdadeiras, e somente experimentos e observações podem responder. 


A natureza já votou; agora cabe a nós tentar entender o veredicto. Como Einstein bem observou, o mais incompreensível sobre o universo é ele ser compreensível. Talvez essa compreensibilidade seja o maior mistério de todos.

Continua… 

sexta-feira, 17 de abril de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — PARTE VI — EXPERIÊNCIAS DE QUASE MORTE

O QUE FAZEMOS AGORA ECOA NA ETERNIDADE.

Se o tempo e o espaço são uma ilusão e a consciência realmente opera fora desses limites, talvez os raros momentos em que a vida entra em modo de manutenção, enquanto a mente parece entrar em modo de expansão, não sejam falhas do sistema, mas breves vislumbres de sua arquitetura real. Sob essa perspectiva, as chamadas Experiências de Quase-Morte (EQMs) deixam de ser um problema e passam a ser um indício incômodo: relatos de percepção lúcida, memória organizada e até descrição precisa do ambiente em estados nos quais, em tese, o cérebro já teria encerrado suas atividades.


Se mudarmos de lente e voltarmos ao modelo clássico — em que a consciência é produto do cérebro —, uma parada cardíaca completa deveria equivaler ao desligamento de um computador. Tela preta. Fim da história, Mas como explicar a consciência sem cérebro, a visão sem olhos e a memória sem atividade neural?


Seriam as EQMs brechas no tecido do tempo… ou apenas a consciência sintonizando uma frequência que, na maior parte do tempo, somos incapazes — ou talvez proibidos — de perceber? Ou, mais desconcertante ainda: não é a consciência que aparece quando o cérebro falha… é o cérebro que limita aquilo que a consciência poderia ser.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Paulo Henrique Costa assumiu a presidência do BRB — o banco público de Brasília — com fama de homem de bem. Em meio ao escândalo do Master, foi demitido sob a suspeita de que se deu bem nas tramoias de Daniel Vorcaro. Preso em flagrante pela Polícia Federal, levou consigo a reputação destruída e um inventário pouco discreto: seis imóveis avaliados em R$ 140 milhões. Para um homem de bem, patrimônio considerável. Não se chega a uma fraude de R$ 12,2 bilhões — como a que Vorcaro aplicou contra o BRB — na base do improviso. Esse tipo de operação exige arquitetura, cumplicidade e, sobretudo, tempo. O avanço das investigações trouxe à tona uma espantosa sequência de fatos extraordinários envolvendo pessoas ordinariamente corruptas: havia muito patrimônio por trás do matrimônio do Master com o banco público que o então governador Ibaneis Rocha, com a desenvoltura característica de quem governa para si mesmo, desgovernou com notável dedicação. Ainda no mês anterior, Vorcaro tentou vender um dos imóveis dados como propina ao ex-presidente do BRB — detalhe que, sozinho, diz tudo sobre o nível de impunidade que esses personagens julgavam ter conquistado. Vender o imóvel dado como suborno é o tipo de audácia que só se explica pela certeza de que nada aconteceria. Desta vez, aconteceu. Além de Paulo Henrique, foi preso o advogado Daniel Monteiro, um dos operadores de Vorcaro na gestão dos fundos usados para comprar autoridades da República. Ele representou o dono do falecido Banco Master nas negociações com o BRB — negociações que o Banco Central barrou, não sem antes o esquema ter causado o estrago que causou. A presença de um advogado como operador central não é detalhe: é a marca registrada de fraudes sofisticadas, nas quais a linguagem jurídica serve menos para garantir direitos do que para obscurecer crimes. Resta saber se os bens e verbas de origem torpe serão efetivamente recuperados — pergunta que, no Brasil, carrega embutida uma dose generosa de ceticismo histórico. A experiência sugere que, no país das operações que começam com estrondo e terminam em arquivamento, a expectativa de justiça completa é, no mínimo, prematura. Resumo da ópera: um país sem justiça se transforma num covil de ladrões — como comprova a súcia abjeta que se aboletou nas sedes dos Três Poderes desta republiqueta bananeira de quinta categoria. A diferença entre um Estado e uma quadrilha, em certos momentos da história brasileira, é questão de formalidade.


A morte é a única certeza que temos na vida, mas o que supostamente existe depois dela é uma incógnita que atormenta a humanidade desde sempre. Não há provas irrefutáveis de vida após a morte, mas Carl Sagan ensinou que ausência de evidência não é evidência de ausência


Do ponto de vista da medicina, a morte é a cessação irreversível das funções vitais do organismo, mas as EQMs contrariam essa visão estritamente materialista porque a consciência é a capacidade de ter conhecimento e percepção de si mesmo, do mundo ao redor e dos próprios pensamentos e sentimentos. 


Os neurologistas associaram a consciência ao córtex pré-frontal em 1848, depois que Phineas Gage — um operário que teve o crânio trespassado por uma barra de ferro — "recobrou a consciência" e se tornou um cafajeste arrogante. Mais adiante, descobriu-se que a área afetada — o córtex pré-frontal, — exerce um papel preponderante na capacidade de sentir emoções como o remorso, de modo que mudanças físicas no cérebro podem alterar a personalidade das pessoas.


Vale destacar que não existe uma definição universalmente aceita do que seja consciência. A medicina descreve seus sinais, a neurologia procura suas bases anatômicas, a psicologia debate seus conteúdos, e a filosofia insiste que nenhuma dessas lentes, isoladamente, dá conta do fenômeno. Mal comparando, seria como tentar descrever o mar medindo apenas a espuma.


Por mais que associemos consciência à atividade cerebral, ainda não sabemos por que certos padrões de neurônios em ação dariam origem à experiência subjetiva — ao “como é ser” alguém. É esse abismo conceitual que fez surgir tentativas de formalizar a coisa. Teorias como a Materialista e as da Informação Integrada e do Espaço de Trabalho Global tentam explicar a origem daquilo que os religiosos tratam por alma, espírito, sopro vital, enfim, algo separado do corpo físico, ainda que usando vocabulário e métodos bem diferentes.


Relatos de alguns pacientes que foram reanimados após serem declarados clinicamente mortos envolvem a sensação de flutuar e de ver o próprio corpo “de cima”. Muitos descrevem encontros com parentes já falecidos, túneis de luz, sensação de paz e até detalhes de conversas que ocorreram enquanto os médicos tentavam trazê-los de volta à vida.


Não se sabe exatamente o que são essas “experiências de quase morte”, por que elas ocorrem ou o que representam, mas sabe-se que elas variam de pessoa para pessoa, podendo ser positivas ou perturbadoras, e é justamente nesse vácuo que entram as Experiências de Quase Morte (EQMs).


A relação das EQMs com a consciência e a vida após a morte vem sendo pesquisada e debatida por neurologistas, psicanalistas e biologistas há décadas, mas ainda não se sabe se elas têm base neurológica, se são produzidas pela mente em resposta a uma situação de morte iminente ou se sua natureza é mais espiritual ou transcendental.


Sabe-se que pacientes alcoolizados, vítimas de overdose de drogas que afetam a consciência tendem a descrever experiências bizarras e confusas, e pessoas que se viram em situações de morte iminente, a relatar episódios com elementos cognitivos, distorção temporal e aceleração do pensamento.


Uma médica de 68 anos disse que assistiu a uma revisão crítica de sua vida e entrou num túnel que a levou a um local de paz, mas despencou em posição de Trendelenburg e retornou ao corpo pela região do chacra cardíaco. Outra médica de 42 anos contou que foi puxada para o interior de um túnel com luzes coloridas, mas voltou ao corpo e despertou antes de descobrir o que havia do outro lado. 


A cantora Madonna revelou à revista Variety que, durante uma EQM, Deus lhe perguntou se queria ir com Ele e ela respondeu que não. O iatista Lars Grael, que perdeu uma perna e sofreu duas paradas cardíacas, disse ter sentido uma paz enorme enquanto levitava sobre o próprio corpo. A atriz Sharon Stone enxergou um ser feito de luz branca enquanto estava inconsciente num túnel de ressonância magnética, e Elizabeth Taylor se viu na mesa de operação ao lado de um de seus falecidos maridos (ela se casou 8 vezes, duas com o ator Richard Burton).


Há inúmeros casos documentados de crianças que viram parentes que jamais conheceram — e que foram capazes de álbuns de família — e relatos de religiosos que afirmaram ter encontrado Deus, Jeová, Alá, Oxalá, Krishna — conforme o cardápio metafísico de cada fé —, e certamente haveria muitos mais se tanta gente não evitasse falar sobre o assunto por medo de ter a sanidade mental questionada, a exemplo de quem relata contatos imediatos de segundo, terceiro, quarto e quinto graus.


Acredita-se que a consciência seja como um filme "projetado" por uma série de atividades realizadas no cérebro, que reúne a história da vida de cada pessoa. Essa capacidade de representar o mundo na mente se estende a outros seres vivos, mas em um grau muito menor — uma anêmona do mar se expande ou se contrai na presença da luz solar, enquanto o homo sapiens conta com uma série de instrumentos que representam o ambiente de forma bem mais sofisticada. Mas a pergunta é: em que momento essas atividades formam aquilo que chamamos de consciência?


Supondo que a consciência seja um fluxo contínuo de conexões neurológicas que se inicia com o nascimento e termina com a morte, cada nova experiência leva o cérebro a criar uma representação mental e armazená-la na memória. Pesquisadores que monitoraram o funcionamento do cérebro através da tomografia por emissão de pósitrons descobriram que diversas atividades responsáveis pela consciência demandam ações conjuntas de várias regiões.


Em suma, o que cada um de nós faz é a soma de todas as representações feitas de nós mesmos, dos outros e do ambiente que nos circunda, mas a ciência não explica a capacidade que algumas pessoas têm (ou alegam ter) de se conectar com o além, receber mensagens de quem já passou desta para melhor (ou para pior), lembrar de vidas passadas, ver entes falecidos, receber mensagens psicografadas e incorporar entidades que tanto podem ser “do bem” quanto “do mal”. 


O que a Igreja diz a respeito vai na mesma linha da criação do mundo segundo o Gênesis, que, convenhamos, qualquer pessoa minimamente esclarecida deveria refutar. Embora a possibilidade de existir um ser superior seja plausível, o deus vingativo dos pastores papa-dízimo e dos padres pedófilos é inadmissível. 


No fim das contas todas as religiões são a verdade sagrada para quem as professa e meras fantasias para os seguidores das outras religiões, mas não há crença, por mais estúpida que seja, que não tenha fiéis sectários.


Continua…

quinta-feira, 16 de abril de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 95ª PARTE — O FRUTO MAIS COBIÇADO DA ÁRVORE DA RELATIVIDADE

NÃO FOSSE POR THOMAS EDISON, AINDA ESTARÍAMOS VENDO TV À LUZ DE VELAS. 

As viagens no tempo são o fruto mais cobiçado — e ainda não alcançado — da “árvore da relatividade”. O assunto ganhou destaque depois que H. G. Wells publicou A Máquina do Tempo, em 1895, e passou a ser explorado por escritores e roteiristas de ficção científica que, por alguma razão, atribuem aos buracos negros o papel de atalho cósmico que cabe aos buracos de minhoca (detalhes nesta postagem).

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

O presidente do PT, Edinho Silva, admitiu que a nova pesquisa do Datafolha não é favorável a Lula, mas tratou de minimizar o estrago, ressaltando que se trata do "retrato do momento". Ciro Gomes disse certa vez que pesquisas representam um frame do filme eleitoral. A metáfora é elegante, mas a sequência recente de levantamentos não mostra um quadro isolado — mostra um curta-metragem, e ele é tóxico para Lula.
No outro extremo do tablado político-ideológico, o primogênito do atual presidiário mais famoso desta republiqueta de bananas cresceu dez pontos desde dezembro, enquanto o molusco eneadáctilo caiu seis. Num cenário de segundo turno, a vantagem de quinze pontos do petista no fim de 2025 virou empate técnico em março e, na sondagem deste fim de semana, seu adversário mais provável aparece com leve dianteira numérica — 46% a 45%. Dentro de erro, tecnicamente, mas as margens de erro não votam, e tendências, sim.
Edinho afirmou que o resultado do Datafolha reflete o aumento do "sentimento antissistema" associado a denúncias de corrupção que acabam sendo atribuídas ao governo. Segundo ele, cabe ao governo explicar que as investigações partem dele próprio — argumento que pressupõe um eleitor disposto a ouvir explicações de quem ele já decidiu não acreditar — e foi às redes sociais para orientar a militância a divulgar obras do governo e reforçar que painho determinou a apuração dos casos recentes. É a estratégia da transparência seletiva: mostrar o que interessa, esconder o que incomoda, torcer para que ninguém note a diferença.
Para o desassossego crescente de Lula, o balão de Flávio cresce cheio de gás — embora vazio de ideias. O rebento do refugo da escória da humanidade prometeu divulgar um programa de governo, mas, até aqui, nada. Ficou também de anunciar o nome do seu futuro ministro da Fazenda, mas desistiu. Aparentemente, a estratégia é ocupar espaço sem oferecer alvo — o que, diga-se, funciona melhor do que deveria numa democracia que se preze.
Em 2022, Bolsonaro e seus aliados desprezavam o Datafolha com escárnio ensaiado. O que valia, diziam, era o Datapovo. Agora, o filho do pai aposta mais em redes sociais do que em conteúdo programático — misturou no Instagram os dados da pesquisa com o "Funk do Zero Um", cuja letra pede respeito à "patente do novo capitão". É o bolsonarismo em sua forma mais pura: a ausência de substância elevada à categoria de identidade. Funciona porque o eleitor que ele busca não quer propostas — quer pertencimento. E pertencimento não precisa de ministro da Fazenda.
O macróbio que postula a reeleição aposta que a experiência de três gestões e a comparação com a (indi)gestão de seu antecessor lhe renderão mais quatro anos no Planalto. É uma aposta razoável — ou seria, se o eleitor médio guardasse memória linear dos últimos anos. Mas o eleitor médio não é um arquivo; é um termômetro. E o que ele mede agora não é o passado de Lula, mas o presente — o preço da cesta básica, o custo do aluguel, a sensação difusa de que as coisas não estão bem e de que o governo, qualquer governo, tem alguma responsabilidade nisso.
Lula tem menos de seis meses para mostrar que nada contribui tanto para trazer de volta os velhos maus tempos quanto a memória fraca do eleitor. O problema é que a memória, desta vez, pode estar mais longa do que ele gostaria — e o filme, ao que tudo indica, ainda não chegou ao fim.


De certo modo, viajamos para o futuro do dia em que nascemos até o instante em que exalamos nosso último suspiro. Até onde se sabe, ninguém ainda conseguiu viajar pelo tempo como nos filmes como De volta para o futuro, Interestelar e Tudo em todo lugar ao mesmo tempo, por exemplo. Mas isso não muda o fato de que a possibilidade é matematicamente viável — inclusive para o passado, uma vez que o conceito de “tempo negativo” deixou de ser mera especulação depois que pesquisadores da Universidade de Toronto demonstraram sua existência física de forma tangível


Em tese, bastaria embarcar numa espaçonave e acelerar a 99,99999999999% da velocidade da luz (designada pela letra "c" e equivalente a 1,08 bilhão de km/h) para percorrer, numa questão de minutos, milhares ou milhões de anos-luz (um ano-luz corresponde a 9,46 trilhões de quilômetros). Em razão da dilatação temporal (prevista por Einstein na Relatividade Geral) e do fator de Lorentz, o tempo passaria 707.000 vezes mais devagar na nave, e a distância até nossa vizinha Proxima Centauri se reduziria a alguns milhões de quilômetros. Note que não há contradição, apenas diferentes medições do mesmo evento, pois a covariância de Lorentz faz com que cada observador veja os ponteiros do relógio do outro se moverem mais devagar.


Apesar de ter evoluído mais, nos últimos 150 anos, do que da descoberta do fogo até a revolução industrial, nossa tecnologia ainda não permitiu a construção de naves capazes de alcançar velocidades próximas à da luz. A sonda espacial mais veloz lançada pela NASA até agora mal atingiu 700 mil km/h. Essa velocidade permite ir a Marte em 13 dias e atingir a heliopausa em pouco mais de um ano, mas uma viagem até nossa vizinha Próxima Centauri, que fica a 4,2 anos-luz, demoraria mais de 6 mil anos.


Outra maneira de viajar até outra galáxia — neste ou em outro universo, no presente ou em outro ponto da linha do tempo — seria atravessar um buraco de minhoca — dobra teórica que se forma no tecido do espaço-tempo nas proximidades do horizonte de eventos (ou nas profundezas) de alguns buracos negros. Como o exemplar mais próximo fica a 1,6 mil anos-luz da Terra, uma viagem até lá na velocidade máxima alcançada pela sonda mais rápida lançada pela NASA até o momento (692 mil km/h) demoraria cerca de 2,5 milhões de anos.


Mas não custa lembrar que a esquadra de Cabral levou 44 dias para cruzar o Atlântico em 1500, coisa que o Concorde fazia 500 anos depois em menos de 3 horas. Que um engenheiro da NASA chamado David Burns vem desenvolvendo um acelerador helicoidal de íons capaz de gerar empuxo relativístico sem combustível — a ideia viola o princípio da conservação do momento linear, mas, se vingar, pode mudar o futuro das viagens espaciais.


Outra ideia promissora é a bolha de Alcubierre, que dobra o espaço-tempo ao redor da nave para "surfar" mais rápido que a luz sem violar as leis da física. O problema é que ela exige energia negativa ou matéria exótica, cuja existência ainda não foi confirmada. Também se cogita construir uma Esfera de Dyson, usar feixes de laser para impulsionar velas ultraleves a 20% da velocidade da luz (não parece grande coisa, mas daria para ir até Alpha Centauri em pouco mais de 20 anos) e reatores como o ITER e o SPARC, que replicam o funcionamento das estrelas para gerar energia limpa e praticamente ilimitada.


O sonho de atravessar um buraco de minhoca e sair na Roma Antiga permanece no território da ficção científica, mas a luz e a gravidade não são as únicas maneiras de contornar a tirania do tempo. A maioria das propostas nesse sentido é meramente especulativa — como foi um dia o helicóptero projetado pelo polímata Leonardo da Vinci —, mas a história ensina que tanto a arte imita a vida quanto a vida imita a arte, e que a ficção de hoje pode ser a ciência de amanhã.


Continua…