quinta-feira, 16 de julho de 2026

CURIOSIDADES SOBRE ALBERT EINSTEIN

O QUE NOS DEFINE NÃO É A FORMA COMO NOS LEVANTAMOS DEPOIS DA QUEDA, MAS O QUE FAZEMOS PARA NÃO CAIR DE NOVO. 

Além de ser um dos maiores gênios da história da humanidade, Albert Einstein eternizou pérolas de sabedoria popular, entre as quais: “a vida é como andar de bicicleta; para manter o equilíbrio, você precisa continuar em movimento.”


O brocardo consta de uma carta enviada a seu filho Edward em 1930, quando o cientista passava por um momento conturbado, mas não tem ligação com um possível slogan motivacional. Além disso, quem anda de bicicleta sabe que o equilíbrio será perdido no momento em que perder velocidade e, consequentemente, a sustentação.


A moral da história é que as pessoas devam continuar avançando, ainda que de forma lenta, pois o equilíbrio é encontrado enquanto o movimento segue, e não quando é paralisado. Ainda assim, a metáfora pode ser aplicada em vários aspectos da vida. Em última análise, a ideia é que dar pequenos passos no dia a dia é fundamental para recuperar a confiança, mesmo diante de situações das mais adversas.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Mais um movimento vomitativo tabuleiro político-eleitoral: Alexandre de Moraes proibiu o presidiário Jair Bolsonaro de receber visitas de seu primogênito, também conhecido como "Bolsonarinho" e pré-candidato à presidência desta pobre banânia — ainda mais pobre por ter como alternativa ao rebento do refugo da escória da humanidade a reeleição de um macróbio eneadáctilo, também conhecido como "o desempregado que deu certo". 

A proibição imposta pelo ministro vai até depois do primeiro turno das eleições, e se deve ao fato de Bobi Filho ter descumprido a medida cautelar que proíbe Bibo Pai de usar redes sociais, diretamente ou por terceiros, ao divulgar uma carta segundo a qual Flávio é"porta-voz" do pai e o candidato escolhido para representá-lo politicamente.

Moraes alegou que o filho do pai usou "expressões com carga semântica equivalente a pedido explícito de voto", classificou sua conduta como "instrumento de promoção política", enviou a decisão para o procurador-geral e mandou o Ministério Público Eleitoral apurar se o episódio configura propaganda eleitoral antecipada, além de dar prazo de 48 horas para os advogados do ex-presidente se manifestarem..

A carta em questão foi lida pelo pré-candidato durante transmissão nas redes sociais e também compartilhada em foto após uma visita ao pai. De acordo como o magistrado, a afirmação de que o documento era "imperdível" e "um recado muito importante" que seu pai queria transmitir aos brasileiros mostra que o aspirante a golpista sabia da divulgação nas plataformas, o que também configura desrespeito à medida cautelar.

O advogado da pré-campanha de zero um, Tracy Reinaldet, afirmou em nota que a decisão é ilegal e inconstitucional, e que a equipe tomará medidas para revertê-la, "sempre respeitando as instituições". Também em nota à imprensa, o coordenador da pré-campanha de Flávio, senador Rogério Marinho, declarou que a proibição é uma "clara interferência no jogo político" e uma tentativa de deixar Bolsonaro incomunicável.

Para Moraes, o filho do pai usou seu direito de visita para divulgar a carta nas redes sociais, o que configurou ostensivo desvio de finalidade no exercício de seu direito de visita. Disse ainda que o pré-candidato "é reincidente em sua conduta desrespeitosa às decisões judiciais" e citou o episódio em que ele transmitiu uma chamada de áudio do pai a manifestantes na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, em 2025.


Einstein não usava meias por considerá-las desnecessárias. Seu cabelo desgrenhado — que se tornou um símbolo de “cientista maluco” — era mantido assim porque ele desprezava os barbeiros. Entre outras excentricidades, era apaixonado por música clássica e carregava seu violino — apelidado carinhosamente de “Lina” — por onde quer que fosse. Curiosamente, até ouvir as obras de Mozart, ele abominava as aulas de violino incentivadas pela mãe, que era uma talentosa pianista.


O futuro gênio começou a falar aos 6 anos de idade. Diferentemente do que reza a lenda, não era mau aluno nem foi reprovado em matemática. Autodidata desde pequeno, não se interessava pela escola de seu tempo e execrava a pedagogia militarista e autoritária do Ginásio Luitpold, em Munique, onde cursou o equivalente ao nosso ensino fundamental. 


O famoso “pau” que levou aconteceu quando Einstein tinha 16 anos — dois a menos do que a idade média dos candidatos a uma vaga na Escola Politécnica de Zurique. Apesar de os exames de matemática e física terem impressionado a banca examinadora, suas provas de humanas foram uma negação. Mas acabou sendo aceito dois anos depois e se notabilizou pelas teorias da Relatividade Restrita (1905), da Relatividade Geral (1915) e do Efeito Fotoelétrico (1905), que reformularam os conceitos de tempo, espaço, gravidade e natureza da luz.


Em 1924, o físico visitou o Rio de Janeiro. Embora tenha reconhecido e agradecido pessoalmente o trabalho dos pesquisadores brasileiros, seus relatos íntimos revelam que ele menosprezava os interlocutores e culpava o clima tropical pelos costumes, que considerava inferiores. Em uma das passagens mais emblemáticas de seu diário, ele anotou: “Sou uma espécie de elefante branco para eles, e eles, uma espécie de macacos para mim.” Em outra, porém, escreveu: “A miscelânea de povos nas ruas é deliciosa: portugueses, índios, negros e tudo no meio, de modo vegetal e instintivo, dominado pelo calor.”


Observação: O físico usou o termo “índios” como símbolo de selvageria e inferioridade, mas ficou tão impressionado com o trabalho do general Cândido Rondon que chegou a recomendá-lo ao Prêmio Nobel da Paz. Por outro lado, suas anotações deixaram clara a ideia de uma suposta superioridade europeia — e também sua impaciência com o costume brasileiro dos grandes discursos elogiosos, que considerava enfadonhos.


Einstein casou-se em segundas núpcias com uma prima e prometeu à primeira mulher o valor do Prêmio Nobel de Física que viria a ganhar dali a dois anos — pelo efeito fotoelétrico, não pela relatividade. Em 1939, alertou o então presidente americano (Franklin D. Roosevelt) sobre a possibilidade de a Alemanha desenvolver bombas atômicas por meio da fissão de urânio.


A partir de então, os EUA criaram o Projeto Manhattan, responsável pela produção das bombas nucleares lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki em 1945. Anos depois, arrependeu-se de ter enviado a carta — em entrevista à revista Newsweek, afirmou que, se soubesse que os alemães não conseguiriam desenvolver uma bomba atômica, ele não teria feito nada.


Einstein morreu em 18 de abril de 1955, três anos depois de recusar o convite para ser o segundo presidente de Israel. Devido a seu ativismo político e origem alemã, o FBI manteve um arquivo de 1.427 páginas sobre ele. Seu cérebro foi roubado durante a autópsia pelo patologista Thomas Harvey, que pretendia estudá-lo para tentar entender sua genialidade.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

DESCOBERTOS NOVOS PLANETAS CIRCUMBINÁRIOS

PARTURIENT MONTES, NASCETUR RIDICULUS MUS.

Foram descobertos recentemente 27 novos planetas circumbinários (que orbitam duas estrelas) a distâncias que variam de 650 a 18 mil anos luz da Terra. Como esses astros se assemelham ao fictício planeta Tatooine, da saga Star Wars, a data ficou conhecida como o "Dia Star Wars".


Observação: Vale lembrar que, quando o primeiro episódio do filme foi lançado, os cientistas sequer sabiam da existência de exoplanetas, quanto mais de planetas circumbinários. 


Até então, apenas 18 exoplanetas circumbinários haviam sido descobertos — contra mais de 6 mil que orbitam estrelas solitárias, como acontece com a Terra em relação ao Sol. De acordo com Ben Montet, principal autor do estudo, "em astronomia as coisas nem sempre são tangíveis, mas graças à famosa cena do pôr do sol em Tatooine, no primeiro filme Star Wars, todo mundo tem uma ideia do que é um planeta circumbinário e como seria estar nele." 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


A Famiglia Bolsonaro protagonizou mais um capítulo de submissão ao governo Trump: em documento de 86 páginas enviado ao USTR, o primogênito do presidiário prometeu prometeu isolar o Pix de sistemas "não ocidentais", defendeu empresas de cartão americanas como Visa e Mastercard, e pediu o adiamento por 180 dias do tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros alegando que a medida prejudica suas chances eleitorais. 

Candidato a um inusitado quarto mandato, o molusco abjeto reagiu chamando o gesto de "entreguista" e afirmando que "Nossa Pátria não está à venda." Em outra frente do caso Master, ficou claro que o fundo Havengate, usado por Vorcaro para repassar R$ 61 milhões aos Bolsonaro nos EUA para custear o filme Dark Horse, era um projeto imobiliário fantasma no Texas que nunca saiu do papel.

Triste Brasil.


Estima-se que mais da metade das estrelas do Universo existem em sistemas binários ou mesmo com um número ainda maior de estrelas, e 27 desses objetos podem ter massas massas planetárias. O grupo descobriu esses potenciais planetas usando dados de um programa da NASA que busca especificamente por exoplanetas — planetas localizados fora do Sistema Solar. A técnica de detecção usada pelo grupo pode ser usada para detectar ainda mais planetas circumbinários no futuro, que tendem a ter ambientes muito diferentes daqueles encontrados em nosso Sistema Solar.


Outra equipe de cientistas anunciou recentemente os resultados de uma pesquisa de uma década para medir a constante gravitacional newtoniana, responsável por nos manter com os pés no chão, e os planetas, em órbita. Mas foram anos de esforço para um resultado pífio: a proposta de determinar a constante fundamental, que define a força da atração entre duas massas em qualquer lugar do universo, resultou em um número que discordava de descobertas anteriores, incluindo os resultados de um experimento que buscava replicar.


As constantes fundamentais da natureza são valores essenciais que definem o comportamento dos fenômenos físicos no universo — e não se alteram independentemente da posição no tempo ou no espaço. Elas incluem a velocidade da luz e a constante de Planck, que desempenha um papel fundamental na física quântica. O cientista que conduziu meticulosamente o experimento mais recente, iniciado em 2016, descreveu a experiência como "exaustiva". 


Por mais de 225 anos, cientistas vêm tentando medir a constante gravitacional, apelidada de "Grande G". O britânico Henry Cavendish realizou o primeiro experimento em 1798, mais de um século depois de Newton ter descoberto a força da gravidade, mas até hoje não se conseguiram chegar a uma medição com um nível de precisão comparável ao de constantes como a velocidade da luz (299.792.458 m/s) ou a constante de Planck, que é conhecida com oito casas decimais.


A gravidade é especialmente difícil de medir com precisão porque a percebemos como uma força muito forte, mas ela é muito mais fraca do que as outras três forças fundamentais — eletromagnética, nuclear fraca e nuclear forte — que mantêm os átomos e núcleos unidos. Isso fica evidente ao observarmos um ímã, que é relativamente pequeno, mas exerce uma força muito forte sobre objetos magnéticos.

terça-feira, 14 de julho de 2026

E VIVA O POVO BRASILEIRO

OS BRASILEIROS NÃO SABEM VOTAR, E QUANDO VOTAM, NÃO SE LEMBRAM EM QUEM VOTARAM. 

Devidamente despida do glamour fantasioso atribuído pelos livros didáticos, a Proclamação da República foi um golpe de Estado político-militar que pôs fim à monarquia constitucional parlamentarista do Império, apeou do trono D. Pedro II e implementou o presidencialismo republicano como forma de governo.

Ao longo de 136 anos de história republicana, dos 36/39 brasileiros que chegaram à Presidência pelo voto popular, eleição indireta, linha sucessória ou golpe de Estado (o número depende de como se contam interinos, juntas militares e mandatos não-consecutivos), oito, a começar pelo primeiro — Deodoro da Fonseca —, foram de alguma maneira apeados do poder, e não houve nenhum que pudesse ser considerado "estadista" — lembrando que estadistas governam pensando nas próximas gerações, enquanto os populistas pensam exclusivamente nas próximas eleições.


Observação: Talvez Rui Barbosa ou o Barão do Rio Branco pudessem ser considerados como tal, mas nenhum deles presidiu o Brasil. Em contrapartida, populistas vicejaram como ervas daninhas.


Em 1960, o populista demagogo e cachaceiro Jânio Quadros derrotou o candidato governista, Marechal Henrique Teixeira Lott, e o ex-governador de São Paulo, Adhemar de Barros, tornando-se o primeiro presidente desta banânia a ocupar o então recém-inaugurado Palácio do Planalto. Mas sua renúncia, menos de 6 meses depois da posse, pavimentou o caminho para o golpe de estado de 64, que culminou com a deposição do então presidente João Goulart e a posse do marechal Humberto de Alencar Castello Branco, dando início a uma ditadura militar que se estendeu por 21 anos, comandada pelos generais Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo, nessa ordem. 


Em 1968, o “linha-dura” Costa e Silva decretou o AI-5, produzindo um elenco de ações arbitrárias de efeitos duradouros que prevaleceram durante o período mais repressivo do governo militar. Em 1974, Geisel deu início ao processo de abertura que, dali a 11 anos, poria termo ao regime de exceção com a eleição (indireta) de Tancredo Neves, que venceu o candidato dos militares Paulo Maluf por 480 votos a 180. 


Em janeiro de 1985, o então presidente da Câmara Ulysses Guimarães — que chegou a ser cogitado para disputar o Planalto pelo PMDB, mas foi preterido pela chapa “mista” formada com o PFL de José Sarney — entregou a Tancredo o programa denominado Nova República, que previa eleições diretas em todos os níveis, educação gratuita, congelamento de preços da cesta básica e dos transportes, entre outras benesses.


O fim da ditadura não foi uma “consequência natural do espírito democrático” de Geisel e Figueiredo e tampouco transcorreu sem turbulências e acidentes de percurso. O processo só foi concluído graças às manifestações populares pró-diretas, que reuniram milhões de pessoas na Candelária, no Vale do Anhangabaú e na Praça da Sé, com faixas, cartazes e camisetas onde se lia a inscrição “EU QUERO VOTAR PARA PRESIDENTE”.


Observação: Nos movimentos pró-diretas, pugnava-se pela aprovação da emenda constitucional Dante de Oliveira, que visava restaurar o direito às eleições diretas, suspenso pelos militares. No dia da votação, exatos 20 anos depois do golpe, uma manobra de bastidores tirou da Câmara 112 deputados. Apesar do clamor das ruas, a emenda foi rejeitada — ou seja, o povo foi traído mais uma vez pela classe política.


Em 1985, com a esperança e os ânimos redobrados, os brasileiros ansiavam pela chegada do dia 15 de março — data prevista para a posse do primeiro presidente civil depois de 21 anos e a volta dos militares às casernas. Mas o que deveria ser a festa da democracia se transformou em luto nacional: Tancredo foi internado 12 horas antes da cerimônia de posse e morreu 38 dias e 7 cirurgias depois. 


Após algumas discussões jurídicas sobre a possibilidade de Ulysses Guimarães, então presidente da Câmara, ser guindado ao Planalto, prevaleceu o entendimento de que o rebotalho do coronelismo nordestino José Sarney, vice na chapa de Tancredo, deveria ser empossado. E foi o que aconteceu, para o bem e para o mal.


Ao contrário do que escreveu Karl Marx, a história nem sempre se repete como farsa; às vezes, ela reproduz fielmente o passado. Na eleição direta de 1989 — a primeira para presidente desde 1960 —, 22 candidatos (entre os quais Ulysses Guimarães, Mário Covas e Leonel Brizola) disputaram o Planalto, mas a récua de muares que insiste em fazer a cada eleição, por ignorância, o que Pandora fez uma única vez, por curiosidade, escalou para o segundo turno Lula, o desempregado que deu certo, e Collor, o caçador de marajás de mentirinha. E o resto é história recente.


Prestes a completar 81 anos, o macróbio petista busca seu quarto mandato, tendo como principal adversário filho do ex-presidente golpista que os cegos mentais tratam por "mito", mas na verdade não passa de um combo de mau militar e parlamentar medíocre aspirante a golpista.


Sobre o desgoverno Lula, a reprovação popular apontada pelos institutos de pesquisa dizem tudo. Já o primogênito do refugo da escória da humanidade enfrenta dois adversários inesperados: no Brasil, ele é mastigado por um movimento autofágico da madrasta; nos EUA, vive a síndrome da ameaça de um novo tarifaço de 25% do pseudoaliado Donald Trump.


A despeito da promessa de pacificar o país, o filhote de sacripanta não consegue sequer obter um armistício com Micheque, além de acenar com uma relação privilegiada com a Casa Branca, sem se dar conta de que a calopsita alaranjada não quer aliados, mas vassalos.


Fugindo do apelido de Tariflávio, o filho do pai endereçou nova carta a Washington — desta vez para o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o temível USTR —, na qual anotou que novas tarifas dariam "uma vitória política" ao governo Lula. Em vez de pedir a reversão das tarifas, rogou que a punição seja adiada para "depois das eleições". Ou seja, além de legitimar a natureza política da sanção mostrou-se preocupado com sua campanha, não com os exportadores brasileiros.


Rápido como o raio que o parta, o xamã petista recorreu às redes sociais para acusar a quadrilha, digo, a família Bolsonaro de entreguista. Escreveu que pedir o adiamento da sanção é coisa de "traidores da pátria", pois "não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois".


Ao oscilar entre a autofagia e a trumpfobia, Bolsonarinho gira como um parafuso espanado em torno de problemas que ele próprio criou. Fornecendo material para o adversário, torna-se um caso raro de líder da oposição à sua própria candidatura.


E viva o povo brasileiro.

segunda-feira, 13 de julho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — SOBRE A NATUREZA DO TEMPO

O TEMPO É O FOGO QUE NOS CONSOME.

A despeito do avanço substantivo da ciência desde a invenção da roda, ainda não sabemos se o tempo é uma realidade física ou apenas uma convenção para organizar o caos, nem se ele flui através de nós ou somos nós que o atravessamos.

Para o cosmólogo Carlo Rovelli, o tempo não é uma linha reta pela qual os acontecimentos deslizam do passado ao futuro, mas uma variável emergente, resultante do aumento da entropia do cosmos ao longo dos últimos 13,8 bilhões de anos. Já o matemático e metafísico J. M. E. McTaggart chegou à mesma conclusão por meio da lógica pura, demonstrando a inconsistência da ideia de tempo com um simples exercício de pensamento.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


A nova rodada do Datafolha em São Paulo intensificou a luz amarela que pisca no painel de controle do comitê de campanha de Lula ao reforçar a hipótese de Tarcísio de Freitas prevalecer sobre Fernando Haddad no primeiro turno — algo que, se confirmado, deixaria o molusco sem um palanque na segunda rodada no maior colégio eleitoral do país.

Tarcísio aparece no com 46% das intenções de voto, 16 pontos à frente de Haddad. Na contagem oficial, a Justiça Eleitoral leva em conta apenas os votos válidos, e aí a porca torce o rabo para o petismo. Numa projeção que desconsidera os eleitores que sinalizaram ao Datafolha a intenção de votar em branco ou anular o voto, Tarcísio prevaleceria hoje sobre Haddad por 52% a 34%. Nessa hipótese o governador seria reeleito no primeiro round, pois somaria mais do que o mínimo necessário: 50% dos votos válidos mais um.

Na sucessão de 2018, quando Lula estava preso, o PT foi representado na corrida presidencial por Haddad. Bolsonaro chegou ao Planalto porque obteve no Sudeste 5,1 milhões de votos a mais do que o rival petista. Com isso, conseguiu anular a vantagem que o PT tradicionalmente obtém na região Nordeste.

Dos 23 municípios do Sudeste com mais de 500 mil habitantes em que Bolsonaro derrotou Haddad, dez ficavam em São Paulo. Em 2022, Haddad mediu forças com Tarcísio na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. Perdeu no segundo turno. Mas seu desempenho foi crucial para que Lula reduzisse a desvantagem no Sudeste. Lula voltou a perder para Bolsonaro na região. Mas reduziu a desvantagem para 784 mil votos. O que foi fundamental para a vitória nacional pela pequena margem de 1,8 ponto percentual.

Confirmando-se a hipótese da ausência de um segundo turno em São Paulo, o comitê do xamã petista ganha desafios novos, entre os quais o aperfeiçoamento da linguagem digital. A campanha no estado escorregaria naturalmente das ruas para as redes sociais — um ambiente no qual a direita costuma levar vantagem sobre a esquerda.

Essas premissas podem soar contraditórias, mas a contradição se desfaz quando consideramos, por exemplo, que a Grande Pirâmide de Gizé foi erguida no presente do faraó Queóps — o que, para nós, equivale a 4,5 mil anos atrás. Em outras palavras, se a realidade depende do ponto de vista do observador, o presente não é uma data fixa no calendário. Assim, um olhar verdadeiramente objetivo não pode se apoiar em categorias como presente, passado ou futuro — da mesma forma que “eu”, “aqui” ou “lá” só têm sentido para quem fala, mas não existem de forma absoluta.


Se o tempo, a exemplo do espaço — que compreende apenas relações entre lugares —, comporta somente relações entre acontecimentos mensuráveis, uma descrição objetiva do mundo não comporta presente, passado e futuro. E se presente, passado e futuro não existem, então o tempo também não existe — ou talvez exista, mas não do jeito que nós imaginamos.


Na antiguidade, o tempo era visto ora como um deus implacável, ora como um fluxo sereno, ora como uma ilusão. Na mitologia grega, Cronos usou sua foice para castrar seu pai, Urano, que aprisionava os filhos por receio de ser destronado… e passou a devorar os seus.


Músicas como Dust in the Wind traduzem a inevitável transitoriedade da vida, enquanto o cinema faz do tempo um personagem central, tanto nas narrativas fragmentadas de Memento quanto nos paradoxos temporais de Interestelar, que transformam em drama humano a dilatação do tempo prevista pela Teoria da Relatividade de Einstein., segundo a qual o espaço não é uma caixa rígida e inerte, mas algo como um imenso molusco que se comprime e se retorce na presença de massa e energia.


Já a mecânica quântica revelou que tudo ao nosso redor é formado por pequenos pacotinhos — como os fótons que formam a luz. O problema é que as duas teorias não se falam: uma descreve o espaço como contínuo e suave; a outra sugere que tudo o mais é granular e discreto. Conciliá-las é uma das maiores questões em aberto da física. 


Observação: A relatividade geral e a mecânica quântica se expressam em idiomas diferentes, mas ambas parecem dizer a verdade. Uma metáfora usada por Rovelli compara a natureza a um velho rabino que, consultado por dois homens para resolver uma disputa, deu razão a ambos, e quando sua mulher ponderou que eles não poderiam ter razão ao mesmo tempo, disse que ela também estava certa.


A gravidade quântica em loop visa compatibilizar a relatividade geral e a mecânica quântica. Nesse contexto, a hipótese de o espaço ser um recipiente amorfo desaparece da física com a gravidade quântica, e as coisas (quanta) não habitam o espaço, mas os arredores umas das outras. Se o espaço não for um tecido contínuo que tem como limite o limite dos pacotinhos que o formam, então o tempo não é uma linha reta pela qual as coisas fluem, nem tampouco uma sucessão de acontecimentos formados por passado, presente e futuro.


Devido às dilatações do tempo e da gravidade, o relógio anda mais devagar para quem se move em altas velocidades ou habita regiões onde a atração gravitacional é mais intensa. Um minuto numa espaçonave viajando a uma velocidade próxima à da luz equivale a milhares de anos terrestres, e um minuto no topo do Monte Everest corresponde a 60,000000000058 segundos no nível do mar — uma diferença de míseros 58 nanossegundos, mas mensurável com relógios atômicos de alta precisão.


Observação: Um relógio sobre um móvel registra que o tempo passa mais depressa quando comparado com outro que está no chão. Pelo mesmo motivo, o tempo passa mais depressa no cume do Everest do que na praia. Quanto mais próximo do centro da Terra, mais intensa é a gravidade e, consequentemente, mais devagar o tempo passa, como foi comprovado experimentalmente por relógios atômicos altamente sofisticados.


Para entender a teoria da gravidade quântica é preciso abandonar a ideia de que um gigantesco relógio cósmico marca o tempo do Universo. Um ano é apenas o tempo que a Terra leva para dar uma volta completa em torno do Sol, mas nosso conceito de “ano” só faz sentido em nosso planeta — para um hipotético habitante de Saturno, um ano corresponderia a 29,5 anos terrestres.


Nosso conceito de tempo pouco tem a ver com as leis do Universo como um todo. Em última análise, as coisas mudam apenas umas em relação às outras; no nível fundamental, o tempo não existe. Na filosofia, Santo Agostinho sintetizou sua angústia na frase: “Se ninguém me pergunta, eu sei o que é; mas se me perguntam, já não sei responder”. Para ele, presente e futuro só existiam dentro da consciência, como memória, atenção e expectativa. Séculos depois, Henri Bergson distinguiu entre o tempo mensurável da ciência e a duração subjetiva da vida, fluida e elástica. Mas é na ciência moderna que o tempo se torna questão de medição e de leis. 


Newton falava de um “tempo absoluto”, invisível mas necessário para ordenar os movimentos do mundo. Essa noção foi revolucionada por Einstein, que demonstrou com suas equações relativísticas que não somos viajantes imóveis em um rio inexorável, e sim habitantes de um tecido cósmico onde espaço e tempo formam uma única realidade. A partir daí, tornou-se possível compreender que o tempo não é igual para todos.


Nossos antepassados começaram a medir o tempo quando notaram que as fases da Lua e a mudança das estações influenciavam o comportamento dos animais — uma questão vital para quem vivia da caça e da pesca. Na cosmologia, o tempo como o conhecemos nasceu com o Big Bang, e especular sobre o que existia antes dele faz tanto sentido quanto perguntar o que existe ao norte do Polo Norte. 

 

De acordo com a causalidade (não confundir com casualidade), o que aconteceu ontem impõe restrições ao que acontece hoje, e o que acontece hoje influencia o que acontecerá amanhã. Como esse princípio dá ao Universo uma direção única, a possibilidade de voltar no tempo põe a ciência em xeque. Mas algumas interpretações da física — como a da gravidade quântica — atestam que o tempo se resume a uma dimensão secundária que surge da interação entre eventos e partículas, sem existir como entidade independente.


Por outro lado, se causa e efeito estão relacionados pela ordem dos eventos, e não pela passagem do tempo em si, então o tempo é ilusório e a causalidade pode se manter através dessas relações ordenadas. Mas isso é assunto para o próximo capítulo.