A telefonia móvel celular surgiu em meados do século passado, mas só começou a se tornar popular no final da década de 70. No Brasil, a privatização das Teles (em 1998, durante a segunda gestão do presidente Fernando Henrique) acelerou a expansão da tecnologia no país, rompendo com décadas de monopólio estatal e introduzindo a competição entre operadoras que democratizou o uso dos aparelhos.
Curiosamente, a tecnologia que prometia liberdade de movimento e comunicação acabou criando uma nova forma de dependência. Depois que os telefones móveis evoluíram para “microcomputadores de bolso”, concentrando funções que antes estavam distribuídas em diversos dispositivos e espaços (como banco, câmera, biblioteca, escritório, entretenimento), muitos usuários passaram a sofrer de “nomofobia” — de no-mobile + fobos —, ou seja, a “ansiedade patológica” que acomete as pessoas que se veem privadas de seus dispositivos.
CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA
Condenado por invadir os sistemas do CNJ e plantar mandados falsos de prisão e de soltura, Walter Delgatti Neto, também conhecido como “o hacker de Araraquara”, passou para o regime semiaberto. Já sua comparsa, Carla Zambelli, continua detida na Itália, para onde fugiu em meados do ano passado.
Depois de dois adiamentos a pedido da defesa, a Corte de Apelação de Roma remarcou para o próximo dia 20 o julgamento do pedido de extradição da fujona. Vale lembrar que, diante do risco de fuga, seus pedidos de liberdade provisória e de prisão domiciliar foram negados.
O Ministério Público italiano deu parecer favorável à extradição, já que os crimes pelos quais Zambelli foi condenada são considerados comuns, e não políticos. Se perder na Corte de Apelação, ela ainda pode recorrer à Corte de Cassação ou mesmo ser beneficiada por uma decisão do governo italiano — hipótese remota, ao menos neste momento, pois nada indica que a primeira-ministra Giorgia Meloni esteja disposta a comprar essa briga para favorecer alguém que o próprio Bolsonaro acusou de ter contribuído para sua derrota em 2022.
Resumo da ópera: quem executou a fraude já vislumbra a porta de saída, enquanto a mentora intelectual aposta em recursos quase infinitos e na confusão institucional para adiar seu encontro com a prisão em regime fechado. Todavia, salvo intervenção política, o desfecho tende a ser menos cinematográfico do que a fuga e mais banal do que os discursos da caterva bolsonarista.
A conferir.
Outras consequências da evolução dos celulares foram a “inversão de hierarquia” (os smartphones, que eram complementares aos computadores convencionais, passaram a ser os dispositivos principais, relegando desktops e notebooks a funções específicas); o progressivo “desaparecimento” dos orelhões (símbolos urbanos que hoje são quase relíquias) e dos terminais fixos nas residências; e o desinteresse dos leitores do blog por artigos que focam o ambiente Windows — daí o número crescente de postagens sobre o sistema Android e aparelhos Samsung e Motorola, líderes de vendas no Brasil.
Concluído este (não tão) breve preâmbulo, passemos ao que interessa: golpistas, cibervigaristas e assemelhados vêm se valendo do “spoofing” para praticar toda sorte de fraudes, entre as quais se destacam:
1) o golpe do falso banco, em que a ligação parece vir do número oficial da instituição, e o suposto atendente pede senhas ou dados confidenciais;
2) os golpes da Receita Federal, dos Correios, da CNH e outros em que criminosos se passam por agentes públicos para exigir pagamentos indevidos;
3) o falso suporte técnico, no qual alguém se apresenta como funcionário de empresas como Microsoft ou Apple, alegando que há um problema em seu computador e solicitando acesso remoto;
4) phishing por SMS, no qual mensagens de texto que imitam notificações bancárias ou promoções e trazem links maliciosos que podem instalar malwares no celular.
Somente no primeiro semestre de 2024, os brasileiros receberam uma média de 26 chamadas não identificadas por mês, das quais 51% eram “spam” — mensagens em massa com conteúdo publicitário — e 13%, tentativas de fraude. Apesar de sofisticado, o “spoofing” — técnica de engenharia social que busca enganar uma rede ou pessoa fazendo-a acreditar que a fonte de uma informação espúria é confiável — pode ser combatido com a adoção de algumas medidas simples, entre as quais:
1) Desconfie de ligações inesperadas do banco ou de um órgão público pedindo dados (desligue e retorne através dos canais oficiais da instituição);
2) Jamais compartilhe senhas ou códigos por telefone;
3) Use serviços de bloqueio de chamadas no telefone fixo (como o do Procon e o Não Me Perturbe); configure o app Telefone do celular para bloquear spam — ou utilize aplicativos como RoboKiller e Nomorobo;
4) Jamais siga links recebidos por SMS, WhatsApp ou emails (se for necessário acessar o site, pesquise o endereço oficial e digite-o manualmente na caixa de endereços do navegador);
5) Evite divulgar seu número de telefone em redes sociais ou cadastros desnecessários;
6) Desconfie de mensagens que criam pressão temporal (como “sua conta será bloqueada hoje”);
7) No caso de golpes envolvendo parentes, ligue diretamente para a pessoa antes de qualquer outra coisa.
Segundo o blog da McAfee, os estelionatários utilizam softwares e serviços de Voice over Internet Protocol (VoIP), que permitem configurar o número que aparece no identificador de chamada de modo a levar a vítima a acreditar que está recebendo uma ligação de seu banco, da Receita Federal ou até mesmo de um familiar.
Se suspeitar de que forneceu dados a um criminoso, mude imediatamente suas senhas, ative autenticação em duas etapas em contas sensíveis, avise a instituição falsificada para que possa alertar outros clientes e registre um boletim de ocorrência (BO) em uma delegacia, de preferência especializada em crimes cibernéticos.
Boa sorte.



