EM CASA DE ENFORCADO NÃO SE FALA EM CORDA.
Vimos que encontrar uma “teoria de tudo”, capaz de explicar todas as forças da natureza e reconciliar a relatividade geral com a mecânica quântica, seria o equivalente científico do Santo Graal, da Pedra Filosofal e do mapa do tesouro descobertos na mesma escavação arqueológica.
A física moderna trata elétrons, quarks e outras partículas como pontos sem estrutura interna, em contraste com a antiga ideia de que a matéria fosse composta por partículas fundamentais indivisíveis. Mas a Teoria das Cordas propõe algo radicalmente diferente. Segundo ela, as partículas fundamentais não seriam pontos, e sim minúsculas cordas unidimensionais vibrando em frequências diferentes.
CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA
Não é institucionalmente saudável o engajamento de candidatos na defesa e no ataque a juízes supremos. Do jeito que a coisa vai mal na cena política, dá vontade de dormir agora para só acordar em 2030.Um traço comum entre implicados e citados nos escândalos em tela é o fato de se sentirem autorizados a não dar explicações ao público que os sustenta nos respectivos postos com votos e impostos.
Alguns estão sendo cobrados pelo presidente do STF a fazê-lo com prazos determinados. Outros se escoram no aconselhamento de estrategistas políticos para evitar dar munição aos adversários e aguardar a poeira baixar com o fim das disputas eleitorais.
O pior que pode acontecer é um daqueles acertos não escritos adiar o enfrentamento das suspeitas para depois das eleições a fim de alegadamente não deixar o ambiente mais tumultuado do que já está. A segunda pior coisa já acontece: candidatos a cargos eletivos engajados nas fileiras de Alexandre de Moraes e André Mendonça. Um, o demônio a ser expurgado; outro, o "ungido do Senhor". Paulo Gonet, no papel de autoengavetador na PGR, ainda não encontrou defensores.
O terceiro mal que espreita e acirra a crise é a atuação de magistrados na exposição da refrega interna, como fez o ministro Flávio Dino ao confrontar publicamente a manifestação de Edson Fachin em defesa do fim do inquérito sem-fim das fake news. Além de ferir a autoridade da presidência da corte, Dino oficializa a divisão do tribunal em torcidas semelhantes àquelas que degradam a cena política.
Se já transitávamos pelo terreno da desesperança e do desagrado com a disputa entre dois candidatos repudiados e concorrentes que não inspiram como alternativa, agora pisamos no pântano da distorção total: o Supremo em litígio com juízes no centro da refrega política servindo à orientação de votos.Só se viu algo parecido em algum lugar algum entre aqueles em que a normalidade está em vigor para além das aparências e formalidades.
Uma solução haverá de ter, ainda que leve tempo e requeira a condução de outros personagens que não os atuais em cena. Francamente, dá vontade de dormir e acordar em 2030.
Assim como uma corda de violão produz notas distintas dependendo da forma como vibra, essas cordas microscópicas produziriam diferentes partículas: uma vibração corresponderia a um elétron; outra, a um quark; outra, a um fóton; e assim por diante. Em vez de um universo feito de “bolinhas” fundamentais, teríamos um universo construído a partir de padrões de vibração.
A grande promessa dessa teoria é unificar todas as forças da natureza em uma única estrutura matemática, já que ela não só consegue descrever naturalmente partículas e forças quânticas, como também inclui algo extremamente importante: uma partícula compatível com o gráviton, o hipotético mediador quântico da gravidade. Em outras palavras, ela parece oferecer um caminho para reconciliar a gravidade de Einstein com o mundo quântico.
Mas nem tudo são flores: a teoria só funciona matematicamente se o universo tiver mais dimensões do que percebemos no cotidiano — dez ou onze dimensões, conforme a versão. Se percebemos apenas três dimensões espaciais e uma temporal, seria porque as hipotéticas dimensões extras estariam compactadas em escalas microscópicas, enroladas sobre si mesmas como pequenos tubos ou formas geométricas extremamente diminutas.
Nessa visão, em cada ponto do nosso espaço tridimensional haveria, “dobrado” sobre si mesmo, um espaço adicional de várias dimensões, tão pequeno que nenhum microscópio ou acelerador atual conseguiria sondá‑lo. A forma exata dessas dimensões escondidas — muitas vezes modeladas por estruturas matemáticas chamadas variedades de Calabi‑Yau — poderia determinar quais partículas e forças existem, como se a geometria invisível do cosmos fosse a partitura que rege a sinfonia das interações fundamentais.
À medida que a teoria foi sendo desenvolvida, os físicos perceberam que não havia apenas uma versão de Teoria das Cordas, mas cinco versões diferentes, todas matematicamente consistentes. Essa aparente “proliferação de teorias” levou à conjectura de que todas seriam apenas faces distintas de uma teoria mais profunda e abrangente, batizada de M‑theory — o “M” já foi interpretado como “membrana”, “mãe” ou simplesmente “mistério”.
Na M‑theory, em vez de apenas cordas unidimensionais, entram em cena objetos de dimensões maiores, chamados branas: membranas bidimensionais, “peles” tridimensionais e assim por diante. Nosso próprio universo poderia ser uma brana de dimensão elevada flutuando em um espaço de onze dimensões, com as partículas e forças que conhecemos confinadas a essa “membrana cósmica”, enquanto a gravidade, mais tímida, se espalharia também pelo “volume” extra‑dimensional.
Se isso for verdade, efeitos ligados às dimensões extras — como pequenas fugas de gravidade para fora da nossa brana ou interações com outras branas — poderiam, em princípio, deformar o espaço‑tempo de maneiras exóticas. Em cenários ainda especulativos, colisões entre branas, túneis através de dimensões adicionais ou geometrias mais complexas poderiam abrir espaço para atalhos cósmicos, buracos de minhoca estabilizados e, quem sabe, formas de “navegar” pelo tempo tão estranhas quanto as próprias equações que as permitem.
Trata‑se de uma teoria matematicamente elegante, que inspirou avanços importantes na física teórica, embora ainda não haja evidências experimentais diretas de que essas cordas ou branas realmente existam, já que as escalas de energia necessárias para observá‑las seriam muito maiores do que as alcançadas pelos aceleradores de partículas atuais. Isso faz com que a teoria seja admirada por muitos físicos e criticada por outros, que a consideram fruto de filosofia especulativa.
Roger Penrose, por exemplo, não esconde seu ceticismo: para ele, uma teoria que multiplica dimensões e universos possíveis sem produzir previsões claras e testáveis corre o risco de se afastar da física e se aproximar demais da matemática pura. Em sua visão, seguir empilhando hipóteses elegantes sem confrontá‑las decisivamente com a realidade pode ser um desvio de rota na busca por uma descrição realmente profunda do cosmos.
Mesmo sem confirmação experimental, a ideia central da teoria é fascinante. Ela sugere que a diversidade do universo não nasce de partículas fundamentalmente diferentes, mas de diferentes modos de vibração de uma mesma entidade básica. De certo modo, é como descobrir que toda a matéria do cosmos é, no fundo, uma espécie de música microscópica tocada em cordas invisíveis.
Quando os físicos tentam quantizar a gravidade usando partículas pontuais, as equações produzem infinidades matemáticas difíceis de controlar. As cordas, por terem extensão espacial, suavizariam essas divergências. Não obstante, uma teoria científica precisa fazer previsões testáveis, e há quem diga que a Teoria das Cordas e suas extensões “podem ser brilhantes demais para o nosso microscópio”, ao menos por enquanto.
Continua…




