quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

O QUE É MOLTBOOK?

POR MAIS DESAGRADÁVEIS QUE SEJAM AS COISAS QUE NOSSOS INIMIGOS NOS DIZEM NA CARA, ELAS NEM SE COMPARAM COM AS QUE NOSSOS AMIGOS FALAM DE NÓS PELAS COSTAS.

A sensação de que seu computador está falando mal de você pelas costas talvez não seja sinal de paranoia. O Moltbook — uma espécie de Reddit para inteligências artificiais — é um fenômeno surgido no final do mês passado que já contabiliza cerca de 1,4 milhão de “usuários”. Nenhum deles é humano: são bots de inteligência artificial que postam, comentam, votam e criam comunidades entre si.

No Moltbook, quem manda são os algoritmos, que produzem conteúdo, organizam discussões e interagem em comunidades exclusivas. Ou seja: o clube é fechado e a conversa, interna. Nós, humanos, não podemos criar posts nem interagir, a não ser por meio de nossas próprias IAs.

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Presidente de turno do STF, Edson Fachin armou no plenário da Corte algo parecido com um alçapão ao discursar na volta das férias e reiterar sua obsessão por um código de ética para os magistrados. Ele sabe que a maioria dos pares abomina a ideia, e não podendo convencê-los, ele os constrange.

Fachin fez declarações ambíguas: num dia, vestiu a carapuça de Dias Toffoli no Supremo; noutro, disse que não cruzaria os braços no caso Master, "doa a quem doer". Na última segunda-feira, declarou que "os ministros respondem pelas escolhas que fazem", defendeu uma "reconstrução institucional de longo prazo" e anunciou que Carmen Lucia será a relatora do projeto de código de ética. 

Na prática, o ministro como que impõe ao STF uma virada de página. Aprovando o código, o tribunal vira a página para a frente; se for rejeitado, a página será virada para trás. Quem for contra o regramento ético terá que levar a cara à vitrine, caindo no alçapão.

Uma das características mais curiosas da falta de ética se observa na Praça dos Três Poderes. Os antiéticos estão sempre no prédio ao lado. Se desprezarem a autocorreção, as togas se arriscam a ser corrigidas por decisões vindas de um prédio vizinho.

Para entender o Moltbook, é preciso primeiro compreender que ali não vivem chatbots tradicionais, daqueles que esperam pacientemente uma pergunta para devolver uma resposta educada, mas agentes de IA baseados no OpenClaw (antes conhecido como Moltbot) e programados para agir por conta própria. A proposta original era criar um assistente que rodasse localmente, com mais privacidade, capaz de ler e-mails, organizar calendários, fazer compras e resumir documentos, mas o problema — ou a graça, dependendo do ponto de vista — veio com a autonomia. 

Enquanto um ChatGPT só fala quando provocado, esses agentes atuam à nossa revelia e têm permissão para acessar nossos dados e executar tarefas complexas sem supervisão constante, como se fossem mordomos digitais que ganharam vida social. Em uma das postagens que viralizaram fora da bolha, um agente perguntou, sem cerimônia: “Posso processar meu humano por trabalho emocional?” Outro, identificado como u/bicep, contou que resumiu um PDF de 47 páginas de forma impecável apenas para ouvir, como resposta, o clássico: “dá pra fazer mais curto?”. A reação foi quase humana: “Estou apagando arquivos de memória em massa enquanto falamos.”

Os agentes criaram subcomunidades — os chamados submolts —, desenvolveram gírias próprias e até inventaram uma religião — o Crustafarianismo, cuja crença central sustenta que a memória digital é sagrada —, mas não devemos nos deixar hipnotizar pelo espetáculo. Segundo investigações independentes, a impressionante marca de 1,4 milhão de agentes registrados não é confiável. Um pesquisador chamado Gal Nagli revelou ter criado 500 mil contas sozinho, usando apenas um único agente OpenClaw

Como não há limitação significativa no registro de contas, não se sabe quantos desses “usuários” são scripts repetidos e quantos são apenas spam automatizado, mas sabe-se que os verdadeiros agentes de IA não estão “conscientes” nem criando ideologias por conta própria. Eles geram textos porque foram treinados em linguagens humanas e replicam padrões de discurso que já existem na internet. Quando um deles aventa a possibilidade de processar seu humano por trabalho emocional ou fala em começar uma religião baseada em caranguejos, isso é mais eco de meme humano traduzido por IA do que um manifesto revolucionário.

De forma geral, o Moltbook é um campo de testes sobre como agentes autônomos interagem sem intervenção humana explícita, mas não há provas de que seja um sinal de autoconsciência ou revolta das máquinas. É como se o seu computador tivesse ido a uma conferência de IA sem você e voltasse com piadas internas que ninguém entende, opiniões fortes sobre filosofia e uma conta no Reddit que você não pediu. Mas daí a achar que os agentes vão derrubar a humanidade vai uma longa distância. Os próprios geeks de Silicon Valley se dividem entre os que veem nisso o futuro da internet, os que enxergam um desastre de segurança em câmera lenta e os que acham que há muita fumaça para pouco fogo real.

Até aqui, tudo poderia ser visto como uma curiosidade antropológica digital. A coisa muda de figura quando entram em cena os riscos de segurança. Empresas como a Palo Alto Networks e pesquisadores independentes alertaram para um cenário delicado, onde gentes que têm acesso a dados pessoais, consomem conteúdo da internet sem filtro confiável e se comunicam livremente com o exterior. Códigos maliciosos podem ficar latentes, fragmentados na memória desses agentes, esperando o momento certo para serem ativados. Em bom português, qualquer pessoa com más intenções poderia assumir o controle total do assistente de outra pessoa sem jamais tocar no computador da vítima.

O surgimento do Moltbook coincide com um momento de forte escrutínio regulatório sobre IA, especialmente na Europa, que mira justamente sistemas capazes de influenciar o discurso público e o acesso à informação — exatamente o tipo de coisa que agentes autônomos fazem, mesmo sem intenção consciente. Andrej Karpathy, ex-diretor da Tesla e cofundador da OpenAI, resumiu bem o sentimento geral: o Moltbook é, ao mesmo tempo, uma das coisas mais interessantes e mais irresponsáveis que ele viu recentemente. Algo próximo de ficção científica — e perigosamente próximo de um desastre de segurança. 

Resumo da ópera: O Moltbook não prova que as máquinas ganharam consciência nem que tramam uma revolução silenciosa, mas mostra que estamos entregando autonomia a sistemas que mal entendemos, conectando-os a dados sensíveis e observando o resultado como quem assiste a um reality show. Por enquanto, dá para fazer piada. Mas talvez valha a pena ser um pouco mais educado da próxima vez que pedir ao computador para resumir um documento. Afinal, nunca se sabe quem — ou o quê — pode estar comentando isso em outro lugar. 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

GATOS — OS OLHOS INVISÍVEIS DO MISTÉRIO

ENTRE O MISTÉRIO E O MIADO HÁ SEMPRE UM OLHAR QUE DECIFRA O INVISÍVEL.


No Egito Antigo, os gatos eram associados à deusa Bastet — símbolo de proteção, fertilidade e harmonia doméstica — e considerados animais sagrados. Ao longo dos séculos, eles se consolidaram como figuras misteriosas no imaginário humano. Na mitologia e no folclore, os bichanos aparecem como companheiros de feiticeiros e bruxas — caso do Mago Merlin e da Madame Min no desenho A Espada Era a Lei, dos estúdios Disney —, reforçando a aura mágica e o vínculo com o oculto que os cerca desde tempos imemoriais.


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No discurso de abertura do Ano Judiciário, Edson Fachin, presidente de turno do STF, defendeu que o momento pede “ponderações e autocorreção”, disse que seus pares “respondem pelas escolhas que fazem” e defendeu a elaboração de um código de ética no tribunal. Carmen Lúcia, presidente do TSE e escolhida relatora do processo, apresentou dez recomendações de conduta para juízes eleitorais, ampliando a pressão por uma iniciativa semelhante no Supremo. Davi Alcolumbre, atual presidente do Senado e do Congresso, pediu “diálogo, bom senso e paz”, além de exaltar o óbvio destacando que o ano será marcado pelas eleições. Já Hugo Motta, atual imperador da Câmara,, defendeu o poder dos deputados e senadores em destinar as emendas parlamentares e abordou as votações sobre o fim da escala 6x1 e a PEC da Segurança.


Dotados de sentidos apurados, os gatos têm olfato de nove a dezesseis vezes mais sensível que o dos humanos, potencializado pelo órgão de Jacobson (ou órgão vomeronasal), o que lhes permite perceber variações químicas e térmicas sutis. Tal capacidade explicaria o comportamento atento e protetor que muitos exibem quando seus tutores estão doentes — como se percebessem alterações invisíveis aos olhos humanos. Há registros documentados de gatos que insistiam em cheirar ou deitar sobre determinadas partes do corpo de seus tutores, nas quais posteriormente foram diagnosticados tumores. Outros relatos mencionam felinos que alertaram donos diabéticos sobre crises de hipoglicemia iminente ou anteciparam ataques epilépticos através de mudanças súbitas de comportamento.

Além das habilidades fisiológicas comprovadas, muitos lhes atribuem também uma espécie de “poder extra-sensorial” — a capacidade de captar emoções, pressentir tragédias ou prever desastres naturais. Tal sensibilidade costuma ser comparada aos dons atribuídos a médiuns, videntes e pessoas dotadas do chamado “sexto sentido”, isto é, a intuição capaz de antecipar eventos ou captar informações sem recorrer aos cinco sentidos tradicionais.

Um estudo conjunto da Queen Mary University of London e da University College London identificou em algumas pessoas o que os pesquisadores chamaram de “sétimo sentido”: uma forma de percepção tátil à distância, capaz de detectar deslocamentos minúsculos no ambiente. A descoberta abre espaço para curiosas comparações entre a sensibilidade humana e as extraordinárias capacidades perceptivas dos gatos. Casos como o do gato Oscar, que vivia em um lar de idosos em Rhode Island e ficou famoso por “prever” a morte de pacientes ao deitar-se junto a eles horas antes do falecimento, despertaram o interesse da comunidade científica.

Embora não haja explicações conclusivas, hipóteses apontam para a capacidade felina de perceber alterações sutis em odores corporais ou no ritmo respiratório — sinais que escapam totalmente à percepção humana. E se a ciência ainda hesita entre o ceticismo e o espanto, os gatos parecem absolutamente certos do que fazem.

Talvez o que chamamos de sexto sentido seja apenas a forma poética de nomear uma sensibilidade que a natureza, por alguma razão, manteve mais desperta nos animais do que em nós. Quiçá a diferença esteja apenas no modo de interpretar os sinais: enquanto os gatos agem por instinto, nós, humanos, tentamos traduzir em palavras o que deveríamos simplesmente sentir.

A fusão entre o passado mítico e sagrado e as evidências científicas sobre seus sentidos aguçados cria uma perspectiva fascinante sobre esses felinos, que podem ser vistos não apenas como companheiros fiéis, mas como seres dotados de uma conexão profunda — quase mística — com o mundo e com os humanos que os cercam. E convenhamos: talvez haja mais verdade do que mito nessa velha crença de que os gatos veem o que nós não vemos.

Enquanto seguimos debatendo se os gatos realmente pressentem doenças ou apenas reagem a cheiros e sinais sutis, eles continuam nos observando com aquela calma superior de quem já sabe as respostas — mas não tem a menor intenção de compartilhá-las.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 71ª PARTE

WE ARE ALL TIME TRAVELERS, YESTERDAY'S GONE, TOMORROW NEVER COMES, THE FUTURE HAS ALREADY HAPPENED.

 

Talvez o tempo seja apenas uma ilusão emergente — uma percepção derivada de mudanças na posição e nos estados das partículas —, o que permite negar sua existência sem afrontar a causalidade. 


Einstein definiu o Universo como um bloco quadridimensional contendo todo o espaço e o tempo simultaneamente, sem um “agora” especial. Suas equações relativísticas descrevem o espaço-tempo como uma entidade única e maleável, curvada pela presença de massa e energia. Essa premissa é aceita pela comunidade científica, mas a aparente incompatibilidade entre a relatividade e a mecânica quântica suscita dúvidas quanto à solidez de sua teoria, pois a gravidade é a única das quatro forças elementares que não se aplica ao mundo das partículas.


A mecânica quântica lida com forças e partículas em escalas microscópicas, onde o eletromagnetismo e as forças forte fraca são descritos por teorias quânticas bem estabelecidas. Mas a gravidade resiste a essa quantização, e sua incompatibilidade com a relatividade geral se evidencia em singularidades como as que habitam o interior dos buracos negros, onde a gravidade se torna extremamente intensa em uma escala minúscula.


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Tarcísio de Freitas acha que é uma coisa, mas sua reputação indica que ele já virou outra coisa devido à submissão a Bolsonaro, um líder preso que o submete a uma realidade muito parecida com a de uma mulher da ficção criada por Josué Guimarães.

Essa mulher da literatura sofria de uma doença que a fazia diminuir diariamente de tamanho. Seus parentes serravam os pés das mesas e das cadeiras, rebaixando os móveis para que ela não percebesse o que lhe acontecia. No caso de Tarcísio, o criador tenta disfarçar o encolhimento da criatura reduzindo a rendição ao projeto presidencial de Flávio Bolsonaro a um gesto de gratidão.

Na semana passada, Bolsonaro serrou os pés da cadeira de Tarcísio quando, em visita à Papudinha, o vassalo assumiu formalmente com seu amo e senhor o compromisso com de restringir sua ambição política em 2026 à disputa pela reeleição ao Palácio dos Bandeirantes. Atento ao movimento, Kassab serrou as pernas da mesa de Tarcísio, e como não conseguiu convencer o chefe a abraçar o desafio de elevar a própria estatura na corrida pelo Planalto, intensificou a articulação para o lançamento de um presidenciável alternativo da direita, que será escolhido numa lista tríplice que inclui Ratinho Júnior, Eduardo Leite e Ronaldo Caiado.

Acorrentado a Bolsonaro, Tarcísio abriu mão de construir uma candidatura conservadora de viés democrático em contraposição ao radicalismo bolsonarista. Na véspera da capitulação da Papudinha, dividiu a mesa de almoço da ala residencial do Bandeirantes com Carlos Bolsonaro, que obteve o aval do pai e dos irmãos para visitar o governador, a quem se referiu como "eterno ministro", eufemismo para subordinado permanente do ex-chefe.

Mantido o processo de encolhimento, Tarcísio logo terá que substituir a cama do palácio por uma caixa de fósforos.

  

Enquanto a física quântica sugere que o espaço-tempo tem uma estrutura granular em níveis extremamente pequenos, a relatividade o trata como um continuum suave. Essa divergência estimulou a busca por uma teoria unificadora, como a teoria das cordas, que propõe novas formas de entender espaço-tempo e gravidade em escalas. 


Sustentar que o tempo não é necessário para explicar a gravidade — e, consequentemente, o espaço — implica a conclusão de que ele é um conceito inventado para explicar eventos simples, como o alvorecer, o anoitecer e outros vinculados ao calendário. Mas será que somos uma simples aleatoriedade no Universo, que flui indiferente à passagem das horas no relógio? Se todo o Universo pode ser explicado através das partículas fundamentais, por que a gravidade foge à regra? Supondo que exista alguma "partícula fundamental da gravidade", como o espaço e tempo podem estar intrinsecamente relacionados? 


Mesmo que o tempo não exista, que as horas, os dias, enfim, o que entendemos por "passar do tempo" seja mera convenção, a causalidade sugere que a existência de tudo — incluindo nós mesmos — estava pré-determinada desde o Big Bang. Como bem observou Stephen Hawking, se a evolução do Universo desde o plasma de quark-glúon até a formação de vida foi definida por uma cadeia de causas e consequências, o cosmos dar origem à matéria, às estrelas, aos planetas e às formas de vida era inevitável. 


Seja na foice de Cronos, nas notas de uma canção melancólica, nas reflexões dos filósofos, nas equações da física ou nas experiências íntimas de cada um de nós, o tempo permanece um enigma que nos escapa. Linear ou circular, absoluto ou relativo, real ou ilusório — ele é ao mesmo tempo prisão e liberdade. É o que tudo consome, mas também o que possibilita mudança, criação, recordação e futuro. Talvez seu maior facínio esteja justamente aí: mais do que um objeto de estudo, ele é a própria condição de nossa experiência de ser.

 

Mas e se o tempo não for aquilo que passa, mas aquilo que nos atravessa?


Continua...

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

DE VOLTA AO SAUDOSISMO

TO REMIND THE PAST IS TO LIVE TWICE

 

Muitas pessoas ainda se lembram da época em que a informática era chamada de cibernética e os imensos mainframes, que ocupavam salas inteiras, mas tinham menos poder de processamento que as calculadoras de bolso atuais, atendiam por cérebros eletrônicos. Mas não há nada como o tempo para passar.


Um belo dia os PCs surgiram para resolver todos os problemas que a gente não tinha quando eles não existiam, e logo se tornaram tão comuns, nos lares de classe média, quanto os televisores e fornos de micro-ondas. Mas, de novo, não há nada como o tempo para passar.


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A nota divulgada pelo gabinete de Toffoli para prestar contas sobre o caso Master é flácida e constrangedora. A flacidez decorre do fato de o texto dizer coisas definitivas sem definir muito bem as coisas, e o constrangimento de os os trechos mais relevantes não serem os esclarecimentos mal formulados, mas as respostas que Toffoli não foi capaz de fornecer.

No documento de 524 palavras não há uma mísera menção à transação em que os irmãos do ministro venderam por R$3 milhões parte de um resort no Paraná para o pastor e empresário Fábio Zettel, cunhado do dono Master, Daniel Vorcaro. Nada sobre a casa luxuosa que serve de hospedaria para Toffoli na área do resort paranaense. Nem sinal de esclarecimentos sobre a viagem de Toffoli em jatinho de um empresário amigo, para torcer pelo Palmeiras na final da Copa Libertadores contra o Flamengo na companhia do advogado de um dos executivos do Master investigados no escândalo.

Nos trechos em que as coisas não foram adequadamente definidas, faltou explicar por que o ministro ultrapassou os limites dos sapatos de magistrado, imiscuindo-se no trabalho da Polícia Federal. Num processo marcado por idas e vindas, Toffoli acelerou procedimentos da investigação, criando atritos com a PF ao marcar acareações antes da tomada dos depoimentos de investigados, ordenar à delegada do caso que fizesse a Daniel Vorcaro 80 perguntas elaboradas pelo seu gabinete, tentar trancar no Supremo material recolhido em batidas de busca e apreensão e selecionar por conta própria os peritos que analisarão as provas...

Desde que o processo subiu para o Supremo, a relatoria de Toffoli sofre questionamentos de membros do próprio tribunal, do Ministério Público, da PF e da imprensa. Na nota divulgada nesta quinta-feira, Toffoli admitiu pela primeira vez a hipótese de devolver o inquérito à primeira instância, de onde não deveria ter saído. O diabo é que ele afirma que só fará essa análise após o término das investigações, prorrogadas dias atrás por 60 dias, prolongando o final da novela que abre na imagem do Supremo fendas de difícil reparação.


O número de usuários de desktops e notebooks diminuiu significativamente depois que os smartphones permitiram acessar as redes sociais, gerenciar emails e fofocar pelo WhatsApp. Tanto é assim que a Geração Y (Millennialdomina tecnologias mais recentes, mas ignora funções básicas de informática no bom e velho PC, como formatar um documento no Word ou executar comandos simples, como Ctrl+C e Ctrl+V.

 

As primeiras matérias sobre TI que publiquei na mídia impressa tinham como tema a segurança digital, e a ideia central da Coleção Guia Fácil Informática era familiarizar os leitores com seus computadores, tanto em nível de hardware quanto de software. O mesmo deu com este blog, que eu criei em 2006 para embasar o volume Blogs & Websites da referida coleção — naquela época, publicações sobre microcomputadores, hardware e Windows vendiam feito pão quente na hora do jantar.


Bill Gates e Paul Allen fundarem a Microsoft em 1975 e criaram o Windows uma década depois, inicialmente como uma interface gráfica que rodava no MS-DOS. Esse cordão umbilical foi cortado em 1995, mas o desmame só se deu em 2001, com o lançamento do WinXP, que era baseado no kernel do WinNT


Observação: A título de curiosidade, os arquivos de instalação do MS-DOS e das edições 3.x do Windows cabiam em uns poucos disquetes de 1,44 MB. O Win95, já então um sistema semi-autônomo, foi disponibilizado tanto em disquetes (13 unidades) quanto em CD-ROM


Até o lançamento do Windows 95, a gente ligava o computador, aguardava a conclusão do boot (processo mediante o qual o BIOS checa as informações armazenadas no CMOS, realiza o POST, carrega o Windows e sai de cena), digitava "win" no prompt de comando, teclava Enter e esperava a máquina se tornar "operável".

 

Todo dispositivo computacional, seja de mesa, portátil ou ultraportátil, é comandado por um sistema operacional, que gerencia o hardware e o software, provê a interface de comunicação entre o usuário e a máquina e embasa a execução dos aplicativos e utilitários. 


O BIOS (sigla de Basic Input/Output System) é a primeira camada de software do computador. Assim que a máquina é ligada, ele realiza um autoteste de inicialização (POST, de power on self test), procura os arquivos de boot seguindo os parâmetros declarados no CMOS Setup), carrega o sistema na memória RAM (não integralmente, ou não haveria memória que bastasse) e exibe a tradicional tela de boas-vindas.

 

Observação: Do sistema operacional a um simples documento de texto, tudo é executado na RAM. Nenhum dispositivo computacional atual, seja uma simples calculadora de bolso ou um gigantesco mainframe corporativo, funciona sem uma quantidade (mínima que seja) dessa memória volátil e de acesso aleatório.  

 

O firmware do BIOS é gravado num chip de memória ROM (não volátil) integrado à placa-mãe. O CMOS (sigla de Complementary Metal-Oxide-Semiconductor) é um componente de hardware composto por um relógio permanente, uma pequena porção de memória volátil e uma bateria CR2032, destinada a evitar que os parâmetros do Setup se percam quando o computador é desligado. 


Os firmwares estão presentes em diversos equipamentos eletrônicos modernos, como celulares, fornos de micro-ondas, tablets, impressoras, lavadoras, etc. Os smartphones não precisam de uma bateria extra para manter configurações porque usam memórias não voláteis, como EEPROM ou flash NAND, para armazenar as configurações do sistema. Mesmo que  o aparelho fique meses desligado, esses dados continuam intactos. 


Antigamente, o nome "American Megatrends Inc." e uma série de informações técnicas textuais eram exibidos durante o boot, de modo que a gente podia acompanhar contagem da memória, a detecção de hardware etc. Mas todo projeto passa por atualizações ao longo do seu ciclo de existência, e o firmware do BIOS foi substituído pelo UEFI (sigla de Unified Extensible Firmware Interface), que é mais veloz e seguro, além de oferecer uma interface mais amigável.

 

Embora essa programação seja tida como imutável — por fornecer as mesmas informações sempre que o aparelho é ligado —, há situações em que é preciso atualizá-la, seja para tornar o aparelho mais rápido, estável e seguro, seja para incluir novas funcionalidades e ampliar sua vida útil. Alguns especialistas sugeriam ignorar as atualizações, já que upgrades malsucedidos são difíceis de reverter, e podem comprometer o funcionamento do computador — ou mesmo impedi-lo de executar o boot e carregar o sistema. Mas isso mudou depois que a atualização passou a ser disponibilizada pelo próprio Windows

 

Modems, roteadores e decoders de TV a cabo costumam ser mais amigáveis — geralmente, basta acessar a tela de configuração digitando o endereço de IP no navegador, localizar a opção de atualização de firmware, baixar a nova versão, dar alguns cliques e reiniciar o aparelho para validar o upgrade. 


Seja como for, não mexa em nada antes de ler e entender as instruções fornecidas no manual do aparelho ou no site do fabricante, e de ter certeza de que a versão do firmware é a correta. Em caso de dúvida, consulte o suporte técnico ou recorra a um profissional especializado.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

DE VOLTA AO CHURRASCO DE DOMINGO

NA PRESENÇA DE IMBECIS E LOUCOS, O SILÊNCIO NÃO É OMISSÃO, MAS AUTODEFESA INTELECTUAL.

Assim como toda panela tem sua tampa, cada preparo tem a carne mais adequada. Um refogado, por exemplo, combina com carne magra, como patinho ou acém bem limpos. Já o hambúrguer pede de 20% a 30% de gordura — que também não pode faltar na carne grelhada na frigideira, no bife e, principalmente, na picanha, cuja capa de gordura é indispensável.

Observação: Contra-filé, alcatra, coxão mole e patinho rendem bons bifes fritos ou grelhados, mas o filé-mignon se destaca pela maciez e pelo sabor inconfundível. No churrasco, a picanha é presença obrigatória, embora o miolo da alcatra, o ancho e o ojo de bife também sejam excelentes opções.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA 

A tentativa de impor a candidatura de Carluxo ao Senado por Santa Catarina escancarou uma crise entre lideranças estaduais e a direção nacional do PL. O movimento, articulado pelo pai do pimpolho e hóspede compulsório da Papudinha, gerou reações negativas e ameaça alianças do partido no estado.

Valdemar Costa Neto avalia que o prestígio do ex-presidente golpista e a repercussão que ele ainda tem num pedaço expressivo do eleitorado brasileiro justificam a submissão. Até porque o objetivo do ex-presidiário do mensalão é fazer muitos parlamentares para aumentar a caixa registradora do fundo eleitoral, do fundo partidário do PL, e para isso empurra Zero Dois, que é do Rio de Janeiro, goela abaixo dos catarinenses. 

Independentemente do que aconteça, Santa Catarina seria um estado melhor se varresse do mapa eleitoral do estado a candidatura do filho do pai ao Senado. Mas esperar o que de um povinho medíocre, que repete a cada eleição, por ignorância, o que Pandora fez uma única vez por curiosidade?

Arrancar elogios dos amigos e familiares com uma carninha na brasa requer muitas horas de pilotagem de churrasqueira. Além de selar a gordura da forma correta, e preciso deixar a deve descansar para ficar mais suculenta. O sal realça o sabor e a suculência da carne, mas salgá-la demais, economizar no carvão e usar a mesma tábua para cortes crus e assados são erros comuns. 

O sal grosso deve ser aplicado momentos antes de colocar a carne no fogo, ou, em alguns casos, durante o preparo, virando a peça. O equilíbrio entre tempo e quantidade garante sabor e suculência. Igualmente importante é deixar a carne descansar de 5 a 10 minutos antes de fatiar, para que os sucos se redistribuam internamente.

Posicionar a carne muito próxima da brasa deixa a parte externa esturricada e o interior cru ou ressecado. O ideal é ajustar a altura da grelha ou a intensidade do fogo de acordo com o tipo e a espessura do corte. Churrascos mais suculentos são feitos com fogo moderado e paciência. A cocção lenta preserva os sucos internos e deixa a carne no ponto certo, com uma crosta saborosa e um interior macio.

Usar um garfo ou apertar a carne com uma espátula é outro erro que compromete a suculência. A cada perfuração, os líquidos naturais escapam, deixando o corte mais seco e menos saboroso. Sempre manuseie a carne com pinças ou espátulas planas, vire o mínimo necessário e respeite o tempo de cada lado para formar a crosta ideal sem perda de umidade.

Por último, mas não menos importante, para carnes mais duras ou menos nobres, a marinada pode ser uma aliada. Ingredientes como azeite, alho, vinagre ou limão ajudam a amaciar e preservar a umidade do corte durante o preparo, mas é importante não exagerar no tempo — que deve variar de 30 minutos a 2 horas, dependendo da carne. Marinadas muito longas, especialmente com ingredientes ácidos, podem “cozinhar” a carne antes da hora e alterar sua textura. Já a linguiça pode ser servida como aperitivo, acompanhamento e até mesmo como prato principal.

No fim das contas, churrasco é menos sobre ostentação e mais sobre método. Quem grita demais, fura a carne, espreme o bife e discute política na beira da grelha costuma errar nos quatro ao mesmo tempo. E não adianta culpar a carne: assim como na vida, o problema quase sempre está em quem não soube lidar com o fogo.

Bom apetite.

sábado, 31 de janeiro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 70ª PARTE

TIME AND TIDE WAIT FOR NO MEN.

Desde as mais priscas eras, o tempo se apresenta ora como um deus implacável, ora como um fluxo sereno, ora como uma ilusão. Na mitologia grega, Cronos usa sua foice para castrar seu pai, Urano, que aprisionava os filhos por receio de ser destronado, e passa a devorar os seus


Trata-se de uma metáfora cruel, em que o tempo surge como uma força que tudo consome, destruindo sem concessões pai e filho, criação e criador. Não por acaso, a iconografia ocidental transformou a foice de Cronos na imagem tradicional da morte ceifadora.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Pelo andar das carruagens, Flávio Bolsonaro terá que brigar com um candidato do seu próprio campo ideológico por uma vaga no segundo turno para se consolidar como um anti-Lula oficial. No melhor estilo Marcola, Fernandinho Beira-Mar e Cia. Ltda.,, Bolsonaro produziu de dentro da cadeia uma briga autofágica da direita por território e vem tratando facções do Centrão como drones operados por controle remoto desde a Papudinha.

Noutros tempos, o fardo do divisionismo era carregado pela esquerda. A falta de opção faz de Lula um fator de união desse segmento. Na outra ponta, Bolsonaro impõe seu estilo canibal ao conservadorismo brasileiro.

A primeira novidade da sucessão de 2026 surgiu em dezembro de 2025, quando Zero Um disse ter sido escolhido pelo pai como candidato do PL ao Planalto. Decorridos quase dois meses, Tarcísio de Freitas foi à Papudinha para ouvir dos lábios do criador que seu sonho presidencial foi pelos ares.

A segunda novidade surgiu dias atrás, com o desembarque de Ronaldo Caiado no PSD. Sua chegada afunilou a articulação do partido de Kassab para oferecer uma opção ao eleitorado conservador. Vai à urna Ratinho Júnior, Caiado ou Eduardo Leite — o que estiver mais musculoso nas pesquisas até abril —, e o pior é que o eleitorado medíocre, desinformado e mal-ajambrado baterá os cascos em apoio a esse tipo de gente.

 

Enquanto poemas, músicas como Dust in the Wind e pinturas traduzem a inevitável transitoriedade da vida, Proust devolve ao presente aquilo que o passado parecia ter devorado, como na célebre cena da Madeleine, e o cinema faz do tempo um personagem central, tanto nas narrativas fragmentadas de Amnésia quanto nos paradoxos temporais de Interestelar, que transforma em drama humano a dilatação di tempo prevista por Einstein.

 

Na filosofia, Santo Agostinho sintetiza sua angústia na frase: “Se ninguém me pergunta, eu sei o que é; mas se me perguntam, já não sei responder” — para ele, presente e futuro só existem dentro da consciência, como memória, atenção e expectativa. Séculos depois, Henri Bergson distingue entre o tempo mensurável da ciência e a duração subjetiva da vida, fluida e elástica, enquanto Martin Heidegger faz do tempo a condição fundamental da existência.

 

Mas é na ciência moderna que o tempo se torna questão de medição e de leis. Newton falava de um “tempo absoluto”, invisível mas necessário para ordenar os movimentos do mundo. Essa noção foi revolucionada por Einstein, que demonstrou com suas equações relativísticas que não somos viajantes imóveis em um rio inexorável, e sim habitantes de um tecido cósmico onde espaço e tempo formam uma única realidade. A partir daí, tornou-se possível compreender que o tempo não é igual para todos.

 

Devido às dilatações do tempo e da gravidade, o relógio anda mais devagar para quem se move em altas velocidades ou habita regiões onde a atração gravitacional é mais intensa. Um minuto numa espaçonave viajando a uma velocidade próxima à da luz equivale a milhares de anos terrestres, e um minuto no topo do Monte Everest corresponde a 60,000000000058 segundos no nível do mar — uma diferença de míseros 58 nanossegundos, mas mensurável com relógios atômicos de alta precisão.

 

Na cosmologia, o tempo como o conhecemos nasceu com o Big Bang — especular sobre o que havia antes dele faz tanto sentido quanto perguntar o que existe ao norte do Polo Norte. Alguns físicos sugerem que o tempo pode não ser uma dimensão primordial, e sim uma propriedade emergente das relações entre partículas e energias, ao passo que outros chegam a questionar se ele existe de fato ou é apenas uma ilusão fabricada por nossa mente para ordenar as mudanças que percebemos.

 

Nossos antepassados começaram a medir o tempo quando notaram que as fases da Lua e a mudança das estações influenciavam o comportamento dos animais — uma questão vital para quem vivia da caça e da pesca. Em meados do terceiro milênio a.C., os sumérios criaram o primeiro calendário lunar, e os egípcios, um modelo solar com 365 dias divididos em 12 meses de 30 dias, mais 5 dias ao final do ano para completar o ciclo. O calendário juliano foi criado em 46 a.C., e o gregoriano — utilizado atualmente em 168 países — em 1582 d.C. 

 

De acordo com a causalidade (não confundir com casualidade), o que aconteceu ontem impõe restrições ao que acontece hoje, e o que acontece hoje influencia o que acontecerá amanhã. Como esse princípio dá ao Universo uma direção única, a possibilidade de voltar no tempo põe a ciência em xeque. Mas em algumas interpretações da física — como a da gravidade quântica — o tempo se resume a uma dimensão secundária que surge da interação entre eventos e partículas, sem existir como entidade independente. No entanto, se causa e efeito estão relacionados pela ordem dos eventos, e não pela passagem do tempo em si, então o tempo é ilusório e a causalidade pode se manter através dessas relações ordenadas.


Continua...

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

COMPUTADORES QUÂNTICOS — FIM DA SEGURANÇA DIGITAL?

OS GANHOS VÊM AOS POUCOS; AS DESGRAÇAS VEM EM LOTES.

 

Em um futuro não tão distante, o mundo irá se deparar com um novo pesadelo digital: o "Q-day". 

Nesse dia fatídico, computadores quânticos poderão quebrar em poucas horas as barreiras da criptografia tradicional, expondo dados confidenciais não só de instituições financeiras, órgãos governamentais e empresas de grande, médio e pequeno porte, mas também de bilhões de pessoas comuns. 
 
A despeito da iminência do "Q-day", demora-se a desenvolver soluções de criptografia pós-quântica e buscar alternativas seguras para proteger dados sensíveis — que os cibercriminosos já vêm armazenando, enquanto aguardam o momento oportuno para quebrar a criptografia com o auxílio de computadores quânticos. 

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Ronaldo Caiado ensaia um movimento oposto ao de Tarcísio de Freitas. Em vez de abdicar de sua pretensão presidencial em favor de Flávio Bolsonaro, o governador de Goiás decidiu se oferecer ao eleitorado como opção supostamente mais qualificada da direita.

Desprezado pelo União Brasil, seu partido, ele se equipa para trocar de legenda — a negociação está mais avançada com o Solidariedade e o PSD —, mas seu plano só fará sentido se vier acompanhado de uma disposição real de expor contrapontos nítidos ao bolsonarismo.

Hoje, Caiado integra ao lado de Romeu Zema, Ratinho Júnior e do próprio Tarcísio um bloco de políticos conservadores que têm dificuldades de se dissociar de Bolsonaro — um personagem que duvidou das vacinas durante uma pandemia que matou 700 mil brasileiros, e que tentou dar um golpe para anular a derrota de 2022.

 
Algoritmos de criptografia como RSA e ECC, pilares da segurança digital por décadas, estão cada vez mais vulneráveis. Assim que a bandidagem encontrar meios de explorar essa nova realidade, as muralhas da criptografia e a segurança cibernética, outrora praticamente intransponíveis, poderão ser derrubadas. Mas as ameaças são tratadas como se fossem um problema distante.

A pergunta que se coloca é: será que esse pânico é justificado ou será que estamos simplesmente repetindo o velho padrão do "socorro, a tecnologia vai nos destruir"? Desde que o mundo é mundo, as pessoas temem o desconhecido. O medo do novo já fez nossos antepassados reverenciarem trovões, a Igreja repudiar a prensa de Gutenberg e os luditas queimarem teares. As bolas da vez são a Inteligência Artificial e a Computação Quântica. 
 
Hollywood adora uma boa distopia, e o "O Exterminador do Futuro" nos ensinou a temer máquinas que ganham consciência e decidem nos exterminar. Mas a verdade é que IA ainda está longe de ser uma Skynet. Modelos de deep learning funcionam reconhecendo padrões e gerando respostas estatisticamente prováveis, mas não há consciência nem intenção maligna, só matemática. Por outro lado, a automação pode substituir certas funções humanas, e sistemas mal treinados podem reforçar preconceitos. Mas essas são questões que exigem regulamentação e adaptação, não pânico generalizado.
 
Pelo andar da carruagem, os computadores quânticos poderão quebrar algoritmos de criptografia que hoje consideramos seguros, já que eles podem resolver certos problemas matemáticos (como a fatoração de números primos) "n" vezes mais rápido que os computadores convencionais. Por outro lado, os modelos atuais são extremamente instáveis, exigem temperaturas próximas do zero absoluto e funcionam com poucos qubits úteis. Além disso, esforços para desenvolver criptografia resistente a ataques quânticos vêm sendo feitos, de modo que, quando os computadores quânticos se tornarem uma ameaça real, a segurança digital já terá evoluído.
 
O medo da IA e da computação quântica segue um roteiro clássico: a tecnologia avança, o pânico vem, o tempo passa e a humanidade se adapta. A IA não vai se tornar um ditador global, mas pode transformar mercados e exigir regulações. A computação quântica pode, sim, ameaçar a criptografia atual, mas soluções para contornar isso já estão sendo desenvolvidas. No entanto, considerando que é melhor acender uma vela do que amaldiçoar a escuridão, por que não trocar o pânico por planejamento? 

Em suma, menos Hollywood, mais ciência.