sábado, 10 de janeiro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 66ª PARTE

ÀS VEZES O UNIVERSO COSPE COINCIDÊNCIAS QUE NENHUM ESCRITOR DE FICÇÃO OUSARIA SEQUER IMAGINAR. 

Pessoas trajando roupas incompatíveis com a época, “artefatos fora de lugar” (OOPart) e construções arquitetônicas cuja complexidade desafia até mesmo os recursos tecnológicos atuais são tidos como possíveis evidências de viajantes do tempo ou sugerem a intervenção de civilizações extraterrestres. Isso pode até soar como teoria da conspiração — e talvez seja —, mas certos fatos simplesmente não se explicam por meios convencionais.


Tomemos como exemplo a maior das três Pirâmides de Gizé — que foi construída durante reinado do faraó Quéops (2589-2566 a.C.). Ainda que 30 mil operários tenham se revezado durante duas décadas para erguer esse monumento de 230 metros de base e 146 metros de altura, extrair 2,3 milhões de blocos de pedras de até 80 toneladas usando prosaicos cinzéis, rolá-los sobre toras de madeira por centenas de quilômetros de deserto e empilhá-los com o auxílio de guindastes e rampas em espiral rudimentares foi, sem dúvida, um trabalho hercúleo — e Hércules, vale lembrar, era grego, não egípcio.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Durante um evento de caráter político-eleitoral realizado no interior do Palácio do Planalto nesta quinta-feira, Lula vetou integralmente o Projeto de Lei da Dosimetria das penas. A participação popular no ato foi baixa, e o veto foi entendido como comício, inclusive pelos presidentes dos outros Poderes, cujas ausências foram amplamente notadas, assim como as de lideranças de partidos que não o PT.

O simbolismo eleitoreiro não residiu no número de participantes, mas na clara escolha de uma estratégia política. O PL havia sido articulado como uma tentativa de acomodação entre os Poderes — uma espécie de pacificação institucional que permitiria avançar para outras agendas. Havia, inclusive, a percepção de aval informal do próprio STF, responsável pela imposição de penas severas aos participantes dos atos de depredação de 8 de janeiro.

Vamos ver que bicho vai dar.


Chama igualmente a atenção o fato de a grande pirâmide estar perfeitamente alinhada com os pontos cardeais e com a constelação de Órion, além de sua latitude — 299.792°N — coincidir com a velocidade da luz: 299.792.458 m/s. Primeiro, porque essa constante só foi determinada no final do século XIX; segundo, porque, mesmo que a conhecessem — o que se admite apenas como exercício especulativo —, os antigos egípcios teriam de tê-la registrado em “côvados por segundo”, já que o sistema métrico só foi criado em 1791.

 

Além de dominarem escrita e utilizarem um sistema decimal três mil anos antes do início da era cristã — o que por si só já é espantoso —, os egípcios criaram seu calendário com base não no Sol ou na Lua, mas na estrela Sírius. Essa estrela só se tornava visível durante o inicio da enchente do Nilo, que não ocorria anualmente nem começava sempre no mesmo dia. Embora fossem obcecados por proporções, salta aos olhos as discrepância entre a cabeça e o corpo da Esfinge de Gizé. O rosto não se assemelha às representações conhecidas do faraó Quéfren, e o corpo não lembra o de um felino, e sim o de um chacal (talvez porque o rosto do deus Anúbis, associado à morte, fosse retratado como tal.

 

Como explicar que os autores dos Contos das Mil e Uma Noites tenham descrito tapetes voadores e cavernas repletas de tesouros que se abriam por comando de voz — como o célebre Abre-te Sésamo — se aviões e edifícios com portas automáticas só surgiram mais de 4 mil anos depois? De duas, uma: ou a imaginação dos "escritores das Arábias" era mais prodigiosa que a dos autores de ficção científica contemporâneos, ou essas "fantasias" retratavam coisas que eles já conheciam.

 

Tanto os deuses da mitologia grega quanto os da nórdica habitavam lugares acima das nuvens — o cume do Monte Olimpo e Asgard, respectivamente. Textos cuneiformes  dos antigos assírios descrevem divindades vindas das estrelas, que viajavam em barcos celestes. Os sumérios faziam cálculos lunares com precisão de quinze casas decimais. Seus deuses eram associados a estrelas orbitadas por planetas numa época em que sequer se cogitava a existência de sistemas solares, e eram retratados como seres com estrelas na cabeça ou cavalgando esferas aladas. 

 

Carruagens celestiais com rodas cuspindo fogo foram descritas tanto nos apócrifos de Abraão quanto nos de Moisés, como aponta Erich von Däniken em "Eram os deuses astronautas?". Suas obras foram rotuladas como “pseudocientista” por acadêmicos como Pierre Houdin e Bob Brier, mas venderam mais de 80 milhões de cópias mundo afora, e sua Teoria dos Antigos Astronautas inspirou a bem-sucedida série Alienígenas do Passado, produzida pelo History Channel. 

 

É fato que muitas teorias da conspiração permeiam o assunto, mas algumas proposições de Däniken, embora não comprovadas, contam com defensores ilustres. O russo Zecharia Sitchin também contribuiu para difundir o tema com sua interpretação de textos antigos do Oriente Médio, ainda que sem o mesmo alcance do colega suíço. Atualmente, o britânico Graham Hancock dá continuidade às teorias seguindo a linha de argumentação de Däniken, embora a considere incompleta.

 

Com base na obra de HomeroHeinrich Schliemann pavimentou a descoberta de Tróia. No apogeu da civilização maia (entre 250 e 900 d.C.), grandes cidades, pirâmides e praças majestosas foram erguidas em plena floresta tropical do México, da Guatemala e de Belize. Teóricos da conspiração atribuem esse prodígio ora a alienígenas, ora a habitantes do continente perdido de Atlântida. 

 

Em "Stonehenge decoded", o astrônomo Gerald Hawkins estima que a estrutura de pedras concêntricas de até 5 metros de altura e 50 toneladas foi erguida no período neolítico, quando as Ilhas Britânicas eram habitadas por povos considerados atrasados em relação a seus contemporâneos mediterrâneos. 

 

Os chineses conhecem e aplicam a eletrólise há mais de mil e seiscentos anos. Textos de 3.000 anos encontrados na Índia fazem referência a uma arma cuja descrição evoca a bomba atômica. Também na Índia, foi encontrado um esqueleto humano de 4.000 com radioatividade 50 vezes superior à do ambiente. Um alfarrábio contendo "toda a ciência da antiguidade" foi destruído pelo imperador inca Pachacuti, e milhão de volumes pertencentes a Ptolomeu I Sóter foram incinerados por ordem do califa Omar porque, sob a alegação de que afrontavam o Alcorão. 

 

Não se sabe o destino das bibliotecas de Jerusalém e de Pérgamo, nem quantos segredos se perderam com as destruições em massa dos livros históricos, astronômicos e filosóficos ordenadas pelo imperador chinês Chi-Huang, por Hitler e por Mao Tsé-Tung.

 

O homem almeja voar como os pássaros desde tempos imemoriais. Ícaro tentou com asas de cera, mas caiu no mar porque não deu ouvidos ao pai e se aproximou demais do Sol. Leonardo da Vinci concebeu seu "parafuso aéreo" quase 500 anos antes do primeiro voo de helicóptero, mas foi somente no século XX que os Irmãos Wright e Santos Dumont provaram que objetos mais pesados que o ar podiam voar. Até pouco tempo atrás, acreditava-se que meteoros não podiam cair do céu — afinal, no céu não havia pedras —, e que passageiros de um trem a mais de 34 km/h morreriam asfixiados.
 
Felizmente, sempre houve fantasistas suficientemente audaciosos e surdos às críticas que lhe eram feitas. Sem eles, não haveria trens-bala, aviões a jato ou viagens interplanetárias. Quem sabe, um dia, viajar no tempo se torne tão “simples” quanto foi enviar o homem à Lua em 1969. 

 

Continua... 

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

LÊNIN E O DIABO

O MAL DO MUNDO É QUE DEUS ENVELHECEU E O DIABO EVOLUIU.

Depois de fazer a Revolução Russa, acabar com as diferenças de classes sociais e dedicar a vida inteira ao comunismo, Lênin finalmente morre, e por ser ateu e ter perseguido os religiosos, é condenado ao inferno.


Ao chegar lá, Lênin descobre que a situação é pior do que na Terra: os condenados são submetidos a sofrimentos incríveis, não há comida para todos, os demônios são desorganizados, Satanás se comporta como um rei absoluto, e por aí vai. Indignado, organiza passeatas, faz protestos, cria sindicatos com diabos descontentes, incentiva rebeliões.


Em pouco tempo, o inferno está de cabeça para baixo: ninguém respeita mais a autoridade de Satanás, os demônios pedem aumento de salário, as sessões de suplício ficam vazias, os encarregados de manter acesas as fornalhas fazem greve.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Flávio Bolsonaro iniciou sua pré-campanha à Presidência da República tentando se descolar do pai. Disse que tomou vacina contra Covid e criticou os críticos do hoje presidiário, mas começou o ano com uma imagem na qual divide ao meio o rosto com o pai ao desejar “feliz 2026” e prometer “resgatar o nosso Brasil!”.

Horas antes, ao postar sua mensagem de Ano Novo, o filho do pai postou um vídeo que termina com o pai se metamorfoseando no filho e a mensagem de que “o legado continua”. As imagens indicam o cuidado do fruto de não se distanciar muito do pé, apesar da preocupação de disputar o eleitorado de centro — aquele que realmente define uma eleição polarizada.

Os apoiadores da famiglia Bolsonaro chegaram a dizer que Flávio é até melhor do que o pai, num esforço para consolidar a pré-candidatura do senador, mas estava claro desde o início que ele só poderia desempenhar o mesmo papel de bonifrate que Haddad protagonizou como poste de Lula na eleição de 2018, vencida por Bolsonaro, 

Flávio se encaminha para ser o poste de Bolsonaro e perder a eleição para o petista.

A melhor chance que tem, como indicaram as pesquisas, é superar os adversários à direita no primeiro turno. Não conseguir nem isso seria a derrocada do bolsonarismo. Ou tudo isso, tanto a pré-candidatura de Flávio quanto a pré-candidatura do governador do Paraná, Ratinho Jr., não passam de jogo político, e o candidato de fato será mesmo Tarcísio de Freitas..

A carta de Bolsonaro lida por Flávio antes das cirurgias do pai indicou que ele precisava de mais um empurrão, mas na verdade o filho precisa ser o pai — algo que está fadado a não conseguir.


Satanás, que já não sabe como manter seu reino funcionando com aquele rebelde subvertendo todas as leis, tenta marcar um encontro com Lênin, mas este alega não conversar com opressores e diz não reconhecer sua autoridade. Desesperado, ele procura São Pedro.


- Você se lembra daquele sujeito que fez a revolução russa? — pergunta Satanás.


- Lembro muito bem — responde São Pedro. — Comunista. Odiava a religião.


- Ele é um bom homem – insiste o Pai da Mentira. — A despeito de seus pecados, não merece o inferno; afinal, procurou lutar por um mundo mais justo e, portanto, deveria estar no Céu.


São Pedro reflete durante algum tempo e diz:


- Acho que você tem razão. Todos nós temos nossos pecados. Eu mesmo cheguei a negar Cristo por três vezes. Mande ele para cá.


Satanás volta ao inferno, envia Lênin para o céu e, com mão de ferro e alguma violência, dissolve os sindicatos de demônios e o comitê de almas descontentes, proíbe assembléias e manifestações de condenados e reconverte seu reino no famoso lugar dos tormentos que sempre assustou o homem. Mas fica imaginando o que deve estar acontecendo no céu: “Aquele comunista deve ter transformado o Paraíso num lugar insuportável, e São Pedro vai mandá-lo de volta mais hora, menos ora.”


Mas o tempo vai passando e nenhuma notícia do céu. Movido pela curiosidade, Satanás resolve descobrir o que está acontecendo e marca uma audiência com São Pedro.


— E aí, como vão as coisas? — pergunta o senhor das trevas ao porteiro do Céu.


— Muito bem – responde o santo.


— Mas está mesmo tudo em ordem?


— Claro! Por que não haveria de estar?


“São Pedro está mentindo”, pensa Satanás. “Vai querer me empurrar Lênin de volta”


— E aquele comunista que eu mandei, tem se comportado bem?


— Muito bem!


— Nenhuma anarquia?


— Pelo contrário. Os anjos são mais livres que nunca, as almas fazem o que bem desejam, os santos podem entrar e sair sem hora marcada.


— E Deus não reclama deste excesso de liberdade?


São Pedro olha com certa piedade o pobre diabo a sua frente.


— Deus? Camarada, Deus não existe!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

CRONOLOGIA DO APOCALIPSE

ENTRE O NÃO E O SIM SEMPRE HÁ UM TALVEZ...

No início da era cristã, respaldados no Apocalipse de João, vates delirantes alardearam que a humanidade não sobreviveria ao ano 1000. Quando a previsão falhou, o julgamento celestial foi remarcado para 1033 e, mais adiante, para 1666.

 

Botticelli foi um grande pintor, mas revelou-se um profeta de merda ao prever que Cristo voltaria em 1503 para julgar os vivos e os mortos. Stifel aprazou o Armagedom com precisão suíça, mas o mundo não acabou às 8h do dia 19 de outubro de 1536. 


Colombo descobriu a América, mas o apocalipse que ele disse que aconteceria entre 1656 e 1658 não aconteceu. Lutero chutou na trave ao predizer que o mundo abarbaria no século XVII — lembrando que a Peste Negra e o Grande Incêndio mataram mais de 100  londrinos em 1666.

 

Em 1806, uma galinha que punha ovos com a inscrição Christ is coming espalhou pânico nas Ilhas Britânicas — até que se descobriu que uma falsa vidente escrevia a mensagem na casca dos ovos e os colocava de volta na cloaca da ave adivinha. 


Na mesma época, o pregador William Miller anunciou que o apocalipse ocorreria entre 21 de março de 1843 e 21 de março do ano seguinte. A profecia não se confirmou, mas deu azo ao Grande Desapontamento e à fundação da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Já as Testemunhas de Jeová afirmam desde a fundação da seita, em 1870, que o dia do juízo será "em breve".


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


O economista francês Frédéric Bastiat imaginou uma petição ao rei para que ele proibisse todos os seus súditos de usarem a mão direita, e justificou a medida aparentemente insana recorrendo à cristalina lógica: quanto mais uma pessoa trabalha, mais rica ela fica; quanto mais dificuldades precisa superar, mais trabalha; logo, quanto mais dificuldades uma pessoa tem de superar, mais rica ela se torna.

O Brasil tem algo de bastiatiano. O Banco Central elevou os juros para conter a inflação, e o governo basicamente amarra a mão direita da autoridade monetária multiplicando linhas de crédito subsidiado e criando vários programas para manter e até ampliar a atividade econômica. Ora, se o propósito dos juros altos é esfriar a economia para conter o aumento dos preços, o governo atua na contramão dos objetivos do BC, e o resultado são juros mais altos e por um tempo maior do que seria necessário para segurar a inflação.

O trabalhador brasileiro leva uma hora para produzir o que seu homólogo norte-americano faz em 15 minutos, e o que o governo faz? Amarra a mão direita, impondo tarifas de importação de máquinas de 12% — uma das mais altas do mundo. Essa obsessão pela ineficiência é muito ruim para o país, mas não deixa de beneficiar grupos específicos, como poupadores que faturam uns cobres na renda fixa e empresários que não querem saber de concorrência.

É aí que entra uma outra ótima tirada de Bastiat, que definiu o Estado como uma "grande ficção através da qual todos se esforçam para viver às custas dos demais".

 

Em 1997, a seita Heaven's Gate anunciou que o cometa Hale-Bopp trazia a reboque um OVNI que destruiria a Terra, mas a profecia só se confirmou para os membros do grupo, que cometeram suicídio coletivo durante a passagem do cometa, achando que suas almas seriam levadas pelos alienígenas. Interpretações distorcidas de Nostradamus levaram a crer que o mundo acabaria em julho de 1999. Como não acabou, Richard W. Noone teve tempo para prever que o alinhamento dos planetas produziria uma espessa camada de gelo que congelaria a Terra. Mas a Terra não congelou.

 

Alarmistas proclamaram que o Grande Colisor de Hádrons criaria buracos negros que engoliriam o mundo. Como o mundo não acabou, o pregador Harold Camping anunciou que terremotos devastadores ocorreriam em 21 de maio de 2009, e que apenas 3% da população mundial iria para o Céu. 


Quando a previsão furou, o profeta de fancaria mudou a data para 21 de outubro. Passados 16 anos, a despeito do aquecimento global e suas funestas consequências, 8,1 bilhões de pessoas continuam habitando o planetinha azul. 

 

Cientistas de todo o mundo (o que não significa "todos os cientistas do mundo") sugerem a possibilidade de a Terra ser extinta daqui a 250 milhões de anos — o que, se se confirmar, marcará a primeira extinção em massa desde a aniquilação dos dinossauros, há 66 milhões de anos. 


Outro estudo, mais recente e baseado em observações astronômicas, aponta que o Universo pode ter uma expectativa de vida finita de apenas 33 bilhões de anos, terminando em um colapso catastrófico conhecido como "Big Crunch". 


A boa notícia, por assim dizer, é que — a menos que se acredite em reencarnação — nenhum de nós estará vivo para conferir qual dessas previsões é a correta.

 

Bilhões de anos é um intervalo de tempo quase incompreensível em termos humanos — aproximadamente 1.4 milhão de vezes mais longo que toda a história da espécie humana. Mas a descoberta de que o Universo tem uma data de expiração adiciona uma nova dimensão às nossas reflexões sobre o lugar da humanidade no cosmos. E isso num momento particularmente significativo, em que ensaiamos os primeiros passos rumo a uma civilização verdadeiramente espacial. 

 

As próximas décadas de observações astronômicas serão cruciais para confirmar, refinar ou possivelmente refutar essas conclusões extraordinárias. Mesmo porque nada é para sempre — em algum momento, tanto a vida na Terra quanto o próprio Universo terão um fim. 

 

Cerca de 252 milhões de anos atrás, nosso planeta pela maior extinção em massa da história, que aniquilou 94% das espécies marinhas e 70% dos vertebrados terrestres. O episódio foi causado pela liberação de gases do efeito estufa por uma série de erupções vulcânicas gigantescas na região onde atualmente é a Sibéria. O dióxido de carbono aqueceu o planeta de forma intensa, e a temperatura terrestre subiu entre 6°C e 10°C, gerando um "superefeito estufa" que durou cerca de 5 milhões de anos e tornou impossível a sobrevivência de muitas espécies. 

 

Segundo Zhen Xu, pesquisadora de doutorado na Universidade de Leeds, Reino Unido, embora tenha ocorrido há centenas de milhões de anos, esse evento mostra que os ecossistemas não conseguem responder rapidamente a mudanças climáticas bruscas — como as que estão acontecendo agora —, e a perda acelerada das florestas pode levar a um novo ponto de inflexão, tornando as mudanças climáticas ainda mais difíceis de reverter. 


Proteger essas regiões é essencial para evitar que o passado se repita no futuro, mas os "lideres mundiais" — como Donald Trump, Vladimir Putin e distinta companhia — estão mais preocupados com seus infames projetos de poder.

 

Vale uma reflexão.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

A RESPOSTA ESTÁ LÁ FORA...

OS AUSENTES ESTÃO SEMPRE ERRADOS. 


Ensinava-se nos meus tempos de estudante que nosso sistema solar era formado por nove planetas, que Júpiter — o maior deles — tinha 12 luas, e que Saturno — o único com anéis — tinha 9. Mas não há nada como o tempo para colocar as coisas em perspectiva.


Em 2006, Plutão foi rebaixado à categoria de objeto transnetuniano. Sabe-se atualmente que Urano e Netuno também têm anéis; que Júpiter possui 95 luas e Saturno, 274, suspeita-se da existência de um nono planeta nos confins do sistema e de que Encélado a sexta maior lua de Saturno — seja potencialmente habitável.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


A revista The Economist critica a decisão de Lula de se candidatar e o jornal Financial Times aposta no favoritismo do presidente. Uma se concentra na idade do macróbio — tendo como referência o exemplo do norte americano Joe Biden — e a outra se baseia em dados da conjuntura, levando em conta as pesquisas, perspectivas econômicas e os desacertos do campo adversário. Ambas as análises carecem de conhecimento detalhado sobre as especificidades da realidade política brasileira, razão pela qual não devem ser recebidas como diagnósticos precisos e muito menos justificar patriotadas na reação às críticas.

The Economist argumenta que Lula tem 80 anos e já passou por problemas sérios de saúde, mas ignora que, ao contrário de Biden, o petista não aparenta ter perturbações cognitivas — seus defeitos para mais quatro anos de mandato são visão obsoleta da economia, esgotamento de liderança e, sobretudo, a autorreferência que impede a alternância de protagonismo à esquerda.

O Financial Times aposta na reeleição levando em conta as pesquisas de intenção de votos, a superação da crise do tarifaço de Donald Trump, a defesa da soberania nacional e a desorganização da direita — fatores circunstanciais, cujo prazo de validade pode se esgotar ao sabor da volatilidade e das especificidades da política local que tem a estranha mania de não ter fé nos escritos.

A conferir.

 

O hipotético “Planeta Nove” — que explicaria as órbitas incomuns de certos objetos transnetunianos extremos — estaria localizado além da órbita de Netuno, a algo entre 400 e 800 unidades astronômicas do Sol, e que sua translação demore de 10 mil a 20 mil anos. As principais evidências de sua existência vêm da análise das órbitas de corpos do Cinturão de Kuiper e da Nuvem de Oort, mas a baixa luminosidade, a vasta área do céu que precisa ser monitorada e a presença de outros objetos distantes tornam sua detecção direta extremamente difícil.

 

Encélado despertou o interesse dos cientistas porque existe um oceano de água líquida sob sua casca de gelo, por cujas fissuras escapam jatos de vapor, gelo, sais e compostos orgânicos. Em 2008, o Analisador de Poeira Cósmica da sonda Cassini foi atingido por esses grãos de gelo a cerca de 18 km/s — os mais rápidos e “frescos” medidos pela missão até então. 

 

Os pesquisadores reconstruíram os sinais e identificaram uma grande variedade de moléculas contendo carbono, nitrogênio e oxigênio, associadas a processos químicos complexos em ambiente aquoso. Posteriormente, um estudo publicado na revista Nature Astronomy reforçou essa conclusão ao demonstrar que as tais moléculas orgânicas se originam diretamente do oceano, apontando para um ambiente potencialmente habitável.

 

A existência de elementos básicos para a vida em Encélado não significa que homenzinhos verdes com cabeças grandes e olhos desproporcionais — como a ficção dos anos 1950 e 1960 retratava os “marcianos” — habitem outros mundos do nosso sistema solar, mas que Encélado pode ser um laboratório natural para investigar como a vida pode surgir em condições diferentes das da Terra — lembrando que outras formas de vida podem ter evoluído em ambientes que para nós seriam totalmente inviáveis.

 

Na astronomia, a zona habitável é chamada de Cachinhos Dourados numa alusão ao conto infantil em que a protagonista rejeita o mingau do bebê urso (doce demais) e o do papai urso (salgado demais), mas aceita o da mamãe ursa, que estava “no ponto certo”. Essa é a região onde um planeta recebe de sua estrela uma quantidade de energia semelhante à que a Terra recebe do Sol, o que lhe assegura temperaturas compatíveis com a presença de água líquida em sua superfície.

 

Não há provas cabais da existência de civilizações alienígenas mais avançadas tecnologicamente do que a nossa, mas abundam indícios de que seres extraterrestres nos visitaram em tempos imemoriais — e talvez continuem visitando, como sugerem os incontáveis relatos de avistamentos de OVNIs. 


O universo observável se estende por cerca de 46,5 bilhões de anos-luz em todas as direções e contém algo como 2 trilhões de galáxias, 200 sextilhões de estrelas e 400 sextilhões de planetas. Parafraseando Carl Sagan, se não existe vida fora da Terra, "what a waste of space!" (que desperdício de espaço!) 

 

Como ensinou Sherlock Holmes, quando se elimina o impossível, o que sobra, por mais improvável que seja, deve ser a verdade. É possível derrotar 40 sábios com um único argumento, mas 400 argumentos não bastam para convencer um idiota daquilo que lhe salta aos olhos.