sexta-feira, 10 de abril de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — PARTE III

QUEM NUNCA MUDA DE DIREÇÃO ACABA EXATAMENTE ONDE PARTIU. 

Baseado num pesadelo vívido sobre um transatlântico insubmersível chamado Titan, que colidiu com um iceberg e naufragou ao cruzar o Atlântico, o escritor americano Morgan Robertson descreveu minuciosamente a construção do navio, a rota, o acidente e outras semelhanças impressionantes, como o tamanho do casco, o número de botes salva-vidas, a velocidade, o mês do acidente etc.


Coincidências literárias não constituem evidências de premonição, mas causa espécie o fato de o livro Futility, or the Wreck of the Titan ter sido publicado anos antes da tragédia do Titanic e as “similitudes” jamais terem sido satisfatoriamente explicadas. 


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As campanhas eleitorais para o Planalto estão na bica de começar, e tudo indica que a parcela minimamente esclarecida do eleitorado precisará ingerir doses cavalares de Dramin para suportar o cheiro sem vomitar. 

O busílis da questão não é a má qualidade dos candidatos, mas a péssima qualidade dos eleitores — ignorantes que repetem a cada pleito o que Pandora fez uma única vez. 

Polarização política sempre existiu, mas jamais foi tão exacerbada quanto nas duas últimas campanhas presidenciais. Quando PT e PSDB eram a bola da vez, 'mortadelas' e 'coxinhas' se comportavam como adversários. Hoje, bolsonaristas e petistas agem como inimigos figadais. Para piorar, mesmo com o cardápio do segundo turno restrito a X-bosta ou frapê de merda, os eleitores/comensais, cegos como toupeiras, recusam-se a mudar de boteco. 

No último final de semana, o campo bolsonarista ganhou novos contornos com embates internos envolvendo Flávio, Eduardo e Nikolas Ferreira. Por alguma razão incerta e não sabida, a choldra bolsonarista gasta mais tempo e energia falando mal de si mesma do que Lula trombeteando o 'sucesso' de sua terceira gestão. 

Em vídeo postado nas redes, o pré-candidato das rachadinhas, panetones e mansões milionárias pediu "racionalidade" depois que o irmão 'Bananinha' voltou a bater em Nikolas Ferreira abaixo da linha do intelecto e a madrasta tomou o partido do adversário do enteado.

Além de advertir que "todo mundo sai perdendo" nesse tipo de arranca-rabo doméstico e realçar que o "inimigo" está do outro lado, o postulante da biografia rachadinha teve o desplante de receitar um versículo bíblico: "Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor lhes perdoou". Num instante em que ele cresce nas pesquisas posando de moderado, os céus parecem avisar aos eleitores que o pior pecado que se pode cometer diante do bolsonarismo boçal é o excesso de moderação.


O fato de Leonardo da Vinci ter concebido seu "parafuso aéreo" 500 anos antes da construção do primeiro helicóptero e de Júlio Verne ter escrito Vinte Mil Léguas Submarinas quase um século antes de o primeiro submarino nuclear ser construído nos leva a pensar se o escritor canadense Robin Sharma não tem razão em achar que tudo é criado duas vezes — primeiro na mente e depois na realidade — e se o pintor e escultor espanhol Pablo Picasso não estava certo ao afirmar que tudo que se consegue imaginar é real. 


A experiência humana atual é bastante limitada quando comparada com o que de fato poderia ser. Às vezes, basta uma mudança de perspectiva para revelar a verdade. Muitas descobertas científicas — como a heliocentricidade, a esfericidade da Terra, a radioatividade, o Universo em expansão e a epigenética — foram consideradas absurdas até serem comprovadas, mas o simples fato de não conseguirmos imaginar como uma coisa poderia ser verdade não significa que não observamos essa coisa sendo verdade. 


Os gregos antigos descobriram que a Terra era redonda milhares de anos antes de Isaac Newton explicar como a gravidade faz com que os oceanos permaneçam no lugar. A Noética ainda está engatinhando no aprendizado de como a consciência não-local funciona, mas suas teorias oferecem respostas para uma série de fenômenos incompreensíveis à luz do entendimento convencional. 


Pode parecer impossível colocar todo o conhecimento do mundo dentro de um recipiente do tamanho de um baralho de cartas, mas essa informação está contida “dentro” de um smartphone. Dizer que o aparelho simplesmente acessa as informações a partir de bancos de dados espalhados mundo afora vai ao encontro do que afirmam os noéticos sobre a consciência não-local. 


Nosso cérebro representa cerca de 2% de nosso peso, embora contenha cerca de 86 bilhões de neurônios que geram trilhões de sinapses. Embora ele consiga armazenar milhões de gigabytes de dados, sua capacidade de acumular informações é tão limitada quanto a de um celular armazenar todas as músicas do mundo. Diante dessa impossibilidade física, talvez o cérebro funcione como uma antena espantosamente avançada, que “escolhe” quais sinais específicos quer receber da nuvem de consciência global que já existe.


Isso parece ficção científica, mas vale lembrar que diversas tradições espirituais — como o Campo Akáshico, a Mente Universal, a Consciência Cósmica e o Reino de Deus, entre outras — defendem a existência de uma consciência universal. A Noética harmoniza com algumas das crenças religiosas mais antigas, mas é sustentada por descobertas em áreas como a física de plasmas, a matemática não-linear e a antropologia da consciência. 


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quinta-feira, 9 de abril de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 93ª PARTE

O DESEJO SINGULARMENTE HUMANO DE SER FAMOSO É NA VERDADE OUTRO TRAÇO SINGULARMENTE HUMANO: O MEDO DA MORTE. SER FAMOSO SIGNIFICA SER LEMBRADO DEPOIS DE MORRER, E A FAMA É UMA ESPÉCIE DE VIDA ETERNA.

Talvez a consciência seja apenas uma ilusão, porém explicar a experiência consciente em si é como tentar ver o próprio olho sem um espelho. A ciência descreve realidades objetivas, só que não garante fidelidade à "realidade lá fora".


Teorias como a da informação Integrada de Tononi propõem medidas matemáticas para correlacionar estruturas cerebrais complexas com níveis de consciência. só que mapear como o cérebro processa visão é uma coisa, e direcionar atenção e elucidar o que é ser consciente é outra.


Dito isso, a questão que se coloca é: como decisões conscientes e intencionais podem surgir de um substrato físico, seja ele determinista ou aleatório?


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Depois que Ratinho Jr desistiu de ser cabeça de chapa do PSD na disputa pela Presidência da República, pouca gente duvidava que Kassab escolheria Ronaldo Caiado em detrimento de Eduardo Leite. Dias atrás, o anúncio oficial encerrou, nas palavras do cacique do PSD, "uma etapa relevante de articulação interna, após a avaliação de diferentes nomes com desempenho consolidado em seus estados”.

Em vídeo publicado nas redes sociais, o governador gaúcho reclamou que a escolha “mantém um ambiente de polarização radicalizada que tanto limita o Brasil”, e que a definição do partido o decepcionou, embora tenha evitado confrontar diretamente a escolha. 

Herdeiro de uma tradicional oligarquia pecuarista do Centro-Oeste, Caiado é médico de formação, concorreu a presidente em 1989 por outra encarnação do PSD e está em seu segundo mandato à frente do governo de Goiás. Logo após ser anunciado, tratou de apresentar as diretrizes de sua campanha, centradas em anistia “ampla, geral e irrestrita” a Bolsonaro e aos demais golpistas de 8 de janeiro, além de dizer que seu objetivo é governar para que o PT “não seja mais opção no país”. 

O golpismo da direita permanece no centro da disputa eleitoral. Flávio Bolsonaro deu novas demonstrações de fazer o mesmo caminho que o pai presidiário — a quem Caiado defendeu em palanque e prometeu anistia.

Caiado é o candidato, mas sem o apoio total da legenda, e pode ser tudo, menos de ‘centro’. O anúncio de sua candidatura confirma o quanto as várias frentes de direita vêm ocupando espaços de poder, enquanto a esquerda vai se fechando numa bolha que não aponta para o futuro. Talvez seu maior ativo seja a experiência de gestão e os resultados positivos de seus sete anos como governador de Goiás.

Kassab liberou os diretórios, especialmente no Nordeste, para aderirem à reeleição de Lula, mas disse ter feito consultas às bases e concluído que Caiado tinha mais chance de unificar o partido, pois Leite enfrentaria mais resistência na direita, principalmente por sua posição mais crítica em relação ao bolsonarismo. 

No PT, as reações foram mistas. A ministra Gleisi Hoffmann disse que a eleição presidencial deve se manter polarizada, que Caiado tende a ocupar um espaço periférico na disputa, e que o atual cenário político dificulta o avanço de candidaturas fora dos polos consolidados.

A conferir. 


Para ser compatível com o determinismo, o livre-arbítrio precisa ser redefinido como a capacidade de agir segundo nossas próprias razões e desejos, mesmo que esses motivos e desejos sejam determinados..


O universo newtoniano é determinista: conhecendo posições e velocidades de todas as partículas, o futuro é previsível. A mecânica quântica injeta aleatoriedade intrínseca, mas trocá-la por caos não gera liberdade — decisões randômicas são caóticas, não livres. Ela funciona sem ontologia de superposições; pode ser mera descrição operacional eficaz, como as equações de Maxwell capturam relações eletromagnéticas sem "entidades" reais..


Defensores do multiverso postulam infinitos universos com constantes variadas; nós, em um "ajustado", notamos o fine-tuning por viés antrópico. Alternativas sugerem que princípios matemáticos profundos fixam essas constantes, tornando só um universo lógico.


Se o universo requer observadores para "realizar-se" (como na interpretação participativa de Wheeler), e civilizações avançadas simulam realidades indistinguíveis — possivelmente bilhões —, estatisticamente vivemos em simulação, não na base. Mais radical: a consciência co-emerge com o cosmos num bootstrap quântico, onde observadores atualizam a realidade.


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quarta-feira, 8 de abril de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — CONTINUAÇÃO

A HISTÓRIA É UM RIO CUJO CURSO É PERMEADO POR ILHAS DO TEMPO PELAS QUAIS PASSAMOS, MAS PARA AS QUAIS NÃO PODEMOS VOLTAR.  

Desde priscas eras que buscamos respostas — principalmente através da lente da religião — para mistérios como a natureza da consciência e da alma. Porém, a despeito de todo o avanço da ciência, ainda não sabemos o que é a consciência, se ela é criada e hospedada pelo cérebro ou como arranjos específicos de neurônios podem gerar experiências subjetivas, como a sensação do vermelho, o gosto do café ou a dor de uma perda.

Sabemos quais mecanismos cerebrais descrevem sinais elétricos e químicos, mas não por que tais sinais “sentem” algo por dentro. Há quem considere a consciência como uma substância distinta da matéria física, quem dá mais importância à organização funcional do que ao substrato físico, e quem acha que se trata apenas de uma ilusão. 


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Além da demora em se envolver na pré-campanha do enteado Flávio, a madrasta passou a desmontar enredos construídos por Carlos e Eduardo para dramatizar o roteiro em que o pai preso faz o papel de vítima. Três dias depois de o pitbull do clã trombetear nas redes que seu pai "continua enfrentando crises de soluços intermináveis e ininterruptas", Micheque montou seu púlpito no Instagram e deu graças a Deus pela evolução do quadro médico do marido.

Cinco dias antes, ela havia desossado uma patranha de Dudu Bananinha, que gravou um vídeo na CPAC (a conferência conservadora do trumpismo) dizendo que as imagens seriam vistas pelo pai no seu domicílio prisional. Numa postagem, a madrasta esclareceu: ainda que tivesse chegado, a filmagem do enteado não seria exibida ao marido: "Ele está proibido, por força de determinação judicial, de ter acesso a aparelhos celulares", disse ela, num inequívoco aceno a Xandão.

Micheque molha o tailleur para parecer mais útil a Bolsonaro que os filhos dele. Costuma evocar a Bíblia para sustentar que mulheres devem manter uma "submissão saudável" no lar. Já disse que "fazer comidinha gostosa para o marido e cuidar da casa não diminui a mulher."

Numa dinastia patriarcal, deve doer na alma dos varões a percepção de que a madrasta virou uma unha encravada nos pés de barro dos enteados. Cuidadora de mostruário, ela protege Bolsonaro até dos filhos. O eleitor bolsonarista é como que convidado a premiar com uma cadeira no Senado a submissão bíblica da dita-cuja.


A Teoria da Informação Integrada (IIT) sugere que a consciência emerge quando um sistema integra informações de forma específica, e que até sistemas simples podem apresentar níveis minúsculos de consciência. A Redução Objetiva Orquestrada sustenta que a consciência surge de processos quânticos nos microtúbulos neuronais, e que a função de onda aleatórias pode ser “orquestrada” por estruturas cerebrais, resultando em momentos discretos de consciência. Já o Panpsiquismo sustenta que uma propriedade tão fundamental quanto a massa ou a carga elétrica, e que a combina partículas elementares, dando origem a consciências mais elaboradas.


Devido à falta de suporte empírico robusto, os defensores dessas ideias são acusados de flertar com a pseudociência, mesmo porque o cérebro opera em temperaturas e condições que vão na contramão da coerência quântica. Mas o tempo não se comporta na física quântica como Einstein previu na relatividade geral


Embora as equações fundamentais da física sejam simétricas no tempo, a flecha do tempo está associada ao aumento da entropia (medida de desordem de um sistema). Mas as equações não mostram fluxo algum, por que o Universo começou em um estado de baixa entropia? E por que nos lembramos do passado, mas não do futuro?


Na gravidade quântica em loop, não existe um “tempo absoluto” correndo uniformemente, e a relatividade reforça essa ideia ao demonstrar que eventos simultâneos para um observador imóvel não o são para outro em movimento. Mas se não há um agora universal, então o passado, o presente e o futuro são igualmente reais, e nossa percepção de tempo não passa de uma ilusão neurológica bem convincente.


No mais famoso dos paradoxos quânticos, um gato em uma caixa permanece vivo e morto ao mesmo tempo até alguém verificar o estado de um átomo radioativo. Segundo a interpretação de Copenhague, a observação colapsa a superposição, mas não define o que conta como observação nem onde fica a fronteira que separa o mundo quântico do clássico.


O princípio da Decoerência preenche essa lacuna afirmando que o ambiente “mede” o sistema o tempo todo e destrói superposições macroscópicas quase instantaneamente, e a teoria dos Muitos Mundos, que o Universo se divide em duas realidades — numa, o gato vive; na outra, ele morre. 


A questão que se coloca é: será que o próprio gato não é capaz de observar a si mesmo e colapsar sua própria função de onda?


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terça-feira, 7 de abril de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 92ª PARTE

MODELOS CIENTÍFICOS NUNCA SÃO PROVADOS NUM SENTIDO ABSOLUTO, APENAS CONQUISTAM ACEITAÇÃO À MEDIDA QUE EXPLICAM E PREVÊEM OBSERVAÇÕES MELHOR DO QUE OS MODELOS ALTERNATIVOS.

A ciência acumula um vasto conhecimento sobre o cérebro, mas ainda patina ao tentar explicar como arranjos específicos de neurônios geram experiências subjetivas — a sensação vibrante do vermelho, o aroma terroso do café ou a dor lancinante de uma perda, por exemplo. Sabemos que os mecanismos cerebrais envolvem sinais elétricos e químicos disparando em redes neurais complexas, mapeadas por técnicas como ressonância magnética funcional (fMRI) e eletroencefalografia. No entanto, a razão pela qual esses processos “sentem” algo por dentro, em primeira pessoa, permanece um mistério. Esse é o chamado “problema difícil da consciência”, proposto pelo filósofo David Chalmers em 1995, que distingue os mecanismos objetivos (o “fácil”) das vivências qualitativas (os qualia). A busca por uma “ponte” entre a física e a consciência humana divide cientistas e filósofos. Dualistas, como René Descartes em sua versão clássica, veem a mente como uma substância imaterial distinta da matéria, enquanto funcionalistas argumentam que o que importa é a organização de informações e computações, independentemente do substrato físico — um cérebro, silício ou até um enxame de neurônios artificiais. Já os eliminativistas radicais, como Daniel Dennett, tratam a consciência subjetiva como ilusão, um truque narrativo do cérebro para sobreviver. Outras abordagens emergentes, como a teoria da Informação Integrada (IIT), de Giulio Tononi, propõem que a consciência surge do grau de integração de informações em sistemas complexos, mensurável matematicamente. Ainda assim, nenhuma explica por que essa complexidade produz o “teatro interno” da experiência.


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A percepção de fadiga moral no chamado sistema é sempre pior para quem está no governo, que é a representação do "tudo isso que está aí", Daí se depreende que o derretimento da reputação nas e das instituições tende a cair na conta de Lula — a bananeira que já deu cacho — e nos apoiados por ele nos estados. Quanto à improvável terceira via, o governador Tarcísio, afilhado político do presidiário mais famoso desta banânia, precisa agradar aos radicais, o que prejudica a imagem de moderação a ser vendida ao eleitorado. Em contra partida, o primogênito do mico, também conhecido como senador das rachadinhas, panetones e mansões milionárias, fica livre para tecer sua pele de cordeiro.

Em meio a isso, Gilberto Kassab efetivou Ronaldo Caiado como candidato à Presidência pelo PSD, em detrimento de Eduardo Leite (Ratinho Jr. já havia desistido de moto próprio). O ungido ressalta os feitos de sua bem avaliada gestão em Goiás, mas peca por manter em cena a lógica do atrito em tese condenada pelo grupo.

Edição revista e piorada do pai, o senador das rachadinhas, panetones e mansões milionárias interessa a Lula até pouco tempo atrás como contraponto de palanque, mas seu crescimento nas pesquisas exige expertise estratégica mais elaborada do Palácio do Planalto. A julgar pelo primeiro lance de reação direta contra o filho do pai, falta pensamento estratégico nessa investida. Se acreditou mostrar-se superior ao não frequentar o mesmo evento que o adversário — falo da cerimônia de posse do presidente do Chile — errou na avaliação e criou uma situação de paridade que pode parecer desimportante, mas ganha relevância se examinado no contexto do plano para dar combate ao primogênito do aspirante a golpista.

Como não há nada tão ruim que não possa piorar, a crise de confiança que assola STF evidencia que saber jurídico não é suficiente para fazer frente a circunstâncias de natureza política. Em seu desnorteio na busca por uma porta de saída no labirinto em que se encontram, as togas divergem sobre as razões da erosão de imagem da Corte e dividem-se na escolha das maneiras de reagir.

A alguns parece melhor apostar no espírito de corpo, enquanto para outros prevalece a visão realista de que a solução reside na correção de condutas. Isso no ambiente interno do tribunal, porque fora dele há a percepção de que a situação exige atitude radical: o afastamento de Toffoli e Moraes.

Se não for por pedido voluntário de licença ou aposentadoria antecipada, acabará sendo por clamor popular pelo impeachment de ambos.


A IIT sugere que a consciência emerge quando um sistema integra informações de forma específica e irredutível, e que até sistemas simples podem apresentar níveis minúsculos de consciência. A redução objetiva orquestrada sustenta que a consciência surge de processos quânticos nos microtúbulos neuronais, e que a função de onda aleatórias pode ser “orquestrada” por estruturas cerebrais e resultar em momentos discretos de consciência. Já o Panpsiquismo postula que a consciência é uma propriedade tão fundamental quanto a massa ou a carga elétrica, e que a combinação de partículas elementares dão origem a consciências mais elaboradas.


Devido à falta de suporte empírico robusto, defensores de teorias quânticas da consciência — como as de Roger Penrose e Stuart Hameroff — são acusados de flertar com a pseudociência. Afinal, o cérebro opera em temperaturas quentes e ambientes úmidos, contrários à coerência quântica necessária para efeitos macroscópicos. No entanto, o tempo na física quântica desafia as previsões de Einstein na relatividade geral.


Embora as equações fundamentais da física sejam simétricas no tempo — permitindo que filmes rodem para trás —, a flecha do tempo surge do aumento da entropia, (medida da desordem em um sistema). Resta explicar por que o Universo começou em um estado de baixa entropia e por que nos lembramos do passado, mas não do futuro, se as leis não impõem direção alguma.


Segundo o físico Carlo Rovelli, o tempo não é fundamental. Na gravidade quântica em loop, não existe um "tempo absoluto" correndo uniformemente. A relatividade reforça isso: eventos simultâneos para um observador imóvel não o são para outro em movimento. Se não há um "agora" universal, passado e futuro são igualmente reais — nossa percepção linear pode ser mera ilusão neurológica.


No mais famoso dos paradoxos quânticos, o gato de Schrödinger vive e morre ao mesmo tempo em uma caixa, até uma observação colapsar o estado de um átomo radioativo em superposição (decaído/não decaído). A interpretação de Copenhague diz que a medição causa o colapso, mas não define o que conta como "observador" nem a fronteira quântico-clássico. O princípio da Decoerência explica que o ambiente "mede" o sistema continuamente, destruindo superposições macroscópicas quase instantaneamente. Já a teoria dos Muitos Mundos, de Hugh Everett, postula que o universo ramifica: em um, o gato vive; no outro, morre. Mas e se o próprio gato, consciente, colapsar sua função de onda?


Em 1935, Einstein, Podolsky e Rosen (EPR) propuseram um paradoxo para mostrar a mecânica quântica incompleta. Partículas emaranhadas, separadas por anos-luz, teriam estados instantaneamente correlacionados — a ação fantasmagórica à distância que Einstein detestava — apostando em variáveis ocultas locais. Ironicamente, o Teorema de Bell (1964) provou que nenhuma teoria local realista reproduz as previsões quânticas. Experimentos, como os premiados com Nobel em 2022, confirmaram o emaranhamento não local.


O experimento da dupla fenda revela elétrons interferindo como ondas, passando por ambas as fendas simultaneamente — até detectores os forçarem a um caminho único, destruindo o padrão. John Wheeler radicalizou: uma medição pós-fenda parece determinar retrospectivamente o trajeto, sugerindo que o futuro influencia o passado.


Partículas tunelam barreiras classicamente intransponíveis, emergindo do outro lado sem percorrê-las — dependendo da medição, parecem sair antes de entrar, questionando a causalidade temporal..


Resumo da opera: Não há realidade definida pré-medição. em sistemas quânticos. O futuro afeta o passado, o tempo pode não ser fundamenta e o pressuposto de causa não se aplica em todas as situações.. Enfim, a realidade, vista de perto é mais estranha que ficção.


Continua...