O COSMOS É TUDO O QUE EXISTE, EXISTIU E EXISTIRÁ. OLHE AS ESTRELAS, MAS MANTENHA OS PÉS NO CHÃO.
Vimos que o Universo se formou há quase 14 bilhões de anos, que nosso sistema solar tem 5 bilhões de anos, que nosso planeta surgiu há cerca de 4,5 bilhões de anos — e que, mesmo assim, bilhões de pessoas tomam o Velho Testamento como jornalismo confiável e o criacionismo como explicação para a origem da vida na Terra. (Mais detalhes no capítulo anterior.)
CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA
Se quiser salvar esta banânia da falência, quem assumir a Presidência em 1º de janeiro de 2027 terá de desarmar a bomba que Lula armou torrando bilhões em programas sociais para dar a falsa ideia de que o país está melhorando. Como ocorreu no início do segundo mandato de Dilma Rousseff, a conta vai ficar no vermelho. Aliás, o roteiro dessa ópera bufa é muito parecido com a de que levou ao impeachment da anta.
Para segurar a inflação, o Banco Central se vê obrigado a manter a Selic elevada, o que na prática significa que o dinheiro vale menos no mercado e o custo de vida aumenta. Vale destacar que a dívida pública vem crescendo nos últimos quatro anos: em 2022, era 71,7% do PIB; neste ano em que Lula tenta se reeleger, a projeção do mercado é que passe dos 86% em 2026. De acordo com o Ipea, até 2028 a dívida bruta pode alcançar 90% e até 2030, 94,1% do PIB. Para piorar, o tarifaço dos Estados Unidos vai afetar as exportações brasileiras, o crescimento econômico e a geração de emprego, o que atinge o orçamento das famílias, principalmente as mais pobres.
Para não mexer nos benefícios, seria necessário promover um imediato enxugamento da máquina pública ou melhorar a arrecadação do governo sem aumentar impostos — mediante a venda ou concessão de ativos da União, com os recursos direcionados à redução do endividamento. Seja qual for o caminho escolhido pelo próximo presidente, o essencial é reconstruir a previsibilidade. O país precisa mostrar que consegue controlar a dívida sem paralisar a economia e promover crescimento sem reacender a inflação. Caso contrário, continuaremos presos a uma combinação conhecida: juros altos, câmbio vulnerável e crescimento abaixo do potencial.
Não se sabe ao certo por que tantos se recusam a ver o que está diante dos próprios narizes. Afinal, conhecer a verdade, enxergar a verdade e ainda assim abraçar a mentira é tão absurdo quanto repetir os mesmos erros esperando, como no Teorema do Macaco Infinito, que a perseverança produza um acerto.
Uma explicação está no fato de o cérebro humano ser extraordinariamente ruim em lidar com escalas geológicas, e 13,8 bilhões de anos é um número que a intuição simplesmente recusa. Outra explicação passa pela religião tradicional — não confundir com fé —, que não só cumpre (ou deveria cumprir) funções psicológicas e sociais, bem como oferece (ou deveria oferecer) um conforto diante da morte que não tem paralelo na cosmologia científica.
Pode-se argumentar, ainda, que aderir ao criacionismo não é uma posição epistemológica, mas sim uma identidade cultural e tribal, resistente por definição a qualquer evidência. Convém ter em mente que isso não diminui o valor da Bíblia como literatura, mitologia e registro histórico, mas tratar textos do século X a.C. como cosmologia literal — ignorando evidências convergentes de física, biologia, geologia e astronomia — é um problema sério de alfabetização científica, e argumentar com quem renunciou à lógica faz tanto sentido quanto medicar defunto.
As teorias científicas mais aceitas atualmente se baseiam no modelo cosmológico padrão, que é escorado no Big Bang — que, apesar do nome, não teria sido uma explosão, mas o início de uma grande expansão que perdura até hoje. A título de contextualização, dois anos depois de publicar a Teoria da Relatividade Geral, Einstein propôs um modelo de Universo estático e introduziu a constante cosmológica para equilibrar a gravidade e evitar um colapso gravitacional.
Uma década depois, Edwin Hubble observou que as galáxias estavam se afastando — evidência de que o cosmos estava, de fato, em expansão. Na mesma época, Georges Lemaître deduziu que algo que estava se expandindo deveria ter sido menor em algum momento. Assim, a possibilidade de retornar ao instante em que toda a vastidão do Universo estava concentrada em uma massa extremamente quente e densa deu origem à hipótese do "átomo primordial", segundo a qual o tempo e o espaço só passaram a existir quando esse "átomo primitivo" começou a se expandir.
A proposta ganhou tração em 1948, quando George Gamow sugeriu que o Universo teria surgido de um clarão de energia oriundo de um gás primordial superdenso. No calor dessa erupção cósmica, os elementos químicos teriam sido "cozinhados" a partir de uma "sopa de partículas fundamentais", deixando como resquício uma radiação de fundo que permeia o cosmos até hoje.
No mesmo ano, Fred Hoyle, Thomas Gold e Hermann Bondi levantaram a hipótese de que o Universo não tinha começo nem fim, pois era constantemente "reabastecido" com matéria nova, gerada em todos os lugares e momentos. Durante uma palestra, Hoyle ironizou a ideia de um surgimento cósmico repentino, dizendo que toda a matéria fora criada em um "grande estrondo", num momento específico do passado remoto.
A ironia pegou, e o termo Big Bang foi rapidamente adotado pela imprensa, mas ignorado por físicos e astrônomos, já que o fenômeno descrito não seria uma explosão no sentido tradicional, mas o início de uma expansão cósmica que começou há quase 14 bilhões de anos e cujos efeitos ainda podem ser observados por meio do desvio para o vermelho na luz das galáxias distantes — indicando que elas continuam se afastando de nós.
A despeito da imprecisão, o nome Big Bang se espalhou pelo mundo como um bordão irresistível, e como bem observou alguém mais sábio, "palavras são como arpões, depois que entram é muito difícil tirá-las". Em 1993, a revista Sky and Telescope organizou um concurso para substituir o nome e recebeu 13.099 sugestões de 41 países, mas nenhuma convenceu a banca de jurados, que incluía Carl Sagan, e o nome permaneceu.
Hoyle demonstrou que todos os elementos que compõem o Universo estão sendo "cozidos" no caldeirão das estrelas desde sempre, e que a vida deveria ser uma ocorrência comum no cosmos. A ideia não soava absurda para a comunidade científica — segundo o especialista em poeira estelar Ashley King, quase todos os elementos do corpo humano foram forjados em estrelas, muitos deles ejetados por sucessivas supernovas.
Hoyle foi mais além, sustentando que inúmeras epidemias estariam associadas à passagem de meteoritos cujas partículas trariam vírus à Terra, mas essa tese foi vista como mais compatível com seus 19 romances de ficção científica do que com seu trabalho acadêmico. Ao final, ele entrou para a história como o homem que batizou uma teoria na qual nunca acreditou.
Continua...





