SE NON È VERO, É BENE TROVATO.
No apogeu da civilização maia (entre 250 e 900 d.C.), grandes cidades, pirâmides e praças majestosas foram erguidas em plena floresta tropical do México, da Guatemala e de Belize.
Teóricos da conspiração atribuem esse prodígio ora a alienígenas, ora a habitantes do Continente perdido de Atlântida. Em Stonehenge Decoded, o astrônomo Gerald Hawkins estima que a estrutura foi erguida no período neolítico, quando as Ilhas Britânicas eram habitadas por povos considerados atrasados em relação a seus contemporâneos mediterrâneos.
A hipótese extraterrestre parece tão irresistível porque suscita uma questão perfeitamente legítima: talvez o Universo — com suas centenas de bilhões, senão trilhões, de galáxias, cada uma contendo bilhões de estrelas — seja grande demais para a nossa imaginação.
CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA
Lula sonhou com uma vitória no primeiro turno, mas obteve 2,2 milhões de votos a menos que Flávio Bolsonaro, ficou transtornado com a necessidade de disputar a Presidência contra um adversário que considera desqualificado e, em off, disse que tem "biografia", enquanto o rival tem "ficha corrida".
O molusco levou sua inconformidade ao palanque nas megamanifestações que marcaram a véspera do encerramento de sua sétima e última eleição presidencial, adicionando a seus discurso no Rio de Janeiro nomes de velhos adversários, como Ulysses Guimarães, Leonel Brizola, Mário Covas, Fernando Henrique Cardoso, José Serra e Geraldo Alckmin. Depois, além de chamar Flávio Bolsonaro de "miliciano", classificou-o como alguém que "não é uma pessoa, é uma mentira".
Repetida em São Paulo, a frase expõe menos uma divergência programática do que a irritação de Lula com o baixo nível que atribui à disputa, ou seja, o desabafo contém uma armadilha.
Ao evocar os nomes que enfrentou no passado, o macróbio reivindica para si uma trajetória de grandes embates e sugere que a política brasileira perdeu estatura, mas, ao reduzir o filho do presidiário à condição de adversário sem credenciais, transforma a eleição também num julgamento sobre a própria capacidade de enfrentá-lo. Se o rival é tão desqualificado, por que a disputa chegou tão apertada à reta final? A pergunta não precisa ser justa para ser politicamente incômoda.
A eleição não só não coloca em jogo a continuidade de um governo como testa o enredo que Lula construiu sobre a própria trajetória: a de um personagem capaz de atravessar crises, superar adversários e permanecer no centro da política nacional. Uma derrota no fim da carreira não apagaria essa história, mas mudaria a maneira como seu epílogo seria contado.
Preso e banido das urnas, Jair Bolsonaro invadiria o epílogo de Lula.
Não se sabe o destino das bibliotecas de Jerusalém e de Pérgamo, nem quantos segredos se perderam com as destruições em massa dos livros históricos, astronômicos e filosóficos ordenadas pelo imperador chinês Shih-Huang, por Hitler e por Mao Tsé-Tung. Um alfarrábio contendo "toda a ciência da antiguidade" foi destruído pelo imperador inca Pachacuti, e milhões de volumes pertencentes a Ptolomeu I Sóter foram incinerados por ordem do Califa Omar. O que se perdeu nessas fogueiras não se sabe, mas sabe-se que a história do conhecimento humano não é uma linha reta ascendente, e sim um arquipélago de ilhas separadas por mares de silêncio.
Estimativas sobre a quantidade total de estrelas e planetas variam enormemente porque dependem de modelos e observações indiretas, mas foi justamente essa imensidão que inspirou uma das frases mais conhecidas associadas a Carl Sagan: “Se somos apenas nós, parece um terrível desperdício de espaço.” A ideia aparece em Contato, embora a formulação tenha raízes mais antigas e Sagan também tenha citado uma reflexão de Thomas Carlyle sobre a possibilidade de outros mundos habitados.
Em suma, a existência de vida fora da Terra não é uma fantasia absurda, mas uma hipótese científica perfeitamente legítima. O problema começa quando saltamos de “é provável que exista vida em algum lugar” para “eles estão aqui” — duas afirmações completamente diferentes.
Observação: O acrônimo UFO, de unidentified flying object, deu lugar, em boa parte do vocabulário oficial americano, a UAP, de unidentified anomalous phenomena. A mudança não é apenas cosmética: UAP é uma categoria mais abrangente e não pressupõe sequer que aquilo observado seja uma aeronave. Mas a explicação oficial continua sendo muito menos emocionante que a imaginada pelos ufólogos: um fenômeno não identificado não é, por definição, um fenômeno extraterrestre.
Durante décadas, muitos relatos foram explicados como aeronaves, balões, fenômenos meteorológicos, efeitos ópticos, erros de percepção, artefatos fotográficos ou outros acontecimentos perfeitamente terrestres. Outros permaneceram sem explicação satisfatória, de modo que a discussão continua viva. E poucos episódios contribuíram tanto para transformar a ufologia moderna em fenômeno cultural quanto o Caso Roswell.
Em julho de 1947, jornais do Novo México noticiaram que militares haviam recuperado, nas proximidades de Roswell, um objeto descrito inicialmente como um “disco voador”. Pouco depois, a versão oficial mudou: os destroços seriam de um balão. Décadas mais tarde, a cidade se transformou no grande símbolo da suposta ocultação de naves e corpos extraterrestres pelo governo americano, ainda que as investigações oficiais posteriores "não tenham encontrado evidências" de uma nave alienígena.
Segundo a Força Aérea americana, os destroços eram compatíveis com um projeto de balão de alta altitude conhecido como Mogul, utilizado para pesquisas e monitoramento. A mesma investigação apontou que os supostos “corpos alienígenas” associados ao caso provavelmente resultaram da mistura de diferentes acontecimentos ocorridos em anos posteriores, inclusive testes com bonecos antropomórficos lançados de balões.
Seja como for, o caso sobreviveu por quase oito décadas, suscitando teorias conspiratórias que misturam segredo militar, documentos desaparecidos, testemunhas tardias, versões conflitantes e supostos encobrimentos, sendo difícil separar o acontecimento original da mitologia construída em torno dele. No entanto, por mais que Roswell seja fascinante, fascínio não constitui prova.
Mais adiante, apareceu a Área 51, que acabou se transformando em uma espécie de parque temático mundial da conspiração. Não há provas de que existam ETs escondidos por lá, mas, se existirem, eles escolheram um lugar bastante apropriado para não receber visitas.
Entre 1947 e 1969, a Força Aérea Americana (USAF) investigou milhares de relatos por meio dos projetos Sign, Grudge e, por fim, do famoso Blue Book. Foram registrados 12.618 avistamentos, dos quais 701 permaneceram classificados como “não identificados” quando o projeto foi encerrado. Parece muita coisa, mas há uma diferença fundamental entre dizer que os relatos permaneceram sem identificação e afirmar que se trata de naves extraterrestres.
O governo não chegou a essa conclusão; ao contrário: sua posição oficial foi que não havia evidência de que os casos classificados como não identificados representassem veículos extraterrestres. E o famoso Relatório Condon, resultado de um estudo conduzido pela Universidade do Colorado — a pedido da própria Força Aérea — também não encontrou base científica suficiente para sustentar a hipótese extraterrestre como explicação para os fenômenos investigados.
Em dezembro de 1969, as investigações foram encerradas, mas o céu continua lá e as pessoas continuam olhando para ele.
Continua...





