terça-feira, 15 de setembro de 2026

MITOS E VERDADES SOBRE A BATERIA DO CELULAR

QUEM SABE FAZ, QUEM COMPREENDE ENSINA. 

Depois que os dumbphones se tornaram smart, a autonomia da bateria se tornou tão importante quanto a memória e o armazenamento interno. Embora esses componentes tenham evoluído significativamente desde os jurássicos modelos à base de níquel-cádmio, o tempo durante o qual o aparelho opera longe da tomada depende da capacidade de sua bateria, do seu consumo energético e do perfil do usuário.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Fachin desligou Mendonça da tomada. Assumiu no sábado a relatoria do caso sobre as relações potencialmente criminosas entre Moraes e Vorcaro. Com isso, será o presidente da corte, e não Mendonça, quem fará o relato dos fatos na sessão plenária da próxima terça-feira. Caberá a ele também proferir o primeiro voto e dizer se há indícios fortes o bastante para investigar Moraes.

A conjuntura exala um aroma de história. É a primeira vez que o plenário do Supremo se reúne para decidir se abre investigação criminal contra uma de suas togas. O ineditismo está crivado de suprema ironia. Moraes é vice-presidente do tribunal. Se nada acontecer, assumirá o comando em setembro de 2027.

Há o risco de um pedido de vista na sessão desta terça. Isso adiaria a decisão. Mas antes de executar a manobra, a falange pró-Moraes terá que ouvir o voto de Fachin. Ele tem declarado que seu dever é "assegurar a integridade" do Supremo. Não é desprezível a hipótese de Fachin votar pela investigação. Ainda que surja no plenário um pedido de vista, ministros contrários ao adiamento podem antecipar seus votos. Isso não impediria a postergação, mas pioraria a imagem de Moraes. 

Nunca um vice do Supremo pareceu tão controversa — a ponto de a eventual vitória de um magistrado ser tratada como perdição da instituição.


Uma bateria de 12 V fornecendo uma corrente de 2 A estará entrega 24 W de potência (tensão × corrente). Um mAh (miliampere/hora) corresponde à carga elétrica transferida por uma corrente constante de um miliampere durante uma hora. Já a potência da bateria é expressa em watts (W) ou joules por segundo (J/s). Assim, se uma bateria opera entre 3,7 V a 4,4 V e fornece 2A, sua potência instantânea fica entre 7,4 W e 8,8 W. No entanto, quanto mais recursos forem ativados, mais rápido a reserva de energia irá se esgotar. 

Em tese, quanto maior a capacidade, maior tende a ser a autonomia da bateria. Na prática, porém, dois aparelhos idênticos usados por pessoas de perfis diferentes podem exigir recargas em intervalos distintos. E como nem mesmo as baterias de 5.000 ou 6.000 mAh desobrigam os heavy users de fazer um “pit stop” entre recargas, os carregadores rápidos se tornaram um item de primeira necessidade.


É possível aumentar a capacidade das baterias (haja vista os modelos que equipam os cada vez mais comuns veículos elétricos). O problema é obter esse resultado sem comprometer o tamanho do componente ou elevar excessivamente seu custo de fabricação. 


A chinesa Xiaomi surpreendeu o mercado no ano passado com o lançamento do Redmi K80 Ultra — modelo de preço intermediário que integra uma bateria de silício-carbono de 7.410 mAh, capaz de resistir até dois dias de uso intenso — e carregamento rápido de 100W — que recupera até 80% da carga em menos de 30 minutos. A também chinesa Oukitel oferece modelos com bateria de 18.000 mAh, que proporcionam 10 dias de uso moderado ou até 4 dias de uso intenso sem necessidade de recarga (o WP19 chega a 21.000 mAh e promete uma semana completa mesmo em uso intenso, mas nem todo mundo está disposto a carregar no bolso um "tijolão" que lembra um rádio comunicador militar.


A pergunta é: se é possível equipar smartphones com baterias de mais de 10.000 mAh, o que a Apple, a Samsung e a Motorola estão esperando para lançar modelos com esse "poder de fogo"? A resposta está no equilíbrio entre design e usabilidade: a maioria dos usuários prioriza aparelhos finos e leves, confortáveis no bolso e na mão, e uma bateria convencional dessa capacidade exigiria um aparelho muito mais espesso e pesado que um iPhone. E isso sem falar no custo de fabricação e no tempo de recarga, que pode variar entre 3 e 5 horas, mesmo com carregadores rápidos.


A Honor já oferece smartphones com baterias de silício-carbono que prometem até três dias de autonomia e mantêm a capacidade máxima de carga mesmo após três anos de uso. A Realme já apresentou protótipos com baterias de 10.000 mAh — um avanço significativo em relação às baterias convencionais de 5.000 mAh da concorrência. O iPhone 17 Air integra uma bateria com maior densidade energética do que a dos dispositivos baseados em polímeros de lítio.


Pesquisas em outros segmentos apresentam avanços notáveis: os chineses criaram uma mini bateria nuclear que promete durar mais de 7.000 anos (destinada principalmente a sensores, dispositivos médicos e aplicações de baixíssimo consumo), enquanto os dinamarqueses desenvolveram uma superbateria com eficiência de 90%, capaz de abastecer 100 mil casas por até 10 horas. Mas ainda não se sabe quando — nem se — essas soluções chegarão ao usuário final.


Existem diversas recomendações relacionadas ao uso da bateria que deixaram de fazer sentido quando os fabricantes substituíram o níquel-cádmio pelos íons de lítio (ou polímeros, em alguns casos). Entre outras coisas, essa mudança pôs fim ao famigerado "efeito memória" — perda progressiva da capacidade de carga quando a reserva de energia não era esgotada integralmente antes de a bateria ser recarregada. 


Observação: Os dumbphones passavam dias longe da tomada porque eram usados basicamente em chamadas de voz e mensagens de texto. Já os smartphones rodam sistemas complexos e executam os mais diversos aplicativos, daí seu consumo energético ser maior, e sua autonomia, menor.


Concluído esta (não tão) breve contextualização, resta lembrar a quem interessar possa que tanto a autonomia quanto a vida útil das baterias podem ser prolongadas com a adoção de alguns cuidados simples, mas, de novo, é preciso separar o joio do trigo, ou melhor, os mitos da realidade. 


Usar o aparelho durante a recarga da bateria não causa danos, mas retarda o processo. Para ganhar tempo, ative o "modo avião" ou simplesmente desligue o telefone durante a recarga — isso mata dois coelhos com uma única cajadada, já que reiniciar (ou desligar e religar) o dispositivo diariamente ou a cada dois ou três dias ajuda a manter o desempenho nos trinques. 


Embora não seja o ideal, você pode utilizar carregadores de outras marcas, mas convém fugir de produtos xing-ling, vendidos por uma fração do preço dos originais, pois eles não passam de imitações baratas que podem causar estragos e pôr em risco sua segurança. Use somente dispositivos certificados e compatíveis com os padrões exigidos pelo fabricante (USB Power Delivery, Quick Charge etc.)."


Convém também evitar manter o telefone na carga por mais tempo que o necessário (os fabricantes recomendam manter o nível de carga entre 20% e 80%). É fato que os riscos de superaquecimento e explosão são desprezíveis quando a bateria e o carregador são originais ou homologados pelo fabricante do celular, já que um sistema inteligente interrompe a passagem de corrente quando a bateria está cheia —, mas seguro morreu de velho. 


Retire o carregador da tomada quando terminar de carregar a bateria, — mantê-lo conectado à tomada desnecessariamente gera o chamado "consumo fantasma", diminui a vida útil do dispositivo e aumenta o risco de acidentes. 


Observação: O consumo é extremamente baixo para um carregador original e certificado, mas o desgaste contínuo dos circuitos internos é real, pois o carregador é essencialmente uma fonte de alimentação eletrônica chaveada — quando você o mantém na tomada, seus circuitos ficam permanentemente energizados e aquecidos, sem falar nos danos causados por eventuais picos ou quedas de tensão da rede elétrica (comuns durante tempestades com raios). Quando a bateria está carregada, os aparelhos simplesmente interrompem o processo, mesmo que você o mantenha conectado ao carregador, mas, pelo menos até onde se sabe, cautela e canja de galinha (se me concedem a redundância) nunca fizeram mal a ninguém. 


Se o manual de instruções do seu aparelho recomendar uma carga completa antes de ser colocado em uso (alguns, inclusive, falam em deixar o aparelho carregando por 12 ou mesmo 24 horas), ignore, pois as baterias modernas costumam vir com pelo menos 40% de carga. Por outro lado, considerando que a configuração do aparelho novo — e a importação dos dados armazenados no aparelho antigo — consomem muita energia, de maneira que o ideal é executar esse processo quando a bateria estiver 100% carregada ou com o carregador conectado ao aparelho e à tomada. 


Embora seja normal o smartphone e o carregador aquecerem durante a recarga, executar esse procedimento em local ventilado e abrigado da luz solar ajuda a manter a temperatura em patamares aceitáveis. Além disso, evite deixar a bateria carregando durante toda a noite — mesmo que o processo seja interrompido quando o nível de carga atinge 100%, o ideal é desconectar o telefone do carregador e este da tomada quando a bateria estiver de 80% a 100% carregada, e então remova o carregador da tomada (na hora de colocar o aparelho para carregar, conecte primeiro o carregador na tomada e depois o cabinho no telefone).  


As baterias são projetadas para suportar de 800 a 1.600 ciclos completos de carga (usar 50% da bateria em um dia, carregá-la até 100%, usar outros 50% no dia seguinte e tornar a carregá-la também conta como um ciclo completo), o que representa uma vida útil de 3 a 5 anos. Considerando que a maioria de nós troca o aparelho por um modelo novo a cada 2 anos, em média, essa vida útil costuma ser mais que suficiente. 


A despeito da evolução ocorrida nos últimos anos ter anulado o efeito memória e sanado outros problemas dos tempos de antanho, as baterias continuam sujeitas às leis da Física. Enquanto não inventarem um smartphone que funcione uma semana inteira longe da tomada sem ganhar o tamanho de um tijolo baiano, resta ao usuário administrar bem a energia disponível e desconfiar de receitas milagrosas espalhadas pela internet.


Afinal, quando o assunto é bateria, há muito mais mitos do que miliampères.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

NOVIDADES NO GMAIL

QUANTO MAIS VOCÊ CONHECE UM TEXTO, MENOS VOCÊ O LÊ.


O conceito de correio eletrônico surgiu em meados dos anos 1960, mas a versão aprimorada por Ray Tomlinson em 1971 foi a primeira capaz de enviar mensagens entre diferentes nós conectados à ARPANET — que mais adiante daria origem à Internet.

 

Uma vez que as mensagens chegavam ao destinatário em poucos segundos — enquanto as cartas tradicionais levavam dias ou semanas, conforme a distância —, o e-mail logo se tornou o webservice mais popular entre os internautas, sobretudo quando se tornou capaz de transportar arquivos digitais como anexos.


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Faltando menos de um mês para o primeiro turno das eleições, um relatório da Polícia Federal deflagrou uma crise sem precedentes que atinge em cheio alguns dos princípios mais caros ao sistema judicial. Em meio às investigações sobre as fraudes do Banco Master, foram encontradas mensagens que revelaram a existência de relações aparentemente impróprias entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mentor e protagonista de um dos maiores escândalos financeiros da história do país.

Vieram a público detalhes inéditos da contratação pelo banco do escritório de advocacia da mulher do ministro por 129 milhões de reais, bem como que, ao ser informado (não se sabe como nem por quem) de que a polícia estava na iminência de prendê-lo, Vorcaro perguntou a Moraes se deveria deixar o país, pediu ajuda para bloquear “as maldades” contra ele e ainda deixou transparecer que ambos contavam com a camaradagem do PGR e do diretor da Polícia Federal. Não se sabe o que o magistrado respondeu, pois as mensagens dele nos diálogos foram enviadas com o recurso de visualização única.

Ao tomar conhecimento do teor das mensagens, o ministro relator do caso, André Mendonça, requisitou ao presidente do Supremo, Edson Fachin, que convocasse o plenário para discutir uma eventual autorização para investigar o colega — um procedimento correto diante da gravidade do que havia sido descoberto. Inconformado com a iniciativa. Moraes acusou Mendonça de usurpar atribuições da polícia, de atuar com parcialidade e de abusar de sua autoridade, além de pedir autorização para investigar Mendonça — e usou o notório inquérito das fake news, uma aberração jurídica que tramita no Supremo há mais de sete anos, para abrigar relatórios de inteligência que levantavam dúvidas sobre a imparcialidade de Mendonça e sugeriam, entre outras barbaridades, que existiria um conluio religioso entre ele e o AGU, Jorge Messias. 

Os relatórios, repassados ao ministro por Andrei Rodrigues, diretor da PF, eram apócrifos, algumas das inferências eram classificadas como de “baixa confiança” e, a certa altura, os autores sugeriam que a comprovação dos fatos autorizava “monitoramento e coleta dirigida”.

Na terça-feira, 8, Mendonça afastou do cargo o delegado Andrei Rodrigues. suspeito de vazar propositalmente informações que visavam embaralhar o trabalho de apuração e proteger algumas pessoas. Os relatórios de inteligência que pousaram no gabinete de Moraes reforçaram essa convicção — Andrei é próximo de Moraes e, como ele, teria interesse em impedir o avanço da apuração sobre as conexões de Vorcaro. O motivo seria a autoproteção.

No despacho que afastou o delegado, Mendonça afirmou que foi espionado de maneira ilegal pela Polícia Federal.

Vamos ver que bicho dá.


Num primeiro momento — e durante muito tempo, diga-se —, os neófitos ostentavam orgulhosamente endereços eletrônicos com seus nomes e sobrenomes, mas à medida que a privacidade se tornou uma preocupação, usar esses endereços é como entregar, numa salva de prata, informações pessoais aos cibercriminosos.


Ainda assim, muita gente mantém em uso suas conta de email de antanho, quanto mais não seja porque seu endereço serve para acessar redes sociais, lojas virtuais, aplicativos financeiros e uma série de webservices, e alterá-lo pode ser tão problemático quanto mudar o número do celular.


A boa notícia é que o Google vem liberando gradualmente uma atualização que permite aos usuários do Gmail alterar o prefixo do endereço (a parte que antecede @gmail.com) sem perder suas compras na Play Store, o acesso a arquivos armazenados no Drive e no Fotos, os logins em aplicativos bancários, lojas virtuais e sites de terceiros que usam o login simplificado do Google como base de acesso.


Realizar a modificação é um procedimento simples, que pode ser feito por meio do painel de informações pessoais da conta Google, em qualquer navegador ou aplicativo móvel. Uma vez atualizado, o sistema vincula automaticamente o endereço anterior como e-mail alternativo, garantindo que todas as mensagens enviadas ao nome antigo continuem chegando normalmente à nova caixa de entrada.


A opção já está disponível no Brasil, mas impõe algumas restrições — entre as quais a criação de novos endereços somente uma vez a cada 12 meses e limitada a três alterações por conta (totalizando quatro endereços diferentes ao longo do tempo). Uma vez criado o novo e-mail — cujo domínio (a porção que fica à direita do "@") deve ser o mesmo (gmail.com) —, não é possível excluí-lo, mas pode-se reverter o endereço principal para o original a qualquer momento — lembrando que a mudança consome uma das três alterações disponibilizadas pela plataforma.


A novidade está sendo distribuída aos poucos e pode não estar disponível imediatamente para todos os perfis. Contas corporativas ou escolares (gerenciadas pelo Google Workspace) dependem de liberação dos administradores do sistema.


Para verificar a disponibilidade, acesse a página de configurações de e-mail da conta do Google (myaccount.google.com/google-account-email) e, no menu à esquerda, clique em "Informações pessoais". Na seção "Email", clique em "Email da Conta do Google". Se a opção "Alterar email da Conta do Google" estiver visível, o recurso já está ativo para o seu perfil.


Observação: Não deixe de fazer um backup dos seus dados, pois a mudança pode redefinir configurações de aplicativos terceiros e/ou afetar conexões ativas do Chrome Remote Desktop. Usuários de Chromebook devem verificar as instruções específicas do sistema operacional. Eventos de agenda criados antes da migração continuarão exibindo o e-mail antigo.

Tomadas as devidas precauções, digite seu novo nome de usuário — lembrando que o sistema não aceita termos que já estejam em uso por outras contas ou que pertençam a contas excluídas no passado — e clique em "Alterar email", confirme em "Sim, alterar email" e siga as instruções em tela para concluir o processo.

domingo, 13 de setembro de 2026

CARNE MAL PASSADA, AO PONTO OU BEM PASSADA?

QUEM GOSTA DE SOLA É SAPATEIRO.

Diz-se que gosto não se discute, mas mau gosto é outra história — como o de pessoas que só comem bife ou churrasco se a carne estiver esturricada.


A a escolha do ponto da carne vai além da simples preferência pessoal: uma pesquisa conduzida pelos cientistas da Escola de Medicina do Hospital Monte Sinai em Elmhurst (EUA) descobriu que, quanto mais bem passada a carne, maior o perigo de lesões cerebrais que podem levar à demência e ao Mal de Alzheimer.


Para selar bifes altos ou carne para rosbife, aqueça uma panela ou frigideira de fundo grosso até fumaçar, adicione uma mistura de azeite e manteiga suficiente apenas para untar o fundo, coloque a carne quando a gordura estiver bem quente e frite a carne por dois minutos de cada lado. Ao final, coloque os bifes numa travessa, cubra com papel laminado e deixe descansar por alguns minutos, para que os sucos que se concentraram na parte central da carne durante a cocção se redistribuam por igual, deixando-a mais macia e suculenta.


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O problema de esconder o lixo debaixo do tapete é que a turma do abafa continua transitando por cima, e o chorume se move, escorrendo pelas bordas. André Mendonça convive há sete meses com um relatório explosivo da PF sobre as relações monetárias de Dias Toffoli com Daniel Vorcaro. E nada!

O documento levanta a suspeita de que Toffoli seria o proprietário oculto do fundo de investimento Arleen. Esse fundo era sócio de uma empresa do ministro no resort Tayayá e recebeu R$ 35 milhões de Vorcaro. Posteriormente, o dinheiro foi transferido para uma holding nas Ilhas Virgens Britânicas, um paraíso fiscal caribenho.

Toffoli declara não ter nada a ver com coisa nenhuma. Sustenta que o relatório da PF foi arquivado com o aval dos colegas. Mendonça alega que o documento não lhe foi encaminhado formalmente, mas não esclarece por que se absteve de requisitá-lo, como fez no caso das mensagens enviadas por Vorcaro a Alexandre de Moraes.

A PF aponta a necessidade de aprofundar as investigações. Cita contatos e encontros com Vorcaro — alguns foram intermediados pelo ex-ministro de Bolsonaro Fábio Faria. O relatório também menciona mudança suspeita de voto de Toffoli em um julgamento caro ao Master. Seus pares na corte se fingem de mortos, sem se darem conta de que o tapete ficou curto.

Uma senhora de pedra, esculpida pelo gênio Alfredo Ceschiatti, fica na frente da sede do STF, representando Têmis, a Deusa da Justiça. Para sua sorte, ela não ouve nem vê. A venda que cobre seus olhos e lhe tapa as orelhas preserva-a do espetáculo constrangedor que se desenrola no interior do prédio. Às vésperas da sessão que tem na pauta os podres de Alexandre de Moraes, o STF virou arena de UFC.

Nesse Ultimate Fighting, não há mocinhos e vilões, apenas duas máquinas de brigar. André Mendonça pede a abertura de investigação sobre as mensagens que deram a Moraes uma aparência de consultor de Vorcaro, enquanto Moraes manobra para incluir na pauta a suspeita de irregularidades e de seletividade de Mendonça. Do contrário, ameaça jogar no ventilador as outras togas que tiveram contato direto ou indireto com o ex-banqueiro — o próprio Mendonça, Toffoli, Nunes Marques e Fux.

Fachin havia programado uma sessão aberta para a próxima terça-feira. Ao nivelar o plenário por baixo, a facção de Moraes espera que o constrangimento afaste do plenário os holofotes e as câmeras da TV Justiça. No escuro, tudo pode acontecer. Inclusive nada. No limite, um dos presentes pode pedir vista do procedimento contra Moraes. Nessa hipótese, o UFC supremo seria convertido num vale-tudo em que o brasileiro entra com a cara.


Para além das preferências pessoais, existe um consenso técnico: o ponto é uma combinação de temperatura interna, cor e textura, não apenas opinião. Guias internacionais de gastronomia e instituições ligadas à segurança alimentar organizam os pontos de cozimento em faixas de temperatura, aparência e textura. 


Para quem gosta de ouvir o boi mugir enquanto degusta um naco de bife ou churrasco — como é o caso deste que vos escreve —, a temperatura interna da carne não deve passar de 46 °C. Para que os bifes criem uma crosta fina dourada, tire-os da geladeira com antecedência, espere a frigideira começar a fumegar antes de colocar a manteiga ou o azeite e limite o tempo de fritura a 3 minutos de cada lado. 


É importante fritar os bifes individualmente e virá-los uma única vez — caso contrário, além de não formar a crosta dourada, eles verterão líquido, cozinharão em vez de fritar e perderão a suculência e a maciez.


JFK teria dito que desconhecia a fórmula do sucesso, mas a do fracasso era tentar agradar a todos ao mesmo tempo. Seja como for, um “meio-termo diplomático” é servir a carne com o centro rosado em vez de vermelho e garantir que ela ofereça alguma resistência ao corte, mas mantendo a umidade e preservando a maciez Nesse caso, a temperatura interna fica entre os pontos malpassado e bem-passado — de 57 °C a 63 °C.


No ponto para mais (ou “ao ponto para bem”), o miolo praticamente perde o rosado intenso (ficando levemente rosado ou bege-rosado) e a textura já é mais firme. Ainda pode haver suculência, principalmente em cortes com mais gordura entremeada, mas a sensação é de carne “mais mastigável”, ou seja, menos macia, com fibras mais contraídas em função da maior perda de umidade. Na prática, esse estágio ocupa a faixa alta das temperaturas — de 64 °C a 68 °C. É o “passinho a mais” que muitos restaurantes usam quando o cliente pede “bem passado, mas sem ressecar”: um interior cozido quase por completo, mas ainda distante da carne totalmente acinzentada.


A carne bem passada é marrom ou acinzentada por dentro, sem partes rosadas. A textura é firme, a quantidade de suco que escorre ao cortar é pequena e, se o fogo passa do ponto, aparecem áreas escurecidas ou quase pretas na superfície. Os quadros culinários posicionam essa faixa a partir de 70 °C de temperatura interna, com interior completamente cozido. Mas volto a frisar que tempo demais em temperaturas muito altas deixa a carne queimada e contribui para a formação de substâncias químicas com possibilidade de aumentar o risco de alguns tipos de câncer.


Na cozinha profissional, o termômetro de carne é o aliado mais confiável, pois permite medir a temperatura interna na parte mais grossa do corte. Em casa, pode-se recorrer ao teste do toque (ou da mão), no qual a firmeza da carne é comparada à região carnuda abaixo do polegar em diferentes posições. Outro recurso é o teste da faca: insira uma faca fina no centro da carne, deixe ali por alguns segundos, retire e encoste a lâmina com cuidado nos lábios. Se ela estiver fria, a carne tende a estar mal passada; se estiver morna, ao ponto; se estiver quente, bem passada. 


No balanço geral, a discussão sobre o ponto da carne mistura ciência de alimentos, segurança sanitária e gosto pessoal. Termômetros, quadros de temperatura e testes de toque ajudam a sair do “achismo” e transformam a conversa em escolha consciente: entender o que cada ponto entrega, da selada à bem passada, é o que permite decidir como vai chegar o próximo bife à sua mesa.


Escolher métodos de cocção com calor úmido, como panela de pressão, não favorece a formação de compostos tóxicos. Além disso, usar temperos e condimentos ajuda a reduzir a formação de substâncias potencialmente nocivas durante o cozimento. Evitar queimar ou chamuscar a carne também é importante, pois temperaturas muito altas podem gerar compostos químicos associados a riscos de saúde. 


Por outro lado, comer carne mal passada ou crua aumenta o risco de contaminação por microrganismos como salmonela, especialmente quando a procedência não é conhecida. Portanto, procure consumir apenas produtos de origem certificada.


Bom apetite.

sábado, 12 de setembro de 2026

SOBRE A EXPANSÃO DO UNIVERSO

ONE FLEW EAST, ONE FLEW WEST, ONE FLEW OVER THE CUCKOO'S NEST.

Ao analisar dados envolvendo um tipo específico de explosão estelar, um grupo de pesquisadores anunciou ter confirmado a noção — há muito aceita — de que o Universo está se expandindo em ritmo acelerado. O resultado do novo estudo difere de uma pesquisa publicada no ano passado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, segundo a qual a expansão cósmica não estaria mais acelerando.


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Bolsonaro, também conhecido como "refugo da escória da humanidade", guindou o pastor presbiteriano André Mendonça ao STF menos por seus conhecimentos jurídicos do que por sua alma "terrivelmente evangélica". Os pendores religiosos do apadrinhado afloraram nos últimos dias: Mendonça converteu o embate com o colega Alexandre de Moraes numa guerra santa do bem contra o mal, atiçando os fiéis com um vídeo postado nas redes sociais. "Estejam certos de que suas preces a Deus têm sido fundamentais..." 

Michelle Bolsonaro chamou-o o ministro "ungido do Senhor"; líderes religiosos passaram a cultuar sua coragem. De uns dias para cá, ele virou o sujeito cada vez menos oculto da campanha do filho de seu benfeitor e ganhou mais de 1 milhão de novos seguidores no Instagram.

O Supremo equilibrou-se por tanto tempo na beirada do vácuo que acreditou que o abismo, assim como o inferno da escatologia cristã, seria apenas uma ficção admonitória. De repente, a ficção tornou-se real: a suprema corte já pode ser dividida em duas fases: AC e DC. 

Antes do caos, dava jeito para tudo — de unha encravada a tentativa de golpe. Depois do caos, ficou sem jeito. Já não está à beira do abismo. Experimenta a vivência do abismo.

Cristãos genuínos têm muito respeito por Deus para considerá-lo responsável pela instrumentalização político-religiosa do Judiciário. Ao confiar em Deus na crise institucional, Mendonça conseguiu provar que o inferno existe — e não funciona.

Edson Fachin, presidente de turno do STF, Edson Fachin, diz que a gravidade da crise "não autoriza atalhos" e promete respostas "rigorosas", mas com "prudência e comedimento", demorando a perceber uma obviedade: em meio a grandes crises, quem mata o tempo é suicida. O magistrado ainda não esboçou o futuro, mas já virou espectador do pretérito passando diariamente sob seu bigode.

Flávio Dino não atropelou apenas Mendonça. Ao reintegrar Andrei Rodrigues e Leandro Almada aos cargos de diretor-geral e diretor de inteligência da PF, o ministro indicado por Lula trombou também com Fachin. Na prática, antecipou-se à decisão do chefe do Supremo sobre o recurso protocolado na véspera pela Advocacia-Geral da União.

Fachin poderia ter revogado a liminar de Mendonça, mas preferiu dar 72 horas para que o colega apresentasse suas contrarrazões. Ao se antecipar, Dino transformou Fachin em asterisco: continua compondo o enredo da crise, só que virou nota de rodapé.

Dino atendeu a um recurso atravessado por Andrei Rodrigues num inquérito explosivo. Trata da suspeita de desvio de verbas de emendas parlamentares para o filme Dark Horse. O chefe da PF argumentou que seu afastamento atrapalharia a investigação. Relator do caso, Dino deu razão ao delegado. O comitê do filho do capetão passou da celebração à preocupação. A sucessão presidencial passa pelos atalhos no Supremo.


A descoberta da equipe — que inclui dois ganhadores do Prêmio Nobel — baseou-se em dois conjuntos de dados diferentes de um tipo de explosão estelar chamada supernova do tipo Ia, utilizada para calcular vastas distâncias cósmicas. Esses eventos causam a destruição de um objeto chamado anã branca — o remanescente de uma estrela de massa baixa a intermediária no fim de seu ciclo de vida. Essas explosões têm aproximadamente a mesma luminosidade, mas o brilho observado muda dependendo da distância da Terra, o que as torna valiosas como marcos cósmicos de distância na investigação da estrutura do Universo.


Vale relembrar que o modelo cosmológico padrão se baseia na teoria do Big Bang, segundo a qual o Universo surgiu há aproximadamente 13,8 bilhões de anos e vem se expandindo desde então. Em 1998, cientistas revelaram que essa expansão está acelerando por conta de uma força invisível chamada energia escura.


Observação: Cerca de 95% do Universo é composto por matéria escura e energia escura. Em outras palavras, tudo o que conhecemos, observamos e conseguimos explicar representa meros 5% do cosmos. Todavia, enquanto a matéria escura aumenta a atração gravitacional, mantendo as galáxias coesas, a energia escura — uma das maiores incógnitas do universo — produz um efeito gravitacional repulsivo em grandes escalas, acelerando a expansão cósmica.


Além da matéria e da energia escuras, o Universo reúne matéria comum — estrelas, planetas, gás e poeira, por exemplo —, que corresponde a 5% de seu conteúdo total. Já a matéria escura, conhecida por suas influências gravitacionais sobre galáxias e estrelas, representa 27%, e a energia escura, 68%.


Os autores do estudo de 2025 — que também saiu na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society — concluíram que a energia escura está enfraquecendo e parou de acelerar a expansão do Universo. O astrofísico Young-Wook Lee, da Universidade Yonsei (Coreia do Sul), defendeu as descobertas da sua equipe e disse que os principais argumentos apresentados pelos pesquisadores no novo estudo têm "falhas metodológicas graves ou levam a conclusões que são internamente inconsistentes por sua própria lógica". Já os pesquisadores do novo estudo expressaram confiança na metodologia e nas conclusões que confirmam a aceleração.


Vale destacar que as galáxias não estão se movendo a velocidades superluminais, mesmo porque isso iria de encontro (e não ao encontro) das teorias de Einstein, segundo as quais nada contendo matéria pode se mover mais rápido que a luz.  


Para entender melhor, imagine o cosmos como uma bexiga de borracha e as galáxias como as letras da inscrição "Feliz Aniversário". Conforme a bexiga é inflada, a distância entre as letras aumenta, não por elas mudarem de lugar, mas por acompanharem a expansão do látex.


A natureza física da energia escura permanece desconhecida, mas o recém-inaugurado Observatório Vera Rubin, no Chile, e o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman podem fornecer algumas respostas.


Por último, mas não menos importante, vale relembrar que as teorias científicas mais aceitas atualmente se baseiam no modelo cosmológico padrão, que se baseia no Big Bang. Apesar do nome, o nascimento do Universo não teria sido uma explosão, mas uma grande expansão que perdura até hoje. Dois anos depois de publicar a Teoria da Relatividade Geral, Einstein propôs um modelo de universo estático e introduziu a constante cosmológica para equilibrar a gravidade e evitar um colapso gravitacional. 


Uma década mais tarde, Edwin Hubble observou que as galáxias estavam se afastando — evidência de que o cosmos estava, de fato, em expansão. Na mesma época, Georges Lemaître deduziu que algo que estava se expandindo deveria ter sido menor em algum momento.


A possibilidade de retornar ao instante em que toda a vastidão do Universo estava concentrada em uma massa extremamente quente e densa deu origem à hipótese do "átomo primordial", segundo a qual o tempo e o espaço só passaram a existir quando esse "átomo primitivo" começou a se expandir. 


A proposta ganhou tração em 1948, quando George Gamow propôs que o Universo primordial era extremamente quente e denso, condição na qual os primeiros elementos químicos teriam sido sintetizados — ou "cozidos" a partir de uma "sopa de partículas fundamentais", deixando como resquício uma radiação de fundo que permeia o cosmos até hoje.

 

No mesmo ano, Fred Hoyle, Thomas Gold e Hermann Bondi levantaram a hipótese de que o Universo não tinha começo nem fim, pois era constantemente "reabastecido" com matéria nova, gerada em todos os lugares e momentos. Durante uma palestra, Hoyle ironizou a ideia de um surgimento cósmico repentino, dizendo que toda a matéria fora criada em um "grande estrondo", num momento específico do passado remoto. 


A ironia pegou, e o termo Big Bang foi rapidamente adotado pela imprensa, mas ignorado por físicos e astrônomos, já que o fenômeno descrito não seria uma explosão no sentido tradicional, mas o início de uma expansão cósmica que começou há quase 14 bilhões de anos e cujos efeitos ainda podem ser observados por meio do desvio para o vermelho na luz das galáxias distantes — indicando que elas continuam se afastando de nós.


A despeito da imprecisão, o nome Big Bang se espalhou pelo mundo como um bordão irresistível. Em 1993, a revista Sky and Telescope organizou um concurso para substituir o nome e recebeu 13.099 sugestões de 41 países, mas nenhuma convenceu a banca de jurados, que incluía Carl Sagan, e o nome permaneceu.

 

Hoyle demonstrou que todos os elementos que compõem o Universo estão sendo "cozidos" no caldeirão das estrelas desde sempre, e que a vida deveria ser uma ocorrência comum no cosmos. A ideia não soava absurda para a comunidade científica — segundo o especialista em poeira estelar Ashley King, quase todos os elementos do corpo humano foram forjados em estrelas, muitos deles ejetados por sucessivas supernovas. Mas Hoyle foi mais além, sustentando que inúmeras epidemias estariam associadas à passagem de meteoritos cujas partículas trariam vírus à Terra. 


Essa tese foi vista como mais compatível com os 19 romances de ficção científica de Hoyle do que com seu trabalho acadêmico, e ele acabou entrando para a história como o homem que batizou uma teoria na qual ele mesmo nunca acreditou.