domingo, 5 de abril de 2026

CARNE MACIA E SUCULENTA

NA COZINHA VOCÊ PODE GRITAR, SUAR E XINGAR E AINDA SER CHAMADO DE CHEF DE ALTA GASTRONOMIA. 

Comi os melhores bifes da minha vida nos anos 1960/70, no sítio da minha avó, que ficava numa bucólica cidadezinha próxima à divisa entre São Paulo e Minas Gerais. 

Muitos anos depois, perguntei à velha senhora qual era o segredo da suculência e do sabor daqueles bifes. Ela respondeu: Vá até o matadouro e traga um pedaço de patinho ou coxão mole fresquinho, e eu faço bifes iguais aqueles de que você tanto gostava

Em outras palavras, o “x” da questão era o frescor da carne — que vinha embrulhada em jornal, ainda pingando sangue.

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Quando ainda era inquilino do Planalto, Bolsonaro comentou que não há nada tão ruim que não possa piorar. E estava coberto de razão.. No caso dele, a reeleição furou, o golpe falhou e a condenação chegou. No caso do cenário político tupiniquim, a pré-campanha presidencial deste ano está ainda mais repugnante e vomitativa do que as de 2018 e 2022.

Após ser chamado de 'Opala velho', Lula disse que não se ofendeu com a metáfora de Flávio Bolsonaro porque 'o Opala dele é o pai, que está no desmanche'. Apenas 48 horas depois do troco, o senador das rachadinhas, panetones e mansões milionárias se exibiu na feira de antiguidades da CPAC como um modelo seminovo do bolsonarismo que já vem com defeitos de fábrica — entre eles um GPS que sincroniza todos os movimentos com os interesses da Casa Branca.

Estatisticamente empatados nas pesquisas, os dois principais postulantes ao Planalto disputam os votos do eleitorado independente de centro, que definirão o tira-teima. Na bica de completar 81 anos (se chegar até lá), o petista se comparou a um "Opala turbinado". Mas chega a sua sétima disputa presidencial com a popularidade no vermelho, desafiado a combinar as cenas de vitalidade física que exibe em vídeos postados nas redes sociais com novidades capazes de lhe conceder o ambicionado quarto mandato.

Autoproclamado "bolsonarista moderado", o primogênito do refugo da escória da humanidade não consegue dissociar a jovialidade dos seus 44 anos de idade da fuligem retórica do genitor — que inclui desprezo pela liturgia democrática, negligência com a soberania nacional e idolatria por um trumpismo que está em declínio até nas pesquisas de institutos norte-americanos e nas ruas dos Estados Unidos. 

Começa mal a campanha presidencial. Convém aos favoritos qualificar a prosa. Hoje, o debate tem a profundidade de um pires. Pode ser atravessado por uma formiga com água na altura das canelas. A discussão produz muita fumaça, não sai do lugar e derrama óleo queimado no chão.

Num eventual segundo turno, antipetistas e antibolsonaristas perguntarão a seus botões se vale a pena comprar um carro usado na mão de Lula ou de Flávio. Numa disputa assim, vigora não a preferência pelos candidatos, mas a rejeição. Como em 2018 e 2022, o eleitor corre novamente o risco de barrar uma alternativa indesejada sem eleger um presidente capaz de unir a sociedade em torno de um projeto de país que faça nexo. 

Aqui em Sampa, comprar carne direto do matadouro está fora de questão. Os açougues de bairro estão em extinção, e carne "resfriada" vendida nos supermercados é mosca branca de olho azul. O que eles comercializam é carne descongelada, esbranquiçado, sem graça e praticamente intragável se a gente não carregar no temperos (sal, pimenta, cebola, alho, salsa, cebolinha, orégano e páprica, por exemplo). 

Observação: A cor da carne deve ser vermelho-brilhante, não escura ou roxa. A gordura deve ser branca ou levemente amarelada (gordura muito amarela significa que a carne é de vaca velha), a fibra, curta, e o toque, firme, sem qualquer sensação pegajosa.

Tem gente que transforma medalhões de filé em postas borrachudas e gente que monta "churrasquinhos de gato" de dar água na boca. De qualquer modo, você obtém melhores se tirando a carne da geladeira cerca de 30 minutos antes do preparo, de modo a evitar o choque térmico que tende a enrijecer as fibras e impedir o cozimento uniforme.

A alcatra é uma peça extraída da parte traseira do boi, e dá origem a vários cortes populares — sendo a maminha e a fraldinha os mais reconhecidos e apreciados. A maminha tem textura macia e sabor agradável; a fraldinha é mais fina e tem fibras espaçadas, mas não deixa a desejar em sabor e maciez quando bem preparada. Com o preço da picanha nas alturas, ambas são boas opções para churrasqueiros de fundo de quintal. 

Para quem não se importa de gastar um pouco mais, o contrafilé vai bem tanto em bifes fritos quanto assado na grelha. O segredo é cortar os bifes com pelo menos 2 dedos de altura e não remover toda a gordura ao limpar a peça (além de evitar o ressecamento da carne, essa gordura é muito saborosa).  

Usado corretamente, o sal realça o sabor e a preserva a suculência da carne. Bifes e grelhados rápidos devem ser temperados poucos minutos antes de irem ao fogo. Já pedaços maiores e cortes mais duros devem ser salgados com antecedência ou marinados durante algumas horas.

Observação: Para preparar uma marinada simples e eficiente, lave e seque bem um vidro com tampa (dos de palmito ou maionese resolvem). Coloque cachaça, azeite, alho esmagado, cheiro-verde picado, ervas frescas (alecrim ou tomilho), sal grosso, feche bem e agite por alguns segundos até homogeneizar. Em seguida, acomode a carne numa vasilha, despeje a marinada, massageie por alguns minutos, transfira para um saco próprio ou para uma vasilha plástica com tampa e deixe na geladeira de véspera, virando a carne de tempos em tempos. Se o tempo de marinada for menor, assegure-se de que a carne fique totalmente coberta pelo molho.

Evite furar a carne com o garfo ou apertá-la com uma espátula, pois isso faz com que o suco interno escape, deixando-a seca e dura, mesmo que o ponto esteja correto. Se não dispuser de uma pinça culinária, improvise com um pegador de salada, mas é importante virar a carne somente quando ela estiver bem selada — quanto menos você mexer, melhor será a textura final.

Depois de tirar a carne do fogo, deixe-a descansar para que os sucos internos se redistribuam. Bastam 2 ou 3 minutos para bifes e de 5 a 10 minutos para peças maiores — que devem ser mantidas perto do braseiro para não esfriar. Igualmente importante é cortar a carne no sentido contrário ao das fibras — cortar no sentido errado é garantia de esforço mandibular desnecessário.

No churrasco, cortes menores devem ficar a cerca de 20 cm da brasa; peças inteiras, a pelo menos 40 cm; e a costela, a uns respeitáveis 70 cm. Isso vale tanto para o espeto quanto para a grelha. Cupim, costela e outros cortes mais duros exigem tempo. Já picanha, maminha e fraldinha podem — e devem — ser servidas mal passadas. Frango e porco, evidentemente, precisam estar bem passados.

Observação: Vale lembrar que as peças de picanha têm entre 900 g e 1,3 kg (mais que isso significa que uma parte é coxão duro); as de fraldinha, entre 800g e 1,2 kg; as de maminha, entre 900 g e 1,5 kg; e as de contrafilé, entre 4 e 6 kg.

Tão importante quanto respeitar as características de cada corte e o gosto dos comensais é não deixar a carne passar do ponto. Além de perder maciez e suculência, o excesso de calor aumenta a concentração de HPA (Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos) e APA (Aminas Policíclicas Aromáticas), que são saubstâncias associados ao surgimento de células cancerígenas. 

No fogão, use panelas ou frigideiras de ferro fundido e fundo grosso, bem aquecidas em fogo alto. Quando o utensílio começar a fumegar, regue com um fio de óleo e frite os bifes individualmente, virando uma única vez e temperando com alho, sal e pimenta durante a fritura. Para bifes mal passados, bastam 2 ou 3 minutos de cada lado; ao ponto, cerca de 5 minutos; bem passado, de 7 a 8 minutos. Mais do que isso fará com que o interior da carne perca a cor rosada e a suculência vire apenas uma vaga lembrança.

Resumo da ópera: Carne boa não pede firula, pede respeito ao corte, ao fogo e ao tempo — sobretudo ao tempo. O resto é performance: termômetro digital, sal do Himalaia, foto para rede social. E se ainda assim alguém insistir que carne boa é bem passada (tipo sola de sapato), sirva-lhe as brasas da churrasqueira com ketchup, batata frita e uma certidão de óbito do boi.

Desejo uma feliz Páscoa a todos.

sábado, 4 de abril de 2026

QUANDO A TOGA JÁ NÃO ESCONDE OS GLÚTEOS

TEM SEMPRE UM DIA EM QUE A CASA CAI…

Diálogos entre Daniel Vorcaro e sua ex-noiva obtidos pela PF indicam que o ministro Alexandre de Moraes esteve com o banqueiro em datas próximas às viagens que realizou em jatos executivos dele e de seu cunhado, Fabiano Zettel.


Segundo levantamento feito pela Folha a partir de dados da ANAC e do DECEA da Aeronáutica, o magistrado e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, constam do registro de passageiros de terminais executivos no Aeroporto de Brasília. 


Em 21 de maio, véspera da viagem de Moraes de Brasília a São Paulo em um jato da Prime Aviation — empresa da qual Vorcaro foi sócio e que também é dona de sua mansão em Brasília — o ex-banqueiro disse à ex-noiva que estava com o ministro e o senador Ciro Nogueira. Na noite seguinte, Moraes aparece como passageiro em um hangar de aviação executiva no Aeroporto de Brasília às 19h. Segundo a Folha, 33 minutos depois, um avião da Prime Aviation decolou rumo ao Aeroporto de Catarina, voltado para jatos privados. 


Quatro dias depois, Vorcaro comenta com a ex-noiva que terá um encontro com Moraes e que resolveu organizar um jantar com ele, Viviane e outros dois convidados (o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria e sua mulher, Patrícia Abravanel). Passados três dias, Moraes e senhora voaram de Brasília ao Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, a bordo de um jato Embraer pertencente à Prime Aviation.


Zettel é tratado pelos investigadores do caso Master como operador financeiro do esquema e controlador do fundo Arleen — que comprou por R$ 35 milhões a fatia do Resort Tayayá que pertencia ao ministro Dias Toffoli. Moraes alegou jamais ter viajado em aeronaves de Vorcaro e Zettel ou na companhia deles. O escritório de Viviane disse contratar “diversos serviços de táxi aéreo”, entre os quais o da Prime Aviation, mas alegou que Vorcaro e o cunhado jamais viajaram com integrantes da banca de advogados, e que todos os valores foram abatidos dos honorários advocatícios nos termos contratuais.


O histórico de conversas entre Vorcaro e a ex-noiva que chegou ao Congresso termina em 13 de agosto de 2025. Até a primeira prisão do banqueiro, em 17 de novembro, não há registro de diálogos para a conferência de outras convergências de datas, mas o levantamento da Folha revelou que casal Moraes viajou em jatos ligados ao grupo Master até um mês antes da segunda prisão de seu CEO — no Aeroporto Internacional de Guarulhos tentando embarcar em um jato rumo a Dubai com escala em Malta, o que foi encarado pelos investigadores como uma tentativa de fuga. 


Moraes procurou o presidente do BC, Gabriel Galípolo, pelo menos quatro vezes para discutir sobre o Master no período em que a tentativa de compra da instituição pelo BRB enfrentava resistências crescentes dentro da instituição. Àquela altura, já se sabia também que o contrato de Viviane com o banco previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões por três anos, com atuação em frentes no Judiciário, Legislativo e órgãos do Executivo, bem como a atuação do escritório junto ao BC, ao Cade, à PGFN e à Receita Federal. Todos esses órgãos informaram não haver registros da atuação de Viviane em nome do Master.


A discrepância entre o tamanho da remuneração e a falta de rastros administrativos deu novo fôlego às dúvidas sobre a natureza real dos serviços prestados. O BC afirmou que encontros com altas autoridades não são documentados, a despeito de Galípolo ter declarado publicamente que todas as discussões sobre o caso Master foram registradas pelo órgão regulador.


A pressão aumentou ainda mais em março, quando o conteúdo extraído do celular de Vorcaro revelou a troca de mensagens com Moraes em 17 de novembro do ano passado — dia de sua primeira prisão. Nos textos, o banqueiro relata tentativas de salvar o banco junto a investidores árabes e perguntava ao ministro: “Conseguiu bloquear?”.


Ao cruzar os céus em jatos executivos de Vorcaro, Moraes encostou sua reputação na fabulosa história de Ícaro, que voou com asas de penas coladas com cera, subiu alto demais e, maravilhado com a própria ascensão, ignorou o poder do Sol. No caso de Xandão, não há asas de cera, mas a analogia se impõe: nem todo prestígio resiste ao brilho intenso, e quanto mais alto se voa, mais arriscado se torna o deslumbramento. Sobre a alegada compensação dos serviços aéreos com os honorários advocatícios, o "xerife" que ama cobrar explicações e detesta ter que se explicar chamou a notícia de "fantasiosa". 


O ministro demora a notar o derretimento de sua reputação, mas não está sozinho. Toffoli, que ganhou a suprema toga de Lula em 2009, como recompensa pelos "bons serviços prestados ao Sindicato dos Metalúrgicos de SBC e ao PT" — a despeito de seu currículo ser abrilhantado por duas reprovações em concursos para juiz de primeira instância — viajou nas asas da Air Master para ir ao resort Tayayá e em pelo menos mais cinco voos patrocinados por empresários amigos. Procurado, defendeu-se com o silêncio.


Num primeiro momento, Moraes disse jamais ter voado em aeronaves de Vorcaro. Acuado pelos fatos, alegou que o serviço foi abatido dos honorários milionários que o escritório da mulher recebia do Master, mas faltou explicar por que ele fruiu das mordomias proporcionadas pelo contrato promíscuo. As obscenidades dele e do Maquiavel de Marília diferem entre si, mas têm um ponto em comum: a arrogância de quem acha que pode fazer o que bem entende sem dar explicações plausíveis. Vivendo numa realidade paralela, os semideuses togados demoram a notar que as togas já não lhes escondem os glúteos.


O jurista Potter Stewart, que atuou como juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos, pronunciou num julgamento uma frase que se tornou célebre: "Não sei definir obscenidade, mas eu a reconheço quando vejo." Mesmo quem não entende de despudor sabe reconhecer a pornografia quando a vê, e magistrado supremo que voa em aeronave de mafioso que tinha um banco é obscenidade que nenhuma toga consegue esconder.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

"POSSÍVEL SPAM"

QUALQUER IDIOTA É CAPAZ DE PINTAR UM QUADRO, MAS SÓ UM GÊNIO É CAPAZ DE VENDÊ-LO.

As chamadas identificadas como “Possível Spam” se tornaram um problema recorrente para milhões de brasileiros. Segundo a empresa de segurança digital Norton, além de serem incomodativas, elas servem de novo porta de entrada para fraudes de engenharia social, sequestro de contas e roubo de identidade, entre outros, e atender ou interagir é o primeiro passo para o usuário validar seu número junto a redes de golpistas.


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Estas linhas vão especialmente para os simpatizantes do comunismo, do socialismo e de outros regimes totalitários, como certo ex-presidiário macróbio que pugna pelo quarto mandato e a caterva que o endeusa — mais escassa a cada dia, mas ainda significativa.

Cuba, que já foi chamada de Pérola do Caribe, está em decadência senil. O agravamento da crise humanitária aprofunda um desejo generalizado de mudança que atravessa gerações, unindo na mesma ambição tanto os mais velhos, saudosos do acesso a saúde, educação e benefícios sociais de qualidade, quanto os jovens que sempre passaram dificuldades e não toleram mais o clima de autoritarismo. A divergência consiste no alcance da transformação almejada — se ela deve ou não desembocar na queda pura e simples do regime. 

De 2021 para cá, a população cubana encolheu de 11,2 milhões para 8,6 milhões, devido sobretudo à legião de emigrantes, 80% dos quais têm entre 15 e 59 anos — o que faz de Cuba o país mais envelhecido das Américas. O endurecimento da política migratória de Trump acabou com o tratamento preferencial de que os fugidos de Cuba desfrutavam nos EUA e promoveu um desvio de rota para o Brasil: no ano passado, foram 40 mil pedidos de asilo, o maior grupo individual, superando os venezuelanos. 

Para os que ficam na ilha, premidos pela aflição da falta de tudo, prensados entre um governo carcomido e a sombra de uma intervenção americana, resta esperar que a escuridão se dissipe.


"Possível Spam" é o termo usado pelas operadoras móveis para alertar sobre chamadas de números desconhecidos ou reportados como problemáticos por outros usuários. Nesse caso, a recomendação é ignorar a chamada, pois ligações frequentes desse tipo podem indicar que o número do usuário foi exposto em um vazamento de dados ou comercializado por corretores de dados para empresas de telemarketing ou golpistas. 


Outras causas incluem a exposição de informações pessoais em sites de busca de pessoas, o uso de sistemas automatizados que geram números de telefone aleatoriamente, bem como vazamentos de bases de dados que permitem que golpistas acessem os números dos usuários.


Observação: os spammers operam por volume: se obtêm algumas respostas em uma lista extensa de números, a operação já se torna rentável. Ao atender ou interagir, a pessoa confirma que seu número está ativo, o que pode aumentar ainda mais o número de chamadas indesejadas.


Entre as principais táticas utilizadas está o vishing (phishing por voz), por meio do qual os golpistas tentam obter informações sensíveis, como senhas, códigos de verificação ou dados bancários. Além disso, eles podem gravar a voz da vítima para usá-la posteriormente em fraudes, roubo de identidade ou golpes contra terceiros.


A Norton — bem como a maioria das empresas de cibersegurança — oferece recursos destinados a proteger os usuários desse tipo de golpe, como o Norton Scam Protection, incluído sem custo adicional nos produtos da empresa para computadores e dispositivos móveis. 


Adicionalmente:


— Evite atender chamadas não solicitadas feitas de forma recorrente a partir do mesmo número, se houver incompatibilidade entre o nome exibido e o número (por exemplo, o nome de um órgão público com um número local) ou se as chamadas vierem de códigos de área desconhecidos.


— No Android, ativar a opção de “Proteção contra spam e identificação de chamadas” permite filtrar automaticamente chamadas suspeitas ou bloquear números específicos; no iPhone, é possível bloquear números individuais ou ativar a função “Silenciar desconhecidos”, que encaminha automaticamente essas chamadas para o correio de voz.


— Jamais compartilhe senhas, códigos de verificação ou dados bancários por telefone.

Bloqueie imediatamente números suspeitos.


— Mantenha suas ferramentas de proteção digital atualizadas.


Boa sorte.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 91ª PARTE

A VIDA ETERNA NÃO PASSA DE UM CONTO DE FADAS PARA CONSOLAR QUEM TEM MEDO DO ESCURO.

O princípio de que nada vem do nada é intuitivo, mas nem sempre se aplica a escalas cosmológicas ou quânticas. A própria física quântica é um cipoal de fenômenos contraintuitivos — como partículas surgindo do vácuo quântico — e a singularidade só pode ser explicada por uma teoria capaz de conciliá-la com a gravidade.

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Depois de incontáveis debates, polêmicas e intensos lobbies, o Supremo estabeleceu novos critérios para os chamados penduricalhos a juízes e integrantes do Ministério Público. Na prática, a soma das verbas pode elevar a remuneração em até R$ 32.456,32 além do salário mensal e chegar a 70% do teto.

Os juízes brasileiros recebem, em média, mais do que seus pares em países do primeiro mundo e concluiu que todos os estratos de renda — do início ao topo da carreira — são mais elevados por aqui. Segundo estudo da Transparência Brasil, 98% dos magistrados analisados tiveram rendimentos acima do teto constitucional em 2025 — dos cerca de 15 mil contracheques, mais de 13 mil eram R$ 100 mil acima do teto e em quase 4 mil os valores extrateto ultrapassaram R$ 1 milhão no acumulado anual.

Como diria Boris Casoy, "É UMA VERGONHA".


Em suas primeiras versões, a Teoria das Cordas — solução matemática mais elegante criada até agora para esclarecer questões nebulosas como essa — pressupunha a existência de 26 dimensões, mas não explicava a matéria bariônica, apenas os bósons. As versões posteriores desaguaram na Teoria M, que apresenta conceitos como supercordas e supersimetria e reduz o número de dimensões para onze — sete além das três espaciais e uma temporal que já conhecemos.


O problema é que essas hipotéticas dimensões adicionais devem ser tão pequenas que os aceleradores de partículas atuais não conseguem comprovar sua existência experimentalmente. Isso seria possível reduzindo-se a distância entre duas partículas ao comprimento de Planck (cerca de um bilionésimo de um bilionésimo de um bilionésimo de metro), mas nem o Grande Colisor de Hádrons (LHC) consegue medir forças atrativas ou repulsivas em distâncias inferiores ao diâmetro de um próton (8,33 x 10⁻¹⁶ m). 


Se desvios (vazamentos) no comportamento esperado da força eletromagnética nos experimentos já realizados tivessem sido constatados o LHC os detectaria. No entanto, os resultados foram os mesmos previstos pelo Modelo Cosmológico Padrão, que dispensa dimensões extras para explicá-los. Talvez a história fosse outro se os testes fossem feitos em escalas de 10⁻¹⁹ m até o número de Planck, mas isso exigiria uma quantidade de energia muito superior à dos aceleradores de partículas atuais. 


Além de funcionar lindamente na matemática, a Teoria das Cordas explica a gravidade quântica num cenário que os cientistas chamam de universo holográfico, onde a própria ação da gravidade poderia gerar as demais forças naturais. Como ainda não há evidências da existência de outras dimensões além das que conhecemos, os pesquisadores vêm buscando respostas em hipóteses mais fáceis de testar, como a Teoria de Tudo.

Quando dizemos que tudo veio do nada, precisamos ter em mente que, na cosmologia, “nada” pode significar ausência de matéria, de espaço-tempo, ou mesmo um vácuo quântico repleto de flutuações. Mas mesmo no vácuo existem flutuações de energia que podem dar origem a partículas que aparecem e desaparecem logo em seguida. Embora isso pareça uma simples abstração matemática tais partículas já foram detectadas em inúmeros experimentos.

 

Alguns físicos acreditam que o Universo surgiu de uma flutuação do vácuo em que a energia positiva da matéria foi cancelada pela energia negativa da gravidade. Outros — entre os quais Stephen Hawking — sustentam que o surgimento espontâneo do Universo é possível dentro da física quântica, mesmo que num campo altamente especulativo.


Era de Planck — o instante mais primitivo do universo, 10−4310^{-43} 10−43 segundos após o Big Bang — marca o ponto onde toda a física conhecida entra em colapso. Nessa escala extrema, a relatividade geral, que descreve a gravidade como a curvatura suave e contínua do espaço-tempo, colide frontalmente com a mecânica quântica, que impõe flutuações inevitáveis e uma natureza discreta à realidade. O próprio espaço-tempo passa a "espumar", tornando conceitos como antes, depois e causalidade desprovidos de sentido.

A dificuldade em unificar essas duas teorias — cada uma extraordinariamente precisa no seu domínio — é tanto matemática quanto conceitual. Quantizar a gravidade pelos métodos convencionais produz infinitos irremovíveis, e as candidatas à chamada Teoria de Tudo, como a Teoria das Cordas e a Gravidade Quântica em Loop, ainda carecem de verificação experimental. O que torna o problema ainda mais profundo é a possibilidade de que espaço e tempo não sejam fundamentais, mas propriedades emergentes de algo mais básico — e que a grande teoria unificadora não una a física que conhecemos, mas dissolva as próprias categorias com que a pensamos.

O que essas teorias ensaiam, cada uma à sua maneira, é algo ainda mais desconcertante: o espaço e o tempo talvez não sejam o palco da realidade, mas sim o seu produto — propriedades emergentes de processos quânticos mais primitivos, sem nome e sem analogia no mundo que conhecemos. Se isso estiver correto, a Teoria de Tudo não seria uma equação que descreve o universo, mas uma linguagem inteiramente nova, capaz de falar sobre aquilo que existe antes mesmo de existir um "onde" ou um "quando".

  

A gravidade quântica descreve um tipo de realidade física que seria uma espécie de precursor quântico do espaço e do tempo, mas a física ainda não encontrou um exemplo confirmado de algo que surgiu literalmente do nada. A procura por esse santo graal deu azo a explicações sobrenaturais, a modelos cíclicos do Universo e à Teoria do Multiverso, segundo a qual infinitos universos, cada qual com suas próprias leis, coexistem uns com os outros.


Inspirado por uma conexão matemática curiosa entre um universo inicial quente e denso e um universo final frio e vazio, o físico Roger Penrose postulou a chamada cosmologia cíclica conformada, na qual os estados iniciais e finais se tornam matematicamente idênticos quando levados aos seus limites. Isso significa que o Big Bang pode ter surgido de um "quase nada" — mais exatamente do resquício de um universo anterior onde toda a matéria foi tragada por buracos negros e transformada em fótons dispersos num imenso vazio.


Para resolver esse paradoxo — já que esse "nada" ainda seria um tipo de "algo", como um universo físico desprovido de estrutura, e o estado frio e vazio, o mesmo estado quente e denso visto sob outra perspectiva — a solução, segundo Penrose, seria uma transformação geométrica que altere o tamanho e mantenha a forma. Como tanto o conceito de tamanho como o próprio tempo deixam de fazer sentido em estados extremos, o estado frio e vazio existiria eternamente numa linha do tempo própria, enquanto o estado quente e denso habitaria uma nova linha temporal. 


Mesmo que essa hipótese se comprove no futuro, a pergunta filosófica permanece: de onde veio a própria realidade física? De ciclos infinitos, cada um gerando o próximo com variações quânticas aleatórias, ou de um único ciclo repetido eternamente como um universo que retorna sempre ao mesmo ponto e reproduz a si mesmo?

 

Penrose sugere que cada ciclo do universo é único — o que abriria a possibilidade de detectarmos vestígios do ciclo anterior na radiação cósmica de fundo que observamos hoje. Ele afirma ter encontrado essas marcas nos dados coletados pela sonda espacial Planck, que mapeou com alta precisão essa radiação remanescente do Big Bang, e que certos padrões circulares identificados nos mapas seriam ecos de buracos negros supermassivos que existiram no ciclo anterior. Mas essas conclusões ainda são alvo de intenso debate entre os físicos.


Há, naturalmente, uma dimensão que escapa à física — e que talvez só a linguagem do mito consiga tocar. A ideia de um universo que nasce, se expande, se apaga e renasce carrega uma ressonância que antecede qualquer equação. Na mitologia nórdica, Jörmungandr, a serpente filha de Loki, morde a própria cauda — e esse gesto circular não sustenta apenas o equilíbrio do mundo, mas figura algo que a cosmologia moderna redescobre à sua maneira: que o tempo talvez não tenha começo nem fim, apenas dobras. Se o universo é de fato um loop eterno, então toda pergunta sobre a origem se transforma numa outra — e talvez mais vertiginosa — sobre o retorno.


A pergunta "de onde viemos?" é mais antiga do que imaginamos. As teorias são muitas, mas todas nos levam de volta ao ponto de partida. À luz da física clássica, o que havia “antes” do Big Bang — e, consequentemente, antes do advento do tempo — é nada. Vale destacar que, apesar do que o nome sugere, o Big Bang não foi uma grande explosão, e sim a expansão do próprio espaço-tempo. E se o tempo é uma das dimensões do Universo, falar “antes do tempo” é como falar no norte do Polo Norte — como bem salientou Stephen Hawking


Assim como não há latitude maior que 90 graus norte, não existe um “antes” do Big Bang, mesmo porque “antes” é um termo temporal, e tanto o tempo quanto o espaço nasceram com o Big Bang. Uma solução elegante proposta pelo próprio Hawking é a da fronteira sem fronteira — um modelo de tempo imaginário no qual o Universo seria como a superfície da Terra: finito, mas sem uma borda nem uma singularidade inicial. Se o tempo simplesmente se curva e emerge suavemente, não há que falar em um “antes” do momento zero. 


Resumo da ópera: Perguntar o que havia antes do Big Bang é tentar estender um conceito (tempo) para um domínio onde ele simplesmente não existe. Em outras palavras, seria o mesmo que perguntar qual é a cor do número 7. Mas isso não muda o fato de que algumas perguntas que parecem sem sentido no presente acabam fazendo sentido depois que a física avança. 


Continua…