segunda-feira, 20 de julho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — SOBRE A NATUREZA DO TEMPO (CONTINUAÇÃO)

O QUE CHAMAMOS DE DESTINO NÃO PASSA DE FÍSICA DISFARÇADA

Como vimos no capítulo anterior, ainda não se sabe se o tempo existe ou se é apenas uma convenção criada para impor alguma lógica ao caos, e que, caso exista, não se sabe se ele é uma estrutura, uma substância ou uma metáfora. Ainda assim, o tempo define nossos horários, organiza nossos dias, dita compromissos, aniversários, prazos e calendários.


Em outras palavras, tudo gira em torno do tempo — ou girava, já que os resultados de um experimento envolvendo um relógio atômico extremamente preciso suscitaram a possibilidade de estarmos errados sobre o tempo desde o começo. Mas façamos como o velho marinheiro, que durante um nevoeiro leva o barco devagar.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


O primogênito do golpista perdeu de lavada para o molusco eneadáctilo no quesito tarifaço, como se viu da pesquisa Quaest, na qual o filho do pai gabaritou negativamente o questionário feito sobre o assunto. No universo da política, a avaliação também foi ruim, a começar pelo candidato que já havia reconhecido o prejuízo no pedido de adiamento para não favorecer o adversário. Quem não criticou, calou, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. 

O xamã petista ganhou esse lance, mas passou do ponto ao mandar o governo se enrolar na bandeira brasileira e tomar a frente do batalhão chamando o presidente americano para travar com ele uma "guerra de narrativas".

A pergunta que se impõe é: por quanto tempo e qual o poder que um tema de comércio exterior tem sobre a decisão do voto do eleitorado premido por dificuldades do cotidiano?

Os dois principais oponentes de hoje trocam acusações que nada têm a ver com as preocupações prioritárias da população, como segurança, combate à corrupção e serviços públicos prestados de forma razoavelmente adequada. Espera-se de candidatos sérios que respondam a essas necessidades sem recorrer aos subterfúgios fornecidos pela disputa da posse do verde-louro da flâmula nacional. 

Por outro lado, como esperar políticos sérios disputando a Presidência, se a maioria do eleitorado é apedeuta, desinformada e polarizada, e se digladia para eleger seus bandidos de estimação?


Fomos condicionados a acreditar que o tempo existe, mas não sabemos o que ele é nem tampouco conseguimos defini-lo sem usar a palavra "tempo". Nós o associamos à passagem dos segundos, à duração das coisas ou à sequência dos acontecimentos, mas essas definições se baseiam de forma indireta no próprio conceito de tempo. Curiosamente, podemos "sentir" o tempo, medi-lo e organizar nossa vida em função dele, mas não conseguimos defini-lo sem cair numa espécie de círculo vicioso lógico. 


Como você explicaria o tempo para uma entidade que nunca o vivenciou? Diria que ele mede o intervalo entre dois eventos? Essa definição faz sentido, mas o que seria esse intervalo sem o tempo, se é o tempo que organiza os acontecimentos do passado em direção ao futuro? Como se vê, diferenciar passado e futuro sem o tempo é como tentar explicar o que é esquerda sem mencionar a direita ou qualquer outro ponto de referência espacial. 


Vemos o sol nascer e se pôr todos os dias, notamos a mudança das estações, usamos relógios cada vez mais precisos, capazes de medir intervalos absurdamente pequenos, mas isso prova que o tempo realmente existe ou é apenas a forma como o nosso cérebro interpreta as mudanças ao nosso redor, ou por outra, uma espécie de ilusão convincente? Ademais, o fato de percebermos o tempo não significa que ele é um componente fundamental da realidade. Para entender isso melhor, entremos em nossa máquina do tempo e voltemos ao início do século XX, quando a teoria da relatividade demonstrou que o tempo não é absoluto, pois depende do observador.


Nosso cérebro é uma máquina incrivelmente sofisticada, que armazena memórias do passado e projeta possibilidades para o futuro. No entanto, nossa percepção do tempo está longe de ser constante: quando estamos imersos numa atividade aprazível, ele parece voar, mas quando estamos prestes a borrar as calças e ouvimos de quem está no banheiro “só um minutinho!”, esse minuto pode parecer durar uma eternidade. 


Em vez de ler o tempo diretamente, o cérebro usa mecanismos internos para estimar a passagem do tempo. Esses mecanismos não são exatamente confiáveis: quando vivemos experiências novas, intensas ou fora da rotina, o registro de mais detalhes dá a sensação de que o tempo se alonga, ao passo que na repetição do dia a dia, quando nos damos conta, a semana já acabou. Além disso, nossas experiências se tornam mais previsíveis à medida que envelhecemos, dando-nos a sensação de que o tempo passa cada vez mais depressa, mesmo que os ponteiros do relógio avancem com a mesma velocidade com que avançavam na nossa infância. 


A despeito de os dias sucederem as noites (e vice-versa) a cada doze horas, o tempo não é o mesmo em todos os lugares. Dependendo da velocidade com que duas pessoas se movem e/ou da intensidade da gravidade a que estão submetidas, elas podem experimentar a passagem do tempo de maneiras diferentes. Numa velocidade próxima à da luz, a dilatação do tempo reduz milhares de anos terrestres a poucos segundos. Além disso, a dilatação gravitacional faz com que o tempo passe mais devagar ao nível do mar do que no topo do Monte Everest (fato comprovado por relógios atômicos posicionados com uma diferença de altitude de apenas alguns milímetros, mas suficiente para detectar que o tempo passa em ritmos distintos em cada um deles).


No livro Beyond Time, o pesquisador francês Michel Siffre relata que passou dois meses numa caverna escura, sem relógio nem qualquer outra maneira de saber o tempo, que tomava o próprio pulso e contava os segundos até 120 sempre que se comunicava por rádio com a equipe de apoio, e que o tempo real, cronometrado por seu staff, era de quase 5 minutos. Sem os indicadores naturais (como nascer e pôr-do-sol), seu ciclo circadiano  passou de 24 para 48 horas, e o tempo psicológico foi reduzido à metade do cronológico. O experimento se estendeu por dois meses — que pareceram para ele menos de um.


De acordo com um estudo publicado recentemente pela Nature Reviews Neuroscience, o hipotálamo dos "atrasados crônicos" os faz subestimar o tempo necessário para chegar ao local do compromisso, já que as estimativas são baseadas no tempo gasto para realizar a mesma tarefa no passado, e essas memórias nem sempre são precisas. Ademais, o estado emocional negativo nos dá a sensação de que o tempo está passando mais devagar, e o positivo, a sensação oposta. 


No auge da pandemia da Covid, muitas pessoas queriam "acelerar o tempo" para retomarem a "vida normal". Como emoção e motivação estão interligadas, o tempo pareceu passar ainda mais devagar — quanto maior a motivação, mais acentuada a mudança na percepção de tempo. Enquanto a sensação de aceleração tende a facilitar as conquistas, a desaceleração costuma evitar que demoremos muito em situações potencialmente prejudiciais. Quanto mais o tempo "demora a passar" numa situação de medo, por exemplo, mais rapidamente agimos para nos livrarmos do perigo.


Vale destacar que “ganhar tempo” ou “perder tempo” é um erro de perspectiva. O tempo não é uma moeda que podemos guardar ou desperdiçar, ele simplesmente passa, e tentar “economizá-lo” fazendo várias coisas simultaneamente (multitasking) nos leva a “perder” mais tempo do que se realizássemos uma atividade por vez. Dizem que as mulheres até conseguem, mas eu, particularmente, acho que isso não passa de folclore.


Pensamos no tempo como algo externo, mas ele é um conceito profundamente enraizado em nossa mente. Todos temos um "relógio interno" que regula o sono, a fome e a energia ao longo do dia, e é regulado pelo tempo. Alterá-lo trabalhando à noite ou dormindo em horários irregulares, por exemplo, afeta nossa saúde e compromete nosso bem-estar. Até a invenção da escrita, media-se o tempo com base em fenômenos naturais sazonais; mais adiante, os sumérios dividiram o ano em 12 meses de 30 dias e os egípcios criaram um calendário lunar baseado na estrela Sirius. No final do século XVI, o calendário Juliano foi substituído pelo modelo Gregoriano, que atualmente é adotado pela maioria dos países.


Na maioria das línguas, o passado é descrito como algo que ficou para trás, e o futuro, como algo que está sempre mais adiante. Mas até o idioma e o sistema de escrita (da esquerda para a direita ou vice-versa) fazem diferença. No inglês, as distâncias percorridas são usadas para explicar a duração dos eventos; no grego, o fluxo temporal é percebido como um volume crescente, não como distância física.

Para a física moderna, no entanto, a ideia de que o passado deixou de existir e o futuro ainda não aconteceu pode ser apenas uma limitação dos nossos sentidos. É aqui que entra o conceito do Universo em Bloco: imagine que a realidade é como evento filmado em película: embora nós, os personagens, só consigamos ver um frame por vez (o presente), o rolo inteiro — com o início, o meio e o fim — já está lá, impresso e estático.

Nessa perspectiva, o tempo não flui; ele simplesmente é. O nascimento de uma estrela, sua primeira xícara de café e o último suspiro do universo coexistem em uma estrutura quadridimensional de espaço-tempo. Se isso for verdade, o "agora" não passa de uma coordenada, como o número de uma página em um livro que já foi escrito. O destino, portanto, deixaria de ser uma escolha ou uma maldição para se tornar uma propriedade geométrica da realidade

Em face do exposto, atribuir um número de série a cada ano é como tentar aprisionar o tempo num calendário de parede — sempre haverá um ministro do STF disposto a soltá-lo. Brincadeiras à parte, talvez não seja o tempo que passa por nós — nós é que passamos por ele como grãos de areia entre as câmaras de uma ampulheta. Ou talvez a forma como o sentimos seja em grande parte uma construção da nossa mente.


Continua…

domingo, 19 de julho de 2026

ESPETINHOS DE CARNE, BACON E QUEIJO

FELICIDADE TEM NOME E SOBRENOME: COMIDA BOA.

Seja para impressionar os convidados, degustar com a família, ou mesmo sozinho, espetinhos de carne, bacon e queijo, macios e saborosos, são uma excelente pedida. Sobretudo com cerveja gelada no verão e vinho tinto de boa qualidade no inverno. 

Os ingredientes a seguir servem dez comensais ou cinco esfaimados — para menos pessoas, basta fazer o devido ajuste. Então tome nota:

— 2 quilos de coxão mole em bifes (pode substituir por mignon ou miolo de alcatra);
— ½ quilo de bacon;
— 400 gramas de queijo muçarela;
— Sal, pimenta-do-reino e molho chimichurri a gosto;
— 20 espetos de bambu ou madeira.

Espalme os bifes para que fiquem mais finos e uniformes e tempere toda a superfície com sal, pimenta-do-reino e uma leve camada de molho chimichurri. 

Monte camadas com carne, bacon e queijo, nessa ordem. e repita até no máximo 4 camadas de carne.

Após a montagem, leve à geladeira por aproximadamente 2 horas para firmar bem a estrutura e facilitar o corte.

Retire da geladeira e corte em pequenos quadrados ou cubos uniformes.

Espete nos palitos de bambu ou madeira. leve à churrasqueira até dourar bem por fora e atingir o ponto desejado da carne e do bacon.

Sirva com farofa, maionese de alho e chimichurri.

Bom proveito.

sábado, 18 de julho de 2026

WHATSAPP GANHA NOME DE USUÁRIO E PERMITE OCULTAR O NÚMERO DO TELEFONE

PEDRA QUE ROLA NÃO CRIA LIMO

O WhatsApp começou a liberar no final de junho a reserva de nomes de usuário — a primeira fase para usar o recurso que vai ocultar o número de telefone da conta. O uso efetivo, no entanto, deve ser liberado gradualmente para todos os usuários ao longo dos próximos meses.


Não haverá diretório público nem mecanismo de busca por nomes: para iniciar uma conversa, será necessário conhecer exatamente o nome de usuário da outra pessoa. Segundo a Meta, caso o nome escolhido já esteja em uso, o aplicativo sugerirá alternativas por meio de um gerador automático. A própria empresa recomenda escolher um nome difícil de adivinhar para reduzir contatos indesejados.


Após o lançamento definitivo, quem iniciar uma conversa por meio do nome de usuário deixará de exibir automaticamente o número de telefone ao destinatário, desde que o recurso esteja ativado. Com isso, o mensageiro passa a funcionar numa lógica mais parecida com Instagram, TikTok e outras redes sociais, bem como o Telegram, que oferece função similar há anos.


O aplicativo vai notificar os usuários quando a funcionalidade estiver disponível em cada país. Você pode verificar a função em Configurações > Conta > Nome de usuário, na versão mais recente do WhatsApp. A interface será intuitiva e, quando liberada, basta seguir as instruções exibidas na tela:


  1. Clicar em Criar nome de usuário;

  2. Verificar a disponibilidade do username escolhido;

  3. Clicar em Salvar.


Além do nome de usuário, o WhatsApp terá uma chave de acesso, recurso opcional de privacidade. Quando ativado, quem tentar iniciar uma conversa pela primeira vez usando o username precisará informar essa chave. O código poderá ser alterado a qualquer momento.


Criadores de conteúdo, empresas e organizações também poderão reservar no WhatsApp o mesmo nome de usuário utilizado no Instagram ou no Facebook, desde que as contas estejam vinculadas à Central de Contas da Meta.

sexta-feira, 17 de julho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — SOBRE A NATUREZA DO TEMPO E A TEORIA DE TUDO

OCULTAR SEU PASSADO É O MESMO QUE FECHAR A JANELA DA SUA VIDA.

Talvez não seja o tempo que passa por nós, mas nós que passamos por ele como grãos de areia entre as câmaras de uma ampulheta, e talvez a forma como o sentimos seja uma construção da nossa mente. 

A coisa fica ainda mais complicada quando deixamos a psicologia e focamos o campo da física: em algumas teorias modernas, como a da Gravitação Quântica em Loop, o tempo simplesmente não aparece nas equações fundamentais.

Para compreender isso melhor, devemos ter em mente que a Relatividade Geral diz respeito aos corpos gigantescos do Universo, como estrelas e planetas, enquanto a física quântica é a base da física nuclear e trata do universo das partículas menores do que os prótons e os elétrons. 

Curiosamente, as equações de Einstein não afrontam a física quântica e vice-versa: ambas coexistem sem se contradizerem formalmente, embora não se juntem numa teoria unificada. É como se a natureza tivesse duas explicações diferentes para seu funcionamento e nenhuma deles estivesse errada. Em outras palavras, mesmo que elas se expressem em idiomas diferentes, ambas pareçam dizer a verdade.

Observação: Para explicar esse aparente contrassenso, o físico italiano Carlo Rovelli compara a natureza a um velho rabino que, consultado por dois homens para resolver uma disputa, deu razão a ambos — e quando sua mulher ponderou que os dois não poderiam ter razão ao mesmo tempo, ele disse que ela também estava certa.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Políticos, quando hesitam em embarcar numa canoa ou ameaçam desembarcar dela, fazem-no porque vislumbram no horizonte a possibilidade de naufrágio. 

Projetos com presumida taxa alta de sucesso atraem adesões por gravidade. Foi assim que a direita aderiu pragmaticamente aos governos do PT, até abandonar o partido no governo Dilma Rousseff 2, e foi assim também que Jair Bolsonaro conseguiu transformar sua inicialmente desacreditada candidatura à Presidência num êxito eleitoral que deu nome a um movimento.

O chamado bolsonarismo, contudo, dá sinais de fragilidade na ausência do chefe. Ao contrário do petismo, que se manteve vivo mesmo com a prisão de Luiz Inácio da Silva, em 2018, e na ausência de postulantes a substitutos a ponto de ir pela quinta vez ao Palácio do Planalto em 2022, a corrente se dispersa sob a administração dos herdeiros.

O atrito com Michelle é só o gesto mais atrativo, do ponto de vista da intriga midiática. Outros menos chamativos têm significado político que indica franca indisposição da direita — seja ela extrema ou moderada — com a candidatura de Flávio Bolsonaro.


Os cientistas apreciam teorias elegantes, simples e funcionais, e talvez por isso essa aparente incompatibilidade entre os dois maiores pilares da física os estimule a buscar um terceiro, que escore ambos os campos de estudo. E é aí que surge a Teoria das Cordas, segundo a qual o mundo quântico é formado por minúsculos filamentos de energia — cordas unidimensionais que, vibrando em diferentes frequências, correspondem a diferentes partículas, assim como as cordas de um violão produzem diferentes notas musicais.


Essa teoria se apresenta como a candidata mais promissora para o papel de conciliadora, pois visa conectar todos os fenômenos naturais sob uma mesma descrição com uma elegância matemática extraordinária. É fato que os detratores dessa teoria torcem o nariz para a ideia de um mundo infinitamente pequeno que comporte as tais cordas. Aliás, esse antagonismo rendeu até briga no seriado The Big Bang Theory —, e que a gravidade quântica em loop dissolve essa tensão, já que não pretende ser uma Teoria de Tudo, e sim entender o Big Bang e o interior dos buracos negros — o que, convenhamos, não é pouco.


Tanto a Teoria das Cordas quanto a Teoria da Gravidade Quântica em Loop são apenas sugestões de visão de mundo. Além de não existir uma tecnologia que permita um tira-teima, a tensão entre os dois tipos de física não existe na Gravidade Quântica em Loop, que combina Relatividade Geral e Mecânica Quântica sem utilizar qualquer outra hipótese além dessas duas teorias devidamente reescritas para se tornarem compatíveis.


A Relatividade Geral sustenta que o espaço não é uma caixa rígida e inerte, como um recipiente em que jogamos as coisas, e sim um campo dinâmico e maleável — um imenso molusco em que estamos imersos, capaz de se comprimir e se retorcer na presença de massa e energia, e através do qual se propagam a luz e as ondas de rádio que chegam aos nossos olhos e ouvidos. Já a mecânica quântica define o universo como uma estrutura granular formada por pequenos pacotinhos (quanta), como os fótons que compõem a luz. A diferença é que os fótons vivem no espaço, enquanto os tais pacotinhos são eles próprios o espaço.


De acordo com o físico italiano o Carlo Rovelli, o espaço como recipiente amorfo das coisas desaparece da física com a gravidade quântica; as coisas (quanta) não habitam o espaço, e sim uma os arredores da outra — o espaço é o tecido de suas relações de vizinhança. Daí se depreende que, numa escala muito pequena, o espaço não é algo contínuo, mas tem como limite o limite dos pacotinhos que o formam.


A física teórica ditou o rumo dos experimentos durante décadas, mas, de um tempo a esta parte, ficou mais difícil apresentar uma nova hipótese que explique de maneira convincente questões que seguem em aberto. A própria história da física mostra que muitas teorias perderam força, enquanto outras foram colocadas de lado e retomadas tempos depois. Um bom exemplo é o Modelo de Huygens, segundo o qual a luz era onda, que foi o mais aceito Einstein explicar o efeito fotoelétrico, segundo o qual a luz se comporta tanto como onda quanto como partícula.


Mesmo tendo perdido um pouco de seu encanto, a Teoria das Cordas continua sendo a base da Teoria M, que busca unificar a Relatividade, que descreve o macrocosmo, e a Física Quântica, que remete ao universo microscópico das partículas subatômicas, bem como acomodar todos os fenômenos conhecidos sob o guarda-chuva de uma estrutura matemática elegante e universal. Mais que uma mudança de paradigma, ela é uma expansão ambiciosa do que entendemos por tempo e espaço, e parte de seu fascínio vem da capacidade de explicar a gravidade dentro de um arcabouço quântico (através de uma hipotética partícula chamada "gráviton").


Observação: Para essa teoria funcionar, é preciso que o universo tenha sete ou oito dimensões além das três espaciais e uma temporal, tão minúsculas que sejam impossíveis de detectar. Não obstante, se essa teoria estiver correta, então o Universo não é apenas mais estranho do que imaginamos, mas mais estranho do que podemos imaginar.


A Teoria das Cordas inclui ingredientes que combinam com descobertas experimentais recentes, como a ideia de que cada partícula tem um “parceiro” supersimétrico. No entanto, a despeito de sua beleza matemática, ela peca pela falta de evidências experimentais à luz da tecnologia atual: além de não termos como medir as dimensões extras, as energias necessárias para testar o modelo em questão estão muito além do alcance de qualquer acelerador de partículas existente ou previsto para os próximos anos.


A evolução dessa teoria abriu espaço para a Teoria M, e conceitos dela derivados vêm influenciando outras áreas da física teórica, como os estudos sobre buracos negros, a holografia e até as redes quânticas. Mesmo sem provas experimentais diretas, as cordas continuam sendo uma das possibilidades mais atraentes da física teórica. Se será testável um dia é uma questão que segue em aberto. Mas experimentos em gravidade quântica, avanços na detecção de partículas e até mesmo observações astronômicas de alta precisão podem fornecer pistas indiretas para confirmar ou refutar aspectos da teoria.


Ao fim e ao cabo, a física é como um farol no mar escuro da ignorância; a Teoria das Cordas pode não ser a luz final, mas ilumina muitos caminhos possíveis.

Continua…

quinta-feira, 16 de julho de 2026

CURIOSIDADES SOBRE ALBERT EINSTEIN

O QUE NOS DEFINE NÃO É A FORMA COMO NOS LEVANTAMOS DEPOIS DA QUEDA, MAS O QUE FAZEMOS PARA NÃO CAIR DE NOVO. 

Além de ser um dos maiores gênios da história da humanidade, Albert Einstein eternizou pérolas de sabedoria popular, entre as quais: “a vida é como andar de bicicleta; para manter o equilíbrio, você precisa continuar em movimento.”


O brocardo consta de uma carta enviada a seu filho Edward em 1930, quando o cientista passava por um momento conturbado, e embora não tenha ligação com um possível slogan motivacional, a metáfora pode ser aplicada em vários aspectos da vida.


A moral da história é que as pessoas devam continuar avançando, ainda que de forma lenta, pois o equilíbrio é encontrado enquanto o movimento segue, e não quando é paralisado. Ainda assim, Em última análise, a ideia é que dar pequenos passos no dia a dia é fundamental para recuperar a confiança, mesmo diante de situações das mais adversas.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Mais um movimento vomitativo tabuleiro político-eleitoral: Alexandre de Moraes proibiu o presidiário Jair Bolsonaro de receber visitas de seu primogênito, também conhecido como "Bolsonarinho" e pré-candidato à presidência desta pobre banânia — ainda mais pobre por ter como alternativa ao rebento do refugo da escória da humanidade a reeleição de um macróbio eneadáctilo, também conhecido como "o desempregado que deu certo". 

A proibição imposta pelo ministro vai até depois do primeiro turno das eleições, e se deve ao fato de Bobi Filho ter descumprido a medida cautelar que proíbe Bibo Pai de usar redes sociais, diretamente ou por terceiros, ao divulgar uma carta segundo a qual Flávio é"porta-voz" do pai e o candidato escolhido para representá-lo politicamente.

Moraes alegou que o filho do pai usou "expressões com carga semântica equivalente a pedido explícito de voto", classificou sua conduta como "instrumento de promoção política", enviou a decisão para o procurador-geral e mandou o Ministério Público Eleitoral apurar se o episódio configura propaganda eleitoral antecipada, além de dar prazo de 48 horas para os advogados do ex-presidente se manifestarem..

A carta em questão foi lida pelo pré-candidato durante transmissão nas redes sociais e também compartilhada em foto após uma visita ao pai. De acordo como o magistrado, a afirmação de que o documento era "imperdível" e "um recado muito importante" que seu pai queria transmitir aos brasileiros mostra que o aspirante a golpista sabia da divulgação nas plataformas, o que também configura desrespeito à medida cautelar.

O advogado da pré-campanha de zero um, Tracy Reinaldet, afirmou em nota que a decisão é ilegal e inconstitucional, e que a equipe tomará medidas para revertê-la, "sempre respeitando as instituições". Também em nota à imprensa, o coordenador da pré-campanha de Flávio, senador Rogério Marinho, declarou que a proibição é uma "clara interferência no jogo político" e uma tentativa de deixar Bolsonaro incomunicável.

Para Moraes, o filho do pai usou seu direito de visita para divulgar a carta nas redes sociais, o que configurou ostensivo desvio de finalidade no exercício de seu direito de visita. Disse ainda que o pré-candidato "é reincidente em sua conduta desrespeitosa às decisões judiciais" e citou o episódio em que ele transmitiu uma chamada de áudio do pai a manifestantes na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, em 2025.


Einstein não usava meias por considerá-las desnecessárias. Seu cabelo desgrenhado — que se tornou um símbolo de “cientista maluco” — era mantido assim porque ele desprezava os barbeiros. Entre outras excentricidades, era apaixonado por música clássica e carregava seu violino — apelidado carinhosamente de “Lina” — por onde quer que fosse. Curiosamente, até ouvir as obras de Mozart, ele abominava as aulas de violino incentivadas pela mãe, que era uma talentosa pianista.


O futuro gênio começou a falar aos 6 anos de idade. Diferentemente do que reza a lenda, não era mau aluno nem foi reprovado em matemática. Autodidata desde pequeno, não se interessava pela escola de seu tempo e execrava a pedagogia militarista e autoritária do Ginásio Luitpold, em Munique, onde cursou o equivalente ao nosso ensino fundamental. 


O famoso “pau” que levou aconteceu quando Einstein tinha 16 anos — dois a menos do que a idade média dos candidatos a uma vaga na Escola Politécnica de Zurique. Apesar de os exames de matemática e física terem impressionado a banca examinadora, suas provas de humanas foram uma negação. Mas acabou sendo aceito dois anos depois e se notabilizou pelas teorias da Relatividade Restrita (1905), da Relatividade Geral (1915) e do Efeito Fotoelétrico (1905), que reformularam os conceitos de tempo, espaço, gravidade e natureza da luz.


Em 1924, o físico visitou o Rio de Janeiro. Embora tenha reconhecido e agradecido pessoalmente o trabalho dos pesquisadores brasileiros, seus relatos íntimos revelam que ele menosprezava os interlocutores e culpava o clima tropical pelos costumes, que considerava inferiores. Em uma das passagens mais emblemáticas de seu diário, ele anotou: “Sou uma espécie de elefante branco para eles, e eles, uma espécie de macacos para mim.” Em outra, porém, escreveu: “A miscelânea de povos nas ruas é deliciosa: portugueses, índios, negros e tudo no meio, de modo vegetal e instintivo, dominado pelo calor.”


Observação: O físico usou o termo “índios” como símbolo de selvageria e inferioridade, mas ficou tão impressionado com o trabalho do general Cândido Rondon que chegou a recomendá-lo ao Prêmio Nobel da Paz. Por outro lado, suas anotações deixaram clara a ideia de uma suposta superioridade europeia — e também sua impaciência com o costume brasileiro dos grandes discursos elogiosos, que considerava enfadonhos.


Einstein casou-se em segundas núpcias com uma prima e prometeu à primeira mulher o valor do Prêmio Nobel de Física que viria a ganhar dali a dois anos — pelo efeito fotoelétrico, não pela relatividade. Em 1939, alertou o então presidente americano (Franklin D. Roosevelt) sobre a possibilidade de a Alemanha desenvolver bombas atômicas por meio da fissão de urânio.


A partir de então, os EUA criaram o Projeto Manhattan, responsável pela produção das bombas nucleares lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki em 1945. Anos depois, arrependeu-se de ter enviado a carta — em entrevista à revista Newsweek, afirmou que, se soubesse que os alemães não conseguiriam desenvolver uma bomba atômica, ele não teria feito nada.


Einstein morreu em 18 de abril de 1955, três anos depois de recusar o convite para ser o segundo presidente de Israel. Devido a seu ativismo político e origem alemã, o FBI manteve um arquivo de 1.427 páginas sobre ele. Seu cérebro foi roubado durante a autópsia pelo patologista Thomas Harvey, que pretendia estudá-lo para tentar entender sua genialidade.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

DESCOBERTOS NOVOS PLANETAS CIRCUMBINÁRIOS

PARTURIENT MONTES, NASCETUR RIDICULUS MUS.

Foram descobertos recentemente 27 novos planetas circumbinários (que orbitam duas estrelas) a distâncias que variam de 650 a 18 mil anos luz da Terra. Como esses astros se assemelham ao fictício planeta Tatooine, da saga Star Wars, a data ficou conhecida como o "Dia Star Wars".


Observação: Vale lembrar que, quando o primeiro episódio do filme foi lançado, os cientistas sequer sabiam da existência de exoplanetas, quanto mais de planetas circumbinários. 


Até então, apenas 18 exoplanetas circumbinários haviam sido descobertos — contra mais de 6 mil que orbitam estrelas solitárias, como acontece com a Terra em relação ao Sol. De acordo com Ben Montet, principal autor do estudo, "em astronomia as coisas nem sempre são tangíveis, mas graças à famosa cena do pôr do sol em Tatooine, no primeiro filme Star Wars, todo mundo tem uma ideia do que é um planeta circumbinário e como seria estar nele." 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


A Famiglia Bolsonaro protagonizou mais um capítulo de submissão ao governo Trump: em documento de 86 páginas enviado ao USTR, o primogênito do presidiário prometeu prometeu isolar o Pix de sistemas "não ocidentais", defendeu empresas de cartão americanas como Visa e Mastercard, e pediu o adiamento por 180 dias do tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros alegando que a medida prejudica suas chances eleitorais. 

Candidato a um inusitado quarto mandato, o molusco abjeto reagiu chamando o gesto de "entreguista" e afirmando que "Nossa Pátria não está à venda." Em outra frente do caso Master, ficou claro que o fundo Havengate, usado por Vorcaro para repassar R$ 61 milhões aos Bolsonaro nos EUA para custear o filme Dark Horse, era um projeto imobiliário fantasma no Texas que nunca saiu do papel.

Triste Brasil.


Estima-se que mais da metade das estrelas do Universo existem em sistemas binários ou mesmo com um número ainda maior de estrelas, e 27 desses objetos podem ter massas massas planetárias. O grupo descobriu esses potenciais planetas usando dados de um programa da NASA que busca especificamente por exoplanetas — planetas localizados fora do Sistema Solar. A técnica de detecção usada pelo grupo pode ser usada para detectar ainda mais planetas circumbinários no futuro, que tendem a ter ambientes muito diferentes daqueles encontrados em nosso Sistema Solar.


Outra equipe de cientistas anunciou recentemente os resultados de uma pesquisa de uma década para medir a constante gravitacional newtoniana, responsável por nos manter com os pés no chão, e os planetas, em órbita. Mas foram anos de esforço para um resultado pífio: a proposta de determinar a constante fundamental, que define a força da atração entre duas massas em qualquer lugar do universo, resultou em um número que discordava de descobertas anteriores, incluindo os resultados de um experimento que buscava replicar.


As constantes fundamentais da natureza são valores essenciais que definem o comportamento dos fenômenos físicos no universo — e não se alteram independentemente da posição no tempo ou no espaço. Elas incluem a velocidade da luz e a constante de Planck, que desempenha um papel fundamental na física quântica. O cientista que conduziu meticulosamente o experimento mais recente, iniciado em 2016, descreveu a experiência como "exaustiva". 


Por mais de 225 anos, cientistas vêm tentando medir a constante gravitacional, apelidada de "Grande G". O britânico Henry Cavendish realizou o primeiro experimento em 1798, mais de um século depois de Newton ter descoberto a força da gravidade, mas até hoje não se conseguiram chegar a uma medição com um nível de precisão comparável ao de constantes como a velocidade da luz (299.792.458 m/s) ou a constante de Planck, que é conhecida com oito casas decimais.


A gravidade é especialmente difícil de medir com precisão porque a percebemos como uma força muito forte, mas ela é muito mais fraca do que as outras três forças fundamentais — eletromagnética, nuclear fraca e nuclear forte — que mantêm os átomos e núcleos unidos. Isso fica evidente ao observarmos um ímã, que é relativamente pequeno, mas exerce uma força muito forte sobre objetos magnéticos.