Segundo o modelo cosmológico mais aceito, o Universo nasceu há cerca de 13,8 bilhões de anos, e nosso Sistema Solar, há aproximadamente 4,567 bilhões de anos, quando uma gigantesca nuvem de gás e poeira — conhecida como nebulosa solar primordial — entrou em colapso sob a ação da gravidade. A Terra se formou entre 10 e 100 milhões de anos mais tarde, e a Lua provavelmente resultou do colossal impacto de um protoplaneta chamado Theia.
Flávio Bolsonaro ainda não se deu conta, mas a pior vingança de um político é permanecer fiel ao erro. Neste sábado, num comício em São Gonçalo (RJ), o candidato não só falou como se estivesse eleito, mas também atribuiu ao seu êxito presumido um caráter de revanche contra os que fizeram do seu pai um presidiário. Discursando do alto de um carro de som, o filho do tal presidiário vociferou: "Vocês verão aqueles que tentaram calar Jair Messias Bolsonaro, aqueles que tiraram o poder dele na mão grande são os mesmos que estão colocando Flávio Bolsonaro na cadeira de presidente". Nessa versão, Bolsonaro é convertido de líder do complô do golpe em vítima de perseguição.
Em condições normais, as declarações do primogênito do refugo da escória da humanidade seriam apenas palavras ocas de um filho magoado. O problema é que as falas foram acompanhadas da reiteração de uma dissonância cognitiva, como demonstra a reafirmação que será entronizado no cargo de presidente pelo pai: "Vocês verão Jair Messias Bolsonaro colocando a faixa de presidente."
De duas, uma: ou o sacripanta supõe que conseguirá arrancar do Congresso uma anistia entre sua eventual vitória e a posse, ou conta com um empurrãozinho de Nunes Marques — relator do pedido de revisão criminal formulado pela defesa do condenado — que levará o tema à pauta após a proclamação do resultado do segundo turno. Nesse entretempo, Brasília treme com a hipótese de Nunes Marques conceder uma liminar que liberte Bolsonaro.
Na política brasileira, como nas novelas, a vingança é um desfecho tão antigo quanto usual. Mas a transformação do Supremo e de Alexandre de Moraes em cabos eleitorais e de Bolsonaro em ex-presidiário por liminar seria um epílogo inusitado para o projeto de revanche.
Em 2006, Plutão deixou de ser considerado o nono planeta do Sistema Solar para ser reclassificado como planeta anão, e hoje sabemos que Júpiter, Urano e Netuno também possuem sistemas de anéis. Mais impressionante ainda é a quantidade de satélites naturais conhecidos: Júpiter já soma 115 luas, enquanto Saturno lidera com 292, segundo as contagens mais recentes.
Ao longo de 2026, esse inventário continuou evoluindo. Em março, eram conhecidas 101 luas de Júpiter e 285 de Saturno; poucas semanas depois, novas confirmações do Minor Planet Center elevaram ainda mais a contagem, fazendo o Sistema Solar ultrapassar a marca de 440 luas oficialmente reconhecidas.
Saturno mantém essa liderança graças à sua imensa esfera de Hill — a região onde sua gravidade consegue reter satélites — e também porque há fortes indícios de que antigas luas maiores tenham se fragmentado em incontáveis pedaços, hoje detectáveis apenas pelos telescópios mais poderosos do mundo, como o Magellan-Baade, instalado no Chile.
Júpiter, Saturno, Urano e Netuno são conhecidos como gigantes gasosos por serem constituídos principalmente de hidrogênio e hélio. Suas atmosferas são espessas e eles não possuem uma superfície sólida propriamente dita. Mercúrio, Vênus, Terra e Marte, por sua vez, são classificados como planetas terrestres por apresentarem composição predominantemente rochosa ou metálica. Embora Urano e Netuno também possuam anéis, nenhum deles rivaliza com o espetacular sistema de Saturno, formado por bilhões de fragmentos de gelo, poeira e rochas.
Saturno — o sexto planeta a partir do Sol e o segundo maior do Sistema Solar— recebeu o nome do deus romano do tempo porque leva aproximadamente trinta anos terrestres para completar uma volta ao redor do Sol. Uma de suas luas mais famosas, Encélado, abriga um oceano global de água líquida sob uma espessa camada de gelo, aquecido pela ação das forças de maré. E, onde há água líquida existe a possibilidade haver ambientes favoráveis à vida.
Apesar de possuir um núcleo rochoso, Saturno é composto quase inteiramente por hidrogênio e hélio. Sua densidade média é tão baixa que, em teoria, ele flutuaria se existisse um oceano grande o suficiente para comportá-lo. Um dia saturniano dura apenas 10 horas e 32 minutos, a rotação extremamente rápida faz com que o planeta seja achatado nos polos e dilatado no equador, e a temperatura média em suas nuvens gira em torno de -178 °C.
Até poucos anos atrás, a disputa entre Júpiter e Saturno pelo título de planeta com mais luas parecia relativamente equilibrada, mas isso mudou depois que novos telescópios se tornaram capazes de revelar satélites cada vez menores. Inicialmente, as descobertas aconteciam gradualmente, quase sempre em pequenos grupos, mas em 2025 os astrônomos anunciaram a confirmação de 128 novas luas saturnianas, consolidando sua liderança de forma incontestável.
Esse salto não ocorreu porque alguém apontou um telescópio para Saturno numa única noite e se deparou com 128 novos mundos. O que aconteceu foi bem mais interessante: após anos reunindo observações, a União Astronômica Internacional (IAU) reconheceu oficialmente um grande conjunto de pequenos objetos como satélites naturais do planeta, depois de comprovar que todos eles realmente percorriam órbitas estáveis a seu redor.
A Universidade da Colúmbia Britânica resumiu a descoberta de forma direta: 128 novas luas de Saturno foram reconhecidas pela IAU graças ao trabalho conjunto de pesquisadores de Taiwan, Canadá, Estados Unidos e França. A confirmação elevou a contagem oficial de 146 para 274 luas — um número que, à época, superava o total de satélites naturais conhecidos de todos os demais planetas do Sistema Solar reunidos.
A palavra "lua" pode sugerir corpos grandes e arredondados, semelhantes ao satélite natural da Terra, mas a maioria dessas novas integrantes da família saturniana é formada por pequenos satélites irregulares, muitos deles com apenas alguns quilômetros de diâmetro, movendo-se em órbitas distantes, inclinadas e bastante excêntricas.
A própria NASA descreve o sistema saturniano como um conjunto extremamente diverso, que vai desde Titã — maior do que o planeta Mercúrio — até pequenos corpos que mal ultrapassam o tamanho de uma arena esportiva. Essa enorme variedade explica por que a contagem de luas cresce tão rapidamente: os levantamentos modernos já não identificam apenas os grandes satélites, mas também fragmentos muito menores, remanescentes da longa história dinâmica de Saturno.
No trabalho publicado em 2025, os pesquisadores utilizaram o Telescópio Canadá–França–Havaí (CFHT) para monitorar repetidamente as regiões ao redor do planeta e combinaram diversas imagens por meio de uma técnica conhecida como shift-and-stack ("deslocar e empilhar"), que alinha sucessivas fotografias de acordo com o movimento esperado de um objeto distante. Dessa forma, o brilho extremamente fraco desses pequenos satélites é reforçado, enquanto o ruído de fundo é reduzido, tornando possível revelar corpos praticamente invisíveis em observações convencionais.
Para não estender ainda mais este texto, o restante fica para o post de amanhã. Até lá.





