domingo, 10 de dezembro de 2017

O DEMIURGO DE GARANHUNS E O “IRMÃO” MUAMAR KADAFI


Na edição desta semana, a revista VEJA revelou parte do conteúdo da delação de Antonio Palocci. Dentre outras coisas, o ex-superministro petralha afirma que o PT e seu eterno presidente de honra receberam dinheiro da Líbia pelas mãos do então ditador Muamar Kadafi.

Claro que, para Lula, isso não passa de mentiras, da mesma forma como são mentirosas as acusações que o levaram a ser sentenciado a 9 anos e meio de prisão num dos (sete) processos penais em que é réu. Ninguém fala a verdade neste país, a não ser o próprio Lula, a “alma viva mais honesta do Brasil”, também conhecido como Pai dos Pobres e Redentor dos Miseráveis, que vê em si mesmo o único vivente neste planeta, quiçá em toda a galáxia, capaz de reverter as consequências funestas do governo Temer  ― que na verdade foram gestadas e paridas nos governos de Lula e de sua inominável sucessora. Para os leitores de raciocínio mais lento, volto a dizer que, embora seja o “terceiro tempo” das administrações lulopetistas, é inegável que o atual governo salvou a economia tupiniquim da bancarrota; gostemos de Temer ou não, seja ele corrupto ou não, não podemos deixar de lhe conceder esse crédito.

Ironicamente, foi o deputado Jair Messias Bolsonaro ― hoje o principal concorrente de Lula à presidência da República em 2018 (ou pelo menos é o que dão conta as pesquisas de opinião pública) ― que subiu à tribuna da Câmara, em 2011, para denunciar que o petralha havia recebido dinheiro da Líbia (na última sexta-feira, Bolsonaro postou em sua página no Facebook o vídeo do seu pronunciamento). 

Observação: Bolsonaro nunca foi levado a sério pelos jornalistas que cobrem o Congresso, e sua denúncia foi solenemente ignorada, mas a matéria publicada por VEJA deve produzir efeitos bombásticos, até porque a legislação eleitoral pune com proscrição o partido que receber dinheiro de fontes estrangeiras.

A imagem que ilustra esta postagem, reproduzida na sinopse que VEJA publicou em seu website, foi capturada no encontro da Cúpula América do Sul-África, que aconteceu na Venezuela em 2009, quando Lula era presidente da Banânia e Kadafi comandava a Líbia (não muito tempo depois, o tiranete, que governou aquele país por 42 anos, seria deposto e executado). A foto retrata dois líderes que se diziam “irmãos” e exibe ao fundo o índio de merda Evo Morales, presidente da Bolívia. 

Coronel do Exército, Kadafi liderou um golpe em 1969; no poder, censurou a imprensa, reprimiu adversários, impôs leis que permitiram punições coletivas, prisão perpétua, tortura e morte a quem contrariasse o regime e financiou grupos terroristas e movimentos políticos em vários cantos do planeta. Segundo afirma Palocci em sua proposta de delação, o ditador líbio enviou secretamente ao Brasil US$ 1 milhão para financiar a campanha eleitoral do então candidato Lula.

Co-fundador do PT, ex-prefeito de Ribeirão Preto, ex-ministro da Fazenda do governo Lula e ex-chefe da Casa Civil da Rainha Bruxa do Castelo do Inferno, Palocci assumiu a coordenação da campanha de Lula à presidência, em 2002, depois do (misterioso) assassinato de Celso Daniel, e esteve no centro das mais importantes decisões do partido nas últimas duas décadas. Foi ele quem teve a ideia de lançar um manifesto público assegurando o compromisso de Lula com a estabilidade econômica (que ficou conhecido como “Carta ao povo brasileiro”), quem coordenou a equipe de transição e quem angariou o respeito do empresariado ao longo da campanha. Em 2006, depois que veio a público o escândalo do Mensalão, Palocci deixou o governo e evitou durante anos as luzes da ribalta, mas foi convocado por Lula para ajudar a eleger Dilma sua sucessora. 

Para Lula, até o depoimento arrasador que Palocci deu ao juiz Moro, o ex-ministro fora “o melhor ministro da Fazenda que o Brasil já teve”, e teria sido o escolhido para concorrer à presidência se não tivesse sido forçado a deixar o governo pela porta dos fundos. Sobre esse velho amigo e companheiro de tantas batalhas, assim se pronunciou o abjeto molusco de duas caras e nove dedos: Eu ouvi atentamente o depoimento do Palocci. Uma coisa quase que cinematográfica, quase que feita por um roteirista da Globo. Você vai dizer tal coisa, os lides (sic) são esses. Prepararam alguns lides (sic) pra ele dizer e ele foi dizendo habitualmente, lendo alguma coisa. Eu conheço o Palocci bem. O Palocci se ele não fosse um ser humano ele seria um simulador. Ele é tão esperto que é capaz de simular uma mentira mais verdadeira que a verdade. Palocci é médico, é calculista, é frio”.

Condenado a doze anos por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Palocci está preso preventivamente em Curitiba, e há sete meses negocia um acordo de delação premiada. Um dos capítulos da sua proposta de colaboração trata das relações financeiras entre Lula e o ditador líbio, e tem potencial para fulminar o PT e o próprio ex-presidente petralha.

Resta saber se nossas “instituições” estão realmente funcionando...

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