quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 76ª PARTE

QUANDO VOCÊ ESTÁ NUM POÇO E O DESTINO LHE DÁ UMA CORDA, CABE A VOCÊ USÁ-LA PARA SUBIR OU SE ENFORCAR.  

Em outubro de 2020, astrônomos flagraram ao vivo uma estrela sendo transformada em "alimento" para um buraco negro, em um raro espetáculo de espaguetificação.


Esse fenômeno ocorre quando um objeto se aproxima do horizonte de eventos do buraco negro, onde a força gravitacional é tamanha nem a luz consegue escapar. Assim, a parte mais próxima da estrela é puxada com maior intensidade e se alonga em filamentos finos e extremamente compridos.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Três dias depois de dizer que as emendas parlamentares viraram um "sequestro", Lula mandou pagar um resgate de R$1,5 bilhão. Neste presidencialismo de cooptação, onde os parlamentares se apropriam de 22% da verba federal disponível para investimento, parte dessa dinheirama lubrifica campanhas e esquemas de corrupção, e a corrosão do orçamentária vira um sequestro das necessidades do povo pobre em nome da propensão dos oligarcas para usar o Erário como puxadinho privado.

No discurso em que fez pose de refém do sistema, Lula soou hipócrita quando instou sua claque a reagir. Isso porque a vala da farra do Orçamento submete o governo a um ritual pluripartidário, pós-ideológico e pré-falimentar.

Em 2022, o então candidato prometeu mudanças; eleito, nem tentou, e o Congresso enfiou no Orçamento de 2026 R$61 bilhões em emendas. 

Ainda não se viu nenhum parlamentar governista pegando em lanças para defender os cofres públicos.


Os buracos negros já foram fotografados e tiveram seus efeitos na passagem do tempo comprovados cientificamente, mas os buracos de minhoca — também chamados de Pontes Einstein-Rosen — continuam no reino das especulações. Supõe-se que estes funcionem como "atalhos" no espaço-tempo, conectando dois pontos distantes (neste ou em outro universo, no presente ou em outro ponto da linha do tempo).


Em tese, uma espaçonave que conseguisse atravessar um buraco de minhoca poderia percorrer milhares de anos-luz e chegar a galáxias remotas numa questão de segundos. No entanto, a distorção que essas "fendas" criam no espaço-tempo também poderiam centuplicar a duração de uma viagem da Terra a Marte, por exemplo, que a sonda Mars Insight fez em cerca de 6 meses. Mas os problemas não param por aí.


Esses "túneis" tendem a ser minúsculos e instáveis (ou seja, abrem e fecham numa fração segundo, o que os tornaria inatravessáveis). Ainda que assim não fosse, não sabe se eles atraem matéria por uma boca e a regurgitam pela outra ou se ambas as bocas engolem e nenhuma cospe — nesse caso, a matéria seria empurrada de uma extremidade para a outra num looping insano, até finalmente morrer no ponto central do "túnel".


A conexão dos buracos de minhoca com a física quântica foi proposta pela primeira vez em 2013, quando se especulou que eles seriam equivalentes ao emaranhamento. Essa ideia foi estendida anos depois aos hipotéticos buracos de minhoca — que a energia repulsiva negativa manteria abertos por tempo suficiente para torná-los atravessáveis. Tal processo foi chamado pelos pesqpuisadores de teletransporte quântico (para mais detalhes, clique aqui).


Nenhum buraco negro pode devorar uma galáxia inteira. Aliás, nem mesmo as estrelas mais próximas do centro galáctico são facilmente engolidas, o que é um alívio para nós, pois o Sistema Solar orbita a 26 mil anos-luz de Sagittarius A* — buraco negro supermassivo no coração da Via Láctea cujo alcance gravitacional é limitado demais para capturar toda a galáxia.


A atração gravitacional dos buracos negros advém do fato de eles terem a massa de uma estrela concentrada em um ponto minúsculo. Se o Sol se tornasse um buraco negro (o que é impossível por falta de massa), as órbitas planetárias, cometas e asteroides permaneceriam inalteradas — nada seria devorado.


Não se sabe ao certo o que aconteceria com quem cruzasse o horizonte de eventos de um buraco negro, mas sabe-se que a distorção do espaço-tempo causa a dilatação gravitacional do tempo, que altera radicalmente a percepção de espaço e tempo. Do exterior, um objeto caindo pareceria encolher ao se aproximar do horizonte de eventos, levando tempo infinito para cruzá-lo. Sua luz ficaria mais vermelha e escura — o desvio gravitacional para o vermelho —, e um relógio gigante desaceleraria, avermelharia e sumiria.


Para os ocupantes de uma nave indestrutível, nada disso seria notado — o relógio ticaria normalmente ao cruzar o horizonte —, mas, pela relatividade geral, o Princípio de Equivalência de Einstein os cegaria para sua localização exata, enquanto forças tidais os esticariam verticalmente e comprimiriam horizontalmente, como um espaguete.


Explosões estelares geram ondas de choque que formam novas estrelas, sistemas e buracos negros. Mesmo os supermassivos no centro galáctico já devoraram o que podiam e não crescem mais. Colisões galácticas podem criar buracos negros maiores, mas são raras: o universo expande, afastando galáxias. A Via Láctea e Andrômeda devem se fundir, mas seus buracos negros centrais dificilmente colidirão.


Os buracos negros ganham massa ao devorar matéria e encolhem lentamente devido à Radiação Hawking. Essa radiação se forma porque o espaço não é um vácuo, e sim um mar de partículas que surgem e desaparecem constantemente.


Se um par dessas partículas virtuais for criado arbitrariamente perto de um buraco negro, uma particula será puxada para dentro dele e a outra escapará para o espaço, roubando energia.


Como esse processo leva bilhões de anos para acontecer, buracos negros com dezenas ou centenas de vezes a massa do Sol continuarão existindo por muito, muito tempo. 


Continua…