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quarta-feira, 13 de maio de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 104ª PARTE — O ENTRELAÇAMENTO QUÂNTICO E A SETA DO TEMPO

WE ARE ALL TIME TRIPPERS 

Nossos ancestrais começaram a medir a passagem do tempo quando notaram padrões no amanhecer e no anoitecer, nas fases da Lua e nas estações, por exemplo. Mas a física moderna sugere que o tempo pode ser uma ilusão.

O que convencionamos chamar de "dia" é o intervalo de uma meia-noite à seguinte; o que chamamos de "mês", uma sequência de 28 a 31 dias; e o que chamamos de "ano", um ciclo de aproximadamente 365 dias e 6 horas — arredondamento que explica a existência dos anos bissextos.

O que cada pessoa faz a cada dia é subjetivo: no mesmo dia que você volta de férias e desfaz as malas eu posso estar arrumando as malas para sair de férias — e vice-versa. Segundo a teoria da relatividade de Einstein, o Universo é um bloco quadridimensional estático que contém o espaço e o tempo simultaneamente, sem um “agora” especial. Consequentemente, o tempo não flui do passado para o futuro, mesmo porque o que é futuro para um observador pode ser passado para outro. As equações relativísticas de Einstein levaram ao que os filósofos chamam de "eternismo", cuja ideia central é a de que passado, presente e futuro existem com o mesmo status ontológico — ou seja, o que chamamos de "agora" é apenas uma fatia arbitrária desse bloco quadridimensional. 

Antes de Einstein, o “presente” era compartilhado por todos no universo: existia um “Grande Agora”. A gente podia olhar para o relógio, ver que marcava meio-dia, por exemplo, e dizer que muitas coisas estavam acontecendo “agora”, mesmo para pessoas muito distantes de nós. Com as equações do físico alemão, isso deixou de ser verdade.


Cada um só pode falar sobre o "presente" a partir de seu próprio referencial. O "Grande Agora", que se estendia por todo o Universo, deixou de existir. O que está acontecendo "agora" da sua perspectiva pode parecer muito diferente para um hipotético alienígena viajando numa nave espacial a uma velocidade incrivelmente alta. 


Observação: A 99,999999999999999999981% da velocidade da luz, que é de 1,08 bilhão de km/h, a dilatação do tempo faz com que um segundo no referencial do viajante equivalha a 2,5 anos no tempo terrestre (como bem demonstrado pelo paradoxo dos gêmeos). Em um cenário mais moderado, chegar a Alpha Centauri (que dista 4,367 anos-luz da Terra) viajando a essa velocidade levaria mais de 4 anos terrestres, mas o trajeto seria completado em menos de duas horas no referencial dos astronautas.


O fato de a simultaneidade ser relativa ao observador conflita com a mecânica quântica, na qual o tempo funciona como um parâmetro externo e universal, não sujeito à incerteza quântica como posição e momento. Em outras palavras, a relatividade exige que o tempo seja local e relacional, enquanto a mecânica quântica o trata como um pano de fundo fixo e comum a todos os observadores.


No entanto, a ideia de que o tempo é uma construção mental não é nova (detalhes nesta postagem).. Em meados do século XVII, as Leis de Newton já eram simétricas no tempo — ou seja, suas equações funcionam igualmente bem se imaginarmos pessoas andando para trás, relógios retrocedendo da tarde para a manhã ou frutas subindo do chão para os galhos das árvores.


De acordo com um artigo publicado na revista Physical Review A, o tic-tac do relógio é apenas uma representação conveniente de uma série de eventos emaranhados, pois o tempo não é uma dimensão contínua e independente, mas uma sequência de acontecimentos correlacionados que emergem do entrelaçamento quântico.


Na visão dos autores, o tempo é uma ilusão, e conceitos como passado, presente e futuro são simples convenções que usamos para descrever nossa experiência subjetiva. Isso explica por que as equações da física quântica são simétricas no tempo — ou seja, funcionam tanto para frente quanto para trás. O próprio Einstein costumava dizer que a distinção entre passado, presente e futuro é apenas "uma ilusão teimosamente persistente". Mas se é assim, de onde vem a flecha do tempo?


A flecha que avança do passado para o futuro surge somente quando nos afastamos do mundo microscópico em direção ao macroscópico. Isso tem a ver com o fato de olharmos para as coisas grandes e ignorarmos os detalhes. Isso não significa que o mundo seja fundamentalmente orientado no espaço e no tempo, mas, quando olhamos à nossa volta, vemos a direção na qual a entropia dos objetos do dia a dia aumenta — como a fruta madura que cai da árvore e apodrece no chão, sem nunca fazer o caminho inverso.


A Segunda Lei da Termodinâmica diz que a entropia de um sistema isolado sempre aumenta. Por estar indissociavelmente ligada à direção do tempo, ela é a única lei da física com direcionalidade temporal que perde essa característica quando se fecha o foco em coisas muito pequenas. A entropia de um cubo de gelo aumenta conforme ele é aquecido, já que suas moléculas se movimentam com mais liberdade quando o gelo derrete e se transforma em água líquida — e mais ainda quando a água ferve e se transforma em vapor. Mas isso levanta uma questão perturbadora: se as leis microscópicas são simétricas no tempo, então a assimetria que sentimos como "o tempo fluindo" pode ser apenas um fenômeno estatístico.


O físico Ludwig Boltzmann passou anos tentando explicar por que o Universo começou com entropia tão baixa. A resposta moderna aponta para o Big Bang como uma condição inicial de baixíssima entropia, mas isso apenas empurra o mistério para trás. Na tentativa de unificar a relatividade geral com mecânica quântica, a gravidade quântica em loop e outras abordagens chegam a uma conclusão chocante. A famosa equação de Wheeler-DeWitt — uma tentativa de equação quântica para o Universo inteiro — simplesmente não tem o tempo como variável. O universo, descrito matematicamente, é estático.


Para o físico Carlo Rovelli, o tempo não existe para uma única partícula, mas emerge de interações entre muitos sistemas, e seu "fluir" seria nossa percepção de um aumento de correlações com o ambiente — nossa velha conhecida entropia novamente. Por outro lado, a física ainda não sabe responder porque, se as leis são simétricas, temos memória do passado e não do futuro? O que exatamente colapsa a função de onda, e isso define um "agora"? Como reconciliar o tempo relativo de Einstein com o tempo como parâmetro externo da mecânica quântica?


Alguns físicos — como Roger Penrose — sugerem que a experiência subjetiva do tempo pode ter raízes quânticas no cérebro. Uma ideia controversa, mas é curioso que nossos ancestrais tinham acesso a algo genuinamente misterioso simplesmente observando o Sol e a Lua, e nós, com toda a física moderna, não sabemos sequer se o tempo existe.


Continua…

quarta-feira, 15 de abril de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — AINDA SOBRE A CONSCIÊNCIA

SESSENTA ANOS ATRÁS, EU SABIA TUDO. HOJE, SEI QUE NADA SEI. A EXPERIÊNCIA É: SE ALGUMA COISA PODE DAR ERRADO, DARÁ, E DA PIOR MANEIRA, NO PIOR MOMENTO E DE MODO A CAUSAR O MAIOR DANO POSSÍVEL.

Um experimento conhecido como borracha quântica de escolha retardada comprovou que, ao atravessarem uma barreira com duas fendas, os fótons podem se comportar tanto como partícula quanto como onda, “decidindo” a cada vez como agir com base na maneira com que são observados.


Esse experimento utilizou fótons emaranhados e espelhos para retardar a escolha em tempo real em relação ao observador, visando “forçar” a luz a reagir a uma decisão que ainda não fora tomada, e os fótons não se deixavam enganar, demonstrando que as decisões de hoje podem ser o resultado das escolhas de amanhã.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


O relatório final da CPI do Crime Organizado, que pedia o indiciamento de três ministros do Supremo e do PGR, foi rejeitado com a ajuda decisiva do governo federal. Mas a repercussão desse formidável escândalo político ficou — e é de proporções que nenhum noticiário fabricado sob medida conseguirá encobrir por muito tempo.

O relatório é uma peça política dentro de um embate muito mais amplo entre os Poderes, e, no momento atual, a crise institucional é pautada não apenas por decisões do STF enquanto colegiado, mas pela conduta individual de alguns de seus membros — notadamente aqueles que a CPI tentou indiciar. Essa distinção importa, mas não muda o fato de que a crise de credibilidade e de legitimidade da corte transformou-se em fator eleitoral de grande projeção, e é aí que reside o verdadeiro escândalo político: um tribunal que deveria estar acima das disputas tornou-se protagonista delas, e não por acaso.

Com o poder do Supremo visto como exagerado, injusto e inaceitável por uma parcela significativa dos eleitores, a resposta de pelo menos um dos ministros citados no relatório foi a de sempre: a cassação dos senadores que ousaram pedir o indiciamento das togas, sob o pretexto de que críticas à Corte equivalem a ataques à democracia. É o tipo de argumento que não cola mais — se é que colou algum dia fora dos círculos que se beneficiam dele. Confundir a instituição com as pessoas que a ocupam é um truque antigo; usá-lo para silenciar adversários é algo que tem nome, e esse nome não é democracia.

A crise do Supremo tem dono, e esse dono é o próprio Supremo. Seus ministros sabem tanto o tamanho do abismo quanto a razão pela qual ele apareceu sob seus pés. Edson Fachin, atual maestro do supremo circo mambembe, gosta de lembrar que cada "clown" é responsável pelas próprias escolhas. Perfeito. Se fosse levado a sério por todos ali dentro, o espetáculo chinfrim não estaria rolando desfiladeiro abaixo graças a magistrados que imaginam não dever explicações a ninguém — muito menos ao povo em cujo nome deveriam exercer o poder.

Houve um tempo em que eu tive vergonha de ser brasileiro. Hoje, tenho nojo.


Ao longo dos últimos 50 anos, cientistas conceituados realizaram uma série de testes que fortaleceram a tese da consciência não—local. Curiosamente, tentativas meticulosas de repetir ensaios como o Experimento Ganzfeld fracassaram ou foram inconclusivas, levando os céticos a tratar a noética como pseudociência e seus defensores como afoitos ou charlatões.


O psicólogo social Daryl Bem, autor de um artigo controverso chamado Sentir o Futuro (2011) — forneceu aos participantes de um experimento uma lista de palavras aleatórias e lhes pediu que as memorizassem. No dia seguinte, ele entregou uma seleção curta de palavras escolhidas aleatoriamente e pediu que as memorizassem. Os resultados do primeiro dia indicaram claramente que os participantes tinham maior probabilidade de recordar palavras que só veriam e memorizariam no segundo dia. Isso pode parecer incrível, mas resultados como esse alimentam a hipótese de que a retrocausalidade é real, como observaram pesquisadores sérios em diversos experimentos. 

  

Na história religiosa, alegações publicadas são frequentemente atacadas no debate entre crédulos e incrédulos. A datação por carbono 14 comprovou que Sudário de Turim era 1.200 anos posterior à crucificação de Cristo. A célebre Inscrição do Ossuário de Tiago de 2002 também foi falsificada, a exemplo do decreto imperial conhecido como Doação de Constantino, que se revelou uma fraude criada pela Igreja para consolidar seu poder.


A ideia de que o tempo anda para trás parece não fazer o menor sentido, mas é bom lembrar que o conceito de seta do tempo remonta à Segunda Lei da Termodinâmica, que foi proposta por Nicolas Léonard Sadi Carnot no século XIX, e não é uma unanimidade entre os cientistas, já que a entropia descreve fenômenos macroscópicos, e as interações fundamentais da física em escalas microscópicas — como as equações da mecânica quântica e da relatividade geral — funcionam igualmente nos dois sentidos do tempo.


Voltando à consciência não-local, se os noéticos estiverem certos, o Universo não é limitado pelo tempo linear, como os seres humanos o vivenciam, pois opera como um “todo atemporal” no qual passado, presente e futuro coexistem. Se um atleta bate um recorde mundial, ninguém conclui que as câmeras enganaram todo mundo ou que os espectadores sofreram uma alucinação coletiva. E o fato de o mesmo feito não ser reproduzido por outros atletas não significa que ele não ocorreu. 


A replicabilidade é fundamental no processo científico, mas torna-se problemática quando descemos ao nível quântico, mesmo porque a característica mais marcante da física quântica é justamente a imprevisibilidade. Ondas de probabilidade, flutuações quânticas, tunelamento quântico, superposições, dualidades, caos e o princípio da incerteza podem ser descritos em linguagem comum como “não se sabe o que vai acontecer porque as regras da física clássica não se aplicam”. 


Já a consciência não é um órgão físico, feito de carne e osso. A dificuldade em observá-la com qualquer previsibilidade ou replicabilidade advém do fato de ela existir no plano quântico. Tentar observá-la com a própria consciência seria como tentar observar nossos próprios olhos sem usar um espelho.


Continua…

sexta-feira, 13 de março de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 84ª PARTE

SOMOS TODOS VIAJANTES DO TEMPO.

Antes da ciência, a mitologia tentava explicar o mundo e tudo o que nos cerca. Na mitologia grega, Cronos era conhecido por devorar seus filhos, deu origem ao termo cronológico, que usamos para situar os acontecimentos na linha do tempo. Para os hindus, a imagem de Shiva dançando representa o próprio universo: nos cabelos da divindade, um crânio e uma lua nova simbolizam a morte e o renascimento; numa das mãos, o tambor do tempo tiquetaqueia à medida que exclui o conhecimento daquilo que é eterno; na outra mão, uma chama queima o véu do tempo, abrindo a mente humana para a eternidade. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Luiz Inácio Falou, Luiz Inácio avisou: “São 300 picaretas com anel de doutor”. Os mais jovens talvez não conheçam, mas esse é o refrão de uma música dos anos 1990, da banda Paralamas do Sucesso

Luiz Inácio é Lula, que, à época, achava que o Congresso era composto por “Uma maioria de 300 picaretas”. Como nada é tão ruim que não possa piorar, hoje são bem mais do que três centenas, e o outrora suposto adversário dos 300 picaretas tornou-se um de seus principais cúmplices.

Dias atrás, em “defesa indefensável” de Dias Toffoli — que, dentre outras bizarrices jurídicas, aceitou a relatoria de um inquérito do qual é parte interessada, portanto, suspeita —, o ministro Flávio Dino justificou: “Sou STF Futebol Clube”. Ou por outra: pouco importa o que esteja em questão, o amigão do amigo de meu pai — isto é, Dino e Lula — estará sempre, incondicionalmente, ao lado da sua corporação. Não só ele, claro. Em nota oficial assinada por todos os ministros, inclusive o “suspeito”, o recado foi cristalino.
Dados obtidos a partir da quebra de sigilo bancário de Lulinha indicam que apenas uma de suas contas movimentou R$ 19,3 milhões entre 2022 e 2025, e que R$ 721,3 mil forma transferências pelo próprio Lula.
Investigado por uma suposta ligação societária com o “Careca do INSS”, o "menino de ouro" afirmou através de seus advogados que o vazamento de documentos sigilosos configura “crime grave”, que não teve acesso ao material divulgado, que seu cliente não tem relação com as fraudes investigadas pela comissão, e que levará o caso às autoridades competentes. Procurado, o Palácio do Planalto não se manifestou sobre o caso.
Na esteira do que já havia feito em relação à empresária Roberta Luchsinger, também investigada pela CPI, Flávio Dino suspendeu o envio de dados de Lulinha para a comissão parlamentar, que deverá realizar uma nova votação sobre as quebras de sigilo de todos os alvos atingidos pela decisão tomada no fim de fevereiro. 
Resta saber se a pizza será calabresa, portuguesa ou marguerita. 
Façam suas apostas.

Essas e outras belas histórias ilustram com a riqueza dos mitos um dos mistérios mais difíceis de explicar com provas e evidências concretas — a real natureza do tempo. Mas, à luz da ciência, será que somos mesmo prisioneiros do tempo que avança do passado para o presente e do presente para o futuro? Se tudo que existe está imerso na passagem do tempo como peixes na água, a possibilidade de voltar ao passado é matematicamente admissível. No entanto, isso significaria que toda a ciência que construímos e a tecnologia que desenvolvemos a partir dela estão erradas.


Ainda estamos longe de entender o comportamento do tempo com base em comprovações experimentais. Não sabemos sequer se ele é contínuo ou quântico, se é divisível infinitas vezes, ou se a seta do tempo aponta sempre para o futuro. Um vaso que cai e se espatifa não volta intacto para cima da mesa porque a entropia em um sistema fechado só aumenta.


O espaço-tempo é uma espécie de pano de fundo para todos os fenômenos, de modo que podemos ir e voltar nas três dimensões espaciais, mas, na do tempo, a regra é a ida sem volta. Daí os físicos considerarem o tempo como os bastidores de um fluxo de eventos sucessivos que ocorrem numa direção preferencial: o que aconteceu ontem impõe restrições ao que acontece hoje, e esse hoje, ao se tornar o ontem de amanhã, impõe novos limites ao novo presente.


Em determinadas situações, o cosmos não se sujeita às leis da física clássica, de modo que voltar no tempo não é de todo impossível. É fato que o Universo se tornaria inconsistente em sua evolução e aumento da entropia se as linhas que conectam as causas (no passado) e os efeitos (no futuro) fossem alteradas. Mas e se voltássemos no tempo sem interferir nessas linhas?


Onde há um físico teórico existe sempre uma possibilidade teórica que os físicos experimentais venham ou não a comprovar. Einstein demonstrou que o espaço e tempo estão conectados e que a gravidade de objetos supermassivos pode curvar o espaço-tempo em determinadas regiões do Universo, distorcendo o espaço, encurtando ou dilatando o tempo, e até mesmo criando loops temporais que levam de volta ao começo. Isso ainda não foi observado experimentalmente, mas é uma perspectiva matematicamente possível, e corroborá-la pode ser apenas uma questão de… tempo.


Durante uma palestra, o físico italiano Carlo Rovellium dos “pais” da teoria da gravidade quântica em loop, que busca conciliar a mecânica quântica, que descreve o mundo microscópico de partículas menores que prótons e elétrons, com a relatividade geral, que trata das estrelas, planetas e outros corpos gigantescos do Universo — esticou uma corda de uma ponta a outra do palco, pendurou uma caneta no meio e disse: “É aqui que estamos; à direita fica o futuro e à esquerda, o passado. E acrescentou em seguida: “Só que isso é tão errado quanto afirmar que a Terra é plana.”


A relatividade geral e a mecânica quântica se expressam em idiomas diferentes, mas ambas parecem dizer a verdade. Uma metáfora usada por Rovelli compara a natureza a um velho rabino que, consultado por dois homens para resolver uma disputa, deu razão a ambos, e quando sua mulher ponderou que eles não poderiam ter razão ao mesmo tempo, disse que ela também estava certa.


De acordo com a relatividade geral, o espaço não é uma caixa rígida e inerte, mas algo como um imenso molusco que se comprime e se retorce na presença de massa e energia. Já a mecânica quântica revelou que tudo ao nosso redor é formado por pequenos pacotinhos — como os fótons que formam a luz.


O problema é que as duas teorias não se falam: a relatividade descreve o espaço como contínuo e suave, enquanto a mecânica quântica sugere que tudo o mais é granular e discreto. Conciliá-las é uma das maiores questões em aberto da física. Algumas teorias especulativas apostam que o próprio espaço também seria feito de pacotinhos minúsculos, mas isso ainda está longe de ser confirmado.


A gravidade quântica em loop visa compatibilizar a relatividade geral e a mecânica quântica. Nesse contexto, a hipótese de o espaço ser um recipiente amorfo desaparece da física com a gravidade quântica, e as coisas (quanta) não habitam o espaço, mas os arredores umas das outras. Se o espaço não for um tecido contínuo que tem como limite o limite dos pacotinhos que o formam, então o tempo não é uma linha reta pela qual as coisas fluem, nem tampouco uma sucessão de acontecimentos formados por passado, presente e futuro.


Observação: Um relógio sobre um móvel registra que o tempo passa mais depressa quando comparado com outro que está no chão. Pelo mesmo motivo, o tempo passa mais depressa no cume do Everest do que na praia. Em outras palavras, quanto mais próximo do centro da Terra, mais intensa é a gravidade, e quanto mais intensa for a gravidade, mais devagar o tempo irá passar. Os relógios que usamos no dia a dia não registram diferenças de bilionésimos de segundo, mas relógios atômicos altamente sofisticados e instrumentos de laboratório o fazem.


Para entender a teoria da gravidade quântica é preciso abandonar a ideia de que um gigantesco relógio cósmico marca o tempo do Universo. Um ano é apenas o tempo que a Terra leva para dar uma volta completa em torno do Sol, mas nosso conceito de “ano” só faz sentido no nosso planeta — para um hipotético habitante de Saturno, um ano corresponderia a 29,5 anos terrestres.


Nosso conceito de tempo pouco tem a ver com as leis do Universo como um todo. Newton dizia não ser possível medir o “tempo verdadeiro”, mas assumir sua existência ajudava a descrever vários fenômenos da natureza; séculos depois, Einstein postulou que cada objeto do Universo tem seu próprio tempo. Só que o tempo como o concebemos não funciona numa escala muito pequena — como a escala quântica.


Em outras palavras, as coisas mudam apenas umas em relação às outras; no nível fundamental, o tempo não existe.


Continua...

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

DE VOLTA À VELOCIDADE DA LUZ

AFIRMAÇÕES EXTRAORDINÁRIAS REQUEREM EVIDÊNCIAS EXTRAORDINÁRIAS. 

Em 1676, o astrônomo Ole Rømer observou um atraso de 22 minutos nos eclipses das luas de Júpiter e estimou a velocidade da luz em 225.000.000 m/s. O valor exato (299.792.458 m/s) só foi determinado em 1926, mas, por uma inexplicável coincidência, a latitude da grande pirâmide de Gizé, erguida entre 2600 e 2500 a.C., é 299.792°N — lembrando que nas coordenadas geográficas a diferença resultante de qualquer sequência numérica à direita da quarta é desprezível, sobretudo quando se trata de um monumento cuja base tem 60.000m2.


Os egípcios da Quarta Dinastia tinham conhecimentos avançados de matemática e geometria, dominavam a escrita, dispunham de um sistema decimal e de um calendário baseado na estrela Sirius, mas dificilmente teriam descoberto a velocidade da luz quase 5 mil anos antes de Rømer. E ainda que assim não fosse, eles a teriam registrado em côvados por segundo, já que o sistema métrico só seria criado em 1791.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


No topo da hierarquia do sistema de poder no Brasil encontram-se grandes grupos econômicos ligados ao sistema financeiro e organizações criminosas que, em diferentes níveis, exercem influência sobre a economia formal e o ambiente político. Nesse contexto, a alta cúpula do Judiciário desempenha um papel determinante ao garantir estabilidade jurídica e previsibilidade, enquanto o Legislativo produz normas que, na prática, preservam interesses específicos e limitam rupturas estruturais. 

Protegido por mecanismos legais e corporativos, o corpo burocrático do Estado atua prioritariamente para preservar privilégios próprios, incluindo remunerações e benefícios que ultrapassam o teto estabelecido pela Constituição.

Essa burocracia se torna resistente a reformas, reforçando a rigidez do sistema, elevando custos para a sociedade, reduzindo a eficiência da máquina pública e reforçando divisões ideológicas e sociais, em detrimento da formação crítica e do compromisso com a realidade. 

Políticas recorrentes de expansão de gastos públicos ampliam a pressão inflacionária e criam o ambiente propício para a elevação da taxa básica de juros, encarecendo o crédito, engessando a atividade produtiva e favorecendo a transferência de renda para o sistema financeiro, principal beneficiário de ciclos prolongados de juros elevados.

Lula se jacta de ser o santo padroeiro dos miseráveis, mas os maiores patamares de juros reais registrados nesta banânia desde o Plano Real ocorreram justamente nos governos do PT.


A física clássica se aplica ao mundo macro, onde tudo — de maçãs hipotéticas caindo sob a ação da gravidade a gigantes gasosos no espaço — funciona em três dimensões. Ou funcionava, já que Einstein acrescentou uma quarta dimensão (o tempo), criou o conceito de espaço-tempo e definiu a velocidade da luz — ou simplesmente "c", que é de 299.792.458 m/s no vácuo — como limite universal. De acordo com suas equações, nada pode viajar mas rápido que a luz, exceto o próprio Universo, que se expande a uma velocidade superluminal.

Ainda que corresponda a impressionantes 1,08 bilhão de quilômetros por hora, "c" perde impacto diante das distâncias cósmicas, ja que o diâmetro do Universo observável é de 93 bilhões de anos-luz (um ano-luz é a distância que a luz percorre em um ano, e equivale a cerca de 9.46 trilhões de quilômetros). Se imaginarmos o Universo como uma bolha, o raio dessa bolha aumenta um ano-luz por ano. Quanto mais distante estiver o ponto de origem da luz que observamos, mais antiga será a estrela que a emitiu, daí as estrelas mais distantes aparentarem ser mais antigas que o próprio Universo.


A luz leva 8 minuto e 13 segundos para vir do Sol à Terra, cerca de 1 segundo para ir da Terra à Lua e aproximadamente 100 mil anos para cruzar a Via Láctea. Como esse limite não se aplica à física quântica e de partículas, as correlações entre partículas entrelaçadas surgem de forma instantânea.


Outra curiosidade que envolve a luz é o fato de os fótons (partículas de luz) se comportarem tanto como onda eletromagnética quanto como partícula sem massa. Isso explica por que o valor de "c" é o mesmo para qualquer observador parado ou em movimento, embora o tempo passe mais devagar para quem se move do que para quem está parado.


Até onde a física atual alcança, superar "c" funciona como o regulador máximo do universo, determinando desde reações químicas até a evolução das estrelas e galáxias. Superar essa velocidade afrontaria a causalidade e geraria paradoxos temporais, na medida em que ela redefine o próprio tecido da realidade.


Relógios dos satélites que orbitam a Terra sofrem dilatação relativística — ínfima, é verdade — por causa da velocidade e ganham tempo porque o campo gravitacional é mais fraco numa altitude que varia de 160 km a 36.000 km  — o saldo é corrigido via GPS. Processos físicos desaceleram e o envelhecimento ocorre mais lentamente, não por ilusão ou defeito de medição, mas porque o tempo de fato passa mais devagar para quem está em movimento extremo.


A dilatação do tempo foi confirmada experimentalmente com relógios atômicos e partículas instáveis em aceleradores. À medida que um corpo se aproxima de "c", os efeitos relativísticos passam a dominar o comportamento do espaço, do tempo e da matéria. Na direção do movimento, distâncias encurtam-se para o viajante relativístico — uma viagem que parece levar anos-luz para quem observa da Terra pode durar dias, horas, ou mesmo segundos para quem está a bordo, pois o espaço à frente se comprime conforme a velocidade aumenta.


Segundo a Relatividade Especial, energia e massa são intercambiáveis, mas, à medida que a velocidade cresce, a energia cinética faz com que a massa relativística aumente. Ao se aproximar da velocidade da luz, essa massa tende ao infinito, exigindo uma quantidade igualmente infinita de energia para continuar acelerando. É por isso que partículas com massa jamais alcançam a velocidade da luz — não por falta de engenharia, mas por proibição física.


Não há tempo absoluto, apenas tempos locais, moldados pelo movimento, e a velocidade da luz funciona como o compasso que sincroniza — ou dessincroniza — todos os relógios do Universo.O paradoxo aparente é que, enquanto o viajante envelhece mais lentamente, o observador externo vê sua própria linha temporal seguir normalmente. Ambos estão corretos dentro de seus referenciais.


Tecnicamente, viajar próximo à velocidade da luz não equivale a “voltar no tempo”, mas a avançar mais devagar no próprio futuro — um truque elegante, porém inútil para quem pretende chegar ao churrasco antes que a carne esfrie. Já ir mais além e atingir velocidades superluminais pode, pelo menos em teoria, inverter a direção da seta do tempo, fazendo com que os ponteiros do relógio passem a “andar para trás”. Mas isso é conversa para uma outra vez.


Continua...