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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

DUAS PELO PREÇO DE UMA

NINGUÉM LHE DEVE NADA. O MUNDO NÃO É JUSTO; FAÇA O QUE VOCÊ TEM DE FAZER SEM ESPERAR NADA DE NINGUÉM.

Cientistas alemães desenvolveram uma nova técnica capaz de identificar os mínimos detalhes da "assinatura" das moléculas, incluindo seus níveis de energia, com precisão espectroscópica, e assim alcançar o limite quântico definitivo.


A precisão espectroscópica não se limita a "ver" a molécula e sua localização, mas também a medir exatamente como ela vibra, gira ou muda de estado quando recebe energia. Já o limite quântico é a fronteira fundamental de uma medição, imposta pelas próprias leis da mecânica quântica, como o Princípio da Incerteza de Heisenberg. Em outras palavras, a nova técnica atinge o nível máximo absoluto de sensibilidade e de resolução que a natureza permite.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


O Congresso é a casa do povo, mas é difícil despejar seus inquilinos. A 13 dias das eleições, a maioria já sabe em quem vai votar para presidente e governador, mas ganha uma estátua em praça pública o eleitor que já tiver escolhido todos os candidatos ao Legislativo. E ganha duas estátuas quem se lembrar dos candidatos em quem votou nas eleições passadas.

Dois em cada três eleitores esqueceram o voto para o Legislativo em 2022 e não se lembram de quem escolheram para senador, deputado federal e deputado estadual. Deveriam certificar-se de que não esqueceram a consciência em casa ao entrarem na cabine de votação em 4 de outubro, pois quem não vota com a cabeça paga com o bolso. 

Verbas orçamentárias continuam escorrendo pelo ladrão porque os ladrões não param de entrar nos orçamentos — federal e estaduais. Em meio à perversão, todos os gatunos parecem pardos. Mas igualdade absoluta é uma impossibilidade genética. Cabe ao eleitor impaciente punir os eleitos inconsequentes. Na dúvida, vote no contrário.

O maior escândalo do Legislativo não está nos que estão lá, mas nos que ainda não chegaram. A maior contribuição que muitos políticos podem dar ao país é perder as eleições. Você pode ajudá-los. Faça alguns parlamentares trabalharem: não os reeleja.


Observar as coisas nesse nível de detalhamento é importante porque muitas tecnologias dependem de objetos em nanoescala, como moléculas ou átomos, que interagem fortemente com a luz. Esses objetos são usados para gerar fótons individuais, armazenar informações quânticas e distribuir o entrelaçamento, processos com aplicações que vão das comunicações e da computação quânticas aos sensores mais avançados, capazes de realizar observações em escalas que vão da subatômica à cosmológica.


Estudar átomos e moléculas - ou sistemas quânticos, como os cientistas os chamam - exige mantê-los parados no lugar por um longo período, o que geralmente é feito colocando-os sobre um material hospedeiro em uma atmosfera de vácuo. O problema é que as superfícies facilmente absorvem contaminantes do ambiente, criando um entorno altamente instável e "ruidoso", que não apenas atrapalha a observação, mas também compromete as propriedades dos emissores quânticos, o que significa que as medições feitas não são confiáveis.


O avanço consistiu em gerar uma superfície totalmente limpa, onde o objeto quântico a ser observado pode ser depositado e manter-se lá sem contaminação.. Para obter essa superfície limpa, os pesquisadores tiraram proveito do fato de que um cristal orgânico evapora lentamente à temperatura ambiente. Assim, ao colocar um pequeno cristal em um criostato sob vácuo, as camadas superiores do cristal se desprendem naturalmente, levando consigo os contaminantes. Em seguida, o cristal é resfriado a apenas alguns graus Kelvin acima do zero absoluto para interromper a sublimação. Feito isso, basta depositar as moléculas a serem observadas sobre a superfície do cristal nessas baixas temperaturas, o que é feito em uma espécie de "forno" que a equipe construiu. Adeus ruídos, e bem-vindas medições com precisão espectroscópica no limite quântico.


Uma métrica essencial na observação de um sistema quântico é o seu tempo de coerência, que nunca pode ser maior do que o chamado limite de Fourier, que é dado pelo tempo que a molécula ou átomo leva para transferir sua energia para o ambiente. No entanto, em ambientes "sujos", ou ruidosos, o tempo de coerência acaba ficando centenas ou até milhares de vezes menor.


***


As leis da física são geralmente simétricas, e os processos naturais tendem a seguir uma direção definida, conhecida como seta do tempo. Mas num sistema quântico monitorado, os efeitos da medição e o mecanismo de retroalimentação induzem o sentido da seta do tempo. 


Explicando melhor: na maioria dos processos naturais, observamos que estes seguem uma seta do tempo: os cristais partem-se, os ovos eclodem, as estrelas explodem, etc., mas não se observa que esses processos tenham um comportamento na ordem inversa. No entanto, um estudo recente demonstra que é possível suprimir a seta do tempo num sistema quântico e, consequentemente, fazendo com que o fluxo temporal aparente possa ser alongado, difuso ou apresentar comportamento semelhante ao de uma evolução temporal invertida.


Aorma como a direção da seta do tempo se manifesta, com base nas leis da simetria temporal, tem suscitado incerteza e perplexidade entre cientistas e filósofos há décadas. As setas do tempo têm sido atribuídas a muitas origens diferentes; algumas delas têm sido associadas à gravidade. A seta do tempo mais reconhecível é talvez a termodinâmica: que surge da simetria temporal da dinâmica microscópica subjacente aos processos termodinâmicos. 


Na Segunda Lei da Termodinâmica, explica-se que, para os sistemas macroscópicos, os processos que aumentam a entropia são mais prováveis do que aqueles que a diminuem. Nos sistemas quânticos, porém, as regras da mecânica quântica implicam que as medições não só observam, como também alteram ativamente o sistema que está sendo medido. Essas características permitem conceber dinâmicas quânticas diferenciadas, incomuns e inesperadas, incluindo trajetórias que parecem uma evolução invertida do tempo.


No geral, a entropia do Universo aumenta. Quanto maior o sistema, mais difícil é identificar dinâmicas anômalas e mais complexo se torna observar dinâmicas que diminuam essa entropia. A manifestação da seta do tempo pode ser medida comparando-se a probabilidade de ocorrência de um processo com o seu inverso temporal.


Sabe-se que a aleatoriedade clássica é o resultado de uma falta de conhecimento completo da descrição microscópica de um sistema. Essa aleatoriedade quântica nos resultados das medições é fundamental. A descrição mais completa de um sistema quântico produz probabilidades de possíveis resultados de medição.


No trabalho de pesquisa, foram identificadas relações complexas entre os regimes de funcionamento dos motores de medição, o fluxo energético 

proveniente das medições, bem como a forma como o feedback afeta a percepção da seta do tempo.


Se estas medições extraem energia do sistema, o mecanismo de retroalimentação que prolonga a seta do tempo também extrai trabalho. No trabalho de simulação, os pesquisadores utilizaram os avanços alcançados para conceber um motor capaz de converter em trabalho parte da energia associada ao próprio processo de medição do sistema quântico.


A conferir.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

SERÁ POSSÍVEL ENVIAR SINAIS PARA O PASSADO?

O UNIVERSO PODE SER INFINITO, MAS A MENTE HUMANA DESENHA SEUS LIMITES.

Ao revisitar as equações relativísticas publicadas por Albert Einstein no início do século XX, pesquisadores chegaram a uma conclusão que parece saída de ficção científica: em certos universos, seria possível enviar mensagens para o passado.


A ideia abre espaço para imaginar conversas em tempo real com outras formas de vida sencientes — caso existam —, independentemente da distância. Em outras palavras, as equações do físico alemão revelam atalhos secretos pelos quais sinais podem atravessar o cosmo.


Curiosamente, isso não depende da mecânica quântica nem do famoso “emaranhamento fantasmagórico” entre partículas, mas nasce da física clássica, na versão relativística apresentada em 1905. Einstein, aliás, sempre foi cético em relação a certos aspectos da mecânica quântica. É fascinante perceber que suas próprias ideias sobre a relatividade restrita podem produzir fenômenos semelhantes à “ação à distância” que tanto o intrigava. Por outro lado, convém esclarecer: enviar sinais para o passado não significa inverter a seta do tempo. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Alexandre de Moraes ligou o botão do foda-se. Incapaz de refutar as suspeitas, passou a operar no modo desespero e a se mostrar capaz de tudo para matar as provas que o ligam a Daniel Vorcaro. Sem despir a toga, comporta-se como qualquer investigado em apuros: cola em André Mendonça a pecha de juiz parcial.

Suprema ironia: Moraes enfiou Mendonça no inquérito das fake news — aquele que Dias Toffoli abriu há quase oito anos, a pretexto de investigar os inimigos da suprema corte. Acusa-o de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade. Sustenta que o colega atua como investigador, direciona investigações e se mete até na negociação de delações.

O objetivo primordial de Moraes está mal disfarçado atrás de uma expressão técnica. Ele insinua que houve "quebra da cadeia de custódia das provas". Usa em causa própria o bordão preferido de investigados indefensáveis. Serve para semear tumulto em inquéritos, para colher futuras nulidades processuais.

Com sua vingança, Moraes realiza o pesadelo da perda de autoridade. Realiza também o sonho de autoridades e políticos comprados por Vorcaro. 

A história mostra que a implosão de inquéritos conduz a acordos que restauram a imoralidade. A diferença é que agora as provas não são as únicas vítimas. O produto final é o cadáver do próprio Supremo.


A física descreve futuro e passado de forma simétrica, embora nossa experiência humana os diferencie. Assim, o fenômeno não altera nossa vivência temporal, mas pode permitir, por exemplo, que um sinal enviado da Terra ao meio-dia chegue a Proxima Centauri antes mesmo desse horário.


Quem assistiu à trilogia “De Volta para o Futuro” pode pensar em paradoxos, mas os cientistas garantem: não se trata de universos paralelos nem da interpretação de muitos mundos da mecânica quântica. É pura relatividade. Ainda assim, o debate sobre múltiplos universos permanece vivo, especialmente quando se discute a energia escura — esse valor incrivelmente pequeno que desafia explicações em um universo único.


Alguns físicos acreditam que apenas a hipótese de muitos mundos pode dar conta desse mistério. Outros a consideram absurda. Mas descartar de plano seria precipitado: se um fenômeno não puder ser explicado em um único universo, talvez seja preciso recorrer a essa teoria. Mas é importante não confundir ciência com espiritualidade: a física pode dialogar com a filosofia, mas não deve ser usada como base para crenças místicas. O livre-arbítrio, por exemplo, continua em debate entre filósofos e físicos, e a balança parece pender para a ideia de que não existe.


Einstein dizia que a distinção entre passado, presente e futuro é apenas uma ilusão persistente. Essa afirmação é tão filosófica quanto científica. E mostra como física e filosofia podem se encontrar — ainda que muitos físicos resistam a esse diálogo. Outras ideias especulativas sugerem regiões do cosmos onde o tempo corre na direção oposta. Já as mais convencionais imaginam o Big Bang como um início altamente ordenado, seguido pelo aumento da entropia. Mas por que o começo foi tão ordenado?


Essa pergunta desafia a física há décadas. A teoria das cordas, que busca unir a mecânica quântica à gravidade, pode fornecer a resposta, mas ainda carece de comprovação experimental. E o mesmo vale para qualquer teoria que tente conciliar os dois pilares da física moderna: a quântica, precisa no micromundo das partículas, e a relatividade geral, precisa no macromundo das estrelas e galáxias. Já o Modelo Padrão continua a explicar com precisão os dados dos aceleradores de partículas, mas ainda há mistérios: não sabemos o que é a matéria escura, responsável pela maior parte da gravidade do universo, nem a energia escura, que acelera sua expansão.


Esses enigmas mostram que a física está longe de ser um edifício completo. E talvez isso seja sua maior beleza: sempre haverá perguntas em aberto, sempre haverá vertigens de perspectiva. Como disse Niels Bohr, quem não fica chocado ao aprender mecânica quântica pela primeira vez é porque não a entendeu.

A física nos arranca o chão e nos mostra que, sob a superfície, existe um mundo radicalmente diferente daquele que experimentamos no cotidiano. É nesse abismo de possibilidades que mora a verdadeira aventura intelectual: compreender que o tempo, o espaço e até o passado podem ser muito mais maleáveis do que ousamos imaginar.

sábado, 29 de agosto de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 112ª PARTE

HOJE É O AMANHÃ DE ONTEM E O ONTEM DE AMANHÃ.

Como vimos, viajar no tempo rumo ao futuro pode ser apenas uma questão de... tempo. No entanto, ainda que seja matematicamente plausível e encontre guarida na física quântica, viajar no tempo de volta ao passado esbarra nas leis da natureza e da física clássica. Mesmo assim, não faltam teorias que buscam resolvem o problema dos paradoxos e outras "questiúnculas" que nos impedem de colher "o fruto mais ambicionado da árvore da relatividade".


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


A agenda de Lula previa apenas um compromisso na quinta-feira. Passou o dia se preparando para a sabatina na TV Globo, mas não obteve o sucesso que esperava. 

Renata Vasconcellos e César Tralli não estavam devidamente ensaiados. O constrangimento do petista estava mais nas perguntas que foi obrigado a ouvir do que nas respostas que conseguiu dar. De 40 minutos, cerca de 25 foram dedicados à corrupção.

Na defensiva, o molusco chamou Roberta Luchsinger de "pilantra". Jurou nunca ter visto a lobista do Careca do INSS. Era lorota. Pipocaram nas redes fotos da amiga do filho Lulinha e do ex-chefe de gabinete Marcola fazendo o "L" ao lado de um Lula sorridente. Quem tiver culpa terá que pagar, repetiu. Pediu votos para Jaques Wagner porque não abandona os amigos e não há sentença no caso Master contra seu ex-líder no Senado. Acusou a PF de vazar dados sigilosos e a imprensa de divulgar "ilações". Atrasou o relógio para relembrar a Lava Jato: "Fui acusado de ter apartamento que eu não tinha, chácara que eu não tinha". Faltou imparcialidade a Sérgio Moro. A força-tarefa de Curitiba barbarizou. O Supremo anulou sentenças. Mas nada disso apaga o petrolão.

Na sucessão passada, o próprio Lula admitiu, na mesma TV Globo: "Você não pode dizer que não houve corrupção se as pessoas confessaram". Em meio às confissões estavam as obras que a OAS e a Odebrecht fizeram graciosamente no sítio de Atibaia e no tríplex do Guarujá. Decorridos quatro anos, Lula voltou à emissora com tudo bem ensaiado, exceto as perguntas dos sabatinadores.

O eleitor que já decidiu votar em Lula não deve ter mudado de ideia. Mas a entrevista dificilmente terá acrescentado muitos votos ao candidato entre o cobiçado eleitorado independente. Resta ao macróbio um consolo: na sabatina de Flávio Bolsonaro. Renata Vasconcellos e César Tralli terão que dedicar pelo menos 25 minutos à corrupção. 

Material não falta.


Experimentos recentes com tunelamento quântico sugerem que fótons podem atravessar uma barreira em tempo aparentemente nulo ou negativo — como um automóvel que sai do túnel antes de ter entrado —, e que esse não é o único exemplo desconcertante de estranheza temporal em escalas muito pequenas. Uma das muitas esquisitices da mecânica quântica é a "superposição" — possibilidade de uma mesma partícula estar em dois lugares simultaneamente —, o "entrelaçamento quântico" — que Einstein batizou de "ação fantasmagórica à distância" — e a "causalidade" — capacidade das partículas de mudar o passado a partir do futuro. 


Diferentemente dos carros em um túnel, os fótons não têm posição ou trajetória fixa no espaço. Dada a impossibilidade de etiquetá-los e rastreá-los, os pesquisadores mediram o tempo gasto na travessia analisando a excitação dos átomos dentro da barreira à medida que as partículas de luz passam por eles ou os atingem, e o resultado apontou a existência do assim chamado "tempo negativo".


Os cientistas entendem matematicamente por que isso acontece, mas não sabem qual o significado, já que não há uma correspondência clara com o mundo físico que vivenciamos. Assim, eles concluem simplesmente que a mecânica quântica "é diferente". E se isso parece estranho, a "retrocausalidade" é ainda mais surpreendente.


Observação: A retrocausalidade — do latim retro, no sentido de 'para trás', e causalidade, a 'relação entre causa e efeito' — é exatamente o que o nome sugere: a possibilidade de que um evento futuro influencie um evento passado. No mundo clássico, isso soa como heresia, já que a causa precede o efeito, o passado determina o futuro e a seta do tempo aponta numa única direção. Quebrar essa regra seria o equivalente a afirmar que os estilhaços de um vaso que caiu no chão podem se reunir espontaneamente — coisa que nossa intuição rejeita enfaticamente. Mas a física quântica não pede licença às nossas intuições. No experimento de dupla fenda, um fóton exibe comportamento de onda quando não é observado (produzindo um padrão de interferência) e comportamento de partícula quando é observado (produzindo dois pontos distintos). No experimento de Wheeler, o momento da observação é deliberadamente adiado — e ainda assim o fóton parece "saber", retroativamente, se seria ou não observado, ajustando seu comportamento no passado de acordo com uma decisão ainda não tomada no presente. Os adeptos da interpretação de Copenhagen preferem dizer simplesmente que a pergunta "qual caminho o fóton tomou" não tem resposta antes da medição — e que portanto não há propriamente um passado sendo alterado, mas sim um passado que só se define no momento da observação. Outros, porém, argumentam que a retrocausalidade oferece uma explicação mais elegante para certos fenômenos quânticos do que a noção de que partículas simplesmente "não têm propriedades" antes de serem medidas. O debate está longe de ser resolvido, mas o simples fato de ele existir nos lembra de que o tempo, nessa escala infinitesimal, pode não ser via de mão-única que a experiência cotidiana nos ensinou a encarar como óbvia.


Embora não tenha a evidência observacional dos experimentos de túnel quântico, a retrocausalidade ajuda a compreender a chamada "ação fantasmagórica à distância", que acontece quando duas partículas estão "entrelaçadas" em lados opostos do Universo, mas quando os cientistas medem o giro ou a polarização de uma delas a parceira entrelaçada responde instantaneamente da mesma maneira. O que torna isso ainda mais assustador é que essas partículas não apresentam tais propriedades até serem medidas, ou seja, elas existem em vários estados simultaneamente até o momento em que algum tipo de sinal instantâneo vai de uma para a outra dizendo qual medição foi realizada, o que é muito estranho.


Nesse cenário, as informações não passam instantaneamente entre as partículas pelo espaço, mas pelo tempo — ou seja, uma partícula medida passa informações para o momento em que foi entrelaçada com seu par e depois para o momento em que ocorre a medição. Esse conceito contraintuitivo substitui uma impossibilidade por outra — uma cura que parece ser pior que a doença —, além de abrir a porta para os paradoxos temporais, nos quais influenciar o passado altera o presente. Mas essa não é a primeira vez que a mecânica quântica desafia o senso comum.


Segundo os defensores da retrocausalidade, ela só parece improvável porque nós — na escala macroscópica — vivenciamos o tempo em uma direção, ao passo que, em escalas muito pequenas, as leis da física são simétricas em relação ao tempo (com algumas exceções). E quanto ao aparente problema da viagem no tempo, isso só se aplica se a partícula foi medida no passado, eles dizem. Enquanto isso não acontece, ela permanece em seu estado quântico indeterminado.


A comprovação dessas teorias implica que o Universo funciona de forma diferente da que imaginamos, num cenário em que duas ou mais linhas do tempo coexistem lado a lado. Mas achar que há uma evolução para frente e uma evolução para trás do Universo — com duas setas causais separadas e independentes — é um tipo de imagem 'dinâmica' da retrocausalidade em que se têm processos literais de avanço e retrocesso acontecendo em alguma combinação. Talvez não seja uma maneira muito elegante de pensar sobre a retrocausalidade, já que se pode deparar facilmente com inconsistências, contradições e paradoxos.


A retrocausalidade é mais plausível se vivermos no que é conhecido como "universo em bloco" — um modelo hipotético e filosoficamente controverso de existência, no qual todos os momentos no tempo (passado, presente e futuro) coexistem em um objeto quadridimensional. Se esse bloco está preenchido com todos os eventos que já aconteceram ou vão acontecer, então é mais fácil ver como alguma influência hipotética poderia passar entre as partículas dentro dele. E para explicar as ações fantasmagóricas à distância das partículas entrelaçadas, as informações não precisam viajar para o passado em alguma linha de tempo retrocausal alternativa, mesmo porque não há fluxo temporal. O tempo é apenas outra dimensão dentro do bloco, e não uma coisa material que se move.


Sendo esse o caso, chegamos ao que pode ser a implicação mais preocupante sobre a mecânica quântica e seu estranho comportamento temporal. Na interpretação mais fatalista do universo em bloco, somos apenas personagens de uma série de TV cósmica. Podemos experimentar a vida episodicamente, mas nosso futuro é tão determinado quanto nosso passado. Então, se estivermos no meio de nossa história, o próprio final — o momento em que a luz se apaga — pode já ter sido escrito.


Continua...

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 111ª PARTE

O QUE ESTÁ EM NOSSO PODER PARA FAZER TAMBÉM ESTÁ EM NOSSO PODER PARA NÃO FAZER.

A viagem no tempo é o fruto mais cobiçado da árvore da relatividade. Se ainda não foi colhido, é porque nossa tecnologia não permite a construção de espaçonaves capazes de atingir velocidades próximas à da luz (representada pela letra "c" e equivalente a cerca de 300 mil km/s) e fruir os efeitos da dilatação do tempo. 

A 99,9999999% de "c", milhares de anos terrestres equivalem a poucos segundos, o que permite percorrer centenas ou milhares de anos-luz quase instantaneamente (no referencial dos ocupantes da espaçonave). Contudo, se a possibilidade de viajar no tempo para o futuro é apenas questão de tempo (com o perdão do trocadilho), voltar ao passado é bem mais complicado.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Começa amanhã a abjeta campanha política por rádio e televisão (que os contribuintes bancam para que ela seja gratuita para os candidatos), quando então os candidatos começam, na prática, a vender seu peixe ao eleitorado. Donos das maiores vitrines eletrônicas, Lula e Flávio travarão um embate particular. Se os dois levarem ao ar toda a munição estocada nos paióis dos seus comitês, talvez seja necessário tirar as crianças da sala.

O filho do presidiário incluiu o molusco de nove dedos e a corrupção entre suas prioridades televisivas. Cavalgando as vulnerabilidades éticas do adversário, o ex-presidiário e seus operadores se equipam para um revide que vai muito além do caso Dark Horse — alguns petistas chamam a réplica de "desnudamento" do adversário.

A conjuntura sufoca o debate sobre os projetos para o país. A perspectiva de que os candidatos mais bem colocados nas pesquisas ataquem um ao outro no horário eleitoral dá à sucessão ares de uma disputa tétrica. Tão marcante quanto uma guerra. A diferença é que, em vez do derramamento de sangue, vai escorrer merda.


Uma hipotética volta no tempo esbarraria nas leis da natureza e da física, na conjectura de proteção cronológica — que impede as curvas fechadas do tipo tempo de levarem de volta ao ponto de partida — e no princípio de autoconsistência de Novikov — que bloqueia eventos capazes de criar inconsistências no Universo. Em outras palavras, viajar ao passado é possível em tese se não alterar o presente. 


Como a simples presença do viajante já seria uma alteração, seria preciso que quaisquer mudanças no rumo dos acontecimentos criassem linhas de tempo alternativas a partir do ponto de mudança, de modo que nada que o viajante fizesse afetasse sua linha temporal original. Isso resolveria o problema dos paradoxos, mas essa teoria ainda não foi provada. Assim, sem múltiplos universos e linhas do tempo alternativas, um loop infinito de causas e efeitos seria como as ondas concêntricas criadas por uma pedra jogada em um lago. 


Vale lembrar que a física clássica governa o macrocosmo, e a mecânica quântica, o microcosmo das partículas. Einstein demonstrou que o espaço e tempo estão conectados e que a força gravitacional de objetos supermassivos pode curvar o espaço-tempo, encurtando ou dilatando o tempo e criando loops temporais. 


Uma das muitas esquisitices da mecânica quântica é a superposição — possibilidade de uma mesma partícula estar em dois lugares simultaneamente. Assim, se causa e efeito coexistem, o "evento A" pode ser tanto a causa quanto o efeito do "evento B". Como bem ilustra o experimento conhecido como Gato de Schrödinger, a realidade das partículas em nível quântico só "se define" quando é observada. 


A expressão "arrow of time" (flecha do tempo, numa tradução direta) foi cunhada pelo astrofísico Arthur Eddington no final da década de 1920, mas a ideia de que o tempo é unidirecional remonta à Segunda Lei da Termodinâmica, proposta no século XIX, que trata da entropia (medida de desordem e 

aleatoriedade). No entanto, se a natureza não está obrigada a obedecer aos postulados da teoria que tenta explicá-la, uma seta do tempo que aponta sempre do passado para o futuro não faz o menor sentido. 


A despeito da evolução acumulada nos últimos séculos, os cientistas ainda não conseguem explicar satisfatoriamente a natureza do tempo nem sabem se somos prisioneiros do tempo que avança do passado para o presente e do presente para o futuro. Se tudo o que existe está imerso na passagem do tempo como peixes na água, a possibilidade de viajar no tempo rumo ao passado é admissível — mas admitir essa possibilidade significa que toda a ciência que construímos e a tecnologia que desenvolvemos a partir dela estão erradas.


Não sabemos se o tempo é contínuo ou quântico, se é divisível infinitas vezes e se flui invariavelmente do passado para o futuro, mas sabemos que um vaso que cai e se espatifa não volta intacto para cima da mesa, já que a entropia em um sistema fechado só aumenta. E embora possamos ir e voltar nas três dimensões espaciais, na do tempo a regra é a ida sem volta. 


Para os físicos da "velha escola", o tempo é como o pano de fundo de um fluxo de eventos que se sucedem numa direção preferencial, ou seja, o que aconteceu ontem impõe restrições ao que acontece hoje, e o hoje, ao se tornar o ontem de amanhã, impõe limites ao novo presente. Por outro lado, o cosmos nem sempre se sujeita às leis da física clássica. 


Em determinadas situações, voltar no tempo é tecnicamente possível, embora o Universo possa se tornar inconsistente caso as linhas que conectam as causas (no passado) e os efeitos (no futuro) sejam alteradas. Mas e se voltássemos no tempo sem interferir nessas linhas?


O sequenciamento temporal em nível quântico não é exatamente claro ou intuitivo. No último século, os físicos exploraram todos os tipos de comportamentos incomuns no mundo quântico — entrelaçamento, superposição e incerteza, entre outros. Na década de 1990, pesquisadores dispararam fótons descritos como "um pacote de ondas" cujo pico pareceu emergir antes de ter entrado, evidenciando a existência do "tempo negativo". 


O resultado desse experimento sugere que a luz pode viajar mais rápido do que ela mesma, o que contraria o senso comum e o princípio da causalidade (não confundir com casualidade). De acordo com alguns cientistas, não se trata de uma violação das leis da física, mas de uma reorganização dos pulsos de luz, e assim nenhuma partícula estaria experimentando tempo negativo nem viajando mais rápido do que a luz. Mistério resolvido? Não exatamente.


Experimentos mais recentes acrescentaram uma nova reviravolta que (ainda) não pode ser explicada: a duração negativa. Atraso e duração parecem ser a mesma coisa — afinal, se o seu voo sofrer um atraso, é a mesma coisa que a duração do tempo que você passa esperando, mas esse não parece ser o caso em escalas atômicas. Em outras palavras, há algo aqui que é indiscutivelmente paradoxal.


A medição negativa da duração adicionou uma nova camada de estranheza, já que o remanejamento de pacotes de ondas que explicou o atraso negativo não explica como um fóton passa menos do que zero tempo no túnel.  E esse não é o único exemplo desconcertante de estranheza temporal em escalas muito pequenas. Algumas partículas podem mudar o passado a partir do futuro por meio de um efeito chamado "retrocausalidade".


Continua…

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 108ª PARTE

TEMOS DUAS MÁQUINAS DO TEMPO: AS MEMÓRIAS, QUE NOS LEVAM AO PASSADO, E OS SONHOS, QUE NOS LEVAM AO FUTURO.

Nossa novela sobre viajar no tempo foi interrompida no capítulo 106 (22 de maio) e deu lugar à sequência "Mistérios da Meia-Noite", cujo capítulo mais recente foi ao ar em 14 de agosto.

Volto agora ao tema não para brindar o leitor com a tão esperada conclusão, pois o máximo que se pode fazer com assuntos dessa complexidade é especular. Talvez isso frustre aqueles que acompanharam todos os capítulos da novela esperando um final feliz, mas, como disse alguém mais sábio, alguns mistérios jamais serão revelados. 

Claro que isso não muda o fato de que viajar no tempo é o fruto mais cobiçado — e ainda inalcançado — da árvore da relatividade. Além disso, descartar a ideia sob o pretexto de que ela não passa de ficção científica é pura desinformação (ou ignorância, tanto faz), mesmo porque viajar no tempo é uma possibilidade matemática. Só não conseguimos fazê-lo na prática porque nossa tecnologia não evoluiu a ponto de permitir a construção de espaçonaves capazes de atingir velocidades suficientes para tornar expressivos os efeitos da dilatação do tempo.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Ao colecionar troféus do Centrão, Lula ganha palanques e tempo de TV na eleição e constrói base no Congresso e governabilidade, em caso de vitória. Mas foi assim que o Mensalão, o Petrolão e os escândalos de Lula 1 e 2 começaram.

Ciro Nogueira passou os últimos quatro anos xingando Lula, dia sim, outro também. Davi Alcolumbre usou seu poder inquestionável no Senado para detonar pautas-bombas contra o governo e a reeleição. Hugo Motta, como biruta de aeroporto, seguiu os ventos para lá e para cá. Nenhum deles foi ou é aliado de Lula, nenhum trabalha de graça nem brinca em serviço. 

Os ajustes regionais pesam, especialmente para Nogueira e Motta, que são do Nordeste, o bolsão petista do País, mas isso é apenas parte da história. A audácia, a gula e o perigo do Centrão, seus partidos e líderes vão muito além das suas próprias eleições.

A partir daí, voltamos ao Mensalão, ao Petrolão e à defunta Lava-Jato, que começaram justamente quando, sem base sólida no Congresso, o macróbio eneadáctilo se jogou nos braços de adversários não ideológicos, só pragmáticos, dispostos a tudo, para compensar a fragilidade do PT e da esquerda. Isso tem custo, e alto. 

Quem paga, como sempre, é o contribuinte: em nome da governabilidade, para salvar a própria pele, o mandato e seu nome nas futuras urnas, sua insolência abriu os cofres e deu a Petrobras, como bolo fatiado, para os neo-aliados, que podem ir para um lado ou para outro, à custa de uma falsa “neutralidade”.

O eterno demiurgo de Garanhuns salvou o mandato e o apoio no Congresso, mas quase implodiu a Petrobras, a maior, mais rica e mais simbólica estatal deste país, e, via de consequência, não só feriu gravemente sua biografia, a história do PT, a credibilidade da esquerda, como também amargou 580 dias na prisão.

Foi nessa terra arrasada que floresceu o absurdo: a eleição de Jair Bolsonaro, que, aliás, foi bem mais cirúrgico do que o antecessor para se livrar das garras do Congresso à custa do erário. Deu o “coração” do governo a Ciro Nogueira, lavou as mãos e liberou geral as emendas parlamentares, sem limite, controle e fiscalização, enquanto desfrutava do jet ski e divulgava Cloroquina para a covid.

Em favor do ex-presidiário candidato à reeleição, diga-se que o sistema não deixa alternativas, ou o presidente cede ao Congresso e dá um jeito de fazer maioria, ou cai. Simples assim. Petistas e aliados batem na tecla de que Lula não roubou para si nem enriqueceu com o Petrolão; “entrou no jogo da autossobrevivência”.

Em 2027, o novo presidente, seja ele quem for, encontrará um País não apenas polarizado politicamente, mas ameaçado na economia e na frente externa, com uma crise fiscal asfixiante, inimiga de investimentos, políticas públicas e crescimento, e com os avisos de Donald Trump de que pretende intervir no Brasil e na região – algo que ganha contornos reais a cada dia. A pergunta é: como enfrentar crise interna e ameaça externa, com o Supremo jogando a credibilidade pela janela e... sem maioria no Congresso?

Para conquistar essa maioria, mesmo precariamente, sem garantias, é preciso entregar não só os anéis, mas também os dedos para o Centrão. Mas torçamos para que não seja novamente a Petrobras, ainda mais com a descoberta de petróleo na Margem Equatorial.


Num carro a 180 km/h, a dilatação do tempo é imperceptível. Já os relógios atômicos dos satélites GPS que orbitam a Terra a 14 mil km/h adiantam 38 microssegundos por dia, tornando o efeito mensurável. A velocidades próximas à da luz, um segundo no referencial do viajante equivale a anos, décadas ou séculos no tempo terrestre (como bem ilustra o paradoxo dos gêmeos). Vejamos isso melhor.


A alta velocidade orbital faz os relógios atômicos dos satélites atrasarem 7 microssegundos por dia em relação aos da Terra, enquanto a dilatação gravitacional do tempo resultante do campo gravitacional mais fraco na altitude dos satélites faz os relógios adiantarem 45 microssegundos por dia. Pelo mesmo motivo os relógios andam mais devagar ao nível do mar do que no topo do Everest — fato comprovado por relógios atômicos posicionados a alturas diferentes, mesmo quando a diferença é de apenas alguns milímetros. 


Tudo somado e subtraído, o resultado é de +38 µs/dia, que é compensado mediante o pré-ajuste dos relógios atômicos dos satélites GPS para rodarem a 10,22999999543 MHz em vez de 10,23 MHz exatos. Embora essa variação só seja percebida por aparelhos altamente sofisticados, numa hipotética espaçonave a 99,9999999% da velocidade da luz a dilatação do tempo reduziria milhares de anos terrestres a poucos segundos, tornando viagens de centenas ou milhares de anos-luz praticamente instantâneas (no referencial dos ocupantes da espaçonave).


Os cientistas ainda não chegaram a um consenso sobre as viagens ao passado (avançar no tempo é bem menos problemático). Uma corrente afirma que elas esbarram nas leis da natureza e da física, enquanto a outra sustenta que o maior problema é a limitação tecnológica, e que isso será superado em algum momento. 


Um dos principais problemas de voltar no tempo são os famosos paradoxos lógicos — no do avô, citado de passagem linhas acima, se alguém retorna ao passado e mata o próprio avô antes que ele se case com sua avó, esse alguém não teria nascido e, consequentemente, não poderia voltar no tempo para matar seu antepassado. Então, a menos que o assassinato do avô criasse uma bifurcação temporal e o viajante passasse a existir numa linha do tempo paralela, ele estaria destruindo sua própria linha do tempo.


Mas o assunto está longe de ser pacífico. Há quem afirme que a conjectura de proteção cronológica inviabiliza qualquer retorno a um ponto do passado e impede que uma curva fechada do tipo tempo leve de volta ao ponto de partida, ou que, segundo o princípio de autoconsistência, qualquer evento capaz de gerar um paradoxo ou criar inconsistências no Universo tem probabilidade zero de ocorrer, de maneira que uma viagem ao passado só poderia acontecer se ela não alterasse o presente.


Na física clássica, conhecer as condições iniciais permite calcular com precisão a trajetória de uma bala ou o movimento dos planetas, mas a teoria do caos, aplicada ao estudo de sistemas dinâmicos, mostra que pequenas perturbações podem crescer exponencialmente, tornando previsões de longo prazo inviáveis — fenômeno conhecido como efeito borboleta. 


Não obstante, alguns estudos demonstram que um viajante do tempo que entrasse numa curva rumo ao passado poderia seguir caminhos diferentes sem alterar o resultado de suas ações. Como qualquer tentativa de mudar o que já aconteceu criaria uma linha de tempo alternativa à linha original a partir do ponto de mudança — e a própria chegada ao passado já seria uma mudança —, o viajante se materializaria numa nova linha do tempo, onde nada que ele fizesse mudaria o curso da história na sua linha do tempo original. 


Se cada decisão que tomamos cria uma linha do tempo alternativa, é possível voltar ao passado sem criar paradoxos como o do Avô. Mas essa é apenas mais uma entre muitas teorias que, embora matematicamente plausíveis, carecem de comprovação experimental. Sem múltiplos universos e linhas do tempo alternativas, um loop infinito de causas e efeitos seria criado, da mesma forma que uma pedra jogada num lago cria ondas concêntricas em direção à margem.

 

Tudo parece se acomodar numa inexorável linha do tempo, mas uma das muitas esquisitices da mecânica quântica é a possibilidade de uma mesma partícula estar em dois lugares simultaneamente. Nesse caso, causa e efeito coexistem; o "evento A" pode ser a causa do "evento B" e, ao mesmo tempo, consequência do evento que ele próprio causou. Esse fenômeno, chamado de superposição e ilustrado pelo experimento conhecido como Gato de Schrödinger, ressalta a estranheza do comportamento das partículas em nível quântico, onde a realidade só "se define" quando é observada. 


Da feita que a natureza não está obrigada a obedecer aos postulados da teoria que tenta explicá-la, uma seta do tempo que aponta sempre na mesma direção não passa de um pressuposto. Talvez seja preciso deixar a prancheta de lado e buscar na natureza algum indício de uma superposição de eventos que revogue o princípio da causalidade (o Conselheiro Acácio que coloque as barbichas de molho).

 

Convém ter em mente que viajar para o passado só faz sentido quando admitimos a existência do tempo e o comparamos a uma estrada pela qual se pode avançar em velocidade constante, acelerar, desacelerar e até mesmo parar. Mas a causalidade pode não ser tão absoluta quanto imaginamos, e se a realidade for uma tapeçaria tecida com fios de múltiplas possibilidades, como fica o observador nesse bordado quântico?


Continua…