segunda-feira, 16 de junho de 2025

DE VOLTA À ACESSIBILIDADE DO ANDROID

ESCUTAR LEVA À SABEDORIA E FALAR DEMAIS, AO ARREPENDIMENTO.

Alguns recursos de acessibilidade são úteis para quem não tem necessidades especiais, mas podem se tornar inseguros se forem usados de maneira indevida. 


No caso do Android, a Acessibilidade viola o princípio do isolamento estrito — um dos pilares da segurança do sistema — ao permitir que um aplicativo tenha acesso a tudo que acontece nos demais.

 
Os antivírus precisam dessa permissão para identificar ações suspeitas, mas os malwares tendem a se valer dessa prerrogativa para ler mensagens, roubar credenciais e dados financeiros, interceptar códigos de confirmação de transação únicos etc.


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Bolsonaro e seus cúmplices na "suposta" tentativa de golpe comemoraram (se é que não tramaram) a possibilidade de a colaboração de Mauro Cid ser anulada à luz da reportagem da revista Veja, segundo a qual o ex-esbirro do capetão teria usado perfis falsos para se comunicar com aliados e criticar a condução das investigações. 

Dias depois de prestar depoimento como réu no STF, o ex-presidente voltou a negar a tentativa de golpe, classificou a apuração como uma "caça às bruxas movida por vingança". No entanto, a denúncia apresentada pela PGR e aceita pelo Supremo não foi baseada exclusivamente na delação de Cid — ou seja, as revelações foram apenas um caminho na busca por provas, e não faltam provas autônomas da culpa dos réus. Ademais, se a colaboração cair, a única coisa que muda nesse processo são os benefícios do colaborador; as provas colhidas a partir do acordo continuam válidas e hígidas. 

Diante disso — e das pífias chances de aprovação da PEC da Anistia —, parlamentares baba-ovos do refugo da escória da humanidade dão tratos à bola para livrar o dito-cujo das "garras" de Moraes. Uma das ideias em discussão seria tirar o foro nos casos de quem já saiu do cargo, o que levaria a trama golpista para a primeira instância. Assim, o processo teria de esgotar todos os recursos em todas as instâncias inferiores até retornar ao Supremo, adiando por anos a provável condenação definitiva. 

A conferir.


Nas versões mais recentes do sistema do Google, o recurso Instalar aplicativos desconhecidos é ativado separadamente para cada aplicativo. Para baixar um app de outra fonte que não a Google Play Store, toque em Configurações > Aplicativos e notificações > Avançado > Acesso especial ao aplicativo > Instalar aplicativos desconhecidos e escolha o programa ao qual você quer conceder a permissão. Concluída a instalação, torne a bloquear o download de aplicativos desconhecidos e faça uma varredura com seu antivírus para garantir que o sistema não foi infectado.


Há outros recursos que facilitam o uso cotidiano do smartphone, como o TalkBack, que lê em voz alta o conteúdo que aparece na tela. Para ativá-lo, toque em Configurações  > Acessibilidade e, no campo Leitor de Tela, selecione TalkBack e vire a chave ao lado de Usar TalkBack e leia o tutorial sobre como usar a ferramenta.
 
O aplicativo Transcrição Instantânea foi desenvolvido para auxiliar pessoas com deficiência auditiva, mas pode ser útil para qualquer pessoa que precise transcrever áudios ou monitorar sons do ambiente. Ele usa o microfone para captar os sons (tanto conversas como latidos de cachorro, campainhas, alarmes e o que está sendo falado num clipe de vídeo naquele momento, por exemplo) e convertê-los em texto na tela. Para habilitar o recurso, abra as Configurações, selecione Acessibilidade, toque em Transcrição Instantânea > Abrir Transcrição Instantânea > Notificações de som e ative a opção Notificações de som.
 
Observação: A disponibilidade e os recursos do Transcrição Instantânea podem variar dependendo da versão do Android e da marca/modelo do celular, e a precisão da transcrição pode ser afetada por ruídos no ambiente e pela clareza da fala.
 
Outra função contida no pacote de Acessibilidade do Android é Selecionar para ouvir. Para usá-la, acesse as Configurações, toque em Acessibilidade > Selecionar para ouvir e ative a opção respectiva. Feito isso, abra o aplicativo ou a página da web que contém o texto desejado, toque no ícone de "play" e arraste o dedo pela tela para selecionar a porção desejada ou toque em algum ponto para que a leitura comece a partir dali. 


Observação: precisão da leitura pode variar dependendo da qualidade da imagem, da fonte e do idioma do texto, que em alguns dispositivos é possível ativar o recurso deslizando dois dedos para cima na tela, e que para fazer leitura em segundo plano é preciso ativar a opção Ler em segundo plano nas configurações (lembrando que você pode realizar o mesmo procedimento com o Google Lens, tanto no Android quanto no iOS).
 
Por último, mas não menos importante: se quiser usar a câmera do celular pode como lente de aumento para analisar qualquer objeto, abra o app, focalize o que você deseja ampliar e mova o controle deslizante para aproximar a imagem, ajustar o brilho e o contraste, adicionar filtros e até ligar a lanterna. 


Divirta-se.

domingo, 15 de junho de 2025

7 DICAS PARA UM CHURRASCO DE MESTRE

MEIAS-VERDADES COSTUMAM SER MENTIRAS INTEIRAS.

Muito do que será visto a seguir já foi objeto de outras postagens dominicais, mas o que abunda não excede e a audiência do Blog é rotativa. Dito isso, vamos ao que interessa: 

 

1) A picanha é rainha das churrascarias e a princesa dos churrasqueiros de fundo de quintal (ou de terraços-gourmet), mas a maminha, a fraldinha, o miolo de alcatra e o contrafilé são cortes macios, suculentos, saborosos, e costuma custar um pouco menos.

 

2) Picanha e sal grosso são indissociáveis, mas o tamanho dos grãos dificulta a absorção e distribuição, deixando algumas partes da carne salgadas demais e outras sem sal nenhum. Flor de sal e sal rosa do Himalaia são ideais para finalizar carnes já assadas, ao passo que o sal de parrilla — mais fino que o sal grosso e mais grosso que o sal refinado — penetra melhor na carne e derrete em contato com o calor do braseiro.


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Primeiro foi a "crise do Pix". Depois o "escândalo do INSS". Em seguida, a "crise do IOF". Desse jeito, não há populismo que reverta os índices de rejeição a Lula, que não aprendeu nada em seus dois primeiros mandatos, nem com o mensalão, nem com os 580 dias de prisão.

A crise gerada pelo aumento atabalhoado do IOF é apenas mais um capítulo da novela do desgaste de Lula, que começou lá atrás, com a falta de diálogo da base com o então ministro Alexandre Padilha, passou pela falta de alinhamento do próprio Lula com seus principais aliados e chegou ao ápice agora com as crises do Pix e do IOF. Até mesmo os partidos de esquerda, como o PSB, ensaiam um desembarque.

Dizem que em 1912, durante o naufrágio do Titanic, os músicos responsáveis pelo entretenimento tocaram por mais de duas horas enquanto os passageiros lutavam para sobreviver. O atual governo já colidiu com o iceberg; o Centrão não só percebeu como já admite que apenas um milagre poderia salvar o petista. 

Ao mais fiéis, resta escolher entre afundar com o navio ou embarcar num bote salva-vidas antes que a orquestra pare de tocar.

 

3) Salgar a carne na hora de servir ajuda a manter a suculência e evita que ela resseque. Mas você pode salgar a picanha um pouco antes de acender o braseiro, ou mesmo besuntá-la com manteiga temperada (misture ½ tablete de manteiga em ponto de pomada com 4 dentes de alho picados, um fio de azeite, sal e tomilho desidratado) e pincele sobre a picanha antes de levá-la à churrasqueira.

 

4) Cortes como maminha, fraldinha e contrafilé podem ser colocados para marinar — isso significa deixar a carne descansando numa mistura de azeite, vinagre e outros temperos, como alho, cebola, sal, páprica e ervas finas por pelo menos duas horas. O chimichurri também é uma boa opção para deixar o churrasco com um sabor diferente.

 

5) Churrasco de carne bovina se come malpassado ou ao ponto. Carne "bem-passada" favorece a formação de compostos carcinogênicos, cuja metabolização pelo fígado gera radicais livres em quantidade superior à que nosso organismo é capaz de neutralizar. De mais a mais, quem gosta de sola é sapateiro.

 

6) Acenda a churrasqueira de 45 minutos a 1 hora antes de colocar a carne para assar, pois assim a selagem será rápida e os sucos internos serão preservados. 


7) Mantenha o lado da gordura virado para cima, pois assim ela derrete, penetra nas fibras e deixar a carne ainda mais macia e suculenta. 


8) Quando a peça estiver selada por todos os lados, afaste-a do braseiro e deixe assar lentamente, para que ela fique dourada por fora e suculenta por dentro. Também é importante deixar a carne descansar por cerca de  5 minutos antes de cortar, pois isso faz com que os sucos se redistribuam, deixando o churrasco mais suculento.

 

9) Churrasco não é só picanha (ou outro corte bovino). Linguiça (tanto comum quanto temperada, recheada com alho, pimenta biquinho e erva-doce), salada de folhas, maionese de batata (com ervilhas, bacon crocante, cebolinha, mostarda amarela e um toque de limão), pão de alho (pães franceses amanhecidos, alho, maionese e cheiro-verde picado, envolvidos em papel alumínio e levados à churrasqueira até que fiquem dourados e crocantes por fora e macios por dentro), farofa de pão com bacon e molho à campanha são complementos indispensáveis.

 

Observação: Pães franceses fresquinhos besuntados com manteiga e recheados com linguiça e queijo coalho grelhado forram o estômago, evitando o pileque da caipirinha, e reduzem a demanda pela carne propriamente dita. Dependendo do número de comensais, a economia pode ser bastante significativa.

 

Agora é só acender o braseiro, assar a carne e encher a pança.

 

Bom apetite.  

sábado, 14 de junho de 2025

DE VOLTA AO GOLPISMO TELEFÔNICO — COMO SE PROTEGER DOS ROBOCALLS

AS PESSOAS GOSTAM DE SER CONVENCIDAS DE QUE DOIS E DOIS SÃO CINCO. QUEM DIZ QUE SÃO QUATRO É TRATADO COMO HEREGE.

Empresas de telemarketing, telefonia e TV por assinatura são responsáveis por grande parte das ligações indesejadas que recebemos diariamente. Quando não caem assim que as atendemos, essas chamadas tocam gravações automáticas tentando nos empurrar produtos que não queremos comprar ou serviços que não desejamos contratar. Mas o maior problema não é o incômodo em si, e sim o risco de elas serem um prenúncio de golpe.


No Brasil, cerca de 20 bilhões de "robocalls" (como são chamadas essas ligações automáticas) são realizadas todos os meses, e metade delas é feita por sistemas automatizados, que as derrubam em até 6 segundos. De acordo com a Anatel, essas chamadas servem como uma "prova de vida" — ou seja, visam confirmar que o número está ativo e que o assinante pode seja bombardeado com ofertas —, evitando que os call centers percam tempo com números inexistentes — no mercado de telemarketing, cada segundo conta.


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O STF encerrou na última terça-feria os interrogatórios dos réus do chamado núcleo 1. Personagem central, Bolsonaro negou envolvimento nos crimes, reiterou que sempre agiu “dentro das quatro linhas da Constituição” e voltou a defender o voto impresso — segundo ele, até o ministro Flávio Dino teria questionado a confiabilidade das urnas eletrônicas. Quanto à minuta que previa prisão de autoridades e decretação de estado de sítio, disse que o tema surgiu informalmente. Afirmou que sobrevive de doações feitas por apoiadores e reclamou da multa de R$ 22 milhões aplicada ao PL pelo TSE por litigância de má-fé. Como se não bastasse, convidou Moraes para ser seu vice em 2026 (o ministro declinou do convite).

Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do DF, negou envolvimento em atos golpistas e classificou como “minuta do Google” o documento com teor antidemocrático encontrado em sua casa. Braga Netto negou qualquer articulação golpista “conspiratória” em visita recebida por militares em sua residência, em novembro de 2022, e refutou as declarações de Mauro Cid sobre dinheiro vivo em caixa de vinho para financiar manifestações — “se houve pedido de ajuda, foi sobre contas de campanha a serem resolvidas no PL”, alegou.

Augusto Heleno, ex-ministro do GSI, negou envolvimento em ações golpistas e disse que suas declarações foram retiradas de contexto. Admitiu ter solicitado à Abin o acompanhamento das campanhas presidenciais de 2022, mas negou qualquer uso político da agência e classificou como “particular e sigilosa” a agenda encontrada com ele, chamada de “caderneta golpista”.

Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa, disse que os atos de 8 de janeiro foram, inicialmente, “uma manifestação pacífica que saiu do controle”, e não uma tentativa de golpe. Durante o interrogatório, escorregou na hierarquia e chamou Moraes de “comandante”. O ministro respondeu: “Isso é um elogio. Nas redes sociais eu já fui chamado de coisa pior.” Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, negou ter colocado tropas à disposição de Bolsonaro ou participado de articulações golpistas.

Com a instrução processual encerrada, os advogados dos réus terão 5 dias para solicitar novas diligências — que o relator pode deferir ou negar, assim como convocar eventuais acareações para esclarecer contradições. Encerrada essa etapa e apresentadas as alegações finais pela PGR e pelas defesas, o processo será encaminhado ao presidente da 1ª Turma para marcar o julgamento. Na sessão (ou sessões), Moraes lerá seu relatório e voto. Em seguida, votam os ministros Flávio Dino, Luiz Fux e Cármen Lúcia; o último a votar será Cristiano Zanin, atual presidente da Turma. Havendo condenação e esgotados os recursos cabíveis, caberá à Turma fixar as penas de cada réu.


De acordo com dados recentes da Anatel, essa chamadas cresceram 12% no Brasil entre janeiro do ano passado e o mesmo mês deste ano — um aumento de 23 mil ligações por segundo. Não atender a chamadas de números desconhecidos nem sempre é uma boa ideia, especialmente se a pessoa estiver aguardando notícias importantes, como um vaga de emprego ou um agendamento médico.

 

Ao invés de utilizar as redes de telefonia convencionais, os golpistas se valem da Internet e de softwares específicos (disponíveis na web), tornando a maracutaia mais difícil de ser detectada, uma vez que as ligações parecem legítimas. Algumas quadrilhas de cibercriminosos chegam até mesmo a manipular a identificação do número de origem, fazendo com que uma ligação de uma empresa em São Paulo, por exemplo, exiba o DDD 21, também por exemplo. 


Os sistemas automatizados podem gerar números aleatórios — tornando o bloqueio das chamadas ineficaz —, e alguns golpistas induzem as vítimas a dizer palavras como "sim" ou "não", que gravam e utilizam posteriormente em contratos fraudulentos. Em alguns golpes mais elaborados, os criminosos se passam por empresas de cobrança ou serviços de atendimento, tentando obter dados sensíveis — como números de documentos ou até informações bancárias.

 

A Anatel tenta ampliar o combate às ligações abusivas com a chamada "origem verificada", que deve exibir o nome, o logo e o motivo pelo qual a empresa está ligando, mas, cá entre nós isso é como "enxugar" gelo, pois os vigaristas estão sempre um passo adiante. Mesmos assim, é possível minimizar os ricos seguindo algumas dicas simples:

 

— Não atenda a uma chamada se você não reconhecer o número; se for algo urgente ou importante, a pessoa tornará a ligar.


— Se você atender e o interlocutor for desconhecido, jamais confirme informações pessoais ou bancárias, pois os golpistas podem gravar suas respostas e usá-las para firmar contratos fraudulentos. 


— Se a ligação for de uma instituição com a qual você tem algum vínculo (banco, empresa de telefonia, etc.), desligue e ligue de volta utilizando o número oficial da empresa, disponível no site ou no seu extrato.

 

— Tanto o Android quanto o iOS permitem gerenciar as ligações, mas aplicativos como o Truecaller ampliam a gama de recursos: 

 

— A Anatel e outras entidades reguladoras recebem queixas sobre ligações abusivas. Ao denunciar, você ajuda a autoridade a monitorar e aplicar medidas contra os infratores.

Boa sorte. 

sexta-feira, 13 de junho de 2025

BIG BANG — DO NADA AO TUDO (FINAL)

AGORA VEMOS POR ESPELHO, EM ENIGMA, MAS, ENTÃO, VEREMOS FACE A FACE; AGORA CONHEÇO EM PARTE, MAS, ENTÃO, CONHECEREI COMO TAMBÉM SOU CONHECIDO.

Teoria do Big Bang explica a origem do Universo, mas não elucida o que precedeu a "grande explosão", ou por outra, como "tudo veio do nada". Sabe-se que as primeiras partículas de matéria  que compõem o núcleo atômico — prótons e nêutrons — surgiram um décimo de milésimo de segundo após o Big Bang, mas o que existia até então pertence ao reino da física especulativa. 

Uma hipótese plausível é que o cosmos era formado por uma "sopa" de partículas elementares de vida curta — quarks, os blocos fundamentais dos prótons e nêutrons — misturadas com antimatéria em quantidades aproximadamente iguais. Mas, se matéria e antimatéria se anulam mutuamente, como essas partículas conseguiram permanecer?

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A julgar pelo interrogatório de Mauro Cid, o que se passou no governo Bolsonaro em 2022, notadamente no período pós-eleição presidencial, foi uma adesão total à prática do desaforo institucional, corrupção de valores e roubalheira de princípios. Na tentativa de reduzir a gravidade das ações, Cid traçou um paralelo ao que o ex-ministro Marco Aurélio chamou certa vez de realidade de “faz de conta”, em que agentes públicos negam os fatos para escapar de suas responsabilidades. A referência, então, era ao roubo de dinheiro justificado sob a rubrica da prática comum do caixa dois; agora, o que se viu foi a subtração de preceitos da legalidade, travestida de conversas de bar (nas palavras do delator).

Quando Alexandre de Moraes perguntou se o almirante Almir Garnier havia colocado as tropas da Marinha à disposição do golpe, Bolsonaro respondeu: “Em hipótese alguma. Não tinha clima, não tinha oportunidade e não tinha uma base minimamente sólida para fazer qualquer coisa.” Questionado por seu próprio advogado a respeito de usar a Abin para produzir relatórios com informações falsas sobre urnas eletrônicas, o general Augusto Heleno respondeu: “De maneira nenhuma. Não havia clima.” O sincericídio foi tão grande que o próprio Moraes ironizou: “Não fui eu quem fez a pergunta, general. Eu quero registrar nos anais da Corte que foi o seu advogado.”

Bolsonaro admitiu ter mostrado a chamada “minuta do golpe” ao então comandante do Exército, mas negou que ele tenha ameaçado prendê-lo, como afirmou seu ex-ajudante de ordens e delator no processo. Classificou como “malucos” os milhares de apoiadores que acamparam em frente aos quartéis pedindo uma intervenção militar após sua derrota nas eleições. Mais adiante, exibindo uma inusitada vocação para comediante, chegou a convidar Moraes para ser seu vice em uma hipotética candidatura à Presidência da República (o ministro declinou). Em certo momento, chamou de “malucos” seus próprios seguidores que pediam intervenção das Forças Armadas diante do resultado das urnas.

Interrogado por videoconferência, o general Braga Netto — vice na chapa de reeleição de Bolsonaro e um dos auxiliares mais próximos do ex-presidente nos últimos meses de governo — rebateu a acusação de Cid de que teria levado uma caixa de vinho com milhares de reais para ser entregue aos chamados “kids pretos”. Também foram ouvidos os ex-ministros Anderson Torres (Justiça) e Sérgio Nogueira (Defesa), e o ex-comandante da Marinha. Os três admitiram ter discutido a possibilidade de um golpe de Estado, mas negaram envolvimento em qualquer trama golpista.

A conclusão dos interrogatórios em menos da metade do tempo previsto inicialmente confirma a rapidez com que Moraes tem conduzido o inquérito, mesmo dando a todos os réus o espaço que desejaram para falar e permitindo que ministros da 1ª Turma fizessem questionamentos — só Luiz Fux deu o ar da graça.

Avaliar depoimentos de réus deveria ser tarefa para analistas políticos, não para psicanalistas. Neste caso, porém, ambos talvez chegassem à mesma conclusão: não se trata apenas de atos falhos, mas de uma arquitetura deliberada da mentira. O que estava em jogo não era só o poder, mas a própria sanidade institucional. E, entre delírios, cinismo e amnésias seletivas, o Brasil foi transformado em um experimento de realidade paralela. O próprio Freud teria dificuldade para explicar tamanha dissonância entre o que foi dito e o que foi feito — talvez apenas o Dr. House, com sua máxima: “todo mundo mente”.


A física como a conhecemos deixa de fazer sentido nos primeiros 5,39 × 10⁻⁴⁴ segundos contados a partir do "início" do universo — um intervalo conhecido como tempo de Planck. Nesse limite extremo, a gravidade e a mecânica quântica tornam-se incompatíveis, e, sem uma teoria unificada de gravidade quântica, não é possível descrever com precisão o que realmente ocorreu. À medida que o universo se expandia e esfriava, a sopa densa e quente de quarks e glúons começou a se combinar, formando prótons e nêutrons — isso por volta de 10⁻⁶ segundos após o Big Bang.


Quando falamos que “tudo veio do nada”, é preciso lembrar que, na cosmologia, “nada” pode significar ausência de matéria, de espaço-tempo, ou mesmo um vácuo quântico repleto de flutuações. Segundo a Teoria Quântica de Campos, mesmo no vácuo existem atividades físicas — flutuações de energia que podem dar origem a partículas que logo desaparecem. Por mais que isso pareça uma abstração matemática, essas partículas foram detectadas em inúmeros experimentos.

 

Algumas hipóteses sugerem que o Universo pode ter surgido de uma flutuação do vácuo, com energia total zero — em que a energia positiva da matéria seria cancelada pela energia negativa da gravidade. Stephen Hawking e outros físicos exploraram a ideia de que o surgimento espontâneo do Universo poderia ser possível dentro da física quântica. Mas, novamente, estamos falando de um campo altamente especulativo.

 

Voltando no tempo até a chamada Era de Planck — que ocorreu um décimo de milionésimo de um trilionésimo de um trilionésimo de um trilionésimo de segundo após o Big Bang — deparamo-nos com um limite onde nossas melhores teorias entram em colapso. O próprio espaço-tempo, nesse ponto, sofre flutuações quânticas. E como vimos em outras postagens, a mecânica quântica governa o micromundo das partículas e a relatividade geral, o universo em grande escala. Para unificá-las, precisaríamos de uma Teoria de Tudo.

 

Segundo a Teoria das Cordas e a Gravidade Quântica em Loop, espaço e tempo seriam conceitos emergentes, como ondas na superfície de um oceano profundo. O que chamamos de espaço-tempo seria, na verdade, o resultado de processos quânticos ainda mais fundamentais. Fica ainda mais complicado quanto tentamos entender que, na Era de Planck, não apenas o espaço e o tempo deixam de fazer sentido, como a causalidade se desintegra.

 

Vale destacar que as candidatas à "teoria da gravidade quântica" descrevem um tipo de realidade física que estaria ocorrendo naquele momento primordial — uma espécie de precursor quântico do espaço e tempo, mas a física ainda não encontrou um exemplo confirmado de algo surgindo literalmente do nada. A procura por esse "santo graal" deu azo a explicações sobrenaturais, a modelos cíclicos do Universo e à Teoria do Multiverso, segundo a qual infinitos universos coexistem, cada qual com suas próprias leis e histórias. 

 

Inspirado por uma conexão matemática curiosa entre um universo inicial quente e denso e um universo final frio e vazio, o físico Roger Penrose, ganhador do Nobel em 2020, propôs a chamada cosmologia cíclica conformada. Nela, os estados iniciais e finais se tornam matematicamente idênticos quando levados aos seus limites. Em outras palavras: o Big Bang pode ter surgido de um "quase nada" — o resquício de um universo anterior, onde toda a matéria teria sido consumida por buracos negros e transformada em fótons dispersos num imenso vazio.

 

Mesmo assim, esse "nada" ainda seria um tipo de "algo", como um universo físico desprovido de estrutura. O paradoxo aqui é que esse estado frio e vazio pode ser o mesmo que o estado quente e denso visto sob outra perspectiva. A solução, segundo Penrose, poderia ser uma transformação geométrica complexa, que altera o tamanho, mas não a forma, já que tanto o conceito de tamanho como o próprio tempo podem deixar de fazer sentido em estados extremos.

 

O estado frio e vazio existiria eternamente numa linha do tempo própria, enquanto o estado quente e denso habitaria uma nova linha temporal. Sem embargo, ainda que essa hipótese se comprove no futuro, a pergunta filosófica mais profunda ainda permanece: de onde veio a própria realidade física? De ciclos infinitos, cada um gerando o próximo com variações quânticas aleatórias? Ou de um único ciclo, repetido eternamente, como um universo que retorna sempre ao mesmo ponto, reproduzindo a si mesmo?

 

Penrose sugere que cada ciclo do universo é único — o que abriria a possibilidade de detectarmos vestígios do ciclo anterior na radiação cósmica de fundo que observamos hoje. Ele e seus colegas afirmam ter encontrado essas marcas nos dados coletados pelo satélite Planck, que mapeou com alta precisão essa radiação remanescente do Big Bang. Segundo os cientistas, certos padrões circulares identificados nos mapas poderiam ser ecos de buracos negros supermassivos que existiram no ciclo anterior. Mas essas conclusões ainda são alvo de intenso debate entre seus pares.


Se um dia encontrarmos uma forma natural de transformar essa cosmologia cíclica de múltiplos ciclos para um único ciclo fechado, nosso Universo poderia ser um loop contínuo do Big Bang ao vazio e de volta ao Big Bang, num renascimento perpétuo do mesmo multiverso quântico, onde tudo que pode acontecer acontece, e acontece de novo, de novo e de novo.

 

Na mitologia nórdica, a serpente Jörmungandr, filha de Loki, morde a própria cauda, criando o círculo que sustenta o equilíbrio do mundo. Como se vê, a pergunta "de onde viemos?" pode ser mais antiga do que imaginamos. As teorias são muitas, mas, ao fim e ao cabo, talvez todas nos levem de volta ao ponto de partida.

quinta-feira, 12 de junho de 2025

20 ANOS DE MENSALÃO E O BOTECO DAS ELEIÇÕES

UM PAÍS SEM JUSTIÇA SE TRANSFORMA FACILMENTE NUM COVIL DE LADRÕES.

Há 20 anos, uma entrevista revelava ao Brasil a existência de um esquema de compra de apoio político envolvendo integrantes do Congresso Nacional, do governo federal e da cúpula de diversos partidos políticos. Era o início do "Escândalo do Mensalão", que abalou o primeiro mandato de Lula, conquistado após três derrotas consecutivas (1989 para Fernando Collor e 1994 e 1998 para Fernando Henrique). 

 

O termo "mensalão", citado pela primeira vez numa entrevista de Roberto Jefferson — então deputado e presidente do antigo PTB — à jornalista Renata Lo Prete — então editora do Painel no jornal Folha de S.Paulo — aludia às "mesadas" que os parlamentares recebiam em troca apoio a projetos de interesse do Executivo. No relato, o parlamentar acusou o então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, de ser o responsável pelos repasses para compra do apoio dos congressistas. Mas a sombra de uma crise de grandes proporções, associada a desvio de dinheiro público dentro da máquina federal, já pairava sobre o governo petista.

 

Em maio de 2005, a revista Veja — cujas reportagens bombásticas já haviam desencadeado o fim da carreira militar de Bolsonaro (1987) e a implosão do governo Collor (1992) — revelou a existência de um vídeo em que um diretor dos Correios chamado Rogério Marinho negociava propina em nome de Jefferson, dando origem à "CPMI dos Correios", que se tornou palco das principais revelações e investigações, em tempo real, do esquema do mensalão. 

 

Na época, o PT enfrentava dificuldades de consolidar uma base governista na Câmara dos Deputados. Jefferson acusou  José Dirceu de envolvimento no esquema, e o então ministro-chefe da Casa Civil pediu demissão e retomou seu mandato de deputado. Em julho, Veja revelou que Marcos Valério, Delúbio Soares e José Genoino deram aval a um empréstimo milionário em nome do PT, levando o Delúbio e o secretário-geral do partido, Silvio Pereira, a deixarem seus cargos. Dias depois, José Adalberto Vieira da Silva, secretário do PT do Ceará e assessor do irmão de José Genoino, foi preso ao tentar embarcar em um voo com R$ 200 mil na mala e US$ 100 mil escondidos na cueca. Genoino deixou a presidência do PT no dia seguinte, e o partido mergulhou de vez em uma espécie de inferno astral e crise reputacional.

 

Aos poucos, outras siglas da base do governo (como PP e PL) que haviam formado a chapa presidencial vitoriosa em 2002 tiveram deputados e dirigentes envolvidos no escândalo, entre os quais Valdemar Costa Neto, que renunciou ao mandato para não ser cassado, foi condenado no "Processo do Mensalão" e posteriormente perdoado por se enquadrar nas regras de um decreto editado pela presidente Dilma no final de 2015. A despeito da capivara invejável, esse sujeito preside o partido que tem Jair Bolsonaro como presidente de honra e Michelle Bolsonaro no comando do PL Mulher.

 

Ao se defender a cassação, Jefferson disse em seu discurso: "Este é o governo mais corrupto que vi em meus 23 anos como deputado. O Zé Dirceu tratou a Câmara como um prostíbulo (...) E a turma que forneceu o dinheiro vai ficar de fora? Tem ministro que recebeu mensalão (...) Foi de lá do Planalto que partiu a corrupção". Acusou Lula de ser "preguiçoso", "malandro" e "omisso". "Tirei a roupa do rei. Mostrei ao Brasil o que é o governo Lula. Mostrei ao Brasil quem são esses fariseus", discursou. No dia 1º de dezembro de 2005, o mandato de Dirceu também foi cassado.

 

Em seu primeiro pronunciamento sobre Mensalão, Lula se disse "indignado com a crise política" e pediu desculpas à nação. Meses depois, em entrevista ao Fantástico, afirmou que não tinha conhecimento do esquema e classificou as denúncias de "facada nas costas". Em março de 2006, a partir das conclusões da CPMI dos Correios, o então PGR apresentou denúncia ao STF contra 40 pessoas — entre as quais Dirceu, acusado de ser o "chefe da organização criminosa" — por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, evasão ilegal de divisas, corrupção ativa e passiva, peculato, falsidade ideológica e gestão fraudulenta. Em agosto do ano seguinte, o Supremo aceitou a denúncia e, após 53 sessões, condenou 24 dos acusados, com destaque para Marcos Valério — o "operador" do mensalão —, que foi condenado a 40 anos, dois meses e dez dias de prisão, além de uma multa milionária.

 

Vinicius de Moraes ensinou que não há nada como o tempo para passar; Ivan Lessa, que o brasileiro esquece a cada 15 anos o que aconteceu nos últimos 15 anos; e um velho ditado, que quando um porco entra num palácio, ele não se torna rei, mas o palácio se torna um chiqueiro. Em 2018, o antipetismo levou Bolsonaro do obscuro baixo-clero da Câmara ao gabinete mais cobiçado do Palácio do Planalto; em 2022, o antibolsonarismo levou Lula de volta ao mesmo gabinete por uma vantagem de 1,8% dos votos válidos. 

 

Como se vê, mesmo que o cardápio inclua pão amanhecido e biscoito esfarelado, o eleitor brasileiro prefere escolher entre um prato de merda e um suco de bosta.