quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

CRONOLOGIA DO APOCALIPSE

ENTRE O NÃO E O SIM SEMPRE HÁ UM TALVEZ...

No início da era cristã, respaldados no Apocalipse de João, vates delirantes alardearam que a humanidade não sobreviveria ao ano 1000. Quando a previsão falhou, o julgamento celestial foi remarcado para 1033 e, mais adiante, para 1666.

 

Botticelli foi um grande pintor, mas revelou-se um profeta de merda ao prever que Cristo voltaria em 1503 para julgar os vivos e os mortos. Stifel aprazou o Armagedom com precisão suíça, mas o mundo não acabou às 8h do dia 19 de outubro de 1536. 


Colombo descobriu a América, mas o apocalipse que ele disse que aconteceria entre 1656 e 1658 não aconteceu. Lutero chutou na trave ao predizer que o mundo abarbaria no século XVII — lembrando que a Peste Negra e o Grande Incêndio mataram mais de 100  londrinos em 1666.

 

Em 1806, uma galinha que punha ovos com a inscrição Christ is coming espalhou pânico nas Ilhas Britânicas — até que se descobriu que uma falsa vidente escrevia a mensagem na casca dos ovos e os colocava de volta na cloaca da ave adivinha. 


Na mesma época, o pregador William Miller anunciou que o apocalipse ocorreria entre 21 de março de 1843 e 21 de março do ano seguinte. A profecia não se confirmou, mas deu azo ao Grande Desapontamento e à fundação da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Já as Testemunhas de Jeová afirmam desde a fundação da seita, em 1870, que o dia do juízo será "em breve".


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O economista francês Frédéric Bastiat imaginou uma petição ao rei para que ele proibisse todos os seus súditos de usarem a mão direita, e justificou a medida aparentemente insana recorrendo à cristalina lógica: quanto mais uma pessoa trabalha, mais rica ela fica; quanto mais dificuldades precisa superar, mais trabalha; logo, quanto mais dificuldades uma pessoa tem de superar, mais rica ela se torna.

O Brasil tem algo de bastiatiano. O Banco Central elevou os juros para conter a inflação, e o governo basicamente amarra a mão direita da autoridade monetária multiplicando linhas de crédito subsidiado e criando vários programas para manter e até ampliar a atividade econômica. Ora, se o propósito dos juros altos é esfriar a economia para conter o aumento dos preços, o governo atua na contramão dos objetivos do BC, e o resultado são juros mais altos e por um tempo maior do que seria necessário para segurar a inflação.

O trabalhador brasileiro leva uma hora para produzir o que seu homólogo norte-americano faz em 15 minutos, e o que o governo faz? Amarra a mão direita, impondo tarifas de importação de máquinas de 12% — uma das mais altas do mundo. Essa obsessão pela ineficiência é muito ruim para o país, mas não deixa de beneficiar grupos específicos, como poupadores que faturam uns cobres na renda fixa e empresários que não querem saber de concorrência.

É aí que entra uma outra ótima tirada de Bastiat, que definiu o Estado como uma "grande ficção através da qual todos se esforçam para viver às custas dos demais".

 

Em 1997, a seita Heaven's Gate anunciou que o cometa Hale-Bopp trazia a reboque um OVNI que destruiria a Terra, mas a profecia só se confirmou para os membros do grupo, que cometeram suicídio coletivo durante a passagem do cometa, achando que suas almas seriam levadas pelos alienígenas. Interpretações distorcidas de Nostradamus levaram a crer que o mundo acabaria em julho de 1999. Como não acabou, Richard W. Noone teve tempo para prever que o alinhamento dos planetas produziria uma espessa camada de gelo que congelaria a Terra. Mas a Terra não congelou.

 

Alarmistas proclamaram que o Grande Colisor de Hádrons criaria buracos negros que engoliriam o mundo. Como o mundo não acabou, o pregador Harold Camping anunciou que terremotos devastadores ocorreriam em 21 de maio de 2009, e que apenas 3% da população mundial iria para o Céu. 


Quando a previsão furou, o profeta de fancaria mudou a data para 21 de outubro. Passados 16 anos, a despeito do aquecimento global e suas funestas consequências, 8,1 bilhões de pessoas continuam habitando o planetinha azul. 

 

Cientistas de todo o mundo (o que não significa "todos os cientistas do mundo") sugerem a possibilidade de a Terra ser extinta daqui a 250 milhões de anos — o que, se se confirmar, marcará a primeira extinção em massa desde a aniquilação dos dinossauros, há 66 milhões de anos. 


Outro estudo, mais recente e baseado em observações astronômicas, aponta que o Universo pode ter uma expectativa de vida finita de apenas 33 bilhões de anos, terminando em um colapso catastrófico conhecido como "Big Crunch". 


A boa notícia, por assim dizer, é que — a menos que se acredite em reencarnação — nenhum de nós estará vivo para conferir qual dessas previsões é a correta.

 

Bilhões de anos é um intervalo de tempo quase incompreensível em termos humanos — aproximadamente 1.4 milhão de vezes mais longo que toda a história da espécie humana. Mas a descoberta de que o Universo tem uma data de expiração adiciona uma nova dimensão às nossas reflexões sobre o lugar da humanidade no cosmos. E isso num momento particularmente significativo, em que ensaiamos os primeiros passos rumo a uma civilização verdadeiramente espacial. 

 

As próximas décadas de observações astronômicas serão cruciais para confirmar, refinar ou possivelmente refutar essas conclusões extraordinárias. Mesmo porque nada é para sempre — em algum momento, tanto a vida na Terra quanto o próprio Universo terão um fim. 

 

Cerca de 252 milhões de anos atrás, nosso planeta pela maior extinção em massa da história, que aniquilou 94% das espécies marinhas e 70% dos vertebrados terrestres. O episódio foi causado pela liberação de gases do efeito estufa por uma série de erupções vulcânicas gigantescas na região onde atualmente é a Sibéria. O dióxido de carbono aqueceu o planeta de forma intensa, e a temperatura terrestre subiu entre 6°C e 10°C, gerando um "superefeito estufa" que durou cerca de 5 milhões de anos e tornou impossível a sobrevivência de muitas espécies. 

 

Segundo Zhen Xu, pesquisadora de doutorado na Universidade de Leeds, Reino Unido, embora tenha ocorrido há centenas de milhões de anos, esse evento mostra que os ecossistemas não conseguem responder rapidamente a mudanças climáticas bruscas — como as que estão acontecendo agora —, e a perda acelerada das florestas pode levar a um novo ponto de inflexão, tornando as mudanças climáticas ainda mais difíceis de reverter. 


Proteger essas regiões é essencial para evitar que o passado se repita no futuro, mas os "lideres mundiais" — como Donald Trump, Vladimir Putin e distinta companhia — estão mais preocupados com seus infames projetos de poder.

 

Vale uma reflexão.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

A RESPOSTA ESTÁ LÁ FORA...

OS AUSENTES ESTÃO SEMPRE ERRADOS. 


Ensinava-se nos meus tempos de estudante que nosso sistema solar era formado por nove planetas, que Júpiter — o maior deles — tinha 12 luas, e que Saturno — o único com anéis — tinha 9. Mas não há nada como o tempo para colocar as coisas em perspectiva.


Em 2006, Plutão foi rebaixado à categoria de objeto transnetuniano. Sabe-se atualmente que Urano e Netuno também têm anéis; que Júpiter possui 95 luas e Saturno, 274, suspeita-se da existência de um nono planeta nos confins do sistema e de que Encélado a sexta maior lua de Saturno — seja potencialmente habitável.


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A revista The Economist critica a decisão de Lula de se candidatar e o jornal Financial Times aposta no favoritismo do presidente. Uma se concentra na idade do macróbio — tendo como referência o exemplo do norte americano Joe Biden — e a outra se baseia em dados da conjuntura, levando em conta as pesquisas, perspectivas econômicas e os desacertos do campo adversário. Ambas as análises carecem de conhecimento detalhado sobre as especificidades da realidade política brasileira, razão pela qual não devem ser recebidas como diagnósticos precisos e muito menos justificar patriotadas na reação às críticas.

The Economist argumenta que Lula tem 80 anos e já passou por problemas sérios de saúde, mas ignora que, ao contrário de Biden, o petista não aparenta ter perturbações cognitivas — seus defeitos para mais quatro anos de mandato são visão obsoleta da economia, esgotamento de liderança e, sobretudo, a autorreferência que impede a alternância de protagonismo à esquerda.

O Financial Times aposta na reeleição levando em conta as pesquisas de intenção de votos, a superação da crise do tarifaço de Donald Trump, a defesa da soberania nacional e a desorganização da direita — fatores circunstanciais, cujo prazo de validade pode se esgotar ao sabor da volatilidade e das especificidades da política local que tem a estranha mania de não ter fé nos escritos.

A conferir.

 

O hipotético “Planeta Nove” — que explicaria as órbitas incomuns de certos objetos transnetunianos extremos — estaria localizado além da órbita de Netuno, a algo entre 400 e 800 unidades astronômicas do Sol, e que sua translação demore de 10 mil a 20 mil anos. As principais evidências de sua existência vêm da análise das órbitas de corpos do Cinturão de Kuiper e da Nuvem de Oort, mas a baixa luminosidade, a vasta área do céu que precisa ser monitorada e a presença de outros objetos distantes tornam sua detecção direta extremamente difícil.

 

Encélado despertou o interesse dos cientistas porque existe um oceano de água líquida sob sua casca de gelo, por cujas fissuras escapam jatos de vapor, gelo, sais e compostos orgânicos. Em 2008, o Analisador de Poeira Cósmica da sonda Cassini foi atingido por esses grãos de gelo a cerca de 18 km/s — os mais rápidos e “frescos” medidos pela missão até então. 

 

Os pesquisadores reconstruíram os sinais e identificaram uma grande variedade de moléculas contendo carbono, nitrogênio e oxigênio, associadas a processos químicos complexos em ambiente aquoso. Posteriormente, um estudo publicado na revista Nature Astronomy reforçou essa conclusão ao demonstrar que as tais moléculas orgânicas se originam diretamente do oceano, apontando para um ambiente potencialmente habitável.

 

A existência de elementos básicos para a vida em Encélado não significa que homenzinhos verdes com cabeças grandes e olhos desproporcionais — como a ficção dos anos 1950 e 1960 retratava os “marcianos” — habitem outros mundos do nosso sistema solar, mas que Encélado pode ser um laboratório natural para investigar como a vida pode surgir em condições diferentes das da Terra — lembrando que outras formas de vida podem ter evoluído em ambientes que para nós seriam totalmente inviáveis.

 

Na astronomia, a zona habitável é chamada de Cachinhos Dourados numa alusão ao conto infantil em que a protagonista rejeita o mingau do bebê urso (doce demais) e o do papai urso (salgado demais), mas aceita o da mamãe ursa, que estava “no ponto certo”. Essa é a região onde um planeta recebe de sua estrela uma quantidade de energia semelhante à que a Terra recebe do Sol, o que lhe assegura temperaturas compatíveis com a presença de água líquida em sua superfície.

 

Não há provas cabais da existência de civilizações alienígenas mais avançadas tecnologicamente do que a nossa, mas abundam indícios de que seres extraterrestres nos visitaram em tempos imemoriais — e talvez continuem visitando, como sugerem os incontáveis relatos de avistamentos de OVNIs. 


O universo observável se estende por cerca de 46,5 bilhões de anos-luz em todas as direções e contém algo como 2 trilhões de galáxias, 200 sextilhões de estrelas e 400 sextilhões de planetas. Parafraseando Carl Sagan, se não existe vida fora da Terra, "what a waste of space!" (que desperdício de espaço!) 

 

Como ensinou Sherlock Holmes, quando se elimina o impossível, o que sobra, por mais improvável que seja, deve ser a verdade. É possível derrotar 40 sábios com um único argumento, mas 400 argumentos não bastam para convencer um idiota daquilo que lhe salta aos olhos.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

EDITORES DE IMAGEM ONLINE

MAIS IMPORTANTE DO QUE O QUE PENSAM DE TI É O QUE PENSAS DE TI.

 

Levantamento feito pela FGV revelou que 258 milhões dos 480 milhões de dispositivos digitais ativos no Brasil são smartphones e 222 milhões são desktops, notebooks e tablets. Isso significa que o celular ainda não aposentou o desktop e o notebook, mas só porque algumas tarefas combinam melhor com teclados físicos e telas de grandes dimensões, mas u

 

Qualquer smartphone tira fotos e grava vídeos, mas a oferta de filtros e editores de imagem para Android é maior do que para Windows e muito maior do que para macOS. A Microsoft criou o Paintbrush (e o rebatizou posteriormente de MS-Paint) quando seu festejado sistema operacional ainda era uma simples interface gráfica que rodava no MS-DOS


Embora não fosse um editor de imagens poderoso, ele ajudou centenas de milhões usuários a desenhar casinhas, árvores e bonecos e fazer edições simples em fotos e figuras, e deixou um sem-número de "viúvas desconsoladas" em 2017, quando foi substituído pelo Paint 3D. Mas a emenda saiu pior que o soneto, e a Microsoft ressuscitou a versão clássica e a embutiu no Win11 com melhorias significativas e ferramentas baseadas em inteligência artificial (Copilot). 


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O Supremo chega a 2026 em situação paradoxal. A inédita condenação de um ex-presidente e de militares graduados por crimes contra a democracia fez subir alguma coisa à cabeça de alguns magistrados, que, achando que o feito histórico bastaria para elevá-los à condição de estátua, comportam-se como pombos de si mesmos, sujando com desenvoltura dialética suas testas de bronze.

Apagaram-se as luzes do inquérito sobre o escândalo do Master depois que o relator voou de carona em jatinho particular, ao lado de um advogado de diretor do banco. A toga mais poderosa foi constrangida com a apreensão de contrato firmado pelo escritório de advocacia de sua mulher com o banco liquidado. A julgar pelo valor — R$ 129 milhões —, o contratante estava mais interessado em comprar influência do que assessoria jurídica.

Num movimento constrangedor, o decano editou uma liminar-blindagem para bloquear no Senado pedidos de impeachment contra si e seus pares. Negociou no balcão da baixa política um recuo parcial. Mas manteve o bode na antessala do Ano Novo. Paralelamente, o Código de Ética sugerido pelo presidente do tribunal é torpedeado internamente por colegas viciados em conchavos palacianos, embargos auriculares, indicações de cupinchas para tribunais inferiores, paloozas e rega-bofes bancados no exterior pelo déficit público e pelo lobby empresarial. 

Nesse ambiente, apenas o Supremo pode socorrer o Supremo. A tarefa, que já era incontornável, tornou-se um desafio urgente.


Usuários do Mac — como este que vos escreve — têm de se virar com a espartana Pré-visualização ou instalar um editor de imagens que rode no sistema da Apple. As opções são poucas, e as gratuitas, raras como moscas brancas de olhos azuis. Para nossa sorte, diversos editores de imagem online preenchem essa lacuna, dispensando a instalação de mais um app residente no computador. 


Com interface intuitiva e fácil de usar, o BeFunky permite importar fotos do computador e pode ser integrado ao Google Drive ou ao Dropbox. A gama de ferramentas é restrita, mas capaz de suprir nossas necessidade básicas, e aplicar textos sobre as imagens com fontes estilizadas está entre os recursos mais atrativos.

O Fator também é uma boa escolha para quem quer um editor simples e ágil. Sua tela inicial apresenta três alternativas — editor, colagem e design — e cada uma leva a uma tela com ferramentas diferentes, especificas para cada necessidade, e os menus autoexplicativos em português facilitam a vida dos usuários.


iPiccy é um editor mais completo, mas sua interface é intuitiva até mesmo para quem não domina programas do gênero. Ele permite cortar, girar ou redimensionar arquivos de maneira simples e rápida, oferece mais de 100 efeitos que podem ser aplicados nas fotos e permite alterar a exposição, o brilho, e a paleta de cores, mas exige que o login seja feito via Facebook. 


Inspirado no visual do Adobe Photoshop, o Photopea é a melhor escolha para quem está familiarizado com editores de imagem profissionais. Seus recursos avançados permitem remover manchas, trabalhar com camadas e até salvar arquivos com a extensão PSD — que pode ser editada no Photoshop. As ferramentas são as mesmas nas versões gratuita e premium — esta última apenas suprime os anúncios —, mas o programinha é caro quando comparados a outros editores profissionais.
 
Também inspirado no Photoshop, o Pixlr é pródigo em ferramentas, mas exige conhecimentos básicos de edição. Pode-se tanto criar arquivos em branco para iniciar um trabalho quanto importar imagens pesadas. Os formatos compatíveis são JPEG, PNG e TIFF — além do PXD, que é exclusivo do editor. Existe uma opção paga, mas a versão gratuita é suficiente para a maioria das pessoas.


Canva é mais voltado à criação de designs, mas não desaponta como editor de fotos; o Fotoflexer se destaca pela variedade de ferramentas avançadas de edição e interface amigável e intuitiva; e o Adobe Express oferece uma série de ferramentas poderosas para ajustes e melhorias em suas imagens com a confiabilidade da Adobe e sem a necessidade de instalar um programa pesado (e caro) no computador.


Escolha a opção que mais lhe agradar e divirta-se.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 65ª PARTE

QUEM QUER COLHER ROSAS DEVE SE PREPARAR PARA OS ESPINHOS. 

 

Vimos que o tempo não flui da mesma maneira para todos e que a possibilidade de não haver uma direção preferencial no mundo microscópico é real, embora nossa experiência cotidiana seja unidirecional. 


Ovos se quebram, mas não se reconstituem espontaneamente. Ainda que o conceito de tempo negativo seja uma realidade matemática e experimental no mundo quântico, há quem o veja como "desquebrar um ovo" — inverter a seta do tempo é fundamental quando se pretende saborear uma omelete de ovos de brontossauro com Fred Flintstone na pré-histórica Bedrock.


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O recente episódio envolvendo suposta interferência do ministro Alexandre de Moraes no caso do Banco Master, com direito a relatos de pressão sobre autoridades monetárias — incluindo o presidente do BC — e contrato com escritório de Advocacia ligado à esposa do magistrado, não pode ser tratado como mero ruído conjuntural do debate político-institucional nacional, sob pena de normalizarmos práticas que corroem silenciosamente o Estado Democrático de Direito.

Numa Democracia constitucional madura, o Direito não é instrumento de poder. Sua função primordial é limitar vontades, disciplinar competências e impedir que a autoridade pública, ainda que revestida das melhores intenções, ultrapasse os limites que a Constituição Federal impõe a todos nós.

Quando pressões institucionais ou atos judiciais passam a ser percebidos como extensões da vontade individual de um magistrado, o problema deixa de ser pessoal e passa a ser sistêmico. É neste contexto que se torna inadiável discutirmos a reforma do STF, mesmo porque o modelo atual dá poderes excessivos aos ministros relatores, sobretudo no controle da agenda e na prolação de decisões monocráticas com efeitos políticos, econômicos e sociais profundos. Soma-se a esta dinâmica o domínio estratégico da pauta de julgamentos, capaz de acelerar temas sensíveis ou, inversamente, mantê-los, indefinidamente, fora do debate do colegiado.

Uma Corte Constitucional não pode funcionar como a soma de vontades particulares dotadas de superpoderes. Sua legitimidade repousa na colegialidade real, no equilíbrio interno e na previsibilidade institucional. Quando um único ator passa a concentrar poder de pauta, de decisão e de projeção política, a balança dos Poderes da República se desequilibra — deflagrando, exatamente, o oposto que se espera do papel da Corte.

Há, ainda, um outro ponto sensível frequentemente ignorado: o STF não se submete aos controles administrativos do CNJ, o que torna indispensável a criação de um Código de Ética e de Disciplina, como bem sugerido pelo atual presidente da Corte, ministro Edson Fachin. 

Não se trata de fragilizar a independência judicial do País. Mas é indiscutível a necessidade de se implementar a lógica republicana do “controle dos controladores”. Na esteira popular, fica a pergunta: quem vigia o vigia?

Sem limites claros, transparentes e institucionalizados, o Judiciário brasileiro vai perdendo em escala vertiginosa seu principal ativo: o capital reputacional. E, sem confiança social, não há autoridade legítima - apenas decisões formalmente validadas, mas crescentemente contestadas e desacreditadas pela sociedade, pela Imprensa, nas ruas e nas redes.

Se deseja exercer seus amplos poderes com legitimidade plena, o STF precisa aceitar que também deve ser objeto de controle. Não se trata de uma ameaça à Democracia, mas, sim, uma condição para preservá-la.

 

Mais de 5.000 anos separam a invenção da roda da descoberta da eletricidade como a conhecemos, mas bastaram 500 anos para a viagem que Cabral fez por mar em 44 dias ser feita por ar em menos de três horas (pelo Concorde, que foi aposentado em 2003 por questões de segurança). 


Apesar de ter evoluído mais, nos últimos 150 anos, do que da descoberta do fogo até a revolução industrial, nossa tecnologia ainda não permitiu a construção de naves capazes de alcançar velocidades próximas à da luz, de modo que o fruto mais cobiçado da árvore da relatividade continua inalcançável. Mas Albert Einstein não disse que o impossível é apenas uma questão de tempo; Carl Sagan, que a ausência de evidências não é evidência de ausência, e Arthur C. Clarke, que desafiar limites é a única maneira de superá-los?

 

Como também já foi mencionado, a ciência sabe muito, mas não sabe tudo. A teoria do Big Bang sustenta que o Universo surgiu há cerca de 13,8 bilhões de anos, a partir da expansão súbita e violenta de um ponto sem volume (singularidade), extremamente quente e denso, mas não esclarece o que existia anteriormente (a propósito, Stephen Hawking disse que especular sobre o que havia antes do Big Bang é como querer saber o que existe ao norte do Polo Norte).

 

Segundo as religiões abraâmicas, o mundo — e tudo que nele existe — foi criado em seis dias. No livro The Annals of the World, o arcebispo irlandês James Ussher anotou que o Criador iniciou os trabalhos às 9h00 do dia 23 de outubro de 4004 a.C. Já a ciência estima que a Terra tem 4,5 bilhões de anos, que os primatas surgiram entre 64 e 65 milhões de anos atrás, os primeiros hominídeos, há cerca de 20 milhões de anos e o Homo sapiens, há coisa de 300 mil anos.

 

Segundo a Bíblia, Moisés escreveu o Gênesis e os demais livros do Pentateuco enquanto guiava o povo hebreu rumo à terra que Jeová prometera a Abraão e seus descendentes. Embora dominasse os segredos das águas (seu cajado não só abriu o Mar Vermelho como tirou água de uma pedra), ele só chegou a Canaã após passar 40 anos caminhando pelo deserto do Sinai. A alturas tantas, em vez de falar com uma rocha para que brotasse água — como Deus o havia instruído a fazer —, Moisés bateu na rocha com seu cajado e atribuiu a si mesmo o milagre (Números 20 e Deuteronômio 32). Como castigo, o Deus rancoroso e vingativo do A.T. proibiu-o de entrar na "terra prometida", e ele morreu no monte Nebo, aos 120 anos.

 

Ainda não se sabe se o tempo realmente existe ou se é apenas uma convenção criada por nossos ancestrais para explicar padrões no ciclo do dia e da noite, nas fases da Lua e nas mudanças das estações. No livro Tempo: O sonho de matar Chronos, o físico italiano Guido Tonelli — um dos pais da descoberta do bóson de Higgs — explica como nos relacionamos com o tempo ao longo dos milênios e afirma que não se trata de um conceito abstrato, mas de uma substância material que ocupa todo o universo e se deforma, vibra, oscila. Para oferecer respostas a perguntas como "o tempo flui?", "como a gravidade o retarda?" e "como os buracos negros podem pará-lo?", ele usa não apenas a física, a astronomia e a matemática, mas também a literatura e a mitologia, numa viagem por mundos dominados por efeitos relativistas, onde há um futuro que chega antes do passado.

 

Observação: Julian Barbour — professor de física na Universidade de Oxford (UK) — propõe "um universo sem passado ou futuro, onde o tempo é uma ilusão e todos são imortais". Segundo ele, o tempo não flui; existem apenas diferentes configurações do universo (que ele chama de "agoras"). O físico italiano Carlo Rovelli — um dos fundadores da chamada gravidade quântica em loop — sustenta que o tempo é uma ilusão que emerge das interações quânticas fundamentais. O matemático britânico J.M.E. McTaggart usou um baralho e o pensamento lógico para provar que o tempo não passa de uma ilusão, e que nossa percepção de passado e futuro é apenas uma questão de perspectiva. Mas isso é outra conversa e fica para uma outra vez.

 

Controvérsias à parte, tudo leva a crer que os anos bíblicos fossem bem mais curtos do que os atuais. Matusalém morreu aos 969 anos, e Noé construiu sua famosa arca aos 600. Talvez a proximidade ou o contato direto com o Senhor das Esferas explique tamanha longevidade, mas é preciso ter em mente que a Bíblia é uma coletânea de lendas e tradições culturais transmitidas oralmente por várias gerações, e que a história narrada no Livro do Êxodo é apenas uma delas.

 

Tomando por verdadeira a narrativa bíblica, a saga de Moisés ocorreu entre 1500 e 1200 a.C. Naquela época, doenças, ferimentos e condições adversas — como a escassez de água — limitavam a expectativa de vida a algo entre 30 e 40 anos. Assim, seria virtualmente impossível que centenas de milhares de pessoas (como sugere a Bíblia) sobrevivessem a 40 anos de caminhada pelo deserto, e altamente improvável que seu líder vivesse 120 anos.

 

A expectativa de vida era de 25 a 35 anos no Antigo Egito, na Grécia Clássica e na Roma Antiga, de 30 a 40 na Europa Medieval (podendo ser menor em períodos de fome ou peste), de 35 a 45 no final do século XVIII, e de 40 a 50 no início do século XX. Graças aos avanços da medicina, as pessoas passaram a viver mais — entre 65 e 70 anos na década de 1950 e entre 75 e 80 na virada do século. Em 2025, aos 116 anos, brasileira Inah Canabarro Lucas foi reconhecida como a pessoa mais velha do mundo. Aliás, a expectativa de vida no Brasil saltou de 48 anos em 1960 para 76 em 2023.

 

E pensar que, mesmo depois de milênios de evolução, ainda há quem leve a Bíblia ao pé da letra. Se o tempo é mesmo uma ilusão, talvez Matusalém apenas viveu fora do fuso. Já Moisés... bem, esse merece um capítulo especial. Fato é que a ciência avança, a tecnologia evolui, a ainda assim tropeçamos em velhas crenças com novas roupas. Enfim, entre versões, visões e revisões, seguimos tentando decifrar o tempo — mesmo que ele não exista. 

 

Continua...